galerinha desculpa a demora,mas foi um bilhão de coisas, mesmo essas bilhões de coisas não sendo desculpa para deixar tanto tempo sem atualização. Eu mesmo não gosto de esperar muito tempo uma fic ser atualizada. Mais então espero que vocês de deliciem com os novos cap. Obrigada a todas vocês que não desistiram de ler essa e as outras fics. Ando pensando em colocar uma Nc Tb nessa fic ( originalmente não tem) o que vocês acham?
Bjs a todos e fiquem com DEUS
OITO
Tudo bem, é isso.
É a este lugar que eu pertenço.
Eu fui feita para morar na América.
Nós só estamos aqui desde ontem à noite, mas já estou completamente apaixonada pela cidade. De cara, nosso hotel é fantástico – todo de calcário e mármore, com tetos espantosamente altos. Estamos num quarto enorme dando para o Central Park, com um quarto de vestir todo forrado de lambris e a banheira mais incrível, que se enche nuns cinco segundos. Tudo é tão enorme, luxuoso e meio... demais.
Como ontem à noite. Depois de chegarmos, Harry sugeriu um pequeno drinque lá embaixo – e, honestamente, o Martini que eles trouxeram era a bebida mais gigantesca que eu já vi.
(Mas no fim consegui tomá-lo. E depois tomei outro, só porque seria grosseiro recusar.)
Além disso, todo mundo é muito gentil o tempo todo.
O pessoal do hotel sorri sempre que vê você – e quando você diz “obrigada”, eles respondem “de nada”, coisa que nunca fariam na Inglaterra, só rosnariam.
Para meu espanto, já recebi um lindo buquê de flores e um convite da mãe de Harry, Petúnia, para almoçar – ela mora em Nova York – e outro buquê do pessoal da televisão que vou encontrar na quarta-feira, e uma cesta de frutas de uma pessoa de quem nunca ouvi falar, mas que aparentemente está “desesperada” para me conhecer!
Quero dizer, quando foi que Zelda, do Morning Coffee, me mandou pela última vez uma cesta de frutas? Exatamente.
Tomo um gole de café e dou um sorriso satisfeito para Harry.
Estamos no restaurante terminando o café da manhã antes de ele se mandar para uma reunião, e eu estou decidindo o que vou fazer com meu dia.
Só tenho entrevistas daqui a uns dois dias, de modo que está por minha conta se vou a alguns museus, passear no Central Park... ou... dar um pulo em uma ou duas lojas...
- Gostaria de um pouco mais? – diz uma voz junto ao meu ouvido.
E eu levanto a cabeça para ver um garçom sorridente oferecendo um bule de café.
Está vendo o que eu quis dizer?
Eles estão oferecendo café interminavelmente desde que nós nos sentamos, e quando pedi um suco de laranja, eles me trouxeram um copo enorme, todo enfeitado com casca de laranja cristalizada.
E aquelas panquecas deliciosas que acabei de devorar?... Puxa, panquecas no café da manhã. É puro gênio, não é?
- Então... você vai malhar na academia? – pergunta Harry, enquanto dobra o exemplar do Daily Telegraph.
Ele lê todos os jornais todos os dias, americanos e ingleses.
O que é bastante bom, porque significa que ainda posso ler meu horóscopo do Daily World.
- Academia? – pergunto perplexa.
- Eu achei que essa seria a sua rotina – diz ele, pegando o FT. – Uma malhaçãozinha todas as manhãs.
Estou quase dizendo “Não seja ridículo!” Quando me ocorre que eu posso ter anunciado apressadamente alguma coisa do gênero ontem à noite. Depois daquele segundo Martini.
Mesmo assim – tudo bem. Eu posso ir à academia.
Na verdade, seria bom ir à academia. E depois eu poderia... bem, eu poderia fazer um pouco de turismo, acho. Talvez olhar alguns prédios famosos.
Você sabe, tenho certeza de que li em algum lugar que o prédio da Bloomingdale’s é uma obra de arquitetura admirada.
- E depois o que você vai fazer?
- Não sei – digo vagamente, olhando um garçom colocar um prato de torradas francesas na mesa ao lado.
Meu Deus, aquilo parece delicioso. Por que não temos coisas assim na Europa? – Conhecer Nova York, acho.
- Eu estava perguntando na recepção, é há um passeio com um guia, a pé, que sai do hotel às onze. O recepcionista recomendou.
- Ah, sei – digo, tomando um gole de café. – Bom, acho que eu poderia fazer esse passeio.
- Isso se você não quiser fazer umas compras – diz Harry pegando o The Times, e eu o encaro incrédula. Você nunca “não quer fazer compras”. Você sempre não quer outras coisas.
O que, de fato, me faz pensar. Talvez eu devesse fazer esse passeio – e então marquei turismo na tabela mental.
