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30. O Encantamento das Almas


Fic: O ENCANTAMENTO DAS ALMAS - R & Hr - COM CAPA - FIC COMPLETA!


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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N/A: Aí o capítulo 30, espero que gostem. E desde já peço desculpas por possíveis erros de digitação que vocês possam encontrar, pois não tive tempo nem de revisar o capítulo. E por favor não deixem de ler as considerações ao final. Beijos!


Capítulo XXX
O Encantamento das Almas



O céu sobre o precário cemitério já começava a assumir um tom claro acinzentado, o primeiro sinal de que o amanhecer já estava espreitando por ali, ameaçando a escuridão compacta e impenetrável daquela noite. Após um fugaz momento de sombrio e cortante silêncio, uma explosão de variados sons ecoou de uma vez, como se gradualmente um enxame de vorazes abelhas particularmente barulhentas se aproximassem. Murmúrios excitados confundiam-se com choros abafados e gargalhadas cínicas competiam com gritos desenfreados. E em meio a tudo isso, Rony sentia a queda de seu mundo inteiro, trincando os alicerces e desmoronando bem diante de seus olhos. Ele já não podia nem mesmo registrar o caos ao seu redor. Em sua cabeça todo o barulho tinha acabado e em seu corpo qualquer dor física tinha se evaporado. O garoto estava completamente impassível a tudo isso. Na verdade, a única dor que ele sentia era a intensa, insuportável e latejante estourando do interior de seu coração. Apenas duas cruciais palavras martelavam na mente dele:

“Hermione”. “Morta”.

Harry tinha a face manchada de lágrimas e guardava uma expressão incrédula e triste, enquanto Rebecca Brinks tinha caído ajoelhada logo que o corpo de Hermione batera no chão, parecendo tão miserável quanto os garotos, embora demonstrasse isso de uma forma muito mais passional, já que gritava a plenos pulmões, deixando transparecer em seus lamentos toda a dor e fúria que habitavam seu ser e a dominavam de forma absoluta.

-Cale-se, mulher estúpida! – esbravejou Voldemort logo depois que se recompôs do cruel acesso de gargalhadas em que estivera mergulhado. – Sua voz irritante é pior do que a de um espírito agourento! Fique quieta!

-VOCÊ A MATOU, SEU DESGRAÇADO, VOCÊ A MATOU!
– Rebecca continuou berrando, ignorando completamente as ordens recebidas.

-Fique quieta, imbecil, eu já disse! – rosnou Voldemort começando a mostrar sinais de impaciência.

-VOCÊ É DESPREZÍVEL! – a mulher prosseguiu gritando. – UM NADA, UM NINGUÉM! EU TE ODEIO! EU TE ODEIO!

Ela tomou impulso e se atirou sobre o corpo inerte e ainda morno de Hermione, o agarrando e o apertando contra si com força. As lágrimas deixavam seus profundos olhos castanhos e molhavam o pálido rosto da menina. Voldemort deu um risinho satisfeito, o olhar vermelho e maligno fixo na cena.

-Excelente. – murmurou ele esfregando as mãos cadavéricas muito brancas uma na outra. – Formidável!... Sim, sim, seu ódio está num nível muitíssimo satisfatório, Rebequinha... Eu até ousaria me arriscar a dizer que você está completamente pronta... Lúcio!

-Sim, milorde?
– o homem encapuzado deu um passo adiante, curvando-se numa meia reverência.

-Chegou a hora, meu ardiloso amigo. – falou Voldemort com sua voz fria e enregelante. – Quero tudo pronto para executarmos o feitiço.

-O que o mestre desejar.
– afirmou Lúcio ainda de cabeça baixa, claramente aguardando o restante das instruções.

-Para a realização do Encantamento das Almas o Doador deve permanecer no meio, entre os outros dois. – disse Voldemort. – Coloque Rebequinha entre mim e a carcaça da sangue ruim, Lúcio.

O homem loiro empertigou-se imediatamente e puxou Rebecca violentamente de cima do corpo imóvel de Hermione, colocando-a de pé na posição pedida pelo seu amo. A mulher esperneou e tentou chutar, mas Lúcio a agarrou mais firmemente, imobilizando seus dois braços e aplicando-lhe com o joelho um golpe duro e bem colocado sobre as costas.

