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20. CAPÍTULO VINTE


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO VINTE
Gina imaginava que devia haver meios piores de aguardar as últimas etapas de uma investigação. A atmosfera ali estava muito mais agradável do que a da sua sala apertada na Central de Polícia, e a comida era certamente muito superior à da lanchonete.
Harry abrira a sua sala de recepção com teto em forma de domo, o piso de madeira brilhante, as paredes espelhadas e as luzes ofuscantes. Mesas compridas e curvas acompanhavam as paredes redondas e estavam artisticamente enfeitadas com canapés exóticos.
Ovos pequeninos e coloridos, colhidos da criação de pombos anões na fazenda da Lua, delicados camarões rosados do mar do Japão, elegantes espirais de queijo que derretiam na boca, massas recheadas com patês ou cremes em uma infinidade de formatos, o brilho do caviar empilhado sobre raspas de gelo e a riqueza das frutas frescas com cobertura de açúcar cristalizado.
Havia mais. A mesa de pratos quentes, do outro lado da sala, estava envolta em uma nuvem de calor e temperos. Uma área inteira era um tesouro para os vegetarianos convictos, enquanto outra, a uma distância discreta, estava preparada para os carnívoros.
Harry optara por música ao vivo em vez de simulação, e a banda que estava do lado de fora, no terraço anexo, executava melodias que convidavam à conversação. Mais tarde, conforme a noite fosse esquentando, eles aqueceriam o ritmo para seduzir as pessoas que quisessem dançar.
Através do carrossel de cores, perfumes, brilhos e luzes, garçons vestidos de um preto austero circulavam com bandejas de prata lotadas de taças de cristal cheias de champanhe.
- Isso é mais que demais! - Luna atirou um champignon preto na boca. Ela se vestira conservadoramente para a ocasião, o que significa que uma boa parte de sua pele estava coberta, e seus cabelos eram uma juba de vermelho discreto. E, como se tratava de Luna, as íris dos seus olhos eram da mesma cor. - Não posso acreditar que Harry me convidou, de verdade.
- Você é minha amiga.
- É... Ei, você acha que, mais tarde, depois de todo mundo estar meio alto, eu posso pedir à banda para me deixar cantar um número?
Gina olhou para os ricos, para a multidão de privilegiados que brilhava em ouro de verdade e pedras preciosas e sorriu.
- Acho que ia ser ótimo.
- Grande! - Luna apertou ligeiramente a mão de Gina. - Vou lá conversar um pouco com a banda, agora mesmo, para, assim, tentar me enturmar e conquistar o coração deles.
- Tenente.
Gina desviou o olhar das formas exuberantes de Luna que saíam de junto dela e levantou a cabeça para olhar para o rosto do secretário Diggory.
- Como vai, senhor?
- Você está parecendo... Pouco profissional esta noite. - Quando ela se mostrou ligeiramente embaraçada, ele riu. - Isso foi um elogio. Potter sabe como preparar um show.
- Sim, senhor, sabe mesmo. E é por uma grande causa. - Mas ela, na verdade, não conseguia se lembrar muito bem que causa era.
- Eu também acho. Minha esposa está muito envolvida com isto. - Ele pegou uma taça de uma bandeja que passava e tomou um gole. - Minha única tristeza é que estas camisas de força jamais saem de moda. - Com a mão livre, enfiou o dedo no colarinho.
Isso a fez sorrir.
- Então o senhor deveria experimentar usar um destes sapatos.
- Andar na moda custa muito caro.
- Eu prefiro andar fora da moda e à vontade. - Mas ela resistiu à tentação de puxar a saia que estava agarrada em seu traseiro.
- Bem. - Ele a pegou pelo braço e foi conduzindo-a na direção de um arbusto discreto. - Agora que já batemos o papo-furado obrigatório, gostaria de lhe dizer que você fez um trabalho excelente na investigação.
- Mas eu pisei na bola com os Angelini.
- Não, você seguiu uma linha de pensamento que era lógica e depois voltou atrás e descobriu peças que outros haviam deixado passar.
- A viciada albina foi puro acaso, só um golpe de sorte.
- A sorte é importante. Bem como a tenacidade e a atenção aos detalhes. Você o encurralou, Weasley.
- Mas ele ainda está à solta.
- Não vai muito longe. Sua própria ambição vai nos ajudar a encontrá-lo. Seu rosto é conhecido.
Gina contava com isso.
- Senhor, a policial Hermione fez um ótimo trabalho. Ela tem um olho atento e bons instintos.
- E você ressaltou isso em seu relatório. Não vou me esquecer dela. - Quando o viu olhar para o relógio, Gina percebeu que ele estava tão nervoso quanto ela. - Prometi a Neville uma garrafa de uísque escocês se ele conseguisse entrar no computador antes de meia-noite.
- Se essa promessa não conseguir apressá-lo, nada mais o fará.
Ele deu um sorriso. Não adiantava nada lembrar ao secretário que eles não haviam encontrado a arma do crime no apartamento de Morse. Ele já sabia. No momento em que Gina avistou Marco Angelini entrando na sala, seus ombros se retesaram.
- Desculpe-me, secretário Diggory. Há alguém com quem eu preciso conversar.
- Não é necessário, Weasley. - ele colocou a mão sobre o braço dela.
- É sim, senhor. É necessário.
Ela percebeu o instante exato em que ele notou a presença dela pelo levantar rápido do queixo. Ele parou, colocou as mãos atrás das costas e esperou.
- Senhor Angelini.
- Tenente Weasley.
- Sinto muito pelas dificuldades que causei ao senhor e à sua família durante as investigações.
