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Visualizando o capítulo:

3. Behind closed eyes - My fear


Fic: Behind the Evidences - MMs EdP


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Disclaimer: Harry Potter e todos os seus personagens pertencem à La Doña Rowling, pero se a mim pertencessem Romilda Vane ganharia um troféu de serviços prestados à Hogwarts por causa dos caldeirões de chocolate. \o/

Capítulo dedicado à Lê Wons, porque foi dela que partiu a idéia para a última parte do capítulo (mesmo que indiretamente!!)
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Oh how quiet, quiet the world can be
(Oh, quão quieto, quieto o mundo pode ser)
When it's just you and little me
(Quando é apenas você e eu)
Everything is clear and
(Tudo está claro e)
Everything is new
(Tudo é novo)
So you won't be leaving will you?
(Então, você não vai embora, vai?)
And if you're cold
(E se você está com frio)
I'll keep you warm
(Eu vou te aquecer)
And if you're alone just hold on
(E se você está sozinho apenas espere)
'Cos I will be your safety
(Porque eu serei sua segurança)
Oh, don't leave home
(Oh, não abandone o lar)


Dido (Don't leave home)

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"Mas Ron, que não pareceu estar ouvindo o brinde, já virara o hidromel de um gole.
Transcorreu um segundo, pouco mais que uma pulsação, em que Harry notou que havia alguma coisa terrivelmente errada, e Slughorn, pelo visto, não percebeu.
- ... e que esta data se repita por muitos...
- Ron!
Ron tinha deixado cair a taça; fez menção de se levantar da cadeira e desmontou frouxamente, suas extremidades sacudindo descontroladas. Ele babava espuma e seus olhos saltavam das órbitas.
- Professor! – berrou Harry. – Faça alguma coisa!
Slughorn, porém, parecia paralisado pelo choque. Ron se contorceu e engasgou: sua pele começou a azular.
- Que... mas... – gaguejou Slughorn.
Harry saltou por cima de uma mesinha baixa em direção ao estojo de poções aberto, tirou frascos e bolsinhas, enquanto o medonho ruído da respiração gorgolejante de Ron enchia a sala. Então Harry a encontrou: a pedra com aspecto de rim murcho que entregara a Slughorn na aula de Poções.
Tornou a correr para junto de Ron, abriu sua boca e jogou dentro o bezoar. O amigo deu uma estremeção, um arquejo estertorante, e seu corpo ficou mole e imóvel."


**********

A manhã morna e preguiçosa de sábado se anunciava nos campos de Hogwarts. O sol começava a raiar e o clima de fim de semana tomava conta do ânimo dos poucos alunos que haviam levantado cedo. Alguns dos alunos de Gryffindor, que negligenciaram algumas horas a mais de sono, preparavam-se para descer para o Salão Principal. Entre eles, estava a bruxa mais brilhante de sua idade, que, coincidência ou não, estava absorta em pensamentos e perguntas que ela gostaria que fossem respondidas. Hermione detestava não saber a resposta para uma pergunta. Tanto mais quando esses questionamentos a atormentavam diariamente. Mas o barulho que se avolumava no salão comunal a fez sair de lá e seguir para o Salão Principal a fim de tomar o café da manhã. Não havia nada de interessante naquela manhã entediante.

**********

"- Bom dia, Hermione!
- Bom dia, Terry! – a resposta de Hermione refletia o ânimo com o qual ela acordara aquela manhã de sábado.

Infelizmente, ela havia lembrado do aniversário de Ron. Aliás, foi o primeiro pensamento dela assim que abriu os olhos. Acordara um pouco antes de suas colegas e ao abrir seu malão, encontrou o presente que havia comprado no Natal.

Mesmo magoada com ele, Hermione não resistiu à tentação e comprou "Os 100 melhores goleiros da história da Liga." Até quando estava profundamente chateada com Ron, ela não o esquecia; comprara o livro, mas não tivera coragem suficiente para enviá-lo. Contudo, ainda tinha a vaga esperança de um dia poder presenteá-lo. Porém, dia após dia eles se afastavam mais e mais, apesar de ela ter notado uma diferença no comportamento dele depois do Natal. Quem dera, ela pudesse dar a ele aquele presente e dizer o quanto ela acreditava que ele figuraria naquela lista tão logo a guerra terminasse – e, óbvio, saíssemos todos vivos! Ela pensou.

- Hermione, você está me ouvindo? – Terry parecia chateado. Corando um pouco ela respondeu:
- Desculpe! Estava pensando em algumas matérias que tenho que repassar, o que você disse? – ela perguntou com falso interesse.
- Eu vi seus amigos indo para a Ala Hospitalar – o rapaz falou em um tom displicente.
- O quê? O que houve? Foi o Harry? – Hermione empalideceu instantaneamente e sentiu seu estômago afundar.
- Não, o Harry estava ótimo! Na verdade, eu vi Madame Pomfrey, acompanhada da professora McGonagall e do professor Slughorn seguindo de perto a maca onde o Weasley estava deitado. Eu o vi de relance, parecia mal. O Harry estava muito pálido; parece que algo sério aconteceu ao Ronald e...

Hermione abandonou Terry falando sozinho e saiu em desabalada carreira para a Ala Hospitalar."

**********

O que houve? Ron?
O que será que houve para o Ron estar na Ala Hospitalar a essa hora da manhã? Por quê?

Harry! Harry! Eu... eu preciso falar com ele. Sim, o Terry me falou que o Harry estava acompanhando o Ron. Merlin! O que será que aconteceu? Harry! Eu preciso que ele me diga! Será que o Ron está bem? Será que foi algo grave?

Por que tudo está tão embaçado e tão silencioso?? Por que esses corredores estão tão compridos hoje? Por que o tempo congelou e eu não chego nunca à Ala Hospitalar? Por que eu não consigo parar de sentir esse frio percorrendo minha espinha? Por que eu estou sentindo tudo isso? Por que tinha que acontecer algo logo hoje? Por quê?

Nunca, nunca esses corredores foram tão longos, tão vazios, tão inúteis. Eu preciso estar com o Ron agora; eu preciso saber o que houve; eu preciso acabar com essa angústia. Merlin! Eu nem sei o que houve e já sinto esse desespero. Algo me diz que o que aconteceu foi mais que um simples acidente. O que será que aconteceu? Por que o tempo não passa? Por que meus pés não obedecem ao desespero que eu sinto no coração? Ron!

