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18. CAPITULO DEZESSETE


Fic: Lobo Domado - Concluida


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO DEZESSETE

- Dino.
Ao ouvir o próprio nome na voz de Gina, Dino ergueu os olhos das contas que estava fazendo. Ela estava perto da porta, ao lado de Nicholas, que segurava desajeitadamente uma enorme cesta vazia. Usando uma túnica cor-de-rosa que combinava perfeitamente com os cabelos castanhos, Gina parecia ainda mais bela. E era forçoso reconhecer que o casamento com o Lobo a deixara com as faces ainda mais rosadas.
- Não quer caminhar conosco? - ela convidou. - Preciso colher ervas para fazer remédios e temperos de cozinha e Nicholas gentilmente se ofereceu para me acompanhar.
Enquanto falava ela mostrou um daqueles sorrisos que desarmaria qualquer um.
- Mas onde está Harry? - perguntou Dino, agora já sabendo que dificilmente o Lobo deixava que Gina fosse para longe da vista dele.
- Está no quintal com Reynold e Simas, treinando luta de espada. - respondeu Nicholas, com a expressão de quem preferia também estar naquele treinamento, algo bem mais apropriado a um homem.
Dino levantou-se, divertido.
- Ah, sim. Bem, acho que vou com vocês. Ainda não saí do castelo desde que cheguei aqui.
Parando apenas para pôr a espada na cintura ele atravessou o salão com a cunhada e o irmão caçula e saiu na plena luz do ensolarado dia. Embora não estivesse muito interessado em observar Gina colhendo ervas, Dino achou que seria prudente acompanhá-la. Sabia o quanto o Lobo era possessivo em relação à esposa. Talvez Harry não gostasse de saber que Gina havia saído sozinha com um dos cunhados, mesmo tratando-se de Nicholas, um quase menino.
Dino sorriu sozinho ao pensar nas mudanças que observava no irmão mais velho. Antes Harry demonstrava pouco interesse nas mulheres, só as procurando muito raramente. Agora estava sempre ao lado de Gina. Quando precisava se afastar por algum motivo, ficava com o olhar distante, como se não pudesse pensar em outra coisa que não fosse nela.
Dino suspirou, desistindo de entender as complexidades da alma humana enquanto seguia a cunhada e o irmão caçula até o alto de uma colina não muito longe dos muros de Wessex. A tarde passava rapidamente enquanto eles conversavam e Gina colhia ervas. A região parecia mais selvagem do que Campion, onde a maior parte das terras era ocupada pela agricultura, mas em compensação uma enorme paz se espalhava por todos os cantos.
Até que Harry apareceu.
- Opa! - exclamou Nicholas, num tom de voz que chamou a atenção do irmão.
Sentado na relva, Dino estava mastigando uma folha de capim, que soltou dos dentes quando viu o motivo da exclamação de Nicholas.
Harry vinha subindo a colina com passos rápidos, com os punhos cerrados ao lado do corpo e a expressão de quem estava a ponto de explodir de cólera. Imediatamente Dino se pôs de pé, sentindo-se como um menino surpreendido em alguma travessura pelo irmão mais velho.
- Que diabo significa isso? - vociferou Harry, como se eles realmente estivessem fazendo algo muito reprovável.
Dino ficou mudo, sem resposta, embora não soubesse de nada que eles pudessem ter feito para despertar a ira de Harry. Tanto ele quanto Nicholas ficaram imóveis, olhando fixamente para o irmão.
- Ah, mas que surpresa, Harry! - disse Gina, numa voz cheia de doçura. - Veio nos ajudar?
Dino voltou a cabeça para olhá-la. Lá estava ela, calmamente recolhendo ervas, como se o Lobo de Wessex não estivesse bem ali, olhando para eles com a expressão de quem tinha idéias assassinas.
- Não. - respondeu Harry, numa voz baixa e ameaçadora. Agora ele tinha as mãos na cintura e as pernas apartadas, mantendo a mesma expressão de ferocidade. - O que pensa que está fazendo?
Só então Gina pareceu reparar no estado de ânimo do marido, justamente o que mantinha Dino e Nicholas em cauteloso silêncio.
- Qual é o problema? - ela inquiriu.
E ultimamente os seis Potter mais jovens não falavam de outra coisa, embora ninguém tivesse coragem para tocar no assunto na frente de Harry, nem mesmo Simas. Seria imprevisível a reação do Lobo se alguém comentasse que um temível guerreiro havia se transformado num homem doméstico.
