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3. Capítulo III


Fic: A Despedida de Solteiro


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo III
— Estamos terminando uma coisa que começamos dez anos atrás — afirmou
Harry, respondendo à pergunta sem prestar muita atenção.
Não estava interessado em conversar naquele momento. Colocou os lábios sobre
os dela, satisfazendo uma vontade adormecida que retornava sem nenhum tipo de
censura. No fundo de sua mente uma parte lamentava a quantidade de sofrimento inútil
causado por tirar conclusões sem ter certeza, sem ter ao menos falado com ela. Não teria
sido necessário esperar tanto tempo para desfrutar da alegria de saber que não fora
rejeitado. Hermione o amava. Enfiou os dedos pelos cabelos dela, sentindo a leveza do
toque e o perfume sensual que emanava dali. O odor de Hermione parecia envolvê-lo e
misturar-se ao dele, formando uma nuvem única que pairava ao redor dos dois.
— Harry... Harry...
Ninguém jamais pronunciara seu nome da forma que Mione fazia, como se o som
viesse sempre sussurrado da garganta, num tom sensual e excitante. Pousou a boca sobre
os lábios quentes, antes que ela os usasse para argumentar se era correto ou não o que
estavam fazendo, ou pior ainda, para lembrar pessoas ausentes. Ou qualquer coisa do
mundo exterior, fora daquele quarto, uma câmara isolada no tempo.
Mas não era essa a intenção de Hermione, que ansiara tanto quanto ele por aquele
momento. Os dedos, tremendo, tatearam os botões da camisa dele, procurando a pele nua.
Harry também seguiu o exemplo dela, abrindo-lhe a blusa com gestos prejudicados pela
ansiedade. Realizava algo que tinha parado até de sonhar. Tocá-la inteira e fazer amor
com ela era uma idéia tão distante quanto trair sua noiva. Até poucas horas atrás não
pensava nisso e agora o que fazia e sentia ocupava toda a extensão do universo visível.
Naquele momento tudo o que desejava era tocar a pele febril sob seus dedos, retirando os
tecidos que o impediam de fazer contato total com sua amada. Depois de dominar os
movimentos trêmulos dos dedos, logrou abrir o último botão e puxou o tecido leve de
dentro da saia, provocando uma sensação entontecedora no ventre dela, que esfregou a
palma da mão sobre os músculos de seu peito, com um gemido. Abraçaram-se,
embriagados pelo toque da pele nua, e Harry passou as mãos pelas costas, procurando o
fecho do sutiã. Baixou a boca para o pescoço e a nuca, provocando nova série de gemidos
e com o canto dos olhos verificou que o sutiã não possuía fecho; ergueu os dois braços e
retirou a peça íntima, expondo os seios com os mamilos rígidos. Incapaz de controlar-se,
dedicou suas atenções a um de cada vez, acariciando a carne lépida com as mãos.
Hermione gritou de prazer.
Beijando-se com paixão, Harry, de alguma forma, conduziu-a para o quarto e a
cama. Não para acender a luz ou afastar as cobertas. Haviam esperado dez anos e não
pretendiam perder outra vez a oportunidade, como se a família dela pudesse aparecer a
qualquer momento com a polícia para impedi-los, ou fosse tocar o alarme de incêndio do
hotel, ou ocorresse um atentado terrorista ou terremoto.
As roupas foram retiradas, peça por peça com a crescente excitação do contato dos
corpos seminus e da aura de desejo ao redor deles. Naquele instante só existia o amor de
Harry e Hermione, a necessidade que tinham um do outro.
Ela gemeu e esticou-se na cama, como se espreguiçasse. Harry ajoelhou-se ao lado
dela, beijando o corpo adorado, deixando que os lábios e a língua satisfizessem sua
vontade de tocar e provocar mamilos e seios. Ela passou as pernas nuas em volta das
coxas dele, num convite urgente e sem palavras para que ambos se tornassem um só.