Harry! É ele. Parece pálido, nervoso, desolado. Parece que... não, não pense o pior Hermione. Por favor, não pode ter acontecido o pior!

"- Harry! O que houve? Por que o Ron está aqui? Ele está bem? Ele está ferido? Alguém o azarou? Ele... ele... ele está vivo? O que houve?

- Acalme-se Hermione, por favor! Ele está bem... pelo menos está vivo! Sente-se aqui que eu vou te explicar o que houve."

Como assim envenenado? Quem iria envenená-lo? Quem se interessaria em envenenar o Ron?

Que estupidez a minha, é óbvio não? Ele é o melhor amigo do Harry, logo é um alvo de Voldemort.

Ele é o melhor amigo do Harry... será que... será que ele ainda vai querer ser meu amigo? Não sei se ele vai querer ser meu amigo novamente. Depois de tudo que eu fiz e tenho feito; depois de tudo que aconteceu desde aquele maldito jogo. Desde que eu comecei a tratá-lo como um nada! A maior mentira da minha vida. No dia que Ron Weasley for um nada para mim, eu tenho certeza que serei um nada para o mundo. De que me adianta ter tanto conhecimento, se no momento que ele mais precisou de mim eu simplesmente não estava por perto? De que serviu todo meu orgulho, se na verdade quando o Ron mais precisou de mim eu não estava lá? Será que, em algum momento, ele precisou de mim? Será que eu ainda vou tê-lo de volta?

O Harry diz que o veneno estava numa garrafa de hidromel e me faz, por um momento, agradecer ao príncipe por ser tão atrevido. Bendito bezoar. Bendito príncipe. Bendito o momento em que o Harry se lembrou que aquela pedrinha estava no armário. Não consigo sequer pensar no que poderia ter acontecido. Não posso!

O tempo não passa! Os minutos parecem estar brincando comigo. Faz apenas 20 minutos que estou aqui, mas parece que se passaram séculos. Sinto tanto medo. Reconheço agora o que estou sentindo. É medo. Medo de morrer; medo de encarar o horror dessa guerra; medo de perder o Ron e o Harry; medo de não ter tempo suficiente pra dizer ao Ron o que é preciso, o que eu preciso dizer. Simplesmente medo.

E imaginar que eu sempre me portei como a durona e a implacável, quase como uma rainha do gelo. Pensar que em tudo, desde pequena, eu sempre fui assim. Agora eu percebo meus erros nessa relação com o Ron. Claro que eu não vou dar folga nem para ele nem para o Harry com relação às notas e aos estudos, mas eu não posso exigir dele o que eu mesma não cumpro. Que as regras não nos separem mais, porque a minha vida não depende delas. Minha vida depende de algo mais importante... mais urgente...

O Harry está tão aflito, tão preocupado. A única coisa que consigo perceber no rosto dele é o mesmo medo que eu sinto agora. Talvez não seja o mesmo, mas perder o Ron seria um golpe duro para ele. São irmãos. Somos irmãos. O Harry precisa de nós, somos a família dele. Embora os Weasley o tenham praticamente adotado, com certeza, o Ron é o irmão que ele nunca teve e às vezes a preocupação dele comigo me mostra que eu sou a irmã que Voldemort o impediu de ter. Somos a família do Harry e o Ron não pode morrer. Entre caminhos e destinos, os nossos caminhos se cruzaram e os nossos destinos miram para um único desfecho. Seja ele bom ou ruim; seja ele vida ou morte, mas eu e o Ron... não podemos deixar o Harry; ele não pode me deixar. Não com esse remorso e essa solidão.

Preciso me acalmar, o Ron tem mais seis irmãos. E o Sr. e a Sra. Weasley logo estarão aqui. Por que eu sinto que eu tenho que ser a primeira a ter notícias? Por quê? Isso não pode ser egoísmo. Eu não sou egoísta, eu sei, mas eu preciso saber o que está havendo atrás dessa porta. Merlin! O tempo tem que passar, eu tenho que colocar esse desespero de lado e pensar. Pensar em uma forma de não demonstrar o que eu sinto. Ninguém pode saber. Ninguém!

O Ron será o primeiro a saber. Um dia, quem sabe. Mas ele precisa sair vivo dessa. Ele tem que estar bem. Ele está bem. Sim, está. Isso é autoproposição. Autoproposição não tem nada a ver com a pessoa que sou, eu acredito no que vejo, no que leio, no que ouço, mas essa é a única maneira de eu ter a certeza, por mínima que seja, de que vai tudo ficar bem e que amanhã estará tudo certo e que estaremos todos de volta à normalidade. Eu não posso deixar que o pessimismo me tome agora.

Onde está a Ginny? Será que alguém avisou a ela? Tomara que ela não demore. Tomara que tudo acabe bem. Tomara que essa guerra acabe logo também. Tomara que eu não precise me despedir do Ron sem antes...

O que está havendo? Pensamentos sem nexo algum? O que é que há comigo? São perguntas demais e respostas de menos. É desespero demais para certeza de menos. Foi silêncio demais para razões de menos. Quando tudo isso terminar, eu tenho que conseguir me retratar com ele e espero que reconheçamos, minimamente, que nos comportamos como dois idiotas, como duas crianças birrentas que param de se falar por causa de uma bola furada. E que ele não perceba o meu medo.

**********

Ginny! Enfim, enfim alguém avisou a ela. Ela está tão pálida. Lágrimas nos olhos... lágrimas... lágrimas. Que tipo de pessoa sou eu? Que tipo de amiga eu pareço ser? Onde estão as lágrimas que deveriam estar molhando meu rosto? E desde quando lágrimas demonstram o que sinto? É mais fácil eu me perguntar se houve um único ano, desde que entrei em Hogwarts, que eu não tenha chorado por causa do Ron. Acho que apenas no segundo e no quinto ano. Nem sei. O que importa saber se isso não me ajuda nos assuntos importantes? Mas desde quando lágrimas expõem meus sentimentos?

Que pergunta! Desde os primeiros dias de aula, lágrimas me acompanham, especialmente quando Ron Weasley está envolvido. Mas agora eu não posso chorar; Ginny, ela está desolada e precisa de mim. Há tempos eu não a vejo assim; há tempos eu não via esse desespero no olhar dela.

