LuanaH² : Bem, se Harry curar Ben no passado, os amigos que inventaram a cura não irão inventar mais a cura, e consequetemente a cura não existiria no futuro, e se não existe a cura no futuro, Harry não iria para o futuro pegar o remédio que nunca existiu... hahahaha é muito complicado, mas como diz no seriado Lost, o que aconteceu, aconteceu, não tem como mudar, e se não tem como mudar como será que ficara a nossa história hã? Espero que goste tanto quanto eu Luana! Beijos e obrigada pelo comentário.
Bom gente, como vcs vão ler nesse capitulo, a situação de Hermione é a mais complicada possível!
Será que vai dar tudo certo?
Será que alguma coisa vai alterar no futuro se for alterada no passado?
E será que eles vão ter chances de ficar juntos?
Continuem lendo que não vão se arrepender, e muito romance pra vocês!
Capítulo III – The car and the gossip...
Ela deixou-os. Não podia fazer nada. Não agora com James lá, ouvindo cada palavra. Teria três dias para evitar que Harry voltasse para o passado e curasse o filho enfermo.
Meu Deus! Devia ser algum tipo de monstro para estar pensando dessa maneira! Como podia? Mas James… Era tudo para ela. Tudo que tinha, tudo que sempre quisera. Se o perdesse…
Enxugou uma lágrima dos olhos e disse a si mesma que estava certa. A morte de Ben salvara inúmeras vidas. Era para ser assim, por mais dolorosa que fosse essa realidade, estava lá. Tinha de ser assim. Não se pode simplesmente dar uma volta e alterar a história.
Mordeu o lábio trêmulo. Talvez tivesse outro modo…
Droga, ficaria louca pensando nisso. Pensar na magnitude de tudo isso, nas ramificações, na impossibilidade a deixava tonta.
Resolveu concentrar-se em tirar os pãezinhos do forno e colocar à mesa. Tinha tempo. Três dias. Por enquanto, só tinha de sobreviver ao café da manhã.
James e Harry apareceram na cozinha pouco depois, e Hermione ficou aliviada ao ver que James tomara banho e trocara de roupa. Serviu pãezinhos e ovos mexidos, e ao pegar a vitamina diária de James, decidiu que Harry também poderia tomar uma.
Ele pegou o pequeno comprimido da mão dela e o olhou.
— Você ainda não está completamente bom. E um suplemento vitamínico. Vai lhe fazer bem. — Ele deu de ombros e engoliu o comprimido junto com suco de laranja.
Durante todo o tempo em que ele comeu, Hermione notou o olhar curioso que lançava para a cozinha, para os eletrodomésticos, para a luz, para o microondas. Ele estava repleto de dúvidas, ela sabia. Mas ele continuou olhando para ela, e apesar de ela tentar esconder a preocupação, sabia que devia transparecer em seus olhos. Já que os dele estavam sondando e questionando. Ela evitou o olhar perturbador dele, andando pela cozinha, pegando manteiga para os pãezinhos, enchendo as xícaras de café e os copos de suco antes de estarem pela metade.
— Hermione — disse ele, quando ela finalmente não tinha mais o que fazer e sentou-se para comer. — Tem alguma coisa errada? Você pensou duas vezes sobre me deixar ficar?
E então um carro entrou na rua e parou perto da loja, a salvando de ter de responder. Não podia dizer para ele. Ainda não, e certamente não poderia fazer isso na frente de James. Precisava falar com ele quando estivessem sozinhos e só depois de ter encontrado as palavras certas para convencê-lo de desistir dessa idéia insana.
— Tenho de… — começou ela, mas as palavras fugiram porque Harry estava em pé, correndo para a porta e observando o carro com espanto.
Hermione não pôde deixar de sorrir ao segui-lo.
— É um carro. Um automóvel. Eles… — A buzina tocou. — Ih, Harry, tenho uma cliente impaciente para atender. A explicação vai ter de esperar até mais tarde.
— Pode ir, mãe. Nós ficaremos bem. — James veio para o lado de Harry e olhou para ele: — Você já viu carro antes, certo?
Harry assentiu, o olhar ainda fixo no mais recente modelo de Cadilac parado ali na frente.
— Mas nenhum como esse.
