Oi gente!
Eu sei que demorei demais, mais uma vez! Mas esse capítulo tava complicado, como a fic tá muito lenta, eu tava querendo acelerar os acontecimentos, mas mesmo assim, eu não consegui :/
Espero que tenham paciência pra esperarem pelas grandes reviravoltas ok? Obrigada a todos que lêem e esperam as atualizações! Beijos e boa leitura!
***
Ruby observava Colbie apreensiva, aquela garota estava sob seus cuidados, nada poderia acontecer a ela, ela deveria se recuperar o quanto antes para servir ao Lorde. Colbie estava dormindo profundamente há alguns dias, sem ter sinais de pesadelos ou desconfortos durante o sono, sua respiração era calma e constante, nem parecia que havia sido marcada pelo sinal de Voldemort.
Em muitos casos, quando a pessoa recebia a Marca Negra, sofria rejeição pelo corpo. Ás vezes era por não ser má o bastante, outras pelo fato de ser uma pessoa forçada a seguir o Lorde e em último caso, a pessoa já sofrera tanto durante a vida que a Marca era só mais uma de suas provações, essas eram as respostas que Ruby tinha para as diferentes reações das pessoas ao sinal dos Comensais.
Mas ela não tinha certeza em qual delas Colbie se encaixava, chegou a conclusão de que talvez fosse o grande potencial mágico que a outra tinha, Colbie não sabia o tamanho de seu poder e o que poderia fazer com ele, Ruby temia se ela estivesse lutando pelo lado da Luz, talvez estivessem perdidos. Porém, naquele momento, Colbie parecia profunda, presa em seus sonhos, dormindo sobre os braços de Morfeu.
Ruby respirou fundo, odiava ficar sozinha com seus pensamentos, pois eles sempre a levavam a mesma pessoa. Quando estava atenta e rodeada de pessoas, conseguia dissipar e filtrar certas coisas da sua mente, mas quando estava sozinha não, quando menos esperava, já estava pensando nela novamente.
Os cabelos loiros ondulados, descendo como cascata pelas costas. Os olhos tão vivos e cheios de paixão, a boca fina e bem desenhada... Pansy Parkinson não saía de sua cabeça nem por decreto, fazia dias que não pensava nela e agora, a lembrança da loira entorpecia e doía seu coração. E por mais que Ruby tentasse se distrair com outras coisas, seu coração vencia a batalha com a mente e ela se via, de novo, presa por lembranças do passado.
Ruby sempre ouvira todos dizerem que o bom das lembranças era que a grande maioria eram felizes e acalmavam o coração, no seu caso, não era dessa forma. É claro que tivera momentos bons com Pansy, repletos de sorrisos, carinhos e principalmente, momentos repletos de amor... Mas parece que tudo havia acabado, sido apagado de sua mente no exato momento em que traíra a confiança da loira, só conseguia se lembrar da expressão confusa e raivosa de Pansy, cada vez que se recordava disso, perdia o sorriso da loira.
A morena sentiu uma lágrima escorrer timidamente por sua face, a limpou com raiva, odiava chorar, ainda mais por coisas que talvez nunca mais voltassem a serem as mesmas. Ela respirou fundo e caminhou até a janela do quarto onde estava, o tempo continuava pesado e fechado, como seu coração. Cada vez que se lembrava de Pansy, parecia que seu coração era marcado a ferro em brasa, marcado de tal forma que nunca mais seria o mesmo.
Pansy queria mudá-la e ela não fora capaz de aceitar essa mudança e mesmo amando, cedeu ao seu pior lado e sem qualquer remorso, entregou a outra para o sofrimento por diversas vezes... Mas o que poucos sabiam era que cada vez que Ruby machucava Pansy, machucava a si mesma. A morena sentia seu coração dilacerar e todo o seu sangue escorrer por ele, nem sabia se ainda tinha um coração depois de tudo que fizera.
As lágrimas continuaram a rolar, cada vez em maior quantidade e mais doloridas... Não era digna de lágrimas, pelo menos era assim que ela mesma pensava. As lágrimas rasgavam a pele de sua face como facas em brasa, tinha vergonha por chorar sendo que a causadora de todo aquele sofrimento era ela. Pansy estava agora sendo ameaçada juntamente com sua família justamente por causa de Ruby, por causa da garota que ela julgava amá-la.
Ruby ouviu barulhos atrás de si, assustou-se e saiu de seus devaneios, não queria que Colbie a visse daquela forma. A outra havia se remexido na cama, mas continuava adormecida profundamente. Ruby não queria que acontecesse com ela o mesmo que havia acontecido a si, Colbie não merecia isso, não havia pedido para ser aceita pelo mal... Ao contrário dela, ainda se lembrava de quando implorara a David para que ele a marcasse, ela não sabia que a partir daquele momento, havia entregado a sua vida e todos que amava a ele.
Ruby voltou seu olhar para a janela, a lua estava surgindo timidamente por entre a espessa camada de nuvens que a encobria... Estava tão brilhante e tão imponente que acabou recordando o tanto que Pansy gostava de observar a lua e o tempo que passavam juntas no jardim observando a lua e depois, o amanhecer... Momentos que nunca voltariam.
As lágrimas escorreram compulsivamente, Ruby não queria pensar que fizera tudo aquilo com Pansy apenas porque era seu trabalho, porque não era verdade, havia muito mais envolvido. Seu coração acabara se apaixonando e a levando a sua perdição, agora estava ali, pior do que no começo de tudo; sozinha e principalmente sem Pansy.
Colocou as mãos sobre a face e limpou as lágrimas, mas não conseguiu segurar a dor dentro de si. O sorriso de Pansy iluminou a sua mente, um breve momento de dor e desespero, a imagem que tanto amava, mas que nunca mais veria... Ajoelhou no chão e deixou as lágrimas rolarem, não adiantava segurá-las, era inevitável. A lua foi encoberta pelas nuvens novamente e a escuridão tomou o quarto, Ruby ficou ali, perdida entre lembranças que nunca mais voltariam, perdida e consumida pelo seu sofrimento e presa ao seu inferno pessoal...
***
Passaram-se alguns dias desde o início das férias de Natal, mas Pansy continuava na escola e incansável na tarefa que lhe fora dada, não iria deixar que nada acontecesse a seus pais. Iria encontrar a Tiara de Rowena Ravenclaw, depois se preocuparia em dar uma lição neles e principalmente, em Ruby.
Por mais que estivesse rodeada de livros, listas e informações, não era capaz de esquecer tão rapidamente o que a morena lhe fizera. Sempre tentava entrar o máximo possível na sua tarefa, sem deixar que nada escapasse, mas em seus momentos de fraqueza e de desatenção, a outra tomava sua mente sem pedir licença.
Não conseguia esquecer Ruby de forma alguma, o que as duas haviam vivido tinha sido intenso demais, intenso a tal ponto que Pansy saíra muito machucada de toda aquela história. Ás vezes a loira acreditava que saíra completamente sem vida de tudo aquilo, seu coração estava despedaçado, sua alma perdida em algum canto do mundo e toda a luz de seus olhos se tornara opaca, Ruby havia roubado o brilho de seus olhos, havia levado a sua vontade de viver...
