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Descrição: Harry se encostou no umbral, olhando os enfeites e pensando.
Este seria um natal bem diferente, onde Lily os convenceu que toda a família precisava estar junta. Ele estava ansioso por que família agora incluía Draco Malfoy.
Ginny segurou sua mão por trás, o fazendo sorrir. Bastava um toque dela para ele se sentir melhor.
- Querido, eles já vão chegar. Eu queria que você tentasse conversar um pouco com Draco.
- Draco? – Por que ela usou o primeiro nome?
Ginny sorriu.
- Amor, nossa filhinha já esta casada com Scorpius há um ano, e você e Ron só falam o essencial com Draco. Acho que, como família, esta na hora de uma aproximação melhor. Que tal falarem sobre quadribol?
- Jogávamos na mesma posição em times opostos, e indiretamente, da minha parte, e diretamente, da parte dele, também disputávamos as melhores vassouras. Nem torcemos para o mesmo time.
Ginny suspirou e tentou de novo.
- E sobre política?
- Amor, você sabe que temos opiniões bem diferentes sobre maioria dos pontos políticos. Um com certeza vai puxar ao outro, e vai dar confusão.
Ginny se enfezou.
- Harry Potter, você trate de estabelecer uma relação bem amistosa com Draco. Scorpius é um genro muito bom, e duvido que isso venha de um pai ruim. Se hoje o clima estiver pesado na ceia, vamos ter problema depois.
E saiu para ver se o peru estava pronto.
Harry suspirou, resignado. Ron teria que ajudá-lo nisso. Talvez Mione também. Não, não. Só Ron.
A porta tocou e Harry ouviu Albus correr para atender. Ele devia estar esperando sua noiva Rosie, já que se casariam dali a um mês. Albus tinha ido ajudar com os preparativos.
Harry sorriu da lembrança de quando Rose e Albus declararam seu namoro aos pais. James passou o dia furioso por algum motivo. Lily estava zangada, mas claramente se via que era por nervoso e antecipação. Hugo passou o dia rindo aparentemente sem razão, tinha o riso fácil. Claro que os irmãos que passavam o dia juntos sabiam.
O sorriso de Mione, o choque de Ginny, a descrença de Harry e o rosto multicolor, seguido de uma amostra de quão bons os pulmões de Roneram, atravessaram os anos.
Entraram Ron, Mione, Rosie e Hugo, fazendo Harry voltar ao presente. Apesar de que começarem a namorar alguns meses antes, Rosie e Al casariam quase um ano depois de Lily e Scorpius. Harry nunca entendeu o porquê sua filhinha, seu bebê, tinha que se casar. E apesar de quase um ano depois, e saber que Scorpius era realmente decente, ele ainda se sentia um pouco ressentido. Parece que pais não querem que seus filhos cresçam, por mais que digam o contrario.
Mione entrou ligeiro, abraçando todos e falando depressa. Harry percebeu o nervoso. Olhou para Ron, que estava claramente meio chateado, e que lhe deu um olhar ‘quero falar com você.’ As crianças foram puxar conversa. Crianças.
Harry empurrou o pensamento para fora, irritado. Por que hoje se sentia tão nostálgico?!
As pessoas foram chegando, aos poucos. James e Katie, trazendo a vovó Weasley. Depois Lily e Scorpius, seguidos por segundos de Draco e Astoria. E então Teddy e Victorie, com John e Meggie. E os Weasleys foram chegando, tantos que Harry desistiu de contá-los.
Ron ficou impaciente e puxou Harry pelo braço para o escritório.
- Hermione quer que eu seja amiguinho do Malfoy. DO MALFOY. – exclamou, como se estivesse a ponto de colocar Hermione no St Mungus. – E ele é pai do seu genro, não do meu. Você é o pai do meu genro. E eu sou pai da sua nora. E eles são primos. Já não basta você ter casado com minha irmã? Como isso pode acontecer?
Harry só olhou para Ron, meio rindo, esperando que ele percebesse. Ele percebeu.
- Estávamos falando do Malfoy, e da Lily e do Scorpius, não da Rosie e do Albus, certo?
Harry riu e confirmou.
- Sim. E Ginny quer o mesmo de mim. Óbvio que elas conversaram de novo.
- Óbvio. – Se acalmando e rindo, mas ainda meio frustrado - Cara, eu amo a minha irmã, mas quando ela se junta à minha esposa, eu geralmente fico com vontade de enforcá-la. Você se importaria se eu machucasse sua esposa? Assim ela pararia de falar com a minha.
