Harry se surpreendeu ao ouvir a voz suave dela dizendo aquilo. Ela sabia o sobrenome dele, mesmo sem ele ter dito. Mas Harry não queria questionar, não queria saber como ela tinha feito aquilo. O que importava é que ela aceitava a intenção dele e isso já era motivo suficiente para que ele não perguntasse nada e apenas agisse conforme o que ele estava sentindo.
Então, sem que ninguém dissesse mais nada, ambos se aproximaram lentamente. Mesmo no escuro, um estava ciente dos movimentos do outro. Harry sentiu seus lábios encostarem nos de Megan. Eles se beijaram.
Uma nova onda incontrolável de sensações se apoderou de Harry. Sentiu cada átomo do seu corpo vibrar. Tinha a impressão de estar caindo bem rápido, voando. Sentia uma liberdade que nunca havia sentido antes, era como se nunca em sua vida tivesse conhecido a tristeza ou a raiva ou qualquer sentimento ruim. O extremo oposto de estar próximo a um dementador.
Sem pensar muito e tomado por toda a empolgação daquele momento, ele a tomou em seus braços e a puxou com certa energia para perto de si. Ela bateu de leve seu corpo contra o dele, mas não pareceu assustada ou ofendida. Eles estavam ajoelhados, juntos, no centro da grande cama. Aos poucos - e com muito mais sutileza que Harry - ela cruzou seus braços atrás da nuca dele e eles começaram a se beijar com mais intensidade, acelerando o beijo e a respiração. Harry percebia que ela fazia tudo com muita delicadeza, como se estivesse aprendendo. Ele sentia o quanto ela era pura e de certo modo inocente, e, por isso, fazia o possível para manter-se racional e fazer as coisas devagar, mas não conseguia, era mais forte que ele. Ela tinha tudo que ele sempre quis de uma garota, uma personalidade receptiva, uma beleza incontestável e o fazia sentir coisas inimagináveis e que o tiravam de si. Harry queria sentir a pele e o toque dela. Quase sem sentir ele passou uma das mãos pra baixo da blusa dela, nas costas.
Megan sutilmente interrompeu o beijo, sem se afastar de Harry. Com uma certa apreensão, falou num sussurro:
- Você tem consciência do que a gente vai fazer... se continuar?
Harry ficou em silêncio. Ele sabia o que aconteceria. Mal tinham começado qualquer coisa, mas ele sabia. Com um leve movimento, ele fez que ‘sim’ com a cabeça, encostado nela. Sua voz foi pouco mais que um suspiro.
- ...Você quer?
Com muita delicadeza, Megan abraçou Harry e acariciou seus cabelos. Era como se o tempo estivesse passando mais devagar. Nada poderia atingi-lo naquele instante. Ela encostou a boca no ouvido dele e falou muito baixo.
- ...quero.
Harry sentiu ela sorrir. Ela parecia tímida em admitir aquilo. Harry também sorriu. Seus braços seguraram Megan com um mais segurança, ele beijou o pescoço dela, saboreando muito aquele momento. Aos poucos, foi induzindo ela a deitar.
Quando ela finalmente deitou, ele tirou o moletom e se apoiou sobre ela, com cuidado, voltando a beijá-la. Megan estava levemente trêmula, Harry sentia as mãos geladas dela em suas costas.
Por um breve momento, ele sentiu culpa. Também estava nervoso, mas de alguma forma, parecia que ele tava sendo egoísta, como se roubasse algo dela. Como se estivesse mesmo se aproveitando da situação. Mas não conseguiu manter esse sentimento por muito tempo, ele simplesmente precisava continuar, já não tinha controle sobre o que estava pensando. Num caminho automático, desabotoou o primeiro botão da blusa dela e, quase sem sentir, já estava no segundo.
Uma breve movimentação se fazia notar no corredor do lado de fora do quarto em que eles estavam, mas nenhum dos dois sequer notou isso. Continuaram agindo quase que hipnoticamente. Harry desabotoou o último botão e, então, todas as luzes se acenderam.
- TODO MUNDO PRA FORA!!
