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15. CAPÍTULO QUINZE


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO QUINZE

Gina não teve escolha. Levou-o com ela e o colocou atrás das grades. Depois de uma hora, tudo o que conseguiu foi uma dor de cabeça terrível e a declaração calma e inabalável de Marco Angelini de que ele assassinara três mulheres.
Ele recusou a presença dos advogados e também se recusou, ou não conseguiu, explicar a história com detalhes. A cada vez que Gina lhe perguntava por que motivo matara, ele a encarava direto nos olhos e afirmava que tinha sido por impulso. Ele estava chateado com a mulher, afirmara. Sentia-se pessoalmente envergonhado pela intimidade pública da ex-mulher com um sócio. Ele a matou porque não conseguira tê-la de volta. Então tomou gosto pela coisa.
Tudo era muito simples e, na opinião de Gina, muito ensaiado. Dava para vê-lo repetindo e melhorando o texto mentalmente antes de falar.
- Isso é mentira! - disse ela abruptamente, e se afastou da mesa de interrogatório. - O senhor não matou ninguém.
- Já disse que matei. - Sua voz era assustadoramente calma. - A senhorita tem a gravação da minha confissão.
- Então conte-me mais uma vez. - Inclinando-se para a frente, ela espalmou as mãos na mesa. - Por que o senhor pediu à sua mulher que fosse encontrá-lo no Bar Cinco Luas?
- Queria que tudo acontecesse fora de nosso meio. Achei que ia escapar sem ser pego, entende? Disse a ela que havia problemas com Randy. Ela não sabia por completo do seu problema com o jogo. Eu sabia. Sendo assim, é claro que ela veio.
- E o senhor cortou a garganta dela.
- Sim. - Sua pele empalideceu ligeiramente. - Foi tudo muito rápido.
- O que o senhor fez, então?
- Fui para casa.
- Como?
- Fui dirigindo. - Ele piscou. - Tinha deixado o meu carro estacionado a poucos quarteirões dali.
- E quanto ao sangue? - Ela fixou o olhar dentro dos olhos dele, analisando as suas pupilas. - Deve ter havido muito sangue. Ela deve ter espirrado muito sangue em cima do senhor.
As pupilas dele se dilataram, mas sua voz se manteve firme.
- Eu estava usando um casaco comprido, impermeável. Joguei-o fora ao sair dali. - Ele sorriu ligeiramente. - Imagino que algum transeunte o encontrou e o pegou para seu uso.
- O que foi que o senhor levou consigo da cena do crime?
- A faca, é claro.
- Não levou nada que pertencesse a ela? - Esperou um instante. - Nada que pudesse fazer com que parecesse um assalto, ou um roubo?
Ele hesitou. Gina quase podia ver sua mente trabalhando por trás do olhar.
- Eu estava abalado. Não esperava que aquilo fosse tão desagradável. Planejara levar a bolsa dela, suas jóias, mas esqueci disso e simplesmente corri.
- O senhor fugiu sem levar nada, mas foi esperto o bastante para se livrar do casaco respingado de sangue.
- Isso mesmo.
- E então o senhor foi atrás de Yvonne Metcalf.
- No caso dela, foi um impulso. Eu ficava sonhando sobre como tinha sido, e queria fazer de novo. Ela foi fácil. - Sua respiração desacelerou e suas mãos ficaram paradas sobre a mesa. - Ela era ambiciosa e muito ingênua. Eu sabia que David escrevera um roteiro com ela na cabeça. Ele estava determinado a levar esse projeto até o fim, e isso era uma coisa em que discordávamos. Isso me deixava chateado, e ia custar muito caro para a companhia, que, no momento, está com algumas dificuldades. Decidi matá-la, e entrei em contato com ela. Evidentemente, ela concordou em me ver.
- Que roupa ela estava usando?
- Roupa? - Ele se remexeu por um momento. - Não prestei atenção. Não era importante. Ela sorriu, me estendeu as duas mãos enquanto eu caminhava em sua direção. E eu a matei.
- Por que está se entregando agora?
- Como eu disse, pensei que pudesse escapar com os crimes. Talvez conseguisse. Jamais imaginei que meu filho seria preso em meu lugar.