E o Harry parece muito mais preocupado agora. Parece que... não, não é possível. Será Ginny que você vai conseguir o que sempre quis? Tomara. Ele está te olhando de um jeito diferente, que chega a ser intrigante o porquê de isso estar acontecendo agora. O Harry precisa de alguém que o ame pelo que ele é e não pela fama indigesta que ele tem. Tomara Ginny, tomara que ele te escolha! Ele precisa tanto de alguém que o apóie, que o conforte. Ele tem uma missão ingrata pela frente e não pode seguir sozinho. Espero que ele perceba que precisa de você, Ginny. E eu... eu sei... eu preciso do Ron.

Dizem que somos o trio de ouro. Pode até ser, mas isso realmente não importa nem hoje nem nunca. O que seria desse trio de ouro se eles não tivessem me salvado do Trasgo? O que seria desse trio de ouro se eu não fosse bruxa? O que seria de mim se eu não os tivesse conhecido? O que seria de mim se eu não fosse amiga do Ron?

Amiga... nem somos mais tão amigos. Mal nos falamos, como posso imaginar que ele ainda vai me aceitar como amiga? Fomos duros um com o outro, mas isso não pode ser maior que a nossa amizade. E ser amiga já não é o suficiente; não posso ser simples e unicamente amiga do Ron, isso já não me satisfaz. Mas é o que eu tenho, ou tinha, não sei ainda, mas farei o que for possível para reaver o que é meu. Pode até não ser por direito, mas será por merecimento. Eu mereço ter o mínimo dele perto de mim. Eu preciso. Tanto tempo e tanto silêncio e tanto medo. Grande estupidez a nossa. E essa maldita insegurança sempre encabeçando as dificuldades e os medos dele... e por que não dizer, os meus também?

Madame Pomfrey! É ela. Ela tem que nos dizer como o Ron está.

- Como ele está? Quanto tempo vai ficar aqui? O que o envenenou? Podemos ver o Ron agora?
- Acalme-se Sr. Potter! Primeiro: fale mais baixo, estamos à porta da Ala Hospitalar e aqui eu prezo pelo silêncio. Segundo: o Sr. Weasley está bem e a salvo. Graças ao bezoar, que o Sr. administrou, o Sr. Weasley teve tempo hábil para chegar aqui e ser tratado de maneira adequada. Graças a Merlin, Sr. Potter, o bezoar estava na sala do Prof. Slughorn; sinceramente, eu não gosto de imaginar quais seriam as conseqüências caso o Sr. Weasley não tivesse engolido aquela pedrinha tão logo foi envenenado. – Um silêncio significativo tomou a pequena sala de espera da Ala Hospitalar. Harry ouviu um soluço abafado vir da direção de Hermione, que estava excepcionalmente calada desde o momento em que Harry contara toda a história do envenenamento de Ron a ela. – Respondendo as outras perguntas: provavelmente o Sr. Weasley ficará internado por uma semana para se recuperar adequadamente. Durante esse tempo tomará essência de arruda diariamente. E vocês não poderão vê-lo agora. Ele ainda está inconsciente e precisa de descanso. Presumo que depois que Arthur e Molly o virem, vocês poderão.

Olhando para os jovens a sua frente, Madame Pomfrey despediu-se e rumou em direção ao escritório da Prof. McGonagall. Pela primeira vez no dia, Harry sentiu-se um pouco aliviado.

Olhou para Hermione, ela ainda carregava no semblante um traço de preocupação e medo que dava a certeza de que a briga, que havia feito seus melhores amigos ficarem separados por tanto tempo, estava esquecida. Voltou-se para Ginny que estava de olhos fechados e um pequeno sorriso nos lábios; talvez estivesse agradecendo pela vida do irmão.

Ela estava tão ou mais bonita com aquela expressão de alívio e alegria que começou a cobrir seu rosto assim que Madame Pomfrey os deixou. Mas quando percebeu os olhos dela se abrindo, Harry desviou os seus e os fixou na janela logo atrás de Hermione. O que Ron diria se descobrisse que... Harry não completou o pensamento. Não era o melhor momento para pensar nisso. Não agora. Quem sabe outro dia, em outra ocasião. Quem sabe!


**********

Depois de meses desejando que Ron simplesmente desaparecesse da minha vida, encarar a realidade de que isso quase aconteceu foi horrível. Mas agora, um pouco de alívio me acalma. Mas não é suficiente. Esse medo ainda é latente, pulsa forte dentro de mim.

E, enfim, o tempo resolveu passar depois das primeiras notícias e já são três da tarde. O Harry me oferece algo para comer... não sinto fome, não sinto vontade de comer. Essa preocupação está me consumindo. Ele está bem agora, mas Madame Pomfrey disse que precisa de descanso e eu preciso de paz. Ainda não consigo acreditar que ele está bem de verdade, tenho certeza que esse frio no estômago só vai passar quando eu puder vê-lo e constatar, com meus próprios olhos, que ele está bem. E vivo.

O ar parece mais pesado que o normal; as pessoas mais distantes; as palavras mais abafadas. Preciso de ar, mesmo que seja um pouco, mas não quero e não vou sair daqui enquanto não ver o Ron. Janela aberta. Preciso de ar e é na soleira da janela que enfim eu sinto as lágrimas, que não vieram antes, descerem pelo meu rosto. Não sei se choro de alívio ou de medo ou talvez as duas coisas. Harry e Ginny estão especulando sobre o envenenamento, tanto melhor. Eles não podem me ver assim. Eu não quero que ninguém me veja chorando por ele.

Eu acho que não choro por ele. Aliás, tenho certeza que choro por mim mesma. Estranho isso, mas é a verdade. Eu choro por mim, choro pelo que eu sou; não que eu não me aprove, muito pelo contrário, mas tanta rigidez já me afastou diversas vezes dos meus melhores amigos. Essa obsessão pela correção e pelas regras já me custou tantas lágrimas. Essa mania de obrigar os outros a tratar dos assuntos com a mesma responsabilidade que eu ainda vai me custar muito. Não, já está custando bastante caro.

Pela primeira vez desde cedo, eu me sinto um pouco mais calma. Pela primeira vez, eu me sinto um pouco mais presente aqui. Pela primeira vez desde cedo, eu não me importo com o que vai acontecer durante a guerra. Não é que eu não me importe na verdade, mas eu penso, sinto e sei, que se estivermos os três juntos, nada vai nos amedrontar, mesmo que esse nada seja uma corja de Comensais. Mas pensar nessa guerra me dá arrepios. Esses dias difíceis se aproximam com uma velocidade absurda e me dão medo. O medo que permanece. Medo de que eu não sobreviva; medo de que todos que eu amo morram; medo de que Voldemort vença; medo de que nossos esforços não valham a pena; medo de que tudo acabe mal. Medo.