Harry observava tudo paralisado. Suas entranhas pareciam dolorosamente congeladas e o ar que ele inspirava parecia não alcançar seus pulmões, ficando retido no bolo que congestionava sua garganta. Por mais que seus olhos vissem, ele simplesmente não podia acreditar no que tinha acontecido. Era potencialmente cruel e doloroso demais agüentar outra perda, saber que sua amiga, sua irmã, sua companheira de todos os momentos desde os seus onze anos tinha perdido a vida. Doloroso demais o conhecimento que nunca mais teria alguém que brigasse com ele por conta de lições deixadas para a última hora ou alguém que tivesse uma palavra de razão quando as coisas fugiam de controle. Cruel saber que o maldito do Voldemort arrancou dele outro pedaço de seu coração. Mais um, entre tantos. Um aperto incômodo torceu todos seus interiores e outra trilha fina de lágrimas surgiu detrás de seus óculos e deslizou ao longo de sua bochecha. Ele piscou com força para clarear a visão e desviou o olhar para seu outro amigo. Parecia impossível, mas ao encontrar os olhos do ruivo, Harry sentiu sua dor aflorar ainda mais impiedosamente: Rony era o retrato fiel do desespero e se tristeza tivesse uma face seria exatamente a que o garoto reservava em suas feições.

Harry piscou outra vez para se livrar das lágrimas, mas não desviou a atenção do amigo, vendo a transformação que ocorria gradualmente nos olhos dele, migrando de um celeste opaco e depressivo para um azul cobalto escuro, luminoso com ódio. Rony lentamente virou a cabeça, deixando de fitar o corpo caído de Hermione. Ele passou um olhar rápido por uma Rebecca chorosa, deu um relance curto a Harry e aos Comensais da Morte e em seguida fitou Voldemort demoradamente. Seus olhos flamejaram de raiva e revolta.

-SEU DEMÔNIO! – berrou ele de repente, a voz engasgada e cheia de fúria. Todos os presentes se viraram para encará-lo, Voldemort e os Comensais parecendo ligeiramente surpresos pela explosão súbita de alguém que eles sequer se lembravam que continuava ali.

-VOCÊ A MATOU! COMO VOCÊ PÔDE? COMO VOCÊ PÔDE MATAR HERMIONE? – Rony continuou gritando, as lágrimas contidas por alguns minutos finalmente escapando furiosamente, molhando todo seu rosto e pescoço. Ele fitou Voldemort (que ria debochadamente) por mais alguns segundos e então olhou para o céu, como se pedisse uma explicação para tudo aquilo. A claridade já tinha aumentado bastante e agora o sol começava a despontar timidamente na linha do horizonte.

-COMO VOCÊ AINDA PODE FAZER ISSO? – gritou o menino entre soluços, ainda encarando o céu. – COMO VOCÊ PODE NASCER DEPOIS DISSO? COMO VOCÊ PODE RAIAR DEPOIS DISSO? VOCÊ BRILHA COMO SE SEMPRE HOUVESSE UM AMANHÃ! MAS NÃO VAI HAVER! VOCÊ ME OUVIU BEM? NÃO VAI HAVER!

O ruivo deixou-se cair de joelhos sobre a terra fofa, bem amarrado e por essa razão se firmando com dificuldade. Seu choro e seus soluços faziam seu corpo inteiro tremer. Voldemort e Comensais da Morte observavam-no sorridentes, Rebecca chorava indiferente e Harry, sufocado com sua própria dor, fechou os olhos para não assistir o sofrimento do amigo, embora não pudesse deixar de ouvi-lo:

-Não haverá um amanhã... Não haverá um amanhã... – Rony repetia, agora baixinho e com a cabeça curvada, o queixo encostado ao peito. Ele voltou a olhar para o céu e continuou a murmurar: - Não haverá um amanhã, sol. Não haverá... Talvez para você haja... Você sempre conseguirá brilhar, não é? Mas eu não, sol, eu perdi meu brilho... Eu perdi Hermione! Eu não cumpri a promessa que fiz ao pai dela, não cumpri a promessa que fiz à ELA... Eu não consegui protegê-la, sol. Eu sou um bosta inútil!...

Ele pausou e deu uma olhada ao redor, parando no corpo da garota, como se esperando que ela se erguesse e saltasse sobre ele, alegre e dando risadas. Quando isso não aconteceu, ele prosseguiu, berrando novamente:

-MAS PARA ELA NÃO HAVERÁ UM AMANHÃ!... PARA MIM NÃO HAVERÁ UM AMANHÃ!... E ISSO NÃO É CERTO! ISSO NÃO É JUSTO! ELA TINHA SÓ DEZESSETE ANOS! ELA TINHA SÓ DEZESSETE ANOS!