- Então o senhor o está protegendo?
- Eu as matei, tenente. O que mais quer?
- Por que deixou a faca na gaveta dele, no quarto dele? - Seu olhar se desviou e voltou para ela logo em seguida.
- Como eu disse, ele quase nunca fica lá. Achei que aquele era um lugar seguro. Então, fui avisado do mandado de busca. Não tive tempo de remover a faca de lá.
- E quer que eu embarque nessa história? O senhor acha que o está ajudando, tornando o caso mais nebuloso, chegando com essa confissão frouxa. O senhor acha que ele é culpado. - Ela baixou a voz, mastigando cada palavra. - O senhor está tão apavorado com a possibilidade de o seu filho ser um assassino que está disposto a levar a culpa em vez de vê-lo assumir as conseqüências. Vai deixar outra mulher morrer, senhor Angelini? Ou mais duas, ou três, antes de cair na real?
Seus lábios tremeram um pouco e depois se firmaram.
- Já lhe entreguei a minha declaração.
- Já me entregou um monte de mentiras e enrolações.
Girando nos calcanhares, Gina saiu da sala. Lutando para se acalmar, ficou do lado de fora e acompanhou pelo vidro, com olhos incrédulos, o momento em que Marco Angelini levou as mãos ao rosto. Ela podia desmontar a história dele, mais tarde. Só que sempre havia a possibilidade de que a notícia vazasse, e a imprensa ia começar a gritar que havia uma confissão de outra pessoa que não era o principal suspeito. Ao ouvir passos, ela olhou para trás, e o seu corpo se enrijeceu como se fosse feito de aço.
- Olá, comandante.
- Tenente. Algum progresso?
- Ele está agarrado à sua história. Tem tantos buracos que dá para passar com um ônibus aéreo por dentro dela. Eu dei uma dica para trazer à baila o caso dos suvenires, nas duas primeiras mortes. Ele não mordeu a isca.
- Eu gostaria de conversar com ele. A sós, tenente, e extra-oficialmente. - Antes que ela conseguisse falar, ele levantou a mão. - Eu sei que isso é fora das normas. Estou lhe pedindo um favor.
- E se ele incriminar a si mesmo, ou ao filho? - Lupin trincou os dentes.
- Eu ainda sou um policial, Weasley. Que droga!
- Sim, senhor. - Ela destrancou a porta, e então, depois de uma rápida hesitação, escureceu o vidro da divisória e desligou o som. - Vou esperar em minha sala.
- Obrigado. - Ele entrou. Lançou um último olhar para ela antes de fechar a porta e se virar para o homem que estava desabado sobre a mesa. – Marco. - disse Lupin com um longo suspiro. - Que merda é essa que você acha que está fazendo?
- Remo. - Marco deu um sorriso fraco. - Estava imaginando quando é que você ia aparecer. Acabamos não jogando aquela partida de golfe.
- Fale comigo. - pediu Lupin, com a voz pesada.
- Aquela sua tenente eficiente e teimosa ainda não o colocou por dentro do caso?
- O gravador está desligado. - disse Lupin, de modo brusco. - Estamos sozinhos. Fale comigo, Marco. Nós dois sabemos que você não matou Lilá, nem ninguém mais.
Por um momento Marco ficou olhando para o teto, como se estivesse ponderando sobre o que falar.
- As pessoas jamais se conhecem umas às outras tão bem quanto acreditam. Nem mesmo as pessoas que amam. Eu a amava, Remo. Jamais deixei de amá-la. Só que ela deixou de me amar. Uma parte de mim estava sempre à espera de que ela começasse a me amar novamente. Mas ela jamais faria isso.
- Droga, Marco, você espera que eu acredite que rasgou a garganta dela porque ela se divorciou de você há doze anos?
- Acho que talvez ela devesse ter-se casado com Simas Finnighan. Ele queria isso. - disse Marco, baixinho. - Dava para ver que ele queria isso. Lilá estava indecisa. - Sua voz permanecia calma, baixa, quase nostálgica. - Ela apreciava a própria independência, mas sentia ter de desapontar Finnighan. Sentia tanto que ia acabar cedendo. Ia acabar se casando com ele. Então tudo teria realmente acabado, não é?
