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Visualizando o capítulo:

5. Behind the horror - Part I


Fic: Behind the Evidences - MMs EdP


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Disclaimer: Harry Potter e todos os seus personagens pertencem à Jo, pero se a mim pertencessem Ron e Hermione teriam dado vivas à capa da invisibilidade de Harry (Pra alguma coisa realmente útil ela tinha que servir não é?).

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I swear to you
Eu juro para você

I will always be there for you
Eu sempre estarei aqui por você

There's nothing I won’t do
Não há nada que eu não queira fazer

I promise you all my life I will live for you
Eu prometo a você que toda minha vida eu viverei por você

We will make it through
E nós faremos isso lado a lado

Forever we will be
Para sempre estaremos

Together you and me
Juntos você e eu

Oh and when I hold you
Oh e quando eu te abraço

Nothing can compare
Nada pode se comparar

With all of my heart
Com todo meu coração

You know I’ll always be right there
Você sabe que eu sempre estarei aqui

Bryan Adams – I’ll always be right there

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Avisos importantes:

1- Mais um capítulo mais ou menos diferente; ele não é completamente sob o POV da Hermione. Temos, depois dessa primeira parte, a interferência do canon. Pois é, eu me arrisquei a fazer uma loucura. Vocês lerão a minha versão dos fatos para o dia do primeiro beijo entre Harry e Ginny (*.*). Eu sei que é muita loucura e eu tive um pouquinho de dificuldade, mas acho que ficou legal. Espero que os H/G que lêem BTE me perdoem se não estiver bom!

2- Depois do ponto de vista da Hermione sobre a invasão da escola, eu queria colocar um trecho enorme do livro, mas acho melhor não. A leitura ia ficar cansativa. Então, eu recomendo que, antes de prosseguirem, e se possível for, leiam o capítulo 29 – O lamento da Fênix, página 481 (6º parágrafo) à página 486 (até o 5º parágrafo). Depois de ler essa parte, o entendimento vai ser completo do que segue ok?

3- É isso, mais sobre a fic no fim. Boa leitura a todos! **CRACK**

Capítulo inteiramente dedicado à Aline, Mah, Mithya e Poli! You rock girls!

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"Harry tirou do fundo do malão as meias enroladas e apanhou o minúsculo frasco cintilante.
- Bom, lá vai – exclamou Harry, erguendo o frasquinho e tomando uma dose cuidadosamente medida.
- Qual é a sensação? – cochichou Hermione.
Harry não respondeu logo. Então, gradual mas inegavelmente, invadiu-o a sensação de euforia em que tudo é possível; sentiu que poderia fazer qualquer coisa, qualquer coisa no mundo... e extrair a lembrança de Slughorn pareceu de repente não apenas possível, mas decididamente fácil...
Ele se levantou sorrindo, transbordando confiança.
- Excelente. Realmente excelente. Certo... vou até a cabana do Hagrid.
- Não, Harry: você tem de ir ver o Slughorn, lembra? – disse Hermione.
- Não – respondeu ele seguro. – Vou à cabana do Hagrid, este pensamento produz em mim uma sensação boa.
- Pensar em enterrar uma aranha gigante produz em você uma sensação boa? – perguntou Ron estarrecido.
- Produz – respondeu Harry tirando a Capa da Invisibilidade da mochila. – sinto que é o lugar onde devo estar hoje à noite, entendem o que quero dizer?
- Não – exclamaram os dois amigos ao mesmo tempo, parecendo agora positivamente alarmados.
- Isto aqui é a Felix Felicis, presumo? – perguntou Hermione, ansiosa, segurando o frasco contra a luz. – Você não apanhou outro frasquinho cheio de... sei lá...
- Essência de Insanidade? – sugeriu Ron quando Harry jogou a capa nos ombros.
Harry deu uma risada, e Ron e Hermione ficam ainda mais alarmados.
- Confiem em mim. Sei o que estou fazendo... ou pelo menos... – ele rumou para a porta, confiante – a Felix Felicis sabe.
Ele puxou a Capa da Invisibilidade sobre a cabeça e desceu as escadas, com Ron e Hermione acompanhando-o, apressados. Ao pé da escada, Harry se esgueirou pela porta aberta.
- Que é que você estava fazendo lá em cima com ela? – guinchou Lavender Brown, sem ver Harry, encarando Ron e Hermione que emergiam juntos do dormitório dos garotos. Harry ouviu Ron gaguejar enquanto disparava pela sala, deixando os amigos para trás."


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Hermione estava dividida entre a preocupação com Harry fora do castelo àquela hora e a interessante sensação de que, de alguma forma, a Felix Felicis não ajudaria somente a ele. Afastou-se habilmente de onde Ron permanecia tentando dar uma desculpa qualquer para Lavender por ter saído do dormitório dos garotos ao lado dela. O salão comunal estava excepcionalmente cheio naquele fim de tarde, e Hermione teve um pouco de dificuldade para encontrar um lugar vazio. A poltrona onde costumava se sentar, já estava ocupada e, diferentemente de Ron, ela não tinha o hábito de usar sua autoridade de monitora para expulsar os alunos de seus assentos. Procurou um pouco mais e, por sorte, encontrou um lugar, em um canto do salão comunal, que ficava estrategicamente de costas para a briga entre Ron e Lavender. Sentou-se e tentou não ouvir as acusações de Lavender. No segundo seguinte, ela viu Ron sair pelo buraco do retrato seguido de Lavender, que estava possessa com ele, para dizer o mínimo.

Hermione acomodou-se melhor na poltrona e pôs-se a fitar as chamas da lareira. Pensamentos desordenados emergiam em sua mente. Mortes, ataques, Comensais da Morte, Felix Felicis, Harry do lado de fora do castelo, Ron com Lavender em algum lugar.

O Mapa do Maroto seria de ótima serventia agora! – ela pensou. Queria saber por onde andavam Harry e Slughorn. Queria saber por onde andavam Ron e Lavender. Já havia se passado dez minutos desde que Harry deixara a Torre de Gryffindor; Ron também desaparecera e Ginny discutia com Dean. De repente, ela se sentiu muito sozinha naquele salão tão grande e tão cheio. Estava apreensiva e insegura com o rumo que as coisas estavam tomando.

Além disso, Hermione estava muito curiosa em saber porque Ron estava demorando tanto. Lavender deveria estar pressionando e exigindo respostas às perguntas que ele não poderia responder como ela queria. Ela sabia que ele não diria nada que pudesse comprometer Harry e o prof. Dumbledore; ele não podia dizer a ela o que estavam fazendo no dormitório. Ela que pense o que quiser, não estávamos fazendo nada de errado.

Cinco minutos e muitos pensamentos depois, Hermione viu Ron surgir pelo buraco do retrato:

- Mais que garota insuportável. Como é que eu fui me envolver com ela? Como? Eu devia estar completamente louco, não tem outra explicação.

- O que foi Ron? O que houve? Onde está a Lavender?

- O que foi? Aquela louca me encheu de perguntas, queria saber por que estávamos lá em cima, com quem e o que estávamos fazendo...

- Você não disse nada não é? Não falou do Harry certo?

- Eu não sou tão irresponsável, Hermione. Eu não disse nada, e por isso mesmo ela terminou comigo. Fez um escândalo terrível e me acusou de traidor e... – ela viu o rosto dele se contorcer de raiva.

- E o quê? – ela tentou parecer casual, mas era impossível quando havia escutado o que mais queria desde o início de março.

- Ela te xingou, falou coisas sobre você e eu rebati, disse que ela não tinha o direito de falar de você da maneira como falou. Eu realmente fiquei irado com o abuso dela de te ofender, onde já se viu? Ela é sua colega de quarto, mas parece não ter se importado. Hermione, você sabe muito bem que perto de mim ninguém te ofende! – ele respirava pesadamente e por alguns instantes cobriu o rosto com as mãos.

- Sim, eu sei e nunca duvidei disso. – Hermione falou, tentando não transparecer em seu tom de voz a vontade que tinha de gritar de alegria. Ela poderia jurar que a noite, de repente, ficara muito mais bonita e estrelada. – Bom, você não vai ganhar nada se alterando assim, não é? Acalme-se! Nós ainda temos de esperar o Harry voltar. Além do mais Ronald, – ela o olhou tentando parecer prática – você estava ansioso para que isso acontecesse há tempos ou será que estou errada? – ela perguntou, sentindo um frio no fundo do estômago como se quisesse e não quisesse ouvir a resposta, tudo ao mesmo tempo.

- Claro que eu queria! Você sabe disso muito bem, mas é que ela realmente me deixou irado. Ela poderia ter me ofendido completamente que eu não me importaria nem um pouco, mas ofender você, foi demais! – ele parecia ainda muito zangado e Hermione segurou uma das mãos dele e a apertou gentilmente.

- Não fique assim. Eu acho que ainda não agradeci como deveria por você sempre me defender. – ela se inclinou na direção dele e deu-lhe um beijo na bochecha. – Obrigada Ron! Você sempre foi um excelente amigo!

Hermione viu o rosto dele ficar vermelho e as pontas das orelhas também. E com os olhos arregalados, ele olhava, bestificado, para a mão dela que estava, agora, sobre a dele. Hermione não sabia o que aquele silêncio significava, por isso esperou que ele dissesse algo.

- Imagina Hermione, eu sou seu amigo. Sempre fui – ele a olhou nos olhos, ela sorriu – e desde sempre eu te defendi, não ia ser agora que eu deixaria de fazer isso não é? – ele sorriu timidamente e o coração dela pareceu ter parado por um segundo.

- Claro Ron, você sempre fez isso. Você sempre foi meu amigo – ela o olhou nos olhos – e eu realmente senti falta disso... você não sabe o quanto.

Ron e Hermione ficaram se olhando. Pareciam ter esquecido onde estavam até ouvirem o buraco do retrato se abrir e Parvati aparecer seguida por Lavender que, ao ver Ron e Hermione juntos, caiu no choro. Hermione soltou a mão de Ron e ele, por sua vez, ajeitou-se na poltrona onde estava sentado.

Hermione viu que ele abaixou os olhos, mas não pôde negar que ele estava aliviado. A reação dele, ela pensou, é normal, afinal eles terminaram há pouco. E agora, que ele estava ‘livre’, talvez ela parasse de se censurar por gostar de alguém ‘comprometido’. Agora, Ron estava livre. É, livre. Enfim! Livre para ficar com quem ele quisesse, e Hermione desejava, de todo coração, que não fosse outra garota senão ela. E se assim acontecesse, talvez ela conseguisse esquecer toda a insegurança que sempre a rodeava quando o assunto era Ron Weasley. Ron Weasley! Será que vai demorar para que a gente acerte de vez as nossas pendências, Ron? Não pode demorar.

E assim os minutos se passaram. Hermione pensava em tudo que Ron havia dito a ela há pouco. Mesmo tendo ouvido que o namoro com Lavender havia terminado, ela ainda se esforçava para não dar pulos de alegria, não seria pertinente a uma monitora como ela e, além do mais, Hermione não poderia demonstrar sua alegria para Ron. Não agora, pelo menos. Ele permaneceu calado. E ela o observava.

Talvez ele estivesse perdido em pensamentos sobre os acontecimentos daquela noite, mas ela não conseguia precisar e nem se atreveria. Desvendar Ron Weasley equiparava-se a resolver um problema particularmente difícil de Aritmancia e talvez por isso, ela sentia tanta fascinação por ele. Ela sorriu intimamente. Fascinação! Por Deus, quando foi que eu cheguei a esse ponto? Pergunta idiota. Realmente, eu não sei, mas uma certeza eu tenho: é com ele que está o princípio e o fim de tudo para mim nesse mundo bruxo. Por causa dele que somos amigos, por causa dele que eu consegui amigos de verdade. Por causa dele eu sou um pouco melhor. Por causa dele eu sei o que quero, só falta eu saber como fazer. Ela continuou a observá-lo. Olhou no relógio: 10:25 pm. Já era muito tarde.

- Ron?

- Sim?

- Já é muito tarde, e o Harry não apareceu, será que aconteceu alguma coisa?

- Hermione, ele está sob o efeito da Felix Felicis. Nada de ruim pode ter acontecido a ele. Aposto com você como ele vai trazer boas notícias.

- Agora, você está vivendo um momento otimista! Você nem sempre transparece tanta confiança, Ron.

- Bom, levando-se em consideração que ele é Harry Potter, o menino-que-consegue-burlar-todas-as-regras-e-sair-ileso e que está sob o efeito de uma poção da sorte, eu não poderia agir de outra forma não é? – ele sorriu e relaxou na poltrona. O cansaço vencendo a disposição de esperar por Harry.

- É, você tem razão. Mas parece que você está mais confiante que antes. Tomara que isso se repita inúmeras vezes. – ela o provocou, e a resposta que obteve foi, no mínimo, inesperada.

- Bom, você pode ter certeza que isso vai se repetir mais vezes. Você pode ter certeza que, bom... nos momentos certos eu vou tentar usar essa confiança. Principalmente, nos momentos em que eu tiver de resolver coisas importantes, se é que você me entende. – ele lançou um olhar profundo e incógnito. Hermione não sabia como definir tudo que sentiu com a maneira que ele a olhava e, de repente, sentiu que aquelas palavras foram diretamente para ela. Ela abaixou a cabeça, respirou fundo e voltou a olhar para ele. Realmente, estava passando da hora de subir. Além de todas as emoções que vinha experimentando desde que voltara a falar com Ron, agora ela teria de lidar com essa impressão de que ele queria dizer algo mais importante para ela. E se continuasse ali no salão àquela hora da noite, não saberia como essa conversa terminaria.

- Acho melhor subirmos, deve ter acontecido algo importante para o Harry não ter voltado ainda. Amanhã conversamos com ele.... então, vamos? – ela se levantou e esperou por ele.

- Sim, claro! Vamos, amanhã o dia vai ser puxado. – ele levantou e, juntos, seguiram para as escadas. Não disseram nada. Desejaram boa noite apenas com um olhar.

Enfim, pensou Hermione, a cumplicidade voltou e está mais forte que antes. Enfim, Ron eu sinto que não há mais tantas barreiras entre nós. Enfim.

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No dia seguinte, Harry contou a Ron e Hermione tudo que vira na lembrança de Slughorn e sobre a disposição de Dumbledore em levá-lo para destruir um horcrux, caso encontrasse algum, é claro!

