Capitulo Um: Viagem à Hogwarts.
Por: Harry Potter.
Acordei com o despertador tocando às sete e meia da manhã, desligando-o, observei Gina dormindo e sorri pensando o quão complicado fora para estarmos juntos. Voltando ao presente, toquei-lhe o rosto com carinho vendo-a sorrir e abrir os olhos devagar e me fitar com o mesmo amor de dezenove anos atrás.
- Bom dia, querida. – sorri.
- bom dia, amor. – respondeu sorrindo. – que hora é? – perguntou.
- Sete e quarenta e cinco. – suspirei e me sentei, colocando os óculos. Gina se sentou do meu lado. – vou me arrumar e acordar as crianças.
- Vou pôr a mesa. – Gina se levantou e foi para a cozinha.
Levantei-me, arrumei a cama e fui colocar uma calça jeans, camiseta e casaco, fiz minha higiene e fui ao quarto do Tiago, abrindo as janelas e deixando a claridade entrar no quarto, fazendo Tiago se revirar na cama e cobrir os olhos resmungando.
- Acorda Tiago. – falei ao puxar o cobertor do rosto dele, que me olhou emburrado. – Levanta. – sorri quando ele sentou na cama.
- Que hora é? – perguntou, coçando os olhos.
- Hora de se arrumar e tomar o café. – respondi.
- E implicar com o Alvo. – acrescentou Tiago indo para o banheiro.
- Rebelde como o avô. – comentei e fui acordar os outros.
Quando todos ficaram prontos já era quase dez horas, então colocamos as malas dos meninos no carro, cada um deles pegou a sua coruja e partimos. Chegamos à estação King’s Cross às dez e meia, pegamos dois carrinhos, colocamos as duas gaiolas em cima das malas que enchiam os carrinhos que eu e Gina empurrávamos, as corujas piavam indignadas. Lílian acompanhava chorosa os irmãos, agarrada à minha mão.
- Não vai demorar muito, e você também irá. – eu lhe disse.
- Dois anos. – fungou Lílian. – Quero ir agora.
Os passageiros olharam curiosos para as corujas quando nós passamos em ziquezaque para a barreira entre as plataformas nove e dez. A voz de Alvo chegou aos meus ouvidos apesar do barulho reinante; meus dois filhos tinham retomado a discussão começada no carro.
- Não quero ir! Não quero ir para Sonserina!
- Tiago, dá um tempo! – pediu Gina.
- Eu só disse que ele talvez fosse. – defendeu-se Tiago, rindo do irmão mais novo. – Não vejo problema nisso. Ele talvez vá para Sonse... – Tiago, porém, viu o olhar da mãe e se calou.
Nos aproximamos em silêncio da barreira. Lançando um olhar ligeiramente arrogante por cima do ombro, Tiago apanhou o carrinho que a mãe levava e saiu correndo. Um instante depois tinha desaparecido.
- Vocês vão escrever para mim, não vão? – perguntou Alvo para nós, capitalizando imediatamente a ausência momentânea do irmão.
- Todos os dias, se você quiser. – respondeu Gina.
- Todo dia não. – replicou Alvo, depressa. – O Tiago diz que a maioria dos alunos recebe carta de casa mais ou menos uma vez por mês.
- Escrevemos para Tiago três vezes por semana no ano passado. – contestou Gina.
- E você não acredite em tudo que ele lhe disser sobre Hogwarts. – eu acrescentei. – Ele gosta de brincar, o seu irmão.
Lado a lado, nós empurramos o segundo carrinho e ganhamos velocidade. Ao alcançarmos a barreira Alvo fez uma careta, mas a colisão não ocorreu. Em vez disso. Emergimos na plataforma nove e meia, que estava encoberta pela densa fumaça clara que saía do Expresso de Hogwarts. Vultos indistintos pululavam na névoa, em que Tiago já desaparecera.
- Onde eles estão? – perguntou Alvo, ansioso, espiando os vultos brumosos pelos quais passávamos ao avançar pela plataforma.
- Nós os acharemos. – tranqüilizou-o Gina.
Mas o vapor era denso e estava difícil distinguir os rostos das pessoas. Separadas dos donos, as vozes ecoavam anormalmente altas. Pensei ter ouvido Percy discursar sonoramente sobre o regulamento para uso de vassouras, e fiquei feliz de ter um pretexto para não parar e cumprimentar.