- Você matou Lilá porque ela poderia se casar com outro homem?
- Ela era a minha mulher, Remo. Não importa o que a Justiça ou a Igreja diga.
Lupin ficou sentado por um momento, em silêncio.
- Já joguei pôquer com você muitas vezes ao longo dos anos, Marco. Você dá bandeira. - Cruzando os braços sobre a mesa, ele se inclinou. - Quando você blefa, fica batendo com os dedos no joelho.
Os dedos pararam de bater.
- Isso não tem nada a ver com pôquer, Remo.
- Você não vai conseguir ajudar David desse jeito. Tem de deixar o sistema trabalhar.
- David e eu... Tem havido muitas brigas entre nós nos últimos meses. Diferenças de negócios, e também pessoais. - Pela primeira vez ele soltou um suspiro, profundo, longo e cansado. - Não deveria haver distâncias entre pai e filho por causa de motivos tolos.
- Esse não é o jeito certo de consertar as coisas, Marco.
O aço voltou aos olhos de Marco Angelini. Não haveria mais suspiros.
- Deixe-me perguntar algo a você, Remo, cá entre nós. Se isso estivesse acontecendo com um dos seus, e houvesse uma chance, uma mínima chance, de que ele fosse condenado por assassinato, haveria alguma coisa que o impedisse de protegê-lo?
- Você não pode proteger David embarcando em uma confissão furada como essa!
- Quem disse que é furada? - A gíria parecia creme na voz culta de Marco Angelini. - Eu cometi os crimes e estou confessando porque não vou poder conviver comigo mesmo se meu próprio filho pagar pelos meus crimes. Agora me diga, Remo, você ficaria por trás do seu filho ou na frente dele?
- Ah, que inferno, Marco! - Foi tudo o que Lupin conseguiu falar.
Ele ficou ali por vinte minutos, mas não conseguiu nada além disso. Por alguns instantes ele orientou a conversa para assuntos casuais, partidas de golfe, os resultados do time de beisebol do qual Marco tinha uma parte. Então, rápido e astuto como uma cobra, jogava uma pergunta direta sobre os crimes.
Mas Marco Angelini era um negociador hábil e já colocara as cartas na mesa. Não ia se mover dali.
Pesar, culpa e um princípio de medo formaram um molho estranho que não caiu bem no estômago de Lupin quando ele entrou na sala de Gina. Ela estava debruçada sobre o computador, pesquisando dados e buscando outras informações.
Pela primeira vez em dias, o olhar do comandante conseguiu se desviar da própria fadiga para os olhos dela. Gina estava pálida, com os olhos cheios de olheiras e a boca com um ar sombrio. Seus cabelos estavam eriçados, como se ela tivesse passado os dedos por eles inúmeras vezes. E no momento em que ele olhava, ela fazia isso mais uma vez, para depois apertar os dedos sobre os olhos, como se eles estivessem ardendo. Lupin se lembrou daquela manhã em seu escritório, a manhã seguinte ao assassinato de Lilá Brown. E a responsabilidade que ele colocara nas costas de Gina.
- Tenente.
Os ombros dela se endireitaram, como se ela tivesse colocado suportes de aço neles. Sua cabeça se levantou, o olhar cuidadosamente vazio.
- Comandante. - Ela ficou em pé.
Em posição de sentido, pensou Lupin, aborrecido pela formalidade dura e impessoal.
- Marco está mantendo a história. Nós podemos mantê-lo preso por até quarenta e oito horas, sem acusá-lo de nada. Achei que seria melhor deixá-lo atrás das grades por algum tempo. Ele continua recusando a presença de um advogado.
Lupin entrou na sala enquanto ela ainda estava em pé, e olhou em volta. Ele quase não ia naquele setor do complexo da Central de Polícia. Eram os seus subalternos que iam até ele. Uma prova da importância do comando. Ela podia ter uma sala maior. Bem que merecia. Mas parece que preferia trabalhar em uma sala tão pequena que, se três pessoas se amontoassem nela, estariam cometendo algum pecado.
- Ainda bem que você não tem claustrofobia. - comentou ele. Ela não respondeu nada, apenas levantou a sobrancelha. Lupin praguejou baixinho. – Escute Weasley...