- Os pais do Pablo! – Megan sussurrou, aflita.
Harry mal teve tempo de perceber o que tinha acontecido e a porta já estava escancarada. Ele saiu de cima de Megan rápido, enquanto ela se sentava na cama, segurando a blusa pra não aparecer nada. Uma mulher os olhava da porta, perplexa.
- MAS É UM ABSURDO! ONDE JÁ SE VIU?!
O coração de Harry parecia estar prestes a explodir, tamanho o susto. A mulher lhes lançou um olhar fulminante e saiu dali rápido, indo direto destrancar outra porta. Harry olhou Megan, ambos estavam assustados. Pelo corredor já cruzavam alguns garotos, alguns saltitantes e eufóricos. Harry não estava sendo o único a aproveitar a noite...
- Acho que a gente tem que ir agora... – Megan disse, preocupada, enquanto abotoava a blusa, trêmula. Ela não olhou pra ele.
- Você tá legal?
- Aham...
- Mesmo?
- To sim... – Ela o olhou e deu um sorriso nervoso.
De súbito Harry lembrou que, se os pais de Pablo já estavam em casa, os Dursley também deveriam estar de volta pra buscá-lo na Sra Figg. Ele levantou num salto.
- Meu Deus, eu to muito atrasado!!
Ele vestiu o moletom rápido, pegou a sua varinha, que estava no chão e colocou no bolso. Precisava ir correndo de volta pra casa mas não queria sair de perto dela. Megan levantou também.
- Megan, eu quero te ver de novo... Tem muita coisa que eu não te disse sobre...
- Mas você vai pra uma espécie de... internato agora, não vai? A gente pode se ver nas férias?
Harry quase perguntou como ela sabia aquilo, mas deduziu que ela havia “sentido” isso nele.
- É, vou sim. Mas eu volto pra gente se ver, ta bom? Eu prometo!
- Ta bom... – Megan sorriu, meio triste.
- Tchau...!
- Tchau!
Harry foi saindo, olhando ela e querendo ficar. Voltou um pouco, vencido.
- Megan, eu...
Ele queria dizer algo, queria mostrar pra ela que aquilo foi muito mais uma noite legal pra ele. A palavra “amo” passou pela cabeça dele mas não, não diria isso. Pareceria falso e banal dito naquela circunstância.
- ...eu... volto!
Apenas sorriu, conformado, e foi em direção à porta. Quando conseguiu finalmente vencer a si mesmo e sair do quarto, ouviu Megan chamar.
- Harry!
Ele instantaneamente voltou e, vendo ela parada ali, se entregou mais uma vez. Foi até ela rápido e lhe deu um último beijo, que ele queria eternizar naquele momento. Ela retribuiu e logo em seguida falou, séria.
- Eu quero que fique com isso. É algo muito importante pra mim... E agora pertence a você.
Ela segurou a mão dele e colocou ali o colar que ela estava usando até aquele momento. Era um fio de metal branco, com uma pequena estrela de seis pontas como pingente. A estrela brilhava.
- Megan... Não precis...
- Não, Harry... Eu quero que fique.
Ela olhou de tal forma que Harry não pensou outra vez em recusar.
- Ta bem. Obrigado. Vou guardar e devolver pra você um dia.
Ela sorriu.
- Eu preciso ir...
- Claro, vai!
Megan caminhou rápido com ele até a porta do quarto, mas antes de sair, cambaleou e se segurou nele.
- Que foi!? O que houve?
- Ah, nada não... acho que to meio tonta só... As luzes acenderam muito rápido. Corre, vai! Você ta atrasado!
Harry quis ficar e ter certeza de que Megan ficaria bem, mas ela estava certa. Ele estava muito atrasado e precisava correr mesmo. Soltou a mão dela com pesar.
- Tchau... se cuida!
Megan apenas sorriu. Harry começou a correr, tendo que desviar do monte de pessoas que estavam novamente no corredor e na sala, sentindo uma imensa falta das sensações que estava tendo com Megan até agora. Na porta da casa, o pai de Pablo perguntava o nome e o telefone de cada um antes que eles saíssem.