- Sente? - Seus olhos estavam frios, e não piscavam. - Por acusar meu filho de assassinato, por submetê-lo ao terror e à humilhação, por acrescentar dor a uma quantidade de dor já incrivelmente grande, por colocá-lo atrás das grades quando seu único crime foi o de testemunhar violência?
Ela poderia ter justificado cada uma daquelas ações. Poderia ter lembrado a ele que o seu filho havia não somente testemunhado violência, mas também dera as costas para ela sem um momento de reflexão, pensando apenas na sua própria sobrevivência, e ainda piorara o seu crime ao tentar usar suborno para ficar fora do caso.
- Sinto muito por piorar o trauma emocional de sua família.
- Tenho dúvidas de que a senhorita compreenda esta frase. - Ele passou os olhos nela, olhando para baixo. - E fico me perguntando se, caso a senhorita não estivesse tão ocupada desfrutando a posição de seu namorado, já não poderia ter capturado o verdadeiro assassino. É muito fácil de ver o que a senhorita é. É uma oportunista, uma alpinista social em busca de holofotes.
- Marco! - disse Harry com suavidade enquanto colocava uma das mãos sobre o ombro de Gina.
- Não. - Ela ficou rígida sob o toque. - Não me defenda. Deixe-o terminar.
- Não posso fazer isso. Marco, estou disposto a levar o seu estado mental em consideração como razão de seu ataque a Gina em sua própria casa. Se você não quiser ficar aqui - disse em um tom duro e frio como aço, que mostrava que ele não estava levando nada em consideração - posso lhe mostrar a saída.
- Eu conheço a saída. - Os olhos de Marco pareciam esfaquear Gina. - Vou dar um fim a nossos negócios em comum o mais rápido possível, Potter. Já não confio na sua capacidade de julgamento.
Com as mãos fechadas ao lado do corpo, Gina tremeu de fúria enquanto Marco ia embora.
- Por que fez isso? Eu sabia como lidar com ele.
- Pode ser que sim. - concordou Harry, e girou o corpo dela em direção a ele - Mas isso era pessoal. Ninguém, absolutamente ninguém entra em nossa casa e fala com você daquela forma.
- Moody fala. - ela tentou fazer um gesto de indiferença. Harry sorriu e tocou os lábios dela com os dele.
- Esta é a exceção, por motivos complicados demais para explicar. - E massageou com o polegar a ruga de preocupação que havia entre as sobrancelhas dela.
- Tudo bem. Acho que não vou precisar trocar cartões de Natal com os Angelini.
- Você vai conseguir superar isso. Quer um pouco de champanhe?
- Em um minuto. Vou retocar a maquiagem. - Ela tocou o rosto dele. Estava ficando a cada dia mais fácil fazer isto, tocá-lo, quando eles não estavam a sós. - Acho que é melhor avisá-lo de que Larinda Mars está com um gravador dentro da bolsa.
Harry passou o dedo na covinha do queixo de Gina.
- Estava. Ele está no meu bolso agora, depois que a deixei se aproximar de mim na mesa vegetariana.
- Muito esperto. Você nunca mencionou que dedos leves eram um dos seus atributos.
- Você nunca perguntou.
- Lembre-me de perguntar, e perguntar muito. Já volto.
Ela não estava preocupada com a maquiagem. Queria alguns minutos a sós, e talvez mais alguns para ligar para Neville, embora ela imaginasse que ele ia querer arrancar a cabeça dela fora por interromper as suas tentativas com o computador.
Ele ainda tinha uma hora de prazo antes de perder a garrafa de uísque. Ela achava que não ia fazer mal lembrá-lo disso. Ela já estava na porta da biblioteca, preparando-se para digitar o código de acesso ao cômodo, quando Moody materializou-se das sombras atrás dela.
- Tenente, a senhorita tem uma ligação que me parece pessoal e urgente.
- É o Neville?
- Ele não me informou o seu nome. - disse Moody baixinho.
- Vou atender daqui - e teve a pequena, mas valiosa satisfação de deixar a porta bater direto na cara dele. - Luzes! - ordenou, e o quarto se iluminou.
Ela já estava quase acostumada com as paredes forradas de livros encadernados em couro, cheios de páginas que farfalhavam quando eram folheadas. Naquele momento ela não lhes lançou mais do que um olhar rápido antes de seguir, apressada, até o telelink que Harry tinha sobre a mesa da biblioteca.
Transferiu a ligação para ali, e congelou.
- Surpresa, surpresa! - Morse estava sorrindo para ela. - Aposto que você jamais imaginou que fosse eu. Está toda vestida para a festa, pelo que vejo. Você está um arraso!
- Andei procurando por você, C. J.
- Ah, sim, eu sei. Você andou procurando por uma porção de coisas. Eu sei que isto está sendo gravado, e não me importo. Mas ouça bem uma coisa. É melhor que isto fique só entre nós dois, ou eu vou começar a fatiar uma amiga nossa em pequenos pedaços. Diga olá para a Weasley, Tonks.
Ele estendeu o braço e o rosto de Tonks apareceu na tela. Gina, que já vira o terror demasiadas vezes, encarava-o mais uma vez.
- Ele feriu você, Tonks?
- Eu... - Ela choramingou quando ele puxou a cabeça dela para trás pelos cabelos e encostou uma lâmina fina e comprida na garganta dela.
- Vamos, diga a ela que eu estou sendo muito legal com você. Diga! - E passou a parte achatada da lâmina pelo pescoço dela. - Piranha!
- Eu estou ótima, estou bem. - Ela fechou os olhos e. uma lágrima ameaçou escorrer. - Sinto muito.
- Ela sente muito. - disse Morse com os lábios firmes, e apertou o seu rosto ao de Tonks para que os dois aparecessem na tela. - Ela sente muito por ter estado com tanta ânsia de ser a piranha principal que acabou se descuidando da guarda que você tinha colocado em volta dela, e caiu bem nos meus braços que a aguardavam. Não é, Tonks?
