N/A: Gostaria muito de agradecer aos comentários das leitoras que se sensibilizaram com o meu sofrimento . O problema foi q eu fiquei desacostumada. Primeiro eu recebia pelo menos um comentário por capítulo, depois alguém deixou um comentário dizendo que já sabia quem era o traidor, aí os comentários pararam. Eu achei o óbvio: perderam o interesse por minha fic!!! Mas fico feliz em saber que vcs a estão acompanhando. Estou gostando muito de escrevê-la e é ótimo receber elogios, embora esteja tb aberta a críticas...
À Luana gostaria de agradecer o elogio que me fez. Comecei a escrever fics com a intenção de treinar, pq eu tenho muita vontade de escrever um livro. Quem sabe? Qto aos comnts, tb da p comentar no F&B... :D
Arianny: Entendi bem o seu recado. Como não quero q vc vá para Azkaban por me amaldiçoar vou escrever até o fim, não se preocupe, hehehehe.
Liana: Não vou mais cobrar tantos comentários, mas ficaria mto feliz se vcs não me abandonassem por tanto tempo.
Obrigada a todas que comentaram. Foi um incentivo e tanto, acreditem. Espero que gostem do próximo capítulo.
Até mais. Lika.
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_Grávida?! Como assim grávida?! – Rony seguia pelos corredores do Saint Mungus completamente atordoado. Suas orelhas, assim como todo seu rosto estavam vermelhíssimos. Suas mãos suavam e seu coração batia rápido, muito rápido. A raiva o corroia. – Mas eu mato aquele desgraçado! Eu mato! E ela? Como ela pode fazer isto comigo?! Como ela pode mentir daquele jeito?! Me dizer que não estava com ninguém? Eu não posso simplesmente querer ficar sozinha?! – ele afinou a voz imitando-a. – Não acredito! – ele levou uma das mãos a testa para limpar o suor que escorria dela. Chegou em frente a uma porta e quase a derrubou tamanha brutalidade com que a abriu. – CADÊ ELA?! EU PRECISO FALAR COM A HERMIONE?!
Vitor, que estava sendo tratado por uma curandeira, e muito interessado no decote dela, levou um susto descomunal quando ouviu o baque da porta e a voz de Rony gritando com ele. A curandeira deu um gritinho agudo. – Weesly! Ficou maluco?!
_Cadê a Hemirone?! – Rony avançou para Vitor segurando-o pela gola rasgada do uniforme.
_Hermi-ô-nini?! – ele olhou para curandeira e fez sinal para que ela os deixasse a sós. Ela saiu carrancuda. Ele segurou firme a mão de Rony e a tirou da sua gola bruscamente. – Eu não sei onde ela está? Não falo com ela direito desde o casamento do seu irmão? O que foi que houve?
_Não fala com ela desde o casamento? Como não?! – Rony parou confuso. Sentiu seu rosto queimar, mas desta vez não era de raiva e sim de vergonha. Havia feito papel de bobo e podia ter apanhado feio, já que Vitor não era muito mais alto, mas era visivelmente mais forte. – Quer dizer que... – ele estapeou a própria testa. – Putz! Foi mal, cara. – deu meia volta e saiu o mais rápido que pode.
_Hei! Mas o que houve com ela? – Vitor gritou, mas não recebeu resposta.
Rony procurava a saída do hospital mais confuso ainda. Os outros o viam passar falando sozinho e gesticulando e achavam que sua perturbação fosse pela perda recente do irmão. Ninguém o parava. Enquanto isso sua cabeça fervia.