Naquela manhã descontraída, a primeira aula de feitiços proporcionava os momentos de privacidade que Harry precisava para contar todos os detalhes de sua aventura noturna. E ele percebeu que de fato havia algo diferente naquele dia. Depois que viu Lavender soluçar, um pouco adiante de onde ele, Ron e Hermione estavam e saber do rompimento do amigo, de repente, Harry percebeu a diferença que havia ali. Hermione estava mais sorridente, aliás como jamais esteve desde a fatídica primeira partida de Quadribol da temporada. Ron, estava muito mais descontraído e relaxado. Definitivamente, não parecia que havia acabado o namoro na noite anterior. Hermione tinha em seu rosto uma expressão típica de quem ganhou vários galeões em uma aposta cujo resultado favorável seria improvável e ela apenas alegava que o dia estava mais bonito. Dia mais bonito! Sei... mais bonito com detalhes em azul. Uh! Que piadinha infame! Mas ainda bem que está tudo ótimo. Tudo voltou ao normal. E esses dois... eles, definitivamente, se entendem... e se merecem também! E assim, Harry começou mais uma de suas batalhas mentais; mais uma de suas mal-fadadas sessões de negação dos sentimentos que nutria por Ginny, porque enfim ela parecia ter percebido que o Dean-sem-graça-nenhuma-Thomas realmente não a merecia.

Mal sabia ele, que em breve, muito em breve, tudo que ele mais queria iria se concretizar.

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Harry Potter se odiava. Como ele pôde usar um feitiço que mal conhecia contra Draco Malfoy? Logo Malfoy. E quando a sorte é pouca o azar aproveita para fazer a festa, e, horrorizado, Harry viu Snape aparecer e então teve a certeza de que estava mais que encrencado. Logo ele teve a confirmação quando o professor deu-lhe detenções para preencher seus sábados o resto do semestre, inclusive o sábado do jogo decisivo.

Como eu odeio esse... Ranhoso!

Harry estava decididamente arrependido de ter usado um feitiço desconhecido contra Malfoy. Talvez fosse melhor que ele parasse de pensar assim porque em breve ele sentiria pena de seu maior inimigo.

Argh! Pena daquele lá? Nunca!

Embora ele não quisesse que tudo aquilo tivesse acontecido, ele precisava se defender. Mas Harry não sabia que usar o Sectumsempra traria tantos problemas. O pior é que ele pagou sozinho. Draco estava prestes a usar uma maldição imperdoável contra ele e mesmo que Harry provasse que o garoto pretendia torturá-lo, ele sabia que, provavelmente, Snape não daria o mínimo crédito às palavras dele.

Harry apertou o canto dos olhos. Sentia-se cansado. A preocupação com os sábados mal aproveitados que teria dali em diante poderia ter feito com que ele se esquecesse do jogo, mas não foi isso que aconteceu. O pensamento dele estava no campo de Quadribol, com o time de Gryffindor.

Quando comunicou que estava fora da última partida contra Ravenclaw, ele não poderia ter se sentido pior: o olhar de decepção dos amigos o fez se sentir o maior idiota de todos. Pior foi perceber Hermione e Ginny discutindo.

Droga! Elas nunca se desentendem e na primeira vez que isso acontece eu sou o culpado. Ah! Eu mereço o ano que estou passando. Mereço mesmo.

E agora, sentado à mesa com uma pilha de arquivos velhos para organizar, Harry Potter percebia que fora longe demais na confiança que tinha no Príncipe Mestiço. Seu coração estava mais apertado que nunca e palpitava freneticamente com a expectativa do resultado da partida que poderia consagrar ou afundar Gryffindor. E ele não queria nem pensar na possibilidade de ser lembrado como o capitão que levou Gryffindor à lanterna do campeonato depois de dois séculos.

Ele apertou as têmporas, fechou os olhos e respirou fundo. Não queria pensar assim, não podia, mas o medo que sentia de que tudo desse errado era maior que qualquer fio de esperança que pudesse ter.

Maldito Ranhoso!

E como se não bastasse, Harry ainda sentia-se angustiado a cada dia porque, agora que Ginny havia terminado o namoro com Dean, ele não sabia como dizer a ela que ela tinha que ficar com ele porque era ele quem estava apaixonado por ela e não o Dean-sem-graça-Thomas.

Na verdade, ele tinha uma idéia de como dizer a ela, mas o problema é que ele não sabia como Ginny reagiria. Ele não sabia se ela acreditaria nessa aparente súbita paixão que ele passou a sentir. Depois de tantos anos agindo apenas como um amigo, até ele acharia estranho e desconfiaria se um dia, de repente, Hermione dissesse que estava apaixonada por ele.

Que ridículo isso! Essa é daquelas impossibilidades cristalizadas pelo tempo. Eu jamais me interessaria pela Hermione como eu me interesso pela Ginny. Hermione é minha amiga... minha irmã. E eu não aprovo incesto sob nenhuma circunstância. Além do mais, Ron e Hermione foram feitos um para outro, embora não queiram admitir e não vejam; esses dois ainda não estão juntos apenas porque não querem. Ele sorriu discretamente e continuou seu trabalho mais que inútil.

Apesar da tentativa de desviar seus pensamentos do jogo e da raiva que sentia por estar perdendo tempo com uma detenção inútil, Harry sentia-se cada vez mais nervoso com tantos problemas. Mas a questão Ginny o estava enervando e fazia com que ele não tivesse a mínima idéia do que encontraria no salão comunal quando voltasse.

Quem sabe Gryffindor ganhe e na comemoração ela e Dean... se entendam!
Não pense assim Potter! Pensamento positivo, você chega lá!

Mas vai ser difícil. Como é que eu vou convencê-la de que o que eu sinto não é qualquer coisa. Não é paixonite, não mesmo. Harry Potter está apaixonado por Ginny Weasley e por tempo indeterminado.


Ele suspirou.

Harry sabia que, desde o dia que a conhecera, Ginny tinha sentimentos por ele. Um sorrisinho discreto apareceu em seus lábios ao lembrar dela enfiando o cotovelo na manteigueira quando ele ficou hospedado na Toca no verão antes do início do segundo ano. A timidez dela o deixava sem graça porque ele não entendia a razão por que ela gostava dele.

Ah! Eu tenho certeza que isso tem a ver com esse mito do Menino-que-Sobreviveu! Como eu odeio essa fama!

Ele tinha certeza que, no início, a lenda do Menino-que-Sobreviveu, aquele que derrotou Voldemort, a fez se interessar por ele, mas os anos de convivência em Hogwarts pareciam ter mostrado a ela que Harry representaria apenas uma série de problemas e uma séria ameaça a sua vida. Ela parecia ter desistido dele e isso o desesperava.

Como ele iria convencê-la de que estava apaixonado?

Como ele iria convencê-la de que o que ele sentia não era só atração ou coisa assim?

Como ele iria convencê-la de que ela precisava acreditar em tudo que ele tinha para dizer?

Como ele iria dizer que passou os últimos meses convivendo com o ciúme e a frustração de não poder estar com ela?

Como é que eu sou tão corajoso para umas coisas e tão covarde para outras? Eu não consigo me entender!

E o tempo passava mais lento que o normal e o nervosismo que Harry sentia foi sendo substituído pela expectativa e, por que não dizer, medo. O campo de Quadribol estava tão longe que ele não tinha a mínima idéia se o jogo já havia acabado ou não. E essa falta de informação o deixava mais nervoso e a cada minuto que passava ele sentia seu estômago pesar mais.

Unir a incerteza do resultado do jogo com a frustração por ser tão covarde quando o assunto era Ginny Weasley estava fazendo Harry sentir-se um idiota. E o mais frustrante de tudo é que ele não podia contar com Ron e Hermione para dividir as angústias com relação ao que sentia por Ginny.

Com relação a Ron, ele tinha certeza absoluta que o amigo lhe daria um soco de quebrar todos os dentes pensando que ele queria abusar de sua irmãzinha. Difícil seria convencê-lo de que não era assim. De que o sentimento de Harry era verdadeiro e forte o suficiente para fazer com que a simples presença dela o fizesse relaxar e sentir-se mais feliz que o normal. A presença dela era tudo. Mas ele conhecia Ron o suficiente para saber que ele não entenderia. Pelo menos ele achava isso!

Com relação a Hermione, bom, Harry tinha certeza de que não adiantaria falar nada com ela. Aliás, ele tinha uma suspeita de que a garota sabia o que ele estava sentindo. Harry tinha certeza que Hermione só falou para ele sobre o rompimento de Ginny com Dean para ver a reação do amigo.

Essa tal intuição feminina é um perigo! Eu tenho certeza que a Hermione sabe mais do que aparenta. Mas será que a intuição da Ginny está fraca ou coisa assim? Não é possível que ela não perceba o que eu sinto por ela.

Potter não seja ridículo! Você nunca demonstrou o que sente, nem mesmo cegamente como Ron e Hermione fazem um com o outro. Ela não sabe e, por enquanto, não tem poderes de adivinhação para sequer desconfiar que você está apaixonado.

Merlin! Não é possível que eu não consiga acabar com essa incerteza. Eu nunca me senti assim antes por ninguém, nem pela Cho.

Você consegue. Uma hora você consegue. Você só precisa agarrar a oportunidade no momento em que ela aparecer.

É isso mesmo! Eu vou conseguir!


No mesmo instante, Harry ouviu Snape dispensá-lo de seus afazeres. E o desespero de querer saber o resultado e o medo de que tudo tivesse dado errado o estavam consumindo. O fio de esperança que ele alimentava de que Gryffindor pudesse ganhar a Taça de Quadribol, havia se esvaído, e mesmo que ele não quisesse chegar logo à Torre de Gryffindor, a apreensão e a curiosidade guiaram seus pés.

Seu coração pulava e suas mãos suavam profusamente e ele continuava a correr escada acima como se estivesse perseguindo um Pomo de Ouro. Harry corria rápido; hesitou apenas na entrada do Salão Principal. Por pouco tempo, pois sabia que ali não encontraria a resposta que tanto queria. Então, correu mais e quando percebeu já estava na frente do retrato da Mulher Gorda, ofegante. Ele sentiu milhares de borboletas em seu estômago batendo as asas ao mesmo tempo e fazendo com que a imensa sensação de medo o tomasse de vez e reforçando a vontade de correr escada acima caso o seu maior temor se confirmasse. Então, ele olhou para o retrato e falou a senha:

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- Quid agis? – experimentou Harry dizer à Mulher Gorda, imaginando o que encontraria lá dentro.
Sua expressão estava indecifrável quando ela respondeu:
- Você verá.
E o quadro girou.
Um urro de comemoração explodiu do buraco às suas costas. Harry parou boquiaberto quando, ao avistá-lo, as pessoas começaram a gritar; várias mãos puxaram-no para dentro.
- Vencemos! – berrou Ron, pulando à sua frente, sacudindo a taça de prata. – Vencemos! Quatrocentos e cinqüenta a cento e quarenta! Vencemos!
Harry olhou para os lados; lá estava Ginny correndo ao seu encontro; tinha uma expressão dura e intensa no rosto ao atirar os braços ao seu pescoço. E, sem pensar, sem planejar, sem se preocupar como o fato de que cinqüenta pessoas estavam olhando, Harry a beijou.
Decorridos longos minutos, ou talvez tenha sido meia hora, ou possivelmente vários dias ensolarados, eles se separaram. A sala ficara muito silenciosa. Várias pessoas assoviaram e houve uma erupção de risadinhas nervosas. Harry olhou por cima da cabeça de Ginny e viu Dean Thomas segurando um copo esmagado na mão, e Romilda Vane com cara de quem queria atirar alguma coisa neles. Hermione sorria exultante, mas o olhar de Harry procurou Ron. Encontrou-o finalmente, ainda segurando a taça com a expressão de quem levara uma bordoada na cabeça. Por uma fração de segundo eles se olharam, então Ron fez um discreto aceno com a cabeça que Harry entendeu como "Bem, se não tem jeito".
A criatura em seu peito rugiu triunfante, Harry sorriu para Ginny e fez um gesto mudo indicando a saída do buraco do retrato. Um longo passeio pelos jardins parecia o mais indicado, durante o qual, se tivessem tempo, poderiam discutir o jogo.


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Quando o buraco do retrato se fechou, Harry Potter sentiu a mão de Ginny Weasley procurar a sua e ele entrelaçou seus dedos aos dela. Agora, sem sombra de dúvidas, ele estava feliz. Muito mais do que jamais se sentiu antes. E se era assim que ele iria se sentir agora que a tinha, Harry Potter, aquele que todos chamavam de O Escolhido, lutaria com todas as suas forças para nunca perder Ginny Weasley.


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- Não tenho muito tempo – ofegou Harry. – Dumbledore acha que estou só apanhando a Capa da Invisibilidade, escutem...
Em poucas palavras, contou-lhes onde estava indo e por quê. Não parou nem diante das exclamações de horror de Hermione nem das perguntas apressadas de Ron; eles poderiam deduzir os detalhes sozinhos depois.
- ... estão entendendo o que isto significa? – Harry terminou ligeiro. – Dumbledore não estará aqui hoje à noite, portanto Malfoy estará livre para tentar o que quer que esteja tramando. Não, me escutem! – sibilou zangado, quando Ron e Hermione deram sinais de querer interrompê-lo. – Sei que era o Malfoy comemorando na Sala Precisa. Tomem... – Ele empurrou o Mapa do Maroto na mão de Hermione. – Vocês têm de vigiá-lo e têm de vigiar Snape também. Usem quem puderem reunir da AD. Hermione, aqueles galeões de contato ainda estão funcionando, certo? Dumbledore diz que instalou proteção adicional na escola, mas, se Snape estiver envolvido, ele saberá qual foi a proteção e como evitá-la... mas ele não estará esperando que vocês estejam de guarda, não é?
- Harry – começou Hermione, seus olhos arregalados de medo.
- Não tenho tempo para discutir – cortou-a Harry. – Tome isto também... – Ele empurrou as meias nas mãos de Ron.
- Obrigado. – disse Ron – Ah... para que preciso de meias?
- Precisa do que está embrulhado nelas, é a Felix Felicis. Dividam entre vocês e a Ginny também. Se despeçam dela por mim. É melhor eu ir, Dumbledore está me esperando...
- Não! – exclamou Hermione, quando Ron desembrulhou o frasquinho de poção dourada, parecendo assombrado. – Não queremos a poção, leve com você, quem sabe o que irá enfrentar.
- Estarei bem, estarei com Dumbledore – respondeu Harry – Quero ter certeza de que vocês estejam o.k... não me olhe assim, Hermione, vejo vocês mais tarde...
E ele se foi, atravessou o buraco do retrato e rumou para o Saguão de Entrada.”


