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5. Capítulo V


Fic: A Despedida de Solteiro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo V
Na sala de reunião, a têmpora de Hermione parecia castigada por uma marreta
gigantesca. O simples ato de manter a mente focalizada no assunto que tratavam já
requeria um esforço enorme por parte dela. Compreender tudo e tomar parte ativa na
importante reunião seria fruto de toda a sua força de vontade. Gostaria de culpar o vinho,
mas sabia que a única taça não tinha relação com seu desconforto, apesar de não estar
acostumada a consumir álcool. O único responsável pela dor era Harry Potter,
participando em mais de uma modalidade.
Mione fechou os olhos por um instante, tentando focalizar a mente no documento
que estava aberto sobre a mesa à sua frente, mas seus pensamentos pareciam confusos e
nebulosos, como se recusassem a prestar atenção a outro assunto. Sua mente e seu
coração estavam em outro local. Do outro lado da cidade com Harry. Ou no tempo que
haviam passado juntos, que ainda lhe parecia algo surrealista, vindo diretamente do
passado, tão de repente que tinha a mesma qualidade irreal de um sonho. Talvez tivesse
mesmo sido um sonho.
— Hermione?
Só então ela se deu conta de que seu nome era chamado pela segunda vez.
— Desculpe, qual foi a pergunta? — respondeu, sorrindo.
Roger franziu a testa levemente antes de repetir.
— Estávamos pensando em agendar o término da análise dessa proposta até a
semana que vem, assim teremos temos de aprofundar esses pontos que levantamos hoje.
Acho que é uma idéia interessante. O que acha?
Hermione sentia-se mal por ter consciência de ter sido inútil como negociadora até
então. Era difícil ficar alerta quando a mente e o coração estavam em outro lugar; não
tinha feito ou dito alguma besteira, mas em compensação não estava agindo com
pró-atividade, apenas reagia ao que lhe diziam ou perguntavam. Sentia-se como se sua
vida tivesse parado numa determinada época, e só agora continuasse.
Os últimos dez anos foram como um filme ou uma novela, vividos por outro
personagem que não aquela garota de dezoito anos que casara escondida. Antes disso, a
vida parecia descomplicada. Amava Harry, ele a amava, então os dois casaram para
ficarem juntos. Só consideraram essas idéias, não pensaram em mais nada. Amavam-se e
tinham de ficar juntos.
Balançou a cabeça, percebendo que os outros esperavam a resposta.
— Re-agendar a proposta parece uma idéia excelente — comentou ela, por fim. —
Além de examinar e aprofundar os pontos importantes, garanto que meu desempenho
será melhor. Espero que me desculpem pela falta de atenção esta manhã, mas acordei
com uma dor de cabeça forte.
— Tudo bem, Hermione, não há problema — disse Lloyd Johnson, o primeiro
vice-presidente do National Bank. — Sua dor de cabeça vai nos render mais alguns dias,
o que é algo que todos podemos aproveitar.
— Obrigada, Lloyd.
O vice-presidente fora muito simpático, sendo que a definição do contrato ficava
adiada por alguns dias, o que poderia ser benéfico para todos. Ou não, se houvesse
alguma alteração de última hora. Com certeza Roger teria preferido que resolvessem o
assunto ali mesmo, naquele dia, mas também sabia que poderia aproveitar a oportunidade
para melhorar alguns detalhes.
— Em princípio, podemos marcar para exatamente daqui a uma semana, no
mesmo horário. Se estiver bem para vocês... — propôs Lloyd.
Mione lembrou-se que dali a uma semana Harry estaria em lua-de-mel. Isso só
piorou a dor de cabeça.
— Está ótimo — apressou-se a responder Roger. — Se quiser fazer qualquer
alteração na pauta de assuntos, é só ligar durante a semana.
Com aquilo, a reunião terminava, e os papéis foram todos guardados nas pastas
dos executivos, que se despediram e saíram em grupo, como pingüins. Em pouco tempo,
na sala de reuniões só restaram Roger e Mione. O clima começou a ficar constrangedor.
Ela sabia que devia a ele uma explicação, mas mal conseguia encontrar a coragem
necessária para encará-lo depois de ter deitado com outro homem na noite anterior.