E em pensar que durante meses eu simplesmente reneguei essa possibilidade, essa necessidade que teremos uns dos outros porque eu não queria me aproximar do Ron. Como se fosse possível separar e esquecer os últimos 5 anos. Como se fosse possível, simplesmente, esquecer que ele é e sempre será um alguém importante. Um alguém que sabe ser, às vezes, desesperadamente enlouquecedor com as atitudes infantis. Um alguém que sabe que pode ser grande, mas acha que seu lugar está reservado entre os pequenos ou fracassados, não sei como classificar esse pensamento dele.

Um alguém que não é só importante... é essencial. Um alguém que ajudou a me salvar de um trasgo; um alguém que vomitou lesmas por mim; um alguém que se colocou na linha de frente de um suposto assassino para que o melhor amigo não morresse; um alguém que, hoje, odeia o seu ex-grande ídolo por minha causa; um alguém que é muito importante hoje e continuará a ser assim porque de mim ele só se livrará se eu morrer.

Eu não quero nunca mais ficar tanto tempo ausente; não quero senti-lo tanto tempo ausente. Tantas coisas importantes aconteceram e nós dois presos a um mar de orgulho. Eu não posso deixar que uma amizade de tanto tempo acabe assim. Não posso deixar que uma parte de mim fique a mercê do vazio que vai se tornar tudo ao meu redor se ele não me aceitar mais como amiga, pelo menos como amiga.

Eu me contentarei com isso e me alegrarei diariamente por ter um pouquinho de tudo que ele representa pra mim, mesmo que ele não saiba disso. Me esforçarei para ser uma amiga melhor, mas jamais perfeita. A perfeição não me pertence e eu não a busco. Não mais. Essa busca nos separou e eu já não me importo em ser a melhor. Quais as compensações de ser a melhor, se eu sempre acabo sozinha? E esse 'estar sozinha' não combina com o que eu quero para mim, nem com o que sinto, nem com essa dependência que vem crescendo desde muito tempo. Essa dependência que me bate no rosto diariamente; essa dependência que me tira o chão debaixo dos pés sempre que eu tenho que ouvir alguma piadinha daquela... daquela...

Eu realmente preciso de ar! Preciso respirar.

É, hoje estou propensa a achar graça das bobagens que penso. Ron Weasley: não faz mal, mas causa dependência. Eu não quero saber a reação da Lavender se ela sabe que eu pensei algo assim.

Mas sinceramente, eu não sabia que era possível chegar a um estado tão absurdo de dependência. Merlin! Eu não sabia que era possível ser dependente de alguém assim. Enfim, eu admito o que eu tenho tentado negar ou pelo menos tenho fingido negar. Porque nem negar meus sentimentos eu sei. E aquela noite na sala de aula só confirma o que eu constato neste instante.

E agora, eu entendo o meu comportamento de uma forma mais clara: minhas atitudes só refletiam o que eu não entendia ou pensava não compreender e por isso eu vinha agindo de uma forma tão injusta e impiedosa. Era essa dependência. Eu me comportei como se não houvesse importância alguma o fato de o Ron ser o meu melhor amigo em diversos aspectos. Dos mais simples aos mais perigosos. Dos mais insuportáveis aos mais intrigantes. Dos mais absurdos aos mais necessários. Ele sempre esteve ao meu lado, nunca deixou que alguém me machucasse ou ofendesse. Vomitou lesmas por minha causa; cumpriu detenções por minha causa; ameaçou o bastardo do Malfoy por minha causa... e eu o que fiz por ele?

Eu tenho certeza que o Harry faria muito por mim, me defenderia, mas por vezes eu penso que somente ao Ron foi reservada a coragem pra enfrentar os medos dele em favor das pessoas que ele gosta. É, eu acho que ele gostava de mim enquanto éramos amigos. Acho que pelo menos como amiga ele gostava um pouquinho de mim. Mas fomos tão injustos um com o outro. Será que ele ainda vai querer ser o meu amigo? Será?

Agora eu compreendo que eu não estava sendo injusta e impiedosa apenas com ele, mas principalmente comigo; tentei, porém não consegui negar e esconder essa verdade de mim mesma. E eis que estou aqui, à soleira da janela ao lado da porta da Ala Hospitalar imaginando se, de alguma forma, será possível recuperar a amizade do Ron.

Eu não sei e não consigo imaginar como farei isso, mas tenho que fazer. De um jeito ou de outro eu não posso simplesmente permitir que nos afastemos por uma estupidez como aquela. Infelizmente, eu ainda não consegui reunir coragem suficiente para dizer a ele tudo que sinto e tudo que percebo desde aquele baile. Mesmo não entendendo o porquê de ele ter sido tão frio comigo dias antes do jogo eu tenho que pensar que agora será um recomeço. Talvez um recomeço do exato ponto onde estávamos. Tão perto...

Tão perto? Tão perto de quê?

Ora, eis o meu lado que adora renegar e evitar o óbvio falando ou tentando falar mais alto. Mas dessa vez eu não deixarei, não posso. Claro que eu não vou conseguir dizer uma única palavra a ele agora, mas acho que em algum tempo, se voltarmos a ser amigos, eu possa mostrar a ele o que há de melhor em mim.

Que coisa não?

O que há de melhor em mim hoje, se resume ao meu sentimento pelo Ron. Eu sei que muitos me consideram brilhante e tudo o mais, mas eu não sei para que serviria tanta inteligência se eu não a usasse para ajudar o Harry e o Ron. Na verdade, eu penso que sem eles eu não seria quem sou e nem teria conseguido o que consegui. Sem o Ron, eu não teria conseguido descobrir que eu nunca fui uma rainha do gelo; que eu nunca fui uma máquina devoradora de livros. Impressionante, mas com ele por perto eu sinto um leve peso de vida; a vida que eu quero.

Eu tenho que parar de pensar nessas coisas; eu tenho que parar com isso. Até parece que eu tenho algum direito de pensar nessas coisas depois de tudo que eu fiz com ele...
Não! Eu tenho que parar de negar e evitar o que eu sinto por ele. Eu tenho que encarar essa realidade com todas as forças que eu tenho, só assim eu vou conseguir fazer alguma coisa a meu favor. Assim, eu vou poder sair desse estado letárgico de censura eterna. Censura inútil. Censura.