- Todos os pais serão avisados dessa... Libertinagem!!
O tumulto na saída era grande, todo mundo querendo sair o mais rápido possível. Harry avistou uns espertinhos saindo pela janela e viu ali seu atalho. Correu e pulou a janela, antes mesmo que o pai de Pablo o percebesse.
Ele só não esperava que estivesse chovendo tanto lá fora.
Tentando desviar das poças d’água, ele vestiu o capuz e continuou correndo, segurando firme o colar de Megan na mão. Percorreu todas as ruas escuras que refaziam o caminho de volta até a casa da Sra. Figg o mais rápido possível, com adrenalina pulsando no seu corpo, tanto por Megan, quanto por imaginar o que aconteceria se ele não estivesse lá quando os Dursley fossem buscá-lo. Quando finalmente chegou na rua certa, exausto, viu que o carro dos Dursley já estava ali na frente. Num último impulso, ele correu mais uma vez, pulou a cerca de um dos vizinhos da Sra. Figg e foi fazendo o caminho até a casa dela pelos fundos das outras casas, até que, finalmente, chegou na parte de trás da casa da Sra. Figg. Ele entrou pela porta de serviço, ensopado e foi molhando a casa inteira até chegar na Sra. Figg. Ela estava na porta, falando com tio Valter. Ela pareceu muito aliviada ao vê-lo ali.
- ...Ah! Mas já está aqui o menino viu, Valter? Nem precisei chamá-lo. Ele insistiu em consertar a goteira do teto pra mim. Ah, esse garoto... nunca me dá trabalho...
Sra. Figg lançou um olhar em Harry que o fez entender o quão irônica ela estava sendo naquele momento. Ele estava tão ofegante por correr daquele jeito e com tanto frio que não disse nada.
- Mas só esse imprestável mesmo pra pensar em fazer isso com uma chuva dessas!! Acha mesmo que vai entrar no meu carro molhado desse jeito, garoto?! Você vai a pé! Pra deixar de ser idiota! – Tio Valter esbravejava.
- Ah, não Valter! Coitado do menino! Deixa que eu pego agora mesmo uma toalha e um cobertor pra ele. Ele se enrola no cobertor e não vai causar dano algum ao carro!
Tio Valter resmungou impaciente, enquanto Sra. Figg buscava as coisas dentro de casa. Ela voltou logo em seguida, estendendo a toalha a Harry. Ele colocou o colar no bolso e se secou como podia, dada a pressa de tio Valter. Colocou o cobertor sobre as costas e saiu atrás do tio, dizendo “Obrigado” à Sra Figg. Ela gesticulou algo que ele entendeu como “juízo, menino!”, parecendo muito aborrecida com a situação.
Dentro do carro, Harry se viu dividindo o banco traseiro com Duda. Havia algo no sorriso triunfante de Duda que denunciaria a qualquer um que ele tinha feito muito mais do que um chazinho na casa dos amigos, mas os Dursley nunca desconfiariam. Harry virou pra frente e, discretamente, sorriu também. Afinal de contas, fora Duda quem fizera a festa realmente valer a pena pra ele.
Harry ficou deitado em sua cama durante um bom tempo naquela noite, virando-se de um lado pro outro, sem conseguir pegar no sono. Estava cansado, mas tinha tantas coisas na cabeça que não conseguia dormir. Tudo que tinha acontecido naquela festa era tão inesperado pra ele que cada vez mais dúvidas lhe apareciam. Mesmo na possibilidade pouco provável de Megan ser uma bruxa e não saber, isso não explicaria todas aquelas sensações que aconteciam quando ele tocava nela. A não ser que ela não fosse uma bruxa normal. Mas então, que tipo de bruxa ela seria?
Harry se virou mais uma vez na cama, ansioso. Ele tentou entender porque tinha agido daquele jeito com Megan, fazendo tudo tão rápido e daquele jeito tão intenso. Ele não fazia isso normalmente. E com ela, ele simplesmente não conseguia parar, era como se houvesse uma ordem na cabeça dele, dizendo que ele tinha que ir até o final. Lembrou da despedida deles, quando ela pareceu perder as forças e se segurou nele. “Ela não estava bem e não quis me dizer”, ele pensou, frustrado, enquanto o barulho da chuva fustigando a janela só aumentava.
