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3. Dentro de você


Fic: Depois da meia noite Rony x Hermione- by marja


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CAPITULO 3




DENTRO DE VOCÊ

cap 3

Aparataram em um canto escuro, entre dois antigos prédios. Hermione foi a primeira a se mover. Aproximou-se da rua e corajosamente olhou em volta.
Tudo normal, ela pensou, surpresa e confusa. Bruxos passavam apresados e era claro que tanta movimentação só teria uma motivação: o inicio das aulas em Hogwarts.
O dia claro contrastava com o brilho dos sorrisos daquelas crianças. Estavam felizes.
Felizes como ninguém ousaria ou poderia ser se Voldemort houvesse vencido.
Seus olhos buscaram alguma imagem conhecida, mas tudo que pode ver foi o letreiro de Madame Malkin intacto como no passado e mais adiante o letreiro que dizia: GEMIALIDADES WESLEYS.
Era maior e mais colorida que ela se lembrava.
-Está tudo bem, Harry – ela alertou, quando ele se moveu para perto dela – Parece tudo bem...tudo normal.
-Não pode estar normal. – ele disse ficando furioso – Perdemos dez anos de nossas vidas, Hermione, então não me diga que está tudo normal!
-Harry! – ela segurou seu braço quando ele tentou mover-se para a rua – Acalme-se. Não podemos aparecer assim, do nada e dizer: oi! Lembre-se, não sabemos o que aconteceu, e talvez mais ninguém saiba. – ela afastou-se dele e lamentou – Se ao menos soubesse se Rony está bem...
-É isso! – ele disse de súbito, sorrindo um pouco – Vamos procurá-lo!
-E dizer o que? Não sabemos o que aconteceu, Harry. Além disso, não...
-O que foi Hermione? – ele pôs a mão em seu ombro.
-Passaram-se muitos anos, Harry. Acha que estará tudo igual? Acha que Ginny ainda sentirá algo por você? –ela perguntou de súbito fazendo-o entender onde ela queria chegar – Ela pode estar casada, ter filho, e estar feliz.
-Rony também. –ele confluiu e doeu pensar na hipótese que Hermione levantara.
-Vamos com calma, sim?
Tomando a dianteira, ela conjurou um boné para Harry que cobriria sua cicatriz e seus inconfundíveis olhos verdes. Ele conservava todos os traços de quando era mais jovem, mas com um pesado casaco escuro, ele ficou quase irreconhecível.
O mesmo com ela. Óculos escuros, e os cabelos puxados para frente. Dificilmente alguém a notaria.
Misturados entre a multidão que se espremia pelas ruas atrás de livros, penas, pergaminhos e animais mágicos, eles seguiram em silêncio até a vitrine da loja dos gêmeos.
Espiando discretamente, ela viu faixas de descontos e promoções, e muitas, mas muitas cabeças se movendo. Incontáveis pessoais.
Hermione sentiu o peito doer ao distinguir a imagens dos gêmeos. Cutucou Harry que sorriu tranqüilo ao constatar que os Wesleys pareciam bem.
Havia uma menininha sentada sobre o balcão, era ruiva e sorridente e ria com os gêmeos. Não parecia ter mais que seis anos.
-Devemos entrar? – Harry sussurrou em seu ouvido e ela maneou a cabeça em negativa.
-O que diríamos a eles? -ela sussurrou de volta.
Harry pretendia responder, quando alguém esbarrou nele.
-Desculpe, cara – uma voz jovial respondeu.
Hermione jamais se enganaria sobre quem era. Desviou os olhos e baixou a cabeça, mesmo quando Harry encarou seu melhor amigo esperando que ele pudesse reconhecê-lo.
Rony parecia ainda mais alto que no passado, e tão sorridente como sempre fora nos dias mais felizes. Ele trazia pela mão uma menina idêntica a que estava dentro da loja. A menina olhou para Harry com insistência, mesmo quando Rony ficou espiando pela vitrine, espreitando o movimento.
-Tem certeza que quer entrar, Sara? -ele falou em tom desanimado – Com toda essa gente nunca vamos achar sua mãe...
-Mas, papai, eu quero ver aquele livro que a mamãe prometeu! -ela bateu graciosamente o pé no chão e Harry desviou os olhos quando notou que Hermione se afastava a cada vez mais, fingindo ler uma placa na grande vitrine.
-Ok – Rony acabou cedendo com um suspiro – Livros, livros e livros, sempre esses livros – ele resmungou com uma sombra no olhar, mas logo o brilho voltou e ele sorriu para a garotinha – entre, ache sua mãe e pegue o livro. Vou esperar aqui.
