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1. Sweet Child O'Mine


Fic: Sweet Child O Mine - by LyraWhite


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/Autora: Song da fic Black and White.



Eram cinco e meia da manhã, e Sirius estava andando pela sala com um bebê nos braços. Por que todo bebê tinha que ter dores de estômago, só tomavam leite! O que um simples leite fez de mal? Ele não tinha resposta para aquela pergunta, mas estava arcando com as conseqüências.
- Vamos, Ly! Papai está cansado. – ele sentou-se no sofá, e na mesma hora ela retornou a chorar. – Certo, certo. Vamos ficar de pé. Você consegue ser má igual a sua mãe quando quer.
Um sorriso apareceu nos lábios da pequena, um pequeno sorriso traquina. Ela repousou a cabeça no ombro do pai, e começou a brincar com a corrente que ele usava no pescoço. Mesmo com apenas seis meses de idade, sabia exatamente como conseguir companhia quando não conseguia dormir.
- Que tal uma história? – ele a levantou no ar, assim conseguia encarar aqueles olhinhos sem um pingo de sono. Pelo jeito, não foi uma boa idéia, Lyra fechou a cara e fez um pequeno bico de choro. – A senhorita está impossível hoje, sabia? Que tal uma música? Uma música parece bom.
Sirius a deitou no sofá, entre duas almofadas, para não correr o risco de cair. Aquela era a vantagem dela não conseguir se levantar.
No instante em que Sirius saiu da sala, Lyra começou a chorar. Ele não deu tanta importância como costumava dar antigamente, mas se apressou para pegar o que foi buscar no quarto.
Procurou nas gavetas, no armário, até no banheiro aquela maldita fita. Fazia tanto tempo que não a via que acabou se esquecendo do lugar onde a deixara. Já tinha procurado em todos os lugares possíveis, mas nada.
Só havia um lugar em que não tentara. Apenas um caixa. Correu até o armário de Lyra e tirou de lá uma caixa roxa. Sentiu algo estranho ao rever aquilo novamente, era como se parte dela ainda estivesse ali.
Respirou fundo e a abriu. Aquela era a preciosa caixa onde Elizabeth costumava guardar o que achava importante, o que não podia ser esquecido. Estavam lá algumas fotos da época da escola, do casamento do dois, duas da gravidez, uma corrente de ouro, com um pequeno cão como pingente, e uma fita.

“Viagem perfeita”


Estavam ali gravadas naquela fita várias músicas que Sirius e Elizabeth haviam gravados juntos para a viagem que pretendiam fazer depois que o bebê nascesse. Foi uma pena que não ter acontecido. Ela planejou tudo durante meses, todos os lugares por onde passariam, todas as coisas que iriam ver.
Sirius ficou ali um tempo fitando aquelas recordações, mas logo percebeu que o choro do bebê ainda não tinha cessado. Correu de volta para a sala aos tropeços. Ao entrar no cômodo, viu um rostinho totalmente vermelho à sua espera.
- Desculpe, linda. – ele sorriu. – Fui pegar isto. - e mostrou a fita à filha.
Lyra esticou as mãozinhas, tentando pegar a fita fora de alcance. Sirius a pegou no colo, enquanto colocava a fita no toca-fitas. Apertou play e uma música começou a tocar. Era um rock um tanto pesado, que ele adorava. Mas ao ver o semblante irritado de Lyra, notou que aquela não era a melhor canção de ninar.
- Entendi. – sorriu e apertou outro botão para passar a fita adiante, em seguida apertou play novamente.


She's got a smile that it seems to me
(Ela tem um sorriso que para mim parece)
Reminds me of childhood memories
(Me fazer lembrar de memórias de infância)
Where everything
(Quando tudo)
Was as fresh as the bright blue sky
(Era fresco como o céu azul brilhante)