- Sim.
- E agora eu vou matá-la, mas não tão depressa quanto as outras. Vou matá-la lentamente, e com muita dor, a não ser que a sua amiguinha, a tenente, faça tudo o que eu disser. Não é? Diga para ela, Tonks.
- Ele vai me matar. - Ela apertou os lábios com força, mas nada fazia a tremedeira parar. - Ele vai me matar, Weasley.
- É isso aí. Você não quer que ela morra, quer, Weasley? Foi culpa sua Louise ter morrido. Sua e de Tonks. Ela não merecia aquilo. Ela conhecia o lugar dela. Não estava querendo ser a piranha superstar. É culpa de vocês, ela estar morta. Agora você não quer que aquilo aconteça de novo.
Morse continuava com a faca encostada na garganta de Tonks e Gina notou que as mãos dele tremiam.
- O que quer, Morse? - Lembrando-se do perfil da doutora Minerva, ela usou as palavras certas, com cuidado. - Você está no comando. Você é quem manda.
- É isso mesmo. - Seu sorriso se abriu de todo. - É exatamente isso. Você já está vendo, pela tela, o lugar em que eu estou. Pode notar que é um lugar bem sossegado em um parque, o Greenpeace Park, onde ninguém vai nos incomodar. Todos aqueles amantes do verde plantaram estas lindas árvores. É um lugar lindo. E claro que ninguém passa por aqui depois que anoitece. A não ser que eles sejam inteligentes o bastante para descobrir como desligar o campo eletrônico que assusta os vagabundos e os viciados. Você tem exatamente seis minutos para chegar aqui, para que possamos dar início às nossas negociações.
- Seis minutos. Mal dá para chegar até aí, mesmo que eu vá a toda velocidade. Se eu ficar presa no tráfego...
- Então não fique. - respondeu ele com rispidez. - Seis minutos a partir do final da transmissão, Weasley. Se o tempo estourar em dez segundos, dez segundos que você possa usar para dar o alarme, contatar alguém, ou simplesmente pensar em pedir reforço, e eu começo a rasgar a garganta de Tonks. Venha sozinha. Se eu sentir o cheiro de outro policial, vou acabar com ela. Você quer que ela venha sozinha, não quer, Tonks? - Para convencê-la, ele virou a ponta da lâmina e cortou um pedacinho da lateral de sua garganta.
- Por favor... - Ela tentava arquear o corpo enquanto um filete de sangue escorria. - Por favor...
- Se você a cortar mais uma vez, não tem acordo, Morse.
- Você vem negociar sim. - disse Morse. - Seis minutos. Começa agora!
A tela se apagou. O dedo de Gina ficou parado sobre os botões, pensando na emergência, nas dezenas de carros que estariam cercando o parque em minutos. Pensou em grampos, em possíveis grampos eletrônicos. E pensou no sangue que vira escorrendo do pescoço de Tonks. Saiu em disparada pela sala e apertou o botão do elevador sem parar de correr. Ela precisava de sua arma.

C. J. Morse estava se divertindo como nunca. Começara a compreender que ele se vendera muito barato, matando depressa. Havia muito mais emoção em cortejar o medo, seduzi-lo, vê-lo ir aumentado de intensidade até atingir o clímax.
Ele viu o medo nos olhos de Tonks. Eles estavam vidrados, agora, com as pupilas dilatadas, lisas e pretas, com uma pequena borda de cor em volta. Ele estava, compreendeu com grande prazer, dando-lhe um susto mortal, literalmente. Ela não a cortara novamente. Ah, bem que ele queria, e fazia questão de mostrar-lhe a faca o tempo todo para que ela não perdesse o medo e soubesse que ele poderia fazer isso. Mas parte dele se preocupava com a tenente piranha.
Não que ele não conseguisse lidar com ela, avaliou Morse. Ele poderia muito bem lidar com ela do único jeito que as mulheres entendiam. Matando-a. Mas não queria fazer isto depressa, como fizera com as outras. Ela tentara ser mais esperta do que ele, e isto era um insulto que ele não poderia tolerar.
As mulheres sempre tentavam comandar o espetáculo, sempre entravam no caminho bem na hora em que ele estava para colocar a mão no prêmio. Acontecera com ele a vida toda. A droga de sua vida inteira, a começar pela mãe, a megera exigente.
Você não deu o melhor de si, C. J. Use o cérebro, pelo amor de Deus! Você não vai conseguir se dar bem na vida só com boa aparência e charme. Você não tem nenhum dos dois. Esperava mais de você. Se você não puder ser o melhor, não será nada.
Ele agüentou muito, não foi? Sorrindo para si mesmo, começou a sacudir os cabelos de Tonks enquanto ela tremia de medo. Agüentou aquilo durante anos bancando o bonzinho, o filho devotado, enquanto à noite ele pensava em formas de matá-la. Sonhos maravilhosos, suados e doces, nos quais ele finalmente conseguia silenciar aquela vozinha irritante e exigente.
- E foi o que eu fiz. - disse em tom de conversa, encostando a ponta da faca na artéria que pulsava no pescoço de Tonks. - E foi tão fácil! Ela estava sozinha naquela casa grande e importante, ocupada com seus negócios grandes e importantes. E foi quando eu entrei. ”C. J.”, disse ela, ”O que está fazendo aqui? Não me diga que perdeu o emprego novamente? Você jamais vai conseguir se dar bem na vida, a não ser que se concentre nisso.” E simplesmente sorriu. E eu disse: “Cale a boca, mãe, cale a porcaria dessa boca!” E cortei-lhe a garganta.
Para demonstrar, ele fez a lâmina passar pela garganta de Tonks mais uma vez, de leve, com força suficiente apenas para arranhar a pele.
