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5. Epílogo


Fic: O Amor entre nós [Femmeslash] ATUALIZADA 07/03/2009


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Mordendo uma torrada, Hermione apenas observou Pansy, ainda de camisola e obviamente desejosa de dormir mais. Ela entrou na cozinha com os braços esticados, se movendo devagar ao som da música que Hermione colocara para tocar. Girava na ponta dos pés, de olhos fechados; movia a cabeça e os quadris lentamente, como se ainda dormisse. A morena fitou-a em silêncio, antes de ela puxar a cadeira.
- O que exatamente foi isso? - Perguntou, sorvendo um pouco de chá, e Pansy coçou os olhos.
- Isso foi o que acontece quando você me acorda às oito da manhã num sábado, tocando uma música que fala sobre loucura. - Murmurou, bocejando em seguida. - Não pode me culpar. - Se inclinou na direção da outra, e Hermione foi lhe retribuir o beijo que nunca veio. - Sem beijo pra você hoje. - Pansy disse, próxima de seus lábios, e a fez suspirar.
- Tudo bem, eu sei que é sábado, mas nós temos muitas coisas para fazer. - Replicou, voltando a seu café da manhã sem conseguir desviar os olhos dos cabelos desalinhados da loira. - Tenho que entregar o relatório sobre o Silens Praefoco ainda hoje. - Pansy descalçou os chinelos e, por baixo da mesa, pousou os próprios pés sobre os de Hermione.
- O Hudson abusa da sua boa vontade, Hermione. Aliás, o Ministério inteiro faz isso. - Disse, roubando uma torrada do prato da outra. - Não se cansa de resolver tudo para todo mundo?
- Eu não faço isso. - A morena respondeu, colocando café na xícara de Pansy sem perguntar nada. - Só faço o meu trabalho; e sou muito eficiente nele, aliás. - A loira capturou sua mão e plantou um beijo nela, fitando-a, para depois beber o líquido negro.
- Bem mais do que precisa ser. - Sorriu pela primeira vez no dia, finalmente se sentindo acordada. - Ainda acho que você vai virar Primeira-Ministra. - Hermione rolou os olhos, soltando uma risadinha.
- Eu não apostaria nisso. Eficiente ou não, ainda sou nascida trouxa; e o mundo bruxo não mudou tanto assim depois da guerra. - Pansy deu de ombros, mordendo a torrada.
- E então, está ansiosa para ir socorrer a noiva em fuga? - Perguntou, e a outra riu sem querer. Pansy jamais se cansava de arrumar apelidos para Ginny.
- Eu bem que queria dizer que ela não vai fugir, mas não tenho tanta certeza disso. - Hermione falou, balançando a cabeça. - Não sei qual dos dois é pior: Harry, por insistir tanto em casar ou Ginny, por insistir em tentar gostar da idéia.
- Para mim, eles formam um casal perfeito. - Pansy disse, e algo em seu rosto fez a morena erguer a mão, rindo.
- Não, não continue. Eu imagino que você vai dizer alguma coisa como "o príncipe desencantado e a gata borralheira". - A loira negou com a cabeça, fingindo decepção.
- Tsc, tsc. Errado, não sou tão previsível assim. - Apoiou os cotovelos na mesa e chegou perto da outra, sorrindo convidativamente. - Eu ia dizer que o único casal mais perfeito do que eles que conheço somos nós. - Beijou-a brevemente, deixando Hermione enfim satisfeita, livre para terminar sua refeição em paz.
A morena trabalhava no Ministério, no Departamento de Mágicas Originais, ajudando a decodificar feitiços e maldições inventadas - que ainda causavam muitos estragos -, a rastrear suas origens e a reverter eles. Mas para Pansy, parecia que ela fazia as tarefas de todos os outros funcionários do departamento; a quantidade de trabalho que levava para casa era impressionante. Porém Hermione sentia prazer em passar horas sentada, compenetrada em feitiços arcaicos, latim tradicional, deficiências e falhas em maldições.
Era uma devoradora de livros assumida, desde a mais tenra idade; e a loira conformara-se com isso. Talvez por saber que era exatamente o oposto, arrumara um emprego que exigia muito menos comprometimento: aproveitara-se da sua habilidade natural em feitiços e, depois de se especializar, fora contratada por uma loja de objetos mágicos. Enfeitiçava desde capas antimaldições até colares que faziam quem os usava parecer mais bonito do que realmente era, e não tinha que se envolver nem lidar com vidas. Além disso, trabalhava quase sempre cinco dias por semana e podia aproveitar os finais de semana à vontade.