_ Se o filho que ela está esperando não é do Krum, então de quem é? Será que... Harry?! Não! Ele não faria isso. E depois tem a Gina. Ele é apaixonado pela Gina...- suas orelhas queimaram de novo. - É bom que seja, ou eu mato ele também. Mas então quem? Neville? Não. Ele tem uma queda pela Mione, mas ele não faz o tipo dela. Eu acho... Quem então? Quem? - ele parou de repente, com a mão no queixo e uma expressão de extremo esforço. – Claro! – exclamou. – Como não pensei nisso antes? Hermione não está grávida! Como poderia estar?! Aquele medi-bruxo louco deve ter trocado a ficha dela com a de alguma moça grávida. O hospital estava lotado, não seria difícil que isso acontecesse... Mas então por que ela fugiria do hospital? - seu coração apertou-se no peito. Não adiantava querer se enganar. Ele olhou em volta. Não sabia exatamente onde estava. Olhou para todos os lados da rua, mas nada. Colocou a mão nas vestes e sacou discretamente sua varinha. Procurou um canto mais vazio e usou um feitiço de localização. Depois de dar algumas voltas em sua mão a varinha apontou a direção em que ele deveria seguir.
Ele já havia caminhado umas oito quadras e não a havia encontrado. Repetiu varias vezes o mesmo feitiço e ele sempre apontava a mesma direção. Resolveu continuar. No quarteirão seguinte a varinha virou subitamente apontando para a esquerda. Olhou ao longo de toda a mureta de proteção e então a viu. Jamais ele poderia confundir aqueles cabelos volumosos que agora esvoaçavam meio bagunçados e sujos. Guardou a varinha e começou a se aproximar devagar. Hermione estava apoiada na mureta olhando o movimento dos carros que passavam na avenida abaixo de onde estava.
_Mione? – Rony a chamou.
Ela baixou a cabeça. Uma lágrima escorreu de seu rosto, mas Rony não viu. Ela sabia que era ele, mas não tinha coragem de encará-lo.
_Mione? – ele chamou novamente e tocou em seu ombro. Ele ouviu um soluço de choro e se aproximou mais.
Hermione se virou para continuar de costas. Não tinha coragem de encará-lo.
_Mione olhe para mim. O que houve? Por que você fugiu do hospital?
Ela não pode mais se segurar e começou a chorar. Chorou desesperadamente. Rony se assustou e tentou ficar de frente para ela, que não deixou. Ela se afastou tentando ir embora, mas ele não permitiu.
_Mione. Fale comigo. Eu sou seu amigo. Estou aqui para te ajudar. – ele tentou virá-la e encará-la. Conseguiu que ela ficasse de frente para ele, mas não pode ver seu rosto, pois ela o tampava com as mãos, ainda chorando muito. Então ele a abraçou e apesar de achar que não era possível ela aumentou mais ainda o volume de choro. – Mione, você está me deixando preocupado. Fala comigo. O que houve? – mas ela não respondia, apenas chorava. Ele resolveu esperar.
Aos poucos ela foi se acalmando, parando de chorar, mas ainda não o encarava. Com o tempo somente os soluços restavam.
_Mione... Eu falei com um medi-bruxo e ele me disse que... – ele hesitou. Ela quis sair, mas ele não deixou. – Sabe? Ele só falou porque achou que eu fosse o... Hermione, ele me disse que você está grávida! Isso é mentira, não é? Ele trocou sua ficha não foi? – perguntou com um sorriso esperançoso.
Ela deu um suspiro entrecortado por causa do choro. Hesitou ainda alguns segundos. Podia sentir o olhar aflito e ansioso de Rony sobre ela. Mais um suspiro e ela balançou a cabeça negativamente. Rony deu um passo para trás por impulso. Não conseguiu disfarçar sua decepção. Viu que ela recomeçaria a chorar e se arrependeu. Aproximou-se dela novamente, acariciando seus braços.
_Quem é o... o pai? – perguntou sem ter certeza de que realmente queria saber. – Quer dizer... Você me disse que não tinha ninguém... Eu não entendo. Por que você mentiu para mim, Mione?
Ela não conseguiu de novo. Desabou a chorar e tentou ir embora novamente, mas ele a impediu mais uma vez.