- Acho que são eles, Al. – disse Gina, de repente.
Um grupo de quatro de pessoas que estavam paradas ao lado do ultimo vagão emergiu da nevoa. Seus rostos só entraram em foco quando estávamos quase em cima deles.
- Oi. – disse Alvo, parecendo imensamente aliviado.
Rosa, que já estava usando as vestes de Hogwarts recém-compradas, deu-lhe um grande sorriso.
- Afinal, conseguiu estacionar direito? – Rony me perguntou. – Eu consegui. Hermione não acreditou que eu pudesse passar no exame de motorista dos trouxas, mão é mesmo? Achou que eu ia precisar confundir o examinador.
- Não pensei, não, – repicou Hermione. –, fiz a maior fé em você.
- Pois eu o confundi, mesmo. – Rony sussurrou para mim, quando nós embarcamos o malão e a coruja de Alvo no trem. – Só me esqueci de olhar pelo retrovisor externo, e, cá entre nós, posso usar um Feitiço Supersensorial para isso.
De volta à plataforma, encontramos Lílian e Hugo, o irmão mais novo de Rosa, entretidos em uma animada discussão sobre qual a Casa para a qual seriam selecionados, quando finalmente fossem para Hogwarts.
- Se você não for para a Grifinória, nós o deserdaremos – ameaçou Rony. –, Mas não estou pressionando ninguém.
- Rony!
Lílian e Hugo riram, mas Alvo e Rosa ficaram preocupados.
- Ele não está falando sério. – disseram Hermione e Gina, mas Rony já não estava prestando atenção. Atraindo o meu olhar, ele acenou discretamente com a cabeça para um ponto a uns cinqüenta metros. O vapor tinha rareado por um momento, e três pessoas estavam paradas destacando-se contra a névoa em movimento.
- Veja só quem está ali.
Draco Malfoy estava parado com a mulher e o filho, um sobretudo escuro abotoado até o pescoço. Seus cabelos já revelavam entradas que salientavam o seu queixo fino. O novo aluno parecia com Draco tanto quanto Alvo parecia comigo. Draco viu Rony, Hermione, Gina e eu olhando para ele, deu um breve aceno com a cabeça e se afastou.
- Então aquele é o pequeno Escórpio. – comentou Rony e, voz baixa. – Não deixe de superá-lo em todos os exames, Rosinha. Graças a Deus você herdou a inteligência da sua mãe.
- Rony, pelo amor de Deus. – o tom de Hermione mesclava seriedade e vontade de rir. – Não tente indispor os dois antes mesmo de entrarem para a escola!
- Você tem razão, desculpe – mas, incapaz de se conter, ele acrescentou -, mas não fique muito amiga dele, Rosinha, vovô Weasley nunca perdoaria se você casasse com um sangue-puro.
- Ei!
Tiago reaparecera; tinha se livrado do malão, da coruja e do carrinho e, evidentemente, estava fervilhando de novidades.
- Teddy está lá atrás. – disse ele, sem fôlego, apontando por cima do ombro para as gordas nuvens de vapor. – Acabei de ver! E adivinhe o que ele está fazendo? Se agarrando com a Victoire!
Ele ergueu os olhos para nós, visivelmente desapontado com a falta de reação.
- O nosso Teddy! Teddy Lupin! Agarrando a nossa Victoire! Nossa prima! E perguntei a Teddy que é que ele estava fazendo...
- Você interrompeu os dois? – indagou Gina. – Você é igualzinho ao Rony...
-... e ele disse que tinha vindo se despedir dela! E depois me disse para dar o fora. Ele está agarrando ela! – acrescentou Tiago, preocupado que não tivesse sido suficientemente claro.
- Ah, seria ótimo se os dois se casassem! – sussurrou Lílian enlevada. – Então o Teddy ia realmente fazer parte da nossa família!
- Ele já aparece para jantar quatro vezes por semana. – eu disse. – Por que não o convidamos para morar de uma vez conosco?
- É! – concordou Tiago, entusiasmado. – Eu não me importo de dividir o quarto com o Alvo... Teddy poderia ficar com o meu!
- Não – eu disse com firmeza -, você e Al só dividirão um quarto quando eu quiser ter a casa demolida.