Sara correu para a porta, mas parou quando ele gritou:
-E avise Hermy para vir com você. Quero ir para casa!
Vendo a menina apenas entrar sem prestar atenção Rony olhou exasperado para os lados, notando o olhar insiste de Harry.
Era claro seu olhar de expectativa. Ele deveria conhecer aquele cara, pensou.
Olhou para o outro lado. Não era todo cara parecido com Harry que deveria deixá-lo perturbado.
Mesmo se esse cara incrivelmente parecido com Harry estivesse acompanhado de uma mulher extremamente parecida com Hermione.
Ele olhou com mais insistência de um para outro e notou que um meio sorriso se formou no rosto do homem moreno, enquanto fingia não notar sua duvida.
Rony colocou as mãos nos bolos da jaqueta e não ousou dizer nada.
Fosse quem fossem ele não deveria querer saber. Não depois de tudo.
Seus dois melhores amigos haviam desaparecido durante a guerra. Muitos afirmavam que Harry e Hermione haviam se acovardado e fugido juntos, como amantes, e cúmplices. Outros apenas diziam que haviam sido mortos e seus corpos se perderam. Porém ele sabia o que vira.
Um clarão e então os dois desapareceram. Mas era muito pouco para tirar conclusões.
Se estivessem vivos, teriam entrado em contato, não teriam?
E se estivessem mortos aquele estúpido apagueiro que carregava no bolso até hoje, não estaria sempre em alerta, emitindo sons confusos.
Ele acreditava as vezes que alguma coisa havia impedido-os de voltarem, mas outras vezes ele preferia acreditar que haviam fugido. Ao menos saberia que eles estavam vivos, apesar dos pesares.
Perdido em pensamentos, ele quase saltou quando aquele homem deu um passo adiante, como se fosse se aproximar, e a mulher a seu lado segurou seu braço rapidamente.
Na verdade ela não o segurou, apenas tocou seu antebraço, parando-o com um autoridade mortal.
Ele conhecia aquela autoridade. Sabia muito bem, quem era capaz de gestos dessa natureza.
Olhou determinado para ela.
Ela sussurrou um simples “vamos embora” e o homem negou veemente com a cabeça.
-papai! – o grito agudo indo da porta, o despertou daquele momento perturbador.
-Está pronta, Sara? -ele perguntou automaticamente.
-Mamãe quer saber se podemos ficar até a noite? Ela quer testar alguns feitiços novos... – ela disse empolgada.
-Ok. – ele sorriu incapaz de se conter – Só não se atrasem para o jantar da sua vó. Sabe como ela é com dadas especiais. – ele pediu.
-Certo, pai – a menina estava prestes a entrar quando voltou com as bochechas coradas – Ah, mamãe pediu para dizer “eu te amo”.
Rony sorriu, mas não respondeu nada, vendo a menina sumir para dentro da loja.
Olhou por um segundo para o chão da calçada de pedras a sua frente.
Ele sabia o que acontecia. Sabia por que era incapaz de dar um passo para longe. Nem mesmo um milhão de anos o faria esquecer o olhar de Harry Potter.
Nenhum boné, no mundo todo poderia esconder seu olhar. Aquele que dizia que eram irmão e se amavam como se tivessem o mesmo sangue.
Mas o tempo é cruel, ele pensou. Tão cruel que a mulher a seu lado parecia desesperada para ir embora, e se fosse mesmo quem ele pensava que era, queria se afastar dele.
Talvez houvessem mesmo fugido.
Aquele impasse não parecia ter fim.
Ele ouviu um profundo suspiro e ela se moveu. Seus passos duros a levaram para longe rua a fora. Dirigia-se para o bar bruxo a poucos metros dali. O homem a seu lado apenas lhe lançou um olhar decepcionado e a seguiu, mais lento, como se esperasse que ele se decidisse.
Depois de segundos de duvida ele soube o que fazer.
Encontrou-se sentados em uma mesa no fundo mais escuros do bar. Não era um lugar bem movimentado. Aquela mulher havia tirado os óculos escuros e parecia pedir algo ao homem. Implorar na verdade. Rapidamente ela vestiu os óculos quando escutou seus passos. Havia uma cadeira livre naquela mesa e ele sentou-se pesadamente sem esperar um convite.
Esperou que alguém dissesse algo.
Todos mudos.
-Era uma chave de portal – Harry disse baixo, antes mesmo dele perguntar. Olhava para Hermione que não dizia nada. Tinha certeza que seus olhos estavam cheios de lágrimas.