Hermione suspirou. Não tinha tempo para perder. Passou por eles, pela porta e desceu a rua até a loja que ficava no final. Sabia, desde que vira o passageiro do carro, que seria uma longa visita. Isabelle Curry, a bibliotecária e fofoqueira de plantão da cidade. Felizmente, também era uma ávida colecionadora de antigüidades. Uma boa, porém fatigante, cliente.
— Dai-me forças — murmurou Hermione, colando um sorriso no rosto.
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— Impressionante — disse Harry, passando a mão pelo automóvel vermelho, liso e brilhante, examinando através do pára-brisa. — O vidro é escurecido.
— Para o sol não bater nos olhos — explicou James. — Por que você não entra, Harry? A Sra. Curry não vai ligar. Ela é legal.
— Acho que… — Harry parou de falar quando James abriu a porta, o deixando ver melhor a parte de dentro da máquina. Não conseguiu se deter. Colocou a cabeça para dentro e passou a mão pelo tecido macio dos assentos. Aí levou um susto quando James abriu a porta do outro lado e pulou para dentro.
— Vamos. Vou mostrar como funciona.
— James, provavelmente não é…
— Olhe — disse James, apontando. — Tem um rádio com CD player para ouvir música enquanto dirige.
James mexeu em algumas teclas no volante e depois apertou um botão. Música alta, ou pelo menos alguma coisa vagamente parecida, inundou o veículo.
Assustado, Harry entrou no carro, sentou-se atrás do volante, ignorando os sons ensurdecedores.
— É muito fácil dirigir — disse James bem alto. — Até eu sei.
— Você?
— Claro. Fico olhando a minha mãe.
— Sua mãe possui um automóvel?
— Claro, como você acha que vamos aos lugares? Está na garagem, lá. — Ele apontou e Harry notou o pequeno anexo perto de onde o pônei costumava ficar. — Olhe, é fácil. Primeiro, você vira a chave, assim…
James virou a chave e o veículo ligou. Harry sentiu um sorriso abrir em seu rosto enquanto a vibração do motor se espalhava por seu corpo suavemente, eficiente e silencioso. Muito diferente dos autos que dirigira.
— Depois você move essa alavanca aqui — continuava James excitado com o papel de professor. — Pisa naquele pedal para andar e no outro para parar. Simples.
— Sem engasgar? Sem embreagem?
— Isso. — Os olhos de James vislumbraram um brilho travesso. — Quer tentar?
Harry mordeu o lábio, verdadeiramente dividido. Por um lado, essa máquina não era dele e não tinha o direito de testá-la. Por outro… Ah, que maravilha era isso! Mal conseguia conter a excitação que o dominava.
A decisão escapuliu de suas mãos um segundo depois, quando James puxou a marcha e o carro deu uma guinada para trás. A traseira do carro estava virada para a casa de hóspedes, no final do caminho, e Harry mal conseguiu manejar o volante e alterar a direção a tempo de desviar da casa. Ele pisou no pedal que achava que deveria parar a coisa, mas, em vez disso, foi mais rápido.
— Maldito! — exclamou, pilotando loucamente enquanto o carro corria para trás pela grama.
— Passei a marcha errada! — gritou James, puxando a alavanca. Houve um som horrível. O veículo deu um solavanco, de repente mudando de direção e indo para frente.
Hermione e uma mulher troncuda e cheia de jóias saíram da casa de hóspedes. As duas sacudiram os braços e gritaram, embora Harry não conseguisse escutar o que diziam por causa da música alta latejando em seus ouvidos e da gargalhada nervosa de James. O carro saiu da grama, indo em direção às duas, que se separaram deixando o carro passar entre elas. Harry olhou por cima dos ombros e viu a mulher mais velha levantando-se do chão. Pelas feições, estava, no mínimo, furiosa.
Ele tentou o outro pedal, e o carro parou tão repentinamente que teve de agarrar o menino para que não fosse jogado para frente e batesse com a cabeça. Não ousava tirar o pé daquele pedal. Embora, quando as duas mulheres vieram correndo em sua direção, tenha ficado tentado a tirar o pé para uma fuga rápida.