Invariavelmente, arrastava Hermione de atrás de uma pilha de livros para levá-la a algum restaurante, pub, uma boa danceteria ou apenas um passeio ao longo do Tâmisa. Em troca, recebia apenas a insistência da namorada em tentar infiltrá-la entre Harry, Luna e os Weasleys. Naturalmente, nenhum Weasley a adorava, uma vez que era a responsável pela destruição sentimental de Ronald, sendo constantemente acusada de roubar Hermione do ruivo. Repetia como um disco riscado que a mulher não era nenhum objeto para ser furtada, mas recebia apenas um olhar torto ou uma resposta fria.
Tampouco se importava; se era mais fácil para os outros colocarem a culpa nela a admitir que Hermione preferira-a a Ronald, não havia problema algum. Era fácil ser odiada, já estava acostumada - e mesmo se pudesse escolher, escolheria levar a culpa a fazer a namorada sofrer mais do que já sofrera com a história. Eram adultas, independentes e vacinadas: podiam fazer o que bem quisessem da própria vida.
Foi com esse pensamento, juntamente com a consciência de que não seria capaz de forjar um sentimento por Ron que não era real e de ignorar seu amor por Pansy, que Hermione terminou o namoro com o rapaz e assumiu de vez seu affair com a loira. Estava apaixonada, perdidamente apaixonada; a frase parecia um mantra que repetia há mais de um ano a todos que vinham lhe questionar sobre sua escandalosa decisão. Não ostentava seu namoro e muito menos o espalhava aos quatro ventos; mas quem não era íntimo dela, apenas juntava dois mais dois ao saber que ela e Pansy dividiam um apartamento e usavam alianças idênticas na mão direita.
Perdera a conta de com quantas pessoas se sentara para contar a história inteira; primeiro sua mãe, depois seu pai, então Ron, Harry, Ginny e Luna. Seus pais ficaram chocados, e ela tinha certeza que haviam passado umas boas horas chorando por sua revelação; mas segundo eles mesmos, já haviam se apaixonado e sabiam como era. Sua relação com eles não estava nenhum mar de rosas, porém as coisas estavam se normalizando com o passar do tempo. Apesar de não apoiar, eles aceitavam - e na visão de Hermione, era o máximo que ela poderia exigir.
Naturalmente, Ron tivera a pior reação. Rira, chorara, gritara e depois desaparatara com uma fúria que Hermione temeu que ele deixasse um braço ou uma perna para trás. O ruivo havia ido para sua casa e contado a notícia aos berros para quem quisesse ouvir; ao mesmo tempo em que a morena entendera, não podia deixar de achar sua reação deveras imatura. A novidade se alastrou como fogo em palha seca entre os membros da Ordem, mas os mais velhos tinham maturidade suficiente para não se intrometer no assunto - apenas Ginny e Tonks foram as mais trabalhosas para Hermione.
Harry, surpreendentemente, a apoiara. O jovem se dividia sem saber a quem prestar auxílio, mas arrumara um sábio meio-termo entre Hermione e Ron; além de ter seus próprios problemas, como o desejo de se casar com Ginny e as recusas da garota. Naturalmente, era uma idéia impensável enquanto a ruiva não completava dezessete anos, mas depois de muita insistência Harry conseguiu pôr um anel no dedo de Ginny e marcar a data do casamento. Vê-los juntos só não era romântico porque chegava a ser cômico.
Hermione terminou o café com pressa e foi até seu escritório, sentando-se e suspirando sobre dezenas de pergaminhos, livros e anotações. Faria o relatório sobre a maldição de sufocamento o mais rápido possível, pois ainda tinha que ir até A Toca prestar auxílio a Harry e Ginny, voltar, arrumar seu cabelo, se maquiar e se trocar e rezar um terço para que Pansy resolvesse não chocar os convidados do casamento de alguma maneira.
Havia insistido tanto para a loira acompanhá-la que começava a se arrepender. Não queria deixá-la sozinha, não queria imaginá-la indo a algum pub desacompanhada, e não queria que ela provocasse alguma confusão no casamento - entretanto, sabia que confusões eram a especialidade de Pansy. Ainda não sabia se a quase tentativa de assassinato que Ron cometera ao ver Pansy pela primeira vez desde o fim de seu namoro se devia ao descontrole do ruivo ou a algo que a loira lhe respondera baixo, depois de ser ofendida.