Através das sensações que embotavam os outros sentidos, ele viu que a lua cheia
iluminava o corpo de Hermione na cama, emprestando uma qualidade irreal à cena. Uma
espécie de luz azulada refletia-se na pele de ambos, nas lágrimas que escorriam dos
cantos dos olhos de Hermione para o lençol. Como se fossem uma absolvição pelo tempo
que haviam passado longe um do outro, pelas mágoas que criaram em separado e pelo
sofrimento desnecessário que tiveram durante o tempo de separação.
— Eu te amo — disse ela, os olhos presos aos dele.
— Eu te amo — ecoou ele, sentindo uma espécie de embriaguez dos sentidos
naquela entrega.
Todo o corpo dele encostou-se ao dela, cobrindo-a e sentindo o calor que crescia
no ventre, tornando-os mais e mais escravos do momento que haviam julgado impossível.
Os dois começaram a mover-se juntos, até que não foi possível demorar mais, e a
penetração foi feita com um gesto quase reflexo, enquanto ela se remexia por baixo,
gemendo com o prazer esperado; enfiou as unhas nas costas dele. As pernas puxaram
Harry contra si, guiando-o a cada movimento dos corpos unidos.
O abraço de ambos permitiu um giro nos lençóis, e logo Hermione cavalgava o
corpo desejado, seguindo o ritmo imposto pelo companheiro. Movia-se contra ele,
sentindo-o em seu interior a preenchê-la e provocá-la, até que Harry explodiu de prazer:
atirou a cabeça para trás e gritou, incapaz de conter-se com o choque e a enormidade da
sensação. Seu corpo pulsou no interior do corpo dela, que estremecia a cada movimento.
Amava Hermione. Nunca deixara de amar. Se havia algum efeito dos anos que
haviam vivido separados, era o de aumentar e enriquecer a emoção e a necessidade dela.
Ela não disse nada quando Harry a abraçou forte, agradecido pelo fato de não falarem
sobre o que haviam acabado de partilhar. Era o momento de sentir apenas, não de analisar
o que acontecera, quando as palavras poderiam reduzir a importância dos sentimentos
entre ambos, ou pior ainda, encontrar uma forma qualquer de arrependimento ou censura.
Harry não experimentava nenhuma das duas coisas, que o remetiam à vida controlada e
sem objetivo real que levara enquanto ausente, enquanto enganava a si mesmo dizendo
que amava outra e não precisava de Hermione.
Palavras não pertenciam àquele instante entre os dois.
Relaxou, puxando Hermione e aninhando-a contra si. O toque e o calor dos corpos
ainda trocavam sensações nas pernas entrelaçadas e no prazer partilhado. Acariciou os
cabelos, cujo odor o embriagava, como se jamais tivesse deixado de sentir o perfume
dela, um dia sequer. A pele das costas era macia ao toque, e as pontas dos dedos davam a
impressão de ter contato com cordas invisíveis, que manipulassem o desejo no âmago do
corpo dela. Hermione encontrava-se nos braços dele como deveria ter acontecido em
todos aqueles anos passados. Não ousava pensar ou perscrutar o futuro, por ter medo do
que poderia haver pela frente. Apreciando a sensação física da proximidade do corpo
amado, deixou-se deslizar para o sono.
Hermione acordou quando Harry moveu-se a seu lado. Moveu lentamente a
cabeça para o lado do criado-mudo, onde o relógio luminoso assinalava a hora avançada:
2:03. Demorou algum tempo para perceber onde estava e apertou-se contra o corpo a seu
lado, sabendo que era Harry.
— Está com frio? — quis saber ele, beijando-lhe o pescoço.
— Um pouco — admitiu ela, erguendo-se para apanhar o cobertor ao pé da cama.
Um movimento de Harry impediu-lhe o gesto.
— Não?
— Não precisa, eu esquento você — afirmou ele, com voz firme e carinhosa.
Ele fizera um ótimo trabalho nesse sentido há pouco, e parecia disposto a repetir
tudo, sem a pressa e a urgência da primeira vez. Deslizou a mão pelo corpo flexionado e
percorreu desde a curva dos seios até o pé delicado. Hermione sentiu que poderia perder
o bom senso outra vez.
— Harry... — começou ela, preparada para colocar de lado as emoções que
controlaram seu comportamento antes. — Acho que a gente devia conversar primeiro...
acho que precisamos um...