- O passeio turístico parece bom – digo. – De fato, vai ser um modo ótimo de conhecer minha nova cidade. – Olho a sala de jantar em volta, para todos os empresários elegantes e mulheres bem-vestidas, e os garçons circulando discretamente. – Meu Deus, pense só, dentro de algumas semanas nós estaremos morando aqui. Seremos nova-iorquinos de verdade!
- Gina – diz Harry. Ele pousa o jornal... e de repente parece sério demais. – Há uma coisa que eu estava querendo dizer. Tudo andou numa corrida tão grande, que não tive chance; mas é uma coisa que realmente eu acho que você precisa ouvir.
- Tudo bem – digo apreensiva. – O que é?
- É um grande passo mudar-se para uma nova cidade. Especialmente uma cidade tão extrema quanto Nova York. Eu já estive aqui muitas vezes, e até eu a acho meio esmagadora de vez em quando.
- O que quer dizer?
- Estou dizendo que você deveria ir devagar. Não espere se adaptar imediatamente. A simples pressão e o ritmo de vida aqui estão, francamente, num nível diferente do de Londres.
Encaro-o, desconcertada.
- Você acha que eu não vou agüentar o ritmo?
- Não estou dizendo isso. Só estou dizendo: conheça a cidade aos poucos. Capte a sensação; veja se consegue se ver morando aqui. Você pode odiar! Pode decidir que não vai conseguir se mudar para cá. Claro, eu espero que isso não aconteça, mas vale a pena manter a mente aberta.
- Certo – digo lentamente. – Sei.
- Então, veja como corre o dia de hoje, e a gente conversa mais à noite. Certo?
- Certo – digo, e acabo de tomar meu café pensativamente.
Vou mostrar a Harry que consigo me adaptar a esta cidade. Vou mostrar que posso ser uma verdadeira nova-iorquina. Vou à academia, depois vou beber alguma coisa saudável, depois vou... atirar em alguém, talvez?
Ou talvez só a academia baste.
Na verdade, estou bem ansiosa para malhar, porque comprei uma fabulosa roupa de ginástica DKNY na liquidação ano passado, e é a primeira vez que terei a chance de usar!
Eu pensava mesmo em entrar para uma academia, de fato até fui pegar uma ficha de inscrição na Holmes Place em Fulham.
Mas depois li um artigo realmente interessante dizendo que era possível perder bastante de peso só fazendo pequenos movimentos. Só balançando os dedos e coisas assim!
Então pensei em usar esse método, e gastei o dinheiro que tinha economizado comprando um vestido novo.
Não é que eu não goste de fazer exercício nem nada – porque gosto. Adoro. E se vou morar em Nova York, terei de ir à academia todos os dias, não é? Quero dizer, é a lei ou sei lá o quê. Então esse é um bom modo de me aclimatar.
Quando chego à entrada da academia de ginástica do hotel olho para o meu reflexo – e secretamente fico bem impressionada. Dizem que as pessoas de Nova York são todas magras como lápis e estão sempre em forma, não é? Mas admito que eu pareço muito mais em forma do que algumas daquelas figuras. Puxa, olha só aquele cara careca ali, de camiseta cinza. Parece que nunca esteve numa academia na vida!
- Olá – diz numa voz. Ergo os olhos e vejo um sujeito musculoso numa malha de lycra maneira vindo na minha direção. – Eu sou Tony. Como você vai?
- Vou bem, obrigada – digo, e casualmente dou uma alongada no tendão do jarrete. (Pelo menos acho que é o tendão do jarrete. O da perna.) – Só vim dar uma malhada.
Casualmente troco de pernas, fecho as mãos e estico os braços na frente do corpo. Posso ver meu reflexo do outro lado da sala – e mesmo sendo eu mesma que digo, estou parecendo chique demais.
- Você se exercita regularmente? – pergunta Tony.
- Não em academia – digo, abaixando-me para tocar as pontas dos dedos. E mudo de idéia no meio do caminho e pouso as mãos nos joelhos. – Mas ando um bocado.
- Fantástico! – diz Tony. – Numa esteira? Ou ao ar livre?
- Pelas lojas, principalmente.
- Tudo bem... – diz ele, em dúvida.
- Mas freqüentemente carrego coisas bem pesadas. Você sabe, bolsas de compras e coisa e tal.
- Sei – diz Tony, sem parecer muito convencido. – Bem...Você gostaria de que eu mostrasse como os aparelhos funcionam?
- Está tudo bem – digo confiante. – Eu me viro.
Honestamente, não faço a mínima questão de ouvi-lo explicar cada aparelho e quantos ajustes ele tem.
Puxa, eu não sou uma retardada, sou?
Pego uma toalha na pilha, penduro no pescoço e dirigo-me para uma esteira, que deve ser bem simples.
Subo e examino os botões à minha frente. Num painel a palavra “Tempo” pisca para mim, e depois de pensar um pouco digito “40 minutos”, que parece mais ou menos legal.
Quero dizer, é o tempo que a gente gasta numa caminhada, não é?
Ela pisca “programa” e, depois de examinar as opções, seleciono “Everest”, que parece bem mais interessante do que “caminhada”.