Também não queria saber; apenas desejava que a festa pudesse ser agradável e divertida, sem nenhum contratempo. Lembrou-se, de repente, que Pansy havia escondido o vestido que comprara para ir à cerimônia, e ela não tinha a menor idéia de como era o modelo. Hermione coçou a testa, apreensiva, mas ao invés de reclamar, sorriu para si mesma. Não conseguia deixar de sentir que morar com a loira fora uma das melhores decisões da sua vida; Pansy era adoravelmente subversiva.
ooo
Hermione ainda estava vestida normalmente, quando aparatou no terreno dos Weasleys. Andou calmamente pelo lugar que estava sendo freneticamente organizado e entrou na casa torta, cuja porta estava aberta, chamando por Molly.
Quem lhe respondeu foi Ron, que apareceu na sala acompanhado de Harry. Ela o cumprimentou educadamente, tentando ignorar seu olhar frio, e abraçou Harry, que era um poço de excitação e ansiedade.
- Oi, Mione, que bom que você pôde vir. - Ele disse, e lhe sorriu, acentuando a cicatriz que ganhara perto do olho. - Todas as mulheres estão reunidas com Ginny; preciso da sua ajuda. Não sei que flor eu ponho no bolso do paletó... - Abriu a mão, que tinha três flores esmagadas: uma branca, uma rosa e outra roxa.
- São todas iguais. - Ron disse rispidamente, fitando as flores com a testa franzida. - São só de cores diferentes. Ele está fazendo drama por tudo. - A despeito de seu rosto, Hermione sorriu e tentou ajeitar as mechas negras e confusas de Harry.
- Ora, isso é fácil de se resolver... Por que a dúvida? - Harry a incentivou a subir as escadas com eles, enquanto falava sem parar. A bengala de Ron, sua nova companheira desde a guerra, estalava nos degraus de madeira.
- O problema é que a decoração da festa é branca, as flores são cor de rosa e Ginny acha que vai colocar um vestido roxo... Eu sei, é besteira, mas eu quero que tudo saia direito; ela teimou tanto com esse casamento, não quero que ela reclame. Aliás, a Luna está lá com ela, disse que parece uma maluca; e olha, foi a Luna que disse. Eu não tenho certeza nem que ela vai aparecer... No próprio casamento, dá pra acreditar?
Hermione segurou o riso, passando a mão pelas costas do amigo compreensivamente.
- Harry, ela te ama. Fica calmo. - Tossiu um pouco, adentrando no quarto chocantemente laranja de Ron. - Tudo isso faz parte de um plano diabólico que ela fez porque você não quis namorar com ela antes. - Ele a fitou, com as sobrancelhas muito altas, e ela desatou a rir; Harry jogou as flores em sua direção, resmungando qualquer coisa, antes de olhar no relógio. Ron sentou-se na cama, e seus olhos fitavam o chão com uma insistência estranha. Não conseguia olhar Hermione sem que uma onda de dor, raiva e tristeza lhe corroesse.
- Harry! - Uma voz masculina o chamou do térreo, e ele foi até o corrimão rapidamente. Avistou Fred, acenando para ele. - Desça aqui, não sabemos onde o altar vai ficar... Ginny mudou de idéia tantas vezes que ninguém mais lembra, está doidinha. - Ele virou-se para o quarto novamente.
- Eu volto já. - Disse, e sumiu da vista dos dois com rapidez. Um clima desagradável imperou no cômodo, e Hermione tinha a impressão que Ron a olhava, mas o ruivo estava com o rosto virado para baixo e a franja longa nos olhos, tornando impossível obter a confirmação. Ficava chateada de, mesmo depois de tanto tempo, não conseguir restabelecer sua amizade com ele; amava Ron como amigo, e sentia uma falta sincera de sua companhia.
- Ela vem? - Ele perguntou repentinamente, e Hermione estava tão absorta nos seus pensamentos que não ouviu da primeira vez. - Ela vem? - Ron repetiu, soando terrivelmente mau-humorado.
- Sim. - Respondeu cordialmente. - Espero que sim. Hoje vai ser a primeira grande festa depois do fim da guerra.
- Harry convidou ela? - O homem rebateu, obviamente querendo que a resposta fosse não; mas Hermione apenas mordeu o lábio inferior, exasperada.
- Sim, Ron, convidou; e eu a convenci a vir. - Cruzou os braços na frente do corpo, e ele continuou a fitá-la por trás dos fios de cabelo quase sem se mover. - Honestamente... Quando é que você vai superar isso, Ronald?
Ele ergueu o rosto e tirou a franja da testa, finalmente encarando-a; seu rosto parecia esculpido em pedra, com uma expressão carrancuda. Era a primeira conversa aberta e razoavelmente civilizada que tinham em muitos meses sobre o assunto.