Pelo menos eles poderiam atestar que as dúvidas de Campion em relação à validade do casamento do filho primogênito não tinham sentido. Não havia a menor dúvida de que Harry havia se casado de verdade. Um homem que levava a esposa para o quarto com tanta freqüência só podia estar mesmo apaixonado.
Todas as noites Harry pedia licença para se recolher logo depois do jantar, alegando que por algum motivo Gina precisava descansar. Evidentemente o problema não era esse, mas ela até que agia com naturalidade.
Dino preocupava-se com aquilo. Harry parecia determinado a fazer amor com a esposa quantas vezes fosse possível, mas será que não tinha outras formas de demonstrar afeição? Mesmo não podendo se queixar da falta de amor fisico, Gina aparentemente não se sentia muito à vontade em Wessex. Amava Harry, sem dúvida. Isso ficava evidente quando pousava no marido aqueles olhos grandes cheios de ternura.
Mesmo assim Dino sentia que alguma coisa não estava certa. Aqueles dois aparentemente não agiam com total naturalidade e às vezes parecia haver infelicidade no semblante de Gina, uma tristeza que ela jamais havia demonstrado em Campion. E Harry demonstrava uma frustração excessiva para um homem que passava tanto tempo na cama com a mulher amada.
Era estranho. Dino não entendia como podia haver problemas no relacionamento de duas pessoas que evidentemente se amavam. Mas os problemas existiam. Isso ficava muito claro quando Gina olhava para Harry como se estivesse angustiada.
- O problema! Você deixou a segurança do castelo para vaguear pelo campo, sem nada para protegê-la além desses dois?
Dino entendeu aquelas palavras como um insulto, mas preferiu não dizer nada. Sabia por experiências passadas que, em momentos como aquele, nao adiantava discutir com o Lobo.
Harry adiantou-se e agarrou Gina pelos braços.
- Por acaso você perdeu o juízo? Podia estar morta, sua maluca! Smith, Macnair e só Deus sabe quem mais adorariam encontrá-la desprotegida desse jeito! Será que já não viu sangue o suficiente para convencê-la a buscar proteção?
Dino não estava gostando do jeito como Harry segurava nos braços da esposa, parecendo até que ia sacudi-la. Aquilo o deixou com coragem para dar um passo adiante. Não permitiria que Gina fosse agredida por ninguém, nem mesmo pelo marido.
Mas ele não precisava ter aquela preocupação. Gina puxou os braços num movimento brusco e se soltou. Aquilo provou que o aperto dos dedos de Harry não era tão forte quanto parecia. Depois ela apontou o dedo para o peito largo do Lobo.
- Não fale comigo desse jeito, Harry Potter! - gritou Gina, com o rosto muito vermelho. – Não vou tolerar isso! Eu precisava colher ervas para fazer temperos e remédios, já que os estoques do castelo estão no fim. Seus irmãos fizeram a gentileza de me acompanhar. - Agora ela efetivamente empurrava a ponta do dedo contra o peito dele. - Se vou ser prisioneira aqui, como era em Baddersly, você vai ter que me dizer isso. Meu tio pelo menos deixava as regras muito claras.
Gina parou de falar e, com uma dignidade que deixou Dino espantado, passou pelo Lobo sem olhar para trás. Cinco passos adiante parou e abaixou-se.
- Ajude-me aqui, Nicholas, por favor. - ela pediu.
Por alguns segundos os três Potter ficaram apenas olhando, paralisados de surpresa, até que Nicholas se adiantou e começou a recolher os montes de ervas arrumados no chão.
Constrangido com a situação, Dino achou até bom Gina levar Nicholas consigo, embora não estivesse contente em ficar ali... tendo que enfrentar sozinho a ferocidade do Lobo. Mas não era um covarde e permaneceu onde estava, observando a reações de Harry. O que não era nada bonito de se ver. O lobo estava com os músculos do rosto contraídos numa expressão de raiva, mas logo aquilo se transformou em algo que até causava pena.
Seria arrependimento ou desespero? Dino ficou olhando para o irmão, surpreso com a profunda emoção que via naquele rosto que conhecia tão bem. Gina devia ter mudado muito o marido, porque Dino jamais vira Harry tão afetado por nada ou por ninguém. Se não tivesse presenciado aquela cena, jamais acreditaria que o Lobo de Wessex ficara sem ação depois de uma discussão. E não era só isso: o temível Harry Potter havia abaixado a cabeça para uma mulher e agora parecia num estado deplorável.