- Senhor. - Sua interrupção foi rápida e delicada. - O laboratório criminal está com a arma que foi apreendida do quarto de David Angelini. Fui informada de que vai haver alguma demora nos resultados, porque os traços de sangue detectados pelos sensores são em quantidade muito pequena para uma definição do tipo sanguíneo e DNA.
- Entendido, tenente.
- As impressões digitais na arma encontrada bateram com as de David Angelini. No meu relatório...
- Vamos chegar ao seu relatório logo, tenente. - O queixo dela se elevou.
- Sim, senhor.
- Droga, Weasley, tire esse cassetete da bunda e sente-se!
- Isto é uma ordem, comandante?
- Ah, inferno! - começou ele.
Mirina Angelini irrompeu pela sala, com o barulho dos saltos altos batendo no piso e o frufru de sua roupa de seda.
- Por que está tentando destruir a minha família? - quis saber, empurrando a mão de Slade, que vinha atrás dela e tentava segurá-la.
- Mirina, isso não vai ajudar.
Ela se desvencilhou e andou pela sala, indo em direção a Gina.
- Já não é o bastante que a minha mãe tenha sido assassinada no meio da rua? Assassinada porque os policiais americanos estão ocupados demais caçando sombras e preenchendo relatórios inúteis em vez de protegerem os inocentes?
- Mirina, - disse Lupin - venha para a minha sala. Vamos conversar.
- Conversar? - Ela se virou para ele como uma gata, dourada e astuta, com os dentes arreganhados, querendo sangue. - Como é que eu posso conversar com o senhor? Eu confiava no senhor. Achava que o senhor se preocupava comigo, com David, com todos nós. Mas o senhor deixou que ela trancasse David em uma cela. E agora o meu pai.
- Mirina, Marco veio para cá por livre e espontânea vontade. Vamos conversar sobre isso. Vou lhe explicar tudo.
- Não há nada para explicar. - Ela virou as costas para ele e dirigiu a fúria abrasadora para Gina. - Eu vim para ficar na casa do meu pai. Ele queria que eu ficasse em Roma, mas eu não podia. Não quando todas as reportagens na mídia estão emporcalhando o nome do meu irmão. Assim que chegamos, um vizinho chegou, mais do que feliz, até mesmo realizado, para me dizer que meu pai também tinha sido levado pela polícia.
- Posso providenciar para que a senhorita fale com o seu pai, senhorita Angelini. - disse Gina com frieza. - E com o seu irmão.
- Ah, com certeza você vai providenciar. E agora! Onde está o meu pai? - Ela empurrou Gina para trás com as duas mãos antes que Lupin ou Slade pudessem impedi-la. - O que fez com ele, sua vaca?
- É melhor tirar as mãos de cima de mim! - avisou Gina. - Você acaba de me transbordar a paciência com os Angelini. Seu pai está preso aqui. Seu irmão está na prisão da ilha de Riker. Você pode ver o seu pai agora. Se quiser ver o seu irmão, podemos levá-la voando até lá. - O olhar dela voou em direção a Lupin, e se fixou nele. - Ou, já que você tem um pistolão por aqui, pode ser que consiga que ele seja trazido para visitação, por uma hora.
- Eu sei o que você está fazendo. - Agora ela não parecia nenhuma florzinha frágil. Mirina claramente estremecia de tanta energia. - Você precisa de um bode expiatório. Precisa de uma prisão para que a mídia largue o seu pé. Está fazendo política usando o meu irmão, até mesmo a minha mãe assassinada, para não perder o emprego.
- Sim, um emprego e tanto! - e sorriu com amargor. - Eu jogo gente inocente na cadeia todos os dias só para não perder os benefícios do cargo.
- Isso mantém a sua cara na tela, não é? - Mirina jogou os cabelos gloriosos para trás. - Quanto de publicidade você já conseguiu negociar em cima do cadáver da minha mãe?
- Já chega, Mirina! - A voz de Lupin estalou como um chicote, em um golpe rápido e cruel. - Vá para a minha sala e espere lá! - Olhou por cima dos ombros dela para Slade. - Leve-a daqui.
- Mirina, isso é inútil. - murmurou Slade, tentando arrastá-la pelo braço. - Vamos, agora.