_Você não vai poder esconder para sempre, Mione!
_Eu... eu... eu não...po...posso! – ela gaguejava por causa do choro.
_Por que não pode? Eu não estou bravo... – suspirou. Não estava bravo exatamente, não agora que a via naquele estado, mas sem dúvida estava desapontado, desiludido. – Se você me disser quem é...
_Eu nã... não vou... vou dizer! Não te...tenho...co...coragem, Ro...ny!
_Mas, Mione! Se você estava namorando alguém, por que não nos contou?! Quer dizer... Eu e o Harry somos seus amigos. Íamos querer saber, não?!
_Não! Vocês... não iam ...gos...gostar!
_Nós não tínhamos que gostar dele, você sim! – falou sabendo que era mentira. Com certeza iam atormentá-la por causa do cara, mais ele do que o Harry. – Espera aí! – seu coração acelerou. – Não pode ser! Você não faria isso!
Ela se agachou encostando-se na mureta de proteção. Balançava freneticamente a cabeça em negação e chorava mais ainda.
_Hermione!
_Ele... ele me enganou! – ela gritava. – Me fez con...confiar ne...nele! Eu Não queria! Não queria...
Rony a olhava espantado. Não podia acreditar no que estava ouvindo. – O Malfoy?! Como você pode?! Justo ele! Podia ser qualquer um! Mas o Malfoy?! Hermione! Tudo que ele fez todos estes anos foi te humilhar e mesmo assim...
_Eu confiei nele! Acreditei no que ele dizia... – ela agora estava sentada no chão abraçada aos joelhos e sem olhar para Rony.
_Você... Eu... Eu não acredito! Eu sempre gostei de você, sempre fui seu amigo e você não quis me dar uma chance, mas aí ele aparece e mesmo tendo pisado em você todos esses anos você cai na lábia dele! – ele deu um soco na mureta. Uma lata de lixo próxima explodiu jogando lixo para todo lado. – Eu não acredito, Hermione! Como você pode ser tão... tão... – ele suspirou tentando se acalmar. – tão ingênua! Tava na cara que ele ia querer te usar para conseguir informações! Eu não acredito! – ele agora andava de um lado para o outro. – Eu avisei ao Gui que isso não ia dar certo.
Hermione não chorava mais. Estava resignada. – Eu fui uma burra... Acreditei nele. – suspirou. – Ele sabe exatamente como conseguir o que quer e eu...
_Não me venha com essa! Quando um não quer, dois não brigam, Hermione! – ele a olhava com raiva. – Não acredito que você teve coragem de ir para cama com ele! – ele a olhava com nojo. Sentiu um pingo cair em sua cabeça. Agitava os braços impaciente e meneava a cabeça negativamente, incrédulo.
Hermione continuava na mesma posição. Agora chorava baixinho com a cabeça sobre os braços cruzados. Rony deu meia volta para partir. Já estava a dois metros e meio quando a chuva aumentou. Ele parou, olhou para o céu, depois fechou os olhos, deu um suspiro nervoso e voltou.
_Vamos Hermione. – ele se abaixou e a levantou pelo braço. – Não adianta ficar aí chorando e tomando chuva. O máximo que vai acontecer é você ficar doente. Vamos!
_Me deixa, Rony! Isso não é responsabilidade sua. Me deixa aqui. Ficar doente e quem sabe morrer é a melhor coisa que pode me acontecer agora. – falou olhando para o tráfego lá em baixo.
_Não fala besteira! Pense nos seus pais! E nesse filho! Ele não tem culpa das burradas que você faz! – falou nervoso. – Vou te deixar na sua casa. – ele a segurou pela mão e aparatou dali. A deixou em casa, sobre os cuidados da mãe que o convidou para entrar, mas ele não quis. Não tinha cabeça para gentilezas. Não tinha cabeça para nada.