- O sangue esguichou e ela revirou os olhos, mas fechou a matraca. Sabe, Tonks, eu aprendi uma coisa com a velha megera. Já estava na hora de eu me concentrar. Precisava de um objetivo na vida. E decidi que esse objetivo seria livrar o mundo das mulheres bem falantes e exigentes, as estraga-prazeres que andam por aí. Como Lilá Brown e Yvonne Metcalf. Como você, Tonks. - E se inclinou, beijando-lhe o centro da testa. - Exatamente como você.
Ela estava reduzida a choramingos. Sua cabeça estava bloqueada. Ela parara de tentar soltar os pulsos, que estavam amarrados, desistira de tudo. Estava sentada ali, dócil como uma boneca, com um tremor ocasional que de vez em quando lhe quebrava a imobilidade.
- Você vivia tentando me jogar para o lado. Chegou até mesmo a ir até o diretor para tentar me tirar do lugar de apresentador do noticiário. Disse para eles que eu era um... - e bateu com a faca contra o pescoço dela, para dar ênfase -... pé-no-saco. Você sabia que aquela piranha da promotora Brown não queria nem mesmo me dar uma entrevista. Ela me deixava envergonhado, Tonks. Fingia que não me conhecia nas entrevistas coletivas. Mas eu dei um jeito nela. Um bom repórter cava as suas informações, certo, Tonks? E eu cavei e descobri aquela história boa, bem suculenta a respeito do amante idiota da filha dela. Ah, mas eu guardei aquilo, e guardei bem, enquanto a mamãe feliz da futura noiva fazia todos os planos para o casamento! Poderia tê-la chantageado, mas este não era o meu objetivo, era? Ela ficou toda agitada naquela noite quando eu lhe joguei tudo na cara.
Ele franziu o cenho. Seus olhos brilhavam.
- Ela ia falar comigo, afinal, Tonks. Ah, pode apostar que ia falar! Ela tentaria me arruinar, apesar de saber que eu ia apenas fazer uma reportagem sobre os fatos. Mas Brown era uma tremenda negociadora e ia tentar me esmagar como a um inseto. Foi exatamente isto que ela me disse naquela noite pelo tele-link. Só que fez exatamente o que eu mandei. E quando eu caminhei em direção a ela naquela ruazinha imunda, ela olhou com desprezo para mim. Olhou com desprezo e me disse: “Você está atrasado. Agora, seu canalha, vamos acertar as coisas.”
Ele começou a rir com tanta força que teve de colocar a mão no estômago.
- Ah, e eu a acertei mesmo, direitinho! O sangue esguichou e ela revirou os olhos, exatamente igual à minha velha e querida mãe.
Ele deu um ligeiro tapa na testa de Tonks, se levantou e olhou para a câmera que tinha preparado.
- Aqui fala C. J. Morse, transmitindo as últimas notícias. Enquanto os segundos se esvaem, parece que a heróica tenente Xereca não vai conseguir chegar a tempo de livrar sua amiguinha piranha da execução. Embora isto sempre tenha sido considerado um clichê machista, esta experiência nos provou que as mulheres sempre se atrasam.
Ele gargalhou sem conseguir parar, de forma selvagem, e deu um tapa descuidado com as costas da mão no rosto de Tonks, que a jogou para trás de encontro ao encosto do banco de praça onde a colocara. Depois de uma última risada aguda, ele se controlou e franziu a testa, de modo sóbrio, olhando para a lente.
- A transmissão pública de execuções foi banida em todo o país, em 2012, cinco anos antes de a Suprema Corte mais uma vez decidir que a pena capital era inconstitucional. Evidentemente, a Corte foi forçada a tomar esta decisão por cinco mulheres idiotas e faladeiras, portanto este repórter considera este veto nulo, sem valor legal.
Ele pegou um pequeno transmissor no bolso do casaco antes de se virar para Tonks.
- Agora, eu vou me conectar com a emissora, Tonks. No ar em vinte segundos. - Com ar pensativo, jogou a cabeça para o lado. - Sabe Tonks, você está precisando de um pouco de maquiagem. É uma pena que não tenhamos tempo para isso. Estou certo de que você gostaria de parecer mais bonita do que nunca, para a sua última transmissão.
Ele caminhou até ela, colocou a faca posicionada em sua garganta e olhou para a câmera.
- Em dez, nove, oito... - e olhou para trás ao ouvir o som de passos sobre o piso de pó de pedra. - Ora, ora, ela chegou! E com alguns segundos de folga!
Gina parou de andar no caminho que levava até onde eles estavam e ficou olhando. Ela já vira de tudo em mais de dez anos de polícia. Muita coisa ela gostaria que fosse apagada de sua memória. Mas jamais vira algo que se comparasse àquilo.
Ela seguira a luz, uma única lâmpada que formava um círculo luminoso em volta do ponto onde eles estavam. O banco de parque onde Tonks estava sentada, passivamente, com o sangue escorrendo pela pele e uma faca encostada na garganta. C. J. Morse estava por trás dela, elegantemente vestido com uma camisa de gola redonda e um casaco em uma cor que combinava, olhando para a câmera que havia sido montada em um tripé alto. A luz vermelha da câmera brilhava de forma constante, como se fosse um olho que tudo julgasse.
- Que diabo você está fazendo, Morse?
- Uma transmissão ao vivo. - disse ele alegremente. - Por favor, venha para a luz, tenente, para que nossos telespectadores possam vê-la.
Mantendo o olhar colado nele, Gina entrou no círculo de luz.

Ela já saíra há muito tempo, pensou Harry, e se viu irritado pelos bate-papos da festa. Obviamente, ela estava mais aborrecida do que demonstrara e ele se arrependeu de não ter tratado Marco Angelini de forma mais eficaz.