Hermione chegou ao carro primeiro, abriu a porta e passou por cima dele para mexer na alavanca mais uma vez. Com um rápido movimento do pulso, virou a chave e gritou para eles saírem do carro quando o motor desligou.
— Pelo amor de Deus, o que você pensa que está fazendo? — gritou ela olhando para Harry. Então seus olhos amoleceram ao se virar para o filho. — Meu amor, você está bem?
— Claro, mãe. Só estava mostrando para Harry como se dirige. Mas ele não é muito bom nisso, né?
A outra mulher só chegara depois, ofegante e com o rosto vermelho.
— Quem é essa pessoa, e o que está fazendo no meu carro?
— Está tudo bem, Sra. Curry — disse Hermione calmamente, virando-se para a mulher. — Nenhum dano. O carro está perfeito, viu?
James saiu do carro, e Harry achou que seria uma boa idéia fazer o mesmo. Estava muito envergonhado.
— Foi culpa minha — disse James, dando a volta no carro. — Quis tentar dirigir seu carro, Sra. Curry. Achava que sabia. Se Harry não tivesse pulado para dentro e parado o carro, não sei o que teria feito.
Hermione arregalou os olhos e encarou o filho.
— James Nicholas Granger, você sabe melhor…
— Meu Deus! — disse a Sra. Curry, indo até James e o abraçando contra sua barriga farta até que Harry suspeitasse que o menino fosse sufocar. — Pobre menino. Deve ter ficado com tanto medo. Oh, Hermione, você não deve puni-lo por isso. Meninos sempre serão meninos. Eu nunca poderia ter deixado as chaves na ignição com um menino da idade dele por perto. Onde eu estava com a cabeça?
Ela soltou James, que deu um sorriso angelical para a mãe. E então Harry se encontrou sendo abraçado pela onipresente Sra. Curry.
— E você! — falou ela, o apertando tanto até parecer que estouraria. — Um herói de verdade. Correndo atrás do carro e pulando para dentro para salvar um menino! Que coragem!
— Obrigado — tentou dizer ele, mas as palavras ficaram sufocadas pelo abraço.
Ela o soltou, radiante.
— Hermione, não vai me apresentar a esse super-homem moderno?
Disfarçando a raiva, Hermione disse:
— Claro, Isabelle Curry, este é Harry P… — mordeu o lábio.
— Potter — terminou Harry automaticamente. Hermione arregalou os olhos e lhe lançou um olhar que faria murchar uma alface fresca. — Hã, terceiro — acrescentou ele.
Isabelle piscou.
— E claro! Reconheceria você em qualquer lugar. Faz idéia da semelhança com seu avô?
— Já me falaram que é extraordinária — disse Harry.
— Tenho de concordar. O que o traz a Rockwell, Sr. Potter? — Harry franziu a testa, procurando uma desculpa.
— Ele é… Está traçando a árvore genealógica da família — disse Hermione rapidamente.
— Isso, estava ansioso para ver como a casa do meu… avô estaria hoje.
— É claro que sim — disse Isabelle. — Onde vai ficar enquanto estiver por aqui, Harry?
— Aqui — respondeu ele.
Os olhos de Hermione o metralharam.
— Aqui? — repetiu Isabelle. A animação terminou e algo mais se colocou em seu lugar nos olhos dela enquanto olhava de Hermione para ele. — Com Hermione?
Hermione abaixou a cabeça, colocando a mão na testa.
— Bem, isso não é… Legal? — disse Isabelle. Virou-se Para Hermione, mas quando seus olhares se encontraram, o sorriso saiu dos lábios de Isabelle. — Tenho de ir agora, você sabe, muito o que fazer. — Esticou a mão para Hermione. — As chaves, querida.
Hermione as entregou e olhou enquanto Isabelle entrava no carro e o ligava. A mulher se assustou quando a música alta tocou e apertou um botão para desligá-lo. Um segundo depois, já se fora, espalhando poeira pelo caminho.
Hermione puxou o cabelo para trás com as duas mãos, inclinando a cabeça para cima.
— Nem sei por onde começar.
— Peço desculpas, Hermione — disse Harry. — Fiquei tão intrigado com o automóvel que fui insensato.
— Você não vai chegar nem perto de um carro de novo, a não ser que eu esteja com você. Entendeu?