Aquela melodia lhe era familiar. Sirius bufou, tinha falado com Elizabeth para não pôr aquela música na fita, mas parece que havia se esquecido de como a esposa era teimosa.
Ele nunca gostara muito daquela música, isso podia admitir, mas parecia que Lyra não concordava com sua opinião. Ela pousou a cabeça no ombro do pai, enquanto brincava com a corrente novamente. Isso era um bom sinal, ela se acalmou, embora, deixando a camisa do pai molhada de saliva.
Aquela melodia trazia consigo saudade, saudade de algo que lhe causava um aperto no coração, saudade de algo que não voltaria mais. Não ouvira aquelas notas desde a morte de Elizabeth, mas, pelo visto, tanto a esposa quanto a filha gostavam daquele “rock ruim”.
- É, Ly, também sinto a falta dela. – ele sorriu fracamente. – E olha que não é só porque isso aqui que eu estou fazendo seria serviço dela.
A pequena esticou a mão direita e começou a brinca com os cabelos negros do pai. Lyra adorava puxá-los de vez em quando, mesmo sabendo que ele a afastaria dali.
- Lyra! Aí, não! – ele a murmurou, enquanto afastava o bebê de seus cabelos. Sirius tinha a pequena impressão de que caso ela continuasse puxando-os daquela maneira, ficaria careca antes dos trinta. – Mais tarde você vai reclamar porque seu pai será um velho, careca e gorducho, e sei perfeitamente a quem eu vou culpar.
Ela o olhou de viés por um instante, mas logo voltou a focar sua atenção na correntinha dourada. Sirius nunca conseguiu entender o porquê dela gostar tanto daquela corrente, muitas vezes, Lyra preferia brincar com a corrente do que com os brinquedos que vivia comprando para ela.
- Eu gastando aquele tanto de galeões em brinquedos, e você ainda prefere isso aqui? Seria bom ter me avisado antes, não? - ele brincou.
Lyra encarou o pai nos olhos, seria meio difícil um bebê entender o que Sirius indagou, mas parecia que ela havia compreendido, pois sorriu, divertida.
Aquele sorriso o lembrava de tantas coisas, coisas que eram difíceis serem lembradas. Ele era uma cópia perfeita do de Lizzie, de quando ela se lambuzava de sorvete de chocolate, nas vezes que iam ao parque, ou quando era a única que tinha razão um grupo em que todos estavam errados, ou, até mesmo, quando ganhava numa partida de xadrez. Doloroso? Sim, era até demais. Fazia seis meses que ela se fora, e os vestígios de lembranças continuavam assombrando sua mente.


Now and then when I see her face
(Agora e depois quando vejo sua face)
She takes me away to that special place
(Ela me leva para aquele)
And if I stared too long
(E se eu olhasse muito tempo)
I'd probably break down and cry
(Eu provavelmente cairia e choraria)


Sirius começou a balançá-la devagar, na tentativa dela pegar no sono. Mas o olhar atento da menina respondia que sono era a última coisa que estava sentindo naquele momento. Lyra repousou novamente a cabeça no ombro de Sirius, mas dessa vez deixou a correntinha de lado, preferia morder a camisa do pai.
- É, esses dentes estão dando trabalho. De tanto que você coça, daqui a pouco não vou ter mais nenhuma camisa de tantos furos que você vai fazer, se continuar com isso. – ele riu, afagando a cabecinha dela. Pelo menos já estava começando a ter mais cabelos do que antes.


Oh, oh, oh... Sweet child o'mine
(Oh, oh, oh... Minha doce criança)
Oh, oh, oh, oh ... Sweet love of mine
(Oh, oh, oh... Meu doce amor)


Por mais que todos continuassem falando que estava fazendo um bom trabalho, Sirius ainda sentia-se inseguro. Tinha medo, admitia isso, tinha medo de falhar, de não dar conta. Ele cresceu com três meninas, três primas que somente uma seguiu um bom caminho. Ele quase foi para o lado das duas primas, Bella e Narcisa, se não tivesse conhecido James e os outros, provavelmente seria muito parecido com Lucius Malfoy.
- Ly, querida, você nunca, nunca mesmo vai se misturar com eles, ficar igual a eles. Isso eu não permitirei jamais. – ele falou baixinho, numa voz temerosa.


She's got eyes of the bluest skies
(Ela tem olhos como o azul do céu)
As if they thought of rain
(Como se eles pensassem na chuva)
I hate to look into those eyes
(Eu odeio olhar naqueles olhos)
And see an ounce of pain
(E ver um traço de dor)


O bebê parou de roçar a gengiva na blusa azul-marinho de Sirius. Enquanto ela estivesse naquela fase, ele teria que passar bem longe de camisas brancas ou de cores muito claras. Agora ela parecia apenas olhar o que estava à sua volta, observar cada cantinho da sala, naquele cômodo que estranhou durante tanto tempo e que agora era o que mais gostava. Adorava música como ninguém, se Sirius colocasse o toca-fitas o dia inteiro ela ficaria lá, escutando quietinha. Talvez fosse por isso que gostasse tanto daquela sala, havia um piano lá, o piano que a mãe cansou de tocar durante a gestação, e agora somente James o abria. Lyra gostava de quando o padrinho vinha na casa, ele tocava as músicas no piano, e ela ficava em seu colo, querendo pegar nas teclas do instrumento.
Sirius já tinha pensado em aprender a tocar, mas ele era daquele tipo de pessoa que não tinha como aprender a tocar piano. Para tal feito, a pessoa tinha de ter uma certa disciplina, todos os dias praticar, tinha de ter postura adequada, entre outras coisas. Enfim, aquilo não era para ele. Era mais fácil comprar a fita e deixar tocando para Lyra enquanto ele fazia outra coisa.