Depois ela pisca “nível”. Hmm. Nível. Olho em volta procurando alguma orientação, mas Tony não está à vista.
O sujeito careca está subindo na esteira ao lado da minha, e eu me inclino.
- Com licença – digo educadamente. – Que nível você acha que eu deveria escolher?
- Isso depende. Você está em forma?
- Bom – digo, sorrindo com modéstia. – Você sabe...
- Eu vou usar o nível 5, se é que isso ajuda. – diz o sujeito, cutucando rapidamente a máquina.
- Certo – digo. – Obrigada!
Bom, se ele está no nível 5, eu devo estar pelo menos no nível 7. Puxa, francamente, olhe só para ele – e olhe para mim.
Estendo a mão para a máquina e aperto o “7”, depois aperto INICIAR. A esteira começa a se mexer, e eu começo a andar.
E aquilo é realmente agradável! Deus, eu realmente deveria ir à academia com mais freqüência. Na verdade, deveria entrar para uma academia.
Mas parece que, mesmo que você não malhe, ainda pode ter uma boa forma natural. Porque isso aqui não está me causando absolutamente nenhum problema. De fato, é fácil demais. Eu deveria ter escolhido o nível...
Espere aí. A máquina está se inclinando para cima. E está acelerando. Eu estou tendo de correr para manter o ritmo dela.
Mas tudo bem. Puxa, esse é o objetivo, não é? Dar uma boa corrida saudável. Correr, ofegar um pouquinho, mas isso só significa que meu coração está funcionando. O que é perfeito. Desde que não fique mais...
Está se inclinando de novo. Ah, meu Deus. E ficando mais rápida. E mais rápida.
Não posso fazer isso. Meu rosto está vermelho. Meu peito está doendo. Estou ofegando freneticamente e me agarrando nas barras do aparelho. Não posso correr tão rápido. Tenho de diminuir a velocidade um pouco.
Cutuco febrilmente o painel – mas a esteira continua zumbindo e correndo – e de repente fica ainda mais alta. Ah, não. Por favor, não.
“Tempo restante: 38:00” pisca luminosamente no painel à minha frente. Mais 38 minutos?
Olho à direita, e o sujeito careca está correndo com facilidade como se estivesse descendo um morro. Quero falar com ele, mas não posso abrir a boca. Não posso fazer nada, a não ser manter as pernas se mexendo do melhor modo possível.
E de repente ele olha na minha direção – e sua expressão muda.
- Moça? Você está bem?
Rapidamente ele aperta o painel da sua máquina, que pára, em seguida pula e aperta a minha.
A esteira diminui a velocidade e pára de modo bastante abrupto – e eu desmorono nas barras laterais, tentando recuperar o fôlego.
- Tome um pouco d’água – diz o homem, entregando-me um copo.
- Ob... obrigada – digo, e cambaleio para fora da esteira, ainda ofegando. Meus pulmões parecem em vias de explodir, e quando olho meu reflexo do lado oposto, o rosto está cor de beterraba.
- Talvez você devesse parar por hoje – diz o sujeito, olhando-me ansioso.
- É – digo. – É, talvez eu pare. – Tomo um gole d’água, tentando recuperar o fôlego. – Acho que o problema é que eu não estou acostumada com os aparelhos americanos.
- Pode ser – diz o homem, assentindo. – Eles podem ser complicados. Claro, este – acrescenta ele, dando um tapinha nele, todo animado – foi feito na Alemanha.
- Certo – digo depois de uma pausa. – É. Bem, de qualquer modo. Obrigada pela ajuda.
- Estou à disposição – diz ele, e enquanto volta para a esteira posso vê-lo sorrindo.
Ah, meu Deus, isso foi realmente embaraçoso. Enquanto saio para o foyer do hotel, de banho tomado e roupa trocada, para o passeio a pé, sinto-me um tanto desinflada. Talvez Harry esteja certo. Talvez eu não consiga aquentar Nova York. Talvez seja uma idéia estúpida mudar para cá com ele.
Um grupo de turistas já se reuniu – principalmente pessoas muito mais velhas do que eu – e todos estão ouvindo um rapaz entusiasmado que diz alguma coisa sobre a Estátua da Liberdade.
- Ei! – diz ele, interrompendo quando me aproximo. – Você está aqui para o passeio?
- Sim, por favor.
- E seu nome?
- Ginevra Weasley– digo, ruborizando um pouco quando todos se viram para me olhar. – Eu paguei na recepção, mais cedo.
- Bom, oi, Ginevra ! – diz o sujeito, marcando alguma coisa na sua lista. – Eu sou Christophe . Bem-vinda ao nosso grupo. Está com seus sapatos de caminhada? Ele olha as minhas botas (roxo brilhante, salto agulha, liquidação do ano passado na Bertie) e seu sorriso alegre se desbota. – Você sabe que é um passeio de três horas? Todo a pé?