- Provavelmente, apesar de matar Hermione causaria o mesmo efeito.
- Certo, eu acho que podemos tentar.
Voltando a sala de jantar perceberam que os que faltavam já haviam chegado. Cumprimentaram-se e sentaram.
No jantar, a conversa rolava solta. As crianças estavam brincando com suas varinhas de brinquedo, ou praticando com as de verdade dos pais para quando entrassem em Hogwarts. Louis divertia os sobrinhos, e vovó Andrômeda ralhava com Teddy, fazendo os filhos dele rirem. Conversas eram puxadas por todos os cantos.
Ron teve a iniciativa, e Harry o admirou por isso.
- Então, Draco – Começou, só para ficar vermelho quando todas as outras conversas morreram. Ele realmente chamou o Malfoy de Draco? – Já faz um ano que Scorpius saiu da sua mansão. Vocês a sentem bem vazia, ou estão felizes com a calma?
Harry se controlou para não rir. Sentiu que Ron não conseguia evitar o sarcasmo totalmente ao falar com o outro. Mas apenas os que conviviam com Ron todos os dias perceberam. As pessoas ainda estavam abismadas pelo ruivo ter dirigido a palavra ao outro.
- Scorpius saiu de casa a três anos. – Disse o louro, num tom meio briguento, mas não totalmente, pois estava meio abismado e sem saber se o ruivo o queria provocar ou não. A um olhar de Astoria, decidiu colocar um pouco mais de educação na conversa.
- Sim, - continuou – a casa esta mais silenciosa, mas por hora a calma é boa. Talvez um dia quando os netos vierem...
Parou, e deixou alguns dos participantes vermelhos. Tentou então por outro ponto. Queria que parassem de olhar para ele.
- Daqui a um mês, mais ou menos, é o casamento de Rosie, certo? Recebemos o convite – e sorriu para a garota, que já os havia visitado com Albus, Lily e Hugo várias vezes. – Ela também vai sair de casa, então você me diz como se sente.
Ron tentou pensar em mais alguma coisa para dizer, mas não conseguiu e enfiou o garfo com pernil na boca.
Outro silencio meio desconfortável. Dessa vez, vovó Weasley o quebrou.
- Lily, querida, veja, este vinho é o mesmo do seu casamento, certo? E é tão gostoso. Por que você esta tomando o branco?
- Não, vó, não é vinho. É refrigerante. Hoje estou acompanhando as crianças.
- Por que, querida? Você esta grá-?
E parou.
Com todo o vermelho no rosto de Lily, e o sorriso rosado de Scorpius, a resposta era evidente.
Então todos começaram a brindar.
- A moça está grávida, não bebe – disse James sorrindo e abraçando a irmã.
- O moço então bebe o dobro. – Concluiu Hugo, apertando a mão do amigo.
Draco e Harry se juntaram a comemoração alguns segundos atrasados, com a ajuda de uma cotovelada de Albus.
Com alguns minutos, antes da sobremesa, preferiu sair da mesa e procurar algum lugar onde pudesse absorver o que estava sentindo. Ron o viu saindo e lhe mandou um olhar gozador que dizia claramente ‘aí está, a bomba estourou na sua mão, Mione não vai mais ficar chateada comigo.’
Foi para seu escritório/biblioteca. Ginny o olhou e viu que não devia segui-lo agora. Quando entrou, teve grande surpresa, ao perceber Draco atiçando o fogo da sua lareira.
- Olá – disse ele quando o viu. – Desculpe vir para cá, eu precisava de uns minutos para pensar.
- Sem problema, fique a vontade.
Eles sentaram nas poltronas, olhando o fogo, meio sem saber o que dizer, cada um perdido nos seus pensamentos. Procurando se afastar de um pensamento, Harry viu a testa enrugada do outro, se debatendo.
- O que você está pensando?
- No quanto eu sou burro.
A pergunta de Harry os surpreendeu, e a resposta de Draco mais ainda.
- Bem, explicando melhor, no momento eu estava pensando em quanto nossa vida mudou. Eu acabo de receber a noticia que vou ser avô, e muitas vezes penso que nem bom pai eu sou, quanto mais avô. E sei que parece idiotice, mas até agora a pouco eu nunca imaginei que eu e você teríamos os mesmos netos. Essa criança vai ser complexada.