Com certo estranhamento, Harry percebeu uma batida um pouco mais forte na janela. Duas batidas. Três. Até que finalmente resolveu levantar e ver se havia algo errado, afinal, Edwiges ainda não tinha voltado e podia estar tentando entrar. Só que, quando Harry abriu a janela, percebeu surpreso que não era Edwiges quem estava batendo.
Era Tonks.
Ela estava sobre sua vassoura, encharcada, e, assim que Harry abriu a janela, ela entrou em seu quarto, escorando a vassoura na parede.
- Caramba! Essa tempestade ta tenebrosa!! Quase não consigo chegar até aqui!
- Tonks! Que bom te ver! O que você faz aqui?
Ele falou baixo, pra não acordar os Dursley, enquanto Tonks aplicava um feitiço em si mesma pra se secar.
- Nem tão bom assim, Harry. Eu vim te buscar...
- Como assim, me buscar? Agora?
- O mais rápido que você puder.
- Aconteceu alguma coisa?!
- Ainda não, mas está prestes a acontecer. Onde estão suas coisas do colégio?
Harry estava confuso, mas percebeu a urgência de Tonks. Esse ano, excepcionalmente, os Dursley haviam permitido que o malão de Harry ficasse no quarto, desde que ele não ousasse abri-lo. Claro que Harry o abriu. Mas isso não era da conta dos Dursley.
- Está logo ali, mas minha vassoura ta trancada embaixo da escada!
- Ok, eu busco ela enquanto você arruma suas coisas. Faça o mais rápido que puder!
- Certo! Cuidado com os Dursley! E ah... tem um degrau que range, é o...
- Eu sei, Fred e Jorge me contaram! – ela interrompeu, piscando para Harry.
Ela saiu do quarto dele cuidadosamente e Harry se pôs a organizar suas coisas. Passou pela sua cabeça se aquilo não tinha a ver com a tal “arma” que a Sra. Figg havia mencionado. Aquela que os membros da Ordem da fênix estavam à procura. Mas como ele perguntaria isso pra Tonks sem entregar a Sra. Figg? Deixou pra pensar nisso depois e colocou suas coisas todas perto da janela, inclusive a gaiola vazia de Edwiges. Tonks entrou logo em seguida, fechando a porta silenciosamente, com a vassoura de Harry na mão.
- Pronto?
- Sim.
- Deixei um bilhete pros seus tios, avisando que...
- Tonks, isso tem a ver com a arma?
Harry não se conteve, ele precisava perguntar. Ela o olhou desconfiada, enquanto amarrava as coisas de Harry com um feitiço.
- Não sei como você ficou sabendo disso... Mas tem sim.
- Encontraram, então?
- Encontramos. Alguma coisa passou a emanar quantidades inexplicáveis de magia há algumas horas. É o sinal que a gente precisava.
Harry sentiu um súbito alívio.
- Então, por que temos que fugir?!
- É que, ao que tudo indica, Harry, nesse exato momento a arma está sendo ativada... pelos comensais da morte.
Harry ficou estático por um breve instante, lembrando que a Sra. Figg disse sobre o poder da arma. “Algo capaz de mudar o destino da guerra contra...”
- Voldemort conseguiu? Não há nada que possamos fazer?
- Tem sim. Primeiro vou levar você em segurança até a sede da Ordem. Depois eu volto e ajudo os outros membros a tentar destruir ou recuperar a arma.
- Eu vou com você!
- Não, não vai. Faz idéia do perigo que essa missão representa?
- Eu não me importo! Posso ajudar! Vou com você!
- Harry, não... Ouça... Se acontecer algo com você eu nunca me perdoaria, aliás, não só eu como ninguém no mundo me perdoaria. Você precisa ir e esperar em segurança! Ainda mais agora... com a arma... Quando você tiver a formação necessária vai poder ser auror e participar ativamente da Ordem, se quiser. Mas não é o momento.