De jeito nenhum ele ia deixá-la ficar remoendo aquilo ou permitir que ela levasse a culpa. O único jeito de ter certeza de que ela não ia ficar assim era diverti-la, ou espalhar o ar chateado de seu rosto. Ele saiu silenciosamente da sala, para longe da música, das luzes e das vozes. A casa era grande demais para que ele fosse procurá-la, mas ele poderia descobrir sua localização exata com uma única pergunta.
- Gina? - perguntou ele no momento em que Moody saiu de uma sala à direita.
- Ela saiu.
- O que quer dizer “saiu”? Saiu para onde?
Pelo fato de que conversar sobre aquela mulher sempre incomodava Moody, ele deu de ombros.
- Não sei dizer, ela simplesmente saiu da casa, entrou em seu veículo e partiu. Não se dignou a me informar sobre os seus planos.
O nó que Harry sentiu na boca do estômago deixou sua voz mais agressiva:
- Não fique de sacanagem comigo, Moody. Por que motivo ela saiu?
Sentindo-se insultado, Moody enrijeceu os maxilares.
- Talvez sua partida tenha relação com a ligação que recebeu há poucos minutos. Ela atendeu da biblioteca.
Girando o corpo, Harry foi correndo até a porta da biblioteca e digitou o código para abri-la. Com Moody nos calcanhares, foi direto até a mesa.
- Apresentar a gravação da última ligação.
Enquanto assistia e ouvia, o nó em seu estômago se transformou em uma queimação que era feita de medo.
- Meu Cristo, Jesus, ela foi se encontrar com ele! E foi sozinha. - Ele já estava do lado de fora da porta, movendo-se com rapidez, quando lançou a ordem por cima dos ombros, como um laser. - Repasse esta informação para o secretário Diggory... Discretamente.

- Embora estejamos com pouco tempo, tenente, estou certo de que nossos telespectadores ficariam fascinados pelo processo investigativo. - Morse mantinha no rosto o sorriso agradável, feito para a câmera, e a faca encostada na garganta de Tonks. - Você, tenente, chegou a seguir uma pista falsa durante algum tempo, e chegou, acredito, a acusar um homem inocente.
- Por que você as matou, Morse?
- Ah, eu já deixei isto extensamente documentado para futuras transmissões. Vamos falar de você.
- Você deve ter-se sentido péssimo quando viu que tinha matado Louise Kirski em vez de Tonks.
- Eu me senti muito mal com aquilo, passei mal. Louise era uma mulher boa e calma, com uma atitude apropriada. Só que não foi culpa minha. Foi culpa sua e de Tonks por tentarem me jogar uma isca.
- Você queria ser visto. - e lançou um olhar para a câmera. - Agora está conseguindo isso, com certeza. Só que isso está colocando você no centro das atenções, Morse. Não vai conseguir escapar deste parque agora.
- Ah, eu tenho um plano, não se preocupe comigo! E temos apenas alguns minutos antes de terminarmos com isto. O público tem o direito de saber. Quero que eles assistam a esta execução. Mas você, eu queria que assistisse pessoalmente. Para ver o que provocou.
Gina olhou para Tonks, não viria ajuda, ela notou. A mulher estava em choque profundo, possivelmente drogada.
- Eu não vou ser assim tão fácil de agarrar. - avisou Gina.
- Vai ser ainda mais divertido.
- Como pegou Tonks? – Gina foi chegando mais perto, mantendo o olhar no dele e suas mãos à vista. - Você deve ter usado de muita esperteza.
- Eu sou muito esperto. As pessoas, em particular as mulheres, não me dão muito crédito. Simplesmente dei uma dica a ela a respeito dos assassinatos. Uma mensagem de uma testemunha que queria falar com ela a sós. Eu sabia que ela ia baixar a guarda, ambiciosa como era, sempre à procura da grande história. Eu a peguei no estacionamento. Foi simples assim. Dei-lhe uma dose de um tranqüilizante forte, coloquei-a no próprio porta-malas e saí dirigindo. Deixei o carro em um pequeno estacionamento de aluguel lá no Centro.
- Muito esperto mesmo. - Ela chegou mais perto, parando quando ele levantou as sobrancelhas e apertou a faca com mais firmeza. - Realmente esperto. - repetiu levantando as mãos. - Você sabia que eu estava indo para a sua casa. Como descobriu isto?
- Você acha que o seu amigo amarrotado, o Neville, sabe de tudo sobre computadores? Bem, eu posso controlar os sistemas também. Estou conectado com todo o seu sistema há semanas. Sabia de cada transmissão, cada plano, cada passo que você dava. Estava sempre à frente de você, Weasley.
- É... Você estava sempre à minha frente. Você não quer mata-la, Morse. Você quer é a mim. Eu sou a mulher que perturbou você o tempo todo, fui eu que lhe causei todo o sufoco. Por que não a deixa ir? Ela está toda zonza, mesmo. Pegue-me no lugar dela.
Ele lançou o seu sorriso rápido e maroto.
- E por que eu não a mato primeiro e depois acabo com você? - Gina deu de ombros.
- Pensei que você gostasse de um desafio. Acho que me enganei. Lilá Brown era um desafio. Você teve de gastar um bocado de saliva para convencê-la a ir onde você queria que ela fosse. Yvonne Metcalf foi moleza.
- Está falando sério? Ela pensava que eu era idiota. - Ele rangeu os dentes e soprou o ar entre eles. - Ela ainda ia estar apresentando a previsão do tempo até hoje se não tivesse aqueles peitos, e eles estavam dando a ela o tempo no ar que era meu. A droga do meu tempo no ar! Tive de fingir que eu era um grande fã dela, tive de falar que ia fazer uma matéria de vinte minutos sobre ela. Só sobre ela. Disse-lhe que tinha conseguido um lance em uma rede internacional, via satélite, e ela caiu direitinho.