Rony encostou o queixo no peito outra vez e os soluços desesperados tomaram conta dele, enquanto lágrimas salgadas molhavam sua boca e o excesso de choro avermelhava seu nariz.

-“Ela tinha só dezessete anos”... – zombou Voldemort com vozinha de falsete, causando uma onda de gargalhadas entre os Comensais da Morte. – Ora, dezessete anos é uma vida demasiadamente longa para uma Sangue-Ruim como ela. Esse tipo de escória nem deveria nascer, ou na pior das hipóteses, todos eles deveriam morrer ainda na primeira infância.

-CALE A BOCA, SEU NOJENTO ASQUEROSO!
– esbravejou Rebecca cheia de ódio.

-Cale-se você, porca imunda. – retrucou Voldemort. – Crucio.

A mulher se enrolou como um grande inseto, se contorcendo, encolhendo as pernas e braços e se debatendo violentamente. Os gritos emitidos por ela eram de perfurar os tímpanos.

-Muito bom, muito bom... – disse Voldemort erguendo a varinha e suspendendo a maldição. – Realmente isso é absurdamente divertido, mas já estou ficando farto... É muita patetice para uma noite só... Lúcio!

-Sim, meu amo?
– o loiro platinado se prontificou outra vez.

-Agora sem mais NENHUMA interrupção... O Encantamento das Almas deverá ser executado. Devolva a varinha de Rebecca Brinks à sua própria dona.

-Devolver à ela, milorde?
– Lúcio perguntou, confuso.

-Quer que soletre, Lúcio? – cortou Voldemort friamente. – Sim, devolver à ela. A parte prática do Encantamento das Almas deve ser realizada pelo Doador e para isso Rebequinha precisará de sua varinha. Conseguiu acompanhar o raciocínio ou devo desentupir seus ouvidos e lhe ensinar que os bruxos costumam usar as varinhas para executarem feitiços?

Lúcio manteve-se em silêncio, o que considerou mais digno, mas retirou a varinha de Rebecca do lugar onde estava escondida, o bolso interno de sua longa capa negra. Ele já se preparava para entregá-la à mulher quando Voldemort voltou a falar, num tom nitidamente irritado:

-Não está se esquecendo de nada, Lúcio? Não acha que falta alguma coisa?

O Comensal congelou-se no mesmo lugar, dando um relance nervoso a seu mestre, mas não teve tempo de responder, já que Voldemort continuou rosnando:

-Você acha prudente entregar uma varinha à uma prisioneira completamente desamarrada? – indagou. – É claro que ela não teria a menor chance de se safar, mas não estou com tempo nem paciência para brincar de caça ao rato agora, então é melhor fazermos isso direito, meu caro.

Os olhos cinzentos de Lúcio Malfoy se iluminaram e ele pareceu entender.

-Quer que eu mesmo faça, milorde? – perguntou ele.

-Ah, Lúcio! – exclamou Voldemort em sua zombaria habitual. – Quanta sede se provar eu vejo em você... Mas não é necessário querer se mostrar nesse caso, meu caro. Já estou completamente certo de que você é razoavelmente capaz de lançar uma maldição “Imperius” ligeiramente boa...

-Sim, milorde.
– murmurou Malfoy, parecendo descontente.

-Portanto você não terá a honra, Lúcio. Eu mesmo cuidarei disso.

Voldemort apontou sua varinha na direção de Rebecca (que continuava chorando, só que silenciosamente) e declarou:

-Imperio.

Um fino jato de luz deixou a ponta da varinha na direção da mulher, mas Rebecca rolou para o lado, se desviando.

-Já falei que o papai está sem tempo para brincar, Rebequinha... – desdenhou Voldemort. – Imperio.

Rebecca tentou se desviar novamente, mas não foi rápida o suficiente dessa vez e a luz da maldição a atingiu diretamente no peito. Imediatamente seus profundos olhos castanhos tornaram-se fora de foco.

-Isso... Assim que eu gosto, filhinha. – Voldemort disse com sarcasmo. – Totalmente obediente e submissa como todas as filhas deveriam ser. Está esperando o que para cumprimentar o papai decentemente? Vamos, tenha modos!

Ele apontou de novo a varinha para Rebecca e ela ficou de pé subitamente, caminhou devagar até Voldemort e assim que chegou bem diante dele se curvou numa exagerada e quase cômica reverência.