— Depois. Também acho que a gente devia conversar — admitiu ele, beijando
cuidadosamente o umbigo dela. — Mas depois... depois a gente conversa.
Hermione suspirou, sentindo um calor intenso no ventre, onde o rosto dele
repousava. Enfiou os dedos nos cabelos dele, entregando-se aos sentimentos que
voltavam. Os lábios faziam uma trilha em seu corpo, à medida que se aproximavam da
carne quente dos seios, onde mordiscaram o mamilo, sentindo-o intumescer contra a
ponta da língua. Ela não julgou possível que pudesse ter respostas daquela intensidade
depois de acabarem de fazer amor; não sabia que era capaz de sentir tanto.
Daquela vez os carinhos lentos e intencionais ditaram o ritmo erótico, repleto de
sussurros próximos ao ouvido e explorações nas áreas sensíveis atrás do joelho e nas
coxas, produzindo reações deliciosas. Hermione não conseguia cerrar os olhos,
hipnotizada por cenas que não existiam nem em sua imaginação há poucos dias; um
pouco tímida ainda, de uma certa forma não queria envolver-se outra vez em algo que
pudesse lamentar pela manhã. Ainda assim, as sensações eram crescentes, conduzindo-a a
não hesitar, não se controlar, abrir a cabeça e o coração assim como o corpo. Ela
pertencia a ele desde que contava dezessete anos, era como se soubesse disso. No
passado, no presente, e para sempre.
Satisfazendo uma fantasia que imaginara na noite em que haviam sido
interrompidos, Harry deitou-a de bruços e beijou-lhe o corpo inteiro, progredindo
devagar até a nuca, depois voltando até o outro pé. Em seguida virou o corpo que
estremecia de antecipação e repetiu tudo de frente, sem nenhum tipo de repressão,
evitando apenas a zona mais quente entre as pernas, pousando ali os dedos provocantes.
Quando terminou seu trajeto toda a pele dela estava arrepiada de puro desejo.
— Sonhei muitas vezes que estávamos assim — murmurou ao ouvido de
Hermione. — Algumas noites eu acordava e achava que estava no fundo de um poço
escuro, e que estava ali porque tiraram alguém de mim... e esse alguém era você. Então,
quando eu percebia isso... era pior do que no sonho. Pior que o sonho.
— Eu nem posso acreditar que você está aqui comigo — disse ela, encarando-o
com os olhos úmidos de desejo.
— Pois pode acreditar. Estamos aqui de verdade.
— Desculpe, mas não posso aceitar sua palavra. Acho que vou ter de provar —
declarou ela, e em seguida passou a língua no peito dele.
— Mione...
— Humm... parece bom, mas ainda está um pouco frio — afirmou ela,
entreabrindo os lábios e apertando o mamilo dele, que enrijeceu imediatamente. — Agora
sim.
As mãos dela apalparam o corpo dele, sentindo e provocando, enquanto os olhos
permaneciam fechados e a boca passava de um mamilo para outro.
— Agora acredito.
Ele a penetrou com suavidade, de forma diversa do que ocorrera anteriormente,
com a febre de dez anos de desejo acumulado. Agora havia movimentos eróticos e
intencionais, cada um explorando a sensualidade do companheiro. Ela percebeu que não
havia vergonha, ou nenhum sentimento desagradável ou pecaminoso, pois o amor de
ambos era o que havia de mais necessário e natural para eles. Certo, bom e justo.
Entendeu finalmente a parte física da expressão: feitos um para o outro.
Hermione passou os braços ao redor do pescoço dele, guiando-o para a viagem de
prazer mais deliciosa de sua vida. Naquele momento percebeu por que haviam se
apaixonado um pelo outro, ainda que nunca tivessem feito amor antes. Eram perfeitos
juntos, não havia nada de feio ou obsceno. Pelo contrário, era a expressão dos
sentimentos na pele, a conseqüência de se amarem tanto.
Acabaram por adormecer, exaustos e abraçados. Harry puxou a colcha sobre
ambos, e permaneceram nus, abraçados embaixo das cobertas, sem vontade de separar os
corpos, ainda que por um instante apenas. Como se de repente um pudesse fugir do outro.