- Sem dúvida – digo surpresa. – Foi por isso que vim com essas botas.
- Certo – diz Christophe depois de uma pausa. – Bem... certo. – Ele olha em volta. – Acho que é só isso, então vamos começar o passeio!
Ele sai do hotel para a rua, e enquanto todo mundo o acompanha rapidamente pela calçada, pego-me andando devagar, olhando para cima.
É um dia espantosamente claro e ameno, com uma luz do sol quase ofuscante ricocheteando nas calçadas e nos prédios.
Olho em volta, totalmente cheia de espanto.
Meu Deus, esta cidade é um lugar incrível.
Puxa, obviamente eu sabia que Nova York era cheia de arranha-céus.
Mas só quando você está parada na rua, olhando para eles, percebe como... bem, como eles são gigantescos. Olho para o topo dos prédios de encontro ao céu, até o pescoço estar arqueado e eu começar a ficar tonta. Então meus olhos baixam lentamente, andar por andar, até o nível das vitrines. E me pego olhando para duas palavras. “Prada” e “Sapatos”.
Uuuh.
Sapatos Prada. Bem na minha frente.
Só vou dar uma olhadinha bem rápida.
Enquanto os outros marcham, corro até a vitrine e olho para um escarpim marrom. Meu Deus, é divino. Quanto será que custa? Você sabe, talvez a Prada aqui seja bem barata. Será que eu devo só entrar...
- Ginevra ?
Com um susto, volto a mim e olho em volta – e vejo o grupo vinte metros adiante, todos olhando para mim.
- Desculpe – digo, e relutantemente me arranco da vitrine. – Estou indo.
- Haverá tempo para compras mais tarde – diz Christophe e todo animado.
- Eu sei – digo, e dou um riso tranqüilo. – Desculpe.
- Não se preocupe.
Claro, ele está certo. Haverá tempo suficiente para fazer compras. Muito tempo.
Certo. Vou realmente me concentrar no passeio.
- Então, Ginevra – diz Christophe todo animado, quando me junto de novo ao grupo. – Eu estava dizendo aos outros que vamos pegar a Rua 57 leste até a Quinta Avenida, a avenida mais famosa de Nova York.
- Fantástico! – digo. – Parece muito bom!
- A Quinta Avenida serve como uma linha divisória entre o “lado leste” e o “lado oeste” – continua Christophe . – Qualquer um que se interessa por história gostará de saber que...
Estou assentindo inteligentemente enquanto ele fala, e tentando parecer interessada. Mas à medida que andamos pela rua, minha cabeça fica girando da esquerda para a direita, como alguém assistindo a um jogo de tênis. Christian Dior, Hermès, Chanel...
Essa rua é incrível. Se ao menos a gente pudesse ir um pouquinho mais devagar, e olhar direito.
Mas Christophe está marcando adiante como um líder de montanhismo, e todo mundo no grupo o acompanha alegremente, nem mesmo olhando para as visões incríveis em volta. Eles não têm olhos na cabeça?
- ... onde veremos dois marcos bem conhecidos: o Rockefeller Center, que muitos de vocês devem associar à patinação no gelo...
Viramos uma esquina – e meu coração dá um salto mortal de empolgação.
A Tiffany’s.
É a Tiffany’s, bem na minha frente!
Eu preciso dar uma espiadela rápida.
Puxa, é disso que se trata Nova York, não é?
Caixinhas azuis, fitas brancas e aqueles estupendos colares de prata... Desvio-me para a vitrine e olho desejosa para as peças fantásticas. Uau. Esse colar é absolutamente estonteante. Ah, meu Deus. E olhe aquele relógio. Quanto será que uma coisa assim...
- Ei, todo mundo, esperem! – ressoa a voz de Christophe . Levanto a cabeça. E eles estão a quilômetros adiante de novo. Como é que andam tão depressa? – Você está bem, Ginevra ?
– grita ele, com uma alegria ligeiramente forçada. – Vai ter de tentar manter o passo. Nós temos um bocado de terreno para percorrer!
- Desculpe – digo, e dou uma corridinha até o grupo. – Só estava dando uma olhada na Tiffany’s – rio para a mulher ao meu lado, esperando que ela ria de volta. Mas ela me olha inexpressiva e puxa o capuz com mais força sobre a cabeça.
- Como eu estava dizendo – diz ele enquanto voltamos a andar -, o sistema de grade das ruas de Manhattan significa que...
E durante um tempo eu tento me concentrar realmente. Mas não adianta. Não consigo ouvir. Puxa, qual é! Esta é a Quinta Avenida! Para todo lugar que olho existem lojas fabulosas. Lá está a Gucci, e é a maior Gap que já vi na vida... e, ah, meu Deus, olha aquela vitrine ali! E nós estamos passando direto pelo Armani Exchange e ninguém nem pára...
Puxa, o que há de errado com essas pessoas? São filisteus completos?