Harry ficou em silêncio e concordou, contrariado. Tonks se agilizou.
- Certo, Harry. Segure firme a ponta da corda aqui com todas as suas coisas. Nós vamos aparatar.
- Aparatar? Não íamos de vassoura?!
- Atravessar todo aquele caminho nessa chuvarada? Ta loco?
Harry deu uma rápida olhada pela janela e teve que concordar. Com aquele temporal, parecia impossível.
- Ok... vamos aparatar...
Ele teve náuseas só de lembrar do quanto era desagradável a sensação de aparatar, mas era o método mais rápido que havia, agora que ele já tinha autorização pra isso. Vestiu rapidamente uma capa sobre o pijama e segurou a corda com suas coisas. Quando Tonks deu o sinal pra eles irem, Harry interrompeu.
- Espera!
- Que foi?
- Quase esqueço uma coisa.
Ele foi rápido até sua escrivaninha e pegou ali o colar de Megan.
- Deu.
- Vamos?!
- Vamos.
Harry se concentrou ao máximo no Grimmould Place. Dois segundos depois, ele estava na frente da sede da Ordem da Fênix.
Tentando se recuperar um pouco da sensação extremamente incômoda que era aparatar, ele foi andando atrás de Tonks, sentindo a chuva gelada umedecer sua roupa. Não enxergava muita coisa, a rua estava escura e a chuva deixava tudo mais difícil, mas Tonks estava logo a frente, não era difícil segui-la. Ela parou por um breve instante e logo em seguida a porta da casa se abriu, revelando uma preocupada Sra. Weasley do lado de dentro.
- Ah! Finalmente vocês chegaram! Vamos, entrem! Entrem!
Tonks entrou e logo em seguida Harry, arrastando suas coisas com alguma dificuldade. Assim que entrou, Sra. Weasley o puxou para um abraço apertado, que fez Harry derrubar a vassoura no chão.
- Ah, Harry, querido! Eu estava tão preocupada!
- É muito bom ver a senhora também, Sra. Weasley! Mas eu to molhado, vou molhar a senhora também...
- Ora, deixe de bobagem!
Sra. Weasley o soltou e logo em seguida tirou sua varinha, aplicando em Harry um feitiço que secou não só suas roupas mas também seu cabelo e o resto do corpo. Harry sorriu.
- Obrigado!
Enquanto eles conversavam, Tonks já tinha entrado na cozinha e voltado com um rolo de corda pendurada no braço. Sra. Weasley voltou sua atenção para ela, preocupada e ansiosa.
- Alguma novidade, Tonks?
- Ainda não. Fui com os outros até um pedaço, mas depois desviei pra buscar o Harry. Eles devem estar sobrevoando o ponto que Dumbledore localizou com os artefatos.
Harry interrompeu.
- Por que eles também não aparataram no lugar que Dumbledore indicou?
- Porque a área é inexata, a gente não sabe precisamente onde ta a fonte! – Tonks respondeu, apressada.
- Não sabe o que é a tal arma também?
- Dumbledore tem uma suspeita, mas não temos como confirmar ainda. Bom, não posso perder tempo! Até mais, Harry. Ah, Molly, seria bom ter algum material de primeiros-socorros disponível, caso alguém precise, na volta...
Sra. Weasley demonstrou claramente sua preocupação.
- Já estou preparando algumas poções e curativos, mas, por Deus, se cuide, querida!
Tonks tentou sorrir e saiu pela porta, com sua vassoura na mão.
Assim que a porta fechou, Sra. Weasley se dirigiu a Harry.
- Todos eles lá fora numa situação dessas... Tomara que nada de ruim aconteça...
Ela refletiu por alguns instantes e continuou.
- Mas Venha, Harry, venha. Rony e Hermione já estão esperando por você lá dentro. Vou preparar algo para vocês comerem.
Harry ficou feliz em saber que eles estavam ali. Subiu as escadas e procurou eles nos primeiros cômodos do segundo andar, onde geralmente Rony costumava ficar. Mal empurrou uma porta entreaberta e ouviu nitidamente a voz de Hermione, atrás dele.