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Hermione e Ron olhavam perplexos para o buraco do retrato por onde Harry havia acabado de sair, e assim ficaram por breves segundos. Não sabiam o que fazer. Estavam paralisados de medo, mas não havia espaço para hesitações: o momento exigia que reunissem toda coragem de Gryffindor que tinham e encarassem fosse o que fosse, viesse o que viesse.

Hermione estava mais abalada que em qualquer outra ocasião. Não conseguia colocar os pensamentos em ordem, mas tinha que tentar pensar friamente para que tudo desse certo.

- Ron, vem cá!

Hermione o agarrou pelo pulso e o levou até um canto isolado do salão comunal. Abrindo o Mapa do Maroto disse: Juro solenemente não fazer nada de bom. Olhando atentamente para o mapa ela disse:

– Olha só a Ginny está na biblioteca com o Collin. Eu vou até lá e você fica aqui com o mapa. Procure o Malfoy e pense em um jeito de ficar no encalço dele. Eu vou tentar não demorar muito.

- Certo, não se preocupe. Mas... Hermione? – ela o olhou quando já estava prestes a sair pelo buraco do retrato – Cuidado! Eu não sei, mas o Harry costuma não errar em se tratando do Malfoy.

Ela concordou simplesmente e saiu em desabalada carreira pelos corredores do castelo, pegando todos os atalhos possíveis para chegar o quanto antes à biblioteca.

Ao chegar, estava ofegante e seu coração batia acelerado. Correu os olhos pela biblioteca e reconheceu os cabelos muito vermelhos de Ginny. Aproximou-se e sentou-se à mesa onde a garota estava:

- Ginny, o Harry saiu da escola. – a ruiva espantou-se com o tom de voz da amiga. – Ele foi com Dumbledore, mas não posso te dizer o que eles foram fazer – Hermione sentiu as bochechas esquentarem. Infelizmente, não poderia dizer à Ginny o que Harry fora fazer e por que saíra da escola – Desculpe! – completou, corando.

- Bom, em se tratando dos segredos do trio, saber que o Harry saiu no fim da tarde com o prof. Dumbledore já é um avanço. – Ela sorriu descontraída.

- Não Ginny, você não entende, ele nos alertou sobre um perigo eminente. Pediu que reuníssemos a AD. Ele acha que o Malfoy vai pôr em prática seja lá o que ele vem preparando. O Harry vem insistindo nisso desde o início do ano.

Ginny fitou Hermione impassiva.

- Onde está o Collin? – perguntou Hermione olhando em volta.

- Está ali, atrás daquela estante. Está procurando um livro sobre fotografia. Você sabe como ele gosta de fotos. – Hermione sorriu nervosa e levantou-se para chamá-lo.

- Collin! Collin! – ela sussurrou. Ele estava tão concentrado no que lia que não a ouvia. Então, Hermione resolveu mudar de método.

- Collin, quais as novidades da fotografia? Há algum grande avanço? Alguma descoberta estupenda? – o jovem pareceu ter sido sugado de onde estava e a olhou com curiosidade, fechou o livro e respondeu:

- Na verdade não, mas desde quando você se interessa por fotografia Hermione?

- Desde o instante em que eu preciso falar com você. Vem cá, é importante! – Hermione saiu puxando o garoto pelo braço. Quando voltou para a mesa, Ginny continuava com seus livros abertos, mas nenhum sinal de que continuaria a estudar. Hermione a observou fechar os livros, enrolar os pergaminhos e colocar tudo na mochila e permaneceu calada, como se estivesse considerando os fatos.

- Ótimo! Escute Collin, nem o Harry nem o prof. Dumbledore estão na escola e, além disso, o Harry nos disse que o Malfoy pode colocar um plano em prática esta noite...

- Que plano? Como o Harry sabe? – Collin a cortou.

- Bom, eu... eu não sei, mas ele vem sustentando isso desde o início do ano e ele acha que agora pode realmente acontecer alguma coisa grave! – exclamou Hermione com a costumeira eficiência.

- O Harry pediu para que a AD se reunisse novamente. Eu ainda não sei dizer com precisão o que vamos enfrentar e se vamos enfrentar, mas, de fato, não é bom que a escola fique sem o prof. Dumbledore. Eu vou chamar os outros por meio dos galeões encantados. E eu preciso que você venha comigo e com a Ginny. Quanto mais pessoas melhor.

- Ah, fala sério Hermione! Você acha que isso é verdade? Tá certo que o Harry estava com a razão ano passado, mas de novo? Sem chance de isso acontecer. A escola está super protegida. Nada vai acontecer hoje. Eu vou continuar aqui. Esse livro é muito bom. Se você quiser ir viver esse delírio Gin, pode ir. Eu vou ficar mais um pouco.

Hermione não acreditou no que ouviu. Estava boquiaberta. Collin? Logo ele? Ele que sempre acreditou no Harry; ele que sempre deu grande crédito ao Harry, logo ele não acreditou no que ela disse? As coisas e as pessoas mudam... impressionante é que a mudança às vezes é inesperada!

Ela estava frustrada com o desdém do garoto. Agora, mais que nunca, ela sabia que ia ser difícil reunir os outros. Contudo, ela tinha trabalho a fazer e nem que fosse apenas ela, Ron e Ginny, Hermione não decepcionaria seu amigo.

- Vamos Ginny! – Hermione falou e Ginny a seguiu de modo mecânico. Ela estranhou o silêncio da amiga, mas falaria mais quando chegassem à torre de Gryffindor.

Ao entrar pelo buraco do retrato, Ron veio ao encontro delas:

- Mas que demora, Hermione. Eu cheguei a pensar que algo tivesse acontecido a vocês. Gin, o que foi? Por que você está assim? – Hermione olhou para a amiga e viu uma expressão vazia no rosto dela. Eles trocaram um olhar preocupado e voltaram encará-la.

- Não sei Ron, eu sinceramente não sei. Acho que é só preocupação, nada mais que isso, fiquem calmos. Mas me digam o que houve? Por que o Harry teve que sair com Dumbledore?

Hermione e Ron trocaram olhares nervosos. Não podiam dizer a Ginny o que Harry fora fazer ao lado de Dumbledore, mas tinham que dar uma explicação convincente.

- Ah! Que pergunta a minha não é? Até parece que vocês dirão o que ele foi fazer com o prof. Dumbledore! – ela balançou a cabeça e as madeixas vermelhas cobriram seus ombros. – Que pergunta imbecil.

- Ginny, nem nós sabemos direito. O Harry não entrou em detalhes. Ele apenas entrou aqui, pegou a capa da invisibilidade, nos entregou a Felix Felicis e o Mapa do Maroto, falou tudo aquilo que eu já te expliquei e pediu para que nos despedíssemos de você por ele. Ron, cadê a poção?

- Está aqui! – ele tirou o vidrinho com o líquido dourado do bolso interno das vestes e o entregou a Hermione. – Certo, esperem aqui, eu vou chamar os outros. Já volto!

- OK! – responderam Ron e Ginny.

Hermione subiu as escadas, entrou no dormitório vazio, abriu seu malão e retirou o galeão encantado. Não sabia se funcionaria, mas precisaria do máximo de pessoas que a ocasião exigia. Aqueceu-o e imprimiu na moeda um alerta para os componentes da AD.

Reunião no salão principal, agora! Por favor apareçam! Situação de emergência.

Ela ficou olhando para a moeda e por um segundo sentiu o pavor de não saber o que fazer e nem como fazer. Definitivamente, andar na escuridão da incerteza não fazia o estilo dela. Hermione preferia enfrentar Voldemort sozinha, mas com um plano em mente, a não saber como agir. Ela sentia-se insegura e incapaz. Não sabia o que fazer, mas tinha que permanecer com o pensamento claro. Ela não poderia se dar ao luxo de baixar a guarda, mesmo quando não sabia a extensão do perigo que a aguardava. Respirou fundo, afastou os pensamentos negativos da cabeça. Fechou o malão e desceu para encontrar-se com Ron e Ginny.

- Bom, eu já convoquei a todos. Vamos ver quantos aparecerão. – Por um momento incerto, Hermione trocou olhares com Ron, que agora parecia mais nervoso que o normal.

- Vamos!

Saíram pelo buraco do retrato e seguiram para o Salão Principal. Os corredores estavam silenciosos e entregues à penumbra que tomava o caminho que os três haviam escolhido. Caminhavam em silêncio e o som de seus passos era o único sinal de vida nos corredores. A tensão os acompanhava e uma sensação de pavor começou a tomar Hermione:

Oh Merlin! Será que o Harry está mesmo certo? Será que Hogwarts está em perigo? Será que estamos em perigo? Não! Isso é só... só... só um alarme falso. É isso, só um alarme falso. Mas por que ele iria nos avisar sobre o Malfoy se não tivesse certeza? Como eu detesto andar nessa incerteza. Maldito Malfoy! O que será que ele está aprontando? Será que ele vai tentar algo contra o Harry ou o prof. Dumbledore? Não! Não! Ele não ousaria, ele está em Hogwarts! Aqui ele não vai conseguir nada, definitivamente nada! Eu tenho que tentar me acalmar um pouco. Essas mãos suadas não ajudam em nada.

Santo Deus, por que estou com tanto medo? Nem quando fui ao Ministério ano passado senti tanto medo assim. Oh Deus! Vamos, concentre-se você é a racional do grupo. Acalme-se, com esse nervosismo todo você não consegue pensar Hermione. Tenho que me acalmar.


Hermione respirou fundo quando chegaram à porta do Salão Principal. Não sabia o que veria e se veria alguém. Quando a abriu, ela sentiu seu estômago afundar e a sensação de desespero tomá-la por completo. Os únicos que haviam respondido ao chamado foram Luna e Neville. Meu Deus! Só eles? Não sei porque eu estou surpresa! Ela franziu o cenho e fez uma nota mental para se lembrar de não contar com os outros membros da AD. Droga!

- Er... só vocês viram a mensagem? Vocês falaram com alguém? – a urgência na voz de Hermione chamou a atenção de Luna. Um feito louvável!

- Eu não falei com ninguém. O salão comunal estava lotado e ao que me parece os integrantes da AD não estavam interessados nos galeões. Se é que eles ainda têm seus galeões. – Luna, pensou Hermione, pela primeira vez falou uma coisa com a qual ela concordava plenamente. Temia por isso. Temia que com o fim da ditadura em Hogwarts os galeões virassem lixo e pelo jeito ela estava certa.

- Eu também não falei com ninguém. – Respondeu Neville que estava com uma expressão cada vez mais apavorada no rosto. Hermione olhou para os dois e constatou, com uma pontada de tristeza em seu coração, que, talvez, eles fossem tão sozinhos quanto ela fora até conhecer Ron e Harry. Ela olhou para o ruivo que fitava Neville e Luna com incredulidade.

- Tudo bem, nós vamos conseguir. Escutem, o Harry não está na escola. Ele e o prof. Dumbledore saíram. O Harry nos disse que, provavelmente, o Malfoy vai colocar em prática um plano que vem articulando desde o início do ano. O Harry acha que ele fará isso hoje porque nem ele e nem o prof. Dumbledore estão na escola, por isso ele pediu que reuníssemos a AD novamente para que pudéssemos proteger a escola, mas vejo que apenas nós faremos isso.

Ela suspirou e pegou o vidro de Felix Felicis que estava em seu bolso. Olhou para seus amigos e franziu a testa, um claro sinal de concentração que a acompanhava desde criança. Tentava se lembrar de um feitiço que vira em um livro avançado de feitiços que havia lido semanas atrás, quando ainda não conseguia dividir o mesmo espaço com Ron.

Ela suspirou alto. Sentia-se inútil e exasperou-se consigo mesma quando não conseguia lembrar como lançar o feitiço. Fechou os olhos e concentrou-se um pouco mais. Não demorou muito e Hermione conseguiu lembrar-se do feitiço, então, ela abriu o vidro, conjurou cinco copos, os colocou sobre uma das mesas e murmurou o feitiço. Instantaneamente, o conteúdo da poção da sorte dividiu-se em cinco partes iguais, que foram magicamente depositadas nos copos.

Hermione aproximou-se e os distribuiu. Olhando para a poção cor de ouro, ela fitou seus amigos e disse:

- Bom, esta é a poção da sorte. O conteúdo que está em cada copo pode nos dar entre três e quatro horas de sorte. Espero que possa nos ajudar se alguma coisa realmente acontecer. – ela tremeu e encarou seu copo. Virou o conteúdo de uma vez na boca, gesto repetido por seus amigos.

- Hermione e agora o que faremos?– Ron perguntou com uma ansiedade diferente refletida em sua voz.

- Bom, vamos nos dividir, é o melhor a ser feito agora! – Ela pegou o Mapa do Maroto das mãos de Ron e murmurou – Juro solenemente não fazer nada de bom.

Aos poucos a escola foi sendo revelada. Enquanto Ron e Hermione procuravam por Malfoy, Ginny e Neville notaram a presença de Bill, Tonks e Lupin no portão de entrada da escola:

- O que eles estão fazendo aqui? – Ginny perguntou apontando para onde os nomes apareciam.

- Não sei, mas isso não é bom sinal. – respondeu Ron. Hermione notou o tom sério na voz do ruivo. A presença deles realmente significava que, de certa forma, estavam correndo perigo real.

- Bom, vamos fazer nossa parte. Pelo menos não estamos sozinhos nessa. Ron, você, Ginny e Neville podem ir para o sétimo andar. Acho que eu e a Luna conseguimos ficar de olho no prof. Snape.

- Hermione, isso não está nada bom. Eu não consigo achar o Malfoy, talvez ele esteja mesmo na Sala Precisa. – ele a olhou com um misto de preocupação e, ela realmente não poderia se surpreender, determinação. Nos momentos de maior angústia e medo, Ron sempre deixava que sua coragem o guiasse. E assim seria sempre, enquanto ele vivesse. E ela esperava que fosse por vários anos.

- Mais um motivo para vocês irem logo para lá. Não podemos deixar que ele pense que vai ser fácil. – a confiança era mínima e o medo estava em seu mais alto grau, mas não era momento de fraquejar. Gryffindors teriam de ser sempre Gryffindors.

- Bom, acho melhor irmos agora. Não podemos ficar mais tempo aqui. – Hermione olhou para os amigos. – Por favor, cuidado! Tomem todo cuidado possível; se algo acontecer, não quero nenhum de vocês ferido.