O assunto das duas havia sido mal resolvido, ainda haviam muitas coisas a serem ditas e feitas. Muitas sensações haviam sido reprimidas, muitos problemas haviam sido deixados em aberto... Tudo por causa de David, desde que o rapaz entrara na vida de ambas, tudo mudara. No começo, o que sentiam uma pela outra bastava e no final de tudo, Ruby estava com ele e trabalhando para ele... Talvez não tivesse dor pior do que se ver quem amava com seu pior inimigo...
Pansy não sentiu as lágrimas virem a seus olhos, talvez não tivesse mais lágrimas para serem derramadas. Criara uma espécie de escudo contra Ruby, então nada do que ela lhe fazia a surpreendia, porque sempre havia traição envolvida. Mas não entendia então porque cedia a ela, porque acreditava que tudo o que ela lhe dizia era verdade... Deu um murro na mesa irritada, queria ser mais forte, forte o bastante para mandar Ruby a merda e viver sua vida.
Mas pensando melhor, talvez não tivesse nada a ver com força ou com resistência... Tinha a ver com aquele maldito sentimento que nunca deixara seu peito e que mesmo silenciado, a machucava e a levava a cometer loucuras em nome de Ruby. O amor era tão brutal quando calado que talvez machucasse mais do que quando posto a prova, quando se calava o amor, ele devorava por dentro, consumindo suas forças e seu coração.
Pansy sacudiu a cabeça rapidamente, não podia ficar lembrando-se de coisas que a faziam mal, de coisas que deveria esquecer para o seu próprio bem. Mas quem disse que poderia se mandar na mente quando a mesa estava compactuada com o coração? Mesmo lutando contra todas suas lembranças, Pansy não conseguiu reprimir que elas viessem à tona, passando como um filme na sua cabeça.
O perfume de rosas de Ruby envolveu sua mente embriagando-a novamente, o sorriso divertido e antes tão inocente também... A voz que soava como melodia, o toque suave e tão temeroso, mas ao mesmo tempo quente e corajoso... Ruby era os dois lados da moeda ao mesmo tempo; o inocente e o sensual, o quente e o frio, o amor e o ódio... Deveria ser por isso que ela era tão perigosa e ao mesmo tempo, tão atraente, capaz de fazer qualquer um se submeter aos seus encantos.
A loira passou a mão sobre a testa e limpou o suor frio que escorria. Então voltou os olhos para o extenso texto que estava lendo sobre a fundação de Hogwarts, seus olhos estavam pesados e sua cabeça doendo. Devido ao livro e também as lembranças que acabavam de passar por ela...
“Durante a fundação de Hogwarts, os fundadores trouxeram consigo vários de seus objetos mágicos. Alguns desapareceram, como foi o caso da Taça de Hufflepuff e o Medalhão de Slytherin, mas outros permaneceram encerrados e muito bem escondidos na própria escola, como foi o caso da Espada de Gryffindor e da Tiara de Ravenclaw.”
Pansy precisou reler o parágrafo várias vezes para que o entendesse direito, a Tiara estava em Hogwarts, como sempre estivera! A loira sorriu satisfeita consigo mesma, os meses de pesquisa haviam feito efeito, agora, seus pais estavam finalmente a salvos. Ela apanhou os livros para enviar uma coruja a David avisando de sua descoberta, mas assim que levantou-se, uma mão tocou seu ombro e disse com a voz grave:
- Você vem comigo!
- Quem é você? – Pansy perguntou curiosa, mas não amedrontada, por mais que o homem a sua frente tivesse um ar ameaçador e poderoso. O homem que a segurava era alto, muito pálido, tinha olhos extremamente pretos e cabelos da mesma cor que o tornavam mais pálido ainda, as mãos pareciam garras e ele era bastante polido, tinha um sorriso misterioso nos lábios e um tanto quanto sádico. O homem deixou a mão que estava no ombro de Pansy cair levemente, depois fez uma pequena reverência e disse galante:
- Desculpa minha falta de educação, meu nome é Raphael.
- E eu deveria te conhecer? – Pansy perguntou extremamente irritada enquanto se soltava do rapaz e mantia-se longe do toque dele, o rapaz tinha um olhar calmo e observador, estava começando a deixá-la envergonhada. Ele deu um pequeno sorriso e respondeu:
- Para uma moça extremamente bonita, você é bem brava.
- Ok, chega de conversa, me diga quem te enviou aqui! – Pansy disse ofegante enquanto sentia a pele corar furiosamente, odiava quando a elogiavam daquela forma, porque era inevitável ficar normal. Levantou a cabeça procurando encarar o rapaz, seus olhos azuis encontraram o olhar negro e curioso dele, ele abaixou a cabeça e disse lentamente:
- David me mandou vir te buscar, ele já sabe que você sabe de algo.
- Usando legilimência não é mesmo? – Pansy disse sarcástica enquanto tomava a frente e rumava para as portas da biblioteca, mas o rapaz segurou seu braço novamente e disse:
- Você irá comigo agora, sem levar nada consigo.
- Tudo bem então, vamos logo, está na hora disso acabar de uma vez... – Pansy disse soltando-se mais uma vez, o toque do rapaz era frio e causava arrepios em sua pele. Ele era bonito, mas tinha uma expressão desfigurada de frieza e raiva no rosto que o tornava uma figura quase que demoníaca. Pansy tornou a encará-lo e ele tinha um vazio nos olhos, um vazio que inundava tudo que estava próximo a ele, ele a encarou curioso e perguntou educadamente:
- Vamos?
- Ah... Claro! – Pansy disse ainda confusa, sem conseguir esquecer o que viu nos olhos dele, não só uma completa escuridão, mas também uma enorme sensação de abandono e chegou a simpatizar com ele, até que se lembrou que daquele lado, ninguém era confiável e não podia simpatizar com ninguém, não deveria cometer o mesmo erro duas vezes.
***
O dia estava terminando e Gina observava tudo da varanda da Toca, o céu estava adquirindo uma cor avermelhada e triste, mais um dia estava se acabando e outro dia sem notícias de Colbie. Fazia uma semana desde que a vira pela última vez na escola, o Natal havia passado e o ano novo estava chegando, mas nenhuma notícia dela, parecia que ela havia simplesmente sumido da face da Terra...
A ruiva abraçou suas pernas enquanto observava o sol se pôr no horizonte, uma lágrima solitária escorreu dos olhos castanhos da ruiva, ela respirou fundo e a limpou com a costa de sua mão. Sentiu um vazio dentro do peito, como se alguém tivesse tirado seu coração dali e tivesse o levado para longe de si e de fato, era isso mesmo que acontecera. Colbie levara seu coração embora a partir do momento que a deixara com Harry, ela queria entender que tudo era para lhe proteger, mas não conseguia, não era capaz de aceitar isso pela segunda vez em sua vida.
Uma brisa tocou seus ombros caídos, ela tremeu e gemeu... Estava sentindo falta do calor que Colbie tinha quando estava com ela, sentia falta do toque da morena que sempre a tranqüilizava e a fazia crer que havia um mundo melhor para as duas, sentia falta do amor que Colbie dedicava a ela...