- Harry!!
Ela veio correndo e lhe deu um abraço que quase o derrubou.
- Ah! Que bom ver você, Harry!
Harry sorriu, contente.
- Bom ver você também!
Ela se afastou, para olhá-lo melhor.
- Estávamos preocupados! Eu e Rony chegamos há pouco tempo com Dumbledore. Está havendo alguma coisa muito séria, eles não querem nos dizer ainda, mas...
- ...Deixa ele respirar um pouco, Hermione.
Rony estava parado na porta de um quarto, sorrindo. Harry e Hermione foram até lá. Eles se cumprimentaram, descontraídos. Os três entraram no quarto, sentaram na cama e, como era previsível, começaram a expor suas teorias logo em seguida. Harry estava inconformado por não ter podido ir junto, sabia da importância daquilo e tudo que podia fazer era sentar e esperar. Estava definitivamente inquieto. Mas nem Rony nem Hermione sabiam muita coisa, então Harry lhes contou o que sabia sobre essa missão da Ordem. Os dois o escutaram atentos. Quando Harry acabou, eles fizeram um breve silêncio, pensativos. Rony foi o primeiro a falar.
- Eu sei que não vem ao caso, mas... O que é isso na sua mão?
Por um momento, Harry quase esqueceu que ainda estava segurando o colar de Megan.
- Ah, isso? Eu ganhei hoje, mais cedo...
- É de uma menina, não é? – Disse Hermione, num olhar mais atento ao colar.
Harry não pode evitar um leve sorriso, se entregando.
- É...
- Ahh! Harry! Você arrumou alguém!! – Hermione disse, eufórica.
- Ah, eu não diria bem com essas palavras... – ele contornou, meio constrangido.
- Ta, conta aí vai... Não enrola... – Rony sorria, malicioso.
- Ta... – ele cedeu. - Eu conheci uma garota hoje que... nossa... me fez muito bem...
- Que lindo, Harry...
- Bom, - começou Rony – Acho que vou aproveitar a deixa pra contar algo também...
Hermione o olhou, perspicaz. Rony continuou falando.
- É que... Pelo visto, Harry, todo mundo aqui encontrou um par nessas férias...
Harry tentou imaginar o par de cada um deles, num pensamento rápido, até que Rony segurou a mão de Hermione, com os dedos entrelaçados, e levantou um pouco pra Harry ver. Hermione corou, sorrindo.
- Pois é, cara. – ele concluiu, com um leve sorriso.
Rony e Hermione estavam juntos. Harry quase não acreditou, mas o fato estava estampado na cara culpada dos dois. No fundo, ele não achou que fosse ser assim, tão fácil. Mas achava que já era tempo de eles admitirem o que sentiam um pelo outro. Harry sorriu abertamente.
- Haha! Sério?! Eu já tava começando a duvidar de vocês dois! Finalmente, heim?!
Os três riram. Harry sabia que demoraria um certo tempo até se acostumar com isso, mas estava feliz por eles. Já não aguentava mais tantas briguinhas e provocações.
- É... a gente tem bastante coisa pra conversar! – concluiu Hermione. – Começando por você e sua namorada, Harry! Como ela é? É trouxa?
Harry suspeitou que Hermione estava tentando tirar o foco de atenção dela e de Rony, mas deu a ela esse direito. Ele saberia os detalhes disso mais cedo ou mais tarde mesmo. Harry hesitou um pouco ao responder.
- É, quero dizer... Não.
Hermione o olhou sem entender.
- Ela é bruxa nascida trouxa, como eu, é isso?
- Ah... Não exatamente. Não sei bem...
- Como assim, Harry? Ela é um aborto, tipo o Filch? – Rony perguntou, intrigado.
- Ta, deixa eu explicar melhor, então... – Harry decidiu. - Tudo começou hoje de tarde, quando ela e uma amiga foram visitar o Duda...
Mal sabia Harry que enquanto eles conversavam no quarto, a Ordem da Fênix estava a cinco segundos de encontrar a maior fonte de magia existente no mundo... |