Como se subitamente se desse conta da presença do irmão, Harry virou-se, agora evidentemente procurando se controlar. Olhando para o chão como se relutasse em encarar Dino, ergueu a mão e coçou a cabeça.
- Fiquei muito preocupado com ela. - ele declarou.- Como não a encontrei e alguém me disse que ela havia saído do castelo, imediatamente eu... Por Deus, Dino! Se você soubesse quantas vezes ela se meteu em situações perigosas, quantas vezes pensei que iria perdê-la...
O tom de lamento com que aquelas palavras foram pronunciadas fez com que Dino sentisse compaixão pelo poderoso e temido irmão, um homem que jamais havia se dobrado diante de ninguém, mas que agora se humilhava por causa da afeição que dedicava à esposa. O Lobo amava Gina, isso era óbvio, mas tinha uma forma lamentável de demonstrar o que sentia.
- Você não soube lidar muito bem com a situação. - comentou Dino.
- Não, eu... - Harry deu meia volta e ficou contemplando as terras de que era dono. - É dificil. Estou me consumindo por causa dela, Dino. - ele disse, soltando um riso fraco como se aquilo tornasse mais fácil a confissão. - É um sentimento esquisito, uma coisa que me deixa vulnerável. Não sei se estou gostando disso.
Dino não disse nada, achando que devia pensar melhor sobre às alegrias do casamento.
- Quero que Gina seja feliz, mas o que ela quer... - Harry balançou a cabeça. - Ela quer que eu a ame. Não sei se isso existe em mim, Dino. Não sei se posso...
- Bobagem. - disse Dino. - É mais do que óbvio que você a ama.
Harry voltou-se para o irmão com um ar de ceticismo no rosto.
- Eu nem mesmo acredito nesse tipo de coisa. Nunca acreditei.
- Eu sei, mas o fato é que, acredite ou não, está apaixonado por Gina. E deve dizer isso a ela.
Harry ficou em silêncio, parecendo em dúvida, embora houvesse um brilho de determinação nos olhos dele.
- E se eu fosse você iria atrás dela para pedir desculpas por tê-la repreendido na frente dos cunhados. Não foi uma coisa que mereça elogios. - Dino não conteve um sorriso. - E seja eloqüente. Talvez deva até se ajoelhar diante dela.
Harry olhou para o irmão e os dois começaram a rir, imaginando o poderoso cavaleiro prostrado diante da frágil esposa. Depois, pelo sorriso traquinas que apareceu nos lábios do Lobo, ficou claro que ele pretendia se desculpar levando Gina para a cama. Dino balançou a cabeça, mas não disse nada.
Logo Harry perceberia a necessidade de chegar a um acordo com os próprios sentimentos... sentimentos que vinham do coração, e não aqueles que se originavam numa região mais baixa do corpo.
Em silêncio eles caminharam de volta ao castelo, parando apenas quando o soldado que estava de sentinela numa das torres gritou, chamando a atenção deles para alguma coisa. Dino voltou-se e, protegendo os olhos com a mão, olhou para longe. Um numeroso grupo de cavaleiros vinha se aproximando, seguindo uma bandeira de cores desconhecidas.
- Quem é? - ele perguntou, olhando para o irmão. Harry trincou os dentes, outra vez com o semblante dominado pela fúria.
- E Macnair, que veio buscar a sobrinha.
Dito isso o Lobo se voltou para o portão e começou a gritar ordens, recomendando que todos se preparassem para receber os visitantes.
Depois de se certificar de que Gina estava em segurança, com Dino para protege-la, Harry gritou por Simas. Uma rápida busca revelou que o irmão dele estava na despensa, com as mãos por baixo da saia de uma das ajudantes da cozinha.
- Simas! - vociferou Harry, assustando a moça, que no mesmo instante saiu correndo.
Obviamente aborrecido com a interrupção, Simas encostou-se na parede e cruzou os braços, numa pose de insubordinação. Harry respirou fundo e tentou novamente.
- Simas. - ele disse, agora com mais calma. - Preciso de você.
Depois disso fez-se um silêncio de alguns segundos e os dois irmãos se olharam com igual espanto. Aquela devia ser a primeira vez em que o Lobo declarava precisar de alguém.
Simas empalideceu e afastou-se da parede.
- De mim?
