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14. CAPÍTULO QUATORZE


Fic: Glória Mortal - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPÍTULO QUATORZE

Gina o questionou novamente, no ambiente menos confortável da sala de interrogatório e David finalmente aceitara o conselho de chamar representantes legais para acompanhá-lo, e três advogados vestidos com ternos de risca-de-giz e olhos frios colocaram-se ao lado do cliente, à mesa de reunião.
Gina os tinha apelidado, secretamente, de Moe, Larry e Curly, porque eles se pareciam com os Três Patetas, do velho seriado cômico.
Moe, aparentemente, era a advogada que estava à frente dos três. Tinha uma voz dura, muito áspera. Parecia que uma tigela havia sido colocada em sua cabeça e o cabelo escuro cortado em volta, em linha reta. Foi isto que inspirou Gina a batizá-la. Seus acompanhantes falavam pouco, mas exibiam um ar sério, e ocasionalmente faziam anotações aparentemente muito importantes nos pequenos blocos de papel amarelo dos quais os advogados jamais se cansavam.
De vez em quando Curly, com um franzido da testa larga, apertava alguns botões em sua agenda eletrônica e sussurrava coisas em tom conspiratório no ouvido de Larry.
- Tenente Weasley. - Moe cruzou as mãos sobre a mesa; elas exibiam unhas afiadas e perigosas, pintadas de vermelho vivo. - Meu cliente está ansioso para colaborar.
- Antes não estava. - afirmou Gina - Como vocês acabam de ver por si próprios na gravação da primeira entrevista. Depois de desistir da história original, seu cliente admitiu ter abandonado a cena do crime sem comunicar a ocorrência às autoridades.
Moe soltou um suspiro. Era um som tempestuoso que mostrava desapontamento.
- A senhorita pode, é claro, acusar o senhor Angelini desses pequenos lapsos. Nós vamos, do nosso lado, alegar capacidade diminuída, choque, além do trauma emocional causado pelo recente assassinato de sua mãe. Isto tudo representaria apenas um desperdício do tempo da Justiça, e do dinheiro dos contribuintes.
- Eu não acusei o seu cliente de tais... lapsos, ainda. Estamos lidando com um problema muito maior aqui.
Curly rabiscou algo e virou o bloco na direção de Larry, para que este lesse o que estava escrito. Os dois murmuraram algo um para o outro e assumiram um ar grave.
- A tenente já confirmou o compromisso que o meu cliente marcara no Canal 75.
- Sim, ele tinha um compromisso, que foi cancelado às onze e trinta e cinco da noite. É estranho que a sua capacidade diminuída e o seu trauma emocional intenso tenham desaparecido durante um tempo suficiente para que ele pudesse cuidar de negócios. - Antes que Moe tivesse chance de falar de novo, Gina se virou para David com olhar duro. - O senhor conhece Nymphadora Tonks?
- Eu sei quem ela é. Já a vi no noticiário. - Ele hesitou e se inclinou para consultar Moe. Após um instante, concordou com a cabeça. - Já a encontrei algumas vezes, socialmente, e conversei com ela rapidamente, após a morte de minha mãe.
Gina já sabia de tudo isso e cercou a sua presa.
- Tenho certeza de que o senhor já assistiu às reportagens dela. Deve ter um interesse velado no seu trabalho, já que ela vem cobrindo os recentes assassinatos. E o assassinato de sua mãe.
- Tenente, qual é a relação que existe entre o interesse do meu cliente pela cobertura jornalística da morte de sua mãe e o assassinato da senhorita Kirski?
- Estou pesquisando isso. O senhor assistiu às recentes reportagens de Nymphadora Tonks nas últimas semanas, senhor Angelini?
- É claro. - Ele se recuperou o bastante para dar um sorriso de deboche. - A senhorita conseguiu um bocado de exposição na mídia com essa história, tenente.
- Isso incomoda o senhor?
- Acho espantoso que uma servidora pública paga pela cidade busque notoriedade através da tragédia.
- Está me parecendo que isso o deixou realmente revoltado. - respondeu Gina com um gesto de indiferença. - A senhorita Tonks tem conseguido muita notoriedade com isso também.
- É de esperar que alguém como ela use a dor alheia em benefício próprio.
- O senhor não apreciou a cobertura dela?
- Tenente, - perguntou Moe, com a paciência obviamente diminuindo - qual é a finalidade dessa pergunta?
- Isto não é um julgamento, ainda. Não preciso de uma finalidade. O senhor se sentiu incomodado pela cobertura, senhor Angelini? Zangado?