Ele voltou caminhando ao hospital. Na verdade andou só até se dar conta de que seria impossível chegar ao hospital a pé. Aparatou e encontrou a família se preparando para ir embora. O pai, Gui e Carlinhos ficariam ainda mais um pouco para cuidar do enterro de Jorge. Rony ficou responsável por levar a mãe e Fred para Ordem, depois avisar Gina e Percy. Harry já estava acordado e ia ajudá-lo nisso.
_Eu sinto muito Rony... – Harry falou abraçando o amigo.
Rony retribuiu o abraço e chorou. Não só pelo irmão, mas por tudo o que havia descoberto. Não sabia o que fazer. Resolveu que não contaria para Harry ainda.
_Você viu a Mione?
_Eu a deixei em casa... Ela preferiu passar a noite com os pais. – mentiu.
A sede da Ordem da Fênix estava silenciosa àquela noite. Poucos haviam retornado para lá, mas todos que o fizeram estavam sem ânimo para comemoração. Os Weasley já tinham voltado e estava tudo preparado para a despedida de Jorge no dia seguinte pela manhã. Rony e Harry já haviam ido dormir, mas Rony não conseguia pegar no sono. Sua cama ficava bem ao lado da cama de Draco e ele não conseguia não olhar para ela de vez em quando. A raiva o corroia. Sentia que se Draco aparecesse na sua frente o esganaria sem usar magia. Ele ouviu um dos vidros da janela sobre sua cama trincar. Percebeu que se não conseguisse se acalmar teria muito que explicar. Resolveu tentar dormir. Fechou os olhos, mas a imagem de Hermione chorando descontroladamente invadiu sua mente. Seria muito difícil adormecer.
_O que vai acontecer com a Hermione quando descobrirem que ela está grávida do Malfoy? Com certeza vão acusá-la de traição. Ninguém vai acreditar na história de que ele a enganou, a convenceu de que havia se regenerado. Ela estava sempre com ele. E sempre o defendia. Pediu dispensa no dia da emboscada, pra ficar com ele! – suspiro. –Vão querer mandá-la para Azkaban. Mas eu sei que a Hermione não seria capaz de nos trair. Eu sei que ela ama o Harry. Ela devia estar confusa, mas o que foi que ela viu nele? – fez uma careta. – Ta certo que algumas aurores andavam suspirando por ele pelos cantos, até a Lilá! Por falar nisso, cadê a Lilá? - se revirou na cama tentando se lembrar onde a havia visto pela última vez. - Não a vi hoje no hospital! Não importa! Que tipo de namorada me deixa sozinho sabendo que eu perdi um irmão. Cadê ela quando eu mais preciso?! - fechou a cara e voltou a pensar no caso de Hermione. - Com certeza, usando as palavras certas, não seria difícil convencê-la. Ela mesma chegou a me convencer de que não era ele! – ele suspirou mais uma vez e se virou. Ficou de frente para a cama de Draco e a raiva o invadiu novamente. – Desgraçado! – falou baixo. – Eu não posso deixar a Hermione sozinha nessa. Ela ainda é minha amiga. Por mais que tenha errado.– ele se virou mais uma vez, ficando de bruços. – Droga! – exclamou. Depois enfiou a cara no travesseiro.
O dia amanheceu nublado. No primeiro andar da casa o café da manhã seguiu silencioso, isto é, para aqueles que conseguiram comer a comida preparada por Fleur, já que a Sra. Weasley não estava em condições de cozinhar. Logo depois do café Harry e Rony foram buscar Gina na estação. De lá eles aparataram para o cemitério.
