Já passava das quatro da manhã quando a casa se acalmou. Madame Pomfrey pegou um dos quartos da casa para ser seu “ambulatório” e tratou todos naquele cômodo. Sr Weasley, Tonks e Moody já haviam recebido os cuidados que precisavam e permaneceram ali, deitados nas várias camas que se espalhavam pelo quarto, todos muito ansiosos. Lupin teve que esperar apenas com alguns curativos. A poção que ele havia tomado durante a captura, Damni Infecti, o fez perder a sensibilidade sobre todo o corpo e só a contra-poção quebraria o efeito. Infelizmente Madame Pomfrey não tinha a contra-poção ali e, enquanto não chegassem a Hogwarts, Lupin não poderia comer, correndo o risco de mastigar a própria língua sem sentir.
- E é bom que você não faça movimentos muito bruscos, Lupin. Essa poção é um pesadelo pra mim, não deve ser usada a não ser que seja uma emergência!
- Mas era uma emergência... - Lupin falava com Madame Pomfrey meio enrolado, enquanto ajudava a acomodar os colegas no quarto.
Harry tinha sido impedido de chegar perto de Megan. Ela fora levada pra um quarto no segundo andar e Sra. Weasley ficou encarregada de cuidar dela nos primeiros instantes. Harry havia discutido muito com todos, mas não houve jeito de o deixarem subir. Por fim, Rony e Hermione o convenceram a esperar um pouco até que Dumbledore explicasse o que deveriam fazer. Eles aguardavam impacientemente no quarto, junto com os outros membros da Ordem, que se recuperavam.
Depois de alguns instantes, que Harry sentiu passar como horas, Dumbledore entrou, sentou-se em uma cadeira próxima a eles e começou a falar. Todos no quarto ficaram em silêncio.
- Esta noite, algo muito importante está acontecendo. Há uma Letrohrian nessa casa e, enquanto nós falamos, ela perde seus poderes. Por isso, seremos breves aqui.
Harry, Rony e Hermione trocaram olhares. Harry os fitava como se estivesse prestes a sair correndo dali e ir até onde Megan estava.
- O que aconteceu foi que essa garota, que Harry nos disse se chamar Megan, seria uma trouxa relativamente normal, se nunca em sua vida tivesse encostado em um bruxo. Mas, ela encostou. – Harry sentiu um fisgão no estômago. – Com isso, o poder que ela tinha dentro dela, esquecido, acordou. E o que nos surpreende é que já era possível detectar o poder dela mesmo antes dessa noite. Diga-se de passagem, isso não é normal em uma Letrohrian não ativa, como Megan era.
- Dumbledore – Sr. Weasley humildemente interrompeu – Não seria mais sábio irmos direto ao ponto? O que temos que fazer pra que essa garota não perca os poderes e... morra?
Harry involuntariamente deu um passo pra frente, mas teve o braço segurado por Rony. Ele simplesmente não conseguia ficar ouvindo isso sem fazer nada. Dumbledore olhou para Harry. Mas antes que começasse a falar, Moody falou de sua cama.
- Acho que estamos nos precipitando. Pulamos uma questão muito importante. A primeira coisa a ser analisada é... Devemos manter essa Letrohrian viva?
Harry não se conteve.
- O que o senhor está dizendo?! Acha que a gente deve deixar ela morrer?!
- Se você visse o que ela fez naquele campo, garoto, você entenderia o que eu estou dizendo. Ela é uma ameaça! Olhe o que ela fez comigo! Eu quase fui desintegrado!
- Ela não tem culpa disso!! – Harry esbravejou - Tenho certeza de que ela não sabe como fez aquilo! Só alguém sem sentimentos como o senhor pode pensar em... assassinar ela!!
- Harry, acalme-se. – Dumbledore, se manifestou, inabalável. – O que Alastor está dizendo faz sentido.
Harry sentiu suas têmporas latejarem, o sangue fervendo em suas veias. Eles não podiam estar falando sério.
- Claro que faz sentido! – Moody continuou. – Manter essa aberração viva vai ser mais um motivo de preocupação, isso vai chamar atenção do mundo inteiro! Passaremos muito mais trabalho para manter os Comensais longe! Ou já esqueceram que é possível detectar a presença dessa garota através do poder que ela tem?!
