CAP-17 – O Mapinguari
CAP-31 – A Cura.
Xingu,
Todos observavam calados enquanto Ubiratan Tingué caminhou lentamente até o corpo do Sr. Vaques estirado no solo, apenas alguns metros dali. Ele lamentou calado a morte do acessor do ministro, depois foi na direção de Virgílio, que agora estava caído ao solo também, o manto de sombras havia se desfeito quando ele foi nocalteado pelo encantamento realizado por Tingué.
- Mantenham todos eles presos - disse Tingué.
Harry e os outros conjuraram cordas para prender os guarapakas, Tingué conversava com o líder dos curupiras na língua deles.
- O que vai acontecer com Virgílio? – Perguntou Lina.
O Vice Ministro se virou lentamente na direção dela.
- Ele pagará por seus crimes... É uma pena que um bruxo tão bom tenha se desviado dessa maneira... – Ubiratan parecia cansado – De certa forma é culpa minha que isso tudo tenha acontecido. – Desabafou.
Lina hesitou por um instante, depois resolveu perguntar:
- Como assim culpa sua?
Ubiratan olhou para ela e depois para a Prof. Bruni.
- Omitir a verdade as vezes tem conseqüências terríveis... Acho que está na hora de desvendarmos toda essa estória. – Disse ele – Mas antes há uma coisa mais importante no momento.
Tingué recebeu das mãos do líder curupira um pote de barro. Ele caminhou na direção e Harry e Rony.
- Sr. Weasley, esse pote contem o antídoto para o veneno que contaminou sua noiva. Aqui há o suficiente para apenas uma dose, você deve aquece-la e fazer a pessoa contaminada respirar o vapor que será expelido.
Rony e Harry não acreditavam, finalmente conseguiriam a cura que vieram buscar.
- Obrigado – Disseram os dois juntos.
- Os curupiras relutaram muito em fornecer a cura, precisei convence-los a preparar somente uma dose. Saibam que isso é extremamente raro. Vou tornar o pote uma chave de portal que leva diretamente até Londres. Mas somente o Sr. Weasley poderá partir agora. Potter e Longbotton ficarão para prestar esclarecimentos ao ministério.
Harry e Rony concordaram e logo que Ubiratan entregou o pote Rony desapareceu na frente de todos.
- E quanto àquelas criaturas que atacaram os curupiras? – Perguntou Harry.
- Sim... ficamos sabendo, estávamos na toca do Boitatá, o Líder curupira precisava se desculpar pelo conflito de ontem à noite. Quando saímos da caverna vimos que havia algo errado. O Iaguara havia utilizado Angûeras no passado, arrasou com uma população inteira de curupiras que viviam na Floresta da Tijuca. Provavelmente Virgílio descobriu como utiliza-los. São criaturas das trevas que se alimentam de energia vital, são muito perigosos para os curupiras pois sugam a energia da floresta, são parasitas mágicos. Felizmente Virgílio não conseguiu um grupo muito grande, os curupiras vão conseguir se livrar deles, mas a floresta ficará contaminada por muito tempo, logo os Anguêras encontraram abrigo nas partes mais escuras da mata.
Harry ficou calado e se virou para a floresta onde ao longe parecia ouvir o som da batalha dos curupiras.
O Velho curupira, Se despediu de Tingué e partiu, com os outros dois, em direção aos sons da luta.
- Senhor vice ministro, onde está Julião? – Perguntou Emílio.
- O Guia ficará bem, ele teve sorte em sobreviver ao ferimento causado por um Mapinguari. Os curupiras cuidaram bem dele.
- Mas a cabana onde ele estava foi destruída – Lina apontou para os destroços da cabana ao longe.
- Ele não estava lá. – Respondeu o vice ministro.
- Estava sim. Eu o vi quando cuidaram do ferimento na minha perna, ontem. – Disse Lina.
- Tem certeza?
Lina ficou calada, ela viu alguém deitado ao seu lado, mas não viu realmente quem era, apenas imaginou que seria Julião.
- Quem estava naquela cabana era Roberto. – Tingué apontou, como uma expressão triste, para o corpo do Sr. Vaques. – Acho que os curupiras conseguiram cura-lo... Infelizmente ele não conseguiu aproveitar o suficiente.
- Como assim? Ele não parecia doente. – Disse Emílio.
- Tempos atrás Roberto Vaques fez um grande sacrifício para derrotar o Iaguara... Já é tempo dessa estória ser esclarecida.
O Vice Ministro olhou, mais uma vez, para o corpo do Sr. Vaques, A tristeza estava evidente em seus olhos. Depois se voltou para a Prof. Bruni.
- Nunca desconfiei de você. – disse para ela – Devo presumir que você está nisso desde o inicio, Foi você quem deu a Ma’enduara para Virgílio?
A Prof. Bruni se manteve calada.