- Então você a encontrou naquela noite, nos fundos do prédio dela.
- Foi... Ela se arrumou toda, estava cheia de sorrisos, e sem ressentimentos. Tentou me dizer que ficou feliz por eu ter encontrado o meu caminho. Meu cantinho! Bem, eu fechei a matraca dela.
- Foi mesmo. Acho que você foi muito esperto com ela também. Mas Tonks, ela não está dizendo nada. Ela não consegue nem pensar direito neste instante. Ela nem vai saber que você está lhe dando o troco.
- Eu vou saber. O tempo acabou! É melhor sair um pouco para o lado, Weasley, senão o sangue vai respingar em todo o seu vestido de festa.
- Espere. - Ela deu um passo e, pulando para o lado, colocou a mão na parte de trás da roupa, onde pegou a arma. - Pisque, seu canalha, e eu acabo com você!
Ele piscou, diversas vezes. Parecia a ele que a arma surgira do nada.
- Se você atirar em mim, minha mão vai tremer. Ela vai estar morta antes de mim.
- Talvez sim... - disse Gina com firmeza - Talvez não... De qualquer modo, você vai estar morto. Jogue a faca no chão, Morse, e saia de perto dela, senão o seu sistema nervoso vai ficar muito sobrecarregado por causa disso.
- Piranha! Você acha que pode me vencer? - Ele puxou Tonks, obrigando-a a ficar em pé e usando-a como escudo para evitar um tiro direto, e então a empurrou para a frente.
Gina segurou Tonks com um dos braços enquanto mirava com a outra mão, mas ele já se escondera entre as árvores. Sem ter outra opção, Gina bateu no rosto de Tonks com força, com a palma da mão, e depois com as costas.
- Acorde, Tonks! Mas que droga!
- Ele está querendo me matar. - Os olhos de Tonks rolaram para cima e depois para baixo quando Gina bateu nela novamente.
- Vá andando, escutou? Vá andando, vá buscar ajuda! Agora!
- Buscar ajuda...
- Por ali. - Gina deu um empurrão em Tonks, na direção do caminho por onde ela viera, com a esperança de que ela conseguisse se manter em pé, e então correu para trás das árvores.
Ele falou que tinha um plano, e ela não tinha dúvidas sobre isso. Mesmo que ele conseguisse sair do parque, eles iam acabar encontrando-o. Mas ele estava disposto a matar naquele instante... Talvez uma mulher passeando com o cachorro ou alguém chegando de um encontro.
Ele era capaz de usar a faca em qualquer um porque falhara novamente.
Ela parou entre os arbustos, com os ouvidos atentos em busca de algum som, a respiração totalmente sob controle. Ao longe ela conseguia ouvir os barulhos da rua e do tráfego aéreo e podia ver as luzes da cidade por trás da massa de árvores.
Uma dezena de caminhos se espalhava diante dela, saindo da pequena clareira e dos jardins tão cuidadosamente tratados e projetados. Ela ouviu algo. Talvez passos, talvez um arbusto agitado por um animal de pequeno porte. Com a arma apontada, pronta, ela avançou por entre as folhas.
Havia uma fonte, mas suas águas estavam em silêncio, no escuro. Havia um pequeno parque infantil com balanços, escorregas em espiral e uma pequena selva feita de espuma prensada que evitava que os pequenos alpinistas arranhassem as canelas ou os cotovelos.
Gina olhou em volta de toda a área, se xingando por não ter trazido uma lanterna com ela. Havia pontos escuros demais que escorriam perigosamente das árvores. E silêncio demais estava suspenso no ar, como uma mortalha.
Então, ela ouviu o grito.
Ele tinha dado a volta, pensou. O canalha tinha dado a volta por trás e fora buscar Tonks, afinal Gina girou o corpo, e o seu instinto para se proteger foi o que lhe salvou a vida.
A faca a atingiu na clavícula, fazendo um corte comprido e superficial que lhe provocou uma dor ridícula, em fisgada. Ela bloqueara o golpe com o cotovelo, deu-lhe um soco no maxilar e o desviou do objetivo. Mas a lâmina voou, atingindo-a um pouco acima do pulso. Sua arma voou longe, pulando da mão ferida.
- Você achou que eu ia fugir! - Seus olhos brilhavam de forma doentia na escuridão enquanto ele andava em círculos em volta dela. - As mulheres sempre me subestimam, Weasley. Vou cortar você em pedaços. Vou rasgar a sua garganta. - E avançou um passo, fazendo-a recuar. - Vou colocar suas tripas para fora. - Deu um golpe no ar, mais uma vez, e ela sentiu o vento que veio da lâmina. - Sou eu que estou no comando agora, não é?
- Você é que pensa! - Seu chute foi bem calculado, o último recurso de uma mulher. Ele se dobrou no chão, com o ar saindo de sua boca como o de um balão que murchava. A faca caiu, fazendo barulho, sobre uma pedra. E ela estava em cima dele.
Ele lutou como o louco que era. Seus dedos avançaram nela, os dentes bateram uns contra os outros, como se estivessem à procura de carne onde pudessem se enterrar. O braço ferido de Gina estava todo gosmento por causa do sangue, e tentava escorregar por cima dele, enquanto ela lutava para encontrar o ponto em seu pescoço que o deixaria imobilizado.
Eles rolaram um sobre o outro, sobre o pó de pedra do chão e o gramado que o margeava. Estavam em silêncio, a não ser pelos gemidos e a respiração ofegante. Sua mão apalpava em torno, em busca do cabo da faca, e a mão dela apertava a dele. Então, estrelas explodiram em sua cabeça quando ele deu um soco em seu rosto.