- Eu... - e parou de falar ao notar o olhar penetrante de Moe. - Venho de uma família proeminente. - continuou ele, com mais cuidado. - Já estamos acostumados com essas coisas.
- Será que poderíamos voltar ao assunto em questão? - pediu Moe.
- Esse é precisamente o assunto em questão. Louise Kirski estava usando a capa de chuva de Nymphadora quando foi morta. Sabe o que eu acho, senhor Angelini? Acho que o assassino atingiu o alvo errado. Acho que ele estava esperando por Tonks, e Louise deu o azar de escolher a hora errada para sair na chuva à procura de cigarros.
- Isso não tem nada a ver comigo. - Os olhos dele voaram na direção dos advogados. - Tudo isso continua sem ter nada a ver comigo. Eu vi o crime. Apenas isto.
- O senhor disse que era um homem. Como ele se parecia?
- Não sei. Não o vi com clareza, ele estava de costas para mim. Tudo aconteceu tão rápido!
- Mas o senhor viu o bastante para saber que era um homem.
- Imaginei que fosse. - Ele parou de falar, tentando controlar a respiração enquanto Moe sussurrava algo em seu ouvido. - Estava chovendo. - continuou ele. - E eu estava a muitos metros de distância, dentro do carro.
- O senhor afirmou ter visto o rosto da vítima.
- Foi a luz. A moça virou a cabeça para cima, na direção da luz, quando ele, ou ela, enfim, o assassino, a atacou.
- E esse assassino, que pode ter sido um homem, e que surgiu do nada... ele era alto, baixo, velho, jovem?
- Não sei. Estava escuro.
- Mas o senhor disse que havia luz.
- Apenas um ponto de luz. Ele estava nas sombras. Estava de preto. - disse David em uma torrente de palavras inspiradas. - Um casacão preto... E um chapéu. Um chapéu de aba larga, bem enterrado na cabeça.
- Isso é muito conveniente. Ele estava de preto. Tão original!
- Tenente, eu não posso aconselhar o meu cliente a continuar cooperando se a senhorita persistir no sarcasmo.
- Seu cliente está em sérios apuros. Meu sarcasmo é a menor das preocupações dele. Temos aqui três grandes pontos. Os meios, o motivo e a oportunidade.
- Vocês não têm nada, a não ser a admissão feita por meu cliente de que ele testemunhou um crime. E tem mais, - continuou Moe, tamborilando as unhas perigosas sobre a mesa de reunião - vocês não têm nada para ligá-lo com os outros assassinatos. O que vocês têm, tenente, é um maníaco à solta e uma necessidade desesperada de aplacar a ira dos oficiais superiores e da opinião pública efetuando uma prisão. Só que não vai ser a do meu cliente.
- Isso é o que veremos. Agora... - Seu comunicador apitou duas vezes, um sinal de Neville. A adrenalina de Gina estava a mil, mas ela mascarou isto com um sorriso leve. - Desculpem, vou levar apenas um instante.
Gina saiu da sala e foi para o corredor. Atrás dela, através do vidro da sala, que dava visão apenas pelo lado de fora, a confusão se instalara.
- Traga-me boas notícias, Neville. Eu quero enquadrar este filho da mãe.
- Boas notícias? - Neville esfregou o queixo. - Bem, pode ser que você goste desta. Yvonne Metcalf estava em negociações com o nosso amigo aí dentro. Negociações secretas.
- Para quê?
- Para obter o papel principal em um filme. Eles estavam ainda na fase de qualificação, porque a renovação do contrato dela com o Fique Ligado ainda não tinha saído. Finalmente, consegui apertar o agente dela. Se ela conseguisse o papel, estava disposta a abandonar o programa da TV. Só que eles iam ter de aumentar a aposta, obter a garantia de pelo menos três filmes para ela, com distribuição internacional e vinte e quatro horas de promoção ininterrupta no lançamento.
- Pelo jeito, ela estava querendo muito esse papel.
- Ela o estava pressionando um pouco. Pelo que eu saquei do papo com o agente, David precisava de Yvonne Metcalf para garantir uma parte do patrocínio, mas eles queriam uma parcela do lucro final. Ele estava brigando para resolver tudo e salvar o projeto.
- Então ele a conhecia. E era ela que estava no controle.
- De acordo com o agente, David esteve pessoalmente com Yvonne Metcalf, várias vezes. Tiveram até mesmo alguns encontros, a sós, no apartamento dela. Ela também estava contando com a colaboração dele.