- Não me segure! - Mirina mastigou cada palavra como se fosse carne fibrosa, e então se desvencilhou dele. - Eu vou. Mas você vai pagar pela dor que trouxe para a minha família, tenente! Vai pagar cada pedacinho dessa dor.
E saiu da sala a passos largos, dando tempo apenas para Slade murmurar umas desculpas antes de ir atrás dela. Lupin quebrou o silêncio dizendo bem baixinho:
- Você está bem?
- Já lidei com gente pior. - Gina ergueu os ombros. Por dentro ela estava se sentindo doente, de raiva e culpa. Tão doente que queria ardentemente ficar sozinha, a portas trancadas. - Se o senhor me desculpar, comandante, quero terminar o meu relatório.
- Weasley... Gina. - Foi o cansaço no tom de sua voz que a fez levantar o olhar de modo cansado para ele. - Mirina está transtornada, e é compreensível. Mas ela passou dos limites, passou muito.
- Ela tinha o direito de me dar umas bordoadas. - E embora quisesse apertar as mãos sobre a cabeça que latejava, ela as enfiou com negligência nos bolsos. - Acabei de colocar o que restava da família dela na prisão. Em quem mais ela vai descontar? Eu posso agüentar isso. - Seu olhar permaneceu frio como aço. - Sentimentos não são o meu ponto forte.
Ele concordou com a cabeça, lentamente.
- Essa eu mereci. Coloquei você nesse caso, Weasley, porque você é a melhor que eu tenho. Sua cabeça é boa, seus instintos são bons. E você se importa. Você se importa com a vítima. - Expirando lentamente, ele passou a mão nos cabelos. - Eu saí da linha esta manhã, Weasley, na minha sala. Já saí da linha várias vezes desde que esta confusão começou. Eu lhe peço desculpas por isso.
- Não importa.
- Gostaria que não importasse. - Ele olhou e viu a contenção rígida em seu rosto. - Mas vejo que importa sim. Vou cuidar de Mirina e tomar as providências para as visitas.
- Sim, senhor. Gostaria de continuar a minha entrevista com Marco Angelini.
- Amanhã. - disse Lupin, e trincou os dentes quando viu que ela não conseguiu disfarçar um sorriso de desdém. - Você está cansada, tenente, e policiais cansados cometem erros, deixam passar detalhes. Você pode continuar amanhã. - Foi direto para a porta, xingou mais uma vez e parou, sem olhar de novo para ela. - Vá dormir um pouco, e, pelo amor de Deus, tome um comprimido contra essa dor de cabeça. Você está com uma aparência horrível!
Ela resistiu à tentação de bater a porta nas costas dele. Resistiu porque seria uma atitude de pirraça, e anti-profissional. Mas se sentou, olhou para a tela e fingiu que a sua cabeça não estava explodindo de tanta dor. Quando uma sombra caiu sobre a sua mesa, alguns instantes depois, ela levantou a cabeça, com os olhos prontos para a batalha.
- Ora. - disse Harry, com voz suave e se inclinou para beijar a boca de Gina, que resmungava. - Isso é que são boas-vindas! - Ele apalpou o peito. - Estou sangrando?
- Ra, rá.
- Ah, aí está aquele lampejo de sagacidade que tanto me fez falta! - Ele se sentou na beira da mesa, onde poderia olhar para ela e dar uma espiada nos dados que estavam na tela para descobrir o que colocara aquela raiva terrível no olhar dela. - Bem, tenente, como foi o seu dia?
- Vamos ver. Prendi o afilhado favorito de meu oficial superior por causa de obstrução da Justiça e outras acusações variadas; encontrei o que pode ser a arma dos crimes na gaveta de sua mesa, na casa da família; consegui uma confissão do pai do principal suspeito, que afirma que foi ele que cometeu os crimes; e levei umas patadas da irmã, que acha que eu sou uma vaca que está querendo aparecer na imprensa. - Tentou dar um leve sorriso. - Fora isso, até que as coisas estão bem calmas por aqui. Agora, que tal as coisas com você?
- Ganhando fortunas, perdendo fortunas. - disse ele com brandura, preocupado com ela. - Nada de tão empolgante quanto o trabalho da polícia.