**********

Por volta das sete da noite o Sr. e a Sra. Weasley chegaram em Hogwarts. Molly, como era de se esperar, trazia no semblante uma pesada expressão de horror, que só foi substituída no momento em que constatou que Ron estava realmente bem. Ginny abraçou-se à mãe; o peso de um dia de incertezas quanto ao estado do irmão pareciam tê-la vencido apenas quando a Sra. Weasley chegou.
Harry e Hermione observavam a cena estáticos. Harry imaginava que não poderia haver melhor consolo do que nos braços de uma mãe. Hermione, por sua vez, imaginava que não poderia haver tranqüilidade maior que aquela encontrada quando se está ao lado de uma mãe. Imediatamente, olhou para Harry que guardava no semblante uma expressão de alívio, porém ele não conseguia disfarçar a tristeza de ter sido privado de algo tão normal.
Enfim, o perigo havia se dissipado. Pelo menos momentaneamente.
Arthur e Molly entraram na Ala Hospitalar seguidos por Dumbledore e McGonagall. Mais um pouco e poderiam ver Ron. Poderiam constatar pessoalmente que estava tudo bem. Harry poderia ter a certeza de que seu irmão não sofrera conseqüências graves. Teria a certeza de que seu amigo estava a salvo. Nem que fosse por aquela noite.


**********

- Harry, Ginny, Hermione, vocês podem entrar. Acho que merecem um tempo com o Sr. Weasley, embora ele esteja inconsciente e permanecerá assim até, pelo menos, amanhã. Provavelmente ele volte à consciência na metade da manhã ou início da tarde.
- Obrigado Madame Pomfrey! – os três falaram em uníssono e instintivamente correram para a porta da Ala Hospitalar.
Quando Harry avistou o amigo deitado na cama, expeliu o ar pelos pulmões como se estivesse segurando-o há muito tempo. Ginny correu para o lado de Ron e tratou de pegar a mão do irmão. Sentir o calor dele era a certeza de que a espera não fora em vão. E Hermione... bem, Hermione pegou uma cadeira e sentou-se ao lado da cama. Tinha uma visão completa de Ron, mas não teve coragem de se aproximar. Harry viu em seus olhos um brilho tímido de alívio e felicidade.


**********

Ele está bem aqui, ao meu alcance e eu não tenho coragem de me aproximar dele. Calma, calma. É só uma questão de coragem. Mas não será logo; não há a mínima possibilidade de isso acontecer antes das provas finais. Não mesmo. Mas até lá, eu acho que tenho tempo suficiente para formular alguma coisa, um plano qualquer porque ficar no vácuo não faz muito o meu tipo. E ficar sem respostas me deixa angustiada.

Fred e George? Quando eles chegaram? Eu nem os vi entrar! Preste atenção Hermione! Tente prestar atenção ao que seus amigos estão conversando.

- Então o veneno estava na garrafa? – perguntou George em voz baixa.
- Estava – respondeu Harry imediatamente; não conseguia pensar em nada mais, e a oportunidade de retomar a discussão o deixava feliz. – Slughorn serviu o hidromel...
- Ele poderia ter posto alguma coisa na taça de Ron sem você ver?
- Provavelmente, mas por que Slughorn iria querer envenenar Ron?
- Não faço idéia – respondeu Fred, enrugando a testa. – Você acha que ele poderia ter trocado as taças por engano? Querendo envenenar você?
- Porque Slughorn iria querer envenenar Harry? – indagou Ginny.
- Não sei – replicou Fred –, mas deve haver muita gente que gostaria de envenenar Harry, não? "O Eleito" e tudo o mais?
- Então você acha que Slughorn é um Comensal da Morte? – perguntou Ginny.
- Tudo é possível – respondeu Fred sombriamente.
- Ele poderia estar dominado pela Maldição Imperius – sugeriu George.
- Ou poderia ser inocente – tornou Ginny. – O veneno poderia estar na garrafa, caso em que provavelmente era destinado ao próprio Slughorn.
- Quem iria querer matar Slughorn?
- Dumbledore acha que Voldemort queria o apoio de Slughorn – disse Harry. – O professor esteve escondido durante um ano antes de vir para Hogwarts. E... – ele pensou na lembrança que Dumbledore ainda não conseguira extrair dele – ... e talvez Voldemort queira tirar Slughorn do caminho, talvez ache que ele pode ser valioso para Dumbledore.
- Mas você disse que Slughorn tinha pensado em dar a garrafa a Dumbledore no Natal – Ginny lembrou a Harry. – Então o envenenador poderia muito bem estar atrás de Dumbledore.
- Então o envenenador não conhecia Slughorn muito bem – falou Hermione pela primeira vez em horas, com voz de quem pegara um forte resfriado. – Qualquer um que conhecesse Slughorn saberia que havia grande probabilidade de o professor guardar uma coisa gostosa daquela para si mesmo.
- Er-my-nee – crocitou Ron inesperadamente.
Todos se calaram, observando-o ansiosos, mas, depois de resmungar palavras incompreensíveis por um momento, ele simplesmente começou a roncar.


Oh Merlin! Isso... ele... quero dizer... ele chamou por mim? Foi meu nome que escapuliu da boca dele? Oh Deus! Eu... eu... eu nem sei o que pensar. Oh Deus! Ele chamou por mim! Por quê? Oh Merlin! Parece que meu coração vai explodir. Como isso é possível? Ele... será que está sonhando comigo? O que foi que ele falou antes de dormir novamente? Droga Ron, por que você não falou direito? Ei, espera! De que estou reclamando? Por quê? Ele chamou por mim e não pela Lavender! Foi o meu nome que saiu dos lábios dele. Foi o meu nome. Incrível! Incrível! Depois de tantas semanas eu sinto algo muito semelhante à alegria correr pelas minhas veias... Oh Deus! Isso é magnífico. Eu não o perdi, quero dizer, acho que não o perdi. Eu preciso falar com ele ou tentar. Preciso fazer alguma coisa. Espera, espera! Hagrid? Quando ele entrou? Presta atenção, presta atenção! Agora!