- Você me trocou por uma mulher, Hermione. - Sua voz grave soou, e ele pensou em algo equivalentemente ruim para lhe dizer. - Quanto tempo você levaria para superar caso eu te trocasse por... Draco Malfoy? - A morena piscou com força, mirando o teto por alguns momentos, antes de responder.
- Não sei. Eu ficaria magoada e com raiva, mas uma hora eu iria perceber que seu namoro não precisa estar fatalmente ligado à nossa amizade. - Replicou, um pouco nervosa. - Nunca disse que quis o que aconteceu, Ron; mas aconteceu, e ponto. Pensei que nós fôssemos amigos, antes de qualquer outra coisa. - Completou, sua voz soando chateada, e ele fez um gesto incompreensível.
- Eu também pensei! Mas amigos não fazem o que você fez! - Ron retrucou imediatamente, se irritando. - Sabe lá Deus quantas vezes eu pensei em você enquanto você estava com aquela cadela!
- Não chame ela de cadela. - Hermione replicou entre os dentes. - E o que você preferiria: que eu continuasse com você te traindo quando virasse as costas? O que seria pior?... Ah, Ron, pelo amor de Deus. Eu me apaixonei. - Ela quase choramingou no fim da frase. - Eu me apaixonei e não pude fazer nada. Mas eu fui honesta com você.
Ele cruzou os braços também, olhando para os lados de forma desconfortável, e Hermione desistiu. Talvez dali a uns dez ou vinte anos ele pudesse entender o que ela passara.
- Eu sei disso. - Ron falou depois do que pareceu uma eternidade. - Sei que você foi honesta, mas não justifica. Nada justifica. - Ele coçou a cabeça sob o olhar da morena. - Eu fico louco de raiva quando penso nisso, mas sei que você era minha amiga muito antes de tudo isso acontecer. Só não entendo; eu não consigo entender como tudo mudou assim. - Estalou os dedos querendo demonstrar rapidez e voltou à mesma posição, parecendo muito magoado. Hermione por um ínfimo momento desejou que nada tivesse mudado e todos pudessem estar bem como antes, mas o pensamento logo sumiu quando ela fitou a aliança prateada que levava na mão direita, e suspirou.
- Apenas mudou, Ron. Não porque eu quis, ou porque ela quis. Mas eu não acho que as coisas entre nós têm que continuar assim... Olha para nós, brigando sobre nossos problemas no casamento de Harry e Ginny! - Argumentou suavemente. - A gente devia comemorar por eles, se divertir, aproveitar.
Os olhos de Ron, quando fitaram os de Hermione, pareciam mais calmos do que ela havia visto em muito tempo. Ele concordou, balançando a cabeça, e molhou os lábios antes de dizer:
- Tudo bem, então. Vamos fazer uma trégua. Só hoje, vamos colaborar com a festa e esquecer essa droga toda. - Hermione sorriu sem conseguir se segurar, e ele esboçou um sorriso desanimado para ela também. - Senão, é capaz de Ginny nos usar como desculpa pra desistir.
- Sabe, eu não duvidaria. - Respondeu, alegre, e foi com um alívio imenso que notou o clima leve que se instalou no quarto.
ooo
- Está pronta? - Hermione perguntou através da porta, impaciente. Não conseguia acreditar que Pansy tivera quase o dia inteiro para se arrumar e usara-o para dormir.
- Quase. Espera um pouco, Hermione! - Pansy redargüiu, de dentro do quarto. - Que pressa! Você insistiu tanto para que eu fosse, agora faça o favor de esperar.
A morena olhou o relógio dourado mais uma vez, e suspirou.
- A única pessoa que pode chegar atrasada num casamento é a noiva. - Continuou, batendo os nós dos dedos na madeira, apoiada contra a porta. - E eu sou a madrinha. Vamos, Pansy! - Gemeu, e quase caiu quando a porta se abriu.
- Pronto. - A loira replicou, e Hermione não conseguiu formular uma resposta. Mirou a outra de cima a baixo, surpresa, com as sobrancelhas levantadas.
- Nossa, você está linda. - Pansy vestia o que parecia ser um terninho simples, preto e uma calça Jeans também preta. Ainda assim, estava estonteante; usava um batom neutro e seus olhos estavam maquiados de negro, contrastando com as íris claras. Na mão, carregava uma capa também negra de veludo. O conjunto total estava muito bom. - Estava rezando para você não exagerar. - Hermione disse, rindo.