-Beije a barra de minhas vestes, Rebecca! – ordenou ele.

Obedientemente ela fez como ordenado, tocando os lábios na extremidade esvoaçante daquela capa negra e beijando-a demoradamente. Em seguida ela fez o mesmo em cada um dos pés muito brancos e cadavéricos de Voldemort e, erguendo-se, repetiu o gesto em ambas as mãos de dedos longos, finos e gelados daquele ser mórbido.

-Ah, agora sim você agiu corretamente. – zombou. – Podemos passar para a melhor parte, finalmente... O amanhecer já está chegando e quero entrar nele como um novo bruxo. O bruxo mais poderoso de todos os tempos e o único a alcançar a imortalidade!...

-VOCÊ NÃO VAI CONSEGUIR!
– gritou Harry. – POR MAIS QUE VOCÊ ALCANCE A IMORTALIDADE, VOCÊ NUNCA SERÁ O BRUXO MAIS PODEROSO DO MUNDO! DUMBLEDORE É E SEMPRE SERÁ O DONO DESSE POSTO!

-Ninguém pediu a sua opinião, molequinho intrometido!
– protestou a voz estridente de Belatriz Lestrange. – Desse jeito vou ter que ensinar o bebezinho Potter respeitar os seus superiores!

-CALE A BOCA, SUA INFELIZ!
– retrucou Harry. – NÃO OBEDEÇO ORDENS DE UM PROJETO DE BRUXA QUE GASTA SUA VIDA DIZENDO “SIM SENHOR” E “NÃO SENHOR” PARA UM DEMENTE E NUNCA RECEBE NADA EM TROCA POR ISSO!

-Ora, seu-
- começou ela puxando a varinha e apontando-a diretamente para o coração do garoto, mas Voldemort a parou, sibilando em um tom perigoso e amedrontador:

-Sossegue, Bela. – disse ele. – Potter terá o que merece e engolirá cada palavra assim que o feitiço tiver sido realizado. Tudo tem a sua hora.

Harry abriu a boca para responder, mas antes que fizesse isso outro grito amargurado cortou o ar:

-POR QUE VOCÊ NÃO ANDA LOGO COM ISSO, ENTÃO? – a voz estranha e soluçante de Rony perguntou, enquanto os olhos do menino exalavam ódio. – DESDE O COMEÇO DA NOITE VOCÊ ESTÁ FALANDO NESSE DIABO DESSE FEITIÇO, MAS FAZÊ-LO MESMO QUE É BOM, NADA! CHEGA DE LERO-LERO, ENTÃO! FAÇA LOGO O INFERNO DESSE ENCANTAMENTO! CHEGA DE FALAR E COMECE A AGIR, SEU DESGRAÇADO!

Harry olhou espantado para o amigo e todos os Comensais da Morte ofegaram juntos, como se fossem uma só entidade. Voldemort encarou o ruivo em silêncio por alguns segundos antes de falar muito calmamente:

-Atrevidinho penetra, você pagará caríssimo por essa insolência!... Mas até que você está certo, Sr. “Ela-tinha-só-dezessete-anos”... Está na hora de agir!

Ele desviou sua atenção de Rony e se virou para Rebecca:

-Assuma seu lugar de Doadora, Brinks. – mandou rispidamente apontando-lhe a varinha uma vez mais. Ela andou lenta e deliberadamente, parando justamente entre Voldemort e o corpo estirado de Hermione. Os meninos trocaram um breve olhar, cheio de preocupação, tristeza, raiva e desespero.

-Bem, você sabe exatamente o que deve ser feito, Rebecca Brinks. – continuou Voldemort. – Assim que pronunciar as palavras do feitiço aponte sua varinha ao Receptor, nesse caso eu, e me doe sua alma. Imortalidade, me aguarde!!

Ele ergueu a varinha num movimento veloz em direção à mulher e ela tomou uma respiração funda. Harry, que observava a cena apático, pensou ter visto um deslumbre diferente tomar conta dos olhos dela, mas Rebecca começou a falar e o estômago do menino afundou juntamente com seus últimos fragmentos de esperança.

-Ãnima Encantaten. – falou a professora de modo bastante claro. Harry a ouviu, sentindo que tudo terminara da pior maneira possível. Ele fechou os olhos, derrotado, perdendo assim a seqüência de acontecimentos que se sucederam: como se em câmera lenta, Rebecca levantou devagar a mão que segurava a varinha, mas num momento fugaz, no último milésimo de segundo, ela apontou o objeto na direção do corpo sem vida de Hermione.