Ele concordou, mas não pôde evitar um sorrisinho por causa da raiva dela.
— E você — disse ela para o filho. — Você mentiu para a Sra. Curry. Quantas vezes já conversamos sobre honestidade?
— Bem, mãe, não podia falar a verdade. Que Harry não sabia dirigir porque veio de outro tempo e tudo mais. Ela não acreditaria.
— Você… — Hermione olhou para Harry impotente. Ele encolheu os ombros.
— Além disso, você também mentiu para ela — disse James.
— Bem, é verdade, mas… James, eu… — E finalmente balançou a cabeça. — Está certo, eu também menti, e isso foi errado. Infelizmente, eu tive de…
— Então em vez de nunca mentir, devemos nunca mentir a não ser que seja necessário? — perguntou James.
A inteligência do menino era estarrecedora. E Harry sabia que só estava implicando com a mãe agora. Felizmente, Hermione também sabia disso. Era possível perceber pelo modo como estreitou os olhos. Ela se abaixou e segurou os ombros do filho:
— Podem existir ocasiões em que você precise mentir para outra pessoa, principalmente se estiver fazendo isso para evitar que alguém se machuque ou que algum problema muito maior aconteça, ou porque sabe que ninguém vai acreditar mesmo. Mas nunca, nunca mesmo, você vai ter de mentir para mim. Entendeu? Não importa o que me disser, vou acreditar em você. Então, nunca vai precisar esconder a verdade de mim, viu?
— Certo, mãe.
— Que bom.
— Posso ir andar de bicicleta agora?
Ela assentiu, e ele saiu correndo em direção aos fundos da casa.
Harry não conseguia tirar os olhos dela.
— O que você está olhando? — perguntou ela quando encontrou os olhos dele.
Ele balançou a cabeça lentamente.
— Seu filho tem muita sorte de ter você como mãe, Hermione. — Um rubor subiu pelo pescoço dela e se espalhou por todo o rosto. Harry resistiu à tentação de tocá-la e sentir o seu calor.
Ela piscou, talvez um pouco confusa.
— Elogios não vão livrar você dessa, Harry. Você estragou tudo.
— A Sra. Curry vai esquecer disso.
— Claro que vai, mas não antes de contar para todos na cidade que eu sou uma sem-vergonha que arranjei um gato e o estou exibindo por aí na frente do meu inocente filho.
— Um gato? — perguntou ele.
Ela ficou ainda mais vermelha e levantou as sobrancelhas.
— Não foi bem isso que disse.
— Eu ouvi bem, você disse gato.
— Minha reputação está arruinada. Provavelmente vai me achar uma mãe incapaz.
— Você acha que a Sra. Curry acredita que estamos…
— Fazendo sexo? — completou ela, e Harry ficou admirado pela maneira casual com que ela falou essas palavras. — É claro que acha. O que mais poderia pensar?
— Não consigo entender por que ela chegaria a tal conclusão tão drástica.
— Dê uma olhada no espelho, Harry. A Sra. Curry não é insensível do pescoço para baixo, nem cega, nem gay. Provavelmente tem certeza de que eu também não sou nada disso. Deus, espero que não saia no Rockwell Daily Star: "Solteirona Local Vivendo em Pecado. Leia tudo sobre isso!"
Harry se segurou para não rir. Ela estava realmente chateada com a mancha que ele causara em sua reputação. Sendo que era difícil de se concentrar nisso, pois tinha quase certeza de que ela acabara de dizer que ele era atraente. A não ser que tenha entendido errado.
— A fofoca não mudou muito, não é mesmo?
— Nada mudou nessa pequena cidade, Harry. Em qualquer outro lugar, não faria diferença se eu trocasse de homem todo dia. Ninguém ligaria. Mas aqui temos Isabelle Curry, a resposta de Rockwell à moralidade moderna, e o parceiro dela, pastor McDermott. E os dois também fazem parte da diretoria da escola.
— Sinto muito. Talvez possamos dizer que eu aluguei um quarto na sua casa ou…
— Ninguém acreditaria, Harry.
Harry suspirou, sentia muito por estar causando a Hermione tal problema.