- Eu adoro quando as peças começam a se encaixar, você não? - Gina se virou, analisando David Angelini através do vidro. - Conseguimos uma conexão, Neville. Ele conhecia as três.
- Mas ele, supostamente, estava na Costa Oeste quando Yvonne Metcalf foi morta.
- Quanto você quer apostar que ele tem um avião particular? Sabe de uma coisa que eu aprendi com Harry, Neville? Horários de vôo e aviões de carreira não significam nada se você tem dinheiro ou possui meios de transporte particulares. Não, a não ser que ele apareça com dez testemunhas que juram que estavam puxando o saco dele no momento em que Yvonne Metcalf foi assassinada, eu o peguei. Veja como ele está suado, Neville. - murmurou ela enquanto entrava de volta na sala de interrogatório.
Ela se sentou, cruzou as mãos sobre a mesa e fitou diretamente os olhos de David.
- O senhor conhecia Yvonne Metcalf.
- Eu... - pego desprevenido, David se ajeitou na cadeira e enfiou o dedo no pescoço para alargar o colarinho. - Certamente, eu... Todos a conheciam.
- O senhor tinha negócios com ela, encontrou-se pessoalmente com ela, e até esteve em seu apartamento.
Isto tudo, obviamente, era novidade para Moe, que rangeu os dentes e levantou a mão.
- Um momento, tenente. Eu gostaria de conversar com o meu cliente, a sós.
- Tudo bem. - Gina se levantou solícita. Do lado de fora, assistiu a todo o show através do vidro e achou que era realmente uma pena a lei impedi-la de ligar o áudio.
Mesmo assim, ela podia ver Moe despejando perguntas em cima de David e dava para notar as suas respostas gaguejadas enquanto Larry e Curly pareciam muito sérios e rabiscavam furiosamente em seus bloquinhos. Moe balançou a cabeça para os lados diante de uma das respostas de David e o cutucou com uma das unhas vermelhas e letais. Gina estava sorrindo quando Moe levantou uma das mãos e fez um sinal pedindo que ela voltasse a entrar na sala.
- Meu cliente está disposto a declarar que conhecia Yvonne Metcalf, em nível profissional.
- Há, ha... - Desta vez Gina encostou o quadril na mesa. - Yvonne Metcalf o estava deixando no maior sufoco, não estava, senhor Angelini?
- Estávamos em negociações. - Ele juntou as mãos novamente e as torceu. - É comum, para os artistas convidados para um projeto, exigirem a lua. Nós estávamos... chegando a um acordo.
- O senhor a encontrou no apartamento dela. Vocês brigaram?
- Nós... Eu... Nós tivemos reuniões em vários locais. A casa dela foi um desses lugares. Nós conversamos sobre prazos e possibilidades.
- Onde o senhor estava na noite em que Yvonne Metcalf foi assassinada, senhor Angelini?
- Eu teria de verificar na minha agenda. - respondeu ele, com surpreendente controle. - Mas acredito que estava em Nova Los Angeles, no complexo do Planet Hollywood. Sempre me hospedo lá quando estou na cidade.
- E em que lugar o senhor estava entre as sete da noite e a meia-noite, pelo horário da Costa Oeste?
- Não sei dizer.
- É melhor o senhor saber, senhor Angelini.
- Provavelmente em meu quarto. Tinha uma grande quantidade de assuntos para resolver. O texto precisava ser refeito.
- O texto que o senhor estava adaptando para a senhorita Metcalf.
- Sim, esse mesmo.
- E o senhor estava trabalhando sozinho?
- Prefiro ficar sozinho quando estou escrevendo. Fui eu que escrevi o texto, entende? - Ele enrubesceu ligeiramente, como se a cor subisse do colarinho da camisa. - Gastei muito do meu tempo e do meu esforço para preparar isso.
- O senhor possui um avião?
- Um avião? Naturalmente, do jeito que viajo, eu...
- O seu avião estava em Nova Los Angeles?
- Sim, eu... - Seus olhos se arregalaram, e depois ficaram sem expressão quando ele compreendeu a implicação da pergunta. - A senhorita não pode estar acreditando seriamente nisso!
- David, sente-se. - disse Moe, com firmeza, quando o viu se levantar de repente. - Você não tem mais nada a dizer neste momento.
- Ela acha que eu as matei. Isto é insanidade! Minha própria mãe, pelo amor de Deus! Por quê? Que motivo poderia existir para isso?
- Bem, eu tenho algumas idéias a respeito. - respondeu Gina. - Vamos ver se a psiquiatra concorda comigo.