Alegara que não estava sentindo-se bem e pedira que ele a levasse para casa, de onde saiu
escondida, voltando ao hotel para encontrar-se com Harry. Era uma coisa feia e
desprezível para se fazer com um homem que realmente se importava com ela. No
momento ele a examinava com ar preocupado.
— Ainda não está se sentindo bem, não é? — disse ele, com carinho.
— Melhorei um pouco hoje de manhã — mentiu ela. Na verdade estava pior. Bem
pior.
— Hoje à noite temos um compromisso para jantar com os Lupin — lembrou
ele, olhando-a esperançoso.
Mione quase assobiou de surpresa. Com o ocorrido das últimas horas, esquecera-se
completamente do jantar com os Lupin, marcado com antecedência de várias
semanas. Se tivesse chegado no horário correto pela manhã, teria visto na agenda em seu
escritório, onde passara como um vendaval, apenas para apanhar seu material, chegando
ao salão de reuniões exatamente na hora.
Os Lupin eram amigos de Roger há muito tempo. O casal estava na cidade
para comemorar o aniversário de casamento e haviam convidado Roger e Hermione para uma
noitada alardeada como a diversão do ano. Começariam com um jantar no restaurante
italiano onde haviam se conhecido, quinze anos antes. Um relacionamento que sempre
serviu para tentar convencer Roger que o melhor para ele seria arranjar também uma
esposa, para que pudesse desfrutar da mesma felicidade que ambos desfrutavam; iriam
tentar convencê-los durante o jantar a assumir também um compromisso. Os dois homens
haviam se formado juntos e eram amigos; Roger estivera com ele na noite anterior.
Hermione suspeitava que Roger também tinha intenções em relação a ela nesse jantar.
Pretendia mostrar que não era um executivo o tempo inteiro, formal e engravatado. A
presença de seu colega de faculdade lhe daria uma oportunidade de mostrar uma faceta
mais relaxada, mais humana e menos polida. Era como se os amigos lhe conferissem uma
certa veracidade, um atestado de que ele já fora como os outros, que na época certa usara
cabelos compridos. Como se um argumento desses pudesse convencê-la a casar com ele.
Não se tratava da idade, mas da diferença no modo de pensar. Talvez os dois colegas
tivessem conversado sobre isso, ou até imaginado algum plano para esse jantar.
— Vai se sentir melhor até lá, não? — perguntou Roger, com um olhar
esperançoso.
Hermione não conseguiria recusar, pelo menos depois de dispensá-lo da forma que
fizera na noite anterior.
Hermione nunca pensara em si mesma como uma pessoa fraca. Algum tempo depois
de sua doença e da anulação do casamento, tivera uma crise e prometera a si mesma que
jamais permitiria que alguém dominasse sua vida outra vez. Imaginara ter mantido essa
resolução ao longo dos anos, porém teve consciência de estar envolvida num
relacionamento daquela natureza, com um homem que o pai considerava perfeito para
ela. Ali estava ela, na verdade mais controlada do que antes, diante de um homem que
regularmente a pedia em casamento.
Casamento...
Àquela hora, no dia seguinte, Harry estaria casado. Apesar dos protestos da própria
consciência, não conseguiu evitar a imagem de uma igreja apinhada, cheia de convidados
importantes, onde Harry se encontraria no altar, fazendo bela figura em fraque, ao lado de
uma mulher bonita e sofisticada. Quase mordeu os lábios.
— Você parece estar no mundo da lua — comentou Roger, passando a mão em
frente ao rosto dela.
O movimento a trouxe de volta ao presente, infelizmente tão desagradável quanto
o devaneio sobre Harry se casando.
— Desculpe...
— Aliás, ultimamente você anda mais na Lua do que na Terra, pelo visto. Está
com algum problema, tem dormido bem?
— Tenho dormido bem. Quer dizer, a não ser ontem, com essa dor de cabeça.
Acho que um descanso durante o dia me fará bem.
— E quanto ao jantar de hoje? — quis saber ele, esperançoso.
— Acho que se tomar um comprimido e descansar, vou estar ótima para o nosso
jantar com os Lupin — afirmou ela, fabricando um sorriso corajoso.
Não só não poderia falhar ao companheiro, como não adiantaria nada ficar em
casa comendo sorvete e lamentando-se a noite toda. Era preciso tomar uma atitude em
relação ao que acontecera, o quanto antes, melhor. Harry iria casar-se com Meu Bem e
ambos continuariam suas vidas, o que significava estreitar seu compromisso com Roger.