- Mas isso não é justo! – Hermione se pôs a falar, perplexa – Não podemos deixar que ela morra, Dumbledore!
- Eu concordo. – Tonks disse, séria.
Dumbledore levantou. Todos fizeram silêncio. Falou baixo, em sua voz tranqüila.
- Com certeza, a existência de uma Letrohrian mudaria a rotina de muitas pessoas. Seria um risco considerável mantê-la viva.
Harry não se conteve.
- Mas isso é um absu...
- ...Contudo – Dumbledore continuou, como se não tivesse sido interrompido - Alastor, antes de ser uma arma, ela é uma pessoa. Não é nosso direito decidir sobre a vida dela. Faremos o possível para que ela sobreviva e essa discussão acaba aqui.
Moody cruzou os braços, virando o rosto, mas não se manifestou além disso. Harry conseguiu respirar um pouco melhor depois de ouvir a decisão de Dumbledore. Ele continuou falando.
- Antes de mais nada, é preciso deixar claro que pouco se sabe sobre a natureza de Megan. Além de ser uma Letrohrian, ela não é uma Letrohrian comum. Por enquanto, teremos que agir dentro de palpites. O que sabemos é – Dumbledore deu uma certa ênfase – Ela precisa ser iniciada, antes que perca todo seu poder. E o bruxo que a iniciar será o detentor de toda a capacidade dela. Ele será o que se chamava antigamente de... Mestre Letroy.
- Vá lá Dumbledore. Faça o trabalho. – Moody disse, objetivo – Acho que todos aqui concordam que o seu poder aliado com o poder dessa menina é a melhor combinação que se poderia fazer mesmo...
Harry não sabia exatamente o que pensar, só sabia que estava demorando demais. Se ia ser Dumbledore o tal Mestre Letroy, que fosse rápido.
- Não, Alastor. – Dumbledore foi preciso - Acho que esta situação já foi decidida, há muito tempo. – ele fez uma breve pausa - Voldemort marcou um menino para ser seu maior inimigo; nada mais justo que dar a esse menino o poder que ele precisa para derrotá-lo.
Todos olharam para Harry.
- Além do mais, foi ele quem encontrou Megan e ativou seus poderes. É tarefa dele terminar o que começou. E, diga-se de passagem, eles são muito mais compatíveis...
Moody resmungou baixo, contrariado, mas pelo visto, aceitando a opinião de Dumbledore. Hermione pôs a mão sobre o ombro de Harry, com um leve sorriso.
- O que eu preciso fazer? – Harry perguntou de pronto - Estamos perdendo tempo, não estamos?
Sra Weasley entrou no quarto naquele momento, parecendo calma.
- A menina está pronta. Cobri os olhos dela, como pediu, Dumbledore.
- Molly, acabo de me lembrar... – Dumbledore disse, duvidoso – por acaso usou algum feitiço para secar ou limpar a garota?
- Bem, eu... usei sim, Dumbledore.
Dumbledore olhou para o chão por um instante, balançando sutilmente a cabeça. Disse numa voz baixa e pesarosa.
- Letrohrians sentem qualquer feitiço como o Cruciatus.
Sra Weasley levou as mãos à boca, beirando o pânico.
- Misericórdia, não!!
- As energias dela se adaptam apenas para sair... Qualquer magia que entre causa conflito... e dor física.
Sra Weasley começou a chorar, todos se olhavam inquietos com a situação. Harry já tinha ouvido o suficiente. Ele saiu de perto de Rony e Hermione e andou até Dumbledore. Sua pergunta soou quase como uma ordem.
- O que eu preciso fazer para iniciá-la, senhor?
Dumbledore olhou bem para Harry. Não perderiam mais tempo.
- Encoste o centro do seu peito no centro do peito dela. Bem aqui.
Dumbledore indicou em Harry onde era o lugar. Harry hesitou por um momento.
- Só isso?
- Só isso.
Então, não havia mais o que perguntar. Harry saiu do quarto a passos rápidos, subiu as escadas de dois em dois degraus, finalmente indo ver Megan. Chegou na frente do quarto onde ela estava e abriu a porta, sem pensar muito.