- Não acredito – disse Hagrid rouco, sacudindo a cabeça peluda enquanto olhava para Ron. – Simplesmente não acredito... olha só ele deitado aí... quem iria querer fazer mal a ele, eh?
- É justamente o que estamos discutindo – disse Harry. – Não sabemos.
- Será que alguém poderia estar com raiva da equipe de quadribol de Griffyndor? – perguntou Hagrid ansioso. – Primeiro a Katie, agora o Ron.
- Não consigo ver ninguém tentando liquidar uma equipe de quadribol – comentou George.
- Wood teria acabado com os jogadores de Slytherin se não tivesse de pagar pelo crime – respondeu Fred, querendo ser justo.
- Bem, acho que o motivo não é o quadribol, mas acho que há uma ligação entre os ataques – disse Hermione, baixinho.
- Como é que você chegou a essa conclusão? – perguntou Fred.
- Bem, primeiro, os dois casos deviam ter sido fatais, mas não foram, embora tenha sido pura sorte. Por outro lado, nem o veneno nem o colar parecem ter atingido a pessoa que deviam matar. É claro – acrescentou ela pensativa – que de certa forma isto torna o mandante dos atentados ainda mais perigoso, porque parece que não se importa com o número de pessoas que liquida até realmente chegar à sua vítima.
Antes que alguém pudesse reagir a essa afirmação agourenta, as portas tornaram a se abrir, e o casal Weasley entrou apressado na enfermaria. Em sua última visita, tinham apenas se assegurado de que Ron se recuperaria totalmente: agora a Sra. Weasley agarrou Harry e lhe deu um abraço apertado.


É tão estranho ver a Sra. Weasley com esse semblante aliviadamente tenso. Humpf... como se eu pudesse simplesmente ignorar que há algum tempo eu estava me sentindo exatamente da mesma forma. Talvez não tão intensamente ou mais intensamente. Sinceramente, não sei. Mas já é hora de sair daqui. É hora de deixar o Ron com a família dele.
Droga, até mesmo conversando com o Hagrid e o Harry eu não consigo parar de pensar em um jeito de resolver o meu pequeno problema com o Ron.

Como é que voltaremos a nos falar? Não vai ser magicamente. Definitivamente não, mas eu tenho que pensar em algo. Pense, pense, pense...

Filch! Ótimo, agora ficou ótimo mesmo. Uma detenção e tempo perdido. Realmente eu gosto do Hagrid. Eu e Harry vamos embora enquanto ele discute com o Filch. Deixa ele e o 'aborto fofoqueiro' se entenderem. Coitado do Filch.

Pense, Hermione, pense! Você tem que resolver essa situação com o Ron logo... logo! Vamos pense! Ah não! Não é possível que eu esteja considerando isso. Não mesmo! Mas, qual será o problema? Ninguém vai saber mesmo...

Estou tão cansada que não percebo o caminho até o salão comunal, mas eu tenho que começar a colocar esse plano em ação antes que o Harry perceba. Nos despedimos e ele 'pensa' que eu vou me deitar.

O dormitório está tão quieto, mas não posso me arriscar: Muffliato! Agora eu posso vasculhar o malão do Harry sem perigo. Achei! Eu não posso demorar aqui. O Harry vai subir logo. E ainda tenho que ficar atenta. Quando a Ginny chegar, eu coloco esse plano maluco em prática.

Eu não acredito que vou quebrar tantas regras. Não acredito... Espera aí? Eu já quebrei centenas de regras aqui; já passei por cima da autoridade de professores para o bem de todos nós. O que custa fazer isso? É por mim! Por mim que tanto preciso consertar meus erros.

Lavender... ela nem sabe ainda que o Ron está internado. E por mim não saberá. Primeiro: está muito tarde para uma notícia dessas. Segundo: eu não sou porta-voz de assuntos relacionados ao Ron – não quando a interessada é ela. Terceiro: não me interessa que ela saiba ainda.

É a Ginny! Enfim!

Espera, eu tenho que pegar uma coisinha aqui. Ótimo, agora eu posso sair. Salão vazio, escola adormecida. É o que eu preciso, mas eu tenho de ser rápida e ágil. Não posso demorar muito. Mas a minha vontade é de passar o tempo todo com ele até ele acordar.

Vamos! Vamos! De novo esses corredores estão muitos longos. Parece que o tempo congela quando é preciso fazer algo importante. Francamente!
Enfim! Tenho que ter todo cuidado possível. Se Madame Pomfrey descobre que estou aqui, além de me denunciar para a Professora McGonagall ela ainda vai falar para o Ron. E esse risco eu não posso correr!
Controle-se, vamos! Você não pode falar alto de maneira alguma! Preciso medir exatamente o volume da minha voz, senão eu acordo todo mundo aqui e não vai ser bom.

Acalme-se, vamos! Agora é a hora. Eu não posso ficar só olhando; eu tenho que verbalizar tudo, ou quase tudo, que está aqui, mas eu não posso falar alto. Que dilema ridículo, Hermione! É melhor eu me sentar aqui, perto de você para que você e somente você possa ouvir o que eu tanto quero dizer... respire fundo, vamos:

- Oh Ron! É horrível te ver aí deitado. Parece tão frágil. Eu não poderia enumerar para você quantas coisas terríveis eu pensei enquanto esperava lá fora. Terrível perceber que a possibilidade real de perder alguém só se concretiza quando a perda acontece ou quando ela quase se completa. Eu juro, juro... eu nunca quis que você tivesse se afastado de mim. Nunca! Eu nunca quis dizer que você não é um bom goleiro, pelo contrário. Eu queria repreender o Harry por ter, supostamente, trapaceado. Me perdoa se de alguma forma eu fui injusta com você. Eu jamais quis insinuar ou dizer que você não é um bom goleiro. Eu jamais quis que você pensasse isso. Na verdade, eu disse aquilo tudo porque eu sempre acreditei que você jamais precisaria de uma poção ou qualquer outro artifício para jogar bem. Eu sempre acreditei na sua capacidade, mas eu nunca te disse. Eu sempre deixei que você pensasse o pior de si mesmo. Que droga, Ron!

- Você e essa mania de se autodepreciar. Francamente! Acho que vou ter de dizer a você que nada me dá mais medo que te ver subir naquela vassoura e voar para as balizas. E se você se machucar com um balaço? E se você cair da vassoura? E se algo de ruim acontecer com você? Será que você nunca percebeu essa preocupação? Nunca?

- Até hoje, eu não consigo acreditar que por causa de um mal-entendido nós ficamos tanto tempo sem nos falar. Aquilo só pode ter sido o maior mal-entendido da história dessa escola. Conseguimos superar o terceiro ano. Conseguimos nos superar em termos de teimosia. Diz! Não é verdade? Nossa, estou perdendo o senso das coisas mesmo. Você está desacordado e eu pedindo pra você falar.