Hermione jamais conhecera, ou mesmo sonhara conhecer tanta felicidade. Não se deteve
para pensar que uma quantidade tão grande devia ser frágil, ou pouco duradoura. Não
sabia o quanto, até que o telefone tocou, acordando-a.
O irritante ruído intrometeu-se na quietude morna do sono de Hermione.
Harry dera um pulo para a posição sentada, e tinha no rosto o ar de que uma sirene
de bombeiros acabara de soar, enquanto olhava ao redor. Novo toque produziu uma
careta, como se estivesse de ressaca, apesar de não ter bebido quase nada na noite
anterior.
Sentindo-se na obrigação de ajudá-lo naquele momento confuso, por estar
levemente mais sóbria do que ele, Hermione interveio:
— É o telefone. Aí na cabeceira. Do seu lado.
Harry tateou na direção do ruído, como se desejasse afastar-se. Terminou por usar
as duas mãos e logrou seu intento.
Hermione olhou para o relógio e gemeu baixinho. Eram quase nove horas da
manhã e tinha dormido muito além da conta. Pelo menos para um começo agradável e
tranqüilo de dia. Marcara uma reunião com o vice-presidente do Great National Bank,
Roger e mais dois executivos às dez horas. Não podia nem pensar em chegar atrasada.
— Gina — disse Harry ao aparelho, olhando para Hermione com ar de culpa. —
Bom dia, meu bem. Que horas são?
Meu bem? Ele passava a noite fazendo amor com ela e agora tinha o topete de
chamar essa Gina de meu bem?
— Já são nove horas? Vamos almoçar com o tio Jerome e a tia Beti? Não, claro
que não esqueci. Para dizer a verdade, você acabou de me acordar. Acho que dormi
demais. Não se preocupe, vou chegar a tempo. Como? Eu também. Não, não estou
dizendo só porque você disse. Também amo você.
Hermione não achou que fosse capaz de continuar escutando sem sentir enjôo de
estômago. Essa noiva de Harry devia ser do tipo que solicita o tempo inteiro, que vence
pelo cansaço. Devia falar bastante, também. Ele esfregava a mão no rosto, obviamente
sem graça, evitando olhar para ela. Hermione levantou-se e foi até o banheiro. Fechou a
porta atrás de si para não ter de ouvir as despedidas melosas. Atirou água fria ao rosto,
esfregando-o e só então erguendo a cabeça para observar o espelho. Não gostou do que
viu e fez uma careta. O reflexo revelava uma mulher que fora amada. Que fora bem
amada e parecia satisfeita. O problema é que não era a mulher da vida dele. Harry estava
noivo e ia casar com outra mulher.
Tanto tempo para encontrá-lo e saber a verdade e agora acontecia isso. Quando
tudo parecia bom demais para ser verdade, quando podia parar de pensar em aceitar o
pedido de Roger porque sabia que não sentiria amor por ele. Quando encontrara o que sua
imaginação já dava como perdido, Harry estava comprometido com outra.
Uma sensação de enjôo instalou-se em seu estômago. Sempre fora apaixonada por
ele, sempre o considerara seu. Os anos não haviam mudado esse aspecto. Mas não tinha a
menor intenção de se intrometer na vida de um homem casado, ou praticamente casado,
já que era uma questão de horas.
A ironia da situação se fez perceber no sorriso torcido. Poucas horas antes do
casamento dele, os dois se encontraram; isso estava relacionado também com sua decisão
de aceitar Roger, mostrando que os sentimentos que nutria por ele eram como uma
amizade morna se comparados à tórrida paixão que sentia por Harry. Era preciso levar
isso em consideração antes de se conformar em casar com ele.
— Mione!
Sentindo vergonha de sua nudez, ela olhou ao redor à procura de alguma coisa
para se cobrir e apanhou uma toalha. Colocando-a ao redor do torso, retomou ao quarto, e
ergueu o queixo como uma princesa.