Ela ficou atordoada apenas por um instante, mas sentiu que estava morta. Viu a faca, viu o seu fim e inspirou com força para encontrá-lo. Mais tarde, ela se lembraria daquele som como se fosse o de um lobo; aquele rugido de ódio, um grito sangrento. O peso de Morse desapareceu de cima dela e o seu corpo foi atirado longe. Ela rolou e ficou de quatro, balançando a cabeça.
A faca, pensou, frenética, a maldita faca. Mas ela não conseguia achá-la e caminhava de gatinhas em direção ao brilho difuso de sua arma.
Ela já estava em sua mão, posicionada, quando sua mente ficou clara o bastante para que compreendesse. Dois homens estavam lutando no chão, engalfinhados como cães sobre o lindo parque infantil. E um deles era Harry.
- Saia de cima dele, Harry! - Ela tentou se equilibrar em pé, cambaleou e se segurou. - Saia de cima dele para que eu possa mirar e atirar!
Eles rolaram no chão novamente, um por cima do outro. A mão de Harry tinha prendido a de Morse, mas era Morse que segurava a faca. Através do ódio, do dever e do instinto, veio uma titânica e trêmula sensação de medo. Fraca, ainda perdendo sangue, ela se encostou nas barras acolchoadas do pequeno ringue do parque e firmou a mão da arma, segurando-a com a outra. Sob a pálida luz do luar, ela podia ver o punho de Harry descendo sem piedade e o som do choque de osso contra osso. A faca fez pressão, com a lâmina mudando o ângulo.
Então Gina notou que a arma desceu e penetrou na carne, e a viu tremer enquanto alcançava seu destino final na garganta de Morse.
Alguém estava rezando. Quando Harry se levantou, Gina compreendeu que era ela mesma. Olhando para ele, abaixou a arma. Seu rosto estava feroz, e seus olhos estavam tão quentes que pareciam queimar. Havia sangue empapando o seu elegante smoking.
- Você está em péssimo estado. - conseguiu ela dizer.
- Devia ver como você está. - Sua respiração estava ofegante, e ele sabia, por experiência, que mais tarde ia sentir cada um daqueles machucados e arranhões. - Não sabia que é falta de educação sair de uma festa sem se desculpar?
Com as pernas tremendo pela reação, ela deu um passo na direção dele e então parou, engolindo o soluço que estava preso na garganta.
- Desculpe. Sinto muito. Meu Deus, você está ferido?
Ela se atirou em cima dele, só faltando revistá-lo quando ele a trouxe para junto de si.
- Ele cortou você? Ele o atingiu? - continuou ela, afastando-se e começando a apalpar as roupas dele.
- Gina. - Ele levantou o queixo dela e o firmou. - Você está sangrando muito.
- Ele me atingiu em dois lugares. - e esfregou a mão sob o nariz. - Não foi tão mau. - Mas Harry já estava usando um lenço de linho irlandês que pegara no bolso para estancar e enfaixar a ferida do braço. - E esse é o meu trabalho. - Ela soltou um longo suspiro e sentiu as sombras escuras que estavam em volta do seu campo de visão começarem a desaparecer, até que conseguiu ver tudo claramente. - Onde foi que ele cortou você?
- Esse sangue é o dele. - disse Harry com calma. - Não é meu.
- Sangue dele? - Ela quase desabou de novo, firmando os joelhos. - Você não está ferido?
- Nada demais. - Preocupado, ele puxou a cabeça dela para trás para poder examinar o corte superficial ao longo de sua clavícula e o olho que estava começando a inchar. - Você precisa de um médico, tenente.
- Só um minuto. Deixe-me perguntar uma coisa a você.
- Pode mandar. - Sem ter mais nada à mão, ele acabou de rasgar parte da manga da camisa para aplicá-la sobre o sangue no ombro dela.
- Eu entro com toda carga em uma das suas reuniões de diretoria quando você está tendo problemas para resolver um assunto de trabalho?
Ele olhou de relance para ela. Um pouco da ferocidade havia se dissolvido, transformando-se em algo que era quase um sorriso.
- Não Gina, você nunca fez isso. Não sei o que deu em mim.
- Tudo bem. - Já que não havia nenhum outro lugar onde colocá-la, Gina enfiou a arma no mesmo lugar, na parte de baixo de suas costas, onde ela a havia prendido quando saiu de casa, com fita adesiva. - Por essa vez passa. - murmurou ela, e pegou o rosto dele com as mãos. - Está bem, está bem. Fiquei apavorada quando vi que não estava conseguindo mirar em volta de você para atingi-lo. Achei que ele ia matá-lo, antes que eu pudesse impedir.
- Então dá para você entender o sentimento. - Colocando o braço em volta da cintura dela, para apoiá-la, eles começaram a mancar. Depois de um instante Gina reparou que estava mancando, porque perdera um sapato. Sem perder o ritmo da caminhada, tirou o outro sapato do pé. Então viu luzes diante deles.
- Policiais?
- Imagino que sim. Passei por Tonks quando ela veio andando cambaleante pelo caminho, em direção ao portão principal. Ele a fez passar por um sufoco muito grande, mas ela estava ainda com força bastante e me mostrou para que direção vocês tinham ido.
- Eu provavelmente poderia ter dado conta do canalha sozinha. - murmurou Gina, recuperando-se o suficiente para se preocupar com aquilo. - Mas vi que você sabe se defender muito bem, Harry. Você realmente leva jeito para sair no braço.
Nenhum dos dois mencionou como foi que a faca tinha ido parar no pescoço de Morse.
Ela viu Neville no círculo de luz, junto da câmera, com dez policiais em volta. Simplesmente balançou a cabeça e sinalizou para a equipe médica. Tonks já estava na maca, branca como vela.
