FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 

(Pesquisar fics e autores/leitores)

 


 

ATENÇÃO: Esta fic pode conter linguagem e conteúdo inapropriados para menores de idade então o leitor está concordando com os termos descritos.

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

16. CAPÍTULO DEZESSEIS


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

CAPÍTULO DEZESSEIS

Tirar algumas horas de folga com Harry não era como dar uma parada na delicatessen para comer uma saladinha rápida, acompanhada de café de soja. Ela não estava certa de como ele conseguia aquilo, mas por outro lado sabia que uma quantidade de dinheiro fala, e fala alto.
Eles jantaram uma suculenta lagosta grelhada, coberta de manteiga de verdade, rica e cremosa. Tomaram champanhe tão gelado que congelou a garganta de Gina. Uma sinfonia de frutas estava ali apenas para ser saboreada, espécimes híbridas que espalhavam sabores harmônicos por sobre a língua.
Muito antes de poder admitir que o amava, Gina já aceitara o fato de que estava totalmente viciada na comida que ele conseguia fazer surgir com um estalar de dedos.
Ela nadou, nua, em uma pequena piscina com hidromassagem encravada entre as palmeiras e o luar, com os músculos frouxos devido à água aquecida e ao sexo perfeito. Ouvia o canto de pássaros noturnos, não a simulação, mas o canto real, que pendia do ar perfumado como se fossem lágrimas.
Por ora, por uma noite, as pressões do trabalho estavam a anos luz de distância.
Ele conseguia fazer aquilo com ela, e para ela, Gina compreendeu. Conseguia abrir pequenos bolsões de paz em sua vida.
Harry a olhava, satisfeito pela forma que a tensão desaparecia de seu rosto, com um pouco de paparico. Ele adorava vê-la assim, descontraída, largada ao prazer dos sentidos, relaxada demais para se lembrar de se sentir culpada por se entregar a isso. Da mesma forma que adorava vê-la reavivada, com o pensamento agitado e o corpo pronto para ação.
Não, jamais havia sido daquele jeito para ele, antes, com ninguém. De todas as mulheres que ele conhecera, ela era a única com a qual ele se sentia impelido a ficar, e tinha o impulso de tocar. Tudo isto ia além do físico, do desejo básico e aparentemente insaciável que ela inspirava nele, e que era uma fascinação constante. A sua cabeça, o seu coração, os seus segredos, e as suas cicatrizes.
Harry falara a Gina, certa vez, que eles eram duas almas perdidas. Naquele instante, ele avaliava que aquilo era a pura verdade. Um com o outro, porém, eles haviam encontrado algo que os fazia criar raízes. Para um homem que sempre tivera desconfiança da polícia, por toda a vida, era perturbador sentir que a sua felicidade, agora, dependia de uma policial.
Divertido consigo mesmo, ele se deixou escorregar na piscina com ela. Gina conseguiu juntar energia suficiente para entreabrir os olhos.
- Acho que não consigo nem me mexer.
- Então não se mexa. - Ele lhe entregou mais uma taça de champanhe, prendendo os dedos dela na haste.
- Estou relaxada demais para ficar bêbada. - Mas conseguiu encontrar o caminho da boca com a taça. - É uma vida muito esquisita a sua. - ela tentou desenvolver a idéia. - Quer dizer, você pode ter tudo o que quiser, ir a qualquer lugar, fazer de tudo. Quando quer tirar uma noite de folga, voa até o México e fica mordiscando lagostas e... qual é mesmo o nome daquele troço que a gente espalha na torrada?
- Fígado de ganso.
Ela franziu o cenho e estremeceu.
- Não foi isso que você disse que era quando empurrou um pouco na minha boca. O nome me pareceu mais agradável.
- Foiegras. É a mesma coisa.
- Ah, assim é melhor. - Ela mexeu as pernas e as entrelaçou com as dele. - Enfim, a maioria das pessoas programa um vídeo para assistir, ou faz uma viagem rápida com seus óculos de realidade virtual, ou talvez gastem algumas fichas de crédito em uma cabine de simulação em Times Square. Só que você curte a coisa real.