- Eu não tinha certeza se você ia voltar hoje.
- Nem eu. A construção do resort está indo muito bem. Vou conseguir coordenar as coisas por aqui durante algum tempo.
Ela tentou não parecer aliviada. Sentia-se irritada ao ver que, em poucos meses, ela já se acostumara tanto à presença dele. Estava até mesmo dependente dela.
- Isso é bom, eu acho. - disse para ele.
- Humm... - ele a conhecia muito bem. - O que é que você pode me contar a respeito do caso?
- Está tudo na mídia. Escolha um canal.
- Prefiro ouvir de você.
Ela o atualizou sobre o assunto mais ou menos do jeito que preencheria um relatório: em termos rápidos e eficientes, colocando muito peso nos fatos, e dando pouca importância a comentários pessoais. E, descobriu, se sentiu melhor com aquilo depois que acabou. Harry tinha um jeito de escutar que fazia com que ela mesma se ouvisse com mais clareza.
- Você acredita que foi o jovem Angelini.
- Temos os meios, a oportunidade e um punhado de motivos. Se a faca bater com os ferimentos... Enfim, vou me encontrar com a doutora Minerva amanhã, para discutir os testes psicológicos.
- E Marco? - continuou Harry. - O que acha da confissão dele?
- É um jeito fácil de confundir as coisas, embolar a investigação. Ele é um homem esperto e vai achar um jeito de deixar vazar tudo para a imprensa. - Ela olhou com cara feia por cima dos ombros de Harry. - Vai distorcer tudo por algum tempo, vai nos custar algum tempo, e alguns problemas. Mas a gente consegue acertar as coisas.
- Você acha que ele confessou os assassinatos para complicar a investigação?
- É isso aí. - Ela desviou o olhar para o dele e levantou uma sobrancelha. - Você tem outra teoria.
- A criança que está se afogando. - murmurou Harry. - O pai vê que o seu filho está quase afundando pela terceira vez e se joga na correnteza para salvá-lo. É a vida dele pela do filho. É o amor, Gina. - Ele segurou o queixo dela. - Nada detém o amor. Marco acredita que o filho é culpado e prefere sacrificar a si mesmo a ver sua criança pagar o preço.
- Se ele sabe, ou mesmo acredita, que David matou aquelas mulheres, seria insano protegê-lo.
- Não, seria amor. Provavelmente não há nada mais forte para um pai, ou mãe, do que um filho. Você e eu não temos experiência com esse sentimento, mas ele existe.
- Mesmo quando a criança tem um defeito? - perguntou e depois balançou a cabeça.
- Nesse caso, talvez mais ainda. Quando eu era garoto, em Dublin, havia uma mulher cuja filha perdera um braço em um acidente. Não houve dinheiro para reimplantá-lo. Ela tinha cinco filhos, e amava a todos. Quatro eram normais, e um era defeituoso. Ela construiu um escudo de proteção em volta daquela garota, a fim de protegê-la dos olhares, dos sussurros e da sensação de pena. Era a criança problemática que ela incentivava a se superar, foi para ela que toda a família se devotou. Os outros filhos não precisavam tanto dela, entenda, como aquela que tinha problemas.
- Há diferenças entre um problema físico e um mental. - insistiu Gina.
- Fico imaginando se há para um pai.
- Qualquer que seja o motivo de Marco Angelini, vamos chegar à verdade no fim.
- Sem dúvida que sim. A que horas termina o seu turno?
- O quê?
- Seu turno. - repetiu. - A que horas termina? - Ela olhou para a tela e viu o horário no canto inferior.
- Mais ou menos uma hora atrás.
- Ótimo. - Ele se levantou e estendeu a mão para ela.
- Harry, ainda tem algumas coisas que eu tenho de fechar aqui. Quero rever a entrevista com Marco Angelini. Pode ser que eu encontre algum furo.
Ele tinha paciência, porque não tinha dúvidas de que ia acabar sendo do jeito que queria.
- Gina, você está tão cansada que não ia conseguir enxergar nem um buraco de cem metros na sua frente até cair nele. - Com determinação, pegou a mão dela e a colocou em pé. - Venha comigo.