— Bom dia — saudou ele, no meio de um grande bocejo. Harry estava sentado na
borda da cama, um dos lençóis passados pela cintura, observando-a. Havia algo diferente
em seu olhar. Pelo brilho de interesse, era possível calcular o que passava pela mente dele
para começar o dia. Hermione achou aquilo ultrajante. Sentiu-se ofendida.
Como ele tinha coragem de agir como se nada tivesse acontecido? Como se não
tivesse recebido o telefonema?
— Era sua noiva?
O rosto dele ficou sério e os olhos perderam o brilho. Harry teve também a
decência de baixar os olhos, evitando encará-la.
— Desculpe, eu não pretendia...
— Não tem importância, eu já ia saindo, mesmo — declarou Hermione, aflita pelo
fato de continuar nua na frente dele.
Esticou a mão para apanhar a blusa, e enfiou o braço numa das mangas, sem se dar
ao trabalho de colocar o sutiã.
— O que está fazendo?
— Estou colocando a blusa.
— Eu sei... quer dizer, estou vendo. Mas por que agora? Vai sair já?
Hermione consultou o relógio de pulso, antes de responder.
— Vou. Na verdade, já devia ter saído, estou atrasada. Tenho uma reunião
importante às dez horas. Se correr o suficiente, passo em casa, troco de roupas e saio
ventando para o escritório — explicou ela, fechando os primeiros botões.
— Não acha que a gente devia conversar primeiro?
— Acho que a gente precisa conversar. Mas agora não vai dar. Simplesmente não
tenho tempo — respondeu ela, procurando a saia com o olhar.
Localizou-a no chão e deu um passo na direção dela. Pisou no interior e
abaixou-se para puxar a peça de roupa sob a toalha, erguendo-a até a cintura. Encolheu a
barriga para abotoar.
— Está brincando, não é?
— Nunca brinco com compromissos comerciais. Agora não tenho tempo.
Conversamos depois — afirmou ela, um pouco mais-segura com as roupas. — Não sei o
que me deu para dormir tanto. Sempre acordo bem cedo.
— Quando, então? Quando vamos poder conversar?
Hermione percebeu que Harry tinha toda a razão. Precisavam conversar, pelo bem
do futuro de ambos. Tratava-se de um assunto urgente. Tinha de ser antes do casamento
dele, de outra forma não adiantaria. Ela suspirou.
— Está bem, hoje de tarde então. Podemos nos encontrar.
— Não posso.
— Por que não?
— Meu irmão e a esposa dele vão chegar à tarde e preciso ir recebê-los no
aeroporto. Logo em seguida tenho o ensaio do casamento e um jantar — disse ele.
Primeiro veio a compreensão, depois a constatação. Falavam sobre os
compromissos que antecedem um casamento. Sobre família e compromisso, formalidade
e cerimônia. Harry tinha a vida completamente preenchida por aquele acontecimento e
não parecia haver sentido em falar sobre o que sentiam um pelo outro naquele momento.
— Acho que essa é uma forma bem clara de resumir sua vida nesse instante.
Talvez não precisemos conversar, afinal.
— Mione, não faça isso comigo. Acabamos de fazer amor, você não pode sair
desse jeito — protestou ele. — Especialmente nesse momento.
— Você vai casar com Gina — afirmou ela, sem saber exatamente o que desejava.
Não eram mais adolescentes, haviam se transformado em pessoas diferentes, com
profissões, afazeres, conhecidos e parentes. Enfim, ele tinha a própria vida, toda
construída sem ela, e vice-versa. A vontade física que sentiam um pelo outro
permanecera, e entregando-se a ela haviam mexido num perigoso ninho de marimbondos.
A vida de Hermione, que assumira um ritmo sereno e tranqüilo, complicara-se.
Harry passava os dedos pelos cabelos, penteando-os com um gesto habitual, como
se assim pensasse melhor. Procurava a racionalidade da situação.
— Gina... — repetiu ele, como se assim ganhasse tempo. — Acontece que já não
sei mais o que quero, Mione.
— Deixe que eu facilito para você. — Ela assumiu a postura de quem falava ao
telefone, e imitou a voz dele: — "Meu bem, não estou dizendo só porque você disse.