-Onde? – foi só o que conseguiu perguntar chocado demais para pensar.
-Nenhum lugar – Harry respondeu – Chegamos apenas hoje.
-De onde? – ele insistiu ficando enraivecido.
-Era uma chave de portal temporal – ela disse com voz firme – São raras, mas existem. Podem levar dias a frente...ou anos.
-Querem que acredite nisso? – ele perguntou subitamente enraivecido.
-Não queremos nada – Harry disse – Parece que todos se saíram bem sem mim, afinal - ele disse banalmente – Voldemort está...?
-Sim - ele respondeu automaticamente, ainda se acreditar neles – Seu corpo foi encontrado horas depois, naquele labirinto. Ninguém sabe o que o matou.
Rony a viu tirar os óculos e olhar diretamente para Harry.
-A profecia, Harry! -ela disse de súbito – Ele nunca soube toda a profecia! Não sabia que metade do seu poder era seu! Talvez tenha perdido muito mais com a ligação de vocês, ao serem separados temporalmente. Talvez isso tenha o matado!
-Ao menos não foi em vão – ele estendeu a mão pela mesa, apanhando a sua e apertando com força.
Rony olhou para suas mãos e aquele pensamento insano intensifico-se. Eles mentiam.
-O que aconteceu...com sua vida nesses anos? – Harry perguntou sem notar sua fúria.
-Terminei Hogwarts. Casei. Tive filhos. Mais nada. –disse seco.
-...E Gina? -ele perguntou incerto, afinal eram namorados naquele época.
-Está casada e feliz. O que vocês querem afinal? -ele disparou. – Desaparecem todos esses anos e quando aparecem, acham que essas mentiras podem sanar o tempo que passou???
-Mentiras? -Hermione disse baixo, seu melhor olhar de dor exposto – Vamos embora Harry. Quero tentar encontrar meus pais. –ela disse se levantando – Já perdi muitos anos. Não vou perder mais tempo.
-Não se dê ao trabalho - ele disse irônico – Câncer. Primeiro seu pai. Depois um incêndio, onde morreu sua mãe. – disse com uma pontinha de prazer.
Ela congelou no lugar, olhando para ele como se nunca antes o houvesse visto. Havia tantas lágrimas se formando em seus olhos, mas nenhuma ousava correr. Ninguém poderia fingir tão bem, ele pensou.
Talvez não soubesse mesmo do paradeiro de seus pais.
-Hermione... – Harry levantou-se imediatamente. Tentou abraça-la, mas ela se afastou pondo novamente os óculos escuros
– Por favor, Harry, vamos embora daqui...
-Não faz assim, Hermione – ele segurou seu braço fazendo-a parar – Rony precisa entender o que aconteceu...
-Ele já entendeu – ela disse seca, - E como sempre entendeu tudo errado. Certas coisas não mudam nunca! -disse furiosa – Onde estão enterrados? – ela perguntou sem encará-lo.
-Sua tia sua os cremou e jogou as cinzas no mar como era o sonho da sua mãe.
-Sim, eu lembro –ela tentou um sorriso a essa doce lembrança do olhar sonhador de sua mãe – O que exatamente todos pensam que aconteceu conosco? -ela perguntou diretamente a ele, deixando de lado sua dor e se dedicando ao presente.
-Fugiram juntos. – ele disse sério. Ela olhou incrédula para Harry como se aquilo fosse um absurdo – Morreram. Essa foi a teoria mais usada.
-E você? – Harry perguntou – No que acreditou todo esse tempo?
-É meio obvio não é, Harry? -ela disse acida.
Os dois trocaram um longos olhar, e mesmo protegida pelas lentes escuras, Rony soube da intensidade daquele olhar magoado. Sentiu-se mal.
-O cofre de Harry ainda está intacto? – ela perguntou subitamente.
-sim, por quê? – ele perguntou na defensiva.
-Porque não estamos mortos, muitos menos fugidos. Não tenho mais nada, Harry. Não posso aparecer para a família dos meus pais dessa forma e você também não tem nada, além da herança dos pais. Precisamos pensar em onde ficar e o que fazer das nossas vidas. Sei que posso contar com você – disse numa agressão velada a Rony.
-Não há duvidas quanto a isso – Harry se ergueu e apanhou sua mão – Somos só nos dois agora – ele disse tomando conta daquela verdade.
-Acho que sempre fomos só nós dois– ela disse muito baixo, muito magoada para argumentar.





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