Andamos um pouco mais, e estou tentando ao máximo captar um vislumbre dentro de uma vitrine cheia de chapéus espantosos, quando... ah, meu Deus. Só... olhe só ali. É a Saks Fifth Avenue. Ali mesmo, a poucos metros. Uma das lojas de departamento mais famosas do mundo. Andares e mais andares de roupas, sapatos e bolsas... e graças a Deus, finalmente Christophe está se tocando e parando.
- Este é um dos marcos mais famosos de Nova York – está dizendo com um gesto.
-Muitos nova-iorquinos visitam regularmente este magnífico lugar de culto, uma vez por semana ou até mais. Alguns até vêm aqui diariamente! Nós não temos tempo para mais do que uma olhadinha rápida lá dentro, mas os que estiverem interessados podem fazer uma viagem de volta.
- É muito antiga? – pergunta um homem com sotaque escandinavo.
- O prédio data de 1879 – diz Christophe – e foi desenhado por James Renwick.
Qual é, penso impaciente, enquanto outra pessoa faz uma pergunta sobre arquitetura. Qual é! Quem se importa com quem desenhou o prédio? Quem se importa com o trabalho de cantaria? O importante é o que está lá dentro.
- Vamos entrar? – pergunta Christophe por fim.
- Sem dúvida! – digo animadíssima, e corro para a entrada.
Só quando minha mão está na porta percebo que mais ninguém está comigo. Para onde foram todos? Perplexa, olho para trás – e o resto do grupo está entrando numa grande igreja de pedra, diante da qual há uma placa onde está escrito “Catedral de St. Patrick”.
Ah.
Ah, sei. Quando ele disse “lugar magnífico de culto”, queria dizer...
Certo. Claro.
Hesito, com a mão na porta, sentindo-me dividida. Ah, meu Deus, talvez eu devesse entrar na catedral. Talvez devesse absorver um pouco de cultura e voltar à Saks mais tarde.
Mas então – é isso que vai me ajudar a saber se eu quero morar em Nova York ou não? Olhar uma catedral velha e chata?
Veja a coisa assim: quantos milhões de catedrais nós temos na Inglaterra? E quantas filiais da Saks Fifth Avenue?
- Você vai entrar? – pergunta uma voz impaciente atrás de mim.
- Sim! – digo, tomando a decisão. – Sem dúvida. Vou entrar.
Passo pelas pesadas portas de madeira e entro na loja quase doente de ansiedade. Não me sinto tão empolgada desde que a Octagon relançou seu andar de roupas de estilistas e eu fui convidada para a recepção com champanhe para os clientes com cartões.
Puxa, visitar qualquer loja pela primeira vez é empolgante. Há sempre aquela eletricidade quando você abre a porta; aquela esperança; aquela crença – de que essa vai ser a compra das compras, que lhe trará tudo que você sempre quis, a preços magicamente baixos. Mas isto aqui é mil vezes melhor. Um milhão de vezes. Porque não é qualquer loja velha, é? É uma loja de fama mundial. Eu estou aqui mesmo. Estou na Saks Fifth Avenue em Nova York. Enquanto entro lentamente na loja – forçando-me a não correr -, sinto como se estivesse marcando um encontro com uma astro de cinema de Holywood.
Ando pela perfumaria, olhando os elegantes painéis art-déco; os tetos altos e arejados; a folhagem em toda parte. Meu Deus, tem de ser uma das lojas mais bonitas em que eu já estive. Nos fundos há elevadores antigos que fazem você se sentir num filme com Cary Grant, e sobre uma mesinha há uma pilha de folhetos de orientação. Pego um, só para me situar... e não acredito. Há dez andares nesta loja.
Dez andares. Dez.
Olho a lista, fascinada. Sinto-me uma criança tentando escolher um doce numa fábrica de chocolate. Por onde vou começar? Como devo fazer isto? Começar por cima? Começar por baixo? Ah, meu Deus, todos aqueles nomes saltando para mim, me chamando. Anna Sui. Calvin Klein. Kate Spade. Kiehl’s. Acho que vou ter um ataque.
- Com licença? – Uma voz interrompe meus pensamentos e eu me viro e vejo uma garota com um crachá da Saks sorrindo para mim. – Posso ajudá-la?
- Hmm... sim – digo, ainda olhando o folheto. – Só estou tentando deduzir por onde começo, na verdade.
- Você está interessada em roupas? Ou acessórios? Ou sapatos?
- Sim – digo atordoada. – Os dois. Os três. Tudo. É... uma bolsa – digo ao acaso. – Preciso de uma bolsa nova!
O que é verdade. Quero dizer, eu trouxe bolsas, mas a gente sempre precisa de uma bolsa nova, não é? Além disso, parece haver umas bolsas muito elegantes, de modo que este é um bom modo de me aclimatar à cidade.
A garota me dá um sorriso amigável.
- Bolsas e acessórios ficam lá – diz ela, apontando. – Você pode querer começar por lá e ir subindo.
- Sim – digo. – É o que vou fazer. Obrigada!
