CAPITULO 4
NUNCA ACABA
-Como é possível?
Harry parou próximo a porta quando ouviu a voz exasperada de Rony, ele também havia se erguido e os encarava, uma veia pulsando em seu pescoço, como se estivesse se contendo.
-Não é possível que isso seja verdade!
-Está nos acusando - Harry constatou afastando-se de Hermione e se aproximando-se do antigo melhor amigo – Alguma vez menti para você? – viu seu olhar confuso e continuou - Meus únicos planos na vida eram matar Voldemort, me formar e talvez ter uma família com sua irmã. Então porque em nome de Merlim eu fugiria?
Rony nada respondeu e isso enfureceu Harry.
-Depois de quatro hercrux! Eu fugiria depois de encontrar e destruir quatro hercrux??? Depois de quase ser morto dezenas de vezes??? Porque não fugir antes??? não é o que os covardes fazem? Fogem antes? Acha que Hermione e eu devíamos algo para alguém? Se tivéssemos fugido juntos, estaríamos fugindo do que? De quem? Éramos independentes e solteiros. Eu namorava gina, mas não era um compromisso que exigisse que fugíssemos! Pense rony! Qual motivo teríamos para fugir?
-Rony sabe que não fugimos – Hermione disse com voz cansada – Ele sabe disso...mas é mais fácil acreditar nisso do que aceitar o que aconteceu. – ela tirou os óculos e Harry mirou seus olhos úmidos – Eu preferia ter fugido a ter perdido todos esses anos, Harry...Não pense com sua mente de dezesseis anos, ou seu coração de dezesseis anos, Harry. Eles lhe guiaram errado. Rony faz parte do seu passado. E você do dele. – essas palavras doeram, mas entraram fundo em Harry – Esqueça, da mesma forma que foi esquecido. – ela fechou os olhos e retomou seu controle, olhando para Rony brevemente – O cofre ainda tem a mesma senha?
-Possivelmente, ninguém esteve lá depois de tudo – ele respondeu desapontado com sua frieza.
-Prof.MacGonagall ainda leciona em Hogwarts? -ela perguntou sem olhar mais para ele. Era apenas uma fonte de informações para sua mente aguçada.
-Sim. – ele sentiu-se mal a cada resposta.
-O Profeta diário ainda está no mesmo lugar?
-Porque isso importa? -ele exasperou-se com sua indiferença. – Sim, está.
-Vamos, Harry, já vai anoitecer – ela estendeu a mão em sua direção e Harry aceitou seu gesto, sem olhar para Rony.
Hermione tinha razão.
O passado os esquecera.
Eles tinham que fazer o mesmo.
O silêncio era mortal.
Mortal como os olhares. Todos os doentes estavam paralisados fitando Harry Potter, vivo e saudável bem a sua frente.
Hermione percebeu quanto suas palavras fizeram sentido a ele, quando Guilherme Wesley fora chamado em sua sala particular de gerente, para atender aquele ilustre e desaparecido visitante.
O tempo e possivelmente muitas poções haviam desaparecido com as marcas mais feias de seu rosto, tornando-o uma sombra da beleza que tivera no passado, porém muito mais agradável do que no pôs-ataque do lobisomem que qause o matara,
-Harry? –ele apressou-se ficando bem perto e olhando-o em busca de algo. Possivelmente sua cicatriz – Harry Potter- ele constatou.
-Preciso ir até meu cofre – Harry disse sério e Hermione admirou seu esforço para não demonstrar emoções.
-Estamos com pressa – ela acrescentou.
-Hermione Granger, suponho. Seria impossível não ser – Guilherme sorriu – Me acompanhem a minha sala, tomaremos um chá e conversaremos, os doentes podem ir a seu cofre e...
-Estamos com pressa – Harry o cortou.
-É claro – ele ficou confuso, mas retomou sua postura digna – Me acompanhem, por favor.
Todo o longo caminho em direção ao cofre particular dos Potters foi feito naquele silencio terrível, sob os olhares de Gui Wesleys, aqueles olhares que dizia que ele estava com mil perguntar na ponta da língua.
E foi quando o cofre se abriu e os três entraram que ele falou:
-Muitos anos trabalhando em um banco nos faz perceber certas coisas. Sabem, como é, os mortos nunca voltam para buscar seus pertences – ele apontou em volta – Mas os covardes sim. Eles não ficam muito tempo sem dinheiro, dificilmente ficariam dez anos sem tocar nessa fortuna. – olhou para os dois – Rony já sabe que voltaram?
-Sabe – Harry disse com um tom mais ameno, aliviado em haver uma viva alma que não os julgasse – Não que pareça se importar muito, mas sabe.
-Rony é o Rony – Gui disse dando de ombros – Foi uma barra para ele depois que desapareceram. – viu que Hermione olhou para o lado como se não se importasse – Levou alguns anos para que ele desistisse de procura-los e voltasse para casa. Três anos na verdade. Só voltou porque isso estava matando mamãe de tristeza.
-O valor dos galeões ainda é o mesmo? – Hermione o interrompeu, a voz um pouco tremula.
-Sim, é.
Ela olhou para Harry que moveu-se pelo cofre. Havia sido organizado e estava muito limpo.
-Mudamos o sistema de segurança e cuidado com os cofres – Gui disse orgulhosos – Sou gerente agora.
-Parabéns – Harry conseguiu sorrir – Tenho certeza que merece. Levarei isso por enquanto – ele disse a Guilherme como se fosse apenas um empregado.
-Como quiser, Sr.Potter – era obviamente uma formalidade para Gui, pois da parte dele não havia nenhum tipo de ironia ou maldade. – Recomendo o Hotel Chifre enrugado – ele disse simpático – É o melhor da cidade.
-Obrigada – Harry não estendeu a mão na saída, mas desejou faze-lo.
Guilherme sempre fora um homem honrado e compreensivo. Não era um cabeça dura como Rony. Não mesmo!
Na velha calçadinha de pedras em frente ao banco, os dois se entreolharam.
Não foi preciso palavras. Aparataram para o hotel.
O hotel era pequeno e parecia aconchegante. Harry fez um gesto para que ela entrasse, enquanto ele ia até o barzinho logo em frente. Precisavam comer alguma coisa e dificilmente encarariam a mesa de almoço do hotel naquela situação.
-Por favor, dois quartos – ela disse para o rapaz da recepção.
-Em nome de quem? -ele perguntou entediando com sua pena mágica em risque.
-Hermione Granger e Harry Potter – ela disse rápida vendo-o arregalar os olhos.
-Uau! – ele disse em choque – Pensei que fosse uma piada! – ele esbravejou incrédulo.
-E onde ouviu essa piada? -ela perguntou mal humorada.
-As reservas já foram feitas – ele apontou para um ponto atrás dela.
Hermione se virou enraivecida e parou ao ver Rony de braços cruzados um pouco além dela.
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