Rapidamente Harry avaliou o estado do mais libertino dos irmãos. Pelo menos Simas estava sóbrio. Além disso, já havia demonstrado que sabia se desincumbir de uma responsabilidade que lhe fosse confiada. Talvez devesse receber responsabilidades com mais freqüência.
- Sim, de você. Preciso que cuide da defesa do castelo enquanto eu vou ao encontro de Macnair.
- Quer que eu cuide disso? - perguntou Simas espantadíssimo. - Mas... e Dino?
- Dino está tomando conta de Gina. - respondeu Harry, sem dar tempo ao irmão para recusar. - Reynold poderá ajudá-lo, claro, mas o comando será seu.
Girando o corpo ele começou a se afastar, com passos firmes. Quando alcançou a porta, ouviu a voz de Simas, obviamente relutante.
- E se alguma coisa acontecer com você?
Harry voltou-se e olhou fixamente para o irmão.
- Se alguma coisa acontecer comigo, você ficará com a responsabilidade de defender meu feudo e minha esposa.
Dito isso ele girou nos calcanhares e se afastou rapidamente, deixando o falastrão Simas sem saber o que dizer.
Depois de escolher entre os melhores soldados uns poucos para acompanhá-lo, Harry saiu para recepcionar os visitantes, agora já claramente visíveis. Tão logo ultrapassou os muros do castelo, ouviu com alívio o barulho dos portões se fechando. Não tinha a menor intenção de convidar para entrar a tropa de soldados que estava chegando de Baddersly. Mesmo com os reforços vindos de Campion, as forças de defesa do castelo ainda eram poucas. Se a intenção de Macnair fosse atacar, o melhor seria fazer tudo para mantê-lo no lado de fora.
Um soldado adiantou-se do grupo que vinha chegando e Harry reconheceu Goodson, o homem que chefiava a guarda de Macnair e havia ordenado o assassinato dele. Controlando a vontade de liquidar ali mesmo aquele cretino, Harry procurou levar em consideração o enorme contingente que estava por trás de Goodson.
Seria preciso negociar e Harry lamentou não estar ao lado de Dino, o homem perfeito para missões diplomáticas. Agora tudo dependeria dele e seria preciso tomar muito cuidado. O menor erro poderia ser fatal.
- Estou procurando pelo barão de Wessex. – disse Goodson, com uma arrogância que fez Harry trincar os dentes.
Aquele desgraçado dizia aquilo apenas para insultá-lo, porque sabia perfeitamente que estava diante do barão de Wessex.
- Pois já o encontrou. - respondeu Harry, depois de respirar fundo.
- Você é ele?
- Sim, sou ele. Se não acredita, sinta-se livre para virar as costas e ir procurá-lo em outro lugar.
Goodson aprumou o corpo na sela. Embora sem dizer nada, dirigiu a Harry um olhar de aversão e fez com que o cavalo girasse para retomar ao meio do suas tropas. Certamente ia relatar a Macnair o resultado daquele encontro preliminar. Harry perguntou-se se o tio de Gina estava sóbrio o suficiente para montar um cavalo ou se era transportado numa liteira.
Aparentemente Macnair estava sóbrio, porque adiantou-se e saudou Harry como se nunca houvesse acontecido nenhum desentendimento entre eles. E tratava-se do mesmo homem que havia ameaçado e caçoado do Lobo de Wessex, do mesmo homem que ordenara ao seu capitão que perseguisse e matasse Harry, à época um visitante em Baddersly. Harry apertou o cabo da espada e fitou o visitante. Sentia vontade de matar Macnair não só por causa daquilo, mas também porque se tratava do homem que havia tirado tanto da adorada Gina, que até havia tentado matá-la.
- Você é Wessex?
Macnair não parecia tão arrogante quanto havia se mostrado em seus domínios. Isso certamente se devia ao fato de estar num feudo alheio e não saber quantos homens armados havia no castelo que via por trás do interlocutor.
- Sim, sou Wessex. - respondeu Harry, com naturalidade. - Parece que não está me reconhecendo. Como já recomendei ao seu lacaio, se não quiser acreditar em mim pode sair das minhas terras.
Macnair fez um ar de surpresa.
- Reconhecê-lo? - ele perguntou, parecendo momentaneamente desconcertado. - Nós já nos conhecemos?
Harry soltou um palavrão. Era muito descaramento de Macnair protestar inocência.
