O jogo acabou, mas ainda tínhamos muito o que descobrir quando voltássemos de Toronto. Muita coisa para resolver e contas a acertar com as pessoas que armaram aquilo para nós. Devo dizer que o objetivo fora alcançado, se era o que queriam.
Hoje, mais ou menos sete anos depois da missão à Polônia, cá estou eu, sentada no sofá da minha casa. Casada há seis anos, carrego o sobrenome Malfoy. É inacreditável, não é? Não, não é. Vivo em uma incrível mansão com a minha família. Marido e filhos. Sim, meus filhos. Stephen, Dylan e Natalie.
Os dois primeiros são gêmeos idênticos, três anos de idade. Cabelos loiros como os do pai e olhos azuis acinzentados. A mais nova, Natalie, tem apenas oito meses. Também loira, mas todos dizem parecer comigo. Os olhos são cinzas cintilantes. Nunca imaginei isso para mim, mas hoje vejo o quão bom é chegar em casa, depois de um dia longo e cansativo de trabalho e ver seus filhos a lhe esperar para encher de carinho.
Me pego sorrindo ao pensar que isso tudo aconteceu por causa de um jogo. E que jogo! Lembro-me como se fosse ontem... Chega a ser engraçado, hoje. Em pensar que tudo fora negado por nós até o último instante.
Descobrir que está começando a amar o inimigo é uma sensação indescritível. Confusa, complicada e até absurda. Mas acabamos aceitando, a mudança era mútua. No começo não nos amávamos, apenas sentíamos atraídos pelo outro. Apenas isso. Foi depois que começamos a nos gostar de verdade, e isso aumentava gradativamente enquanto estávamos juntos.
Ainda me pergunto se isso aconteceu realmente...
Flashback
Chegamos na casa de Hermione e Harry já tarde da noite, em pleno domingo. Já passavam das três da madrugada, mas ainda assim não nos importamos. Acionamos o interfone e Korine atendeu sonolenta.
- Casa dos Potter, bom dia. – disse.
- Korine, sou eu, Ginny. Será que poderia pedir aos Potter para nos atender?
- Está tarde, Srta. Weasley. Eles devem estar dormindo e...
- Pouco me importa! Preciso falar com eles agora. – cortei irritadiça.
- Um momento, irei abrir os portões. – e a voz sumiu.
- Agora eu quero ver quem vai negar! – eu disse olhando para Draco e sorrindo.
- Negar, não vão, mas que o plano deles deu certo... Quem não pode negar somos nós. – ele disse arrancando com o carro quando o portão se abriu.
Fomos recebidos por Korine.
- Aceitam alguma coisa? – perguntou.
- Não, Korine. Apenas queremos que fique quando os seus patrões chegarem. – disse Draco com veemência.
Ela nos olhou surpresa, mas nada disse.
- O que deu em vocês? – perguntou Hermione adentrando a sala de roupão.
- Têm noção de que horas são? – fez Harry.
- O que queremos dizer não pode esperar. – retruquei.
- Pois digam! – disseram os outros dois em uníssono.
- Se quiserem, podem começar a rir de nossa cara. Sabemos que vocês armaram toda essa história. – disse Draco.
Hermione se fez de desentendida.
- Rir? E vocês sabem de quê? – ela perguntou.
- O jogo, Hermione. Sabemos que vocês armaram tudo. – expliquei.
Harry e Hermione se entreolharam, tentando conter o riso.
- Vocês armaram a missão à Polônia, vocês pagaram a Tanner Hurt para fazer aquela encenação toda, vocês armaram a viagem ao Canadá... E eu pergunto: algum outro casal foi ‘premiado’? – fiz. – Mas se o que vocês queriam é que ficássemos juntos, ok! Saibam que conseguiram.
- Gi, nós só... – começou Hermione.
- Por que fizeram isso? – cortou Draco.
- E por que usar a Korine para nos enganar? – indaguei.
- Porque Harry encontrou uma folha de jornal em uma de suas gavetas quando você o mandou pegar uma pasta na sua sala e nela havia uma foto da Ginny na capa. Além disso, havia o nome dela espalhado por toda a folha, escrito com sua letra. – explicou Hermione.