Então, olhou para Ron e sentiu um aperto estranho em seu peito. Ela não queria que ele se jogasse em um perigo tão grande, mas a urgência do momento exigia que os medos e receios fossem deixados de lado.

Hermione deu um breve abraço em Gin e em Neville (que, para não perder o costume, corou profusamente). Quando se voltou para abraçar Ron, ela se deixou levar pela necessidade de sentir a presença dele. Os sentimentos que só sentiu enquanto esperava por notícias dele quando ele foi envenenado a tomaram mais uma vez. Ela não conseguia mais disfarçar sua preocupação e sussurrou no ouvido dele:

- Por favor! Por favor... cuide-se. Trate de ficar inteiro e bem. Não me dê outro susto. Já me basta o que você me fez passar três meses atrás.

No mesmo instante, ela sentiu um rubor tomar seu rosto e quando ele afastou-se dela, olhava diretamente em seus olhos. Ele sorriu brevemente e prometeu:

- Eu vou ficar inteiro por você e pra você! – Hermione viu as pontas das orelhas dele serem tomadas por um vermelho intenso, mas ele não desviou o olhar.

- Promessa é dívida Ron!

- Eu não faria uma promessa se não fosse capaz de cumpri-la Srta. Granger. – ele sorriu e o coração dela acelerou. Hermione respirou fundo e sentenciou:

- Bom, é hora de irmos. Cuidem-se e até mais!

Ron, Ginny e Neville subiram as escadas e seguiram na direção do sétimo andar. Hermione os observou até que eles sumissem. Virou-se para Luna e disse:

- Vamos, estamos perdendo tempo aqui.

- Sim, claro! – Luna seguiu Hermione pelos corredores e escadas em direção às masmorras. Hermione estranhou o silêncio de Luna, mas logo descobriu porque ela estava tão quieta. – A noite está bonita não é? É uma noite ideal para a reprodução dos zonzóbulos. Mas como esse fenômeno se repete a cada três semanas, eu os procurarei depois.

Hermione rolou os olhos e continuou seu caminho para as masmorras. Quando estavam próximas da sala do prof. Snape, Luna surpreendeu Hermione mais do que ela sequer poderia imaginar:

- Você gosta do Ron, não é?

- O quê? – Hermione perguntou e no mesmo instante sentiu suas bochechas arderem.

- Você ouviu o que eu perguntei! – a voz etérea de Luna sempre irritou Hermione, mas dessa vez ela desejava que ela não fosse tão diferente. Ela tinha uma sensibilidade mais apurada que a das outras pessoas. Ela não era “normal”. Pessoas normais não perguntam essas coisas, perguntam? O silêncio que se seguiu à pergunta de Luna foi o suficiente para que ela tirasse suas próprias conclusões.

- Você realmente não precisa me responder. – ela sorriu discretamente e voltou sua atenção para o colar de rolhas de cerveja amanteigada pendurado em seu pescoço.

Elas continuaram andando e Hermione não sabia o que pensar depois do que Luna havia perguntado. Centenas de considerações povoavam sua mente e a pergunta que a deixava mais desconfiada de que fora imprudente quanto ao segredo sobre seus sentimentos era: Quando foi que a Luna desconfiou? E a Ginny? E o Harry?

Por que eu não consigo determinar quando eu relaxei com o meu esquema secretíssimo de me policiar? Bom, acho que desde o natal do ano retrasado a Ginny já me lançava olhares sabidos quando eu perdia a noção do tempo observando o Ron jogando xadrez com o Harry. Droga!

Desde quando eu venho agindo como uma menininha apaixonada pela primeira vez? Desde quando eu comecei a perder a noção do tempo por causa dele? Desde quando o Ron se tornou tão importante? Por que eu não me policiei direito?

Você quer que eu responda é??

Ah não... agora não! Por favor, batalha de consciência agora não!

Tudo bem, só se lembre que você não tem como fugir do seu destino Granger!


Nesse instante, Hermione e Luna chegaram à porta da sala do prof. Snape. Colocaram-se uma de cada lado e esperaram. Ela não sabia pelo que exatamente, mas esperaram pacientemente.

Os pensamentos continuaram desordenados e Hermione não conseguia, contudo, deixar de pensar que talvez as suspeitas de Harry estivessem certas. O lado lógico de seu cérebro estava atento a qualquer movimento ou situação suspeita, mas seu lado emocional, que andava sendo muito exigido nos últimos tempos, não a deixava em paz um segundo sequer. A sensação de que algo errado estava acontecendo não a deixava em paz.

Então, como se para confirmar suas piores suspeitas, o prof. Flitwick apareceu muito nervoso no fim do corredor que levava à sala de Snape. Hermione e Luna o observaram vir correndo, gritando, com sua voz fininha, que havia Comensais da Morte em Hogwarts. O pequeno professor sequer notou a presença de suas alunas, entrou na sala e num baque surdo a porta se fechou. Segundos depois, Snape apareceu à porta, sozinho e lívido, dizendo que seu colega havia desmaiado e recomendando para que Luna e Hermione cuidassem dele. Hermione o observava subir as escadas no fim do corredor. Estática pelas palavras de Flitwick, ela 'acordou' apenas alguns minutos depois quando Luna abriu a porta da sala de Snape para socorrer o diretor de Ravenclaw.

O pânico que parecia distante, agora estava presente e fazia o coração de Hermione se apertar de medo por seus amigos, e se encher de angústia porque não estava enfrentando os invasores. Queria estar ao lado de Ron, Ginny, Neville e dos outros.

Sentia-se impotente. Sentia a frustração tomar conta de si. Sentia, pela segunda vez naquele ano, que seus conhecimentos de nada serviam: estava longe daqueles que podia ajudar e mesmo que pudesse, Hermione não achava prudente sair das masmorras agora. Havia um professor desmaiado e ele precisava da ajuda dela e de Luna.

- O que será que houve para ele ter desmaiado? – Luna avaliava o rosto do professor que continuava inconsciente.

- Não sei, mas talvez ele tenha se esforçado demais para chegar até aqui. Talvez ele tenha se cansado demais e desmaiado. Não sei, mas precisamos levá-lo para a Ala Hospitalar.

- Sim, mas como? Se há Comensais lá fora, não é seguro subirmos agora.
Mais uma vez Hermione concordava com Luna e considerou a situação. Se pelo menos estivesse com o Mapa do Maroto, conseguiria traçar um caminho seguro para que pudessem levar Flitwick ao hospital. Decidiu o que achou ser a decisão mais sensata:

- Vamos esperar, não podemos ir agora. Vamos esperar pelo menos mais meia hora. – Hermione olhou para Luna e viu a expectativa nos olhos da garota. Pela primeira vez ela não tinha a menor idéia de como agir, mas esperaria pacientemente que os próximos trinta minutos passassem o quanto antes, pois não sabia se teria nervos suficientes para esperar mais que isso.

Como ela havia previsto, aquela parecia ser a meia hora mais longa de todos os tempos. Os minutos passavam e a falta de notícias motivou Hermione a tomar uma atitude. Aproximou-se da janela e viu a Marca Negra brilhando no céu de Hogwarts e várias pessoas combatendo nos jardins.

Seu sangue correu mais rápido: Ron, Ginny! Oh Merlin, o que está havendo? Não posso mais ficar aqui! Não!

- Luna, vamos subir, há algo muito grave acontecendo e eu não suporto ficar aqui parada. Vamos!

Hermione olhou novamente pela janela e viu várias pessoas correndo em direção ao portão da escola. Comensais, alunos e membros da Ordem... raios, azarações, contra-feitiços... o mundo parecia ter virado de ponta cabeça e Hermione virou-se para Luna que já havia feito o corpo de Flitwick flutuar. Quando saíram da sala, Hermione seguiu na frente de Luna e entrou por um atalho antes do fim do corredor.

- Vamos por aqui, é mais seguro e chegaremos mais rápido à Ala Hospitalar.

- Tudo bem!

Quando seguiam por um corredor um pouco íngreme que terminava em uma escada que levaria diretamente ao andar da Ala Hospitalar, Hermione percebeu um movimento, apurou os ouvidos e pediu que Luna esperasse. Então, ela ouviu a voz cansada da prof. McGonagall:

- Levem-no para a Ala Hospitalar, agora! Tonks, por favor, mande uma coruja para Molly e Arthur, devemos isso a eles. Eles têm que saber sobre o filho deles.

Em seguida, Hermione ouviu passos apressados seguirem reto pelo corredor e irem pelo caminho oposto ao que ela e Luna tomariam.

Ron!

Pensar em Ron foi a primeira reação dela e, horrorizada, sentiu um frio desesperador correr por sua espinha. Oh Merlin, será que... oh Ron, não... você me prometeu. Por favor, não!

Hermione olhou para Luna:

- Preste atenção Luna, eu não poderei seguir com você. Siga por esse corredor e no fim vire a esquerda e depois, no fim do próximo corredor, vire a direita. Siga reto e você chegará à Ala Hospitalar, eu tenho que ir para outro lugar antes. Vá!

Luna observou Hermione por alguns segundos e então partiu. Seguiu em frente e logo desapareceu. O coração de Hermione batia forte; visões terríveis de Ron coberto de sangue, ou gravemente ferido, ou...

Granger! Não pense nisso!

Mas mesmo que ela tentasse, e sabendo que ele não estaria morto, Hermione sentiu lágrimas nos olhos quando a imagem do rosto pálido e dos olhos sem brilho de Ron saltou em sua mente.

Precisava ter certeza... agora! Não podia esperar que alguém lhe dissesse como ele estava. Ela tinha que ver com seus próprios olhos se ele estava bem ou se havia, mais uma vez, se lançado ao perigo para manter a palavra que dera a Harry.

Apenas nesse instante, Hermione sentiu que suas pernas ainda existiam. Pensou em correr, mas não sabia se ainda havia Comensais na escola, não sabia se encontraria algum corpo pelo chão. Resolveu, então, que andaria o mais rápido que conseguisse, com os ouvidos e a varinha atentos.

E mais uma vez naquele ano, os corredores pareciam mais compridos que nunca e o tempo mais lento que em qualquer outra ocasião.

Tum... Tum... Tum... Tum...

O som das batidas de seu coração entrou em compasso com os passos rápidos. O som seco dos pés no chão de pedra cada vez mais desesperador.

Tum... Tum... Tum... Tum...

Merlin! Não pode ter sido o Ron! Nem a Ginny! Não! Que não tenha sido nada grave. Ai meu Deus! Ron! Ron! Ron! Por que você tem feito isso comigo esse ano? Por que tem me torturado assim?

Meu Deus, por favor, que não seja nada grave com o Ron... com ninguém... por favor! Mais perdas não!

Ron! Ron! Ron!

Não grite Hermione! Não corra! Não chore! Não se descontrole! Eu tenho que me controlar, eu não posso perder o controle agora, não posso! Eu preciso estar com a mente atenta se algo acontecer.

Tum... Tum... Tum... Tum...

Eu não agüento mais, tenho que chegar logo! Não entendo isso, por que esses corredores parecem ser infinitos quando eu mais preciso que eles fiquem mais curtos? Por que estão tão escuros quando eu preciso de luz para saber o que fazer...

Oh Ron... por favor, que você tenha cumprido sua promessa. Por favor, não me faça sofrer novamente. Eu não quero! Eu não posso!


Quando conseguiu chegar à entrada do Salão Principal, Hermione sentiu lágrimas nos olhos. As portas abertas, um corpo no chão e vários alunos espalhados pelo salão. Fosse em outra ocasião, ela os mandaria ir para seus salões comunais, mas esse não era o momento, e ela sabia que não havia nada a ser feito. A escola fora invadida, eles teriam de esperar pelas orientações do prof. Dumbledore para retomarem a normalidade. Se é que haveria vida normal em Hogwarts depois dessa noite.

Ela correu os olhos pelo salão e não conseguiu ver Ron, Ginny ou qualquer dos membros da Ordem. Seu pulso acelerou mais uma vez; só havia um lugar onde ir, e ela não perderia mais tempo.

Hermione subiu as escadas de mármore com rapidez. Dessa vez, ela tomou alguns atalhos e logo estava no início do corredor que dava para a Ala Hospitalar. Andou mais e mais rápido. O som de seus passos ecoando nas paredes frias da escola.

Quando chegou no fim do corredor, Hermione viu Ron de cabeça baixa e quase gritou ao vê-lo. Abafou o grito, mas não conteve a vontade de correr. As horas de absoluto terror que ela viveu até ali foram as mais longas de sua vida... piores que os minutos que antecederam sua chegada à Ala Hospitalar quando Ron fora envenenado. E vê-lo vivo era o que ela mais desejava.

Ela viu Ron levantar os olhos para ver quem corria e quando viu que era Hermione, afastou-se da parede como se estivesse esperando apenas por ela. O olhar derrotado dele denunciava que algo estava errado, mas, pela primeira vez em sua vida, Hermione permitiu-se ser completamente egoísta e abraçou Ron. Ela sentiu os braços dele envolverem-na pela cintura e Hermione sentiu o corpo dele contra o seu.

Ela o abraçou com força e não conteve a vontade de chorar que a tomou. E assim eles ficaram por minutos quase sem fim.

Obrigada Deus, Merlin e todas as santidades mágicas. Obrigada! Obrigada! Ele está bem, está bem! Obrigada!

Quando Ron percebeu que Hermione chorava, ele afastou-se dela e a olhou atentamente:

- Por que você está chorando? Eu te machuquei? Fiz algo de errado?

- Não seu grande bobo! Não! – ela o abraçou mais uma vez. Precisava tanto ter certeza que não estava delirando, que era ele quem estava ali tão perto. De repente, Hermione lembrou do olhar que viu no rosto de Ron, afastou-se e perguntou:

- O que houve? Por que você está assim? Onde estão os outros? E o Harry? E a Ginny?

- Espera Hermione, uma pergunta de cada vez e uma resposta de cada vez também. O Bill, ele foi... foi atacado por Greyback. – Ron caminhou em direção à janela onde ela mesma passara boa parte do tempo enquanto esperava por notícias dele quando ele foi envenenado. – E agora ele está...

- Está o que Ron? Não me diga que ele...

- Nem pense em terminar essa frase. – ele a cortou com um traço de raiva na voz.

- Eu... desculpe. Mas o que houve então? O que aconteceu com seu irmão?

- Greyback o atacou e deixou várias marcas no rosto dele. E além disso, não sabemos se ele... se vai se transformar em um lobisomem.

Ron parecia o mais derrotado dos homens. Sua expressão transparecia o desespero de quem não conseguira ajudar o irmão.

