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5. Sem querer


Fic: Jogo do Amor


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Drake Hotel. Toronto, Canadá. Este seria o destino de Ginny.

Mais cedo, ela recebera a passagem e o destino. Agora se perguntava quem seria o rapaz que a acompanharia. Sabia que seria surpresa até o dia da viagem, apenas dali a três semanas. Ela agüentaria esperar? Estava ansiosa e tudo o que mais queria era que o tempo passasse rápido.

Incrivelmente, duas das semanas passaram quase despercebidas. “Uma semana...”, pensava. Mas esta semana, pareceu demorar anos para ir embora. Ela já não conseguia conter sua ansiedade. O dia estava próximo, e ao mesmo tempo distante...

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Ginny acordou com a luz batendo em seu rosto. Esquecera-se de fechar a janela na noite anterior. Dormira tarde, arrumando sua mala, e acordara cedo. Era quarta-feira.

“Justo hoje que não tenho trabalho e só precisava acordar mais tarde...”, pensou ao se levantar, agora acordada de vez.

Dalila já preparara seu café da manhã. Ela o tomou em silêncio e depois voltou para o quarto, deitando-se em sua cama. Faltavam poucas horas para que embarcasse. Horas que passaram devagar quando queria que passassem rápido e demasiadamente rápidas quando ela precisava que demorassem a passar.

Terminou de se arrumar, despediu-se de Dalila e saiu, chamando o elevador em seguida. Não aparatou. Decidiu que pegaria um táxi para o aeroporto. Pensou em seu número. 319. Mais uma vez se perguntou quem teria o mesmo número que ela. Será que ficariam no mesmo quarto? O que ela menos queria no momento, era se envolver com alguém. Mas no Ministério havia tanta gente que alguém que não conhecia, talvez alguém poderia surpreendê-la.

Toda a viagem ocorreu tranqüila, mesmo que esta durasse quase nove horas. Houve apenas um imprevisto, mas ela nem o viu. Estava muito concentrada na leitura de um livro para perceber que alguém embarcara quando o vôo já ia sair. E como a viagem seria durante o fim da tarde e grande parte da noite, ela fora obrigada a deixar o livro de lado. Suspirou. A pessoa que iria com ela estava ali, naquele mesmo avião. Tinha certeza disto. Mas em um avião de dois andares e capacidade para no mínimo 555 pessoas, era impossível saber quem era.

Como o espaço era maior do que em um vôo econômico, ela poderia inclinar a poltrona até que ficasse totalmente plana, transformando-se em uma ‘cama’. As aeromoças passavam pelos corredores distribuindo pequenos travesseiros.

Chegou em Toronto apenas às duas da manhã, e foi pegar a única mala que trouxera. Foi uma das primeiras a sair do terminal de desembarque. Pegou um táxi.

- Para onde, moça? – perguntou o homem em francês.

- Drake Hotel. – ela limitou-se a dizer.

Àquela hora, poucas eram as ruas que estavam movimentadas. Não ligou. Queria chegar no hotel de uma vez, saber quem a acompanharia naqueles quatro dias no Canadá e dormir.

Pagou vinte e cinco dólares ao taxista e entrou no hotel.

- Bom dia! – cumprimentou a recepcionista.

- Bom dia. Em que posso ajudar?

- Eu tenho uma reserva no nome de Ginny Weasley. – informou.

- Quarto 314. – disse a mulher entregando-lhes uma chave. – Seu acompanhante ainda não chegou.

- Ah, não? – perguntou Ginny franzindo o cenho. – Será que poderia me adiantar o nome dele?

- Recebi ordens para que isto não fosse feito, Srta. Weasley. Desculpe!

- Oh, não se preocupe.

- Vocês estão numa espécie de encontro, não? – fez a recepcionista.

- Sim. Não sabemos quem serão nossos pares. Uma brincadeira de trabalho. – explicou.

A moça sorriu amigavelmente e Ginny teve uma leve impressão de que a conhecia de algum lugar.

- Você...? – começou, mas desistiu.

- Sim? – a recepcionista levantara o olhar para a ruiva.

- Não, nada. Apenas achei que... Já nos conhecemos... – murmurou. – Baboseira! Esquece.

Novamente a moça lhe sorriu e baixou os olhos para alguns papéis. Ginny se virou e caminhou rapidamente para o elevador. Korine assumiu sua forma natural e pegou a recepcionista verdadeira, agachada e devidamente amarrada embaixo do balcão.

- Obliviate! – disse, apagando parcialmente a memória da mulher e soltando-a. Pegou um telefone celular e discou um número. – Está tudo pronto. Os dois acabaram de chegar e estão se encaminhando para o quarto.

Desligou o telefone e aparatou.

---


Ginny saiu do elevador e se encaminhou para o quarto, arrastrando a mala. Parou em frente a porta, enquanto abaixava a alça da mala, ao mesmo tempo que um homem saiu do elevador e foi exatamente para onde ela estava. Estranhando a movimentação no corredor, ela se virou subitamente.