Tingué pareceu aborrecido, com o silencio da mulher, ele baixou a cabeça e começou a revirar um pequena bolsa de couro a procura de algo.
- Tuiasu... Significa porco em tupi, se o Iaguara podia se tornar uma onça é evidente que o senhor podia se tornar um porco do mato. – Disse Lina.
- Sim.. você viu que eu posso. – Respondeu ele.
- Então porque não nos ajudou antes? - Perguntou Harry.
- Por que eu não podia... Eu vim por que desconfiava da presença do Iaguara... Apesar de Ter certeza de que ele estava morto, Eu precisava checar. Precisava saber quem estava se passando por ele.
- Mas porque não podia nos ajudar? Insistiu Harry.
- Primeiro: porque era o combinado com os curupiras... Eu me vali de uma antiga aliança que já existiu entre os Tuiasus e os curupiras... A missão era de vocês eu não podia intervir. Segundo: Se eu me revelasse Virgílio poderia modificar seus planos.
Lamento muito não ter intervindo antes... Talvez Roberto ainda estivesse vivo. Eu insisti na vinda dele, achei que os curupiras podiam ajuda-lo.
- Que estória é essa de que ele matou o pai de Virgílio? – Perguntou Lina.
- Explicarei tudo... Sua curiosidade será satisfeita. Como já disse toda a verdade deve vir à tona.
O Vice Ministro se sentou no chão com as pernas cruzadas. E convidou todos a fazerem o mesmo.
- O que aconteceu aqui nessa floresta, é em parte culpa minha. Eu escondi de todos a verdadeira identidade do Iaguara, numa tentativa de preservar sua mulher e seu filho, que nada sabiam das atividades ilegais dele. O Iaguara levava uma vida dupla, Como Ronaldo Matoso ele era um alto funcionário do ministério e um pai e marido exemplar. Como o Iaguara ele era um dos mais terríveis bruxos das trevas que já passou por esse país. Talvez se eu tivesse contado a todos a identidade do Iaguara, Virgílio saberia muito bem quem era o pai dele e provavelmente o repudiaria.
Mas essa estória começa bem antes. Quando Ronaldo Matoso era apenas um Jovem Bruxo recém saído da escola, ele me procurou... Ele queria se tornar meu discípulo, queria ser um pajé Tuiasu. Ele era um jovem brilhante, tinha uma avidez por conhecimento muito grande, mas também desejava poder. Eu o recusei e no lugar dele tomei como discípulo Roberto Vaques.
Ronaldo pareceu se conformar com minha decisão, continuou com sua vida, se tornando um bruxo muito respeitado e competente.
Como ele foi se tornar o Iaguara eu nunca descobri... Mas desconfio que a Prof. Bruni saiba.
Tingué se aproximou de Amanda Bruni e soprou em seu rosto um pó de cor marrom. A mulher tentou prender a respiração mas a nuvem de pó ficou pairando ao redor da cabeça dela, até que ela teve que respira-lo.
Muito bem Amanda... Me diga como Ronaldo obteve o conhecimento.
Os olhos da professora estavam arregalados e imóveis, ela começou a falar de maneira quase mecânica.
- Quando eu era jovem conheci um homem... No Mato Grosso... Era um pajé Iaguara, ele estava muito idoso... Eu me ofereci como aprendiz mas ele me recusou por eu ser mulher... Ele vivia isolado. Depois de encontra-lo eu fiz um acordo com Ronaldo, disse que o apresentaria ao pajé, e caso ele concordasse em passar seus conhecimentos, Ronaldo os dividiria comigo. Ele conseguiu que o ministério o mandasse para o Mato Grosso e o bruxo aceitou ensina-lo.
- O nome desse bruxo era Jurandir Canindé? – Perguntou o Vice Ministro.
- Sim – Respondeu Amanda.
- Achei que ele tinha morrido bem antes... Continue, o que aconteceu depois?
- Ronaldo me traiu, só me passou conhecimentos banais... O importante ele ocultava de mim... Eu observava seu poder crescer, as coisas que ele podia fazer. Eu ficava perto na esperança que ele me ensinasse. O velho bruxo morreu antes de ensinar tudo à Ronaldo... Mas ele não desistiu, procurou conhecimento em outros lugares, até em outros países. Eu o ajudei muito. Me tornei a primeira Guarapaka. Ele queria manter seus conhecimentos em segredo, então ele dividiu sua mente em duas... utilizou uma magia antiga e poderosa para criar duas personalidades no mesmo corpo. Numa ele era Ronaldo Matoso e na outra o Iaguara... Assim não despertaria suspeitas de ninguém, mas lógico que a porção Iaguara se sobressaiu e dominou a outra. Logo ele tinha planos de dominação e começou a atrair seguidores.
- Pode parar – Disse o Vice Ministro – A divisão da mente foi tão bem executada, que eu mesmo não percebi nada, cheguei a pedir ajuda à ele.