- Eu prefiro a coisa real.
- Eu sei. Isso é outra coisa estranha em você. Você gosta de coisas antigas. Prefere ler um livro a passar um disco com o texto pelo scanner, prefere se dar ao trabalho de vir até aqui quando podia perfeitamente ter programado uma simulação na sala holográfica. - Seus lábios se curvaram ligeiramente, com ar sonhador. - Gosto disso em você.
- Que bom!
- Quando você era garoto, e as coisas eram ruins, era com tudo isso que sonhava?
- Eu sonhava com sobrevivência, e com um jeito de escapar. Sonhava com controle. Você não?
- Acho que sim. - Muitos dos sonhos dela eram confusos e sombrios. - Pelo menos depois que eu entrei para o sistema. Então, o que eu mais queria era ser uma policial. Uma boa policial. Uma policial esperta. O que você queria?
- Ser rico. Não sentir fome.
- Nós dois conseguimos o que queríamos, mais ou menos.
- Você teve pesadelos enquanto eu estive fora.
Ela não precisava abrir os olhos para sentir a preocupação que havia no rosto dele. Podia sentir pela sua voz.
- Eles não são tão ruins. Simplesmente estão mais regulares.
- Gina, se você trabalhasse suas lembranças com a doutora Minerva...
- Não estou pronta para me lembrar daquilo. Pelo menos não de tudo. Você alguma vez sente as cicatrizes, as coisas que seu pai fez com você?
Sentindo-se inquieto com as lembranças, ele se virou e mergulhou ainda mais fundo na água quente e espumante.
- Lembro-me de algumas surras, da crueldade descuidada. Por que tudo isso teria importância agora?
- Você superou tudo aquilo. - Gina abriu os olhos e os fixou nele, que estava pensativo. - Mas foi isso que fez você ser o que é, não foi? O que aconteceu naquela época construiu você.
- Imagino que sim, de certa forma.
Ela concordou e tentou falar casualmente:
- Harry, você acha que, se falta alguma coisa no coração de alguém, e essa falta o faz brutalizar os filhos, como fizeram conosco, você acha que essa falha pode passar para nós? Você acha que...
- Não.
- Mas...
- Não. - Ele envolveu a barriga da perna de Gina com a mão e a apertou. - Nós é que construímos o nosso próprio jeito de ser, no longo prazo. Você e eu fizemos isso. Se isso não fosse verdade, eu estaria bêbado a esta hora, em alguma favela de Dublin, à procura de alguém mais fraco para espancar. E você, Gina, seria fria, rígida e sem piedade.
- Às vezes eu sou assim. - ela fechou os olhos de novo.
- Não, isso você não é, nunca. Você é forte, tem moral, e às vezes fica doente de tanta pena que sente dos inocentes.
Os olhos dela ardiam por trás das pálpebras fechadas.
- Alguém que eu admiro e respeito me pediu ajuda, pediu que eu lhe fizesse um favor. Eu o deixei na mão. Em que isto me transforma?
- Em uma mulher que precisou fazer uma escolha.
- Harry, a última mulher que foi assassinada. Louise Kirski. Isso não sai da minha cabeça. Ela tinha vinte e quatro anos, era talentosa, tinha garra, estava apaixonada por um músico de segunda classe. Morava em um apartamento apertado, de um só cômodo, na Rua Vinte e Seis, no lado oeste, e gostava de comida chinesa. Tinha uma família no Texas, que nunca mais vai ser a mesma. Ela era uma inocente, Harry, e virou uma assombração para mim.
Aliviada, Gina soltou um longo suspiro.
- Não tinha conseguido contar isso para ninguém. - completou ela. - Não tinha certeza de que conseguiria dizer isso em voz alta.
- Fico feliz por ter conseguido me contar. Agora, escute. - Ele pousou a taça na beira da piscina, e se inclinou para a frente, para tomar o rosto dela nas mãos. A pele dela era suave e seus olhos eram uma faixa estreita da cor de âmbar escuro. - O destino é quem manda, Gina. A gente segue os próprios passos, faz planos e trabalha. Então, o destino entra em nossa vida, rindo, e nos faz de tolos. Às vezes conseguimos enganá-lo, e lhe passamos a perna. Mas, com mais freqüência, já está tudo escrito. Para alguns, está escrito em sangue. Isto não significa que devemos parar, mas sim que não podemos eternamente nos confortar, sentindo culpa.