Com tempo e paciência conseguiriam deixar aquele incidente isolado para trás,
como uma falha na vida que vinham construindo, cada um em separado. Fora apenas um
ajuste de contas, um desejo insatisfeito que tiveram a ocasião de satisfazer.
Durante os últimos dez anos, os dois haviam se saído muito bem um sem o outro.
O resto de suas vidas poderia continuar assim. Como se não tivessem mais se encontrado,
depois da adolescência.
Isso foi o que Mione pensou. Bastava agora convencer a si mesma.
Depois de observar a aterrissagem, Harry foi para o corredor de desembarque,
sentindo-se bem melhor com a perspectiva de ter alguém de confiança por perto.
Aguardou ali seu irmão mais velho e Lisa, a cunhada. Assim que os localizou entre os
outros passageiros, seu coração alegrou-se. Deu um passo na direção do casal e abraçou a
cunhada, que vinha na frente, incluindo Steve em seguida e apertando os dois em seus
braços.
— Uma bela acolhida — comentou Steve, vibrando um tapa amigável nas costas
de Harry. — Como é? Está pronto para ser excluído do rol dos solteiros? Para o grande
dia?
— Não.
Steve riu, tomando aquilo naturalmente, como uma brincadeira; no entanto, era a
mais pura expressão da verdade. Harry sentia-se tão longe de estar pronto a casar-se com
Gina quanto possível.
— Preciso falar com você assim que se acomodarem no hotel — disse ele,
olhando de forma eloqüente para Steve, esperando que ele percebesse a gravidade do
assunto.
Sempre considerara o irmão um poço de coragem e sabedoria, desde pequeno. De
certo modo, respeitava mais o conselho do irmão do que do pai.
— Claro, Harry. Vamos indo.
Os dois começaram a andar, com Harry abraçado ao irmão. Demoraram a perceber
que Lisa não os seguira, que permanecera onde estava. Steve sinalizou para que ela os
seguisse, e a esposa, de longe, apontou a frasqueira em sua mão.
— Será que ela quer que eu carregue a valise dela? — perguntou Harry.
Steve suspirou.
— Não. É que ela insistiu em trazer uma mala grande, daquelas que precisam ir no
compartimento de bagagens, sabe? Eu trouxe tudo o que preciso nessa aqui — declarou
ele, erguendo uma valise gorda, de tamanho médio. — Enfim, onde podemos apanhar a
bagagem?
— Eu levo vocês — respondeu Harry. — E lá do outro lado do terminal.
— Está tudo bem? — quis saber Lisa, quando se aproximaram. Ele teve vontade
de começar a falar ali mesmo, porém limitou-se a ficar quieto e fazer um aceno sem
ânimo.
— Harry? Algo está errado? — perguntou Steve, sério pela primeira vez desde a
chegada.
Encontravam-se no meio da multidão que lutava para chegar ao lado da esteira de
bagagens numeradas, e certamente não seria o melhor lugar para falar sobre o assunto. De
qualquer forma, precisavam apanhar a mala de Lisa.
— Mais tarde eu conto tudo com detalhes. Quando estiverem acomodados no
quarto, venham até o meu que eu explico o que está acontecendo, está bem?
Steve assentiu, com um gesto de cabeça.
— Alguma coisa me diz que você se meteu em outra enrascada das boas, não sei
por quê...
Harry mal podia esperar para ver a reação do irmão quando ele soubesse
exatamente o tipo de "enrascada das boas" em que ele se metera. Sendo três anos mais
velho, Steve sempre desempenhara um papel importante em salvar o irmão de situações
perigosas ou embaraçosas. Certa vez o encontrara cercado por quatro garotos que
pretendiam cobrar um pedágio para deixar o irmão passar pelo beco que dominavam;
como não tinha dinheiro, os garotos resolveram ficar com o lanche dele, que tomavam à
força quando Steve passou pelo beco de bicicleta e escutou os gritos. Ao final do
episódio, os quatro pediram desculpas e cada um ainda teve de devolver as moedas que
Harry pagara em outras oportunidades, além de prometer "trânsito livre" para ele em
qualquer dia e hora. Certamente Steve ficaria espantado quando ele mencionasse Hermione
Granger, pois desempenhara um papel importante da primeira vez em que Harry se vira
privado da esposa na noite de núpcias. Os dois haviam conversado muito na época,
durante os dias e semanas que se seguiram, quando Harry ficara totalmente desesperado.