Meu Deus, eu adoro fazer compras no exterior. Quero dizer, fazer compra em qualquer lugar é ótimo – mas as vantagens de fazer compras no exterior são:
1. Você pode comprar coisas que não consegue comprar na Inglaterra.
2. Pode cantar vantagem quando voltar para casa. (“Na verdade, eu comprei isso em Nova York”.)
3. Moeda estrangeira não conta, de modo que você pode gastar quanto quiser.
Tudo bem,sei que esta última não é totalmente verdadeira. Em algum lugar na minha cabeça eu sei que os dólares são dinheiro de verdade, com valor real. Mas, puxa, olha para eles. Não dá para levar a sério. Eu tenho um monte deles na minha bolsa e me sinto como se estivesse carregando notas de um jogo de Banco Imobiliário. Ontem fui comprar umas revistas numa banca, e quando entreguei uma nota de vinte dólares, foi como brincar de comprar. É como uma espécie estranha de jet-lag – você entra em outra moeda e de repente sente que não está gastando nada.
Então, enquanto ando pelo departamento de bolsas, experimentando uma bolsa fabulosa depois da outra, não presto muita atenção aos preços. Ocasionalmente levanto uma etiqueta de preço e faço uma tentativa débil de deduzir quanto é isso na minha moeda – mas tenho de confessar que não sei a taxa de câmbio exata. E, mesmo que soubesse, nunca fui boa com contas.
Mas o fato é que não importa. Não preciso me preocupar, porque isso aqui é a América, e todo mundo sabe que os preços na América são muito baixos. É de conhecimento comum, não é? Assim, basicamente, estou atuando no princípio de que tudo é uma pechincha. Puxa, olha só essas bolsas de griffe, maravilhosas. Provavelmente custam metade do preço da Inglaterra, se é que não menos!
Finalmente escolho uma linda bolsa Kate Spade de couro marrom e levo ao balcão. Custa quinhentos dólares, o que parece um bocado – mas, afinal de contas, “um milhão de liras” também parece um bocado, não é? E equivalem a apenas sessenta pence.
Quando a vendedora me entrega o recibo, chega a dizer algo sobre ela ser “um presente” – e eu rio de orelha a orelha, concordando.
- Um presente completo! Quero dizer, em Londres provavelmente custaria...
- Gina, você está indo lá para cima? – interrompe a mulher, virando-se para uma colega. – Gina vai levar você ao sétimo andar – diz ela, e sorri para mim.
- Certo – digo, ligeiramente confusa. – Bom... tudo bem.
Gina me chama rapidamente e, depois de um instante de hesitação, vou atrás dela, imaginando o que haverá no sétimo andar. Talvez alguma sala vip para gente que compra Kate Spade, com champanhe grátis ou algo assim!
Só quando estamos nos aproximando de uma seção chamada “Embrulhos para Presente” eu percebo o que está acontecendo. Quando eu disse “presente”, ela deve ter pensado que era um...
- Cá estamos – diz Gina toda alegre. – A caixa com logotipo da Saks é brinde, ou então escolha uma variedade de embrulhos de qualidade.
- Certo! – digo. – Bom... muito obrigada! Se bem que, na verdade, eu não estava planejando...
Mas Gina já foi embora, e as duas senhoras atrás do balcão de embrulhos estão sorrindo, me encorajando.
Ah, meu Deus, isso é meio embaraçoso. O que vou fazer?
- Você já decidiu de que papel gosta? – pergunta a mais velha das duas senhoras, sorrindo para mim. – Também temos uma variedade de fitas e adornos.
Ah, dane-se. Vou mandar embrulhar. Puxa, só custa sete dólares e cinqüenta centavos – e vai ser legal ter alguma coisa para abrir quando voltar ao quarto do hotel, não vai?
- Sim! – digo, e sorrio de volta. – Eu gostaria daquele papel prateado, por favor, e uma fita roxa... e um daqueles cachos de frutinhas prateadas.
A senhora pega o papel e começa habilmente a embrulhar minha bolsa – muito melhor do que eu já embrulhei qualquer coisa na vida. E sabe?, isso é bem divertido! Talvez eu sempre devesse mandar embrulhar minhas compras para presente.
- Para quem é? – pergunta a senhora, abrindo um cartão e pegando uma caneta prateada.
- Hmm... para Gina – digo vagamente. Algumas garotas entraram na seção de embrulhos para presente, e eu estou ligeiramente intrigada com a conversa delas.
- ... cinqüenta por cento de desconto...
- ... liquidação de ponta de estoque...
- ... jeans Earl...
- E de quem é? – pergunta a dona dos embrulhos em voz amigável.
- Hmm... de Gina – digo sem pensar. A dona dos embrulhos me lança um olhar bem estranho, e de repente eu percebo o que falei. – Uma... uma Gina diferente – acrescento sem jeito.
- ... ponta de estoque...
- ... Alexander McQueen, azul-claro, oitenta por cento de desconto.
- ... liquidação de ponta de estoque...