- É isso o que você acha que eu estou fazendo? Que estou me confortando?
- É mais fácil levar a culpa do que admitir que não havia nada que você pudesse fazer para impedir o que aconteceu. Você é uma mulher arrogante, Gina. Este é apenas mais um dos aspectos de você que eu acho atraente. É arrogância assumir a responsabilidade por acontecimentos que estão além do nosso controle.
- Mas eu deveria tê-los controlado.
- Ah, sim. - Ele sorriu. - É claro.
- Não se trata de arrogância. - insistiu irritada. - É o meu trabalho.
- Você o provocou, achando que ele vinha atrás de você. - Pelo fato de que aquele pensamento ainda o corroia por dentro, como cobras sibilando, Harry fez um pouco mais de pressão com a mão no rosto de Gina. - Agora você se sente insultada porque ele não seguiu as regras que você determinou.
- Isso é uma coisa horrível de se dizer. Droga, você também, eu não... - E parou de falar de repente, respirando fundo. - Você está me deixando irritada para que eu pare de sentir pena de mim mesma.
- Pelo jeito funcionou.
- Certo. - Ela deixou os olhos se fecharem novamente. - Está certo. Não vou mais pensar nisso agora. Talvez amanhã eu consiga entender melhor o problema. Você é muito bom, Harry. - disse ela com a sombra de um sorriso.
- Milhares concordam com você! - murmurou ele, e apertou o mamilo dela, suavemente, colocando-o entre o polegar e o indicador.
Aquilo provocou um efeito forte, que desceu em ondas por dentro dela, até os pés.
- Não foi isso que eu quis dizer.
- Mas foi o que eu quis dizer. - e pressionou o corpo contra o dela, de modo gentil, ouvindo quando a sua respiração parou.
- Talvez, se conseguir me arrastar daqui, eu possa aceitar a sua interessante oferta.
- Simplesmente relaxe. - Olhando para o rosto dela, ele deixou a mão deslizar para o espaço entre as pernas dela, e o apertou. - Deixe-me. - ele conseguiu pegar a taça da mão dela, que já estava escorregando, e a colocou de lado. - Deixe-me ter você, Gina.
Antes que ela pudesse responder, ele a lançou em um orgasmo rápido e devastador. Seus quadris se arquearam, bombeados de encontro à sua mão hábil, e então ela relaxou.
Ela não ia conseguir pensar naquele instante, ele sabia. Estaria envolta em sensações que vinham em camadas. Ela jamais parecia esperar por aquilo. E a sua surpresa, a sua resposta ingênua e doce eram, como sempre, terrivelmente excitantes. Ele seria capaz de trazer prazer a ela sem parar, só pela delícia de vê-la absorver cada toque, cada golpe.
Assim, ele se entregou ao desejo, explorando aquele corpo esguio, sugando os seios pequenos e quentes molhados pela água perfumada, tragando a respiração rápida que saía, ofegante, de seus lábios.
Ela se sentiu drogada, indefesa, com o corpo e a alma sobrecarregados de tanto prazer. Uma parte dela estava chocada, ou tentava estar. Não tanto pelo que ela deixava que ele fizesse, mas pelo fato de permitir que ele tivesse o controle total e completo dela. Ela não conseguiria impedi-lo, não o faria, nem mesmo quando ele a levou próximo dos gritos, bem na beirada, antes de lançá-la em outro clímax estremecedor.
- De novo! - Sedento, ele puxava a cabeça dela para trás, segurando-a pelos cabelos, e enfiava os dedos dentro dela, trabalhando incessantemente, até que as mãos dela se lançaram para os lados, largadas sobre a água. - Nesta noite eu sou tudo o que existe, nós somos tudo o que existe. - Ele mordeu a garganta dela com violência enquanto procurava por sua boca, e os olhos dele eram como dois sóis ferozes e verdes. - Diga que você me ama. Diga!
- Eu amo. Eu amo você! - Um gemido lhe rasgou a garganta quando ele mergulhou dentro dela, puxou-lhe os quadris mais para cima e se enterrou mais fundo.
- Diga para mim, outra vez. - Ele sentiu os músculos dela o apertarem como se fosse uma mão e cerrou os dentes para evitar que ele explodisse dentro dela. - Diga, novamente!