— Acho que o melhor que posso fazer é conseguir esse miraculoso remédio assim que possível e pegar meu caminho. Com certeza a sua reputação pode sobreviver a meros três dias vivendo em pecado, não pode? Enquanto isso, Hermione, seria melhor se eu ficasse aqui na casa de hóspedes?
— Não é mais uma casa de hóspedes.
Harry passou seu olhar de Hermione para a casa de hóspedes. Agora prateleiras de uma loja se alinhavam perto das janelas, e em uma placa acima estava escrito "Velhos Tempos — Antigüidades Finas e Peças para Colecionadores".
— Gostaria de ver? — perguntou ela gentilmente. E apesar de saber que já deveria ter começado sua busca pelo novo remédio, Harry se viu concordando. Alguns minutos não faria diferença.
— Gostaria — disse ele. — Gostaria muito.
O sorriso que tocou os lábios dela e o brilho no olhar disse a Harry que esse pequeno negócio significava muito para ela. E que tinha orgulho dele. Ela o acompanhou pela porta da frente, e Harry não reconheceu o lugar. Todo ele havia sido modificado, paredes demolidas. Agora era apenas um cômodo grande, com um balcão comprido ao longo da parte de trás, e muitas prateleiras. Tinham tantos itens nelas que nem dava para enumerar. Bules, pratos, bugigangas, caixas de música. Tinha uma seção inteira de livros e outra com peças de arte. E havia um canto sem prateleiras onde estavam vários móveis que tinham sido limpos e polidos até brilharem. Uma cadeira de balanço de carvalho. Uma máquina de costura. Um pedestal.
Cada item na loja tinha uma etiqueta com um preço pendurada. E no balcão havia uma grande caixa registradora que, obviamente, era do tempo dele. Harry duvidava que reconhecesse uma moderna.
— O mínimo que posso dizer é que estou impressionado. Uma mulher estabelecendo e administrando seu próprio negócio. Dona de uma casa e de um automóvel. Criando um filho sozinha.
Ela balançou a mão e disse:
— Não fique impressionado até que eu ganhe dinheiro suficiente para expandir.
— Você está tendo problemas financeiros? — Ela sorriu para ele.
— Harry, minha família é uma das mais ricas do país. Tenho investimentos e ações que poderiam comprar a lua.
— Não entendo. Por que…
— Cresci em Minneapolis, morando na mansão do meu pai. Muitos empregados. Mais roupas do que eu podia vestir em um ano. Carros, escolas particulares e dinheiro, dinheiro, dinheiro.
— E?
— E eu odiava isso. Harry, a empresa Granger é um monstro. Minha família acha que está conduzindo os negócios, mas a verdade é que são os negócios que a estão conduzindo. Meu pai tem tanto ciúme do meu tio Jake que eles praticamente não conseguem conversar sem discutir. E eles são irmãos. Minha mãe só pensa em dinheiro e em como conseguir mais. Não quero participar disso. Não é para mim, e principalmente não é para James.
Ela deu de ombros e passou ao lado dele, os olhos sonhadores examinando cada canto da loja.
— Sempre fui a antiquada. Minha avó me conhecia. Mais do que eu podia imaginar. Quando ela morreu, deixou esta casa para mim. Então saí de casa para vir para cá e tentar levar uma vida mais simples. — Ela olhou para ele e abriu um sorriso. — E em vez disso, encontrei um inventor que viaja no tempo.
— O que não é exatamente simples — disse Harry. — Estou impressionado de você se achar antiquada. Para mim, você é o oposto. Forte. Independente. Com opiniões próprias. Tudo que eu sempre… — interrompeu o que estava falando quando percebeu que ia falar "quis". — Tudo que sempre achei moderno — disse ele.
Era verdade tudo o que vinha pensando, percebeu, um pouco surpreso. Tivera sua parcela de mulheres desde que Gina partira seu coração. Mas desde então, sempre zombara de seus modos dóceis e risadinhas insípidas. Suas maneiras educadas e falsa timidez. A constante busca por maridos ricos. Bem no fundo, sempre desejara uma mulher moderna. Uma que tivesse suas próprias opiniões e que não fosse subserviente a nenhum homem. Não queria uma mulher fraca, indefesa, infantil, mas sim uma mulher como… Como Hermione.