- O meu cliente não tem obrigação alguma de se submeter a um teste psiquiátrico.
- Eu acho que a senhorita vai aconselhá-lo a fazer exatamente isso.
- Esta entrevista - disse Moe com a voz entrecortada - está encerrada.
- Ótimo. - Gina ficou em pé e adorou o instante em que seu olhar encontrou o de David. - Senhor David Angelini, o senhor está preso. Foi acusado de abandonar a cena de um crime, obstruir a Justiça e tentar subornar uma policial.
Ele voou em cima dela, indo, pensou Gina com ironia, direto para a sua garganta. Ela esperou até que suas mãos estivessem bem firmes em volta do seu pescoço, e seus olhos latejando de fúria para só então derrubá-lo. Ignorando as ordens ríspidas da advogada dele, Gina colocou o seu peso sobre o corpo dele.
- Não vamos nos dar ao trabalho de acrescentar ataque a uma policial e resistência à prisão, porque eu acho que não vai ser necessário. Podem fichá-lo. - disse para os guardas que já haviam invadido a sala.
- Bom trabalho, Weasley. - Neville a cumprimentou, enquanto via David ser levado dali.
- Vamos torcer para que a promotoria também pense dessa forma, pelo menos para impedir a liberação dele, sob fiança. Temos de segurá-lo e fazê-lo suar frio. Quero que ele seja acusado de assassinato em primeiro grau, Neville, quero muito.
- Estamos perto disso, garota.
- Precisamos da prova física. Precisamos da droga da arma, de sangue, dos suvenires. O perfil psiquiátrico da doutora Minerva vai ajudar, mas não dá para levar as acusações em frente sem alguma prova física. - Impaciente, ela consultou o relógio. - Não deve levar muito tempo para conseguirmos um mandado de busca, mesmo com os advogados tentando impedir.
- Há quanto tempo está acordada, Gina? - perguntou ele. - Você está cheia de olheiras.
- Já estou em pé há tanto tempo que mais umas duas horas não vão fazer diferença. Que tal bebermos alguma coisa enquanto esperamos pelo mandado?
Neville colocou a mão sobre o ombro dela, de modo paternal.
- Acho que nós dois vamos precisar de um drinque mesmo. O comandante já soube de tudo. Ele quer nos ver, Weasley. Agora.
Ela apertou o espaço entre as sobrancelhas com o dedo.
- Vamos até lá juntos, então. E vamos tomar dois drinques depois que acabarmos.
Lupin não perdeu tempo. No momento em que Gina e Neville colocaram os pés em sua sala, ele lhes lançou um olhar de arrepiar.
- Vocês trouxeram David para interrogatório.
- Eu trouxe, senhor, é verdade. - Gina deu um passo à frente para enfrentar o que vinha. - Temos uma gravação em vídeo dele no portão do estacionamento do Canal 75, no momento exato do assassinato de Louise Kirski. - Ela não fez nenhuma pausa e desfiou o relatório com voz rápida e olhando para cima.
- David disse que viu o assassino.
- Ele afirmou que viu alguém, possivelmente um homem usando um casacão preto e um chapéu. Esse homem teria atacado Louise Kirski e depois teria fugido em direção à Terceira Avenida.
- E ele entrou em pânico. - acrescentou Lupin, ainda mantendo o controle. Suas mãos estavam paradas sobre a mesa - Abandonou a cena do crime, sem comunicar o incidente à polícia. - Era possível que Lupin estivesse xingando a situação por dentro, e talvez o seu estômago estivesse cheio de nós provocados pela tensão, mas seu olhar estava frio, duro e firme. - Esta não é uma reação atípica para alguém que testemunha um crime violento.
- Ele negou ter estado no local. - disse Gina calmamente. - Tentou se encobrir, ofereceu suborno. Ele teve a oportunidade, comandante. E tem ligação com todas as vítimas. Ele conhecia Yvonne Metcalf, estava trabalhando com ela em um projeto, tinha estado em seu apartamento.
A única reação de Lupin foi a de fechar os dedos para, logo a seguir, tornar a abri-los.
- E o motivo, tenente?
- Em primeiro lugar, dinheiro. - respondeu ela. - Ele está com problemas financeiros, que serão resolvidos assim que o testamento da mãe for homologado. As vítimas, ou, no caso do terceiro crime, a pessoa que era o verdadeiro alvo, eram todas mulheres fortes, com reconhecimento público. Todas elas estavam de algum modo atormentando-o. A não ser que os advogados dele consigam impedir, a doutora Minerva vai fazer testes com ele, para determinar seu estado emocional e mental, bem como a probabilidade de ele ter tendências para a violência.