- Eu amo você! - Ainda tremendo, ela o abraçou com as pernas e deixou que ele a golpeasse para além do delírio.
Ela acabou tendo mesmo de rastejar para sair da piscina. Sua cabeça girava, seu corpo estava todo mole.
- Acho que fiquei sem ossos.
Harry soltou uma risada e deu-lhe uma palmadinha nas nádegas.
- Desta vez eu não vou carregar você, querida. Nós dois íamos acabar com a cara no chão.
- Talvez eu fique só descansando, bem aqui. - Era uma dificuldade conseguir ficar de quatro sobre o piso firme.
- Você vai ficar com frio. - Com esforço, ele reuniu todas as forças para colocá-la em pé, e então começaram a andar trôpegos, como bêbados.
Ela soltou um risinho abafado, batendo os dentes.
- Que diabo você fez comigo? Até parece que eu entornei duas doses de Freebird.
Ele conseguiu segurá-la pela cintura.
- Desde quando você anda brincando com essas substâncias ilegais?
- É treinamento-padrão da polícia. - Ela mordeu o lábio inferior, como se para testá-lo, e viu que ele estava, na realidade, dormente. - Somos obrigados a fazer um curso completo sobre drogas ilegais na academia. Eu trapaceei nos testes e joguei a maior parte das minhas drogas na privada. Sua cabeça está rodando?
- Pode deixar que eu aviso assim que conseguir voltar a sentir alguma coisa acima da cintura. - Ele puxou a cabeça dela para trás e a beijou levemente. - Por que não tentamos chegar lá dentro. Podemos... - e parou de falar, franzindo o cenho, focando um ponto acima dos ombros dela.
Gina podia estar com os sentidos diminuídos, mas ainda era uma policial. Instintivamente, girou o corpo e o apertou, fazendo o seu corpo, inconscientemente, servir de escudo para o dele.
- Quê? O que foi?
- Nada. - Ele limpou a garganta e deu um tapinha no ombro dela. - Não foi nada. - repetiu. - Vá entrando, que eu já vou.
- Diga-me, o que foi? - ela manteve pé firme, olhando em volta à procura de problemas.
- Não foi nada, na verdade. É que... Eu me esqueci de desligar a câmera de segurança. Ela é, ahn, ativada por movimento, ou pelo som de vozes. - Nu, ele passou ao lado dela e foi em direção a uma mureta de pedra, apertou um botão e pegou um disco.
- Uma câmera. - Gina levantou um dedo. - Durante todo o tempo em que nós ficamos aqui fora estava tudo sendo gravado? - Desviou o olhar, de relance, para a piscina. - O tempo inteiro?
- Esse é o motivo pelo qual eu prefiro as pessoas em vez de coisas automáticas.
- Nós estamos aí no disco? Está tudo aí?
- Vou cuidar disso.
Ela começou a falar novamente, e então deu uma boa olhada no rosto dele.
- Ora, essa é boa, Harry! Você ficou com vergonha!
- Claro que não! - Se ele não estivesse nu em pêlo, teria enfiado as mãos nos bolsos. - Foi só uma distração. Já disse que vou cuidar disso.
- Vamos assistir ao disco.
Ele parou na mesma hora e proporcionou a Gina a rara satisfação de vê-lo arregalar os olhos.
- Como é que é?
- Você ficou com vergonha. - Ela se inclinou para beijá-lo, e enquanto ele estava distraído, agarrou o disco. - Que gracinha! É mesmo uma gracinha.
- Cale a boca! Dê-me isso, aqui!
- Acho que não. - Deliciada, ela dançou, deu um passo para trás e manteve o disco fora do alcance dele. - Aposto que isso aqui é muito quente! Você não está curioso?
- Não. - Ele esticou a mão com rapidez, mas ela foi mais ligeira. - Gina, me entregue esta porcaria.
- Isto é fascinante. - Ela foi andando de costas em direção às portas do pátio, que estavam abertas. - O sofisticado e experiente Harry Potter está vermelho de vergonha.
- Não estou! - Ele esperava que não. Isso seria o fim! - Simplesmente, eu não vejo razão para registrar um casal fazendo amor. É uma coisa particular.
- Mas eu não vou entregar a Nymphadora Tonks, para passar no noticiário. Vou só assistir a tudo novamente. Agora mesmo! - e correu para dentro enquanto ele saía em seu encalço.