- Sim, nós nos conhecemos. Não faz muito tempo, você me expulsou do seu castelo e ordenou ao seu capitão que me matasse na estrada.
Macnair fez um ar de espanto ainda maior.
- Naturalmente você não pode ser o homem que esteve em Baddersly afirmando ser Wessex. Se for, espero que me perdoe meu lorde, porque na ocasião a sua aparência era bem diferente da de agora. Quanto a uma trama para matá-lo, afirmo que não sei nada sobre isso! Deve estar enganado.
Harry fez um gesto de cabeça na direção de Goodson, que observava a cena não muito longe dali.
- Não há engano nenhum. Ouvi perfeitamente quando o chefe da sua guarda, aquele ali, orientou os soldados dele sobre o que deviam fazer comigo.
Macnair franziu a testa. Depois de alguns instantes, como se tomasse uma decisão voltou-se na sela.
- Goodson! - ele gritou. - O que tem a me dizer sobre essa acusação? Fale logo ou mandarei cortar sua língua!
Goodson pareceu atarantado.
- Pensei que o homem era um malfeitor, alguém mandado para ameaçá-lo ou fazer alguma.sabotagem no castelo. Perdão se errei, meu senhor! - ele completou, com ar suplicante.
Embora abaixasse a cabeça para se desculpar, o olhar que ele dirigia a Harry era de puro ódio, uma prova de que aquela confissão era falsa.
As palavras de Goodson não significaram nada para Harry. O que interessava para ele era o jogo de Macnair. O que o tio de Gina estava pretendendo com aquela súbita demonstração de boa vontade?
- Atenção! - gritou Macnair, voltando-se para a tropa que liderava. - Retirem imediatamente a espada de Goodson. Ele ficará detido até que se possa fazer justiça!
Não havia dúvida de que a ordem era para ser cumprida só enquanto aquela gente estivesse ali. Logo depois Macnair olhou outra vez para Harry, com um sorriso evidentemente forçado.
- Agora que resolvi esse assunto desagradável, meu lorde, espero que me receba em seu castelo para que possamos conversar.
- Podemos conversar aqui mesmo.
O sorriso de Macnair desapareceu e ele pareceu desistir de se mostrar amigo.
- Pois muito bem. Quero a minha sobrinha. Agora. Você não tem o direito de...
- Tenho todos os direitos. - cortou Harry. - Saiba que me casei com ela. Gina é minha esposa e não lhe deve mais obediência.
No mesmo instante a expressão de Macnair se modificou, o rosto dele ficando muito vermelho.
- É mentira!
- Foi tudo feito dentro da lei. – persistiu Harry - Apresente suas objeções à Igreja ou ao rei.
Macnair fez uma careta de ódio e por um instante Harry teve a impressão de que ele poderia transformar imediatamente a sobrinha em viúva. Mas logo o homem ergueu os olhos para os soldados que se encontravam no alto dos muros do castelo. Deve ter concluído que aqueles homens sairiam a campo aberto para vingar a morte do Lobo.
O covarde não tinha como saber que as defesas do castelo eram deficientes e Harry não pretendia deixar que ele tomasse conhecimento disso. Por isso, procurou se aproveitar da hesitação e do medo que viu nos olhos de Macnair.
- Meu pai, o conde de Campion, ficou contentíssimo com o casamento. Ele quer muito ter um neto.
Aquelas palavras tanto significavam que Gina contava com a proteção da família Potter como indicavam que ela podia estar grávida. E a criança que nascesse daquela união não só herdaria Campion e Wessex, como também Baddersly, eliminando todas as esperanças de Macnair de se tornar senhor do feudo que ainda controlava.
Harry observou que Macnair havia entendido a mensagem, porque agora o homem parecia a ponto de ter um ataque de apoplexia. Isso seria até bom, porque pouparia o trabalho de matá-lo. Depois de respirar fundo várias vezes, porém, o tio de Gina conseguiu se controlar.
- Gostaria de falar com minha sobrinha. - ele declarou.
- Ela não quer vê-lo.
- Bobagem. - protestou Macnair, outra vez falando no tom de quem queria se passar por amigo. - Só quero ver se Gina está viva e ouvir dos lábios dela a confirmação de que se casou com você. Não acredito que você me recuse hospitalidade no seu castelo.
Harry ficou pensativo. Não pretendia deixar que Macnair chegasse perto de Gina, mas também não queria se envolver numa batalha para a qual não estava preparado.