Pansy lhe sorriu, o velho sorriso maldoso, e jogou os cabelos loiros para o lado com um movimento sedutor.
- A propósito, apesar desse seu vestido sem graça, você também está linda, Hermione. Fica maravilhosa com essa cor. - Disse, descendo as escadas. Hermione desceu rápido atrás dela, seus saltos estalando nos degraus. Usava um vestido modesto, de um roxo muito bonito, com decote arredondado e mangas curtas feitas de renda. Seu cabelo estava preso para cima num coque fixado por magia, e sua face carregava uma maquiagem suave, que realçava sua beleza natural.
- Pansy, vão querer matar você! - Falou, aflita, quando alcançou a outra. Pansy lhe puxou pela cintura e roubou um beijo longo, que a fez se calar momentaneamente; Hermione gemeu quando o beijo acabou, aquietando-se.
- Boba, você não entendeu? Estou assim por sua causa. - Pansy murmurou, perto dos seus lábios. - Porque, quando perguntarem "Foi ela que trocou o namorado por outra mulher?", olhem para mim e digam "Ah, agora entendi". - Hermione não achou graça na piada; estava preocupada demais para achar o assunto engraçado. Passou a mão pelo rosto da loira com suavidade, tentando não pensar na enorme bola de neve que seu relacionamento se tornara.
Pansy sabia no que Hermione estava pensando. Provavelmente estava com medo de que Ronald tentasse assassiná-la - fato que quase acontecera na primeira vez que se encontraram desde o fim da guerra. Deprimente havia sido a única palavra que ocorrera a Pansy para defini-lo; não por causa da cicatriz no rosto ou tampouco pela bengala que o ajudava a caminhar, uma vez que Harry também desfilava cicatrizes e seqüelas. Seu comportamento era o que o fazia ser digno de pena.
Porém a loira não nutria esse sentimento; regozijava-se de pensar que Hermione amava-a o bastante para assumi-la diante de todos os seus amigos. Queria estar linda não para ofuscá-la, mas para a morena poder se vangloriar de sua namorada. Ao menos, teria um motivo facilmente visível para responder as perguntas dos intrometidos.
Hermione desistiu de dissuadir Pansy a trocar de roupa - apenas a fez colocar a capa e se certificou de que a loira estivesse com a varinha em um local de fácil acesso, caso Ron bebesse um pouco demais; então aparatou para A Toca segurando sua mão.
Só havia visto o lugar tão bonito no casamento de Bill e Fleur. Grandes tendas se estendiam pelo terreno d'A Toca, suportadas por pilares de marfim rodeados por flores. Um palco ainda vazio, porém muito iluminado, chamava a atenção no lugar; uma grande pista de dança se estendia à sua frente, convidativa. Sob outras tendas, havia mesas redondas e pequenas, balcões grandes recebendo bandejas de comida e cadeiras postadas diante de um lindo altar também em marfim. Arranjos de flores coloridas espalhavam-se, e tudo parecia brilhar.
Jornalistas rodeavam o lugar como abelhas, desesperados por alguma boa foto ou declaração, mas estavam magicamente impedidos de adentrar no terreno. As duas admiraram o lugar por algum tempo, que ainda continha apenas funcionários dando os toques finais ao lugar. Hermione deixou Pansy a contragosto do lado de fora, e entrou na casa para cumprir suas obrigações de madrinha. A loira contentou-se em caminhar pelas tendas, examinando o ambiente.
Logo na sala, Hermione encontrara Charlie, Molly, Arthur e Fred, e fora recebida calorosamente. Ginny gritou seu nome do segundo andar, e ela subiu rapidamente, encontrando Ron no corredor.
O ruivo não disse nada; apenas a fitou, piscou amigavelmente e continuou caminhando. Hermione entrou no quarto e foi recebida com um abraço apertado demais para ser de felicidade.
- Mione! - Ginny gritou no seu ouvido, e a morena fez uma careta. - Onde você se meteu?! - A ruiva a agitou pelos braços, parecendo louca, a grinalda torta na sua cabeça. - Você demorou demais! Os convidados vão chegar daqui a dez minutos e eu nem decidi o que vou vestir! - Soltou-a e mirou quatro vestidos estendidos na sua cama, se movendo ansiosamente. - Cada uma acha que eu devia colocar um vestido diferente antes da cerimônia, e eu não sei qual escolher. Casamento, casamento, que idéia... Como eu fui concordar com isso...
Tonks riu, sorrindo para Hermione, que cumprimentou ela e Luna.