Ela entrou em sua sala às nove da manhã em ponto, sentindo-se leve como uma pluma. Seus olhos estavam claros e sem olheiras, seu organismo revigorado e seus ombros livres de tensão. Ela só faltava cantarolar.
- Alguém se deu bem. - disse Neville com um resmungo e manteve os pés em cima da mesa dela. - Potter está de volta ao planeta, aposto.
- É que eu tive uma boa noite de sono. - retrucou ela, e empurrou os pés dele para fora da mesa.
- Seja grata por isso, - gemeu ele - porque você não vai encontrar muita paz por aqui. O laudo do laboratório chegou. A droga da faca não bate.
O bom astral de Gina desapareceu.
- Como assim, não bate?
- A lâmina é muito larga. Um centímetro a mais. Se fosse um metro, dava no mesmo, droga!
- Isso pode ser devido ao ângulo das feridas, ou à força do golpe. - A lembrança do México desfez-se como uma bolha de sabão. Pensando rápido, ela começou a andar de um lado para outro. - E quanto ao sangue?
- Eles conseguiram arrumar uma quantidade suficiente para descobrir o tipo e o DNA. - Seu rosto já sombrio despencou ainda mais. - Bateu com o nosso rapaz. É o sangue de David Angelini, Weasley. O laboratório diz que é coisa antiga, seis meses no mínimo. Pelas fibras que conseguiram, parece que ele andou usando a faca para abrir pacotes, provavelmente se cortou em algum momento. Não é a nossa arma.
- Pronto, danou-se! - Ela deu um suspiro, recusando-se a desanimar. - Se ele tinha uma faca, podia ter duas. Vamos esperar para saber dos outros técnicos. - Parando por um momento, ela esfregou o rosto com as mãos. – Escute Neville, se vamos continuar considerando a confissão de Marco como falsa, temos de nos perguntar o motivo disto. Ele está salvando a pele do filho, é isso que está fazendo. Então, é melhor trabalharmos nele, e trabalharmos duro. Vou trazê-lo para interrogatório, para tentar quebrá-lo.
- Estou com você nessa.
- Tenho uma sessão marcada com a doutora Minerva, para daqui a duas horas. Vamos deixar o nosso garoto em fogo brando.
- Enquanto isso, rezamos para que uma das equipes apareça com alguma coisa.
- Rezar não vai fazer mal. E aqui vai a maior, Neville. Se os advogados do nosso rapaz conseguirem colocar as mãos na confissão de Marco, isto vai corromper a audiência com a testemunha, com relação às acusações menores. Vamos ter de torcer para conseguir uma declaração de culpa.
- Com isso, e sem prova física, ele vai voltar atrás, Weasley.
- É... Filho da mãe.
Marco Angelini parecia uma rocha concretada. Não estava disposto a mudar de posição. Duas horas de intenso interrogatório não abalaram a sua história. Embora, Gina pensava, tentando se consolar, ele também não tivesse conseguido tapar nenhum dos furos que havia nela. No momento ela tinha poucas esperanças, a não ser pelo relatório da doutora Minerva.
- O que eu posso lhe dizer - disse Minerva, com aquele seu jeito vagaroso - é que David Angelini é um jovem perturbado, com um senso de proteção e auto-indulgência altamente desenvolvido.
- Diga-me que ele é capaz de rasgar o pescoço da própria mãe.
- Ah... - Minerva se recostou e cruzou as mãos elegantes. - O que eu posso lhe dizer é que, na minha opinião, ele é mais capaz de fugir dos problemas do que de enfrentá-los, em qualquer nível. Quando combinei os dados e tirei a sua média, com base nas avaliações de Murdock-Lowell e no estudo da sinergia...
- Podemos pular essa parte técnica, doutora? Eu posso ler sobre isso depois, no relatório.
- Certo. - Minerva se voltou da tela onde estava trabalhando, já pronta para apresentar as avaliações. -- Vamos, então, manter a história em termos bem simples por agora. Seu homem é um mentiroso, alguém que convence a si mesmo, quase sem esforço, de que as suas mentiras são verdadeiras, a fim de manter a auto-estima. Ele precisa causar boa impressão, necessita de elogios e está acostumado a obtê-los. E costuma ter tudo do jeito dele.