Também amo você."
O rosto dele ficou avermelhado.
— Vim para São Francisco me casar. Disse a você.
Hermione percebeu que estava agindo como uma mulher ciumenta, namorada ou
esposa, mas não conseguia evitar. Era como se ele sempre pertencesse a ela, desde que
resolveram casar-se enquanto os outros estavam no baile; o fato de não se encontrarem
em dez anos era apenas um detalhe que não se encaixava em sua lógica emocional. Mas
não podia permitir-se esse luxo, não queria ser responsável pela infelicidade de Harry.
— Sei disso, estou consciente — afirmou ela, encarando-o em seguida e criando
coragem para pronunciar as palavras. — A verdade é que é tarde demais para nós, Harry.
Tarde demais...
— Isso quer dizer que você pretende casar com Roger — concluiu ele, com ar
acusador, livrando-se do lençol e estendendo a mão para sua calça. — Acho que ele é
perfeito para você. Foi seu pai quem escolheu?
Depois de enfiar as pernas, ele levantou e puxou o zíper, num movimento rápido.
Seu rosto era uma máscara de ciúme. O pior é que passara perto demais da verdade.
— Roger é generoso, bondoso e se preocupa comigo...
— Um "coroa" arrogante, isso sim!
— Não cheguei a conhecer Gina, mas sei exatamente o tipo de mulher que você
escolheria para casar. Ela deve ser frívola, a perfeita dona de casa, e não deve ter um
pensamento próprio — desabafou Mione.
Os olhos de Harry se estreitaram, mas ele não respondeu. Ela também passara
suficientemente perto da verdade sobre sua noiva.
— Vamos deixar as coisas do jeito que estão — disse ela, apanhando seu sutiã, sua
calcinha e os sapatos na mão.
Encaminhou-se para a porta, decidida.
— Não, senhora. Não pense que vai fugir outra vez de mim!
Aquilo teve o poder de detê-la.
— Outra vez! — repetiu Hermione, voltando-se. — Foi a coisa mais injusta que
você já me disse, sabia?
Um vislumbre do olhar magoado, onde as lágrimas pareciam a ponto de surgir, e
Hermione caminhou para a porta com rapidez. Abriu-a e saiu, apreciando o fato de
batê-la com força.
— Hermione! Não se atreva a sair assim! Hermione!
Os gritos a detiveram por um instante, do outro lado da porta. Entretanto, de
qualquer ângulo que examinasse a questão, na verdade ela não tinha escolha alguma.
Harry iria casar com Gina. Era a ela que amava, conforme o escutara dizer ao telefone,
poucos minutos antes. A verdade que se desdobrava perante sua realidade parecia
ressaltar que era tarde demais para mudar suas vidas. Passar a noite com ele talvez tivesse
sido o maior erro que cometera nos últimos anos. Que revolução os dois haviam
provocado em suas vidas no espaço de menos de um dia! Criaram uma bela confusão,
isso sim. Hermione nem pensara na noiva de Harry na noite anterior, muito menos a
conhecia o suficiente para dizer o que afirmara a ele, movida pelo ciúme. Da outra que
teria tudo o que ela desejava. Certamente a tal Gina não merecia ser tratada assim,
pensava Hermione, furiosa consigo mesma e com Harry, a ponto de quase chorar.
Sacudiu a cabeça para reforçar sua determinação e lembrou a si mesma que estava
atrasada. A despeito de carregar sua roupa de baixo sob o braço, apressou-se pelo
corredor na direção do elevador.
O passo rápido parou por um instante e os sapatos foram atirados ao assoalho.
Primeiro um dos pés, depois o outro, Hermione calçou os sapatos. Dobrou o corredor e
parou em frente ao elevador, depois de apertar o botão.
— Mione, espere um pouco, por favor!
Voltou-se para confirmar suas piores impressões: Harry a seguira corredor afora,
descalço e sem camisa, dobrando o corredor e aproximando-se no instante em que o
elevador chegava. Aflita, ela sentiu-se numa seqüência de filme de suspense, em que tudo
acontece em câmera lenta e ao mesmo tempo. A porta do elevador deslizou.