- ... liquidação de ponta de estoque...
Ah, não suporto mais.
- Desculpe – falo girando. – Eu não queria ficar ouvindo a conversa de vocês, mas preciso saber uma coisa. O que é uma liquidação de ponta de estoque?
Toda a seção de embrulhos para presentes fica em silêncio. Todo mundo está me olhando, até a senhora com a caneta prateada.
- Você não sabe o que é uma liquidação de ponta de estoque? – pergunta por fim uma garota com jaqueta de couro, como se eu dissesse que não sei o alfabeto.
- É... não – digo, sentindo-me ruborizar. – Não, não sei. – A garota levanta as sobrancelhas, enfia a mão na bolsa, remexe e finalmente pega um cartão. – Querida, isto é uma liquidação de ponta de estoque.
Pego o cartão com ela, e enquanto leio, minha pele começa a pinicar de empolgação.
LIQUIDAÇÃO DE PONTA DE ESTOQUE
Roupas de griffe, 50-70% de desconto
Ralph Lauren, Comme dês Garçons, Bolsas Gucci,
sapatos, meias, 40-60% de desconto
Prada, Fendi, Lagerfeld
- Isso é de verdade? – suspiro por fim, levantando a cabeça. – Quero dizer, eu poderia... eu poderia ir lá?
- Ah, claro – diz a garota. – É de verdade. Mas só dura um dia.
- Um dia? – Meu coração começa a pular em pânico. – Só um dia?
- Um dia – afirma a garota solenemente. Eu olho as outras, e elas estão concordando com a cabeça.
- As liquidações de ponta de estoque acontecem sem muito aviso – explica uma.
- Elas podem acontecer em qualquer lugar. Aparecem da noite para o dia.
- E depois somem. Desaparecem.
- E você tem de esperar a próxima.
Olho de rosto em rosto, absolutamente hipnotizada. Sinto-me um explorador aprendendo sobre alguma tribo nômade.
- Então, se quiser pegar esta hoje – diz a garota de jaqueta de couro -, é melhor correr.
Nunca me movi tão rápido como para sair daquela loja. Agarrando minha sacola da Saks Fifth Avenue, chamo um táxi, leio ofegante o endereço no cartão e afundo no banco de trás.
Não faço idéia de para onde estamos indo ou dos pontos turísticos famosos pelos quais estamos passando – mas não me importo. Desde que existam aquelas roupas de griffe à venda, é só isso que preciso saber.
Paramos, e eu pago ao motorista, certificando-me de dar uma gorjeta de cinqüenta por cento para ele não me achar uma turista inglesa pão-dura – e, de coração martelando, saio. E tenho de admitir que, à primeira impressão, as coisas não são promissoras. Estou numa rua cheia de lojas pouco inspiradoras e prédios de escritórios. No cartão dizia que a liquidação de ponta de estoque era no 405, mas quando acompanho os números na rua, o 405 é apenas outro prédio de escritórios. Será que estou no lugar errado? Ando um pouquinho pela calçada, olhando os prédios – mas não existem pistas. Nem sei em que bairro estou.
De repente me sinto esvaziada e estúpida. Eu deveria estar numa excursão a pé bem organizada – e o que fiz em vez disso? Fui correndo para uma parte estranha da cidade, onde provavelmente vou ser assaltada a qualquer minuto. De fato, provavelmente a coisa toda é uma mutreta, penso morosamente. Puxa, honestamente. Roupas de griffe com setenta por cento de desconto? Eu deveria ter notado que era bom de mais para ser...
Espere aí. Só... espere um minuto.
Outro táxi está parando, e uma garota com vestido Mil Mil está saindo. Ela consulta um pedaço de papel, anda rapidamente pela calçada e desaparece pela porta do 405. Um momento depois mais duas garotas aparecem na rua – e, enquanto olho, as duas entram também.
Talvez seja o lugar certo.
Abro as portas de vidro, entro num saguão desenxabido mobiliado com cadeiras de plástico e balanço a cabeça nervosamente para o recepcionista sentado atrás do balcão.
- Hm... com licença – digo educadamente. – Eu estava procurando a...
- Décimo segundo andar – diz ele com voz entediada. – Os elevadores são nos fundos.
Corro para os fundos do saguão, chamo um dos elevadores bem antigos e aperto o 12. Lenta e barulhentamente ele sobe – e eu começo a ouvir uma espécie de balbúrdia ao longe, que aumenta de volume enquanto me aproximo. O elevador faz ping, a porta se abre e... ah, meu Deus. Isto é a fila?
Uma fila de mulheres serpenteia em direção a uma porta no fim do corredor. Elas estão pressionando para a frente, e todas têm o mesmo olhar ansioso. De vez em quando alguém sai pela porta, segurando uma bolsa – e umas três mulheres entram. Então, no momento em que entro no fim da fila, há um som áspero e uma mulher abre uma porta, alguns metros atrás de mim.
- Outra entrada aqui – grita ela. – Venham para cá!