- É isso que você faz, Ron! Me deixa desnorteada quando eu mais preciso ser racional. Só por sua causa mesmo para eu estar aqui, na Ala Hospitalar, no meio da madrugada, sussurrando para você que está aí desacordado. Eu acho que estou perdendo o juízo. Não há outra explicação.

- Mas eu estou fazendo isso tudo porque eu simplesmente não consigo imaginar o que seria se o Harry não tivesse salvado sua vida. Passei o dia inteiro aterrorizada pela possibilidade de você morrer e eu ficar aqui, sozinha. Me custou muito reconhecer o que vou te dizer aqui; não me custou uma vida, como acontece com muitas pessoas, mas se eu pensasse um pouco mais, talvez eu não tivesse tempo suficiente para dizer a você o quanto você representa para mim.

- Mas ainda assim, eu terei de esperar um pouco, mas não muito. Terei de esperar porque esses últimos meses foram difíceis, principalmente o fim do ano. Foi tão difícil não ficar sentada em frente à lareira todas as noites com você e o Harry; foi tão difícil disfarçar a falta que eu sentia da nossa amizade. É, porque antes de tudo eu sou sua amiga e para mim não há nada mais precioso que todos os momentos que passamos juntos. Todos os instantes em que nos ajudamos; todos os instantes em que fomos o apoio um do outro. Especialmente quando tínhamos que ficar apenas como espectadores da vida do Harry; aqueles momentos em que sermos amigos dele não significava muito.

- Mas eu sei o quanto significamos para ele. Você tinha que ver como ele ficou durante o dia. Eu não me lembro de ter visto o Harry assim desde que o Sirius... bom, o fato é que o alívio pela sua vida foi geral. Bem, entenda por geral eu, o Harry e a sua família e lógico nossos professores. Sua namoradinha não sabe de nada ainda e por mim não vai saber tão cedo. Nossa! Que maldade é essa?

- Está muito tarde, mas eu tenho algumas coisas ainda para dizer. Eu sei que é muito estúpida essa atitude, mas eu não consigo encontrar uma saída para dizer o que é preciso, porque o dia em que conversaremos sobre tudo que tem acontecido conosco desde o 4º ano ainda não chegou, mas eu espero que não demore e que seja esclarecedor para nós dois. Eu não consigo mais ficar no limbo das minhas incertezas e medos. Tudo que eu preciso é um sim ou um indesejável não. É melhor nem pensar assim, não é?

- Eu tenho duas coisas ainda para falar e é melhor eu começar agora.

- Ron, eu... eu... eu comprei esse livro. É o seu presente de Natal. Imagina, Natal! Eu não tive coragem de te mandar. Mesmo anonimamente, eu acho que você ia desconfiar de mim e além disso, eu ainda estava suficientemente chateada com você. Mas isso não vem ao caso agora, o que importa é que eu vou poder te dar o seu presente de Natal, muito atrasado, mas com certeza ainda vale! Só que, bom... eu escrevi um cartão, mas vai continuar sendo anônimo, não sei se você vai aceitá-lo se eu te der quando você estiver consciente. E isso me amedronta porque se você não quiser significa que você já não me aceita como amiga. Que hoje, é o mínimo que eu quero. Tomara que você não desconfie de mim, porque eu vou morrer de vergonha se você descobrir que fui eu. Eu nem vou considerar essa possibilidade.

- Todos os dias eu sento na minha cama e penso que não teremos saída quando estivermos envolvidos pela guerra, por isso eu sinceramente imagino que querer que você figure na lista que está nesse livro não é um sonho. Vou lutar para que não saiamos derrotados dessa guerra. A morte será o nosso destino se isso acontecer e eu ainda não quero pensar nessa possibilidade, por mais realista que ela seja.

- Bom, a outra coisa que eu tenho a dizer é... droga, eu não consigo! Calma, vamos eu consigo! Ok! Ok! Respira fundo Hermione!

- Várias vezes, eu encarei o medo. Esses anos em Hogwarts nos fez encará-lo de várias formas. Eu não sei quais são os seus, fora o medo das aranhas, óbvio! Mas creio que o medo de aranhas comparado ao medo de perder sua família seja ínfimo. E você sabe que nós passamos por todo tipo de situação aqui, mas em todas, acho que desde o primeiro ano mesmo, eu tive medo de te perder. Claro que eu também temi pelo Harry, mas desde o começo foi diferente, só não me peça uma explicação racional para isso porque eu não terei!

- É difícil dizer tudo isso, sabe? Mas eu vou continuar...

- Reconheço as várias formas nas quais o medo se manifestou em minha vida. Ano passado, senti um medo terrível de morrer e deixar meus pais e meus amigos. No 4º ano, temi pela vida do Harry. No 3º ano, pela segunda vez, tive medo de te perder e graças a Merlin o Sirius não te machucou seriamente. No 2º ano, eu temi por mim, ver os olhos daquele basilisco refletidos no espelho e sentir meu corpo petrificar foi horrível; me lembro que meu último pensamento foi se você e o Harry conseguiriam encontrar a página do livro que eu havia arrancado para mostrar a vocês. Ainda bem que estamos vivos. E no 1º ano, eu senti pela primeira vez o medo que até hoje me assola; o medo, que, às vezes, não me deixa dormir direito; o medo que me faz querer encarar esses desafios. É antagônico, eu sei, mas é verdade. Eu tenho medo de te perder. Não sei o que seria de mim sem você. Não sei.

- Hoje, eu descobri que aquela noite, naquele tabuleiro de xadrez, sem medo algum, eu me perdi, e encontrei o único garoto a quem eu confiaria a minha própria vida de olhos fechados. Acho que, mesmo inconscientemente, eu sabia disso. Pensei que houvesse acontecido no 3º ano. Contudo, eu me enganei. Há algumas semanas eu me peguei lembrando de todas as nossas aventuras em Hogwarts e acabei me lembrando daquela partida de xadrez. Foi realmente ótimo ter você ali porque o Harry não conseguiria ter passado sem você; algo me diz que não. Mas eu tenho que dizer que quando você olhou para mim, determinado a se sacrificar pelo Harry, eu te dei a minha vida e o meu coração. Engraçado, eu nem percebi.

- Sentir a real possibilidade de te perder foi mais assustador que lembrar do Sirius te arrastando ou você naquele cavalo. Eu não sei, talvez eu esteja arrependida de ter sido tão dura com você. Talvez, eu tenha agido por impulso.

