- Granger? - Largou a bandeja sobre o chão frio, ajoelhando-se ao lado dela. - O que houve? - As mãos traçavam o contorno do rosto fino, num gesto quase inconsciente. Sentou-se. Entrelaçou os dedos nos revoltos cachos castanhos, apoiando a cabeça dela contra seu peito. O silêncio sendo quebrado apenas pelos soluços e suspiros da grifinória.
Ela levantou os olhos avermelhados em sua direção logo que os sons cessaram. Entre os cílios longos ainda restava uma quantidade ínfima da solução salgada. Entreabriu os lábios para selá-los em seguida, como se acabasse de decidir que não revelaria o que motivara as lágrimas. Enlaçou-o, as mãos apoiadas nas costas alargadas pelo quadribol.
- Eu estou tão cansada disso tudo, Draco. - O primeiro nome do sonserino escorregou por entre seus lábios como se pronunciá-lo fosse algo extremamente natural, a voz ainda afetada pelo choro.
- Vai ficar tudo bem, Granger. Vai ficar tudo bem. - Acrescentou, os dedos nos cabelos dela.
Ela sorriu um riso melancólico. Olhou-o por mais um instante antes de voltar a repousar contra o seu tórax. Os seus cabelos não eram ruivos, os olhos estavam longe de transpirar inocência e a pele não era maculada por minúsculas manchas alaranjadas. Ainda assim, sentia-se bem em seus braços.
Draco adentrou o modesto cômodo que lhe era exclusivo. Hermione dormira e ele partiu. Aquela cela parecia tão opressora e sufocante hoje. Ou talvez fossem as conclusões que ela trazia à tona que lhe roubassem o fôlego. Respirou fundo, acomodou-se na cama de colchão fino. Ele não podia, simplesmente não podia, nutrir qualquer tipo de sentimentos por Granger. Era apenas sexo, ponto final. Por que parecera que seu estômago estava sendo torcido quando a viu chorando, afinal? Fechou os olhos. As suas próprias perguntas o traíam. Malditas. Hermione Granger era inteligente, orgulhosa e a única alma sã que restara: não desejava perder a sua companhia, simples assim. Lembrou-se dos olhos úmidos e das palavras trêmulas a lhe revelarem cansaço. Suspirou. Era quase como se o desabafo dela revelasse a sua própria fadiga. Precisava sair dali. O Lord enfraquecia a cada semana, o sucesso da fuga estava praticamente garantido. Esconderia-se em algum lugar da França ou da Escócia. E levaria Granger consigo. Os dedos percorreram os fios loiros. Merda. Estava cogitando fugir com uma grifinória amiga de Harry Potter a tiracolo. Só podia estar enlouquecendo.
- Granger? - Ela o fitou, sorrindo. O riso ainda continha resquícios de desânimo. - Está melhor?
Ela concordou com um aceno. Ele depositou o jantar à sua frente e sentou-se. Ela comeu em silêncio, imersa nas próprias lembranças e constatações.
- Tenho uma proposta para você, Granger. - Olhou-o, espantada, mas nada disse, incentivando-o a prosseguir. - Vamos fugir daqui, o que acha? Podemos ir à França, Itália, qualquer lugar onde não nos encontrem até que toda essa guerra acabe.
- Isso é algum tipo de piada de mal gosto? - Ela perguntou, ligeiramente irritada.
- Não, é sério.
- Por que?
Ele deu de ombros.
- Não tenho ainda um plano elaborado, mas creio que poderemos estar fora daqui dentro de alguns dias.
Agora o sorriso que lhe estampava o rosto era verdadeiro. Abraçou-o, num impulso. Os lábios se buscaram para um beijo que talvez ultrapassasse a barreira do carnal. Os dedos pequenos desabotoaram a camisa negra. A noite seria longa.
N/A: Um milhão de desculpas pela demora. Como vocês podem notar, a fic está se encaminhando para o final. Continuem opinando. Obrigada pelos comentários. |