Ela pensou na pressão de suas mãos em volta do seu pescoço e imaginava que esta probabilidade era alta e fácil de detectar.
- Ele não estava em Nova York no momento dos dois primeiros assassinatos.
- Senhor. - Ela sentiu uma pontada de pena, mas a suprimiu. - Ele tem um avião particular. Pode voar para onde quiser. É pateticamente simples adulterar os registros de vôo. Ainda não posso segurá-lo aqui pelos assassinatos, mas quero que ele permaneça detido até conseguirmos mais provas.
- Você vai deixá-lo na cadeia por abandonar a cena de um crime e por tentativa de suborno?
- É uma prisão efetuada com boa base, comandante. Estou requisitando mandados de busca. Quando encontrarmos as provas físicas...
- Se encontrarem. - interrompeu Lupin. Neste momento, ele se levantou, pois não conseguiu mais permanecer sentado atrás da mesa. - Esta é uma grande diferença, Weasley. Sem uma prova física, o seu caso de assassinato não tem sustentação.
- E é por isso que ele ainda não foi acusado de assassinato. - Gina colocou uma cópia do relatório sobre a mesa. Gina e Neville tiveram o cuidado de dar uma passada na sala dela, a fim de usar o computador para a avaliação da probabilidade. - Ele conhecia as primeiras duas vítimas e também Nymphadora Tonks. Tinha contato com elas e estava na cena do último crime. Suspeitamos que a promotora Brown estava encobrindo alguém quando apagou a última ligação de seu tele-link. Ela teria encoberto o filho. E o relacionamento entre eles estava tenso, devido aos problemas dele com jogo, e à posição dela de não querer ajudá-lo a se livrar das dívidas. Com todos estes dados, a probabilidade de culpa indicada pelo computador foi de 83 por cento.
- Você não levou em consideração que ele é incapaz desse tipo de violência. - Lupin colocou as mãos na beira da mesa e se inclinou para a frente. - Você não colocou este fator na sua teoria, não é, tenente? Eu conheço David Angelini, Weasley. Conheço-o tão bem quanto os meus próprios filhos. Ele não é um assassino. É um tolo, talvez. É fraco, talvez. Mas não é um assassino frio.
- Às vezes os fracos e os tolos são os que atacam. Comandante, sinto muito, mas não posso libertá-lo.
- Será que você faz alguma idéia do que poderá fazer a um homem como ele, o fato de ir para a cadeia? Saber que é suspeito do assassinato da própria mãe? - Não havia outra escolha, na cabeça de Lupin, a não ser implorar por David. - Não nego, Weasley, que ele foi mimado. O pai queria o melhor para ele e para Mirina, e fez de tudo para que eles conseguissem. Desde a infância ele foi acostumado a pedir por alguma coisa e ver seu desejo lhe cair no colo de imediato. Sim, sua vida tem sido fácil, cheia de privilégios, até mesmo indulgente. David cometeu erros, fez julgamentos incorretos, e tudo isto sempre foi consertado para ele. Mas não há maldade dentro dele, Weasleys. Não há violência. Eu o conheço.
A voz de Lupin não se alterou, mas ecoava de emoção.
- Weasley, você jamais vai conseguir me convencer de que David pegou em uma faca e rasgou o pescoço da mãe. Estou pedindo para você avaliar isso com atenção, atrasar um pouco a papelada, por conta da burocracia, e recomendar a sua liberação, sob a responsabilidade dele mesmo.
Neville começou a falar, mas Gina balançou a cabeça. Ele podia ter uma patente superior à dela, mas era ela a responsável pela investigação. Era ela que estava no comando.
- Três mulheres estão mortas, comandante. Temos um suspeito sob custódia. Não posso fazer o que o senhor está me pedindo. O senhor me colocou como investigadora principal porque sabia que eu jamais cederia.
Ele se virou e olhou para fora da janela.
- Compaixão não é o seu ponto forte, certo, Weasley?
Ela franziu a testa, mas não disse nada.
- Esse é um golpe baixo, Jack. - disse Neville com a voz alterada - E se você vai usar isso para atingi-la, vai ter de me atingir também, porque eu estou plenamente de acordo com Weasley. Temos o bastante para fichá-lo com base nos delitos pequenos e tirá-lo das ruas, e é isto que estamos fazendo.