Gina fechou os olhos e abaixou a cabeça. Estava sentindo-se tão vazia e tão fraca, toda a razão da sua força tinha sido levada embora por aquela maldita guerra, nunca acreditara que a guerra fosse capaz de causar tantos estragos, mas agora via que seus pais estavam certos, a guerra acabava com qualquer esperança e com qualquer boa sensação que tivesse.
Queria ter tido mais tempo com Colbie, tempo para mostrar a ela que não tinha que temer as Trevas... Mas a morena fora levada dela antes que ela notasse, Colbie escapou de suas mãos sem ela perceber que a estava perdendo, agora, a morena estava lutando pelo lado das Trevas, em um lado oposto ao seu... O pior era que Gina não queria se lembrar da última vez que a vira, do tom que usara, das palavras que dissera e da forma como havia agido. Estava de cabeça quente e agora, estava ali, impotente e sentindo-se culpada por tudo... Tinha sido infantil, era essa a verdade.
Mas tinha que a ver uma forma de encontrá-la, de botar um fim na sua dor de uma vez por todas... Tinha que encontrar Colbie e não importa em que estado ela estivesse, tinha que ajudá-la a voltar a ser a mesma de sempre e não importa como Colbie estava, ainda amava-a com todas as suas forças, ainda era capaz de morrer por ela. A ruiva levantou a cabeça e olhou para o céu, a procura de algo que lhe desse esperanças, mas não havia nada, já anoitecera, mas uma noite sem estrelas.
O manto negro da noite pareceu envolvê-la, a garota sentiu-se presa numa escuridão sem fim e sem nada para guiá-la. Mas não deveria ficar daquela forma, tinha que agir se queria ter Colbie de volta, talvez entrar na guerra fosse a solução, ela não queria ficar parada vendo os outros agirem. Levantou-se abruptadamente e abriu a porta da cozinha, vendo que todos estavam ali, disse:
- Quero entrar na guerra.
Todos a encaravam surpresos, deveria ser pelo fato de que ela não havia falado com ninguém nos últimos dias, nem comido e nem olhado nos olhos de ninguém. Gina andava com a aparência terrível, as olheiras fundas e escuras, pálida e cada vez mais magra. Remo passou a mão na testa parecendo ainda mais cansado e disse calmamente:
- Gina você sabe muito bem o que achamos disso...
- Então por que Harry, Rony e Hermione podem lutar e eu não? – Gina perguntou rudemente enquanto se aproximava da mesa, ainda encaravam-na como se ela fosse matar todos ali. A ruiva não queria saber se correria perigo ou não, só queria lutar por Colbie, não perdê-la tão facilmente. Remo respirou fundo, era visível que ele estava se irritando com aquela situação, Tonks pousou a mão em seu braço calmamente, levantou-se e disse:
- Venha Gina, vamos conversar ali fora.
- Não, mas... – A ruiva começara a argumentar, mas Tonks a puxou para fora da cozinha com uma força que ela desconhecia, Gina ainda conseguiu ouvir os sussurros atrás de si antes de deixar a sala. Assim que o ar da noite tocou sua face novamente, Tonks disse seriamente:
- Você tem que dar um tempo para o Remo, ele não precisa ficar agüentando essas suas alterações de humor a toda hora!
- Oras, eu só pedi para que ele me explicasse algo! – Gina exclamou na defensiva encarando Tonks, os olhos dela estavam castanhos e o cabelo preto e comprido. Dava para ver que a auror falava sério, Gina nunca a viu com aquela expressão de quem estava reprimindo alguém, Tonks sempre fora muito legal com ela. A auror não abrandou a expressão e disse:
- Algo que ele já lhe explicou mais de mil vezes! Você é nova demais Gina, além disso, sua mãe não quer que você lute pela Ordem!
- Eu não sou mais nenhuma criancinha, provei isso esse semestre lá na escola! Mesmo fora de campo, eu tava lutando pra mostrar pras pessoas que Voldemort voltou! – Gina exclamou fora de si, tinha certeza que seu grito havia sido ouvido pelas pessoas que estavam lá dentro e que também havia rendido comentários. Tonks deu um sorriso compreensivo, como se fosse acalmar a situação e depois disse séria:
- Gina, são coisas completamente diferentes... A guerra é perigosa e não tem nada a ver com o que você viu na escola, se lá você era torturada, na guerra, você será morta antes mesmo de lançar um feitiço!
- Mas eu sei me defender... – Gina disse quase num sussurro, estava vendo que perdia os argumentos aos poucos, estava vendo sua chance de rever Colbie indo para longe... Sacudiu a cabeça tentando tirar aquilo da mente, não podia desistir tão fácil, nunca desistira das coisas, então, por que desistir agora? Desistir agora era garantir-se viva, isso sim, talvez Tonks estivesse certa. Mas ao mesmo tempo seu coração doía quando pensava dessa forma, Colbie podia estar sofrendo e ela ali, sendo egoísta e querendo manter a própria vida a salvo.
- Não Gina, você não sabe defender daquilo que encontramos na guerra! - Tonks exclamou impaciente enquanto olhava Gina, a garota era nova demais para ver todos os problemas que a guerra trazia. A ruiva não merecia ser marcada com dor, sofrimento e angústia, era nova demais pra entender que a guerra não era uma brincadeira qualquer. Gina continuou encarando-a firmemente, por mais que perdesse seus argumentos aos poucos, não iria cessar a discussão tão cedo, respirou fundo e disse:
- Tonks, Voldemort me controlou por um tempo, me fez fazer coisas terríveis... Não é aceitável que eu queira lutar contra ele?
- Claro que é Gina! Todos nós aqui temos razões para entrar na guerra de alguma forma, mas você ainda é muito jovem! Bruxos das trevas não pouparão sua vida se você entrar no caminho deles... – Tonks tentou justificar já cansada, Gina era muito cabeça-dura e ela sabia disso melhor do que ninguém, mas ao mesmo tempo, a ruiva era muito corajosa e estava sempre disposta a lutar por aquilo que acreditava e naquele momento, a auror sabia que o que a ruiva mais acreditava era Colbie Summers. Gina suspirou e respondeu:
- Nem eu pouparei a vida deles Tonks! Você sabe como eu duelo bem, eu tive aulas o bastante, domino feitiços defensivos igual ou até melhor que Rony, Harry e Hermione...
- Mas Gina, eles viram coisas que você ainda viu... Sentiram na pele o que Voldemort é capaz de fazer, você não precisa se arriscar! – Tonks disse mais uma vez cansada enquanto abria os braços, Gina a encarou friamente ainda não acreditando na resposta que a outra lhe dera, a ruiva respirou fundo e perguntou:
- Então é isso que me difere deles? O fato de que eles “viram” coisas que eu não vi?
Tonks se calou diante do tom de voz de Gina, a garota a encarava friamente e ela tinha certeza de que estava num misto de mágoa e raiva. Conseguia ver dentro dela a vontade de lutar, mas aquilo não era o bastante, para se entrar na guerra tinha que ter coragem e ainda por cima, muita fé naquilo em que lutava... Porque senão, tudo se perdia na loucura. A guerra era um ambiente em que poucos conseguiam sobreviver, havia desespero, loucura, mágoa, tristeza, ódio... Se você não tivesse amor e amizade, com certeza pirava dentro da guerra e nunca mais voltava a ser o que era.