O fato de ter alguém de confiança para conversar mudava tudo. Harry não sabia o que
teria acontecido se não tivesse o apoio do irmão naqueles dias incertos.
O registro no hotel deu a impressão de demorar uma eternidade, mas foi realizado,
e Steve e Lisa .Subiram para se instalarem. Harry voltou ao próprio quarto, onde tentou
assistir à televisão, mas não conseguiu: não foi possível ficar parado. Começou a
caminhar, e em pouco tempo caminhava até o pequeno refrigerador, encontrando um pote
de amendoins salgados que custava mais do que uma refeição completa em muitos locais.
Comendo amendoins salgados, continuou andando de um lado para outro e esperando o
irmão, que talvez tivesse uma idéia diferente para sair daquela situação. Ou mesmo que
não tivesse, poderia concordar com ele sobre a necessidade de fazer o que Harry
pretendia, nesse caso, seria mais fácil.
Quando Steve tocou a campainha, o carpete estava quase gasto no local da
caminhada.
— Muito bem, vamos ouvir o que você conseguiu fazer dessa vez — disse ele,
apanhando um pouco de amendoins.
— Onde está Lisa?
Harry teria gostado de conversar com a cunhada, cuja opinião respeitava e poderia
incluir uma perspectiva feminina no caso. O tipo de coisa que nem passa pela cabeça dos
homens, mas é importante para as mulheres.
— Ela foi fazer compras. Só faltam três horas para o ensaio e ela não sabia se teria
tempo ou não para comprar as encomendas e presentes depois do casamento. Mamãe está
visitando o tio Philip, que vai trazê-la de carro amanhã, na hora da cerimônia.
Steve sentou-se no sofá e Harry acomodou-se em frente ao irmão, depois passou a
mão sobre os cabelos. Optou por uma declaração curta e simples:
— Estive com Hermione Granger.
— Quem? Hermione? — repetiu Steve, reconhecendo o nome depois de poucos
segundos, assumindo uma expressão séria. — Onde? Quando?
— Aqui, ontem à noite. Essa é a parte mais incrível da história. Aqui, no meu
hotel, ontem à noite. Ela estava no restaurante, com um "'coroa", tomando uma bebida,
exatamente na hora em que desci para fazer a mesma coisa com os irmãos de Gina, que
vieram falar sobre a despedida de solteiro.
— E você foi conversar com ela?
— Na hora, não, mas a verdade é que não consegui deixar passar a oportunidade
— confessou Harry. — Quer dizer, eu nem tinha certeza que era ela quando vi de longe.
— Então falou com ela, para ver se era mesmo Hermione.
— Falei. Para dizer a verdade, fizemos um bocado de coisas mais do que só
conversar.
— Muito mais do que conversar? — indagou Steve, cautelosamente.
— Bem mais do que conversar — respondeu Harry, encarando o irmão.
— Isso quer dizer que vocês dois...
— Isso quer dizer que passamos a noite juntos.
Steve deixou-se cair contra o encosto do sofá, sentindo pela primeira vez a
extensão do problema. Baixou os olhos para pensar e depois ergueu-os para o irmão.
— Uau!
— Foi mais ou menos o que pensei na hora. Depois, olhando para Hermione, não
consegui me controlar, Steve. Não foi possível. Quero dizer, dane-se tudo. Amo Mione.
Descobri que sempre amei.
— Mas vai se casar com Gina — lembrou Steve, fitando o irmão com ar de
quem quer saber. — Ou não?
Harry encarou o olhar de Steve.
— Talvez não — disse Harry, externando pela primeira vez em voz alta sua
intenção.
Vinha lutando com a consciência o dia inteiro, e conseguira entender sua posição.
A culpa vinha criando dentro dele um vazio enorme durante as últimas horas, o que
prejudicava o raciocínio. Precisou definir exatamente que culpa era essa. Arrependia-se
de trair Gina, mas não de amar Mione. Lamentava o que teria de fazer, mas não hesitaria.
— Está querendo dizer que...
— Não sei o que estou querendo dizer, é exatamente esse o motivo pelo qual eu
queria conversar com você.
— Muito bem, vamos procurar raciocinar com calma — começou Steve, que
sempre abordava os problemas com serenidade.