-NÃÃÃÃÃÃÃOOOOO!! – urrou Voldemort transbordando de fúria e demonstrando frustração.

Rony ergueu uma sobrancelha em confusão e Harry, sabendo que algo naquele plano sórdido obviamente dera errado, abriu os olhos e espiou de imediato: uma luz rosa fortíssima de cegar os olhos e com uma beleza infinita estranhamente sombria começava a envolver Voldemort, Rebecca e Hermione, causando incômodos calafrios em todos os presentes. O olhar da professora agora já não estava mais vidrado e guardava um brilho determinado, mostrando que ela tinha se livrado do controle da maldição “Imperius”. Ela agilmente girou o corpo no mesmo lugar e mirou a varinha para Harry, bradando:

-Diffindo!

Um raio fino flamejou da ponta do objeto e atingiu a corda que prendia o garoto, arrebentando-a em diversos pedaços menores. Ele piscou abobado por um momento, mas sem pensar, apenas agindo por instinto, desviou-se para o lado e jogou-se sobre o chão de terra assim que os Comensais da Morte começaram a disparar feitiços e azarações em sua direção.

-Harry, segure! – gritou Rebecca lançando sua varinha para o menino. Ele levantou a cabeça alguns centímetros, tendo o cuidado para se safar dos perigosos clarões que se cruzavam e explodiam acima dele, ignorando a dormência de suas pernas e braços e a dor massacrante da cicatriz à sua testa. Usando sua agilidade de Apanhador e seus ótimos reflexos do Quadribol, ele rolou habilmente para a direita e ergueu a mão, apanhando a varinha e apertando-a aliviado.

Voldemort continuava a berrar, furioso, e os Comensais, todos parecendo absolutamente temerosos, agora tinham desistido de tentar acertar Harry e tentavam, em vão, destruir uma barreira cintilante cor de fogo que tinha isolado o mestre deles, Rebecca Brinks e Hermione.

-Milorde, o que devemos fazer? – indagou a voz desesperada de Dolohov. Ele, juntamente com seus comparsas mascarados, disparava faíscas multicores contra a barreira ininterruptamente, mas elas apenas morriam ao se encontrarem com a superfície ígnea, como se a luminosidade do fogo apenas as sugasse e as absorvesse.

-Nada pode ser feito mais, seus palermas imprestáveis! – vociferou Voldemort em resposta, seu ódio presente em cada sílaba e o mesmo sentimento fazendo com que uma veia saltasse continuamente em sua têmpora viperina. – O Encantamento das Almas está se realizando!

A intimidadora luz rosa tinha agora multiplicado de intensidade, ainda envolvendo as três figuras no interior da barreira. Repentinamente, um clarão milhões de vezes mais forte, de forma esférica, ia surgindo do peito de Rebecca Brinks, se desprendendo aos poucos do corpo da mulher e ofuscando tudo ao redor. A luminosidade rosa parecia apagada perto da esfera prateada e os tímidos raios do sol recém surgido eram pálidos e tristes se comparados a tal clarão exuberante.

Harry e Rony pareciam vidrados na cena e até mesmo os Comensais da Morte tinham interrompido os ataques à barreira mágica para observar melhor o que ocorria dentro dela. Rebecca deu um sorriso aguado na direção dos garotos e quando o clarão cintilante finalmente se soltou por completo do seu peito, ela desabou lentamente sobre a terra coberta de mato, numa graciosidade sinistramente bela. Todos encararam de olhos bem arregalados a coreografia fúnebre da professora e mantiveram as atenções voltadas para o corpo dela espichado ao chão. Sereno. Morto.

Apenas um par de olhos azuis seguiram outro rumo. Rony viu a esfera de luz prateada se desprender de Rebecca Brinks e a acompanhou com o olhar, sentindo um arrepio descer por sua espinha assim que viu o destino final daquela exuberância luminosa: a esfera flutuou pelo ar frio do amanhecer como um grande pássaro encantado e foi pousar delicadamente sobre o peito imóvel de Hermione, adentrando o corpo da garota.