A auror confirmou com a cabeça a afirmação que a ruiva fez. Gina não sabia se ria da situação ou se ficava extremamente desapontada com Tonks, então o fato de ter Lord Voldemort preso em sua cabeça quando se tinha apenas 11 anos não contava para entrar na guerra? Seus punhos se fecharam em fúria, ela sentiu suas unhas cortando sua pele, respirou fundo tentando manter a calma e disse:
- Bem, eu não vou dizer mais nada... Se acham que eu não posso entrar na guerra, então é hora de trabalhar por conta própria!
- Na boa Gina, está na hora de você amadurecer... Isso que estamos vivendo não é uma brincadeira! Não são só nossas vidas que estão em jogo! – Tonks disse perdendo a paciência e dando as costas à garota, as lágrimas começaram a correr pela face de Gina antes mesmo que ela pudesse reprimi-las. Realmente não era a sua vida que estava em jogo, mas sim a vida daquela que amava, daquela que a fazia sentir-se feliz apenas com um olhar... A ruiva limpou as lágrimas e calou-se, só o som do vento podia ser ouvido.
Gina não importava com si naquela guerra, se tivesse que morrer para ver Colbie livre de tudo aquilo que odiava e lhe fora destinado, morreria por ela com toda certeza. Não conseguia imaginar-se sem a morena, parecia que Colbie havia levado um pedaço de si quando partira, a morena havia levado seu coração e Gina estava disposta a pegá-lo de volta. A ruiva respirou fundo e disse:
- É mesmo Tonks, não é só minha vida que está em jogo e este é o verdadeiro motivo que me faz querer entrar na guerra!
- Como assim Gina? – Tonks perguntou confusa enquanto observava a garota fitar os pés, depois Gina levantou os olhos e estes se perderam nos últimos sinais de luz que podiam ser vistos no horizonte... A garota estava perdida, vagando em pensamentos que eram tranqüilidade e sofrimento ao mesmo tempo, as lembranças que tinha com Colbie lhe traziam saudade e ao mesmo tempo dor, tudo tão contraditório como as próprias atitudes da sonserina.
Gina sentiu as lágrimas vencerem-na pouco a pouco, não queria que ninguém a visse chorar de forma alguma... Ela entrou na casa subitamente sem dar uma palavra a Tonks, a auror ouviu um suspiro e uma lágrima tocar o chão antes da ruivinha entrar. Gina trombou com Harry no portal, mas nem levantou os olhos, continuou a caminhar decidida e só tranqüilizou-se quando se trancou no quarto... Enterrou a cabeça no travesseiro e deixou as lágrimas rolarem, não poderia segurá-las, elas pareciam queimar tudo de si por dentro.
No andar de baixo, Harry suspirou e colocou as mãos dentro dos bolsos. Acabara de perceber que Gina estava chorando, doía vê-la daquela forma, perdendo a energia que carregava dentro de si aos poucos... Mas doía ainda mais saber o porquê da tristeza dela, Harry sentiu seu coração doer e reclamar, mas ele não ia deixar as coisas correrem daquela forma, amava Gina e lutaria por ela até o fim.
***
Já era alta madrugada quando Ruby foi acordada pela respiração rápida e dificultosa de Colbie, a garota estava sofrendo a Marca... Estava ardendo em febre e suava frio por todos os poros de seu corpo; ela estava começando a tremer e seu rosto trazia uma expressão de dor. Ruby não soube bem ao certo o que fazer, foi até o banheiro, pegou uma toalha e conjurou uma bacia de água fria; molhou-a e começou a secar a testa da garota... Mas parecia não causar efeito algum.
Colbie continuou a contorcer-se pela cama, suas mãos apertavam os lençóis fortemente, parecia que ela estava tendo um sono angustiante e Ruby sabia que não deveria acordá-la, a outra deveria levantar-se sozinha da cama. Mas não conseguiu ficar parada, já vira aquela cena antes com Pansy e arrependia-se até hoje, vira quem amava sofrer sem fazer nada e não deixaria o mesmo ocorrer com Colbie.
Ruby saiu do quarto apressada tomando cuidado para trancar a porta atrás de si, por mais que soubesse que se alguém quisesse entrar a força ali, usaria magia, ela não deixou de fazer, sentia-se mais segura em deixar Colbie naquele quarto trancado. Então colocou-se a caminhar rapidamente pelos corredores limpos e brancos da casa, estava muito escuro, mas ela conseguia encontrar seu caminho na escuridão, um ano vivido naquela casa fizera com que ela conhecesse melhor do que a sua própria morada.
O vento soprava frio e úmido pelas janelas abertas, a noite estava nublada e coberta por uma espessa névoa, Ruby abraçou os próprios ombros e tentou esquecer o que estava passando por sua cabeça. Ainda não conseguia entender o que seu coração estava fazendo no momento, não conseguia esquecer Pansy, mas Colbie era do tipo que não saía de sua mente de forma alguma... Cada vez mais Colbie dominava seus pensamentos e Ruby também notava que sua preocupação com ela crescia cada vez mais, talvez fosse apenas uma amizade muito forte.
Ruby balançou a cabeça, não precisava ter mais pensamentos confusos e sem resposta a assombrando. Tinha que se manter centrada na tarefa que lhe fora dada, não ia errar, aliás, nunca errava. Perdida em pensamentos, notou que já tinha chegado ao seu destino, entrou na sala escura e murmurou:
- Lumus!
Logo a ponta de sua varinha se acendeu e a garota adentrou na imensidão de prateleiras que ali se encontravam, estava em um acervo de poções da Família Malfoy. A mansão também pertencia a eles, porém, Lúcio e Narcissa Malfoy agora eram motivo de vergonha para o Lorde e nada podiam fazer a não ser oferecer a própria casa para refúgio de Voldemort e seus seguidores, estavam amedrontados com isso, começavam a entender que talvez estivessem escolhido o lado errado...
Ruby ignorou os venenos e as poções de esquecimento que estavam perfeitamente empilhadas em uma das prateleiras e concentrou-se em encontrar as poções calmantes. Foi então que ouviu um barulho de porta se abrindo atrás de si, a morena virou-se rapidamente e ouviu uma voz seca e arrastada dizer vitoriosa:
- Ora ora ora... David irá odiar saber sobre isso!
Do outro lado da mesma mansão, dois jovens adentravam pela porta da frente. Raphael e Pansy haviam chegado à mansão dos Malfoy após uma viagem particularmente longa, foram recebidos por Spike Cervantes, o comensal cheio de cicatrizes disse com uma voz áspera e irônica:
- Olha só quem está por aqui... Sentiu falta da sua amiguinha traíra?
- Ora seu... Não me faça usar a força com você! – Pansy disse raivosa enquanto postava-se frente ao homem, sua mão deslizara rapidamente para dentro da capa e estava fechada sobre sua varinha, pronta para o ataque. Raphael adiantou-se sorrindo, com aquele mesmo sorriso sádico e disse educadamente:
- Cervantes, deixe Pansy em paz ok? Não quero ser obrigado a limpar a sujeira após te explodir em mil pedacinhos!