Não que quisesse uma mulher presa a ele. Nem mesmo uma como ela. Não, aprendera muito bem a lição. Mas só de conhecer uma. Estar perto dela…
— Talvez eu seja moderna para os padrões do século XIX, Harry. Mas para o século XX, sou aquela que ficou parada no tempo.
Harry respirou fundo e soltou lentamente.
— Fale-me sobre… o pai de James.
Hermione levantou a cabeça depressa. As sobrancelhas juntas.
— Não.
— Não quis me intrometer, Hermione. Só estava me perguntando como uma moça tão antiquada conseguia…
— Eu deveria estar arrumando os livros — disse ela. — Por que não entra e termina o café da manhã?
Ele tocara em um assunto delicado. Tudo bem. Prometeu a si mesmo que não faria mais isso. Embora, por alguma razão, estivesse curiosíssimo para saber sobre o homem que engravidara Hermione.
— Acho que vou — disse ele. Esforçou-se para tirar os olhos dela, virou e saiu da loja.
— Almoçamos ao meio-dia — disse ela, enquanto ele saía. Ele assentiu e fechou a porta.
Hermione teve mais clientes essa manhã do que tivera desde que abrira a loja. Alguns deles até compraram alguma coisa. Estava convencida de que os outros vieram para ver se conseguiam dar uma olhada no homem que Isabelle Curry sem dúvida falara a respeito. O homem que estava vivendo em pecado com uma mãe solteira. Droga. Já fora difícil o bastante ver a especulação nos olhos deles quando chegou à cidade. Todos queriam saber onde estava seu marido. A maioria perguntava mesmo, e apenas alguns poucos eram mais sutis. Não os culpava por serem curiosos. Ela se mudara para o meio da sociedade organizada e antiquada deles, e eles queriam saber que tipo de pessoa ela era.
Deus, agora eles provavelmente acham que sabem.
— Preciso de um quadro-negro — disse Harry.
— Tem um no sótão — respondeu James.
Harry levantou a cabeça. Estava murmurando para si mesmo, inconsciente da presença de James no quarto. Instalara-se em uma pequena mesa no quarto dele. As ferramentas que trouxera estavam espalhadas à sua volta na mesa. O aparelho também estava lá. Sem a tampa protetora, com sua parte interior exposta, enquanto ele se certificava de que não tinha sido danificada ao passar pelo portal. O diário com suas anotações estava aberto, e uma caneta moderna estava ao lado. Harry já enchera três páginas com anotações sobre a viagem.
— James, estou tendo problemas com a linguagem de vocês. Diga para mim, o que significa quando uma mulher se refere a um homem como um, hã, gato?
James abriu um sorriso.
— Significa que ele é bonito.
Harry percebeu que levantou as sobrancelhas em espanto.
— Bonito?
— Muuuuuito bonito. Minha mãe chamou você de gato?
— Eh… Não. Claro que não. Na verdade, li em um livro. — Harry sentiu o rosto ficar quente. Então Hermione o achava… bonito. Muuuuito bonito. Não era uma grande revelação. E certamente não deveria ser tão prazeroso confirmar o que já suspeitava.
— Você falou sobre o sótão? — disse ele, em uma tentativa de mudar de assunto.
— Isso — respondeu James. — Tem um monte de coisa lá. Um cofre grande e alguns móveis antigos. Mas não sei por que você precisa de um quadro-negro.
— Ah, meu cofre. — Harry franziu a testa. Sem dúvida tudo que estava lá dentro não tem mais valor hoje em dia. E ocorreu a ele que, pela segunda vez na vida, estava desejando uma mulher muito mais rica do que ele. Esse pensamento o preocupou mais do que devia. — O quadro-negro. Preciso para meus cálculos. Meu trabalho envolve problemas matemáticos complicados e é mais fácil solucioná-los se tiver… — Sua voz sumiu quando viu James afastar-se e abrir uma gaveta.
— Por que não usa isso? — Mostrou a Harry uma pequena caixa, um pouco menor e mais fina do que seu aparelho.
— O que…?
— E uma calculadora — explicou James, virando-a para que Harry pudesse ver a pequena tela. Depois apertou os botões numerados. — Olhe isso, 153 vezes 45, dividido por 56,9, mais 2. Igual a… — Pressionou o botão com um sinal de igual e mostrou a caixa para Harry.