Então, subitamente, a luz rosa se apagou, a barreira cor de fogo desapareceu e o cemitério mergulhou outra vez em pálidos tons opacos, pastéis, sendo iluminado fracamente pelas tonalidades cinzentas de um fim de noite e começo de dia. Somente dois pontos eram escandalosamente brilhantes agora, chegando a afrontar a palidez do ambiente: o pingente de diamante em formato de estrela descansando sobre o peito de Hermione, que subia e descia de modo instável em conseqüência de uma respiração irregular, e o olhar muito azul de Rony, flamejando paixão e derrubando lágrimas de felicidade por ver sua amiga, sua alegria, sua garota viva novamente, decifrando em ação o verdadeiro significado da palavra “milagre”.

-Mione... – ele sussurrou com a voz trêmula e rouca. – Mione... – repetiu mais alto. – MINHA MIONE!... HERMIONE! – completou já gritando, seu coração demasiado pequeno para a intensidade do alívio que sentia e completamente frágil para carregar uma carga tão gigante e intensa da magia chamada “amor”.

-Meu amo... – gaguejou um dos Comensais nervosamente, seus olhos muito redondos visíveis por trás da máscara viajando de Rony para o corpo não mais imóvel de Hermione e dela para a figura inanimada de Rebecca Brinks. – O que... o que foi que aconteceu? Por que ela... E a garota...?

Voldemort, que tinha deixado suas pálpebras se fecharem em desgosto e guardava na face a expressão de ódio mais medonha que ninguém poderia sequer sonhar, abriu os olhos de uma vez e se virou para o homem, que se encolheu ligeiramente com a frieza daquele olhar vermelho escarlate.

-A desgraçada estragou tudo, Nott. – sibilou ele. – Essa é a outra face do Encantamento das Almas! O feitiço usa a alma do Doador para dar vida eterna a alguém vivo ou para ressuscitar alguém morto! E A IMBECIL DA BRINKS ESTRAGOU TUDO! – trovejou aos berros.

Os Comensais da Morte pareceram horrorizados. Harry levou sua mão livre direto à testa, pressionando a cicatriz com as pontas dos dedos e lutando bravamente para conter o desejo de gritar de dor. A outra mão agarrava a varinha de Rebecca com firmeza, enquanto suor molhava seu pescoço e fazia com que suas vestes aderissem ao seu corpo como uma segunda pele. O menino poderia sentir em si mesmo o reflexo da raiva cruel de Voldemort, sentimento que o feria e o atormentava, dando-lhe a impressão que estavam espremendo suas entranhas e rasgando sua cabeça em duas partes iguais. Ele tomou fôlego, gemendo baixinho, e, tendo todo o cuidado possível para que as atenções não se voltassem de novo para ele, mirou a varinha para Rony, que sorria bobamente, completamente aéreo.

-Diffindo! – ofegou debaixo da sua respiração.

O feitiço atingiu em cheio a corda que envolvia o corpo do ruivo, reduzindo-a a pedaços também. Ele pareceu surpreso e olhou para Harry, finalmente saindo da espécie de transe em que estava desde que a esfera de luz prateada pousara sobre o peito de Hermione.

-Tire. Hermione. Daqui. – sussurrou Harry lentamente ao amigo sem emitir som algum, apenas mexendo a boca e torcendo para que Rony fizesse a leitura labial.

E ele o fez: com um aceno minúsculo de concordância, o ruivo ficou de pé e deu um passo na direção de onde a garota estava caída, mas não conseguiu caminhar meio metro e o cemitério fracamente iluminado clareou subitamente e outra vez diversos feitiços estavam sendo disparados, vindo de todos os lugares e chocando-se uns com os outros pelo ar. Rony se desviou de alguns e mergulhou para o chão, se atirando sobre Hermione e protegendo-a com o corpo, mas não antes de um dos raios o atingir por trás com uma força sobrenatural. Ele sentiu uma dor afiada e em seguida algo quente escorrendo pelas costas, sinal que seu próprio sangue estava jorrando e encharcando suas vestes. Mas não importava o sangue. Não importava a dor. Não importava o ferimento. Só o que importava era que Hermione estava viva. E ele suportaria tudo e escaparia dali. Por ela. Por eles.

-Não tão rápido, Potter! – o menino ouviu a voz arrastada de Lúcio Malfoy gritar e olhou por cima do ombro para ver Harry e o Comensal um pouco mais afastados dos demais, o menino com a varinha de Rebecca erguida à frente do rosto de maneira decidida, o supercílio direito sangrando. – Você não irá a lugar algum! – continuou o loiro. – Não é porque as coisas não saíram exatamente como deveriam que você está dispensado...