Harry riu e disse:
- Ginny disse que queria que eu e você nos aproximássemos mais. Ela com certeza sabia. E agora que eu penso nisso, Hermione devia saber também, e não contou ao Ron para ele não me preparar.
- Essas palavras sobre Ginny, Astoria as me disse. Que grandes esposas arrumamos, não?
Eles riram um pouco, mas o incomodo voltou logo.
- Talvez essa criança não tenha que ser tão complexada. Nós não brigamos mais tanto.
- Por favor, Harry, você é mais burro que eu. Brigamos por tudo. Quando descobrimos sobre eles, sobre a data do casamento, sobre o lugar do casamento, em que casa morariam. Estamos pior que mulher.
- Bom, só por que você é idiota o suficiente para querer colocá-los numa casa com tantos cristais e coisas que quebram. Com tantos convidados, é obvio que iriam acontecer acidentes e vocês iam nos culpar e...
- Eu não o culpo por tudo, Potter, eu tenho meus próprios problemas.
- É evidente.
- Meu neto é meio Potter, sabe o que isso é para mim?
- O meu é meio Malfoy. Até seu nome ele vai carregar. O que isso significa para mim?
Eles perceberam que outra briga estava começando sair e respiraram fundo.
- Talvez devamos tentar parar de disputar. Nós parecemos as crianças. Não quero ser um avô assim. Não quero ser um pai assim. – disse Draco.
Harry respondeu: - sim, devemos tentar parar de brigar. Mas você é um bom pai, Draco. Scorpius é um bom menino, cuida bem da minha filha, e sempre fala maravilhas sobre você.
- Bem eu tento, – disse Draco num tom meio sarcástico, mas desistiu logo do sarcasmo – mas sei que não sou nenhum herói. Acho que por isso tento disputar tanto Harry, quero um bom lugar no coração dos que amo, inclusive nossos filhos.
Harry disse:
- Você já tem esse lugar. Já é um herói.
- Não sou nenhum Harry Potter.
- Não, é Draco Malfoy.
Dizendo isso, Harry percebeu que Malfoy mudara, e que ele mudara, e muitas coisas entre eles mudara.
Draco pareceu pensar a mesma coisa e disse:
- Fico imaginando, se tivéssemos nos tornado amigos no primeiro dia de Hogwarts, evitaríamos tantos problemas. Eu evitaria problemas.
Harry concedeu:
- Sim, talvez fosse mais fácil. Mas talvez não. Talvez você não se tornasse um comensal se fosse meu amigo, ou talvez eu me tornasse um. Mas com certeza não teríamos tantos problemas entre nós dois. Mas também não nos divertiríamos tanto.
Draco sorriu constrangido e disse:
- Droga Harry, você consegue sempre dizer a coisa certa?
- Deve ser convivência com Ginny, talvez até Hermione. Elas são as inteligentes.
- Bom, - ele estava bem constrangido – talvez possamos tentar de novo? – e estendeu uma mão amiga, meio vacilante.
Harry a aceitou e disse:
- Você me chamou de Harry.
- Bom, você me chamou de Draco antes, eu só não quis comentar.
Um elfo doméstico (assalariado, é claro), veio dizer-lhes que a Sra. Potter os estava chamando para a sobremesa.
Saindo da sala com o louro, pegou de novo o olhar de Ron, que se perguntava o que fazia por tanto tempo com o Malfoy. O pensamento do que o amigo diria quando soubesse que havia se tornado amigo do Malfoy o fez rir.
Harry olhou para toda aquela gente, conversando e rindo alto, e percebeu o que realmente lhe causava tanta nostalgia. Ele sentia falta do passado, da relativa calma, de quando era tudo mais simples. De quando só tinha os Dursley como família. Claro, ele trocava telefonemas com Duda; ainda hoje lhe ligou.
Vendo Teddy lhe piscar, ele percebeu então que aquela era sua família, sua grande família. Onde todos brincavam e se consideravam. Então, subitamente, se sentiu feliz. Por que apesar de ter sido feliz, hoje era muito mais feliz e sentia-se completo. Sorriu.
Ginny veio por trás e lhe apertou de novo a mão.
- Feliz natal.
Ele abriu ainda mais o sorriso. Estava muito feliz, muito completo. Estava com sua família, estava com Ginny.
Era realmente um feliz natal.
Fim.
N/A: Esta é minha primeira fanfic, então espero que sejam pacientes, compreensivos, e me deigam o que realmente acharam. Gostei do rumo que os personagens levaram. = )
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