- E quando não consegue que as coisas saiam do seu jeito?
- Joga a culpa nos outros. Nada é culpa dele, nem sua responsabilidade. Seu mundo é insular, tenente, e se resume, na maior parte do tempo, em si próprio. Ele se considera bem-sucedido e talentoso e, quando falha, é porque outra pessoa cometeu algum erro. Ele é viciado em jogo porque não acredita que possa perder, e adora a emoção do risco. Perde porque acredita que está acima do jogo.
- Como reagiria diante do risco de ter os ossos esmagados por causa das dívidas de jogo?
- Ele fugiria e se esconderia, e sendo como é, anormalmente dependente dos pais, ia esperar até que eles limpassem toda a sujeira.
- E se eles recusassem?
Minerva ficou calada por um momento.
- Tenente, você quer que eu lhe diga que ele ia reagir com violência, atacar alguém, talvez até de forma assassina. Não posso lhe dizer isto. Esta, é claro, é uma possibilidade que não deve ser descartada em nenhum de nós. Nenhum teste, nenhuma avaliação pode concluir de forma absoluta qual seria a reação de um indivíduo sob certas circunstâncias. Porém, em todos esses testes e avaliações, o avaliado reagiu de forma consistente, encobrindo-se, fugindo ou jogando a culpa em alguém em vez de atacar a origem do seu problema.
- E ele poderia estar encobrindo a sua reação para distorcer a avaliação.
- É possível, mas pouco provável. Sinto muito.
Gina parou de andar de um lado para outro e afundou em uma cadeira.
- O que a senhora está me dizendo é que, na sua opinião, o assassino ainda está lá fora.
- Receio que sim. Isso torna o seu trabalho mais difícil.
- Se estou procurando no lugar errado... - perguntou Gina quase para si mesma: - Onde é o lugar certo? E quem é a próxima vítima?
- Infelizmente nem a ciência nem a tecnologia, mesmo hoje em dia, são capazes de prever o futuro. Podemos programar possibilidades, até mesmo probabilidades, mas não podemos contar com o impulso do momento ou a emoção. Já colocou Nymphadora Tonks sob proteção?
- Na medida do possível. - Gina bateu com o dedo no joelho. - Ela é difícil e está arrasada por causa de Louise Kirski.
- E você está também.
Gina deixou o olhar vagar e concordou com a cabeça:
- É... Estou mesmo.
- Apesar disso você me parece bem descansada nesta manhã.
- Tive uma boa noite de sono.
- Sem pesadelos?
Gina mexeu com o ombro, colocou os Angelini e o caso em um canto da cabeça, de onde ela esperava que pudesse brotar alguma idéia fresca.
- Doutora, o que diria de uma mulher que parece que não consegue dormir direito, a não ser que tenha um homem específico na cama, com ela?
- Diria que pode ser que ela esteja apaixonada por ele, e que certamente está ficando acostumada com a sua presença.
- Não a consideraria dependente em excesso?
- Você consegue funcionar sem ele? Acha-se capaz de tomar uma decisão sem perguntar pela opinião dele, seu conselho ou instrução?
- Bem, claro, mas... - ela parou de falar, sentindo-se tola. Mas, afinal, se era para se sentir tola, que lugar seria melhor do que o consultório de uma psiquiatra? - No outro dia, quando ele estava fora do planeta, eu usei uma das camisas dele para trabalhar. Isso é uma coisa...
- Adorável. - completou Minerva, com um sorriso leve e solto. - E romântica. Por que o romance deixa você preocupada, Gina?
- Não deixa. É que eu... Tudo bem, isso me deixa apavorada, e eu não sei por quê. Não estou habituada a ter alguém ali, a ter alguém olhando para mim do jeito... do jeito que ele me olha. Às vezes é enervante.
- E por que isso?
- Porque eu não fiz nada para que ele se importe comigo tanto quanto ele se importa. Eu sei que ele se importa.