Se recusasse o pedido de Macnair, o homem podia partir para o ataque e era impossível prever o destino de Gina caso o castelo caísse. Harry sentiu um aperto no peito quando pensou no que poderia acontecer se ela ficasse outra vez à mercê do tio, sozinha e indefesa.
Mesmo assim ele continuou olhando fixamente para Macnair, sem mostrar nada daquelas dúvidas. Precisava ganhar tempo. Rony poderia retornar a qualquer momento. E também seria possível despachar um mensageiro a Campion, pedindo ajuda ao pai dele...
Harry correu os olhos pelos soldados de Macnair, mas sempre de cabeça erguida, sem dar a menor indicação de que não tinha condições para enfrentar uma força tão numerosa. Depois fez um gesto de cabeça na direção de uma colina distante.
- Seus homens poderão acampar ali. Você terá permissão para entrar no castelo e falar com minha lady, mas sozinho.
Macnair pareceu confuso, como se não soubesse que passo dar. Ótimo. Harry achou que talvez fosse até melhor ficar com aquele homem no castelo, podendo observar todos os movimentos dele. Separado de seus homens, Macnair não teria como ordenar um ataque.
O tio de Gina passou a língua pelos lábios.
- Naturalmente você permitirá que eu leve alguns ajudantes.
- Você irá sozinho. E o seu capitão, aquele que planejava me matar, conhecerá os confortos do meu calabouço até que chegue a hora de vocês irem embora.
Macnair procurou disfarçar a raiva, mas em vão, porque no mesmo instante ficou com o rosto muito vermelho.
- Não acredito que...
- São esses os meus termos. - cortou Harry.
Ele sabia que a única outra opção de Macnair seria partir para o ataque, mas esperava que o tio de Gina, como tantos outros covardes metidos a valentões, não tivesse coragem para isso.
Harry permaneceu imóvel, sustentando o olhar de ódio de Macnair, até que o homem assentiu.
- Muito bem. - ele despachou, logo depois se voltando para falar em voz baixa com os acompanhantes mais próximos.
Goodson foi entregue aos soldados de Harry e a tropa visitante começou a se afastar na direção da colina indicada, deixando Macnair sozinho.
- Estou à sua mercê, meu lorde. - disse o tio do Gina, pondo o cavalo em movimento. - Espero que não traia a minha confiança.
Harry dirigiu ao tio de Gina um olhar de desdém. Por mais que quisesse, não pretendia matar a sangue-frio um hóspede do castelo. O rei não aprovaria isso. Mas aquele sujeitinho que não tentasse fazer nada contra Gina.
- Só lhe aviso uma coisa. - ele disse, olhando fixamente para Macnair. - Se erguer a mão contra minha esposa, será um homem morto.
Macnair soltou uma risada, aparentemente sem acreditar muito na ameaça. Harry pensou em voltar atrás na decisão tomada, mas lembrou-se de que devia ser justo... algo que Macnair não tinha sido com ele e Gina em Baddersly.
- Está avisado, Macnair. - ele insistiu. – Espero que não se esqueça das minhas palavras.
Logo depois, voltou-se para ordenar que os portões fossem abertos.

Gina ficou morta de medo. Sabia que Harry não podia simplesmente proibir a entrada de Macnair, mas quando soube que o tio estava no interior do castelo só pensou em correr para o quarto e ficar trancada lá. Talvez devesse ter ficado em Campion.
Dino conduziu-a ao salão e ela segurou no braço do cunhado, apertando fortemente, surpreendendo-se por ele não protestar. Mas a única outra opção seria sair correndo. Dino murmurava palavras de ânimo, mas evidentemente também estava temeroso. Logo depois eles entraram no salão e ela não pôde pensar em mais nada além da presença do tio.
Quando o viu ela parou e ficou olhando para ele com os olhos arregalados.
- Gina. - disse Macnair, com uma doçura que ela não se lembrava de ter ouvido na voz de um homem tão traiçoeiro. - Como vai?
Por um instante Gina ficou sem fala. Depois abaixou a cabeça, submissa.
- Eu estou bem, meu tio.
Harry postou-se ao lado dela e começou a dizer alguma coisa, mas Gina sentia-se tonta e não entendeu nada do que estava sendo dito. Mesmo assim procurou ter confiança. O Lobo a protegeria, embora tivesse permitido a entrada do tio dela...