- Tudo bem, talvez eu precise mesmo de um intervalo. - Resmungando um pouco, ela ordenou ao computador que apagasse e desligasse. - Vou ter de dar uma incerta nos técnicos do laboratório. Eles estão levando uma eternidade com a faca. - A mão dela lhe provocava uma sensação boa, dentro da dele. Ela nem se preocupou com a gozação que ia ter de aturar dos outros policiais que talvez os vissem no hall dos elevadores. - Para onde estamos indo?
Ele levantou as mãos unidas até chegar aos lábios, e sorriu para ela.
- Ainda não decidi.

Ele optou pelo México. Foi um vôo curto e rápido, e a sua villa na turbulenta Costa Oeste estava sempre preparada. Ao contrário de sua casa em Nova York, ele a mantinha totalmente automatizada, convocando empregados domésticos só para quando ia ficar por mais tempo.
Na cabeça de Harry os andróides e os computadores eram convenientes, mas muito impessoais. Para os propósitos daquela visita, no entanto, estava satisfeito por contar com eles. Ele queria Gina sozinha, a queria relaxada, e a queria feliz.
- Meu Deus, Harry!
Ela deu uma olhada na construção em forma de torre que fora erguida em várias camadas sobrepostas, à beira de um penhasco, e arregalou os olhos. Parecia uma extensão da pedra, como se as imensas paredes envidraçadas tivessem sido polidas a partir dela. Jardins se multiplicavam sobre terraços em cores vívidas, formas e fragrâncias.
Acima deles, o céu que escurecia não apresentava nenhum tráfego. Era simplesmente azul, com uma espiral de nuvens brancas e as asas brilhantes de pássaros. Parecia um outro mundo.
No avião ela dormira como uma pedra, só acordando no momento em que o piloto fez um pouso rápido e elaborado, que os colocou bem na entrada de uma escadaria de pedra, em ziguezague, que subia pelo penhasco acima. Gina ainda estava sonolenta o bastante para apalpar o rosto, a fim de ter certeza de que não colocara os óculos de realidade virtual enquanto dormia.
- Onde é que nós estamos?
- México. - disse ele, simplesmente.
- México? - Aturdida, ela tentou afastar o resto do sono dos olhos e a surpresa. Harry pensou, com afeto, que ela parecia uma criança irritada ao ser acordada de um cochilo. - Mas não pode ser o México. Eu tenho de...
- Ir de carro ou a pé? - perguntou ele, empurrando-a para a frente, como um fantoche teimoso.
- Eu tenho de...
- Ir de carro. - decidiu ele. - Você ainda está tonta.
Ela podia curtir a caminhada mais tarde, pensou, e as várias vistas do mar e dos penhascos. Em vez disso, ele a enfiou em um carrinho aéreo reluzente, assumindo ele mesmo os controles e decolando na vertical com uma velocidade tão grande que a despertou do resto do sono que sentia.
- Cristo, não tão depressa! - Seu instinto de sobrevivência a fez se agarrar na lateral do carro, franzindo o cenho quando viu as pedras, flores e águas que passavam céleres. Ele estava morrendo de rir quando estacionou o pequeno carro bem na entrada do pátio da frente.
- Acordou, querida?
Ela conseguia retomar o fôlego aos poucos.
- Vou matá-lo assim que confirmar que os meus órgãos estão todos no lugar. Que diabo estamos fazendo no México?
- Tirando algumas horas de folga. Eu preciso disso. - Ele saltou do carro e deu a volta até o lado dela. - Não há dúvidas de que você também. - Vendo que ela ainda estava agarrada na lateral do carro, com os nós dos dedos brancos, ele esticou o braço, pegou-a no colo e a carregou por sobre as pedras recortadas de forma irregular em direção à porta.
- Corta essa! Eu posso andar!
- Pare de reclamar! - Ele virou a cabeça, encontrando com habilidade a boca de Gina, e aprofundando o beijo até sentir que a mão dela parou de empurrar o seu ombro e começou a acariciá-lo.
- Que droga! - exclamou ela. - Como é que você pode sempre conseguir fazer isso comigo?