Uma garoa insistente caia deixando aquela cena mais melancólica ainda. O cemitério estava lotado. Os Weasley não haviam sido os únicos a perder um ente naquela guerra. A agitação de pessoas desejando condolências umas as outras era enorme. Muitas famílias de aurores eram reconhecidas ali. Em um canto mais afastado alguns oficiais do ministério faziam o enterro de alguns comensais que haviam morrido também. Em volta da cova ainda aberta a cena era incômoda. Gina chorava abraçada ao namorado, assim como Molly se apoiava no marido. Gui e Fleur estavam mais afastados. Fred era consolado pela namorada e pelo irmão Carlinhos. Rony olhava para o nada, mas a chegada de seu irmão Percy o chamou de volta a realidade. A sra. Weasley largou os braços de seu marido e disparou em direção ao filho que vinha acompanhado de uma moça magra e de cabelos muito pretos. Molly chorava descompassadamente no ombro do filho que chorava também.
_Nunca mais sa...saia de per... perto de mim, Percy! Nunca mais se a...fas...te de sua fa...fa...mília filhinho, por favor! – ela dizia.
Logo os outros irmãos vieram cumprimentá-lo também. A cerimônia teve início com o Ministro da Magia fazendo um pronunciamento em homenagem a todos os bravos aurores que haviam perdido suas vidas. Em seguida, em cada família alguém tomou a palavra para fazer as últimas homenagens. Arthur ficara responsável pelo discurso sobre o filho. Em seguida o caixão foi baixado. Todos estavam muito emocionados. Inclusive Rony que agora chorava abertamente. Harry se aproximou dele. Com um braço consolava a namorada e com o outro o amigo.
Rony não gostava de chorar, principalmente na frente das pessoas. Levantou o rosto impaciente e secou as lágrimas. Quando seus olhos finalmente conseguiram focalizar alguma coisa ele viu, muito afastada, Hermione. Ela estava sozinha, com uma capa de chuva com um capuz muito grande que a deixaria irreconhecível, menos para Rony e provavelmente Harry, se ele não estivesse distraído com Gina. Rony a olhava sem que ela percebesse. Dava para ver que ela chorava. Com certeza não se aproximava para que não a fizessem perguntas. Rony percebeu quando ela de repente levou uma das mãos a barriga, depois a outra à boca, depois saiu correndo. Ele suspirou chateado. Ela já começava a passar mal por causa da gravidez.
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Já fazia algum tempo que Rony fitava o teto laranja de seu quarto. Devia ter uma hora que ele rodava na cama depois de ter despertado naquele dia. Ele estava de volta a Toca que estava completamente silenciosa. Silenciosa demais, principalmente o quarto dos gêmeos. Só então ele se dera conta de que dificilmente ouviria explosões vindas daquele quarto de novo. Ele se levantou finalmente, se trocou, pegou um bolinho de cima da mesa e saiu. Já passava das dez, não devia ser um horário tão inconveniente para fazer uma visita.
_Hermione, querida! Você tem uma visita!
_Eu não quero ver nin... – ela não terminou a frase, pois a porta de seu quarto se abriu e Rony entrou por ela. Hermione estava sentada em frente a janela, voltou a olhar a chuva depois que o viu.
_Como você está? – perguntou tímido.
_Eu é que deveria te perguntar, não é? – ela falou com um sorriso triste no rosto.
_Já estou melhor. É claro que vou sentir falta daquele chato, mas a vida continua, não é?
Silêncio
_Eu te vi no enterro...- falou sentando-se na cadeira da escrivaninha.
_Eu não quis me aproximar... Não saberia o que dizer. – ela se sentou de frente para ele olhando para o chão. – Nunca sei como agir nessas horas.
_Não tem problema...
Silêncio.
_Você já contou para os seus pais?
_Não...
_Uma hora eles vão perceber... Todo mundo vai...
_Não vão não! – ela voltou a olhar a chuva. Ainda era difícil encará-lo.
_Como assim? – Rony se assustou.
_Eu vou tirar! Conheço uma poção... Eu vou a Travessa do Tranco hoje. Só estou esperando a chuva diminuir...
_VOCÊ FICOU LOUCA?! – ele se levantou aproximando-se dela e fazendo-a encará-lo. – Você não pode fazer isso! É perigoso.