- Vocês vão arruiná-lo. - Lupin se virou. - Mas isso não é problema de vocês. Podem pegar seus mandados, e fazer as buscas necessárias. Mas, como seu oficial comandante, eu estou ordenando que mantenham o caso em aberto. Fiquem de olho. Quero um relatório completo sobre a minha mesa até às quatorze horas. - Lançou um último olhar para Weasley. - Estão dispensados.
Gina saiu da sala e ficou surpresa ao notar que suas pernas pareciam feitas de vidro, do tipo frágil que poderia ser estilhaçado com um descuidado golpe da mão.
- Ele saiu da linha, Weasley. - disse Neville, segurando-a pelo braço. - Ele está magoado e resolveu descontar, jogando sujo com você.
- Não foi assim tão sujo. - A voz dela era áspera e sofrida. - Compaixão não é o meu ponto forte, então? Eu não sei nada a respeito de laços de família e lealdade, não é?
Sentindo-se desconfortável, Neville trocou o peso do corpo de um pé para outro.
- Ora, vamos, Weasley, você não vai levar isso para o lado pessoal, vai?
- Não vou? Ele me ofereceu apoio total, uma porção de vezes. Agora, está me pedindo para dar apoio a ele, e eu tenho de dizer desculpe, mas isso não é possível. É claro que é uma coisa pessoal, Neville. - e afastou a mão dele. - Vamos deixar os drinques para outra hora. Não estou me sentindo sociável.
Sem saber o que fazer, Neville enfiou as mãos nos bolsos. Gina saiu para um lado, o comandante, do outro, permaneceu com as portas fechadas. Neville ficou se sentindo infeliz no meio dos dois.
Gina supervisionou pessoalmente a busca na casa de Marco Angelini. Não era necessário que ela estivesse ali. Os técnicos do laboratório conheciam bem o seu trabalho, e o equipamento que usavam era tão bom quanto o orçamento permitia.
Mesmo assim ela espalhou um pouco de spray protetor nas mãos, cobriu as botas com ele e se movimentou por toda a casa de três andares em busca de alguma coisa que pudesse amarrar o caso ou, pensando na expressão que viu no rosto de Lupin, que pudesse desmontá-lo.
Marco Angelini permaneceu no local. Tinha este direito, como dono da casa e pai do principal suspeito. Gina ignorou a sua presença, os olhos azuis que acompanhavam cada um dos seus movimentos, o olhar feroz que via em seu rosto e o repuxar constante do maxilar.
Um dos técnicos fez uma busca completa nas roupas de David utilizando um sensor portátil, procurando manchas de sangue. Enquanto ele trabalhava, Gina, meticulosamente, examinava o resto do quarto.
- Ele deve ter-se livrado da arma do crime, tenente. - comentou o técnico. Ele era um veterano da polícia, um pouco dentuço, e tinha o apelido de Castor. Trazia o sensor preso ao ombro por uma correia, e o estava passando naquele instante sobre um casaco esportivo muito caro.
- Ele usou a mesma arma nas três mulheres. - respondeu Gina, falando mais consigo mesma do que com Castor. - O laboratório confirmou isto. Por que motivo ele a jogaria fora agora?
- Talvez tenha terminado o trabalho. - O sensor mudou de tom, de um zumbido constante para um bipe rápido. - Foi só um pouco de azeite. - anunciou Castor. - Azeite extravirgem. Pingou na linda gravata dele. Talvez ele já tenha terminado. - repetiu.
Castor admirava os detetives. No passado, tivera ambições de se tornar um deles. O mais próximo que conseguira chegar disto foi alcançar o cargo de técnico de campo. Mas ele lia todas as histórias de detetive que encontrava disponíveis em disco.
- Veja só. - explicou ele. - Três é um número mágico. Um número importante. - Seus olhos se aguçaram por trás dos óculos escuros no momento em que as lentes tratadas detectaram uma minúscula mancha de talco no punho de uma camisa. Foi em frente, se empolgando com a explicação. - Então esse cara, veja só, se fixa em três mulheres, mulheres que ele conhece e vê o tempo todo, na TV. Talvez sinta tesão por elas.
- A primeira vítima era a mãe dele.
- Ei. - Castor fez uma pausa longa e virou a cabeça a fim de olhar para Gina. - Nunca ouviu falar de Édipo? Aquele sujeito grego, você sabe, que tinha tesão pela mãe? Enfim, ele mata as três, depois joga a arma fora e a roupa que estava usando quando cometeu o crime. De qualquer modo, esse cara tem roupas suficientes para vestir seis pessoas.
Franzindo o cenho, Gina caminhou por dentro do espaçoso closet, olhando para os cabides automáticos e as prateleiras motorizadas.
- Ele nem sequer mora aqui.