- Tivemos que tirar Molly daqui. - A mulher de cabelo rosa disse, e apontou para Ginny. - Está vendo ela? A mãe estava três vezes pior.
- Eu não consegui agüentar a gritaria. - Disse Luna, fitando Hermione com os seus grandes olhos azuis, usando um vestido rosa tão forte que chegava a doer os olhos. - Eu disse a Ginny para escolher o vestido azul, ela tem que combinar com o céu, mas ela quis esperar você.
Hermione suspirou, sob o olhar desesperado de Ginny, que agitava uma mão em direção aos vestidos. Casamento, pensou, e riu sozinha.
ooo
- Pansy. - A loira deu um pulo, surpresa, saindo de seu devaneio. Remus e Molly estavam a seu lado, e ela se perguntou como não tinha reparado neles antes. A mulher parecia ligeiramente contrariada com sua presença, mas Remus sorria-lhe de uma forma acolhedora.
- Não fique aí, Parkinson, a festa nem começou. - Molly disse, se esforçando para ser simpática, e ela bateu os cílios displicentemente.
- Olá, Sra. Weasley. Estou só tomando um ar. - Replicou, olhando as pequenas flores que pareciam estar em todo canto.
- Vamos, não fique parada de pé, como se fosse parte da decoração. - A ruiva respondeu, um pouco mais aberta. - Entre e tome alguma coisa.
Pansy não conseguiu controlar sua reação: fitou-a com os olhos arregalados, e Remus riu diante de sua expressão. A matriarca Weasley apenas sorriu com alguma dificuldade e acenou para ela seguí-la, enquanto lhe dava as costas e andava de volta para a casa. Vencida, Pansy caminhou atrás dela com Remus ao seu lado, conversando amenidades.
Estava perto da entrada quando pousou a mão no ombro do lobisomem e lhe apertou, sussurrando para ele:
- Remus... - Ele ergueu uma sobrancelha. - Você jura que eles não vão me devorar? - O homem riu sonoramente, negando com a cabeça, e ela engoliu em seco antes de pisar dentro d'A Toca.
Estava acostumada a sentir-se o prato principal de um jantar - e não no bom sentido - mas nada podia prepará-la para o que encontrara na sala de estar da pequena casa. Pessoas alegres, falantes e risonhas, cujas reações ao vê-la foram apenas um aceno de cabeça ou um sorriso distraído. Pansy havia grudado em Remus, pensando que este era o único ser confiável do lugar, mas a sensação de perigo passara. Apenas os olhos azuis de Ronald, fulminando-a, pareciam ser contrários à sua presença.
A loira cumprimentou os membros daquela família com a mesma tranqüilidade e frieza habituais, e sentou-se, aceitando um copo de hidromel que Arthur lhe oferecia. Talvez fosse a vontade de dormir mais um pouco, talvez não; mas estava estranhamente propensa a devanear aquele dia. Mirou o copo por alguns segundos, divagando.
Hidromel, era o que estava bebendo. A vodca havia sido sua companhia nos piores momentos de sua existência; e o whisky havia lhe proporcionado os melhores acontecimentos e revelações da sua vida. Mas já não precisava de nenhuma bebida alcoólica - hidromel era mais que suficiente para satisfazê-la, uma vez que andava permanentemente embriagada desde que se apaixonara por Hermione. Sorriu para si mesma, pensando no apartamento que dividiam; sua opção favorita, nos últimos meses, era ficar sóbria para desfrutar de cada olhar, cada beijo, cada riso de Hermione. Os pés quentes da mulher encostados nos seus pés gelados, sua inexplicável alegria de manhã que contaminava o mau humor matinal de Pansy, sua mania de dormir com alguma luz acesa contrastando com o gosto da loira pela escuridão total.
Finalmente bebeu do copo, sendo convidada por Remus e Charlie a participar de uma conversa. As Esquisitonas, sim, formavam uma ótima banda, era mesmo uma sorte terem o dia vago para tocar no casamento. Ginny não obrigara todas as madrinhas a vestir uma só cor, achava brega, e com razão; Harry ainda não tinha dado as caras, passara quase o dia inteiro trancado no quarto de Ron, nervoso e irritantemente feliz. Entre uma frase ou outra, Pansy pegava Ron fitando-a, com a mão no bolso, e sorria cinicamente para ele.