-O-ho, as coisas não saíram como deveriam, é?
– perguntou Harry provocando. – Seu querido “milorde” se danou de novo?... E a propósito, por que foi VOCÊ quem assumiu o controle de repente?

Voldemort meramente encarou a cena, mas Belatriz Lestrange se exaltou:

-INSOLENTE! – berrou ela se virando para o garoto e lançando-lhe uma azaração não-verbal.

-Protego! – ele se defendeu depressa ao ver o clarão e este explodiu de volta aos pés da mulher, que cambaleou para trás.

-Não se meta, idiota! – Lúcio ralhou olhando Belatriz com desprezo. – Eu acabarei com esse verme para o mestre!

-Não se meta VOCÊ, Malfoy!
– cortou ela, irritada. – Não fui EU quem falhou ao comandar o fiasco de missão no Departamento de Mistérios ano passado!

-Ora, como você se atreve, sua...
– rosnou Malfoy apontando-lhe a varinha num ímpeto de fúria. Belatriz fez o mesmo, mas antes que qualquer um dos dois pudesse de fato agir, Voldemort se aproximou de ambos e ergueu a própria varinha, seus medonhos olhos vermelhos reluzindo sob os lânguidos raios de sol do amanhecer.

-Crucio. – murmurou em sua voz fria e aguda. – Vocês irão aprender que não se deve lavar as roupas sujas na frente das “visitas”...

Malfoy e Belatriz desabaram imediatamente sobre a terra, rolando e urrando de dor. A cicatriz de Harry também ardeu em brasas outra vez, mas aproveitando-se que as atenções de Voldemort e dos outros Comensais estavam voltadas para as duas figuras arquejantes no chão, o menino agiu rápido: ele levantou a varinha de Brinks no alto e disse com firmeza:

-Accio varinha!

E prontamente o objeto surgiu, deslizando do fundo do bolso interno da capa de um dos Comensais da Morte e vindo parar diretamente na posse de seu dono, que a apanhou com a mão esquerda, grato. O Comensal se voltou de imediato para o garoto.

-Rony, pegue! – falou Harry ao mesmo tempo que atirava a varinha de Rebecca ao amigo. O ruivo rolou e, esticando o braço, a agarrou. O sangue que esvaía de suas costas agora umedecia ainda mais a terra do cemitério.

Lúcio e Belatriz continuavam sendo castigados, soltando gritos agonizantes cada vez mais altos, o que Harry agradeceu intimamente, já que era a distração que ele precisava e, sendo assim, todos pareciam ter esquecido por alguns instantes que havia mais alguém ali. Todos, exceto o Comensal do qual Harry tinha recuperado sua varinha: Antônio Dolohov.

-Estupefaça! – ele berrou, embora sua voz fosse abafada pelos lamentos retumbantes de Malfoy e Lestrange. O feitiço passou a centímetros da cabeça de Harry, que se jogou novamente para baixo.

-Expelliarmus! – gritou o menino mirando a varinha de qualquer jeito para Dolohov. O raio vermelho recaiu muito longe do alvo, explodindo no tronco de uma árvore próxima, que balançou inteiramente e tombou um pouco.

-Petrificus totalus! – Harry ouviu a voz de Rony vinda de algum lugar e ergueu a cabeça em tempo de ver o corpo de Dolohov enrijecer e cair para trás, imóvel.

Porém, nessa altura a confusão causada por eles já era suficientemente grande demais para passar despercebida e vários outros Comensais já recomeçavam a atacar. Felizmente, Voldemort ainda continuava preocupado em torturar seus dois servos, alheio às outras coisas e parecendo cego de ódio.

-Rony, faça o que eu falei! – pediu Harry com urgência entre um grito e outro de “Protego”. – Tire ela daqui! Depressa!

Mas o tempo gasto para dizer isso foi crucial para o menino, que não conseguiu se desviar rápido o bastante de uma azaração lançada por Crabbe e o raio de luz roxa bateu-lhe de raspão sobre o pescoço, rasgando sua pele e carne num corte feio e por pouco não atingindo sua jugular. Harry apalpou a ferida instintivamente e sangue sujou seus dedos e salpicou de vermelho vivo a gola de suas vestes. O garoto ignorou, concentrando apenas em escapar. Ele se desviou de um novo feitiço, defendeu-se de outro e puxou o corpo de Rebecca Brinks pelo braço, a arrastando para trás de uma sepultura marmórea alta com o ornamento de uma cruz encarrapitada em cima.