— Boa sorte, porque eu não consegui.
Era exatamente o que tentara fazer o dia inteiro, sem o menor sucesso. Continuava
tão confuso quanto antes.
— Onde está Hermione agora?
— Não tenho a menor idéia. De manhã ela saiu correndo daqui.
— Como assim? Estava brava?
Harry pensou um pouco e resolveu omitir o telefonema de Gina pela manhã, e a
reação que provocara nela. Como não era o motivo principal, achou que só iria complicar
as coisas mencionando o ciúme de Hermione.
— Vou descrever a cena; ela saiu daqui quase correndo porque disse que estava
atrasada para uma reunião. Mas estava reclamando e dizendo que eu ia fazer a mesma
coisa e abandoná-la outra vez.
— Mas... foi ela quem traiu você. Sua confiança, quando assinou primeiro a
anulação, não foi?
— Não. Fiquei sabendo que os pais dela a despacharam para a casa da tia
advogada, na Inglaterra. Hermione ficou vigiada lá, não havia forma de entrar em contato
comigo.
Harry teve o cuidado de evitar os detalhes, como a greve de fome que ela fizera, ou
a operação de apendicite às pressas, quando Hermione quase morrera.
— Acreditou nela?
Ele assentiu com um gesto, provavelmente porque desejava tanto que fosse
verdade.
Steve ergueu-se e foi até a janela.
— Você precisa se lembrar que os dois eram pouco mais do que crianças naquela
época — argumentou ele.
— Eu sei, mas eu a amava naquela época. E Deus me perdoe, mas ainda amo
Hermione.
Observando a paisagem, Steve ficou em silêncio algum tempo, depois voltou-se
para o irmão mais novo.
— E quanto a Gina?
Se Harry soubesse a resposta não estaria perturbado daquela forma.
— Hoje de manhã resolvi que a única coisa decente a fazer seria contar tudo para
ela...
Steve ergueu a mão no ar, interrompendo a frase.
— Isso seria um erro. Um grande erro.
— Mas eu dormi com outra mulher, Steve. Não posso esconder isso debaixo do
tapete! Não posso casar com esqueletos no armário.
— Você pode achar que a confissão é boa para a alma, mas nesse caso não
acredito que seja a melhor opção.
— Eu tentei contar...
— O que Gina já sabia a respeito de Hermione? — quis saber Steve, presumindo que
pelo menos o casamento adolescente fora relatado a ela, como uma história do passado
dele.
— Só o que eu disse a ela esta tarde. Nunca falei nada a ela sobre isso, só hoje.
Sempre foi minha intenção contar tudo a ela, mas todas as vezes acontecia a mesma
coisa. Na última hora eu ficava com medo da reação dela e acabava não contando nada.
Gina é muito explosiva. Eu... bem, acho que isso não é desculpa. Foi mesmo falta de
coragem.
— Graças a Deus! A última coisa que você deve fazer é contar a ela qualquer
coisa sobre o que aconteceu nesse quarto de hotel esta noite — afirmou Steve, colocando
as mãos nos ombros do irmão e encarando-o. — Até os conselheiros sentimentais mais
famosos concordam com essa opinião. Você lê Querida Bel, não lê?
Harry evitou o olhar do irmão, levantou-se e enfiou as mãos nos bolsos das calças.
Foi sua vez de caminhar até a janela e erguer os olhos para a vista, depois para o céu.
Voltou-se.
— Certo. Vamos supor que eu não diga nada a Gina sobre o que aconteceu. Isso
não muda nada a forma como me sinto, quer dizer, não posso esquecer o que aconteceu.
Mudou tudo para mim.
Steve inclinou o rosto, com ar intrigado, e indagou:
— O que quer dizer exatamente, Harry?
Antes de responder, o irmão mais novo inspirou profundamente.
— Eu... não sei mais se quero continuar com esse casamento. Acho que é um erro.
— Harry, você está brincando — afirmou Steve, erguendo-se do sofá. — Diga
para mim que é brincadeira. Um trote...
Um gesto de cabeça negou de uma vez por todas essa possibilidade. Steve sentou
outra vez, apoiando a cabeça nas mãos. Alguns segundos depois esfregou as têmporas,
ergueu os olhos e olhou para a silhueta do irmão, na janela.
— Está certo, você está certo, mano — disse ele, por fim. — uma das decisões
mais importantes da vida de um homem e não deve ser tomada a não ser que você tenha
certeza absoluta.