Spike desviou o olhar de Pansy para Raphael com um ar de vingança, o contraste entre eles era evidente. Raphael tão polido em seu terno preto sob medida com a camisa e a gravata da mesma cor e Spike tão selvagem com seu longo sobretudo caindo pesadamente sobre sua camisa e calça encardidas. Pansy observava a cena com interesse, havia uma forte tensão ali entre os dois, Spike parecia ser capaz de matar Raphael apenas com os dentes.
- Calma senhores, acho que não é necessário toda essa confusão! Estamos aqui pelo mesmo motivo não é? – Uma voz masculina soou melodiosa e educada além do normal para os três, David Colemann descia as escadas com um sorriso triunfante nos lábios. Cumprimentou os três com um gesto de cabeça, os dois homens retribuíram, já Pansy, encarou os próprios pés, preferindo não olhar novamente para o homem que lhe causava tanto sofrimento. David deu uma risadinha e disse:
- Não vai me cumprimentar Parkinson?
- Ah, eu não falo com animais David! – Pansy respondeu com a voz repleta de escárnio, deixando um sorriso irônico nos lábios. Os olhos de David irradiaram fúria e desprezo para a garota, seus punhos estavam tremendo e seus lábios crispados. Pansy não pode deixar de conter a satisfação que correu pelo seu corpo quando viu o rapaz segurando-se para não causar nada a ela, sabia que encrencar com David significava perigo, mas não podia deixar de fazer algo que lhe dava tanto prazer. A garota ficou surpresa quando ouviu um risinho baixo ao seu lado, Raphael estava se segurando para não gargalhar.
- Animal não é mesmo? Acho bom segurar essa sua língua Parkinson, seus pais não gostariam nada de uma visita minha... – David se recompôs e disse com a voz ameaçadora, em seus olhos Pansy conseguiu ver que aquela fala não se tratava de uma ameaça sem menor sentido, era uma afirmação. A loira sentiu suas mãos tremerem e o suor escorrer frio por sua espinha, seus pais não podiam sofrer as conseqüências pelos seus erros do passado, Raphael voltou a aprumar-se de seu lado com a expressão séria e intimidadora, enquanto Spike e David abriam sorrisos de satisfação. Pansy respirou fundo e murmurou:
- Não ouse tocar em um fio de cabelo dos meus pais, pois se você fizer isso... Eu vou te perseguir até o inferno!
- Ui... Parece que a mocinha resolveu ficar brava! – Spike disse maldosamente enquanto abria um sorriso ainda maior, cheio de dentes amarelos. Pansy apertou o punho da varinha, mas não o sacou, sabia que morreria se fizesse aquilo. Raphael percebeu a atmosfera que se formava entre os quatro e disse educadamente:
- Não viemos aqui para brincadeiras infantis não é mesmo? Vamos aos negócios!
Dizendo isso, ele recebeu um sorriso caloroso de David. O rapaz fez sinal para que eles subissem as escadas forradas de carpete vermelho, Raphael segurou o cotovelo de Pansy e fez um sinal para que a mesma se mantivesse calma, a loira apenas manteve o olhar firme, sentindo-se subitamente melhor com a mão fria do rapaz tocando sua pele.
- Malfoy, eu tenho que encontrar uma coisa aqui urgente... Então não me faça perder tempo com você, tudo bem? – Ruby disse rudemente enquanto continuava a procurar nas prateleiras a poção calmante, estava temendo por Colbie, a garota estava lá, sozinha naquele quarto escuro suando frio e com febre alta. Draco cruzou os braços e encostou-se na parede, depois disse irônico:
- Ela não vale tudo que você está fazendo por ela!
- Quando eu disse que não ia perder meu tempo com você, isso incluía não responder as suas afirmações inúteis também ok? – Ruby disse distraída enquanto continuava a procurar, já não estava na melhor de suas madrugadas e ainda tinha que agüentar Malfoy e sua inveja por Colbie. Malfoy deu uma gargalhada e respondeu:
- Ninguém sabe o que ela vai fazer quando acordar Ruby... Ninguém confia nela o bastante! Ela pode ser muito bem a nossa salvação como também a nossa perdição, não vale a pena ficar cuidando dela... A não ser que...
Ruby esperou o rapaz concluir a frase, mas ele não a fez. Em vez disso ficou em silêncio e depois soltou uma gargalhada ao ver que conseguira chamar sua atenção, a garota parou de mexer nas estantes e virou para encará-lo no escuro. Sua expressão estava ameaçadora devido a falta de luz, ela respirou fundo e perguntou friamente:
- O que você quer dizer com isso?
- Ah, fico feliz que você tenha começado a prestar atenção em mim! – Draco disse vitorioso com um sorriso sarcástico nos lábios, Ruby sentiu a raiva tomar conta de seu corpo, começar na ponta de seus dedos e ir até seu pé. Sua varinha tremeu em sua mão e o rapaz notou isso, subitamente os olhos de Draco tornaram-se amedrontados, a garota respirou fundo e disse:
- Fale logo Malfoy, não me obrigue a usar a Cruciatus em você!
- Tudo bem, sem violência Valentine... Só estava dizendo que ela não vale todo sacrifício porque ela é uma incógnita para todos nós, a não ser que você esteja envolvida sentimentalmente de novo não é mesmo? – Draco disse com a voz arrastada e sarcástica enquanto observava a reação de Ruby. A garota encarou-o com nojo e repulsa, depois sacou a varinha e apontou para o pescoço dele, em seguida disse ameaçadora:
- Não venha falar de sentimentos com que nem tem um coração Malfoy!
A varinha de Ruby deslizou devagar pelo pescoço pálido do rapaz, traçando um corte fino na pele branca, o sangue começou a escorrer rapidamente e Draco estava suando frio. A atmosfera ali era pesada, os olhos de Ruby estavam frios e vazios, ela estava pronta para machucar o loiro e até mesmo para matá-lo. Ele não sabia da verdade dos fatos, não sabia o tanto que ela sofrera e ainda sofria por Pansy e também não tinha idéia do que era amar sem limites, mas ter que guardar aquele maldito sentimento dentro do peito enquanto ele devorava seu coração e sua sanidade pouco a pouco.
Não mesmo, Draco era um rapaz mimado que nunca amara e nunca precisara sofrer por algo que lhe fosse especial. A raiva tomou mais conta de Ruby e a varinha escorregou mais um pouco pelo pescoço dele, aumentando o corte em milímetros... As imagens de seu romance com Pansy estavam tornando-se difusas para ela, fazia algum tempo que não se recordava delas, mas agora... Parecia que estavam enterradas no fundo de sua mente, sem possibilidade para uma volta, um filete de lágrima escorreu pela face fria da garota.
Draco resmungou de dor e aquele som pareceu acordar Ruby de seu momento de loucura e recordação, ela soltou o rapaz e continuou a sua tarefa em silêncio, como se nada tivesse acontecido. Draco arrumou a camisa e tentou estancar o sangue do ferimento, sem sucesso. Em seguida, ouviram passos no corredor e vozes, parecia que havia gente nova na casa.
- Eu fiz o que você queria David, agora deixe-me ir! – Uma voz conhecida chegou aos ouvidos de Ruby, aquela voz era de Pansy! O timbre daquele som pareceu retirá-la das profundezas em que se encontrava, seu coração acelerou e sua respiração tornou-se rápida e ofegante, a garota saiu porta a fora e caminhou na direção de onde vinha o som. Por mais que a voz parecesse desesperada e desamparada, Ruby a reconheceria no meio de muitos sons ou até mesmo quando estivesse morta porque aquela voz era a mesma que murmurava “eu te amo” em seus ouvidos na escuridão do dormitório sonserino.