O cômodo estava iluminado por velas e o ar estava mais quente que no resto da casa. Megan estava deitada no centro da cama, imóvel, com os olhos vendados por um lenço branco. Aquilo tinha uma atmosfera fúnebre que fez Harry sentir a garganta apertada por um instante. Fechou a porta e, sem tirar os olhos dela, foi até a cama. Sentou ao lado da garota e segurou sua mão. Toda a metafísica que ele tinha sentido antes com ela, na festa, agora se resumia a uma sutil sensação de paz. Ele falou baixo.
- ...Megan?
Por um momento, Harry pensou que ela estava desacordada. Mas ao ouvir a voz dele, Megan respirou com mais vontade, Harry viu a boca da garota pronunciar seu nome, mas sem som algum. A fraqueza dela era cortante.
- Vai ficar tudo bem agora, eu to aqui... Não vou deixar você assim.
Harry agilmente tirou a camisa, lembrando-se das instruções de Dumbledore.
- O que eu vou fazer agora vai parecer meio estranho, mas vai ser rápido, prometo.
Megan deu um breve suspiro. Harry começou a desabotoar a blusa dela e foi só no terceiro botão que percebeu que suas mãos estavam trêmulas. Engoliu a saliva e continuou desabotoando a blusa, olhando freqüentemente para o rosto dela, tentando perceber qualquer tipo de reação. Mas Megan só respirava.
Quando terminou de desabotoar, Harry abriu definitivamente a blusa, revelando o corpo de Megan. Harry sentiu um sutil frio na barriga. Tentando ser o mais racional possível, ele checou mentalmente onde era o local exato que Dumbledore tinha indicado a ele, e fez uma projeção de onde seria esse mesmo lugar em Megan. Coincidentemente, o local estava bem debaixo do sutiã branco que ela vestia.
“Profissionalismo, Harry.” Ele pensava, enquanto passava a mão no próprio rosto. Pensou por um momento no que faria. Seria um esforço desnecessário virar Megan de costas para abrir a presilha do sutiã e depois a colocar de volta na posição em que estava. Megan estava fraca demais para se submeter a isso. Teria que ser mais prático.
Avistou no criado-mudo, ao lado da cama, um porta-retratos. Sem hesitar muito, pegou o objeto e atirou com força no chão. Megan fez uma mínima contração no braço, se assustando com o barulho.
- Calma, foi de propósito, não há com o que se preocupar...
Harry saiu da cama logo em seguida pra ver se tinha conseguido o que queria. No chão, o porta-retratos estava com o vidro estilhaçado. Com cuidado, Harry pegou um pedaço particularmente pontudo do vidro e voltou pra cima da cama.
- Desculpa, Megan... Vai ser preciso... Não te assusta...
Com o pedaço de vidro, ele começou a rasgar a tira que unia as duas partes do sutiã, a parte que estava justamente em cima do local que ele precisava: o centro do peito de Megan.
Ele conseguiu rasgar o tecido sem muito esforço, mas esperou alguns instantes antes de expor Megan. Harry viu ela morder suavemente o lábio inferior, com a respiração um pouco alterada. Ela estava apreensiva.
- ...Não vou olhar. – Harry disse baixo. - Explico tudo pra você, depois. Só fique calma. Não sei exatamente o que vai acontecer, mas preciso encostar em você de um jeito meio diferente. Ta bem...?
Megan não demonstrou nenhuma reação aparente. Harry não podia perder mais tempo. Largou o pedaço de vidro sobre a cômoda se voltou para ela. Respirou fundo e, como havia feito com a blusa desabotoada, abriu o sutiã.
“Eu disse que não ia olhar... eu disse...” Mas... ele não conseguiu cumprir. Deixou que seus olhos se satisfizessem com a visão de Megan abaixo dele, exposta, vendada, com a respiração oscilante. Naquele instante, o “profissionalismo” estava perigosamente fugindo de seus pensamentos.
Mas ele fez o que tinha que fazer. Com cuidado, Harry deitou sobre Megan. Seu rosto esteve muito próximo do dela, mas ele virou, encostando apenas a lateral de sua face ao lado do rosto dela. Ele não fazia idéia do que tinha que acontecer agora.
- Fica tranqüila, ta...? Já vai passar...
Ele falava baixo, ao pé do ouvido dela, acariciando levemente seus cabelos. Megan estava gelada. A diferença de temperatura entre os corpos deles era muito grande. Harry sentiu um arrepio, percebendo o frio de Megan roubar seu calor, mas ainda assim... Nada realmente tinha acontecido. Será que era só levantar e ir embora agora?