- O cara é rico à beça, não é? - Para Castor aquilo explicava tudo. - Ele tem uns dois ternos aqui que jamais foram estreados. Sapatos também. - Abaixando-se, pegou um par de botas de cano curto e as mostrou para Gina. - Viu só? Não tem nada. - Passou o sensor pelas solas, que não apresentavam marcas de uso. - Sem sujeira, sem poeira, sem arranhões de andar na calçada, nem fibras.
- Isso o torna culpado apenas de autobenevolência. Que droga, Castor, consiga um pouco de sangue para mim.
- Estou tentando. Mas acho que, provavelmente, ele jogou fora a roupa que estava usando.
- Você é muito otimista, Castor.
Chateada, ela se virou na direção de uma escrivaninha laqueada, em forma de U, e começou a remexer nas gavetas. Os discos de arquivo que encontrou ela guardaria para rodar no próprio computador. Quem sabe tinha a sorte de encontrar algum tipo de correspondência entre David Angelini e sua mãe, ou Yvonne Metcalf?
Ou, quem sabe - meditou - ela podia ter ainda mais sorte e encontrar algum diário perdido, com a confissão dos assassinatos? Onde ele enfiou o guarda-chuva?, ela se perguntou. E o sapato? Ficou imaginando se os técnicos em Nova Los Angeles e os outros, na Europa, estavam tendo mais sorte. Só por pensar que ia ter de inspecionar e pesquisar todas as aconchegantes casinhas e refúgios escondidos de David Angelini, Gina já estava começando a sentir um caso sério de indigestão.
Então, ela encontrou a faca.
Foi muito simples. Abriu a gaveta do meio da escrivaninha e lá estava ela. Comprida, estreita e letal. Tinha um cabo enfeitado, entalhado no que deveria ser marfim genuíno. Isto a transformava em uma antiguidade, ou em um crime internacional. Extrair marfim, ou comprá-lo sob qualquer forma, havia sido transformado em atividade ilegal em todo o planeta, há mais de meio século, depois que os elefantes africanos haviam sido quase extintos.
Gina não era entusiasta por antiguidades, nem especialista em crimes ambientais, mas estudara tópicos de medicina legal e técnicas forenses, o bastante para saber que o formato e o comprimento da lâmina eram exatos.
- Ora, ora. - Sua indigestão, uma convidada mal-vinda, foi embora. Em seu lugar ficou a sensação clara e agradável do sucesso. - Talvez o três não fosse o seu número de sorte, afinal.
- Ele guardou a arma? Mas que filho da mãe! - Desapontado, diante de um assassino tão tolo, Castor balançou a cabeça. - Esse cara é um idiota!
- Passe o sensor aqui. - ordenou Gina, cruzando o cômodo na direção do técnico.
Castor girou o scanner e mudou a programação, que estava configurada para roupas. Após um rápido ajuste das lentes, correu a ponta do cano do sensor por toda a faca. O aparelho começou a apitar sem parar.
- Tem um troço aqui. - murmurou Castor, com os dedos grossos teclando os botões do controle como se fosse um pianista. - É fibra, talvez papel. Parece um tipo de fita adesiva. Há também impressões digitais, no cabo. Quer um relatório delas impresso?
- Quero.
- Tá legal. - O scanner cuspiu um pedaço quadrado de papel, cheio de impressões. - Agora vamos colocar a máquina de volta e... Bingo! Aqui está o sangue que você queria. Não tem muito não. - Ele franziu a testa, apertando o cano do aparelho ao longo da lâmina. - Vai ser sorte se conseguirmos material suficiente para descobrir o tipo sanguíneo. O DNA vai ser ainda mais difícil.
- Mantenha esse espírito otimista, Castor. Há quanto tempo o sangue está aí?
- Ah, qual é, tenente? - Por trás das lentes do sensor, seus olhos pareciam grandes e sarcásticos. - Você sabe que não dá para eu lhe informar isso só com os dados de um aparelho portátil. Vamos ter de levá-lo para análise. Tudo o que essa gracinha de máquina faz é identificar. Não tem pele aqui. Seria melhor se tivesse um pouco de pele.
- Vou levar o sangue. - No momento em que estava lacrando a faca em um plástico de guardar provas, sentiu um movimento com os cantos dos olhos. Olhou para o lado e deu de cara com os olhos de Marco Angelini, escuros de condenação.
Ele olhou para a faca, e depois de volta para o rosto dela. Algo se movimentou dentro dele, algo que o arrebatou e fez com que contraísse os músculos do maxilar.