Ela respirou fundo e continuou olhando para ele. Sentiu seu coração apertar mais uma vez, sentiu-se impotente, por isso, sem pensar e sem se importar com a reação dele, Hermione tocou o rosto de Ron. Para sua surpresa, ela o viu fechar os olhos e inclinar-se ao toque dela.

Hermione aproximou-se um pouco mais e o abraçou, agora com menos urgência. O momento exigia que ela fosse a amiga de sempre. Ele precisava dela e Hermione estava disposta a ser o apoio que ele tanto necessitava. As preocupações de antes não tinham mais a mínima importância. A única coisa que importava é que ela tinha que ajudar Ron. Tinha que ajudá-lo, tinha que mostrar a ele que não há nada a se fazer quando um louco se diverte destruindo a vida de outras pessoas. A única coisa a ser feita, dali em diante, era lutar para que bruxos como Greyback fossem presos e condenados para que nunca mais uma família, como os Weasley, tivesse que ver um dos seus gravemente ferido.

- Então foi sobre o Bill que a McGonagall falou! – ela falou baixinho enquanto ele continuava abraçado a ela.

- Sim, era sobre ele. Não sei quem afastou Greyback do Bill, mas de qualquer forma ele ainda tentou atacar outros membros da Ordem. – Então Ron levantou o rosto e encarou Hermione com uma expressão perplexa. – Hermione, todos aqueles feitiços. Maldições imperdoáveis para todos os lados e nada nos acertou. Não fosse a Felix Felicis – ele engoliu em seco – eu estaria morto, tenho certeza.

- Ron...

- E também a Ginny e o Neville. Estávamos perdendo. Éramos poucos para tantos Comensais, mas de repente o Snape apareceu. Foi um alvoroço entre eles, então nós vimos ele subir a escada para a Torre de Astronomia. Ele ultrapassou uma barreira mágica que havia lá, não sei como, mas conseguiu. Ele demorou um pouco lá em cima e depois, eu vi o Harry correndo atrás dele e do Malfoy. Tentei falar com ele, mas não adiantou. Parecia que ele não via nenhum de nós e continuou correndo. Não sei o que houve, mas acho que ele e o Snape estavam correndo atrás do Malfoy.

- Ron...

- Acho que algo sério aconteceu, você viu a Marca Negra? Eu não vi, só ouvi os outros falando.

- Ron, por favor eu posso falar?

Ele se assustou. Nem percebera que estava falando demais. No mesmo instante, ele ficou vermelho e murmurou:

- Desculpe! Eu... é que eu ainda estou nervoso. Falar disso tudo é a única alternativa para mim. Eu não consigo pensar no que eu posso fazer. Hermione, estou me sentindo incapaz. Certo, eu sempre fui, mas agora está demais e...

- Nunca mais diga que você é incapaz, Ron. – a voz soou forte e havia um traço de reprovação ao que ele havia acabado de falar. – Ron, será que você não percebe? Você não é um imprestável e muito menos falhou com seu irmão. Por Merlin, vocês estavam enfrentando Comensais da Morte e sair vivo já é uma mostra de que você é capaz. – e antes que ele replicasse, ela completou. – E não se atreva a dizer que foi por causa da Felix Felicis, nós nem conhecíamos essa poção ano passado e saímos todos vivos do Departamento de Mistérios.

- Não me lembre daquela noite, por favor! – Hermione não entendeu o porquê do pedido, mas não teve problema em atendê-lo. Também não gostava de lembrar.

- Bom, vamos entrar. Acho que é bom ficarmos com o Bill. Alguém mais se feriu?

- O Neville, mas não foi nada grave.

- Ainda bem que não foi grave. Vem, vamos entrar. Seus pais não chegaram ainda e o Bill não pode ficar sozinho.

- Certo! – Ron segurou a mão de Hermione e seguiu para dentro da enfermaria.

Hermione sentiu seu coração apertar quando viu o estado de Bill, que estava desacordado. Madame Pomfrey estava aplicando uma essência verde escura nos ferimentos no peito e nos braços. O rosto estava irreconhecível.

Ela desviou os olhos dele e virou-se. Neville estava deitado, parecia adormecido e Luna estava ao lado da cama dele. Ela estava preocupada com Harry e Ginny. O que havia acontecido para que eles estivessem demorando tanto. Será que alguém mais havia sido ferido? E de quem era aquele corpo que ela vira próximo à saída do Salão Principal?

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Horas mais tarde. Salão comunal de Gryffindor.

- Por que você não vai se deitar? Amanhã vai ser um dia daqueles. – A voz cansada de Ron refletia o cansaço físico, mental e emocional que Hermione também sentia.

- Você quer dizer hoje!

- Tanto faz! Vai descansar um pouco.

- Não estou com sono! – O corpo pedia por descanso, mas o cérebro não permitia que ela relaxasse o suficiente para pensar em dormir. Acontecimentos demais, perdas demais.

- Mas você não pode ficar tanto tempo acordada.

- Você não pode falar muito não é?

- É, não posso!

- E por que você não foi dormir ainda, então? – ela o olhava. A desolação refletida no rosto dele fez seu coração se apertar.

- Eu também não estou com sono.

Hermione fechou os olhos. O sentimento de culpa por ter falhado em sua missão ainda a atormentava. Ela se esforçava em pensar que nada do que aconteceu era culpa dela. Snape. Ele era o culpado. O mundo inteiro estava de cabeça para baixo porque ele traíra a confiança de Dumbledore.

- Eu ainda não acredito que ele se foi. Isso parece um pesadelo.

- É difícil de acreditar, mas não há como negar. Ele se foi e agora eu não sei o que será de nós.

Silêncio. O impacto dos eventos daquela noite seria enorme na vida de todos. A incerteza quanto ao futuro de Hogwarts. A dúvida quanto ao futuro de cada um. Tudo, absolutamente tudo isso fazia com que a incerteza, que se apresentara como uma improbabilidade, se tornasse agora a única coisa concreta na vida de todos dali em diante.

- Eu estou preocupada com o Harry! Ele estava tão... estranho.

- Bom, ele viu o prof. Dumbledore ser morto; seguiu o assassino e não conseguiu detê-lo. Acho que o sentimento de culpa deve estar enorme e você sabe como ele é. Tenho certeza que está se culpando mortalmente porque Dumbledore está morto.

- Por que isso tinha que acontecer logo hoje? Logo agora? Estava tudo tão bem. Eu não consigo entender a lógica desses acontecimentos

- Não há lógica quando o mal quer agir Hermione. Não há lógica quando alguém quer fazer o mal. Malfoy fez a escolha errada, agora ele terá de arcar com as conseqüências disso.

- E pensar que não demos ouvidos ao Harry durante o ano inteiro. Ron, eu me sinto uma inútil. Por duas vezes esse ano, eu não consegui ajudar as pessoas que eu amo. – ele a olhou atentamente.

Hermione sentia que ambos estavam no mesmo patamar de culpa e incerteza. A escuridão tomando o futuro pelo qual eles teriam de lutar. E ela lutaria com todas as suas forças para manter sua família e amigos vivos e bem. Ela não saberia como conviver com tantas perdas. Ela admirava a força que Harry tinha por ter superado tantos obstáculos, mas Hermione suspeitava que a morte de Dumbledore poderia ter um efeito mais pesado nas decisões do amigo. Ela só esperava que ele não resolvesse se matar para acabar com Voldemort.

- É bom você não se culpar. O único culpado é Você-Sabe-Quem. O difícil vai ser convencer o Harry disso. Eu tenho certeza que ele está achando que todas essas coisas aconteceram porque ele não estava aqui.

- Pode ser, mas o que vai ser da escola e de todos nós daqui em diante? Quero dizer, Dumbledore era como um protetor para a escola. Era ele quem dava equilíbrio e segurança para todos nós. Será que a escola vai fechar?

- Eu queria não acreditar nisso, mas acho difícil que a escola reabra. Depois de um assassinato, ninguém quer que o local seja freqüentado novamente. Pelo menos, não por algum tempo. Na verdade, eu tenho outras preocupações.

- Que outras preocupações?

- Minha família, Hermione. Combatemos Você-Sabe-Quem. Somos vistos como traidores do sangue porque não ligamos para essa bobagem de pureza de sangue, de que bruxaria é exclusiva para quem nasceu bruxo. Não fazemos distinção das pessoas que estão ao nosso redor. Eu sei que somos um alvo dele. Ele vai nos perseguir. Ainda mais porque acolhemos o Harry. Temo pela minha família. Pelo Harry e por você também.

- Não precisa temer por mim, eu sei me cuidar sozinha!

- Hermione, isso não tem nada com saber ou não se cuidar sozinha. O que vem por aí é muito mais que uma batalha de algumas horas. Eu sei que você sabe se cuidar sozinha, mas eu acho que, de agora em diante, quanto mais unidos ficarmos, mais protegidos estaremos. Além do mais, o Harry vai precisar de nós. E seja qual for a decisão que ele tomar, acho que devemos apoiá-lo.

- Com certeza! Somos amigos dele e não vamos abandoná-lo nos momentos difíceis, momentos como esse. – ela suspirou – Só espero que ele não resolva perseguir Voldemort a todo custo.

- Bom, eu acho que ele terá de destruir os horcruxes antes não é?

- É, mas e enquanto isso? Quero dizer, eu tenho certeza que ele está se martirizando. Será que ele não vai aceitar a nossa ajuda? Será que ele vai vir com aquela mania dele de não querer que as pessoas o ajudem?

- Pode ser que ele faça isso, mas eu acho que ele tem que perceber que sozinho ele não vai conseguir fazer nada. A gente só tem que mostrar isso para ele. Além do mais, não importa se ele vai querer ou não, nós estaremos com o Harry sempre, independentemente da vontade dele.

- Eu tenho medo Ron. Será que esse é o fim? Será que conseguiremos?

- Hermione, esse não é o fim. Não pode ser! Esse é apenas o começo da nossa luta pelo direito que nós temos de viver em paz. V-vol-voldemort não tem o direito de acabar com a vida de ninguém, e o Harry tem sido a maior vítima dele desde quando era pequeno. E, antes de mais nada, eu acredito. Voldemort ainda não me tirou a capacidade de acreditar que eu posso e que o Harry pode e vai conseguir acabar com ele. É isso que me dá forças, Hermione. Não fosse isso, eu talvez não estivesse aqui, vivo!

- Não me fale em mortes, nem em possibilidades de mortes, Ron! Eu cansei de ver as pessoas sofrendo por causa dele. Cansei de ver o Harry perder quem ele ama por causa de Voldemort. Primeiro os pais dele, tudo bem que não o conhecíamos, mas de qualquer forma foi horrível para ele. Depois o Sirius, agora Dumbledore. Eu concordo com você, está mais que na hora de tudo isso acabar e no que depender de mim, Voldemort não vai ter facilidade para chegar ao poder.

- Essa é a Hermione que eu conheço. Juntos, nós vamos conseguir. Eu tenho certeza.

- É, eu também tenho. Ron?

- Hum?

- Vamos tentar descansar? Amanhã vai ser um dia realmente muito longo.

- Sim, vamos. Amanhã promete ser um dia longo, muito longo.

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(...) Ron e Hermione correram ao encontro de Harry e passaram por Scrimgeour, indo em direção oposta; o garoto se virou e continuou sua caminhada devagar, dando tempo para os amigos o alcançarem, o que finalmente aconteceu embaixo de uma bétula onde costumavam sentar em épocas mais felizes.
- Que é que Scrimgeour queria? – sussurrou Hermione.
- O mesmo que queria no Natal – respondeu Harry, sacudindo os ombros. – Queria que eu desse informações confidenciais sobre Dumbledore e virasse o novo garoto propaganda do Ministério.
Ron pareceu lutar intimamente por um momento, então anunciou em voz alta para Hermione:
- Olha, me deixa voltar para dar um murro no Percy.
- Não – disse ela com firmeza, segurando-o pelo braço.
- Mas eu vou me sentir melhor!
Harry riu. Até Hermione esboçou um sorriso, que desapareceu quando ela ergueu os olhos para o castelo.
- Não consigo suportar a idéia de que talvez nunca voltemos – disse ela baixinho. – Como é que Hogwarts pode fechar?
- Talvez não feche – falou Ron. – Não corremos maior perigo aqui do que em casa, não é? Está igual em toda parte. Eu diria até que Hogwarts está mais segura, há mais bruxos para defender o lugar. Que é que você acha Harry?
- Não vou voltar nem que reabra.
Ron olhou-o boquiaberto, mas Hermione disse com tristeza:
- Eu sabia que você ia dizer isso. Mas, então, o que vai fazer?
- Vou voltar mais uma vez à casa dos Dursley, porque era o que Dumbledore queria. Mas será uma visita breve, e então partirei para sempre.
- Mas aonde é que você vai, se não voltar para a escola?
- Pensei talvez em voltar para Godric's Hollow – murmurou Harry. Vinha ruminando está idéia desde a noite em que Dumbledore morrera. – Para mim, tudo começou ali. Tenho a sensação de que preciso ir até lá. E posso visitar os túmulos dos meus pais, gostaria de fazer isso.
- E depois? – perguntou Ron.
- Depois tenho de rastrear os outros Horcruxes, não é? – respondeu Harry, os olhos no túmulo branco de Dumbledore refletido nas águas do lago. – É o que ele queria que eu fizesse, por isso é que me contou tudo que sabia sobre eles. Se Dumbledore estiver certo, e tenho certeza que está, ainda há quatro Horcruxes por aí. Preciso encontrar todas e destruí-las, e depois correr atrás da sétima porção da alma de Voldemort, a que ainda habita o corpo dele, e sou eu quem vai matá-lo. E se eu encontrar Severus Snape pelo caminho – acrescentou Harry –, tanto melhor para mim, tanto pior para ele.
Fez-se um longo silêncio. A multidão quase toda se dispersara, os poucos remanescentes guardavam uma imensa distancia da figura de Grope consolando Hagrid, cujos uivos de dor ecoavam pelo lago.
- Estaremos lá, Harry – disse Ron.
- Quê?
- Na casa dos seus tios – respondeu Ron. – Então acompanharemos você, aonde for.
- Não – disse Harry depressa; não contara com isso, tentara fazer os amigos entenderem que ia empreender uma perigosíssima viagem sozinho.
- Você já nos disse uma vez – disse Hermione em voz baixa – que havia tempo para desistir, se a gente quisesse. Tivemos tempo, não é mesmo?
- Estamos com você para o que der e vier – afirmou Ron. – Mas cara, você vai ter de passar na casa dos meus pais antes de qualquer outra coisa, até mesmo de Godric's Hollow.
- Por quê?
- O casamento de Bill e Fleur, lembra?
Harry olhou para ele, espantado; a idéia de que algo normal com um casamento ainda pudesse existir parecia inacreditável e, contudo, maravilhosa.
- Ah é, não devemos perder esta festa por nada – disse ele por fim.
Sua mão fechou automaticamente em todo do Horcrux falso, mas, apesar de tudo, apesar do caminho escuro e tortuoso que ele via estender-se à sua frente, apesar do encontro final com Voldemort, que ele sabia que teria de ocorrer, fosse em um mês, um ano ou dez, ele sentiu um novo ânimo ao pensar que restava um último e dourado dia de paz para aproveitar com Ron e Hermione.