- Vai ficar tudo bem...
Harry estava começando a ficar preocupado com aquilo quando Megan se mexeu. As mãos dela começaram a tremer, ela virou o rosto, franzindo as sobrancelhas.
- Megan, que foi? O que você ta sentindo?!
Megan não disse nada, só tremia cada vez mais, respirando com dificuldade. Harry pensou muito rápido se deveria sair dali e chamar alguém, mas não teve tempo de avaliar a idéia. Começou a sentir algo dentro do peito, como se fosse algo sólido, muito quente, crescendo de tamanho. Ele próprio começou a tremer, seus músculos se contraíam sem que ele pudesse controlar. Quando ele achou que não ia mais agüentar a pressão daquilo dentro dele, sentiu sua pele romper.
- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!
A casa inteira pôde ouvir seu grito. Foi como se uma espada em brasas tivesse atravessado seu peito. Megan reagiu da mesma forma, em silêncio. E, a partir disso, seus pensamentos não eram mais claros...
Era a luz das velas se fundindo em pele e a respiração ecoando no silêncio. E de repente pernas, braços e... beijos. Ele não sabia o que estava fazendo, mas estava. E pior, estava gostando. Dentre as imagens difusas que apareciam em sua cabeça, ele via as próprias mãos alisarem o corpo de Megan, algo incontrolável, uma sede física insaciável, construindo-se em imagens fundidas diante de seus olhos.
Viu-se segurar os cabelos de Megan com força. Tinha impressão de que ela já estava sem roupa alguma. Não conseguia parar aquilo, não sabia o que estava acontecendo. Não conseguia pensar. Por uma fração de segundo viu Megan tentar empurrá-lo, seu rosto se esquivando das investidas dele. Mas foi muito rápido, no instante seguinte ele já não via mais nada, mas sentia o contato com Megan ao longo de todo corpo.
Num obtuso surto de consciência ele tentou controlar aquilo. Concentrou-se ao seu máximo, lembrando-se do que fez para resistir à maldição Imperius. Pele, gosto, cheiro, toque... E o pensamento de que aquilo precisava parar... E Megan, fraca... E o desejo insaciável de continuar... E a culpa... E confusão... E precisa parar... precisa parar... PRECISA PARAR!
Harry retomou a consciência, se afastando dela com tanta força que caiu no chão, ao lado da cama. Seus sentidos haviam voltado ao normal.
Tudo estava em absoluto silêncio.
Lentamente, Harry tentou se levantar, ofegante e suado. Olhou para o próprio peito, mas não havia sangue. Sua pele não tinha rompido realmente. “Será que eu imaginei tudo?” ele pensava, confuso. Mas, quando olhou sobre a cama, teve certeza que não tinha sido imaginação.
Megan estava tremendo. Seus cabelos estavam desalinhados. As calças que ela vestia antes, estavam atiradas ao pé da cama. Estava praticamente nua, não fosse a calcinha que ainda permanecera. Harry não conseguiu acreditar no que tinha feito. Foi então que percebeu que suas próprias calças estavam caídas nos joelhos.
Puxou-a rapidamente, sentindo-se a última das criaturas sobre a Terra. A primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi checar se Megan estava bem. Porém, mal ele se aproximou dela de novo e Megan se mexeu, tentando se afastar dele.
- Megan, espera... não sei por que eu fiz isso... eu só...
Megan não pareceu lhe escutar. Continuava nervosa, negando a aproximação dele. Harry pensou em sair do quarto, sem falar nada, para deixá-la sozinha e se livrar daquela sensação imensa de culpa, mas imaginou o que os outros diriam quando vissem Megan assim. Quando vissem o que ele fez com ela.
Não conseguiu dizer mais nada a Megan, mas não podia deixar ela daquele jeito. Rapidamente, foi abotoando a blusa dela. Havia marcas de sucção no pescoço de Megan. Arranhões em seu quadril. Mordidas. Harry não conseguia acreditar. Não recolocou as calças nela, não queria mais encostar em Megan, temendo o que ela poderia estar pensando dele. Apenas a cobriu com o lençol. juntou sua camisa do chão e saiu do quarto.
Mal fechou a porta atrás de si e ouviu uma movimentação no quarto da frente. Lupin saiu dali logo em seguida, com um grande sorriso no rosto. Pelo visto, todos estavam esperando naquele quarto.