O que diabos eu estou fazendo aqui? Pensou, enquanto corria os olhos pela sala cheia de ruivos. Apesar de tudo, se sentiu feliz; feliz de fazer parte de um evento, mesmo que fosse apenas uma cerimônia de casamento. Feliz e também aliviada - não queria ir desde o início, prevendo um ataque em massa contra sua pessoa, mas Hermione insistira na idéia falando que seria legal, ela iria se divertir, muito tempo já havia se passado, etc. No fim, estava feliz por sua namorada estar certa.
Os Weasleys foram ficando cada vez mais ansiosos e agitados conforme os convidados iam chegando, e Pansy foi novamente arrastada por Remus para fora d'A Toca. Andou um pouco, conversou com alguns ex-alunos de Hogwarts, bebeu alguns goles de champanhe, respondeu positivamente a um atrevido que questionou sobre seu "caso" com Hermione. Estava ficando entediada quando esta surgiu do nada, tocando seu braço, sorrindo alegremente.
- Aí está você. - Disse, e Pansy apenas acenou com a cabeça. - Você não tem idéia do que está sendo ficar no quarto com Ginny. Ela está simplesmente histérica, além de ficar praguejando contra o casamento.
- E isso é alguma novidade? - Pansy replicou, sorrindo. - Ela vai se casar, Hermione, tenha um pouco de paciência; e ainda por cima com Harry Potter. Eu, no lugar dela, estaria apavorada. - A morena rolou os olhos, bem-humorada, e pescou uma taça de champanhe da bandeja de um garçom. O ruído da festa havia aumentado consideravelmente, e a iluminação ia ficando mais forte conforme o sol se punha.
- Harry, em compensação, está nas nuvens. Não liga para mais nada; parece um bobo, piscando e falando da Ginny. Acho que quem vai chorar no altar é ele. - Hermione continuou, andando devagar com Pansy para perto do buffet.
- Bem, eu choraria; não de alegria, mas choraria e muito. - A loira fez graça, e a outra acenou com a mão para ela, sorvendo o líquido borbulhante.
- Ora, para quem não queria vir você está bem alegre. - Pansy a imitou, e acenou para algum lugar à sua esquerda.
- Não acredito, é o Grant. Oliver Grant; um idiota brilhante, eu fazia dupla de Feitiços com ele. Quem o convidou? - Puxou Hermione pela mão, desviando-se dos outros, enquanto um rapaz moreno acenava de volta. Parou no meio do caminho apenas para responder-lhe. - E claro que eu estou alegre. Não fui atacada até agora. - Sorriu, exibindo os dentes, enquanto retomava seu caminho, seguida por uma Hermione animada e falante.
ooo
- Deus, quantas vezes vou ter de falar? Ele é não um produto para ser trocado, pare de falar assim. - Hermione repetiu pelo o que lhe pareceu a milésima vez, e olhou aborrecidamente para Lavender. A loira encolheu os ombros.
- Ah, você entendeu o que eu quis dizer. Mas então, se você deu o fora nele, ele está livre? - Sorriu um sorriso amarelo, e a morena fitou-a acidamente.
- Está; mas não para você. - Lavender ficou séria. - Ron merece coisa muito melhor. - Finalizou, balançando a cabeça e dando as costas à mulher. Parou perto de Fleur, que admirava Harry e Ginny dançando com um ar de melancolia, e fitou o casal também.
Fleur olhou-a momentaneamente, ensaiando um sorriso, e voltou a mirar os dois rodopiando felizes pela pista. A festa ia a todo vapor; muitas pessoas estavam dançando também, desinibidas provavelmente por causa do champanhe. Hermione batia o pé no ritmo da música, enquanto quatro mulheres tocavam sobre o palco e uma jovem cantava com empolgação; até Molly se rendera, dançando com seu marido.
Pansy engatara uma conversa apaixonada com Remus e um outro funcionário do Ministério, amigo de Arthur; gesticulava, inclinava a cabeça, ria às vezes. Hermione apenas fitava-a, silenciosamente contente, sua expressão doce. Fitar Pansy fazia-a perceber que tudo, absolutamente tudo, valera a pena. A loira notou os olhos castanhos dela colados em si; retribuiu o olhar e deu uma piscadela, voltando a conversar por apenas mais alguns minutos.
Ron andava ao redor dos outros, às vezes se metendo em alguma conversa ou fazendo alguma piada; estava contrariado com a presença de Pansy, mas - a que custo, só ele sabia - estava se controlando e praticando sua sociabilidade. Algumas vezes, cruzava com Hermione e lhe dava o olhar mais pacífico que conseguia, fazendo a morena ficar grata e admirada pelo seu esforço.