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- Ron? – perguntou Hermione enquanto observava Harry se afastar.

- Hum?

- Você acha que o Harry vai querer mesmo ir ao casamento do Bill e da Fleur?

- Claro que sim! Primeiro porque mamãe não admitiria que ele não fosse ao casamento; segundo porque pra ele qualquer lugar é melhor que a casa dos tios. Sorte que o casamento é depois do aniversário dele.

- É, você tem razão!

Os minutos passaram vagarosamente e Hermione olhava para um ponto além do Lago Negro. Várias coisas passavam por sua cabeça e os acontecimentos da noite em que Dumbledore foi morto apenas aumentavam seu medo. Medo. Ela conviveu com esse sentimento muito mais do que poderia imaginar durante o ano inteiro.

Agora, mais que nunca, o único sentimento que rodeava os pensamentos e ações das pessoas era o medo. Hermione queria afastar todos que amava da guerra. Temia sobretudo por seus pais. Com certeza, seriam alvos fáceis para os partidários de Voldemort sendo ela quem era.

Seu medo crescente, desde a morte de Sirius, tomou forma e proporções com a invasão à escola. Agora, que Hogwarts provavelmente seria fechada, não havia mais saída. A guerra já não batia mais à porta. Agora, a guerra faria parte da vida de todos enquanto Voldemort ainda estivesse vivo. A guerra dividia os bruxos e, mais que nunca, deixaria claro com quem se poderia ou não contar.

A guerra mostraria a todos a capacidade que cada um tem de desvalorizar o outro em detrimento de suas ambições. E ela sabia que Voldemort não mediria esforços para acabar com a vida de Harry, mas Hermione tinha consciência, na verdade tinha certeza, que nem ela e nem Ron deixariam isso acontecer. E se isso, de alguma forma, significasse sacrifício, ela estaria pronta para tudo. Não morreria sem lutar.

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Hermione olhou ao redor e viu que os jardins estavam vazios. Todos haviam entrado para pegar seus malões. Em uma hora, voltariam para casa, mais cedo do que o previsto. Encarariam os horrores da guerra. Permaneceram ali, apenas ela e Ron, que estava absorto observando a floresta proibida.

- Ron?

- Sim?

- Você está com medo? – perguntou com voz baixa.

Sem olhar para ela, ele respondeu:

- Eu estou apavorado, Hermione.

- Eu também! Estou com medo de que meus pais sejam vítimas dessa guerra. Tenho medo que alguém morra. Tenho medo de morrer, Ron!

- Eu entendo. Não fique assim, tudo vai dar certo. Eu também estou com muito medo de encarar essa guerra, mas não vai ser agora que nós vamos deixar o Harry na mão. Ele é nosso amigo e precisa de nós.

- Eu sei. Eu temo muito por ele também, Ron. Eu não consegui definir com exatidão o que eu vi no olhar dele, mas o Harry não pode ficar imerso nesse ódio e nesse desejo de vingança. Esse pode ser o fim dele.

- Infelizmente, tudo isso aconteceu por influência do Snape. Eu até diria culpa, mas não posso julgar uma situação que eu desconheço.

Hermione levantou os olhos e fitou o rosto de Ron, que continuava a olhar a floresta proibida. Em outra situação, ele estaria desferindo xingamentos dos mais pesados contra Snape, estaria dando razão para o ódio de Harry, mas ele não estava fazendo isso.

Ele sentiu o olhar dela e a encarou. Um silêncio intenso os rodeou. Ela precisava esclarecer tudo que havia acontecido ali, naquele instante. Não poderia esperar pelo casamento.

- Ron, eu temo tanto por você e pelo Harry. Vocês são tão importantes para mim. Mais do que você sequer pode imaginar.

Ela viu o olhar dele mudar de direção. Ele se afastou e ela não conseguiu entender o porquê daquela reação. Talvez, ela pensou, eu tenha dito a coisa certa do jeito errado.

- Ron, o que houve? Por que ficou assim?

- Eu também temo por você e pelo Harry, Hermione! Será que o Harry vai deixar que a gente vá com ele para a casa dos tios dele? Algo me diz que não por isso eu estou mais preocupado ainda. Eu não sei como serão os dias em que ele vai ficar por lá. Sozinho, remoendo tudo que aconteceu. E você? Você vai para a casa dos seus pais, eu sei que é o normal, mas eu não consigo imaginar como vocês estarão seguros lá. Eu tenho medo que algo de ruim aconteça a vocês.

- O Harry estará protegido pelo feitiço que há na casa dos tios dele. Você sabe! Quanto a mim, não se preocupe, eu sei me cuidar sozinha.

- Você sabe se cuidar, mas é uma só, Hermione. Nós somos amigos do Harry, somos alvos de Voldemort. E eu não quero perder você!

Ela tentou considerar as coisas: Ron havia falado Voldemort pela terceira vez depois de anos evitando falar o nome dele. Ele se preocupava com ela. Ele... Não quer me perder?

- Como assim, você não quer me perder? Ron, nós somos amigos, e você não vai me perder. Você sabe que agora, mais que nunca, nós devemos ficar unidos. Todos nós.

Ela o viu fechar os olhos por um momento, respirar fundo e falar:

- Eu não falei em te perder nesse sentido Hermione. Quero dizer, não é só você, óbvio, mas me entenda. Você e eu estamos mais envolvidos que nunca nessa história toda e Voldemort quer acabar com pessoas como nós. Amigos do Harry, defensores dos nascidos trouxas e nascidos trouxas. Somos alvos em potencial desde o dia que a gente ficou amigo do Harry. Mas não é só isso. Você é especial e eu... eu tenho medo de te perder; eu... eu não estou nessa guerra só por mim. – os lábios dele tremiam e o rosto estava vermelho, parte por causa da maneira como ele falava, parte por causa do sol que aquecia os jardins.

- Por que você está me dizendo isso? – ela perguntou parecendo confusa.

Incrédulo, ele a olhou nos olhos por alguns segundos, antes de desviar o olhar do dela, enfiar as mãos nos bolsos e caminhar na direção do castelo.

- Ron! Vem cá! O que foi?

- Nada Hermione, esquece o que eu falei, tá bem?

- Não, eu não vou esquecer. Quem você pensa que é pra me mandar esquecer alguma coisa? O que houve? Eu não consegui entender por que você falou aquelas coisas para mim.

- Eu já disse, esquece!.

- NÃO! – Hermione agarrou o braço dele, mas com facilidade Ron se livrou. Ela não desistiu, correu e parou na frente de Ron. Ele foi obrigado a levantar os olhos e encará-la mais uma vez. – Até parece que você não me conhece Ronald! Inútil pedir para eu esquecer “isso”, que eu nem sei o que é. Vamos, eu quero que você fale. Por que a insistência para que eu esqueça o que você disse?

Dessa vez ela olhou diretamente nos olhos dele, ali estava o mesmo olhar fechado e indecifrável. Ela não conseguia compreender o porquê de ele estar se escondendo dessa forma.

- Ron, por favor! Eu quero saber.

- Você tem certeza? – ele perguntou antes de tirar as mãos dos bolsos e segurar as dela.

- Claro que tenho certeza! Você diz que não quer me perder, mas não é no sentido que pensei. Eu quero entender! – um olhar questionador perfurou os olhos de Ron, que não os fechou e nem desviou o olhar. Hermione nunca o viu sustentar com tanta firmeza um olhar que ela lançava a ele. Ela o ouviu expelir o ar dos pulmões como se o estivesse prendendo há muito tempo.

- Eu já sei Hermione. Sei de tudo.

- Sabe? Sabe o que Ron? – ela não entendia onde ele queria chegar. Ele não poderia saber nada porque ela não havia dito nada a ele.

- Eu estava acordado aquela noite na Ala Hospitalar. Eu ouvi tudo. – dessa vez ele abaixou a cabeça e soltou as mãos dela, ficando de costas. - Me perdoe, mas eu não pude deixar de ouvir quase tudo que você falou. E, principalmente, não acreditei no que você disse. – ela parecia paralisada pelo choque de descobrir que ele havia escutado tudo que ela havia dito aquela noite, porém ela estava mais chocada pelo fato de ele não ter acreditado. – Apesar de estar e me sentir mais feliz que em qualquer outra oportunidade em toda minha vida, eu não conseguia entender por que eu. Mas depois que eu resolvi analisar tudo que houve entre nós durante esse ano, eu não consegui mais sustentar essa negação eterna. Eu sei de tudo e, dias depois, me senti o cara mais sortudo do mundo porque você disse todas aquelas palavras. Todas para mim, por minha causa. Por medo de me perder. Hermione, eu...

- Por que você não disse nada antes? – ela o cortou; apesar de baixa, a voz dela soou firme como sempre.

- Eu não sei.

- Como não sabe Ronald? Como não sabe? Você ouviu tudo que te falei e ficou calado? Você tem plena consciência de tudo que eu sinto por você e fica calado? Eu não consigo acreditar nisso, Ron!

Ela o olhava com uma expressão que não mostrava raiva, mas decepção. Decepção por ter tido seus sentimentos ignorados por ele. Como ele se atrevia a dizer que se achava o cara mais sortudo do mundo? Por breves segundos ela se arrependeu de ter ido à Ala Hospitalar aquela noite. Se arrependeu de ter deixado seus impulsos governarem suas ações. Se arrependeu por ter sido tão tola em acreditar que ele respeitaria os sentimentos dela, mesmo que não os correspondesse. Se arrependeu de ter agido como uma adolescente irresponsável.

- Eu... eu... Hermione, por favor! Eu... você tem que entender, eu estava atordoado com tanta informação. Foi chocante saber que você... você... eu simplesmente levei alguns dias para processar e entender tudo que você disse com clareza. Eu não queria te magoar, eu juro! Mas eu não falei nada com você porque eu sabia que você teria uma reação como essa. Por favor, me perdoa. Eu não quero que você pense que eu não liguei para o que você disse, foi exatamente o contrário. Eu não quero que você ache que eu não correspondo ao que você sente. Eu não quero que você pense que eu não me importo com você. Eu não quero que você pense que eu sou um insensível que não soube ser sincero consigo mesmo. Por favor! Me perdoa! – ele tremia e ela via lágrimas se formarem nos olhos dele.

- Ron, o que custava você ter falado comigo? Teria sido melhor para nós dois. Você me fez passar por idiota, inconseqüente... – ela o olhava com um misto de fúria e indignação. Dor e desespero. Como ele pôde agir assim com ela? Como ele pôde deixá-la no vácuo da insegurança por tanto tempo, mesmo depois daquela noite no salão comunal de Gryffindor quando ele disse que a amava? Por que ela não conseguia fazer seu coração deixar de bater tão rápido?

- Hermione... – ele pegou as mãos dela mais uma vez, porém ela se desvencilhou e virou de costas para ele. Ela ouviu Ron suspirar alto e o sentiu aproximar-se. – Não faz isso comigo, por favor! Você tem que me ouvir antes que comece a me julgar, eu tenho o direito de me explicar!

Hermione voltou a olhar para Ron. Ele tinha razão, ela não estaria mesmo sendo justa chegando a conclusões sem que ele dissesse os porquês dele. Certo, ela pensou, não vai custar nada ouvir o que ele tem a dizer, não pode ficar pior do que já está.

- Tudo bem, Ron. Diga o que tem a dizer e que seja rápido.

Apesar de tentar soar fria e desinteressada, Hermione não conseguia negar que queria ouvir o que ele tinha a dizer. Ela não sabia como controlar o que estava sentindo. Vários sentimentos se misturaram e ela não conseguia entender como era possível sentir tantas coisas ao mesmo tempo. Apesar do choque com a revelação de Ron, ela se sentia aliviada, pois não saberia como falar sobre seus sentimentos em um momento tão delicado.

E apesar de estar completamente amedrontada com a perspectiva de um futuro incerto, se é que haveria futuro, Hermione também via uma ponta de esperança, de paz, de alegria no meio de tantos acontecimentos horríveis.

Ela não conseguia olhar Ron nos olhos, mas permitiu que ele segurasse suas mãos. Respirou fundo com o contato e resolveu prestar atenção em tudo, tudo que ele dissesse.

- Primeiro, eu preciso que você me perdoe. Independentemente de como essa nossa conversa termine, eu preciso que você me perdoe por ter sido um idiota, Hermione. Eu nunca quis te magoar. Mas eu também não sabia como ser sincero com relação a tudo que aconteceu nesse ano. Se você me perdoar, eu já terei ganhado muito. Mesmo que eu perca a minha amiga.

Ela fechou os olhos e mordeu o lábio inferior. Sentiu lágrimas, mas não permitiu que elas descessem por suas bochechas. Ele entrelaçou os dedos nos dela e Hermione sentiu as mãos dele tremendo. Então, ele recomeçou a falar:

- Bom, eu sinceramente não sei o que dizer. Não tinha nada preparado, nunca tive. Você sabe como eu sou imediatista e sempre acabo falando e fazendo as coisas sem pensar. Mas, pelo menos dessa vez, eu sei o que dizer. – Hermione não o olhava, ela sabia que se olhasse nos olhos de Ron, provavelmente, não resistiria à tentação de sair dali correndo e nunca mais aparecer na frente dele. Então, ela começou a respirar mais lentamente para se acalmar e continuou a ouvi-lo. – Eu queria que você soubesse que eu nunca, nunca gostei da Lavender. No início, talvez, eu estivesse gostando de estar com ela e tudo, mas eu nunca me senti realmente ligado a ela. Infelizmente, eu acho que acabei por usá-la para te provocar, para te fazer sentir como eu me sentia toda vez que você falava do Krum. Bom, eu acho que eu não posso te falar o porquê de eu ter mudado tanto alguns dias depois que você me convidou para a festa do Slughorn, não agora.