- Então... Temos uma Letrohrian iniciada?
Harry olhou pra ele como se pudesse dizer “e o que você tem a ver com isso?!” mas se conteve.
- É, temos.
Ele foi saindo, nervoso, mas Lupin continuou falando.
- Foi agradável ao menos?
- Dói. – Harry estava com muito pouca paciência.
- Ah, entendo... Quando ouvimos o seu grito, Dumbledore disse que a iniciação era assim... Essa deve ter sido uma noite importante pra você, Harry. Imagino que você nunca tenha tido uma experiência desse tipo... estou certo?
Harry parou de caminhar e mentalmente respondeu “Quantas vezes na vida um cara inicia uma Letrohrian?!”, mas o que saiu de sua boca foi muito mais polido.
- Está certo.
Lupin sorriu ainda mais e olhou Harry de cima a baixo. Sem camisa, suado e parecendo cansado, Harry pode ter uma vaga idéia do que Lupin pensaria dele.
- ...A situação toda não é tão agradável quanto se pode imaginar...
- Não se preocupe Harry, quando se é jovem pode parecer estranho mesmo...
Harry olhou para Lupin meio intrigado. Ele falava como se ele próprio já tivesse iniciado uma Letrohrian. Mas não queria discutir isso. Estava muito perturbado pra se deter em conversas de corredor. Queria ir pro seu quarto, fechar a porta e não falar com mais ninguém sobre o que tinha feito.
- Bom, eu vou ir pro meu quarto agora... – Harry disse, já quase de costas - Avise os outros que já acabou, se quiser...
- Claro, Harry. Claro. Molly já vai se aprontar pra cuidar de Megan.
Harry foi saindo quando Lupin o chamou mais uma vez.
- Ah, Harry!
Harry virou-se.
- Estou orgulhoso de você!
Harry deu um breve sorriso forçado e foi pro quarto.
Assim que fechou a porta, sozinho, Harry tentou colocar em ordem os pensamentos em sua cabeça. Se aquela explosão em seu peito tinha sido a iniciação, que diabos foi aquilo que aconteceu depois? E sim... ele estava convencido que a explosão foi a iniciação de Megan que ele precisava fazer. “Ela deve ter sentido o mesmo”, ele pensava, lembrando-se de como ela se mexeu enquanto ele gritava.
Harry simplesmente não conseguia entender como foi que se deixou levar pelos impulsos daquela forma. Pela segunda vez na mesma noite, ele quase tinha ido aos “finalmentes” com Megan, sem fazer idéia de porque ele simplesmente não conseguia se controlar. E dessa vez, foi por muito, muito pouco. Sentia-se culpado por não ter parado antes, ele teria conseguido se realmente quisesse. Mas ele não queria. Era como beber água estando morto de sede. Não conseguiria parar de beber enquanto não estivesse satisfeito.
O que mais o preocupava é que Megan tinha tentado se defender dele. Estava com vergonha do que fez. Não saberia como falar com ela de novo depois disso. E a imagem dela sem roupa não saia de seus pensamentos...
Cansado e de mau-humor, Harry decidiu que tomaria um banho e tentaria dormir o que restava da noite. A lembrança de Megan e da amiga dela na sala de estar dos Dursley, de tarde, parecia ter acontecido há semanas atrás, quando na verdade, fazia apenas algumas horas... Ele estava exausto. O dia havia sido muito longo.
Tomou seu banho e, quando estava pronto pra se atirar na cama, Rony e Hermione entraram no quarto.
- Harry!! Acabaram de dizer que você conseguiu! E então, como foi?! Você ficou tanto tempo lá dentro... Deu tudo certo?!
Hermione sorria, esperançosa. Mas Harry não hesitou em cortar o assunto.
- Eu to cansado. Amanhã a gente conversa.
Deitou-se na cama, virou de costas pra eles e não disse mais nada. Rony e Hermione ficaram em silêncio, pelo visto, atônitos com a atitude dele. Harry ouviu a voz de Rony se afastando.
- Vamos embora, Hermione. O Mestre Letroy não quer ser incomodado.
Harry resistiu sem revidar à provocação de Rony, dando a si mesmo o direito de estar mal-humorado.
A porta se fechou e Harry se viu sozinho no quarto.
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