- Gostaria de ter um minuto do seu tempo, tenente.
- Não posso lhe dar muito mais do que isso.
- Não vai levar muito tempo. - Seus olhos se voltaram para Castor e depois para a faca, que Weasley já estava guardando na bolsa. - Em particular, por favor.
- Certo. - Ela acenou com a cabeça para o guarda que estava atrás de Marco Angelini. - Por favor, Castor, peça a um dos membros da equipe para subir até aqui e terminar a busca manual. - e seguiu Angelini para fora do quarto.
Ele se virou na direção de uma pequena escada, estreita e acarpetada, e deixou as mãos se arrastarem sobre o corrimão lustroso enquanto subia. Quando chegou ao topo da escada, virou para a direita e entrou em uma sala.
Era um escritório, conforme Gina descobriu. Estava fortemente iluminado pelo brilhante sol da manhã. A luz batia e refulgia na superfície do equipamento de comunicação, voltava e se refletia no console liso, semicircular, sóbrio e pintado de preto. A seguir, tornava a brilhar e se espalhava sobre o piso cintilante. Como se estivesse incomodado com a intensidade da luz do sol, Marco Angelini apertou um botão e fez com que as janelas se cobrissem com uma camada suave da cor de âmbar. Agora a sala estava cheia de sombras que envolviam contornos dourados.
Angelini foi direto até um bar embutido na parede e ordenou um uísque com gelo. Pegou o copo quadrado e tomou um gole, bem devagar.
- A senhorita acha que o meu filho assassinou a mãe e mais duas mulheres.
- O seu filho foi interrogado com base nessas acusações, senhor Angelini. Ele é suspeito. Se tiver alguma dúvida a respeito do procedimento da polícia, o senhor deve falar com os advogados dele.
- Já conversei com eles. - Ele tomou mais um gole. - Eles acham que há uma grande possibilidade de que a senhorita possa acusá-lo, mas dizem que ele não vai ser indiciado.
- Isso vai depender do grande júri.
- A senhorita acha que ele vai ser, então.
- Senhor Angelini, se e quando eu prender o seu filho, e fizer a acusação de três assassinatos em primeiro grau, será porque eu acredito que ele será indiciado, julgado e condenado por essas acusações, e que eu terei as provas suficientes para garantir essa condenação.
Ele olhou para o saco plástico onde ela acabara de colocar uma daquelas provas.
- Andei fazendo uma pesquisa a respeito da senhorita, tenente Weasley.
- Ah, andou?
- Gosto de saber das minhas chances. - disse ele com um sorriso sem humor, que surgiu e desapareceu em um piscar de olhos. - O comandante Lupin a respeita. E eu o respeito. Minha ex-esposa admirava a sua tenacidade e a sua eficiência, e ela não era tola. Ela conversava a seu respeito, sabia disso?
- Não, não sabia.
- Ela ficava impressionada com a sua cabeça. Uma cabeça limpa, de uma verdadeira policial. A senhorita é boa em seu trabalho, não é, tenente?
- Sim, sou boa no meu trabalho.
- Mas comete erros.
- Tento mantê-los em um nível mínimo.
- Um erro na sua profissão, mesmo que seja mínimo, pode causar dores incríveis nas pessoas inocentes. - Seus olhos permaneceram sobre os dela. - A senhorita achou uma faca no quarto do meu filho.
- Não posso discutir isso com o senhor.
- Ele raramente usa esta casa. - disse Marco Angelini, com cuidado. - Talvez três ou quatro vezes por ano, no máximo. Ele prefere a nossa casa de Long Island quando está em Nova York.
- Pode ser que sim, senhor Angelini, mas ele usou esta casa na noite em que Louise Kirski foi morta. - Com impaciência, e louca para levar a prova logo para o laboratório, Gina mexeu com um dos ombros. - Senhor Angelini, eu não posso comentar um caso da promotoria com o senhor...
- Mas a senhorita está muito confiante de que a promotoria tem um caso sólido. - interrompeu ele. Ao ver que ela não respondia, ele deu mais uma longa olhada no rosto de Gina. Então terminou o drinque, bebendo tudo de um só gole e colocando o copo de lado. - Só que a senhorita está errada, tenente. Prendeu o homem errado.
- O senhor acredita que o seu filho é inocente, senhor Angelini. Eu compreendo isto.
- Não apenas acredito, tenente. Eu sei. Meu filho não matou aquelas mulheres. - Inspirou profundamente, como se fosse um mergulhador prestes a se atirar em águas profundas. - Quem as matou fui eu.

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