_Não tem outro jeito, Rony! Eu já me decidi! Não quero ter esse filho!
_Mas é muito perigoso! Você nem sabe direito de quantos meses está, ou sabe?!
_Eu não quero saber, Rony! Não me importa mais! Eu não quero ter esse filho! Não quero ter o filho de um comensal, não quero nada que me faça lembrar dele!!! – ela disse nervosa, levantando-se de onde estava e colocando um casaco. – Eu já me decidi! E se você não se importa... – ela abriu a porta do quarto e apontou a saída.
_Você vai agora? – falou desanimado.
_Vou! – falou decidida.
_Tem certeza disso, Mione? – tentou.
_Tenho, Rony! – falou impaciente.
_Então eu vou com você! – ela fez uma careta. – Não vou te deixar sozinha na Travessa do Tranco, e nem adianta reclamar! – falou no mesmo tom que ela.
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Rony seguia uma Hermione muito firme que parecia saber exatamente onde deveria ir. Seguiram por uma ruela estreita e escura, repleta de figuras estranhas que olhavam para eles com uma curiosidade assustadora. Em seguida viraram uma esquina e começaram a subir uma escada muito irregular. No fim dela uma portinhola de madeira, muito velha podia ser vista. Eles pararam em frente a ela. Hermione respirou fundo antes de bater. Rony impediu seu movimento.
_Você tem mesmo certeza, Hermione?
Ela o olhou insegura, mas não teve tempo de responder pois a portinhola se abriu com um rangido alto. Por trás dela apareceu uma senhora muito baixinha e enrugada. A voz da mulher lembrava uma vitrola antiga, parecia um chiado.
_Como vão, meus queridos? – falou sorridente. – Entrem, entrem! Sei exatamente do que precisam! – a mulher fez sinal para que eles entrassem.
Por dentro a casa lembrava muito a casa dos gritos, só que em tamanho bem menor. A casa escura era cheia de prateleiras e nelas havia todo tipo de frascos, de vários tamanhos e cores. Em uma prateleira mais baixa vários cestos com todo tipo de ervas e folhas. Rony sentia a casa dar-lhe arrepios. A mulher parou em frente a eles, sorrindo.
_Eu gostaria de comprar estes ingredientes! – Hermione falou com a voz mais firme que encontrou entregado a mulher um pedaço de pergaminho.
A mulher pegou o papel e fez algum esforço para ler a letra miúda de Hermione. Depois olhou de Hermione para Rony com um sorrisinho cínico. – Para que tanto trabalho, querida? Eu tenho exatamente o que você precisa prontinho! – ela pediu licença a Rony e seguiu para uma das suas prateleiras. Com o dedo em riste, apontando para os frascos, começou a procurar o que queria. Voltou para o casal com um frasco minúsculo nas mãos, de uns 20mL no máximo e entregou-o a Hermione. Ela segurou aquele frasco pequenino e olhou para o líquido vermelho sangue. Rony fez uma careta de desaprovação, Hermione engoliu em seco. Nenhum dos dois jamais havia visto uma poção com aquela aparência tão asquerosa.
_Tome tudo, querida, de uma vez só! Em poucos minutos seu problema estará resolvido... – ela sorriu satisfeita.
Hermione olhou desconfiada. Rony puxou a manga de sua blusa, mas ela não lhe deu atenção. Colocou a mão em um dos bolsos e tirou de lá a quantia necessária para pagar. Guardou a poção no bolso e ia sair quando a mulher a chamou:
_É bom que tenham certeza do que querem, queridos! Principalmente você, minha jovem! Eu não posso garantir que a poção não lhe dê outros efeitos. É muito forte. Você vai ter muita cólica e sangramento. É melhor você não estar sozinha quando tomar...
_Agora que a senhora avisa, sua velha louca?! – Rony avançou para a mulher. – Que outros efeitos a poção pode ter?!