A banda começou a tocar uma música lenta, e a jovem vocalista iniciou uma letra em francês - perrfeitament, segundo Fleur. Pansy se afastou da conversa e começou a contornar a pista de dança, os olhos conectados aos de Hermione, e uma expressão no rosto que fez a morena sorrir incontrolavelmente. Quando Pansy chegou perto, já sem a capa e atraindo dezenas de olhares para suas costas nuas, apenas sorriu misteriosamente para Hermione e disse:
- A senhorita gostaria de dançar? - Perguntou charmosamente, e a outra negou com a cabeça.
- Não seja maluca, Pansy. - Hermione tentava reprimir seu sorriso sem sucesso; a loira se aproximava dela muito lentamente.
- Ah, vamos, eu sei que você quer... - Ergueu a mão e a estendeu, mostrando o pulso branco. - Só essa música.
Fosse apenas paranóia ou não, Hermione sentiu que estavam sendo mais olhadas do que deveriam; mirou a mão pálida da outra e suspirou.
- Pansy... - Avisou, fechando os olhos brevemente, quase numa prece.
- Essa música é tão romântica. Não faça essa desfeita comigo. - A outra replicou, usando todo o charme que conseguia, e Hermione ergueu uma sobrancelha.
- Como você sabe que é romântica? - Perguntou, perspicaz, e Pansy desviou os olhos para o lado antes de responder.
- É francesa. Tem que ser. - Riu levemente, piscando devagar. Sua mão ainda se sustentava no ar, e ela completou num sussurro. - Não me deixe assim, esperando...
Hermione cerrou os dentes; pegou mais uma taça de champanhe de outro garçom e tomou seu conteúdo de uma só vez, devolvendo-a para a bandeja e perdendo a conta de quantas já consumira. Respirou fundo e deu a mão para Pansy, que sorriu vitoriosa. Ela a conduziu para a pista, e a morena sentiu seu rosto e seu pescoço ruborizarem violentamente conforme pousava a outra mão no ombro da namorada; tentava desesperadamente não olhar ao redor e contabilizar quantas pessoas estavam mirando-as. e disse entre os dentes:
- Você vai me pagar. - Pansy sorriu levemente, agarrando sua cintura e iniciando a dança.
- Tenho certeza disso.
Harry repentinamente pegou Ginny no colo, fazendo-a soltar um grito de susto e puxar todas as atenções; e Hermione sentiu que tinha uma dívida eterna com o amigo por seu ato de clemência.
- Só tente parecer menos com uma condenada indo à forca. - Pansy murmurou, fazendo-a rir e relaxar um pouco. Viu de relance que Ron fitava-as com os olhos injetados, parado como uma estátua perto da pista; porém acreditou que seria melhor ignorar sua expressão do que deixar margem a uma briga. Não levou muito tempo para esquecê-lo e apreciar a dança.
- Até que não está sendo tão ruim, você é uma ótima dançarina. - Falou, balançando-se ao ritmo da melodia. - E a cantora é uma graça. - A mão de Hermione apertou a sua imediata e inconscientemente. - A voz dela, claro. - Pansy completou, rindo, e a morena fez um careta.
- Engraçadinha. - Girou com Pansy, e as duas já não chamavam tanta atenção assim. Talvez pelo seu descompromisso com terceiros, talvez pelo excesso de taças de champanhe, tampouco se importavam com a pouca atenção que chamavam; estavam simplesmente felizes.
- Sabe, Pansy, não estou brava... Mas isso não significa que vou deixar isso barato. - Hermione murmurou perto do seu ouvido. - Não me admiraria se amanhã virássemos capa de alguma revista idiota.
- Que seja. - A outra respondeu perto do seu ouvido. - Se isso acontecer, vou sair na rua ainda mais contente. Sou a namorada da futura Primeira-Ministra da Magia. - Disse, a voz orgulhosa.
- Oh, pare com isso. - Hermione redargüiu. - Se isso acontecer, aí é que não serei Primeira-Ministra. - Riu, e pousou um beijo atrevido no pescoço da loira. - O único cargo que quero, eu já tenho. - Se afastou apenas o suficiente para fitá-la, e seus olhos transmitiam um carinho imenso. Pansy sorriu, e replicou:
- Ah, que linda. Acredito em você. - Molhou os lábios e retribuiu com um olhar intenso e apaixonado. - Mas você está ficando bêbada.
Hermione riu, dando-se conta do quando amava sua vida. Pansy ficou muda e voltou a dançar, sem esperar resposta; mas apesar disso, a voz da morena soou melodiosa e despreocupada quando ela replicou:
- Isso não muda nada... Mas provavelmente estou.

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