- Weasley. - Ela levantou a mão e a deixou cair. - Eu estraguei tudo.
Gina se inclinou enquanto um dos para-médicos atendia o braço dela e a seguir passou para o de Harry.
- Ele encheu você de tranqüilizantes.
- Estraguei tudo. - repetia Tonks, enquanto a maca era levada para uma ambulância. - Obrigada pelo resto da minha vida.
- Certo. - Ela se virou e se deixou cair sentada sobre um apoio acolchoado próximo da central de atendimento. - Tem alguma coisa aí para colocar no meu olho? - perguntou. - Está latejando demais!
- Vai ficar roxo. - alguém avisou, com tranqüilidade, enquanto uma pequena bolsa de gelo era colocada sobre ele.
- Essa é uma boa notícia. Não vou para o hospital. - disse com firmeza. O para-médico simplesmente estalou a língua e começou a trabalhar na limpeza e a enfaixar as feridas. - Desculpe pelo vestido. - Ela sorriu para Harry e apalpou uma das mangas, que estava despencando. - Ele não agüentou muito. - Ficando em pé, ela afastou o para-médico que continuava a atendê-la para o lado. - Tenho de voltar em casa para trocar de roupa e depois tenho de preparar o meu relatório. - Ela olhou firme nos olhos dele. - Foi uma pena que Morse tenha rolado por cima da faca. A promotoria ia adorar levá-lo a julgamento. - Ela estendeu a mão, examinou os nós dos dedos de Harry, que estavam esfolados, e balançou a cabeça. - Foi você que uivou?
- Como disse?
Ela deu uma risada e se encostou nele enquanto saíam do parque.
- Considerando-se tudo, foi uma tremenda festa.
- Humm... Vamos ter outras. Mas tem uma coisa.
- Que é? - Ela abriu e fechou os dedos, aliviada por sentir que eles tinham voltado a funcionar perfeitamente. A equipe de para-médicos tinha muita competência.
- Quero que você se case comigo, Gina.
- Hã-hã... Bem, nós vamos... - Ela parou e quase tropeçou, então ficou boquiaberta, olhando para ele com a vista boa. - Você quer o quê?
- Quero que você se case comigo.
Ele estava com uma marca roxa no queixo, sangue no paletó e brilho nos olhos. Ela ficou imaginando se ele havia pirado.
- Nós estamos aqui arrebentados, saindo da cena de um crime, da qual cada um de nós, ou os dois, poderia ter morrido, e você está me pedindo para me casar com você?
Ele enlaçou a cintura dela com o braço novamente e a empurrou ligeiramente para a frente.
- Isso é que é ter noção do momento certo.
Fim.


N/A: Ultimo capitulo postado, espero que curtam o final galera. Abraços a todos que leram e um abraço especial a Bianca.
Bianca: não precisa se desculpar, eu entendo, e é claro que eu te perdôo, não se preocupe. O pedido de casamento sai no ultimo capitulo, e vai ser um pedido bem diferente, eu garanto. Os dois realmente são muito bons juntos, se você acha o Harry perfeito, eu acho a Gina uma verdadeira mulher, independente e determinada, acho que eles fazem um casal perfeito. O Morse teve o que merece e fico feliz por você me desculpar. A Tonks sumiu e está com o maldito do Morse, coitada dela, mas a super ruiva deu um jeito de salva-la. A Hermione vai começar a ter uma participação mais ativa a partir do próximo, na verdade ela aparece trabalhando junto com a Gina praticamente todo o livro e depois vira a assistente pessoal da ruiva. Você acertou o assassino sim, sua primeira opção bateu em cheio. A continuação já esta postada e chama-se Eternidade Mortal – 3º livro da serie, o link é: http://www.floreioseborroes.net/menufic.php?id=32607
Quanto a sua pergunta sobre os livros da Nora, bem eu sou um fã dela. Adoro a serie Mortal e espero ansiosamente cada livro lançado em português. Eu não sabia que ela já estava no vigésimo, eu sabia que tinha pelo menos quinze que eu sabia, mas fico feliz que tenha ainda mais livros da serie, quanto mais melhor. Os livros traduzidos eu tenho sete deles em casa, e dez no computador, estou precisando me atualizar um pouco. Bem, eu pretendo continuar postando a serie, até quando não sei dizer, mas se depender exclusivamente de mim até o ultimo livro dela, e sim só posto na FEB. Quanto até onde eu li, bem até Meia Noite Mortal, foi onde eu parei a leitura da serie, mas eu pretendo ler os outros em breve. Como eu disse sou um fa da Nora Roberts e já li muitos livros dela. Os que eu mais gostei vão abaixo.
Trilogia do Sonho: Um Sonho de Amor, Um Sonho de Vida, e Um Sonho de Esperança.
Trilogia do Coração: Diamantes do Sol, Lágrimas da Lua, e Coração do Mar.
Trilogia da Magia: Dançando no Ar, Entre o Céu e a Terra, e Enfrentando o Fogo.
Trilogia da Gratidão: Arrebatado Pelo Mar, Movido Pela Maré, e Protegido Pelo Porto.
Trilogia as Estrelas de Mithra, Trilogia dos Jardins. Serie MACGREGOR, Família Mackade, Família Donovan.
Lua de Sangue, A Pousada do Fim do Rio, Traições Legitimas, Três Destinos, A Dança da Sedução, O Testamento, Doce Vingança, Segredos, O Amuleto.
São apenas alguns dos livros da Nora Roberts que eu já li, também tem a serie noturna. Mas como eu disse, são apenas alguns exemplos, e todos esses são de livros que eu tenho em casa, fora o que eu tenho apenas no PC. Bem espero que esteja satisfeita, beijos.




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