Eu consultei o velho relógio arranhado que, no passado, tinha pertencido a Fábio Prewett.
- São quase onze horas, é melhor embarcar.
- Não se esqueça de transmitir a Neville o nosso carinho! – recomendou Gina a Tiago ao abraçá-lo.
- Mamãe! Não posso transmitir carinho a um professor!
- Mas você conhece Neville...
Tiago girou os olhos para o alto.
- Aqui fora sim, mas, na escola, ele é o professor Longbottom, não é? Não posso entrar na sala de Herbologia falando em carinho...
E, balançando a cabeça para a tolice da mãe, ele sapecou em pontapé em Alvo.
- A gente se vê, Al. Cuidado com os testrálios.
- Pensei que eles fossem invisíveis. Você disse que eram invisíveis.
Tiago, porém, riu apenas, permitiu que a mãe o beijasse, me deu um rápido abraça e saltou para o trem que se enchia rapidamente. Vimos ele acenar e sair correndo pelo corredor à procura dos amigos.
- Não precisa se preocupar com os testrálios. –eu disse a Alvo. – São criaturas meigas, não tem nada apavorante. E, de qualquer modo, você não irá para a escola de carruagem, irá de barco.
Gina deu um beijo de despedida em Alvo.
- Vejo vocês no Natal.
- Tchau, Al. - Eu disse e ele me abraçou. – Não esqueça que Hagrid o convidou para tomar chá na próxima sexta-feira. Não se meta com o Pirraça. Não duele com ninguém até aprender como se faz. E não deixe Tiago enrolar você.
- E se eu for para Sonserina?
O sussurro foi apenas para mim, e eu percebi que só o momento da partida poderia ter forçado Alvo a revelar como o seu medo era grande e sincero.
Me abaixei de modo a deixar o rosto do menino ligeiramente acima do meu. Dos meus três filhos, apenas Alvo herdara os olhos de minha mãe, Lílian.
- Alvo Severo – eu disse, baixinho, para ninguém mais, exceto Gina, poder ouvir, e ela teve tato suficiente para fingir que acenava para Rosa, que já estava no trem -, nós lhe demos o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina, e provavelmente foi o homem mais corajoso que já conheci.
- Mas me diga...
-... então, a Sonserina terá ganhado um excelente estudante, não é mesmo? Não faz diferença para nos, Al. Mas, se fizer para você, poderá escolher a Grifinória em vez da Sonserina. O Chapéu Seletor leva em consideração a sua escolha.
- Sério?
- Levou comigo.
Eu jamais contei isso a nenhum dos meus filhos. E notei o assombro no rosto de Alvo ao ouvi-lo. Agora, entretanto, as portas estavam começando a se fechar ao longo do trem vermelho, e os contornos indistintos dos pais se aglomeravam ao avançar para beijos finais, as recomendações de última hora. Alvo pulou para o vagão, e Gina fechou a porta do compartimento dele. Os estudantes estavam pendurados nas janelas mais próximas. Um grande número de rostos, tanto dentro quanto fora do trem, parecia estar virado para mim.
- Por que eles estão todos nos encarando? – perguntou Alvo, enquanto ele e Rosa se esticavam para olhar os outros estudantes.
- Não se preocupe. – disse Rony. – É comigo. Sou excepcionalmente famoso.
Alvo, Rosa, Hugo e Lílian riram. O trem começou a se deslocar e eu acompanhei-o, olhando o rosto magro do meu filho já iluminado de excitação. Continuei a sorrir e acenar, embora tivesse a ligeira sensação de ter sido roubado ao vê-lo se distanciando de mim...
O último vestígio de vapor se dispersou no ar de outono. O trem fez uma curva, minha mão erguida ainda acenava adeus.
- Ele ficará bem. – murmurou Gina.
Ao olhá-la, baixei a mão distraidamente e toquei a cicatriz em forma de raio na minha testa.
- Sei que sim.
A cicatriz não me incomodara nos últimos dezenove anos.
Tudo estava bem.
- Vamos para casa? – perguntei.
- Claro. – Gina concordou.
Nos despedimos de Rony, Hermione e Hugo e passamos para o mundo dos trouxas indo para casa.
OBS: Espero que gostem!!
Os capitulos serao postados assim que der, nao sei quanto tempo vai demorar.