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8. Primeiros passos


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 8



PRIMEIROS PASSOS

Dois dias se passaram correndo. Harry estava nervoso como nunca em sua vida. Hermione havia tido coragem para escrever a MacGonagall e pedir uma hora para conversarem. Não foi sem surpresa que a resposta chegasse ao mesmo dia. Hermione sempre fora a menina dos olhos da velha diretora.
Ocupada com seu cargo, ela marcara dali a dois dias, quando os alunos estivessem em uma visita a Hogsmead e a escola estivesse quase vazia.
Em poucas horas eles estariam de volta a Hogwarts. Não seria como no passado, mas eles estariam novamente no lugar que ele mais amava no mundo.
Hermione parecia distante sobre esse fato, e mais atacada em relação a como seriam recebidos e como seria aceita sua versão dos fatos.
Para ser franco, ela tinha mais razoes para estar nervosa do que ele. Há dois dias ela vinha vigiando-o para que ele não fosse atrás de Ginervra.
Harry entendera as razões de Rony e não pretendia se aproximar. Apenas vê-la de longe uma ultima vez. Ver com seus próprios olhos que ela estava bem sem ele.
-Ela perdeu o marido, Harry – ele podia ouvir a voz de Hermione soando em seus ouvidos, quando ela perdeu a calma e o colocou contra a parede – Ronald disse que está grávida, numa gestação difícil. Ela não precisa ficar triste nesse momento. Deixe-a ter paz para ter seu filho. Só então, procure-a, se ainda achar que deve.
Ele tinha que concordar. Eles tinham razão. Gina amava outro homem, mesmo morto, e teria um filho. Ela não precisava dele.
Desconsolado, ele olhou para a imagem a frente.
Dera espaço pessoal para que Hermione tivesse um momento só seu. Ela o surpreendera ao pedir que fossem a uma Igreja trouxa. Era uma forma de se despedir de seus pais, ele achava.
Há uma hora ela estava sentada num banco de madeira, no fundo da bela construção religiosa e parecia pensar. Não havia tristeza, não havia lágrimas, apenas aceitação.
Ele entendia esse sentimento, pois depois de muito sofrer pela morte dos pais, ele finalmente fora capaz de aceitar o fato, e sendo Hermione mais madura que ele, era capaz de entender que a raiva e a revolta não fariam nenhum bem naquele momento.
Olhando para ela, numa distancia segura, ele pensava se as brincadeiras feitas há dois dias atrás eram apenas brincadeiras. Hermione havia se transformado em uma mulher muito bonita. Era uma jovem bonita, mas havia desabrochado e ele podia se imaginar tocando-a ou beijando-a, como qualquer homem normal faria.
Não conseguia se imaginar sendo feliz ao seu lado, mas poderia dar tempo ao tempo como ela dissera. Quem sabe eles não pudessem se acertar?
Tinha vinte e seis anos, e era sozinho. Sem família, sem amigos. Harry sentia-se responsável por ela, que não tinha sequer como se prover sozinha no momento, isso não sendo um problema para ele, mas sim para o orgulho de Hermione.
Com essa idade eles já teriam uma família, ele com certeza queria ter tido uma família. E se Hermione quisesse o mesmo, eles poderiam se acertar, não poderiam?
Ela entenderia que ele amava Gina e demoraria a esquecê-la, e ele entenderia que ela sentia o mesmo por Ronald. Não haveria ciúmes ou cobranças, eles não se amavam como homem e mulher.
Ao mesmo tempo que essa perspectiva o aliviava, por saber que não seria só para sempre, por outro lado trazia uma dor terrível.
Ele enrijeceu os ombros quando ela levantou-se finalmente. Haviam comprado algumas mudas de roupas provisórias até saberem para onde iriam e o que fariam e ela vestia um básica de linho e um jeans. Botas de salto e amarrara os cabelos num rabo de cavalo. Suspeitava que ela estivesse testando alguma maquiagem, pois seus olhos estavam delineados por algo que os tornava maiores e mais bonitos.
Ele por sua vez, optara pelas mesmas roupas que usava no passado, mais adultas, porém sem grandes novidades.
Cabisbaixo, esperou que ela se aproximasse, para só então olhar para ela.
Hermione sorriu e estendeu o braço tirando o boné de sua cabeça.
-Não precisamos mais nos esconder -ela disse mansamente.
-Como está se sentindo? -ele perguntou querendo achar um jeito de consolá-la.
-Bem...sinto-me bem por não ter estado aqui e ter visto meus pais morrerem, teria sido ainda mais triste – confessou – e sinto-me mal, por não ter estado aqui e ter me despedido quando pude – afastou os olhos, cheios de lágrimas – Temos que olhar para frente, Harry. Só para frente.
-Tem razão, tem toda a razão, Hermione – ele segurou sua mão e a conduziu para fora da Igreja, para a luz do dia.
Tinha algo a contar a ela, mas ainda não se sentia seguro.
-O que é, Harry? -ela perguntou sagaz – O que está me escondendo?
-Rony me escreveu hoje pela manhã – disse de uma vez só, vendo-a parar e olhar para ele surpresa.
-O que ele queria? – havia incerteza em sua voz.
-Pediu que o avisasse antes de dar qualquer entrevista. Quer tempo para preparar Gina para a surpresa.
-Acho que ele tem razão – ela concordou – Vai ser uma surpresa e tanto!
-Acha que ela me procuraria? – ele perguntou de repente.
-Acho possível -ela admitiu – Gina era apaixonada por você desde pequena. Ela dizia que nem sabia o que era amor, mas já te amava. Não é fácil esquecer um amor assim – disse pensando nela mesma – Por outro lado, para ela passou-se dez anos, ela pode ter se apaixonado pelo marido e ter realmente te esquecido. Precisa estar preparado para isso, Harry.
-E você? Vai me contar o que havia entre você e Rony? -ele desconversou, vendo-a corar. – Eu não era cego, Hermione, nem burro.
-Nós...estávamos ficando, eu acho... – deu de ombros – Namorando, talvez. Era só isso, alguns beijos roubados.
-Só isso mesmo? -ele estreitou o olhar – Sabe que Gina e eu...? – deixou no ar.
-Sei, ela me contou que perdeu a virgindade com você – ela sorriu maliciosa – e também disse que foi bem desengonçado!
-Ah, ela não diria isso! – ele ficou surpreso – Mas tem razão, foi mesmo. – admitiu sorrindo. – E quanto ao rony? O que vai fazer em relação a ele?
-Nada. Eu não quero vê-lo. Não me oponho se quiser vê-lo, mas da minha parte, quero distancia.
-Porque ele se casou?
-Porque ele tem uma família, Harry. – admitiu –Ele sabe quem é. Eu não sei quem eu mesma sou. Não daria certo.
-Tem razão, você sempre tem razão, Hermione – apanhou sua mão,enlaçando os dedos enquanto andavam, pensativos e perdidos em sentimentos tristes.
O passado não volta.
Essa certeza matava Harry.

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