Mostrava 123,0017574. Harry balançou a cabeça devagar e virou para a mesa, fazendo rapidamente a conta em um pedaço de papel. Por incrível que pareça, alcançou o mesmo resultado.
— Vai ser muito mais rápido assim — disse James, colocando a calculadora ao lado do diário de Harry. — Sinto muito pelo Benjamin. — James puxou uma cadeira, bem ao lado de Harry, e sentou-se.
Um enorme nó se formou na garganta de Harry ao se lembrar de como Ben costumava trabalhar ao seu lado antes de ficar muito fraco. Foi quando Harry levara a mesa e as ferramentas para o quarto do filho. Assim poderiam trabalhar juntos como antes.
— Quero ajudar — disse James.
Harry piscou os olhos marejados e acariciou o cabelo do menino.
— Você é um bom rapaz, James. Mas não sei o que pode fazer.
— Mais do que imagina. — James girou a cadeira em que estava sentado e arrastou suas rodinhas, parando na outra mesa. — Você ainda não viu meu computador.
— Outra maravilha moderna? — James assentiu e ligou um botão.
— Tenho um modem. Podemos falar com cientistas de todo o mundo, baixar todo tipo de informações. E você pode colocar seus números aqui e tentar fazer mudanças antes de experimentar na máquina de verdade. Assim, consegue saber se alguma coisa vai funcionar antes de fazê-la
Harry colocou uma das mãos sobre a mesa, piscando rapidamente.
— Essa máquina… Pode fazer isso tudo?
— Pode — disse James, sorrindo.
— Todas as crianças desse século são tão inteligentes quanto você, James?
— Não. Acham que eu sou superdotado.
Harry assentiu e trouxe sua cadeira para perto da de James.
— Bem, é uma coisa boa. Decididamente, estou começando a me sentir inculto. Parece que esse seu equipamento pode economizar muito do meu tempo. Então… Vai me ensinar?
James concordou, e para Harry pareceu que a coluna do menino ficou maior e mais ereta. Harry observava e escutava enquanto James explicava a máquina. Parte dele desejava poder desmontar aquela maravilha para ver o que tinha dentro, o que a fazia funcionar. Mas não podia correr o risco de quebrá-la. Já que sabia que ela diminuiria consideravelmente o tempo de pesquisa. Se tivesse tido acesso a isso em seu tempo…
Talvez pudesse encontrar um jeito de evitar os efeitos colaterais antes de voltar ao passado. Ou mesmo um modo de acelerar o processo de recarga. E voltar para o filho o quanto antes.
Hermione os encontrou juntos no quarto, vidrados no computador, e ficou lá parada, observando enquanto Harry lentamente pressionava as teclas e James o olhava com adoração.
— Hora de lavar as mãos para almoçar — disse ela, assustando os dois.
— Tá bom, mãe. Vamos salvar isso e continuar mais tarde. — James executou o comando de salvar, pulou da cadeira, passou por Hermione e correu para o banheiro. Harry também se levantou.
— Espere um minuto — disse Hermione. — Precisamos conversar. - As sobrancelhas de Harry se arquearam e ele sentou.
Hermione entrou no quarto, olhando primeiro para o corredor para ter certeza de que James não escutaria. Então sentou na cadeira que seu filho ocupara antes.
— James é um menino especial.
— Posso perceber isso.
— O QI dele é muito mais alto do que o normal. E pelo que li a seu respeito, imagino que o seu também seja. — Ele deu de ombros e não disse nada. — Harry, não se aproxime muito dele. — Ele pareceu confuso. — Olhe, não quero que ele sofra. Nós dois sabemos que você terá de voltar para seu tempo, no final das contas. Mas ele está se afeiçoando a você, já posso ver isso.
— Ah, percebo onde quer chegar. Mas, Hermione, eu preciso da ajuda dele. Usando essa máquina, eu posso…
— Não ligo para a máquina, Harry. Só me importo com meu filho.
— Eu também.
E ela sentiu uma pontada de culpa por se opor de forma tão decidida. Ainda mais pelo que tinha em mente. Suspirou e abaixou a cabeça.