- Sim... Ele estava receoso, achava que se ficasse muito perto de você poderia ser desmascarado, Mas depois ele criou um plano para derrotar você e os atiais. Ele se juntou a vocês.
- Eu sei – Disse o vice ministro – Ele trouxe a informação disse que ela havia sido obtida no Ministério... haveria um massacre de trouxas. Só que nós já tínhamos alguém infiltrado entre os guarapakas.
- O filho de Ferraz, o próprio Iaguara o matou quando soube.
- Infelizmente sim...
- O que aconteceu exatamente na noite em que o Iaguara morreu? - Perguntou Lina.
- Os Guarapakas haviam preparado uma armadilha e nós descobrimos a trama deles. Mas a presença do Iaguara nós fez encarar a luta mesmo assim. Roberto Vaques achava que era missão dele acabar com o bruxo das trevas já que ele era meu discípulo. E realmente seria mais fácil para ele, já que o Iaguara tomou precauções para que eu não conseguisse me aproximar. Ele também tinha desejo de enfrentar Roberto, queria me provar que era o melhor e que eu havia escolhido errado. Foi uma terrível batalha e os dois acabaram se enfrentando. Ronaldo havia se tornado muito poderoso e Roberto sacrificou uma parte de sua alma para derrota-lo, foi um encanto que só poderia ser executado com muita coragem e certeza. E o Iaguara se foi. Eu, Roberto e Matias Ferraz vimos ele se revelar como Ronaldo Matoso e ao atacar Roberto ser desintegrado.
Roberto perdeu parte da alma, por muito pouco não morreu também, precisei utilizar de muitas habilidades mágicas para mante-lo vivo, ele passou muito tempo em coma, felizmente demorou mas consegui torna-lo consciente de novo. Porém ele era outra pessoa, não se lembrava de grande parte do seu passado, sua personalidade mudou, ele perdeu muita coisa.
Recentemente descobri que talvez os curupiras tivessem um meio de torna-lo inteiro novamente. Por isso o coloquei nessa expedição.
Mas quando vocês encontraram com os curupiras, ele se apavorou e tentou fugir. Consegui alcança-lo e me revelei, ele então aceitou participar do ritual para tentar lhe devolver a parte da alma que faltava.
- Acho que deu certo. Ele estava bem diferente quando enfrentou Virgílio, acho até que o derrotaria, se não tivesse tomado a poção de Miranda. – Disse Emílio.
Tingué pareceu surpreso, ele realmente não sabia se o ritual havia funcionado, e não sabia como Vaques havia sido assassinado.
- Como Virgílio descobriu sobre o pai? como ele se tornou um animago? Como ele conseguiu os conhecimentos que eram do pai? – Perguntou Lina.
- Provavelmente através da Ma’enduara. – Respondeu o vice ministro.
Ele se voltou novamente para Amanda Bruni.
- Como Virgílio obteve a Ma’enduara?
- O próprio Iaguara a criou... ele me entregou antes de ir para sua última batalha. Me disse que se ele não voltasse, eu deviria entrega-la ao seu filho. Mas quando Ronaldo foi morto. Eu a guardei para mim, por anos tentei retirar dela os conhecimentos de Ronaldo, mas mesmo depois e morto ele me revelava pouco. Eu acompanhei o crescimento de Virgílio, As investigações do Ministério nunca chegaram até mim, E Eu era madrinha de Virgílio. Vi ele se tornar um bruxo muito forte e competente, Se tornou auror. Alguns anos trás eu resolvi tomar uma atitude arriscada, eu estava ficando velha e não consegui retirar informações da Ma’enduara. Resolvi que arriscaria entrega-la a Virgílio. Não sabia o que ele ia fazer ao saber quem foi seu pai. Eu apostei que, diferente de Ronaldo ele compartilharia os conhecimentos comigo. Ele ficou chocado quando descobriu, mas eu o incentivei a mergulhar profundamente nas lembranças da Ma’enduara, disse-lhe mesmo seu pai sendo mau, ele precisa conhece-lo. O Iaguara havia preparado uma armadilha, a Ma’enduara, foi seduzindo Virgílio, que apesar de forte e correto era muito carente de carinho paterno. Logo estava possuído eu me ofereci para ajuda-lo e finalmente obtive alguns segredos de Ronaldo, mas Logo Virgílio se tornou como ele e passou a me ocultar as coisas e a aprender sozinho.
- Já chega – Disse Tingué. – Vamos nos preparar para partir. Assim que os curupiras voltarem, e lembrem-se vocês estão proibidos de utilizar magia.
Todos se levantaram, Harry caminhou para o local onde Virgílio tinha sido derrotado. Ali perto, abandonado no chão, estava o diário.
- Incendio! - disse Harry e o livro ardeu em chamas. Logo não passava de um monte de cinzas no chão que foram espalhadas pelo vento.