Harry sentiu um alívio enorme, como se um peso incômodo fosse removido de
seus ombros. Steve compreendia. Se ninguém mais o apoiasse, seu irmão estaria a seu
lado, ajudando-o a resolver a situação. Juntos haviam enfrentado muita coisa quando
garotos.
— Isso não quer dizer que está tudo certo — acrescentou Steve, percebendo a
reação do irmão. — Já pensou nas conseqüências de adiar a cerimônia de casamento no
último minuto dessa forma?
Esse fora o assunto que lhe ocupara a cabeça o dia inteiro. Nem precisou
responder.
— A família de Gina investiu um bocado de dinheiro nesse evento! Não só a
cerimônia, mas a festa, as roupas, os convidados de fora, e assim por diante.
Harry gostaria muito que o irmão lhe dissesse alguma coisa que ele ainda não
soubesse. E o aspecto que ele mencionou era o que menos o preocupava, por enquanto.
— Steve...
— Lisa me disse que Gina mandou fazer o vestido numa loja onde não existe
nenhum modelo abaixo de cinco mil.
Harry também sabia.
— Tem certeza que quer cancelar o casamento?
— A essa altura dos acontecimentos elas estão preocupadas com as pontas de
aspargos dos canapés — afirmou Harry, como se aquilo elucidasse tudo.
O som da própria frase foi ao mesmo tempo uma revelação e um aviso. O irmão
não entenderia o que era importante.
— Pontas de aspargos nos canapés? — repetiu Steve, tentando encaixar espargos
no assunto. — Sanduíches?
Naturalmente não eram as pontas de aspargos nos canapés em si, pensou Harry.
Para dizer a verdade, ele até gostava de aspargos. Porém aquilo denunciava uma
frivolidade que ele não desejava em sua vida, ou talvez fosse só a falta de afinidade, ou
mesmo falta de atração, se fosse comparar com o desejo que sentia por Mione. De
qualquer forma, era algo difícil de definir. A culpa não era dos aspargos, pelo menos
diretamente. Mas seria um pecado casar com uma mulher que não estava certo de amar,
só porque ela saíra para atender um telefonema sobre aspargos nos canapés.
— Deixe para lá, Steve. Vou tentar explicar exatamente o que acontece. Não tenho
certeza se quero casar com ela, mas tenho certeza que não quero casar amanhã.
— Certo. Então não há outro jeito.
— Isso. Preciso conversar com ela, Steve. Mesmo que tenha de chegar ao extremo
de ignorar o conselho da "querida Bel" — acrescentou ele. sorrindo. — Então eu e Gina
talvez possamos fazer algo decente em relação à festa e aos convidados. Talvez juntos.
— Você acha que ela vai ser capaz de encarar esse assunto e depois sentar ao seu
lado para decidir o que fazer?
— Confesso que não tenho a menor idéia de como ela vai reagir. Qualquer coisa é
possível — admitiu Harry.
— Detesto ver Hermione fazer isso de novo com você. Sei que gosta dela e tudo o
mais, só que existem pessoas nesse mundo que não são boas para a gente...
Harry nunca pensara em Hermione daquela forma, e não acredita que fosse o momento
de começar. Mas não pretendia discutir com Steve, que tinha direito à opinião dele,
baseada no que ela o fizera sofrer, no passado.
— Como ela está? — perguntou Steve.
— Com a mesma aparência. Continua linda.
Não pretendia discutir os melhoramentos da transformação de adolescente em
mulher adulta. De qualquer forma, era maravilhosa.
— Ainda é a bonequinha do Papai?
Harry percebeu onde seu irmão pretendia chegar e recusou-se a colaborar.
— Deixe ela em paz, Steve.
— Não se preocupe, não pretendo nem chegar perto dela. Não esqueça que ela o
deixou na mão uma vez, certo? Nem esqueça o que você passou por causa disso. Quem
abandonou uma vez, pode fazer isso de novo!
— Steve, pare — pediu Harry.
— Está bem, está bem, vim aqui para ajudar e não pretendo brigar nem discutir
com você. Se é assim que se sente, é assim que se sente. Só não quero ajudar você a
cometer o maior erro de sua vida.
— É exatamente isso, Steve. Por isso preciso agir. Também não quero cometer o
maior erro da minha vida!

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