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Descrição: É escuro e eles são banhados pelo mórbido silêncio de uma noite sem estrelas. Eu não me faço vista, escondida por uma imensidão além de seus olhos. Mas tal beleza é mal notada quando a cidade se faz ouvir. Gritante. Exibicionista. Cruel. E é a mesma que testemunha o apaixonado casal de amantes, entrelaçados nos braços um do outro, resistindo a eminente separação. Mas se você olhar mais de perto, só um pouco mais, vai perceber a leve tensão dos músculos estriados sob a pele pálida da mulher.
É divertido como os olhos dela não contam a mesma história que seus gestos insistem em dizer. Eles transmutam uma malícia quase imperceptível em suas íris escuras. Os fortes traços de seu rosto refletem uma longa estrada que nada fazem além de resplandecer sua beleza.
Ela espera. Fingi. É quando se vê livre dos braços de seu suposto carcereiro que ela gradualmente toma forma. Uma grossa máscara escorregando por sua pele, para revelar sua verdadeira face. Os humanos são como pequenas obras de artes que gosto de observar em seus momentos mais íntimos. Debaixo da asquerosa escama que usam durante o dia. É quando apareço que eles libertam-se. E é um momento glorioso de assistir. Suas tripas para fora, restando o puro instinto e vontade.
Mas quem sou eu para julgar pobres mortais? Eu não julgo, não sinto. Apenas existo. Faço meu trabalho. E de tempos em tempos permito-me observar as pequenas obras de artes que tanto me interessam. Muitas vezes eles me encaram de volta, através das minúsculas órbitas de seus olhos. Admirados com minha imponência diante da escuridão. Eu sorrio para eles através de meu brilho majestoso.
Gosto dos humanos, a como gosto. Tão primatas hoje, como foram inicialmente.
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