Encarei Draco e vi ele ruborizar.
- Então mandamos vocês para a missão. Quando vocês voltaram, Ginny nos contou tudo o que acontecera e nós decidimos optar pelo plano B, já arquitetado, caso o primeiro desse errado. Korine apenas aceitou nos ajudar porque sabíamos que a recepcionista iria entregar o jogo. Korine sabia de tudo e o faria melhor que ninguém. – completou Harry.
Flashback
Eles eram perfeitos atores. Souberam me enganar vezes sucessivas e eu, ingênua, caí como um patinho. Talvez soubessem como fazer tudo pelas minhas costas, sabiam como me enganar. E uma viagem foi golpe baixo, admito.
Pelo menos ainda fui madrinha da primeira filha deles, Lily. Não é bem a primeira, acho. Foram três, afinal. Sim, a primeira e única barriga de Hermione foi de trigêmeos. Duas meninas e um menino. O Ron também não ficou atrás. Se um dia ele disse a Luna que ela teria de agüentar um time de quadribol, ele o fez. Luna já teve seis filhos em apenas quatro barrigas, pois em duas delas vieram gêmeos. São quatro meninos e duas meninas. Isso sem contar que ela está grávida de novo. Aqueles dois nasceram para fazer filho.
A pequena Natalie está no meu colo. Ela foi a última dos Malfoy, pelo menos por esta geração. Olho para ela e me vejo, novamente, voltando a ser uma adolescente inocente. Nunca imaginei que teria três filhos, que me casaria com um Malfoy e que estaria tão feliz. Acho que Harry e Hermione acertaram na mão quando montaram todo um esquema para nos juntar. Tenho certeza de que se isso não fosse armado, não estaria com ele hoje.
Ainda me pergunto se Rufo Scrimgeor sabia que estava contribuindo para um plano. Acho que não. Mas sei que se nos negássemos a cumprir a missão que Harry dera para ele nos passar, hoje estaríamos em Azkaban. Faltou pouco para ele nos ameaçar com isso.
Dou graças a Deus e ao bom e santo Merlin por ter aceitado, por ter ido àquela viagem maluca e sem fundamento, por ter esquecido o passado. Não que eu e o Draco não briguemos. Nossa vida é bastante movimentada, por sinal. E graças às brigas infantis, que sempre terminam na cama.
Eu disse isso? Ok, eu disse. Mas podem apagar de suas cabecinhas. O horário não permite! Foi apenas uma pequena falha minha. Mania de entrar em detalhes, sabe como é. Já arrumei tantos problemas...
“Você fala demais, Ginny. Esse é o seu problema”, Draco não cansa de repetir isso para mim. E essa frase não pára de ecoar na minha cabeça. Mas eu gosto de falar quando estou com ele, porque sei que quando essa frase sai da boca dele, um beijo a segue.
Oh, Merlin! Aqui estou eu falando coisas impróprias de novo. Ok, é normal.
Eu olho para a mesa de jantar e lá está ele, sorrindo para mim enquanto toma seu café da manhã. Sempre lindo, com um sorriso maravilhoso nos lábios e os olhos cinzas apertados, como que para captar qualquer coisa que possa passar despercebida. Por que eu amo esse homem? Não sei dizer. Eu o amo, admiro...
Ah, e a marca idiota já não existe mais. Não sei o que aconteceu, mas parece que sumiu, aos poucos, mas sumiu. Talvez ele não fosse mais digno dela, afinal, ele amava. Ele aprendera a amar... E tudo por causa de um jogo. Do muito bem vindo...
Jogo do Amor
FIM
N/A: Aí está mais uma Fic minha. Um pouco curta, mas que adorei escrever. Nunca tinha escrito uma história completamente D/G, mas para tudo se tem uma primeira vez, não é? E em Jogo do Amor, consegui explorar um pouquinho de cada coisa. Mistério, humor, romance... Enfim! Ficou bastante legal e espero que gostem. Obrigada a todos que a leram até aqui e um grande beijo. A autora.
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