— Sei o quanto isso é importante para você. E que… Ele nunca teve um pai, Harry. E ultimamente, só tem falado disso.
— Entendo.
— Não entende, não. Você não pode nem imaginar. Ele é…
— Eu entendo, Hermione. Ben e James têm mais em comum do que você pensa. Ben nunca sentiu o amor de mãe, e desde que ficou doente, só fala nisso. O desejo por uma mãe. Entendo tudo que você está falando.
Ele entendia, agora ela começava a perceber lentamente. Ela o olhou nos olhos:
— Sinto muito… Pela sua esposa, quero dizer.
Harry abaixou a cabeça, mas não antes de ela ver rancor nos olhos dele. Mas ele balançou a cabeça, parecendo ansioso para mudar de assunto.
— Esse remédio, que pode curar meu filho. Você tem alguma idéia de onde posso consegui-lo?
Ela tomou fôlego e ergueu o queixo.
— Também quero falar com você sobre isso, Harry…
— Não podemos conseguir o remédio sem a ajuda de um médico, não é isso, mãe? — Ambos se voltaram para ver James parado na porta, enxugando as pequenas mãos em uma toalha. — Não precisamos de receita?
Os olhos de Harry encontraram os dela preocupados.
— Precisamos — respondeu ela. — É um antibiótico poderoso e uma substância controlada. Não podemos comprar a não ser que um médico receite.
— Então falaremos com um médico — disse Harry. — Explicaremos e…
— E ele vai nos colocar em camisas-de-força — disse Hermione. Não era uma boa solução. Mas pelo menos era uma tática para adiar o assunto. Quando Harry franziu a testa, ela explicou: — Ele vai achar que somos loucos.
— Então temos de encontrar um outro jeito. — O olhar de Harry era intenso.
— Podemos procurar no computador — disse James. — Descobrir como se faz o remédio e…
Harry balançou a cabeça.
— Entretanto, teríamos os mesmos problemas. Não temos material e nem equipamento necessários para criarmos o remédio. E se não fizermos exatamente igual, pode não funcionar. Não posso arriscar.
James estava parado, mordiscando o lábio.
— Mãe, lembra quando você disse que podemos contar uma mentira se realmente precisarmos?
Ela estreitou os olhos para encarar o filho.
— Lembro.
— Bem, é a mesma coisa com… roubar?
— James, você sabe que nunca, nunca mesmo é certo roubar. Nunca!
— Por que, James? — perguntou Harry, indo até James e se ajoelhando diante dele. — Você sabe onde podemos encontrar esses comprimidos?
— Claro. O Doutor Mullingan tem todos os tipos de comprimidos no armário branco do consultório dele. Lembra, mãe? Quando tive garganta inflamada? Ele abriu o armário e pegou um frasco de penicilina. Ele tem um monte de antibióticos lá.
Harry olhou para Hermione. James também.
— Não. — Ela balançou a cabeça firmemente. Eles ainda estavam olhando para ela. — Não vamos fazer isso. Já não é ruim o suficiente a cidade toda estar achando que estou fazendo… — Ela mordeu o lábio. — Não vamos convencê-los também de que sou uma ladra e viciada em remédios.
— Podemos deixar dinheiro para pagar os comprimidos, mãe. Aí não seria realmente um roubo.
— James Granger, não quero ouvir nem mais uma palavra sobre isso. Entendeu? Nem uma palavra. Ninguém nesta casa vai roubar nada, em lugar nenhum, nunca. Entenderam?
O queixo de James caiu.
— Entendi.
— Bom. Agora… O almoço está servido. Vamos descer. — Ela saiu do quarto e eles seguiram.
— Talvez — ela ouviu Harry dizer — eu possa convencer esse bom médico a me dar alguns comprimidos. Quer dizer, se eu fosse vê-lo.
— Ele é esperto — respondeu James. — Sempre sabe se você está fingindo.
— Bem, talvez se eu falasse com ele. Onde você disse que fica o consultório dele, James?
Hermione virou e encarou Harry, mas James já estava dando informações detalhadas sobre como chegar ao consultório do médico. Não poderia adiar mais. Tinha de conversar com Harry, contar por que ele não podia continuar com isso. E tinha de fazer isso logo. Hoje à noite, depois que James fosse dormir.
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