- Você? – perguntaram os dois em uníssono, incrédulos.

Sim, Draco Malfoy era o seu acompanhante. Aquela seria mais uma dose de irritação. Ainda inconformados e sem tocar nenhuma palavra, entraram no quarto.

- Como você veio parar aqui? – perguntou Ginny, por fim quebrando o silêncio incômodo.

- De avião. – ele respondeu com ironia.

- Sério? – ela perguntou sarcástica. – Eu quero saber como você arranjou essa viagem, idiota!

- Poderia ter sido mais clara, Weasley. – disse ele. – Pois bem, eu estava em casa quando recebi um envelope e nele dizia que eu tinha ganho quatro dias de estadia aqui, com todas as despesas pagas e a passagem garantida. Por sorte não perdi o avião!

- Por azar, quer dizer, não? – ela disse com veemência.

- Não. Por sorte! – ele repetiu. – Acha mesmo que perderia a chance de passar quatro dias em Toronto em um dos melhores hotéis com tudo pago e companhia? – ele fez. – Ah, minha cara... Não mesmo!

Ginny suspirou.

- Para você isto deve ser um sonho, não? Sair do país sem ter que pagar nada e não sendo uma missão... Pobre se contenta com pouco!

- Há muito não sou pobre, Malfoy. Desde que meu pai foi promovido pelo próprio Rufo Scrimgeor, se não se lembra. Não foi ele que assumiu o cargo do seu pai no Ministério? – alfinetou.

O sorriso de Draco sumiu.

- Meu pai e eu somos farinha do mesmo saco. Não acho que seja bom nos criticar agora. – ele disse cabisbaixo.

- Acho que quer dizer que eram farinha do mesmo saco. – Ginny corrigiu e sentou-se na cama ao lado dele. – Você voltou para o lado certo, ele morreu no lado das trevas.

- Não é bom para ninguém não poder usar qualquer roupa, só porque tem que esconder uma marca idiota no braço!

- Pois quando eu dizia isso, você costumava ficar bem irritado. – disse a ruiva sorrindo.

- Não haveria resposta para dar, eu sabia que estava certa em dizer isso. Mesmo não querendo aceitar, mas estava certa... – ele a olhou e os dois ficaram a se encarar por longos minutos. – E então? Como veio parar aqui?

- De avião! – ela respondeu e sorriu, arrancando um pequeno riso do loiro. – Brincadeira! Fui avisada que haveria uma ‘brincadeira’ lá no Ministério. Uma viagem com tudo pago e companhia garantida. Mas para vir, tinha que recolher um número em uma espécie de urna e a outra pessoa que pegasse o mesmo número, viria comigo, mas eu só saberia quem era quando chegasse aqui.

- Bom, a viagem com tudo pago, companhia garantida e uma pessoa que só saberia quando chegasse aqui, eram verdades. – ele parou pensativo.

Se antes achavam que aquilo era um jogo, agora tinham certeza. E eles eram os pinos. Mas quem havia armado aquilo, com certeza os conhecia e sabia como jogar no escuro, sem que ninguém descobrisse ou tivesse a chance de o fazer.

Seu jeito de olhar para a ruiva que estava sentada ao seu lado mudara há algum tempo. Não sabia ao certo o que sentia por ela, mas já não era ódio há muito. Às vezes tinha que de repreender por pensar certas coisas. Mas o que fazer? Estaria despertando um novo sentimento por ela? Ele não sabia. Não conhecia nenhum sentimento além do ódio, do despeito, da inveja. Tinha certeza de que não era nenhum daqueles. Era algo novo e complexo...

Desde o dia que tivera que o acordar, desde o dia que saíram para almoçar e um homem a abordou, ela também sentia-se atraída por ele. Por mais que tentasse negar, que quisesse distância dele, aquela era a mais pura verdade.

- Draco? – ela chamou, despertando-o de seus devaneios.

- Sim? – respondeu, encarando-a novamente.

Ela parecia pensativa, parecia escolher as palavras e tirar suas conclusões.

- Acho que eu sei o objetivo do jogo. – ela murmurou, o olhar fixo no chão, sequer piscava.

- Primeiro as regras, Ginny, as regras...

- Não há regras para esse jogo, há apenas obstáculos e nós já superamos quase todos.

- Quase? E qual seria o último? – ele perguntou.

- O seu despeito, o meu rancor e ambas aceitações. – ela respondeu, encarando-o.

A expressão interrogativa no rosto do homem era clara.

- E se o objetivo está tão próximo, caso minhas suspeitas estejam certas, é aqui que deixo meu rancor e passo a aceitá-lo. – disse beijando-o ferozmente, ao que ele deitou na cama com a ruiva sobre si. Afastou os lábios rapidamente e o olhou sorrindo de lado. – Foi sem querer...

Voltou a beijá-lo mais intensa e vagarosamente.

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