Her hair reminds me of a warm safe place
(Seu cabelo me lembra um lugar quente e seguro)
Where as a child I'd hide
(Onde como uma criança me escondo)
And pray for the thunder
(E rezo para o trovão)
And the rain
(E para a chuva)
To quietly pass me by
(Para irem para longe de mim calmamente)


Sirius andou um pouco, indo até a janela que dava vista para o jardim dos fundos. O sol já estava começando a nascer, havia raios fracos iluminando o gramado molhado de orvalho. Aquela havia sido uma noite longa, e parecia ainda não ter terminado, seus olhos estava pesados, e sentia o corpo cansado, embora continuasse a balançar a pequena.
Mas parecia que as coisas estavam melhorando, ele olhou para o rosto da filha deitado em seu ombro, os olhos azuis dela estavam começando a se fechar. Como ela tinha uma pequena tendência a teimosia, tanto da parte do pai quanto da mãe, lutava para segurar o sono. Sirius também fazia isso às vezes, mas naquele momento um cochilo não seria má idéia.
Uma coisa ele tinha certeza, apesar de às vezes não aparentar muito, tudo ia terminar bem. Dumbledore, no dia do enterro de Elizabeth, disse que sempre havia tempestades, não tinha como tirá-las de nossas vidas, mas também que sempre depois do estrago da tempestade, o sol iria continuar aparecendo. Por mais que ele não tivesse dado ouvidos no dia em que foi dito, aquela frase ainda dava uma certa esperança. Não tirava seu medo completamente, mas o confortava de uma certa maneira.


Oh, oh, oh... Sweet child o' mine
(Oh, oh, oh... Minha doce criança)
Oh, oh, oh, oh ... Sweet love of mine
(Oh, oh, oh... Meu doce amor)
Oh, oh, oh... Sweet child o' mine
(Oh, oh, oh ... Minha doce criança)
Oh, oh, oh, oh... Sweet love of mine
(Oh, oh, oh... Meu doce amor)


Aqueles últimos seis meses tinham sido os mais difíceis de toda a sua vida, mas valia a pena, havia momentos que fazia valer a pena tudo o que vinha passando. Momentos como aquele, que depois de uma noite em claro com um bebê chorando e ele sem poder fazer nada, agora só estavam os dois, ouvindo aquela melodia que estava chegando ao fim.


Where do we go?
(Para onde vamos?)
Where do we go now?
(Para onde vamos agora?)
Where do we go?
(Para onde vamos?)
Sweet child o' mine
(Minha doce criança)


Não sabia o que viria pela frente, não sabia dos desafios e empecilhos que surgiriam durante aquela jornada, mas que algo dizia que ele não desistiria. Algo dizia que tudo ficaria bem.
Ele virou a cabeça novamente para encarar os olhos de Lyra. Abriu um largo sorriso quando viu que ela dormia calmamente. Quando viu aquela cena, soube que tudo ficaria bem.
Com cuidado, subiu as escadas e andou até o quarto onde havia uma placa escrito “Lyra” pendurada na porta. Adentrou naquele quarto rosado e branco, indo até um berço perto da janela. Delicadamente, Sirius a colocou no berço, depois cobriu com uma manta branca. Ficou fitando-a dormir durante alguns minutos. O sol já havia nascido, e o quarto já estava ficando praticamente todo iluminado. Ele puxou a cortina e caminhou até a porta, mas antes de fechá-la, lançou um último olhar, e depois sorriu.
- Durma com os anjos, pequena. – e encaminhou-se até o quarto ao lado, onde havia uma cama esperando-o.

- Pai? O que você tá fazendo aí? - Lyra colocou a cabeça para dentro do quarto, enquanto o resto do corpo, completamente molhado ensopava o carpete.
- Nada, querida. - ele sorriu ao encarar aqueles olhos azuis. Era difícil acreditar como o tempo passava rápido. - Onde você estava?
- Lugar nenhum. - mentiu ela. Não iria dizer que estava no fundo do quintal, debaixo de uma tempestade, e com Draco Malfoy. - Viajar pelo passado é bom, não é?
- Nesse caso sim. - Sirius olhou a rua através da janela. Dias de chuvas costumavam lhe dar medo quando criança, porém não mais. Não estava sozinho como pensava estar naquela tarde chuvosa(dia em que Lyra nasceu).
- Vou tomar banho. - e a cabeça molhada de Lyra sumiu das vistas de Sirius.
Ele levantou-se da poltrona ao ouvir a porta do quarto ao lado fechar-se. Foi até a porta e viu o carpete molhado. Sorriu. Ela era exatamente seu reflexo.
- Ah, minha doce criança. - secou o carpete e desceu as escadas, acompanhado das doces lembranças que carregaria para sempre.



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