Enquanto caminhava rapidamente, Ruby ouviu passos atrás de si. Draco vinha caminhando curioso e com a mão no pescoço, segurava um lenço agora para que o sangue não escorresse, Ruby não lhe deu atenção, estava concentrando-se apenas na voz que soava como melodia a seus ouvidos. Parou em frente a uma porta que logo reconheceu sendo a porta do escritório de David, tremeu diante dessa contestação, deu três batidas educadas na porta. As vozes que estavam lá dentro se calaram, bateu novamente e David abriu a porta apenas um pouco, assim que viu quem era, perguntou estressado:
- O que você está fazendo aqui garota?
- Vim lhe perguntar se posso dar uma poção calmante para Colbie, ela tá muito mal... – Ruby mentiu calmamente enquanto tentava observar o que se passava dentro da sala, mal conseguiu ver Pansy e muito menos os outros presentes, David estava tomando cuidado para que ela não visse mesmo. Draco pigarreou atrás de Ruby e logo a atenção de David fora desviada para ele, o rapaz disse:
- Ela vai dar a poção de qualquer jeito mesmo, estava fazendo isso escondido do senhor...
- Ora, se já começou, então termine não é Valentine! Agora me poupe, tenho mais o que fazer! – David disse mal humorado enquanto tornava a entrar na sala e batia a porta na cara de Ruby, a garota virou-se para Draco com uma expressão furiosa e disse:
- Mais uma que você apronta e não vai ser um corte, mas sim...O seu pescoço que vai ser arrancado fora!
Dizendo isso, ela ajeitou a capa negra em volta dos ombros e caminhou pela escuridão... Draco apenas tremeu diante das palavras da morena.
***
Pansy entrou na sala com os três homens, senão fosse pela presença de Raphael, não se sentiria tão segura assim. Sentou-se em uma cadeira e esperou que David se pronunciasse, o rapaz sentou-se na cadeira e sorriu, mas logo batidas foram ouvidas da porta e ele caminhou rapidamente até ela, ligeiramente irritado. Ele abriu apenas uma parte da porta e Pansy esticou-se para ver de quem se tratava, não conseguiu ver nada e então desistiu, até que a voz ouvida lhe fez ter calafrios...
Aquela mesma voz que podia ser tão doce e tão amarga, a voz que por muitas vezes murmurava palavras de amor e paixão em seu ouvido na escuridão das masmorras sonserinas... Aquela voz fez seu coração acelerar e seu sangue pulsar em seu cérebro, era a voz de Ruby, reconheceria aquela voz mesmo que estivesse inconsciente, aquela voz a faria renascer... Mas não naquele momento, agora, aquela voz era sinônimo de sofrimento...
David foi curto e grosso com Ruby, logo estava de volta à sala e encarando todos com a expressão mais carismática possível, o que para Pansy pareceu mais como uma careta. Estava tentando evitar, mas ouvir a voz de Ruby depois de tudo havia lhe causado um turbilhão de emoções impossível de disfarçar. David deu uma gargalhada fria e disse:
- Respire fundo Parkinson, pode morrer se ficar sem ar!
- Eu não sou burra Colemann, como se eu não soubesse disso não é? – Pansy respondeu sarcástica encarando o rapaz com desafio, David retribuiu o olhar com uma fúria mortal, parecia que ele não gostava de que Colbie, Ruby ou Pansy o afrontasse abertamente. Ele continuou encarando a garota, tinha raiva dela, ela tinha tudo e ao mesmo tempo, não soubera aproveitar nada.
- Ok, chega de criancices David... Você me mandou trazê-la aqui e eu fiz isso, agora me diga, o que quer com ela? – A voz tranqüila e impassível de Raphael soou novamente no aposento, tentando acalmar os ânimos. David desviou o olhar da garota e disse:
- Nada do que você deva saber Raphael... Exijo que saia dessa sala, o que trataremos aqui é extremamente confidencial!
- Mas... Eu não costumo fazer serviços em que eu não saiba o real motivo! – Raphael protestou indignado com seus olhos flamejantes de fúria e desprezo, Pansy impressionou-se com a reação do rapaz tão súbita e inesperada, Spike ria ao seu lado. David deu um aceno com a cabeça e disse rispidamente:
- As coisas mudaram Raphael... Spike lhe mostrará a saída e não ouse colocar um feitiço de escuta na porta, não quero ser obrigado a te matar, pelo menos, não hoje.
Terminando essas palavras, ele deu um sorriso maldoso que fez seus dentes extremamente brancos brilharem, Pansy sentiu um arrepio percorrer a sua espinha, não queria ficar sozinha na mesma sala que os dois comensais que mais temia. Raphael lançou um olhar frio a Pansy e saiu da sala acompanhado por Spike, assim que ele voltou, David lançou um olhar intimidador e disse:
- Vamos, desembuche o que você descobriu!
- Se você pedir com educação, quem sabe eu lhe conte! – Pansy disse desafiadora com um sorriso irônico brincando em seus lábios, David respirou fundo e murmurou furiosamente:
- Não me faça sujar as minhas mãos com você novamente Parkinson!
- Não vai conseguir nada me ameaçando dessa forma! – Pansy disse com o mesmo sorriso, seu tom de voz irritou David, ele fez um sinal e logo a varinha de Spike estava apertada fortemente contra seu pescoço. Pansy engoliu em seco, mas não deixaria que aquilo a amedrontasse, talvez fosse melhor morrer mesmo... Spike deu uma risadinha maldosa e seu mau hálito tomou conta do ar, Pansy ficou nauseada e David disse:
- Tudo bem Spike, solte-a... Parkinson, quer fazer o favor de nos contar o que descobriu?
- Agora sim, mas mande esse cão sarnento sair do meu lado, por favor. – Pansy disse com repulsão enquanto Spike a xingava e saía de perto, indo para as sombras atrás da cadeira de David. Um silêncio denso tomou conta do local até que Pansy respirou fundo e disse:
- A Tiara de Ravenclaw continua na escola, como sempre esteve, desde a sua fundação.
Pansy encarou David a espera de uma reação do rapaz, mas ele apenas ficou em silêncio, juntou a ponta dos dedos e passou a pensar de olhos fechados. Depois ele fez um sinal para que Spike a levasse, o comensal se aproximou rudemente e segurou-a pelo braço com força, Pansy estava grata por sair da sala, mas quando sua mão tocou a maçaneta, a voz de David soou fria e sombria:
- Isso não pode ser possível... Deixe-a trancada em um quarto com comensais na porta, se você estiver errada Pansy, pode ter certeza que não vou ser piedoso!
Assim que Pansy foi retirada do aposento, a cabeça de David pôs-se a trabalhar rapidamente... Teria que achar alguma forma de encontrar aquela Tiara e destruí-la, não poderia deixar que as coisas corressem pelo rumo que corriam naquele momento, teria que fazer algo e incriminar alguém e a chegada de Colbie Summers começava a tornar as coisas muito mais fáceis, um novo sorrido maldoso brotou nos seus lábios, juntaria o útil ao agradável...