No interior havia um casal de meia-idade, ele usando um terno de tecido fino em
padrão risca-de-giz, obviamente feito sob medida, segurando uma valise de couro, ela
tinha os cabelos tingidos de azul claro e um chapéu estranho, além de um pequeno cão
miniatura, que levava no colo. Os dois personagens olhavam para eles com curiosidade
indisfarçada.
Hermione sentia-se mal e envergonhada, porém decidida. Deu um passo para o
interior do elevador, olhando em silêncio para Harry, num pedido silencioso para que ele
deixasse as coisas como estavam. Achou, na verdade, que seria desnecessário, dada a
presença de estranhos no elevador.
A porta começou a fechar-se e ela suspirou, aliviada, quando a mão de Harry
colocou-se na fresta, abrindo-as outra vez.
— Com licença — disse ele, cerimoniosamente, ao entrar no elevador, fazendo um
gesto em direção ao casal.
Ignorou completamente o fato de estar descalço e sem camisa. Aproximou-se de
Hermione e murmurou, ansioso:
— Precisamos conversar.
— É tarde demais para conversar.
— Tarde demais, uma ova!
As portas se fecharam outra vez e o elevador recomeçou sua descida. O casal tinha
no rosto uma expressão chocada. Moveram-se o mais longe possível deles. Consciente de
que também não se encontrava vestida apropriadamente, Hermione tinha vontade de estar
pelo menos a duzentos quilômetros dali. Olhou para ele.
— Harry, terminou.
— Não, mesmo! Vamos discutir, quer dizer, conversar sobre o que aconteceu,
agora ou mais tarde, é você quem decide, mas vamos conversar! — insistiu ele.
— Não esqueça que você vai se casar amanhã.
A mulher idosa deu a impressão de perfurar Harry com o olhar de reprovação.
Harry voltou-se para encará-la. Sentia-se disposto a encarar uma briga com
qualquer um, no momento.
— Algum problema, madame?
O cão latiu e ficou rosnando a encarar Harry, que quase rosnou de volta. O
pequeno animal deve ter reconhecido o perigo, pois limitou-se a olhar para ele com
desconfiança dali em diante.Hermione presumiu que a dona o silenciara com um aperto.
Não se recordou de haver demorado tanto para descer num elevador, em toda a sua
vida, nem de ter ficado tão envergonhada. O ar estava denso com o clima criado entre os
ocupantes. Harry parecia a ponto de rosnar, a senhora bufava baixinho, escandalizada, o
mascote parecia uma corda esticada de violino, e o senhor olhava para a frente, fingindo
que nada daquilo estava acontecendo.
Quando as portas se abriram, os dois ocupantes saíram tão rápido que dir-se-ia
terem escapado de um seqüestro.
— Precisamos conversar — insistiu ele, sem sair do elevador.
Ela sorriu com tristeza, e reunindo toda a dignidade possível naquela situação, que
não era muita, saiu do elevador.
— Está fugindo de mim outra vez — gritou Harry atrás dela. — Mas é o que você
sempre faz, não é, Mione?
Aquilo foi demais. Não podia ficar sem resposta. Ela girou nos calcanhares, a
meio caminho da porta giratória.
— Eu!! Pois foi você quem fugiu de mim. Você que me deixou sozinha, me
abandonou. Nem ao menos foi me procurar...
A essa altura todos os empregados do hotel no saguão seguiam a cena
atentamente, desejando ver o desfecho. No momento olhavam para Harry, esperando a
resposta que ele daria. Hermione nem percebeu; parou de falar porque estava à beira das
lágrimas. Voltou-se e saiu correndo do hotel.
Harry, que ainda segurava a porta do elevador, calculou que se saísse atrás dela
naqueles trajes e gritando pela rua, corria o risco de ser preso por perturbação da ordem
pública, atentado ao pudor, ou ambos. Passou os olhos pelo saguão e percebeu que
hóspedes e empregados olhavam para ele, querendo saber o que faria a seguir.
Cumprimentou a todos com um gesto educado de cabeça e apertou o botão do
andar de seu quarto. As portas fecharam-se.

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