Na minha frente, uma fileira inteira de cabeças gira. Há um som ofegante coletivo – e então é como um maremoto de mulheres, todas vindo na minha direção. Eu me vejo correndo para a porta, só para evitar ser derrubada – e de repente estou no meio da sala, ligeiramente trêmula, enquanto todo mundo corre para as araras.
Olho em volta, tentando me orientar. Há araras e mais araras de roupas, mesas cobertas com bolsas, sapatos, echarpes e mulheres escolhendo. Posso ver uma roupa de tricô Ralph Lauren... uma arara cheia de casacos fabulosos... há uma pilha de bolsas Prada... Puxa, isso é como um sonho realizado!
A conversa é aguda e excitada, e enquanto olho em volta, ouço fragmentos voando.
- Eu preciso ter isso – está dizendo uma garota, segurando um casaco de encontro ao corpo. – Eu simplesmente preciso ter.
- Tudo bem, o que vou fazer é colocar os quatrocentos e cinqüenta dólares que gastei hoje na minha hipoteca – diz outra garota para a amiga enquanto as duas saem cheias de bolsas. – Puxa, o que significam quatrocentos e cinqüenta dólares em trinta anos?
- É cem por cento caxemira! – exclama outra pessoa. – Você viu isso? São só cinqüenta dólares! Vou levar três.
Olho em volta o salão luminoso, ruidoso, as mulheres se juntando aqui e ali, pegando a mercadoria, experimentando echarpes, enchendo os braços com coisas novas e brilhantes.
E sinto um calor súbito: uma realização avassaladora. Este é o meu povo. É a este lugar que eu pertenço. Encontrei minha pátria.
Várias horas depois chego de volta ao Four Seasons em êxtase. Estou cheia de bolsas e nem posso dizer que pechinchas incríveis consegui. Um casaco de couro creme, fantástico, que está um pouquinho apertado, mas tenho certeza de que vou perder uns quilinhos. (E, de qualquer modo, o couro estica.) Além de um top estupendo, de chiffon estampado, um sapato prateado e uma bolsa! E tudo isso só custo quinhentos dólares!
Não só isso, mas conheci uma garota legal chamada Jodie, que me contou tudo sobre um site que manda informações todos os dias sobre esse tipo de eventos. Todo dia! Puxa, as possibilidades são ilimitadas. A gente pode passar a vida inteira indo a liquidações de ponta de estoque!
Em tese.
Subo ao nosso quarto – e quando abro a porta vejo Harry sentado à mesa, lendo alguns jornais.
- Oi! – digo sem fôlego, largando as bolsas na cama enorme. – Escuta, eu preciso usar o laptop.
- Ah, certo. Claro. – Ele pega o laptop na mesa e me entrega, e eu vou me sentar na cama. Abro o laptop, consulto o pedaço de papel que Jodie me deu e digito o endereço.
- Então, como foi o seu dia? – pergunta Harry.
- Foi fantástico! – digo, digitando as teclas impaciente. – Ahh, e olhe só naquela sacola azul! Comprei umas camisas lindas para você!
- Você começou a sentir a cidade?
- Ah, acho que sim. Bom, obviamente são os primeiros dias... – Franzo a testa para a tela. – Anda!
- Mas você não se sentiu esmagada demais?
- Mmm... na verdade, não – digo distraída. Ahá! De repente a tela está se enchendo de imagens. Uma fileira de docinhos no topo, e logotipos dizendo: É divertido. É moda. Em Nova York. A página do Daily Candy!
Clico em “Inscrever” e rapidamente começo a digitar o meu e-mail, enquanto Harry se levanta e vem na minha direção, com um olhar preocupado.
- Então diga, Gina. Eu sei que tudo deve parecer estranho e amedrontador. Eu sabia que você não iria se situar logo no primeiro dia. Mas, a partir das primeiras impressões, você acha que poderia se acostumar com Nova York? Acha que consegue se ver morando aqui algum dia?
Digito a última letra com um gesto floreado, aperto ENVIAR e olho para ele pensativamente.
- Sabe de uma coisa? Acho que provavelmente sim.
HOWSKI E FORLANO
ADVOGADOS DE IMIGRAÇÃO
568 E 56th St
NOVA YORK
Srta. Ginevra Weasley.
Apartamento 2
4 Burney Road
Londres SW6 8FD
28 de setembro de 2001
Cara Srta. Ginevra Weasley
Obrigado por preencher os formulários de imigração para os EUA, que suscitaram algumas questões.
Na seção B69, referente aos seus talentos especiais, a senhorita escreveu “Eu sou muito boa em química, pergunte a qualquer um em Oxford”. Nós realmente contatamos o vice-reitor da Universidade de Oxford, que não revelou qualquer familiaridade com o seu trabalho.
Assim como o técnico olímpico inglês de salto em distância.
Estamos anexando novos formulários e pedimos que os preencha de novo.
Atenciosamente
Edgar Forlano
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