***
Ruby voltou ao quarto onde Colbie estava, extremamente perturbada, Pansy estava correndo perigo e a culpa de tudo aquilo era mais uma vez sua. A morena entrou no quarto abalada e tentou concentrar-se na tarefa que lhe havia sido dada, caminhou até a cama de Colbie, mas não encontrou-a lá e então ouviu barulho de água caindo vindo direto do banheiro.
A porta estava entreaberta e saía vapor de lá, Ruby aproximou-se calmamente, temia qualquer reação de Colbie após a Marca. Encostou-se na porta no exato instante em que o barulho da água havia cessado, Colbie estava enrolada numa toalha com os cabelos molhados caindo pelos ombros. Ruby tentava negar, mas era uma visão estranha e quase sobrenatural... Colbie levantou a cabeça assim que viu que tinha mais alguém no banheiro, deu um sorriso frio quando constatou quem era. Observou Ruby, ela parecia impressionada com os olhos arregalados e observadores, Colbie continuou e encará-la e depois perguntou irônica:
- Viu um fantasma Valentine?
- Eu só achava que você não fosse capaz de se levantar sozinha depois das centenas de pesadelos que você teve... – Ruby disse na defensiva enquanto acompanhava a garota sair do banheiro e caminhar na direção do guarda roupa. Enquanto caminhava observava o quarto, já era quase de manhã e as luzes da aurora preenchiam o ambiente com um brilho fracamente amarelado. As paredes belamente decoradas com carpete não lhe eram familiares, mas pareciam pertencer a uma família bem rica e de alto escalão.
Foi até o guarda roupa e apanhou algumas coisas, depois voltou ao banheiro, dessa vez sem Ruby e saiu de lá totalmente vestida. A outra a encarava com os braços cruzados e um olhar indagador, depois perguntou curiosa:
- Você não está sentindo nada?
- Não mesmo... Só estou com um pouco de dor de cabeça, mas nada de mais, me sinto perfeitamente bem. – Colbie disse com a voz fria enquanto arrumava a bagunça do quarto, Ruby segurou seu braço e fez com que a encarasse, coisa que estava tentando evitar. Seus olhos encontraram os dela e a outra fez uma cara triste e disse:
- Infelizmente a Marca tirou o que havia de mais belo em você.
- Hã? Como assim? – Colbie perguntou sem entender enquanto observava a garota largar seu rosto e ir até a porta. Ruby respirou fundo e esforçou-se para dar um sorriso triste, depois disse:
- Tirou o brilho dos seus olhos.
- Esperava o que? Que eu continuasse aquela menina sonhadora? Acho que não Ruby, já passou da hora de crescer e encarar a guerra com os olhos da realidade... – Colbie disse rudemente enquanto aproximava o rosto de Ruby, a outra a estudou por vários momentos, percorrendo cada pedaço de seu rosto com os olhos. Ruby passou o dedo indicador levemente pelos lábios de Colbie e a outra segurou seu pulso firmemente, Ruby deu um sorrisinho sensual, saiu do aperto de Colbie e disse:
- David quer vê-la nesse exato momento, melhor se apressar!
Colbie ficou parada estática no mesmo lugar em que Ruby a deixara, agora sim estava verdadeiramente confusa. O que fora aquilo que acabara de acontecer? Não podia se envolver novamente e não tão rápido, precisava se recuperar de Gina... Gina, seu coração ainda doía quando pensava na ruivinha e no sorriso dela, sentiu seu coração sangrar dentro do seu peito, como se pedisse para que ela parasse de pensar naquilo que lhe fazia tão mal...
As lágrimas rolaram timidamente pela face da fria sonserina, ela as limpou com as costas da mão e permaneceu com a expressão fechada e os olhos vazios, tinha que superar aquilo o quanto antes, aquele não era mais o seu mundo. Seu mundo agora se resumia a devoção cega a Lorde Voldemort e a Marca agora, cravada em sua pele, era sinal que deveria esquecer tudo que havia vivenciado com Gina, mas era tão fácil dizer isso a si mesma, difícil era fazer seu coração entender aquela necessidade.
Levantou a manga da blusa um pouco para ver a marca em sua pele, estava impressa em preto, como uma tatuagem e parecia inofensiva até, mas Colbie sabia que não era dessa forma, a qualquer momento aquela marca iria arder e ela teria que encontrar aquele que tanto odiava... Colbie tentou não pensar naquele momento, respirou fundo e pegou a capa negra, logo Ruby voltou e as duas foram encontrar David.
- Até que enfim a senhorita adormecida acordou! – David exclamou todo sorridente quando Colbie entrou em sua sala acompanhada de Ruby, Spike também estava presente e trazia um certo rancor na expressão, a cicatriz remanescente do último combate com Colbie estava vermelha sob sua pele. Colbie lançou um olhar frio a ele e disse irônica:
- Daqui uns dias você precisará remendar a pele de seu rosto Cervantes!
Spike avançou em direção a Colbie, mas foi detido por David que tomou a frente de Colbie e mandou-o retirar-se da sala. Spike saiu batendo os pés e extremamente irritadiço, Colbie deu mais um sorrisinho a ele antes do comensal quase arrebentar a porta com sua força.
- Então, como você está? – A voz de David soou distante enquanto Colbie observava a sala em que se encontrava, era vagamente familiar, mas não sabia da onde a conhecia. A garota suspirou e perguntou:
- Onde estou?
- Eu perguntei como você estava Colbie, faça-me o favor de responder o que te pergunto! – David disse apertando o punho contra a mesa, já estava se irritando mais uma vez. Colbie desviou o olhar da sala e o lançou ao rapaz, David parecia ter sido atingindo por uma estaca de gelo, sua expressão tornou-se amedrontada. Colbie respondeu friamente:
- Eu estou muito bem, obrigada... Satisfeito agora?
- Ótimo, o Lorde adorará saber disso! – David disse eufórico enquanto se levantava e ia servir algo de uma garrafa vermelha, ele ofereceu as garotas que negaram prontamente. O rapaz tomou um gole de sua bebida e disse:
- Mas antes Colbie, quero que você faça uma pequena tarefa para mim.
- Eu não obedeço ordem alguma sua, só obedeço ao Lorde das Trevas. – Colbie disse sarcástica enquanto se levantava da cadeira e fazia menção de sair. A varinha de David ergueu-se no ar, mas ele não conseguiu executar nenhum movimento, nesse instante, as portas da sala abriram-se lentamente e uma voz fria ecoou pela sala:
- Ora, ora, ora... Isso é como música aos meus ouvidos, seja bem vinda minha cara Colbie!
Colbie virou-se ansiosa, por mais que soubesse quem e o que encontraria. Seus olhos verdes encontraram os olhos vermelhos, a face pálida, o nariz em fenda e a velha cobra fiel ao lado... Lorde Voldemort estava parado ali, em carne e osso, sorrindo satisfeito para ela.
***
Gina acordou sentindo as primeiras luzes da manhã tocarem-lhe o rosto timidamente, o sol nascia por entre as montanhas e a ruiva não tinha menor vontade de levantar-se. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, mas as lágrimas haviam secado, parecia que não tinha mais o que chorar... Estava mais calma agora, mas parecia que tudo por dentro havia sido destruído. Sentia que cada parte de si morria enquanto ficava sem saber o que acontecia com Colbie naquele momento.