- Gina, o seu sentimento de auto-valorização sempre esteve focado no seu trabalho. Agora, um relacionamento forçou você a se avaliar como mulher. Tem medo do que possa encontrar?
- Ainda não pensei sobre isso. Tudo em minha vida, sempre, tinha a ver com o trabalho. Os altos e baixos, a correria, a monotonia. Tudo de que eu precisava estava ali. Queimei as pestanas para conseguir chegar a tenente, e acho que posso continuar ralando para chegar à patente de capitão, talvez mais. Realizar o meu trabalho era tudo o que havia. Era importante para mim ser a melhor, deixar uma marca. Isto ainda é importante, mas não representa tudo agora.
- Eu diria, Gina, que você é uma policial melhor, e uma mulher melhor, por causa disso. Um foco único na vida nos limita e pode, com freqüência, se tornar obsessivo. Uma vida saudável precisa de mais de um objetivo, de mais de uma paixão.
- Então acho que a minha vida está ficando mais saudável.
O comunicador de Gina tocou, lembrando-a de que ela estava com hora, e era sempre uma policial em primeiro lugar.
- Aqui fala a tenente Weasley.
- É melhor ligar no programa do Canal 75. - anunciou Neville. - Depois, venha correndo para a torre da Central de Polícia. O novo secretário de Segurança colocou nossas bundas a prêmio.
Quando Gina desligou, Minerva já tinha aberto a tela. Elas viram a reportagem de C. J. Morse para o noticiário do meio-dia.
-... E continuam a aparecer problemas, com a investigação dos assassinatos. Uma fonte da Central de Polícia confirmou que, enquanto David Angelini foi acusado de obstrução da Justiça e permanece como o principal suspeito dos três assassinatos, Marco Angelini, o pai do acusado, já confessou os três crimes. O senhor Angelini, pai, presidente da firma Angelini Exportações e ex-marido da primeira vítima, a promotora Lilá Brown, se entregou à polícia ontem. Embora tenha confessado os três assassinatos, ainda não foi formalmente acusado de nada, enquanto a polícia continua a manter David Angelini preso.
Morse fez uma pausa e virou o rosto ligeiramente para olhar uma câmera colocada em outro ângulo. Seu rosto agradável e jovem irradiava preocupação.
- Em outro desdobramento do caso, uma faca encontrada na casa dos Angelini, durante uma busca da polícia, provou, através de testes, que não era a arma do crime. Mirina Angelini, filha da falecida Lilá Brown, conversou com este repórter, em uma entrevista exclusiva, gravada na manhã de hoje.
A tela piscou e entrou um novo vídeo, onde aparecia o rosto adorável e ultrajado de Mirina.
- A polícia está perseguindo a minha família. Já não é o bastante que a minha mãe esteja morta, assassinada em plena rua. Agora, em uma tentativa desesperada de encobrir a própria incompetência, eles prenderam o meu irmão, e também estão mantendo o meu pai preso. Não ficaria surpresa se eu mesma fosse levada, algemada, a qualquer momento.
Gina rangeu os dentes enquanto Morse conduzia Mirina por várias perguntas, estimulando-a a fazer acusações e deixando-a com lágrimas nos olhos. Quando o programa voltou para o estúdio, Morse estava franzindo o cenho, com seriedade.
- Uma família sob cerco policial? Há rumores de que estão acobertando fatos para complicar as investigações. A principal investigadora do caso, tenente Gina Weasley, não foi encontrada para fazer comentários.
- Seu canalha! Seu canalha! - gritou Gina, e saiu da frente da tela. - Ele nem tentou me localizar para pedir comentários. Eu teria lhe dado um. - Furiosa, ela pegou a bolsa e lançou um último olhar para Minerva. - Doutora, a senhora devia analisar aquele ali. - disse, virando o rosto na direção da tela. - Aquele palhaço tem mania de grandeza!


Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 17) - Copyright 2002-2023
Contato: clique aqui

Moderadores:



Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.