Entrementes, Rony tentava fazer o que o amigo pedira, que coincidentemente também era o que seu coração mandava: tirar Hermione dali. Pois mesmo que uma parte de si estivesse em estado de graça, festejando pelo fato da menina estar viva, uma outra parte o cutucava, aquela pessimista que habitualmente o atormentava com pensamentos e devaneios horríveis onde tudo dava errado sempre. Essa parte irritantemente continuava a indagar o porquê de Hermione não ter acordado ainda, repetindo em sua cabeça que ela estaria muito ferida para isso ou afirmando em seu ouvido que o tal encantamento tinha falhado em algum ponto. Essa parte também insistia em lembrá-lo que Hermione passara por diversas sessões de tortura com a “Cruciatus” e, se não bastasse, fôra vítima de um “Avada Kedavra”. E essa parte conseguiu o pior feito: Rony novamente teve medo da perda. E chorou outra vez.

-Rony, DEPRESSA! – a voz de Harry berrou de algum lugar muito à frente e o ruivo viu que praticamente todos os Comensais e o próprio Voldemort se apressavam na direção de onde o amigo estava escondido, carbonizando árvores e arrebentando sepulturas pelo caminho. Rony olhou para baixo e analisou a figura pálida de Hermione por uma fração de segundo. A menina estava respirando irregularmente e o minúsculo sorriso tinha desaparecido de seus lábios, que tinham um tom fraco de roxo. Ela parecia mal, terrivelmente fraca e doente.

-Vai ficar tudo bem, Mione, e dessa vez eu não prometo, eu JURO. – sussurrou Rony acariciando as bochechas muito arranhadas de Hermione e afastando uma mecha de cabelos que estava grudada na testa suada da garota. Ele beijou seu rosto suave e rapidamente e ergueu a menina nos braços tão cuidadosamente quanto se estivesse carregando algo frágil como uma boneca de louça e precioso como uma estatueta de diamante. O peso da garota aumentou o sangramento do ferimento em suas costas, que latejou dolorosamente, mas Rony não deixou se abalar: piscando com força e tomando uma respiração longa, ele apoiou Hermione contra o peito, firmando-a com uma mão e levantando a varinha de Rebecca Brinks com a outra.

-Accio pacote! – ofegou ele e momentos depois um dos pequenos pacotes-portais surgiu cortando o ar, refulgindo como um pomo-de-ouro sob os primeiros raios de sol da manhã. O ruivo sentiu seus olhos cegarem brevemente com o reflexo causado pelo objeto, mas antes do embrulho tocar seus dedos, ele ainda teve tempo de ver as barras das capas pretas de diversos Comensais sumirem na curva além de um túmulo muito adiante. E então, o mundo girou e a infinidade de cores e vento engolfou Rony e Hermione. Em segundos os dois bateram contra o chão duro da sala de Rebecca Brinks, mas o menino manteve-se de olhos fechados por vários minutos apertando Hermione contra si como se sua vida dependesse disso. Ele só voltou a observar quando algo pesado caiu sobre suas costas, abrindo mais seu machucado, que latejou como nunca: Harry tinha desabado ali também, trazendo com ele o corpo da professora, a varinha de Rony, outro pacote-portal e um corte profundo no pescoço.

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N/A: Em primeiro lugar: milhões de agradecimentos a todos que aguardaram o capítulo e a todos que continuaram lendo a fanfic, pois como eu previ, muita gente se revoltou depois de ler o 29, ameaçando, xingando e tudo o mais. Mas também devo parabenizar a todos que previram os acontecimentos desse capítulo. Fiquem tranqüilos que tudo será devidamente explicado na hora certa.

No mais fico aguardando as opiniões, comentários, críticas e tudo o mais, ok? Um super obrigada a cada um, e como já disse uma infinidade de vezes, se não fosse o apoio de vocês eu já teria deixado de escrever há tempos. Valeu!!

Beijos nos corações de todos!

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Comentários: 2

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Enviado por Andréa Martins da Silva em 09/11/2013

Ufa! Só continuei lendo porque acreditei que a morte de Mione seria de alguma forma revertida. Perfeito. Mais uma vez parabéns por esse capítulo tão lindo.

Nota: 5

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Enviado por Lana Silva em 08/03/2012

UALLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL Emocionante! Menina você arrasou O.O
Ameiii o capitulo *-* 

Nota: 5

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