A ruiva levantou-se contra a sua vontade, escovou os dentes e foi até a cozinha em busca de água, precisava respirar um pouco, ficar fora do quarto que fora testemunha de seu sofrimento e de suas lágrimas. Desceu as escadas devagar enquanto divagava entre suas lembranças, parecia ter se passado muitos anos desde a última vez que seus lábios tocaram os lábios de Colbie pela última vez e um tempo maior ainda parecia ter se passado desde que haviam ficado juntas... Gina não conseguia lutar contra isso, seu coração doía, mas ao mesmo tempo parecia tranqüilizar-se com aquelas lembranças.
A ruiva chegou à cozinha cambaleando e nem se deu conta de que havia mais alguém junto com ela ali, assustou-se quando a voz controlada de Harry preencheu o ambiente:
- Bom dia Gina!
- Ah, olá Harry... – Gina disse desanimada enquanto ia até a pia e servia-se de um copo d’água. Harry encostou-se na mesa e passou a observar Gina tristemente, a ruiva parecia ter perdido todo o brilho que tinha, os olhos estavam opacos e sem brilho e o corpo dela parecia cada vez mais debilitado. O rapaz aproximou-se dela timidamente e tocou o pulso, Gina o encarou atônita e perguntou:
- O que há com você Harry?
- Isso que eu me pergunto todas as manhãs Gina, me pergunto o que há de errado com você! Desde que eu cheguei, você tem agido como se eu não existisse, como se eu não importasse nada para você! – Harry disse tentando controlar a voz, mas não pode deixar de se notar um pequeno tom de desespero na voz do rapaz. Gina largou o copo na pia e o encarou, aqueles olhos verdes não eram os olhos de Colbie apesar da semelhança, mas mesmo assim fizeram com que ela se lembrasse de tudo que mais lhe doía... Desviou o olhar rapidamente para seus pés e disse cansada:
- Você realmente achou que eu fosse te receber sorrindo Harry? Olha só o que você me fez! Você me deixou aqui, sem notícias e morrendo de preocupação!
- Mas eu voltei não é mesmo? Voltei pra passar as férias com você, eu voltei por você Gina! – Harry disse exasperado levantando a face da ruiva delicadamente e fazendo com que ela a encarasse, aquela não era a “sua” Gina, era uma desconhecida pra ele e o rapaz lutava para entendê-la, por mais que já soubesse o motivo da mudança... Gina encarou o rapaz sentindo seu coração acelerar aos poucos, não deu atenção e disse irônica:
- Voltou? Mas só Merlin sabe até quando você fica, ou até quando você resiste aos encantos da Granger não é mesmo?
- Gina, estávamos indo tão bem... Precisa mesmo usar dessa sua ironia sonserina agora? – Harry disse mal humorado enquanto encostava-se na pia e cruzava os braços, Gina calou-se e ficou observando o sol nascer pela janela, lembrando-se das vezes em que vira essa mesma cena nos braços de Colbie. O silêncio pesou no local e Harry não sabia o que fazer, amava aquela ruiva mais do que tudo na sua vida e não queria de forma alguma perdê-la outra vez, ele suspirou e disse:
- Ok, me desculpe... Mas você me irrita falando dessa forma, desde que se envolveu com a Summers, você tem mudado de hora em hora.
- Não meta Colbie no assunto, ela não tem nada a ver com o que você fez Harry! Aja como um grifinório e não jogue a culpa de seus erros nela! – Gina defendeu séria enquanto virava-se para encarar Harry com um olhar duro, o rapaz estremeceu diante da fala da garota e contra atacou indignado:
- Lógico que ela tem a ver com o que se passa aqui, ela te mudou! Gina, você não é mais a mesma, você não é a MINHA Gina Weasley!
- Isso parece bem justo não é Harry? Porque você deixou de ser meu Harry Potter há muito tempo! – Gina atacou irritadiça enquanto travava um duelo de olhares com Harry, o rapaz viu os olhos castanhos dela reassumirem aquele brilho de coragem ao defender Colbie Summers, Harry sentiu o dragão em seu peito soltar um urro raivoso... O rapaz respirou fundo, segurou os braços de Gina e justificou:
- Quando que deixei de ser seu? Eu sempre fui seu, só não estava perto e nem fui esperto o bastante para assumir isso!
- Tarde demais Harry... Você me deixou sozinha e eu aprendi a conviver com a sua ausência! – Gina disse séria, não deixando de encarar Harry em momento algum. O rapaz precisava entender que o que sentia por ele já não era a mesma coisa, as coisas mudavam e as pessoas também e a partir do momento que ele a deixara, correu o risco de perdê-la, o que de fato havia acontecido. As palavras de Gina cortaram o coração de Harry e o fizeram sangrar, o rapaz soltou-a rapidamente, ainda estupefato com as palavras da ruiva.
Ele se virou para a mesa e precisou se apoiar para não cair, sua respiração estava ofegante... Preferia ter levado uma bela de uma bofetada no rosto a suportar aquelas palavras que doíam mais do que navalhas perfurando sua carne, ele respirou fundo tentando acalmar sua cabeça que girava e depois disse suplicante:
- Gina, me deixe provar que eu ainda te amo, por favor!
- Eu não sou mais sua e por mais que doa, é a verdade nua e crua... – Gina disse tristemente, mesmo que não amasse Harry e que estivesse com raiva dele, não gostava de magoá-lo. O rapaz aproximou-se e tocou o rosto da ruiva com as costas da mãos, o toque era familiar, carinhoso e Gina não conseguiu evitá-lo. Harry deu um sorriso triste e disse:
- Eu sempre vou te amar Gina Weasley, mesmo que você não queira!
- Ah Harry, cala a boca! – Gina disse enquanto corava e sorria envergonhada, Harry achou-a mais linda ainda. Deu-lhe um beijo na testa e a ruiva fechou os olhos, o rapaz continuava sendo seu amigo depois de tudo, mas assim que abriu os olhos novamente, Harry estava encarando-a apreensivo, ele sorriu e disse:
- Como você queira...
Em seguida, aproximou-se lentamente e pousou os lábios sobre os de Gina. O beijo era delicado e sem urgência, carinhoso e doce, como tudo que ambos haviam vivenciados juntos... Os pensamentos de Gina eram culposos e voaram em direção a Colbie, amava-a de todas as formas, mas ela havia feito algo terrível, por mais que tivesse salvado sua vida...
O coração da ruiva acelerou e ela não conseguiu sair daquele beijo, logo, as primeiras luzes do sol entraram na cozinha, banhando o casal que se beijava, talvez, aquele fosse um sinal de um recomeço...
***
Não me matem! (AINDA! MUAHAHAHAHA! xD)
A fic ainda não está pra acabar e tem muita coisa pra acontecer, comentem pra eu saber o que acharam ok? *-*
Que acham que acontece com Pansy? Estaria Ruby seduzindo Colbie? E Harry e Gina? HASUASHASUHASUHAUSHUASHUAS
Espero comentários! Beeijos! Até a Próxima.
A Autora :D