_Ora, meu rapaz! Quando se quer expulsar algo de seu corpo deve-se usar algo forte! A poção não consegue distinguir o que deve danificar e o que não deve! – falou ofendida.
_A senhora ta dizendo que?... – Hermione perguntou aflita.
_Pode ser que você não tenha mais problemas com bebês, querida... – ela sorriu macabra.
_Sua velha louca! – Rony tirou a poção do bolso de Hermione e a devolveu para a mulher. – Devolva agora mesmo o dinheiro dela!
_Ora essa! Eu não! Ela queria a poção e eu a dei! Ela não me perguntou antes quais seriam as conseqüências! Eu só falei porque sou uma bruxa de bom coração!
_Eu vou te mostrar quem tem bom coração aqui! – ele a agarrou pela gola. – Devolva o dinheiro!
_Rony, Rony, deixa para lá! Vamos embora! – Hermione tentava soltá-lo da mulher.
_Eu conheço gente no Ministério. Devolva o dinheiro dela ou eles vão saber que tipo de coisas você vende aqui, velha! – ameaçou.
_Você não... – mas ela viu que ele falava sério. Enfiou a mão em uma das gavetas da mesinha e jogou o dinheiro na mão dele.
Rony agarrou Hermione pela mão e a tirou dali o mais rápido que pode. Suas orelhas estavam vermelhas e ele apertava a mão dela mais do que desejava. Os dois caminharam rápido até sair da Travessa. Não pararam de andar até chegar a porta do Caldeirão Furado onde entraram e pegaram uma mesa afastada. Rony respirava rápido e olhava para Hermione incrédulo. Ela ainda estava assustada.
_Eu disse que seria perigoso! Aquilo foi loucura. Já pensou se você estivesse sozinha?! Você não está raciocinando direito, Hermione. Não está! – ele falava sem respirar.
Um homem veio atendê-los e Rony pediu duas cervejas amanteigadas. Quando ele se afastou Hermione falou.
_E o que eu faço agora? Aquela poção era perigosa, mas a receita que eu tinha não era tão...
_Nem termine a frase, Hermione! Você sabe muito bem que isso é perigoso de qualquer maneira. Além de ser proibido. Você ia se meter em confusão e ainda podia sair machucada! Poderia se arrepender para sempre!
O homem voltou com as duas cervejas e Rony tentou se acalmar. Hermione apoiou os cotovelos na mesa e a cabeça nas mãos.
_O que é que eu vou dizer para os meus pais? E para o Harry? Ele vai me odiar por isso! Eu tenho que dar um jeito, Rony! – ela dizia desesperada encarando o amigo pela primeira vez.
_Seus pais e o Harry são o menor dos problemas. Seus pais vão ficar decepcionados, mas depois vão acabar te apoiando. O Harry vai ficar muito puto! Do jeito que eu fiquei, mas depois ele vai te perdoar por seu “deslize”. – falou irônico. – Pior mesmo vai ser o Ministério. Como você vai explicar que estava tendo um caso com um comensal da morte sem saber que era um? Ninguém vai acreditar! – falou com raiva só de pensar nela e em Draco juntos.
_Mas você acredita em mim? Você acredita que eu não sabia? Ele me fez acred...
_Eu acredito porque te conheço há muito tempo, Hermione, ou pelo menos era o que eu achava, mas eles não vão acreditar só porque você está falando. Vocês estavam sempre juntos, e você sempre o defendia! Você era o álibi dele!
_Eu estou perdida, Rony! Não adianta. Minha vida acabou! Acabou! – ela começou a chorar desesperada.
