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7. O lar


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 7


O LAR


Ele sentou-se no sofá da sua sala, no escuro. Era bem tarde, mas ele estava zonzo e não iria se arriscar nos degraus da escada. Mesmo porque, não queria subir e deitar-se na cama que o esperava.
Com o braço sobre os olhos ele lamentou a luz sendo acesa e quase soltou um palavrão. Não precisava olhar para saber quem era. Ele já imaginava o que viria. Mary, vestida em seu robe de seda, usando a camisola curta e verde esmeralda que ele lhe dera de presente de aniversario. Ela provavelmente, teria calçado os chinelos de salto, que usava junto com a camisola. Seus cabelos louros, cortados na altura no ombro estariam soltos e emoldurando sua face angelical. Seus olhos azuis, vítreos, estariam opacos como sempre, mirando-o com magoa.
Em outras noites como aquela, quando o álcool fazia mais efeito que a razão, ele até a levaria para a cama e usaria de seus atributos físicos, mas nessa noite em particular, ele só queria que o mundo o deixasse em paz.
-Perdeu o jantar de comemoração que sua mãe fez – ela disse com voz doce. –Molly fez sua torta preferida. Eu trouxe um pedaço, está na cozinha, se estiver com fome.
-Hum...obrigado – ele disse de má vontade, olhando para ela com resignação.
-Você bebeu? -ela perguntou, movendo-se em sua direção com incerteza.
-Só algumas doses -ele admitiu – Não estou bêbado, não se preocupe.
-Você nunca fica bêbado -ela disse sorrindo – Não pode ser culpado por gostar de beber algumas doce, Rony.
Mas ele não gostava, pensou. Só o fazia para esquecer. Esquecer o que perdeu. Esquecer o que jamais poderia ter. e nessa noite em especial, esquecer que não perdeu nada e que poderia ter tudo que desejou, se sua vida não estivesse tão complicada e não houvesse colocado suas filhas em primeiro lugar.
-Vou tomar um banho – ele avisou, fugindo dela.
De pé, ele foi interceptado por Mary e seu olhar generoso, tocando sobre sua camisa, e correndo os dedos por seu pescoço e cabelos. Ela sabia do que ele gostava.
-Faz uma semana, Rony. –ela disse com lábios cheios e molhados, convidativos – Estou com saudade de você, da nossa intimidade.
Teve ganas de perguntar: qual intimidade? Eram apenas dois estranhos fazendo sexo ocasionalmente, isso porque ele estava preso a ela. Caso contrário, nem isso teriam. Sabia que parte disso era culpa sua. Mary se esforçava para ser a esposa perfeita. Mas ele não queria a esposa perfeita. Ele queria gritos e brigas, queria ovos queimados e livros espalhados pela casa. Ele queria a confusão que teria sido sua vida com Hermione.
Com essa verdade no olhar, ele afastou suas mãos e disse tentando não ser maldoso:
-Estou cansado – avisou, querendo acabar logo com aquilo.
-Sempre esta cansado para mim – ela acusou, como sempre mexendo com seus eterno sentimento de culpa por não poder ama-la – Eu tenho necessidades, Rony. De amor, de carinho. Eu desejo você comigo, ao meu lado. Os outros casais da nossa idade e saudáveis não ficam tanto tempo sem fazer amor – ela ponderou – Eu tentou entender, embora não saiba o que é para ser entendido, mas eu aceito assim mesmo. Mas tenho meu limite. – sorriu para quebrar o clima de reclamação, aliás, como ela sempre fazia – as meninas estão dormindo, você está uma bagunça – ela riu mexendo em seu cabelo para desarrumá-lo, indo audaciosamente beijar seu pescoço de uma forma muito sedutora – Porque não me deixa cuidar de você? Heim, o que acha?
Era tentador. Obter prazer e esquecer do mundo. Mas não hoje, não com a dor que sentia em seu peito. Dor que não adiantava tentar explicar, Mary jamais entenderia.
-Sinto muito – ele disse segurando seus pulsos e afastando-a.
A magoa em seu olhar o fez sentir-se ainda pior. Tudo bem, eles haviam começado errado, mas havia cinco anos que viviam juntos e ela sempre se esforçava para agrada-lo. Era sempre perfumada e bonita, sorridente, mesmo quando ele a ignorava. Era honesta e jamais a vira olhar na direção de outro homem. E era compreensiva e parecia se culpar pela infelicidade de ambos, mais do que ele.
Como agora, em vez de gritar ou bater nele, como ele gostaria que ela fizesse, Mary apenas afastou-se e sorriu, escondendo o brilho úmido de seus olhos enquanto dizia calmamente:
-Vá, Rony, suba e tome seu banho. Vou esquentar sua janta e pegar um pedaço do bolo de Molly. Levo no quarto, assim não acordamos as meninas.
Ele preferia mil vezes que ela desistisse primeiro, desse modo ele poderia se separar sem sentir a culpa de estar destruindo um lar que Mary se esforçava tanto para manter para as meninas. Mas Sara e Hermy não mereciam que ele as abandonasse.
E mesmo que viesse a ter coragem para tanto, o que ele faria de sua vida?
Antes, seria um ermitão solitário, sofrendo a dor das percas que tivera em sua vida. E agora, seria um ermitão sofrendo a dor de ter perdido algo que poderia ainda ser seu.
Confuso, ele fez a única coisa que sempre o deixa mais calmo e centrado. Andou pelo corredor estreito de sua casa, abriu a porta do quarto rosa, onde as meninas dormiam e checou o sono delas.
Sara dormia descoberta, agitada, chutando as cobertas sempre que ele tentasse cobri-la, e ele desistiu. Ela era a mais sapeca, e ansiosa, sempre alerta e um pouco brigona. Já Hermy, sua pequena tracinha, era quieta e doce. Sempre apegada os livros. Ele quisera chamá-la pelo nome de Hermione no dia em que ela fora colocada em seus braços na maternidade e ele virá que embora gêmea ela tinha os olhos castanhos escuros, muito parecido com de sua melhor amiga e primeiro amor. Mas seria covardia com Mary impor a ela a presença da primeira grande paixão da vida do marido.
Mais calmo ele saiu e fechou a porta, indo refugiar-se no banheiro. Embaixo da água fria que apagava a imagem de Harry olhando-o com desmedida expectativa, esperando algo dele, e sobretudo apagava a imagem tão contraditória de Hermione e sua frieza, de seu corpo tão diferente e tentador.

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