- Apenas sorte, eu acho. Harry, destrancar! - afirmou ele em voz alta, e as grades decorativas que se cruzavam na entrada se abriram para os lados. Por trás delas, portas ornadas com vidro trabalhado e jateado destrancaram-se com um estalo e se abriram para trás, convidativas. Ele entrou. - Fechar portas. - ordenou ele, e as portas, eficientemente, tornaram a se unir enquanto Gina olhava.
Uma parede do nível da entrada era totalmente de vidro, e através dela Gina podia ver o mar. Ela jamais vira o Oceano Pacífico e se perguntava naquele instante como foi que ele conseguira o seu nome tão sereno, quando na verdade parecia tão vivo e pronto para ferver.
Eles chegaram a tempo de ver o pôr-do-sol, e enquanto ela observava o panorama, sem conseguir falar, o céu explodiu e cintilou com jorros de luz selvagem. E o globo imenso e redondo do sol afundou lentamente, inexoravelmente, em direção à linha azul da água.
- Você vai gostar daqui. - murmurou ele.
Ela estava comovida pela beleza do fim do dia. Parecia que a natureza havia esperado por ela para dar o seu show.
- É maravilhoso. Mas eu não posso ficar.
- Só algumas horas. - disse ele e pousou um beijo em sua testa. - Só para passar a noite, por agora. Outra hora, quando tivermos tempo, podemos voltar e passar alguns dias.
Ainda carregando-a no colo, ele se aproximou ainda mais da parede de vidro, até que pareceu a Gina que o mundo inteiro era feito de cores frenéticas e formas mutantes.
- Eu amo você, Gina.
Ela desviou os olhos do sol, do mar e os fixou nos dele. Foi maravilhoso e, por um momento, simples.
- Senti saudades de você. - Ela aproximou o rosto junto ao dele e o segurou com força. - Senti muita saudade, de verdade. Peguei uma de suas camisas para usar. - Ela conseguia rir de si mesma agora, porque ele estava ali. Ela podia cheirá-lo, tocá-lo. - Fui literalmente até o seu closet e roubei uma de suas camisas, uma daquelas de seda preta, da qual você tem às dúzias. Vesti a roupa e saí sorrateiramente dali, como um ladrão, para que Moody não me visse.
Absurdamente tocado com aquilo, ele esfregou o nariz no pescoço dela.
- De noite, eu ficava passando as suas ligações sem parar, só para poder ficar olhando para você e ouvindo a sua voz.
- É mesmo? - Ela soltou uma risadinha, um som muito raro em se tratando dela. - Nossa, Harry, nós estamos tão melosos um com o outro!
- Então vamos fazer disso o nosso pequeno segredo.
- Combinado. - Ela afastou o rosto para olhar melhor para ele. - Tenho de lhe perguntar uma coisa. É tão tolo, mas eu tenho de perguntar.
- O que é?
- Alguma vez, para você, foi... - querendo abafar a necessidade de perguntar, ela franziu o cenho. -... antes de mim, com alguma outra pessoa...
- Não. - Ele tocou as sobrancelhas dela com os lábios, depois o nariz, a covinha do queixo. - Jamais foi desse jeito, com mais ninguém.
- Para mim também não. - Ela simplesmente deixou que o ar dele entrasse dentro dela. - Coloque as mãos em mim. Quero suas mãos em mim.
- Eu consigo fazer isso.
E ele a abraçou, caindo com ela sobre um monte de almofadões, enquanto o sol morria de modo esplendoroso no oceano.


N/A: Pessoal, mais um capitulo postado. Em breve tudo se encaixa e o assassino vai ficar claro na mente da ruiva. Abraços e comentem.
Agradecimentos especiais:
Bianca: Que bom que gostou, a partir do próximo capitulo as coisas vão esquentar, e uma prova que vai desmontar todo o caso da ruiva com os Angelini. Suas terias são muito boas garota, realmente todas as teorias que você expôs teriam fundamento se for bem analisado, mas já que você está tão curiosa vou te dar algumas dicas. David não é o assassino. Você acertou de novo, o motivo é a fama, a glória. Agora a pergunta de cem milhões de dólares: Quem é que mais ganha com as mortes de mulheres famosas, poderosas e fortes em sua área de atuação? Talvez você consiga descobrir o nome do assassino com essas dicas. Beijos.



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