O jantar foi um acontecimento estranho, na verdade a primeira vez em que Gina fez uma refeição em companhia do tio. Em Baddersly ela sempre comia no quarto, já que, na opinião de Macnair, as mulheres deviam ter todo o recato possível. Agora todas aquelas lembranças retornavam, com aterrorizante clareza. Embora vivesse na própria casa, ela não pudera fazer nada, ter nada... ser nada. E agora, mesmo sabendo que contava com a proteção do marido e dos cunhados encolhia-se de medo só por estar na presença do tio.
Vagamente Gina ouvia a voz de Macnair, com uma cordialidade que jamais tinha sido característica dele, perguntando a Harry sobre o casamento, argumentando que a autorização dele devia ter sido solicitado e que, como isso não havia acontecido, uma grave traição fora cometida. Da mesma forma vaga Gina presenciou a reação dos outros Potter, todos protestando que defenderiam o irmão com a própria vida, se fosse necessário. Harry permanecia calmamente sentado ao lado dela. Às vezes Gina sentia o olhar do tio, mas mantinha a cabeça abaixada. Quando terminou de comer, pediu licença e recolheu-se ao quarto.
Harry a acompanhou, pondo a mão no ombro dela enquanto eles caminhavam até a escada. Não dizia nada, mas foi muito bom ter aquela presença protetora. Uma vez no quarto eles se despiram ao mesmo tempo, Harry a observando em silêncio, mas sem aquele olhar de desejo de outras ocasiões. Agora só havia ternura e solidariedade nos olhos do Lobo.
- Vou mandá-lo embora. - ele declarou finalmente. Gina ajeitou-se embaixo dos lençóis e chegou-se para o lado direito da cama.
- Não. Faça o que achar mais apropriado. Eu estou bem.
Harry sentou-se na cama e olhou para ela com os olhos chispando.
- Diabo de mulher! E claro que você não está bem. Não é você mesma. Está agindo como um fantasma da mulher que era e isso eu não vou aceitar. - Harry bateu com o punho fechado no joelho, obstinado. – Macnair irá embora.
Dito isso ele se deitou na cama ao lado dela e abraçou-a com uma ternura quase inimaginável. Gina ficou intrigada. Desde que havia chegado a Wessex, aquela era a primeira noite em que o Lobo não se deitava por cima dela cheio de desejo. Em vez disso apenas a abraçava, e com tanta ternura que quase a fazia chorar.
Pouco depois ele ergueu a mão e pôs-se a afagar os cabelos dela.
- Eu queria que você fosse feliz, Gina.
Gina respirou fundo, esforçando-se para não chorar de verdade. Amava demais aquele homem! E era muito bom ser tratada por ele com tanta ternura.
O Lobo havia mudado muito, o que não devia ter sido fácil para ele; um homem acostumado a uma vida dura. Antes ele a tratava como um estorvo, uma encomenda a ser entregue. Agora a respeitava, ouvia as opiniões dela, preocupava-se com ela. E chegava a declarar que queria que ela fosse feliz!
Desde que saíra do calabouço, Harry de fato dedicava mais atenção a ela, chegando a demonstrar... afeição. A noite era ardente como de costume, mas durante o dia se mostrava outro, sempre arranjando um pretexto para estar ao lado dela.
As lágrimas começaram a escorrer pelas faces de Gina quando ela percebeu que na verdade estava recebendo muito daquele homem. Ele dizia que não acreditava no amor, mas isso era assim tão importante? Talvez ela devesse desistir de ter o que não era possível e aceitar o que estava sendo oferecido. Mesmo que Harry a amasse, não havia garantia de que aquilo duraria para sempre, mas o que ele demonstrava agora era muito parecido com amor.
Pensando bem, talvez o Lobo estivesse oferecendo o máximo que podia. Só uma louca não aceitaria.


N/a: A fic esta chegando ao fim, infelizmente. Ainda temos dois capitulos para curtir.
Agradecimentos especiais:
Andy Weasley Potter: o Harry é meio tapado mesmo, mas o desenrolar da história virá no próximo capitulo, alias o próximo capitulo vem com tudo, morte e o entendimento do casal. Beijos.
Carolina Villela Good God: que bom que gostou, realmente o Harry é um tapado para sentimentos, um herdeiro em breve estará a caminho. Beijos.
Bianca: O Harry é forte, nao se deixaria abater por nada, foi realmente interessante o desespero e a ânsia dele em ver a esposa, só um cego não perceberia a razão. Beijos.


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