Rony a olhava sem saber o que fazer. Uma mistura de raiva e pena o dominava. Sua cabeça trabalhava a mil tentando pensar num jeito de livrar a amiga daquele problema, mas nada o ocorria. Ele então colocou sua cadeira mais próxima da cadeira de Hermione e a abraçou. Ela colocou a cabeça em seu peito e aproveitou o apoio silencioso que seu amigo oferecia. Rony tocava os cabelos de Hermione carinhosamente. A quanto tempo ele queria fazer aquilo, estar com ela daquele jeito, abraçado, mas não naquela situação. A raiva o tomou novamente quando pensou que se tivesse sido menos teimoso, menos cabeça dura e tivesse dado logo um pé na Lilá e se declarado para Hermione talvez nada daquilo estivesse acontecendo. Se ele tivesse tido coragem antes, aquele filho poderia ser dele. E ele adoraria ter um filho com Hermione. Mas não. Tinha perdido sua chance de ser feliz com a mulher que amava. Tinha chegado tarde demais, novamente...
_Pode ter um jeito, Mione... – falou incerto.
Hermione levantou a cabeça, tentou se acalmar e secando o rosto perguntou: - Que jeito, Rony? Eu não vejo solução para isso...
Silêncio.
_Talvez... Talvez se eu... Talvez se nós... disséssemos que o bebê é... – ele ficou vermelho. – se disséssemos que é meu?
Hermione se assustou, mas pensou na possibilidade. – Não Rony! Você não tem nada a ver com isso! Eu não posso jogar essa responsabilidade nas suas costas!
_Mas Hermione! Eu não me importo! Estou me oferecendo sinceramente! Ninguém vai achar estranho... Muito estranho... Afinal todo mundo já achava que a gente... – ele ficou vermelho de novo.
_Não Rony! Eu não posso! Vou assumir essa responsabilidade sozinha! Foi culpa minha! Eu não vou te obrigar a criar um filho que não é seu! Mais tarde eu volto na Travessa do Tranco e faço eu mesma uma poção! Vai dar tudo certo!
_Não seja burra, Hermione! Você acha que aquela mulher vai te vender qualquer coisa? Ainda é capaz dela tentar te fazer alguma maldade! Nem pensar! Eu não me importo de assumir seu filho! Ele não tem culpa de ser filho do Malfoy! E depois eu... – ele hesitou. – Eu... Nós poderíamos... nos casar... – dessa vez ele ficou quase roxo. – Você sabe eu... eu ainda te amo, Mione...
Ela sentiu as lágrimas invadirem seus olhos mais uma vez. Não sabia o que fazer, o que responder. Sabia que aquela seria uma boa saída para seu problema, mas não achava justo. Ela olhava as próprias mãos repousadas em suas pernas. Rony esperava uma resposta. Sentia seu coração bater rapidamente, ansioso. Sabia que seria uma responsabilidade e tanto. Sabia que não seria fácil ver aquela criança crescer parecida com Draco, mas a possibilidade de poder estar ao lado de Hermione parecia iluminar tudo. Seria sua chance de reconquistá-la, e aquilo era tudo que ele queria.
_Mione?
_E a Lilá?
_Putz! É mesmo! – ele bateu com força a mão na testa.
Hermione não conseguiu segurar o riso quando viu que ele havia se esquecido da própria namorada.
_Ela sumiu... Mas ela vai ter que aceitar. A gente inventa alguma coisa, sei lá! Eu já estava de saco cheio dela, só não queria ficar... sozinho...
_Você sabe que nós não... Não vamos ser marido e mulher de verdade, né? Quer dizer eu... Eu não vou conseguir... Entende?
_Tudo bem, Hermione... – ele tentava disfarçar. – Eu não vou tentar nada, só quero te ajudar... Você não tem muita opção. Eu não agüentaria te ver sendo acusada e julgada... Seria triste demais...
Silêncio.
Rony segurou as mãos de Hermione e sorriu carinhoso. Ela retribuiu o sorriso, mas estava preocupada. Aquele seria um passo arriscado. Muita gente poderia sair machucada por causa de suas atitudes impulsivas.
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