Hermione sentiu as mãos dele tremendo e parecia que o nervosismo não o abandonava. Sentiu-se mal por ter gritado com ele, mas agora ela se esforçaria para ouvir tudo que ele tinha a dizer:

- Eu quero que você entenda, antes de qualquer coisa, que eu nunca quis te magoar; eu não planejei aquela situação com a Lavender e eu não quis também que tudo aquilo acontecesse, mas eu devo confessar que você ter desconfiado de mim só aumentou meu desapontamento e minha raiva. Eu queria te ver sofrer. Eu queria que você sentisse dor e decepção como eu senti quando percebi, erradamente, que você não confiava em mim, que você não me considerava bom o bastante como goleiro, que você achava que eu só conseguiria ser brilhante usando uma poção. As suas palavras doeram mais do que você sequer pode imaginar, Hermione.

Naquele instante, Hermione ergueu os olhos e olhou para Ron, que estava de cabeça baixa, parecia mais abatido que antes. Mais abatido que nunca. Ela sentiu seu coração acelerar, sentiu como se um peso muito grande a estivesse impedindo de falar, mas ela tinha que falar. Ela precisava.

- Ron!

- Não Hermione! Eu preciso terminar, senão eu perco toda minha coragem.

- Não, Ron! Quem vai falar agora sou eu e eu preciso que você ouça, só isso! – ela respirou fundo e começou. – Eu... me desculpe. De verdade, eu nunca duvidei da sua capacidade, eu nunca pensei que você pudesse trapacear em um jogo de Quadribol, eu nunca quis agir daquela forma, mas eu não consegui me conter quando eu percebi o que o Harry havia feito, supostamente é claro. Eu fiquei enfurecida com o fato de ele ter usado a Felix Felicis no seu suco e, pior que isso, eu pensei que você tinha concordado. Você sabe como eu sou com relação às regras e ao cumprimento delas. Não adianta, eu sou assim. Mas no momento que o Harry disse que não havia colocado a poção no seu suco, eu me arrependi. Eu até pensei em te pedir desculpas ali na hora, mas você saiu com tanta pressa do vestiário que eu me senti atordoada com a bobagem que eu tinha acabado de fazer.

Hermione respirou fundo. Uma das piores lembranças de sua vida voltou vívida em sua mente e ela teve que se esforçar para continuar. Lavender não interferiria novamente.

- E quando eu entrei no salão comunal e vi você agarrado a Lavender, eu tomei aquilo como um castigo que eu não merecia. Senti ódio, decepção, uma fúria que me fez incitar aqueles canários contra você. Eu não queria que tivesse sido assim. Eu fico pensando em tudo que aconteceu depois e acho que nos comportamos como duas crianças mimadas, birrentas. Ron, me desculpe também. Eu não quis te magoar e jamais faria isso. Eu me senti péssima durante dias. Sem você falando comigo, me provocando e, ainda, a Lavender dando risadinhas das suas piadas. Foi uma época terrível aquela, mesmo eu tendo determinado que ia te esquecer, que ia tentar arrancar você da minha vida. – Hermione suspirou. – Você percebeu que eu não consegui, não é?

Hermione abaixou a cabeça e ficou em silêncio. Depois de meses, ela conseguiu dizer a ele o porquê de ter agido daquela forma no vestiário; conseguiu tirar um dos pesos de seus ombros, mas havia tanto a ser dito... tanto. Mas antes que ela dissesse qualquer coisa, Ron começou a falar novamente:

- Isso é tão irônico, Hermione. Eu, você e o Harry já quebramos, eu acho, todas as regras de Hogwarts. E isso é irônico, porque pela primeira vez estava tudo em seu devido lugar e você não admitiu que poderia ser possível.

- Me desculpe eu...

- Não! Não me peça desculpas novamente, eu já te perdoei. Estou disposto a deixar isso tudo para trás. Eu prometo a você que vou tentar agir mais com mais clareza e, sempre que necessário, conversar com você. Afinal, não podemos nos comportar como duas crianças a vida inteira não é? – ela levantou a cabeça e o olhou nos olhos. A sinceridade que ela viu no olhar de Ron deu a Hermione a certeza de que ele estava sendo sincero e que cumpriria sua promessa, como sempre fez.

- Bom, eu acho que nós temos de voltar e arrumar nossas coisas e...

- Não terminei ainda, Hermione. – ele a interrompeu. – Não terminamos ainda! – Hermione arregalou os olhos e pensou se era possível essa conversa ser mais franca do que já estava sendo. Ela já sabia que ele a havia perdoado; ela sabia que Ron estava disposto a não deixar que mal-entendidos os separassem novamente; ela sabia que ele estava mudado. Mas Hermione pensou por um segundo e descobriu que havia muito ainda a ser dito, pelo menos duas coisas ela precisava saber: porque ele estava tão diferente depois das festividades do fim do ano e porque ele disse que a amava com tanta casualidade.

- É, não terminamos.

- Eu queria poder dizer tudo que eu preciso, mas eu não sei se vai ser o suficiente.

- Não temos a vida toda para isso, mas você vai ter que começar em algum momento, não é?

- É verdade. – mais uma vez o silêncio os rodeou e Ron a olhava e Hermione não conseguia disfarçar seu nervosismo. – O que foi? Você quer perguntar alguma coisa?

- Bem, quero sim. Na verdade são duas coisas: por que você voltou diferente depois do natal? Eu não entendi nada, nem a Ginny sabia o que havia acontecido com você. Ela até me falou que você estava estranho durante os dias que ficou na Toca. O que houve?

- Bom, é que... ah Hermione, você deveria saber! – ele falou parecendo irritado.

- Eu deveria saber? Como é que eu deveria saber se eu não estava lá – e pensando ter se enganado, ela ouviu Ron sussurrar baixo:

- Esse era um dos problemas.

- Ron?

- Certo, você quer mesmo saber porque eu voltei diferente?

- Claro que quero!

- Olha, eu acho que esse foi o natal mais estranho de toda minha vida. Se você não percebeu, nós temos passado o natal juntos desde o 2º ano. Bom, desconsidere o 4º e o 6º anos e tudo fica bem. Mas a questão é que... bom, eu senti sua falta como nunca havia sentido antes. Eu senti sua falta mais do que eu achava possível. Ok, eu posso parecer um idiota dizendo isso, mas é a pura verdade. Além do mais, eu estava infeliz com a Lavender e o presente que ela me deu, só confirmou isso.

- Que presente? – ela o olhou curiosa.

- Você vai rir de mim, é melhor eu não falar. – ele desviou o olhar do dela.

- Ron, eu acho que você pode me falar. Eu não costumo rir de tudo que me dizem, sabe? Confia em mim!

- Tudo bem, eu não esconderia isso de você por muito tempo mesmo. A Lavender me deu ... me deu... um colar, é isso, um colar!

- Ora, e qual o problema de ganhar um colar? – ela perguntou, agora bem confusa.

- Você ia gostar se o Vicky ou o McLaggen te dessem um colar escrito: "Minha namorada"?

Hermione arregalou os olhos e mordeu o lábio. Não podia rir, havia prometido, mas a visão de Ron usando um colar com uma inscrição como essa era por demais hilária. Mas, com esforço, ela se conteve e respirou fundo antes de falar:

- Bom, eu não ia gostar. Acho que eu ia detestar, mas isso não é motivo para você mudar de comportamento não é?

- Não, não é! É difícil para eu falar disso, mas enfim... eu só me dei conta de verdade da falta que eu sentia de você quando eu fui para casa. Eu sei que você me olhou quando eu estava beijando a Lavender antes de ir embora. Eu vi! E o jeito que você olhou para mim e o seu olhar... Hermione, aquilo acabou com a resistência que eu havia criado. Foi dolorido ver aquela tristeza toda no seu rosto.

Hermione sentiu a ponta dos dedos dele em seu rosto. Ela fechou os olhos para apreciar aquele toque tão singelo. – Eu não consegui aproveitar o natal como antes, além de Fred e George me enchendo por causa da Lavender, eu ainda travei uma batalha comigo mesmo. Eu não consegui dizer não ao que estava dentro de mim. É tão estranho querer estar com alguém e saber que essa pessoa te ignora porque você foi um idiota. – ele respirou fundo e ficou calado por alguns minutos, Hermione pensou que ele parecia refletir, parecia escolher o que falar. Então, continuou:

- Eu nunca me senti tão sozinho em toda minha vida, Hermione. Me culpei o natal todo pela solidão que eu estava sentindo. Foi horrível pensar que eu era o único culpado por aquele sentimento horrível. E quando voltamos a Hogwarts, você ainda me ignorou completamente, você lembra? Quando estávamos, eu, Harry e Ginny, na entrada do salão comunal sem poder entrar porque não sabíamos a senha?

- Lembro, claro!

- Pois bem, quando você não ligou para o que eu falei sobre o natal na Toca, bem... – ele forçou-se a engolir o bolo que estava se formando em sua garganta – foi terrível! – ele falou baixinho, mas foi o suficiente para Hermione entender. – Eu senti ali que eu havia te perdido de verdade. Eu não sabia como fazer você voltar a falar comigo, por isso me apeguei àquela história de espírito de natal, que você me contou uma vez. E quando você me ignorou daquela forma, eu não poderia ter sentido tanto as conseqüências de tudo que eu fiz.

Hermione olhou para Ron, que admirava atentamente o chão. Parecia que ele estava querendo esconder os sentimentos e emoções que, ela sabia, ele jamais deixaria de mostrar no olhar. Essa particularidade de Ron a deixava muito feliz. Quando se tratava do relacionamento entre os dois, muitas vezes, as palavras eram insuficientes e por essa razão, eles acabaram por desenvolver um jeito próprio de se comunicar. Algo que só a cumplicidade e a amizade poderiam dar a eles. E, por isso, ela tinha certeza que ele estava evitando o olhar dela porque, talvez, ela pudesse enxergar mais do que ele queria dizer. E isso a amedrontava. Não sabia o que esperar, mas tinha que dizer algo, qualquer coisa para que ele soubesse que nunca em toda sua vida, Hermione se sentiu tão só e miserável. Tão longe de tudo. Tão longe de si mesma!

- E se eu te disser que eu me senti da mesma forma? Se eu te disser que em momento algum durante o natal eu deixei de lembrar de você? Se eu te disser que eu senti sua falta também? – ela permaneceu com a cabeça baixa e pensava de onde viera tamanha coragem para admitir o que havia sentido durante o natal.

Lembranças do esforço sobre-humano que ela fez para não deixar que os pais e o restante da família desconfiassem de que algo estava errado assaltaram sua mente e uma vontade absurda de chorar apertou seu peito, mas ela não podia chorar. Não agora.

Havia muito a ser esclarecido entre eles, e mesmo que a amizade deles mudasse, Hermione não poderia deixar de fazer o que era certo, então continuou:

- Eu senti tanto sua falta. Você realmente tem razão, desde o 2º ano nós passávamos os natais juntos: ou aqui em Hogwarts ou na Toca, mas sempre juntos. Mas ao mesmo tempo, eu ainda não conseguia te perdoar por tudo que havia acontecido naquela noite depois do jogo e nos dias que se seguiram. Doía saber que eu era piada para você; doía perceber que eu havia perdido você. – Hermione respirou fundo e balançou a cabeça tentando afastar as lembranças daqueles dias tão conturbados. – A única maneira que eu achei para resistir ao que eu sentia foi essa, Ron. Ignorar você de todas as formas possíveis; ignorar e mostrar a você que eu também podia deixar você se sentindo mal. E eu sabia que estava te afetando. Mas hoje... hoje eu percebo que foi um erro. Se as minhas atitudes faziam mal a você, faziam muito mais a mim. Eu nunca agi daquela forma antes. No início, eu até achei cômodo, mas depois, eu percebi que também estava me machucando. Eu simplesmente não conseguia ignorar e apagar meus sentimentos por você. Eu acho que nunca conseguiria te esquecer, nem se eu me submetesse a um feitiço de memória. Certas coisas a gente consegue apagar da memória, mas nunca do coração.

Ron levantou a cabeça e a olhou nos olhos. Pela primeira vez desde que eles haviam voltado a conversar, Hermione olhava para Ron como sempre: nos olhos e despida de qualquer vontade de esconder a verdade. Era a hora certa para deixar tudo às claras e deixar os desentendimentos no passado. Um passado difícil de se lembrar, mas que de certa forma fez com que Ron e Hermione deixassem de renegar os sentimentos que tinham um pelo outro. Era a hora de deixar o inevitável acontecer.

- Me desculpa! – ele falou baixinho.

- Desculpar você? Pelo quê? – ela perguntou com uma expressão confusa.
- Me desculpa porque eu não fui corajoso o bastante para admitir que era verdade quando eu disse que te amava aquela noite no salão comunal. Me desculpa, por favor! – ela estava perplexa e calada ela permaneceu. A lembrança daquela noite cobriu sua visão e em seus ouvidos as palavras dele repetiam-se incessantemente: Eu te amo, Hermione!

- Por que você quer que eu te perdoe? Eu não entendo. – agora quem evitava o olhar de Ron era Hermione, que sentiu as bochechas quentes e sabia que estaria vermelha por causa das palavras dele. Não que ela se sentisse embaraçada, não era isso. Mas as palavras de Ron soaram como uma bomba jogada em suas mãos. Uma surpresa tão grande quanto a que teve naquela ocasião. Tentou organizar os pensamentos; tinha que colocá-los em ordem para que não fosse pega de surpresa. Ela não queria ser pega de surpresa. De novo não!

- Hermione, eu não agi certo. Eu queria tanto que você acreditasse no que eu sinto por você e eu estava tão contente por ter voltado a falar com você, que eu não me dei conta do que eu falei. Quando eu percebi já havia falado. – ela mordeu o lábio e segurou as lágrimas que repentinamente surgiram em seus olhos. Uma onda de revolta a fez sentir-se mal; Não é possível ! Quer dizer que ele preferia não ter dito nada? Hermione começou a pensar rapidamente em uma resposta para jogar na cara dele. Como ele diz que não agiu certo e logo em seguida diz isso? Como ele se atreve a dizer isso? Como? Então, antes que ela conseguisse formular qualquer coisa ele continuou:

- Mas eu quero e preciso que você saiba que é a mais pura verdade e não há nada que vá mudar tudo que eu sinto por você, mas eu ainda tinha um fardo chamado Lavender para carregar. – a raiva de segundos atrás se transformou, quase que instantaneamente, em vergonha por tê-lo julgado tão mal. Merlin, obrigada por eu não ter dito nada. Obrigada por eu não ter me precipitado. Um pouco menos apreensiva e mais segura do que ele estava dizendo, Hermione tratou de prestar atenção ao que Ron estava falando.

- Eu juro que eu quis terminar com ela assim que eu saí da Ala Hospitalar, mas eu não tive coragem suficiente. Fui um covarde e perdi tempo ao lado de uma pessoa que nunca me interessou. Mas saiba que, apesar de ter soado completamente casual, eu disse a mais pura verdade. Eu não diria nada daquilo a nenhuma outra pessoa a não ser você. Entende por que eu quero que você me perdoe? Eu agi como um idiota que não consegui admitir a verdade... alguém que usa de casualidade para disfarçar o que quer dizer. E você sabe, eu nunca fui assim! – ela o viu virar-se e ficar de costas para ela.

Parecia que Ron estava fazendo um esforço enorme para ser sincero. E ele sempre foi assim, sincero e absolutamente verdadeiro, mesmo que, por causa disso, eles tivessem discutido muito. Ela pensou por alguns instantes no que dizer e como dizer. Não poderia falar qualquer coisa que fizesse com que eles discutissem.

Lembrou-se dos momentos de terror da noite da invasão a Hogwarts, quando, ao ouvir que um Weasley havia sido gravemente ferido, sentiu o desespero de um momento de absoluto horror e dúvida. Não sabia se era Ron, mas não poderia descartar, naquele instante, a possibilidade de ele ser o ferido. Uma onda fria de medo fez com que seus pés criassem vida própria e começassem a andar na direção de onde a batalha havia acontecido. Mas ao vê-lo inteiro e bem às portas da Ala Hospitalar, Hermione não conseguiu se conter e atirou-se, mais uma vez nos braços dele. Ela nunca havia sentido tamanho alívio. Nem quando o viu vivo e sentiu sua respiração, na noite de sua visita secreta, ela havia sentido tamanho alívio. Porém, a notícia de que Dumbledore fora assassinado por Snape, e que Harry estava com a razão o tempo todo sobre Malfoy, só fez ela ter certeza de que não poderia deixar nada para depois.

Ela se aproximou e olhou para o rosto dele, que agora tinha uma expressão de ansiedade. Hermione tinha certeza absoluta que ele estava se remoendo por dentro por ter falado tanto sobre o que sentia. Ele nunca havia demonstrado tão claramente seus sentimentos antes, e ela ficou chocada com as lágrimas que viu caírem dos olhos dele quando o abraçou momentos antes.

Ele, ela pensou, é diferente de qualquer garoto que eu conheço. Ele não se importou com ninguém e chorou simplesmente. Deixou que as lágrimas aliviassem o momento de dor de todos nós. Ele mudou e eu nem percebi. Merlin! Ele falou tudo que eu sempre quis ouvir e eu não disse metade do que sempre desejei. Apesar de não ter sido direto, eu sei o que ele deve estar pensando. Tenho certeza que ele acha que eu não vou querer nada com ele, eu sei que é nisso que ele está pensando. Eu não posso deixar que ele pense a coisa errada. Não agora. Não de novo. Chega de tanta distância e tanto silêncio.

- Ron?

- Hum!

- Olha pra mim. – aquela não foi uma ordem, apenas um pedido, que foi prontamente atendido.

Ele a olhou como jamais havia feito antes. Hermione viu sentimentos misturados: medo, tristeza, decepção, vergonha... e escondida atrás de tantos sentimentos opressores, a pequenina, mas insistente, chama da esperança que ela via brilhar nos olhos dele sempre que conversavam ou riam um para o outro. Um sentimento, que ela sabia, estava refletido em seus próprios olhos.

Ela se colocou na frente e focou o olhar dele novamente. Respirava rápida e descompassadamente. Era um momento de mudança; era um momento de deixar a incerteza para trás e chegar à margem de algo que mudaria a vida de ambos. Ela tremia de leve, as mãos suavam muito, a boca secou de repente e ela lutou para conseguir começar a falar. Não era hora para ficar calada:

- Você percebeu uma coisa? – ela perguntou e tentando esconder o nervosismo.

- O quê? – ele perguntou.

- Falamos, falamos, falamos e não dissemos o principal. – ela o olhava com serenidade. Não queria que ele entendesse mal o que ela queria falar naquele momento. Por isso, torceu para que ele tivesse compreendido o que ela queria dizer.

- Não dissemos o principal? Acho que falamos demais e o principal se perdeu em algum lugar lá atrás. – ele esboçou um sorriso tímido e o coração dela acelerou.

- Você sabe do que estou falando, não é?

- Quem sabe! Do que você está falando? – ele pareceu querer provocá-la, mas ela sabia que ele não daria o primeiro passo se ela não o fizesse. E, definitivamente, Hermione adorava desafios.

- Você realmente quer saber do que estou falando?

- Pode ter certeza que sim – ele respondeu de pronto, mas aparentava um grande nervosismo.

- Será que eu tenho que fazer tudo, Ron? – ela continuava séria, mas sentiu que o ar que os rodeava parecia ter mudado.

- Não, você não precisa fazer tudo Hermione. – ele se aproximou mais dela. – Você só precisa entender que era difícil para mim.

- Era? Não é mais? – ela também se aproximou. Estavam a centímetros um do outro.

- Não, acho que não é mais tão difícil. Você ajudou bastante pra que eu superasse essa dificuldade, sabe? E eu adoro isso!

- Sério?? – eles estavam tão próximos, que seus narizes se tocavam levemente.

Hermione sentiu seu pulso acelerar consideravelmente e ela tinha certeza que Ron conseguia ouvir as batidas descontroladas de seu coração. E pela primeira vez, desde que conhecera o ruivo, ela não se importava em se mostrar como a durona ou a sabe-tudo ou a monitora rígida. Ela, naquele instante, era Hermione, a garota que um dia em algum lugar de sua história em Hogwarts, se apaixonou por Ron Weasley, o garoto que a chamou de pesadelo, aquele que a salvou de um trasgo; aquele que a salvou de si mesma.

- Mais sério impossível Hermione! E eu não costumo mentir para você! Não quando o assunto, agora, envolve você e eu. – ela o viu abrir um sorriso tímido e observou, mesmerizada, quando ele começou a se aproximar dela.

Merlin! Oh, Merlin me ajude a não perder as forças. Será que ele quer... me beijar? Ai meu Deus! Ele quer...

E, então, Ron a beijou e Hermione não conseguiu mais pensar em nada. O pensamento que havia se formado em sua mente desapareceu com a mesma velocidade com que havia aparecido, e ainda bem, pois pôde dar asas às suas emoções sem quaisquer amarras e se permitiu aproveitar cada segundo do momento que tanto imaginou e desejou por tantos anos.

Não fosse o fato de Ron estar com um dos braços enlaçados na cintura dela, Hermione certamente teria caído no chão porque, de repente, seus joelhos perderam a força. Nada poderia tê-la preparado para aquele momento. Um instante em que, certamente, o tempo havia parado.

O que era apenas um sonho, uma probabilidade, que meses antes ela não cogitava mais, estava acontecendo. E era maravilhoso! Sem demora, Ron tocou de leve os lábios de Hermione com a ponta de sua língua pedindo permissão para aprofundar o beijo. E com toda paixão que guardava dentro de si há tanto tempo, Hermione se deixou levar pelo momento e cedeu à insistência típica de Ron e finalmente sentiu o sabor do beijo que ela mais esperou em toda sua vida.

Ela não sabia por que (na verdade, pela primeira vez na vida Hermione não conseguia articular um pensamento coerente), o beijo dele era diferente do de Víktor, embora ela suspeitasse que isso tivesse algo a ver com o fato de ela ter beijado o búlgaro por pura curiosidade. Mas a verdade é que, quando Hermione conseguiu tomar consciência de seus atos novamente, ela estava com os braços em volta do pescoço de Ron e o beijava com avidez.

As mãos dele passeavam languidamente por suas costas. Arrepios tomaram conta do corpo de Hermione que involuntariamente gemeu baixinho. No mesmo instante, Ron a abraçou com mais força como se quisesse evitar que ela fugisse, que se afastasse novamente; como se ele estivesse tomando posse de quem nunca deixou de ser dele...

Atenção alunos! Em 15 minutos as carruagens partirão para Hogsmead. Peço a gentileza, àqueles que ainda não pegaram seus malões que o façam agora. Os diretores de suas casas os conduzirão às carruagens. Conto com a agilidade de todos.

Eles se afastaram. Ambos ainda estavam de olhos fechados quando Ron abraçou Hermione e em silêncio declarou, mais uma vez, seus sentimentos. Ela o abraçou forte e quis chorar; não de tristeza, mas de alegria por ter encontrado mais uma razão para continuar firme na luta contra Voldemort.

- Eu te amo! – ela o ouviu dizer baixinho.

O coração dela bateu forte. Mais uma vez aquele ano, ele a surpreendia. Não que ela não esperasse, mas ainda era incrível saber que ele a amava.

- Eu também te amo. Muito! - ela respondeu.

- Acho que não é o nosso dia! Ou quem sabe o nosso ano! – ele tentou sorrir, mas não deixou de soar um pouco decepcionado com a interrupção vinda de algum lugar do castelo. Parecia direcionada, única e exclusivamente, para eles.

Ela não concordou. Aquele poderia ter sido o pior ano de toda sua vida, mas no fim, não foi tão ruim assim. No fim, ela tinha Ron ao seu lado. Ele a havia beijado e ela descobriu o que Ginny queria dizer quando contou a ela que beijar Harry era como voar sem vassoura ou esquecer tudo que se sabe, até mesmo como respirar. Pela primeira vez em sua vida, Hermione sentiu que não precisava de livros para entender qualquer coisa, bastava ela ter a certeza de que tudo convergia para o amor – amor! Merlin! É amor de verdade! – que ela sentia por Ron e que agora ela sabia ele também sentia por ela.

E saber disso era incrivelmente enlouquecedor. Não que ela fosse perder o controle, mas ela sabia que de agora em diante, tudo mudaria. Na verdade, tudo já estava mudado. Hermione e Ron não seriam apenas amigos. Amigos sempre, mas o que os esperava dali em diante eram provações de vida. Estariam juntos numa caçada que poderia levá-los à morte, mas estariam juntos.

Estariam juntos para ajuda Harry a superar tantas perdas, mas não se esqueceriam que tinham um ao outro. Estariam juntos pelo bem de todos que amavam, mas não deixariam de lembrar que, em primeiro lugar, lutariam um pelo outro. Estariam juntos e assim seria. E mesmo que a guerra levasse anos para acabar, a esperança de dias mais felizes estaria viva enquanto tivessem um ao outro; enquanto contassem um com o outro; enquanto amassem um ao outro.

E essa foi uma das promessas que Hermione fez a si mesma: proteger Ron e Harry para que o futuro que ela tanto queria se tornasse realidade. Com seu amigo vivo e feliz. E com o garoto que, sem sua permissão, seu coração escolhera como aquele de quem ela não deveria se esconder; para ele, ela sabia disso há séculos, ela poderia se mostrar e deixar que ele aliviasse seu medo e dor, como fizera há pouco quando Dumbledore fora enterrado.

Ron e Hermione, agora, não tinham mais a timidez e a incerteza os impedindo de ficarem juntos. Ron e Hermione, mais que nunca e mais que antes, são os melhores amigos do menino-que-sobreviveu. Amigos que viveriam grandes aventuras nos próximos meses, mas que seriam sempre um pelo outro porque por trás de toda evidência, há uma história. E toda história reflete o que está no coração e nas atitudes de cada pessoa. E mesmo que se tente esconder a verdade, ela estará sempre lá, escondida em algum lugar. E Ron e Hermione descobriram a verdade de seus sentimentos. Uma verdade que agora os une mais que nunca.

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N/A: Oi! Er... tudo bem? **tentando disfarçar** Bom, enfim o capítulo 5 publicado. Esse sim deu o que fazer, mas foi um must ao mesmo tempo. Espero que tenha ficado legal e que vocês tenham gostado. Peço, mais uma vez, desculpas pela demora, mas agora a culpa nem foi minha! Mas agora, eu vou tentar não demorar tanto, afinal o próximo é o último capítulo. ç.ç Só de pensar eu fico triste. Mas tá valendo demais escrever BTE, e ela ainda existe por duas razões:

1- Pelos amigos que estão sempre aqui. Aqueles que pedem atualização, mas comentam lindamente também; aqueles que deixam reviews lindas e emocionantes; aqueles que mantém contato no orkut ou no MSN e aqueles que estão acompanhando desde o início. Vocês são todos especiais e uma das razões de BTE existir;
2- E por causa da minha beta reader linda; minha amiga do cuore Aline. Espero que você saiba que BTE não seria nem metade do que é sem a sua preciosa ajuda. Eu ainda tenho que agradecer propriamente. Mas de qualquer forma, obrigada mesmo hein?!? Ainda temos mais um na jornada! \o/

Bom, eu também adoraria agradecer a cada um que comentou, mas se eu fizer isso vai ficar impossível... então um grande abraço, um obrigada bem grandão a todos, mas eu não posso deixar de mencionar: Lê Wons (eu ainda me recupero dos seus coments viu!?), Morgana Black (drama! Drama!), Thaci Carneiro (wee), Warley Brant, Liz Negrão (Não vale chorar!), L. Lestrange, Bélaa Weasley, Ana Teles (=D), Luisão e por último, mas em hipótese alguma menos importantes Poli e Mithya (friends do cuore!). Eu não sei como agradecer a cada um de vocês, um dia eu descubro... quem sabe! Mas enfim, obrigada a todos pela paciência, pela companhia e pelo carinho também. E vocês sabem, não custa lembrar, comentários fazem parte e, nesse mundo de fanfic, são o ar que eu respiro. A motivação que me mantém aqui! Obrigada demais galera!

Ah sim! Eu quase esqueço... eu pensei em colocar uma resposta aqui para a pessoa que se diz HH que invadiu a fic e colocou um comentário bem idiota, mas eu pensei bem e vou dizer só uma coisa: 21-07-2007 ~~> O começo do fim do delusional... as estrelinhas cairão e nada sobrará no céu abóbora que só vocês conseguem ver!!!
Desculpa gente, mas poderia ser pior sabe? Mas vcs não merecem...

**abraçando quem criou essa frase** Pumpkin pie must die! Péra... dia 21-07 Pumpkin pie will die! **just joking**

Bom, até o próximo capítulo **ai... é o último... chorosa... mui chorosa**
Fiquem todos bem!

Bjs!

o/

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