- Não, não! De que adianta negar? Eu estou arrependida. E como sempre, por sua causa eu agi por impulso e isso é irritante, mas ao mesmo tempo me faz sentir viva. Engraçado não é? Eu a rainha da lógica, aquela que busca razão em tudo, não consegui deixar que o meu lado passional me influenciasse e me afastasse de você. Na verdade, eu acho que isso é culpa nossa, mas agora não é o momento para falar disso.

- Ron, você acha isso justo? Você aí, inconsciente e eu aqui, desesperada para saber se eu terei um pouquinho de você quando você se recuperar. Tenho medo que você já não se importe mais com a nossa amizade e se esse medo se tornar real, eu tenho certeza de que não vou conseguir ter um amigo como você. Não vou conseguir simplesmente porque você é o único que me compreende, o único que me faz conhecer o meu lado passional e vivo. Se o Harry conseguisse fazer isso também, eu acho que já teria enlouquecido com vocês dois; ainda bem que só você tem esse, hum..., misterioso poder sobre mim. Sinta-se poderoso, Weasley! Hermione Granger perde o controle quando está perto de você.

- Eu posso até tentar fazer uma piadinha, sem graça eu sei, mas na verdade isso tudo disfarça esse medo crescente que vem me tomando. Eu tenho medo de te perder a cada instante em que penso que teremos de estar na linha de frente dessa guerra. Eu tenho medo de te perder a cada dia que lembro que Voldemort está se fortalecendo. Eu tenho medo de te perder sempre que lembro que eu ainda não pude dizer para você o quanto eu te amo. Eu te amo!

- Nossa! Isso foi realmente incrível!

- Tudo bem, essa confissão talvez não valha muito porque você está aí desacordado, mas é um alívio poder admitir em voz alta ou sussurrando no seu ouvido o que eu sinto. Na verdade, eu espero que seja melhor ainda quando eu fizer jus à coragem de Gryffindor que, às vezes, eu acho que tenho.

- E eu só espero que no dia que isso acontecer, você possa me poupar de piedade se você não corresponder ao que sinto. Para mim são tão claros os sentimentos que experimento quando você está por perto, que não me permito aceitar que você não sinta nada de concreto por mim. Eu sei, eu sei que você gosta de mim como amiga, mas não é isso que eu quero. Não é só isso! Não pode ser somente isso, Ron!

- Eu posso até soar pretensiosa, mas não é isso. Você tem deixado tantos sinais ao longo dos últimos dois anos que para mim tem sido difícil não pensar em nós. Eu tentei desesperadamente não pensar assim, você é meu melhor amigo; você é quem sempre me defendeu do Malfoy, do Snape; você me faz lembrar que não se pode viver mergulhada em livros o tempo todo. Você me faz perceber que eu posso deixar que a paixão guie meus passos, mesmo que seja de maneira cega e, às vezes, desastrada. Humpf, é só lembrar dos canários.

- Como eu me arrependo do meu comportamento nos últimos meses; como eu me arrependo de não ter dado um chute na minha obsessão pelas regras e simplesmente ter te abraçado e ter dito a você, no vestiário, que você é o melhor goleiro do mundo. Eu quebrei tantas regras desde que entrei em Hogwarts, por que eu deveria ter me importado com uma poção?

- Oh Ron! Eu não sei o que eu faria se você tivesse... Não, eu tenho que parar de pensar que você poderia ter... Eu sequer consigo completar a frase. Eu ainda tenho medo de que isso tudo seja um sonho e que quando eu acorde a verdade me estapeie e me mostre você estendido em um caixão e meu coração eternamente partido. Não! Eu tenho que parar de pensar essas coisas. Você está aqui, na minha frente, desacordado, mas vivo e é isso que importa. Nada mais vai me tirar a certeza do que eu sinto. Quem sabe um dia, eu te conte o que se passou nessa minha cabeça tão insanamente lógica no momento em que eu descobri que você foi envenenado.

- Está mais tarde do que nunca, não me lembro de ter ficado tanto tempo acordada em toda minha vida e tudo por sua culpa, Weasley! Ainda bem que é porque você está vivo. Ainda bem.

- Eu tenho que ir. Eu queria ficar aqui até você acordar, mas ninguém pode sequer desconfiar que estive aqui. Melhor que você não tenha acordado. A única coisa que vou deixar é seu presente. Nunca é tarde para se presentear a pessoa certa, não é? Espero que você goste. É atrasado Ron, mas feliz aniversário. Pena que você não vai saber que fui eu. Nem no cartão eu deixei vestígio. Melhor assim, por enquanto.

**********

Hermione cobriu-se com a capa da invisibilidade de Harry e saiu sorrateiramente da Ala Hospitalar. Não sabia ela, que o silencioso interlocutor dos últimos quarenta minutos estava acordado desde o momento em que ela declarara que talvez eles estivessem separados por causa do maior mal-entendido da história de Hogwarts. Porém, ele pensa ligeiramente diferente e por isso sabia que eles não se desentenderam somente pelos acontecimentos daquele dia, mas principalmente porque ambos são (ou eram) orgulhosos demais para conseguirem admitir o que sentiam um pelo outro.

Mas agora, depois de tudo que ouviu, o silencioso interlocutor simplesmente abriu um sorriso brilhante e muito aliviado declarou para si
:

- Você não poderia ter me dado um presente melhor que esse Hermione! Que não seja amanhã, mas não podemos demorar. E se depender de mim, a nossa amizade voltará a ser a mesma. Não! Será mais forte ainda. Agora, nada tão estupidamente idiota como uma poção vai conseguir fazer com que não nos falemos por tanto tempo. É bom estar de volta à vida. É bom estar de volta à vida dela.

Um suspiro longo, e um sorriso mais brilhante ainda, e nosso silencioso interlocutor entregou-se ao sono mais que merecido.

**********

N/A: É isso aí gente, enfim o 3º capítulo. Espero que vocês tenham gostado. Bom, não foi fácil colocar no papel o que se passou pela cabeça de Miss Granger. Foi um desafio, na realidade; porém, ao mesmo tempo foi uma experiência, no mínimo, diferente. Ela é tão metódica, tão segura de si, tão certa de tudo que sabe e tudo que quer... isso sempre me fascinou quanto a ela. Por essa razão, por ela aparentar ser tão forte, eu resolvi mostrar que ela também sente medo. O medo foi quem comandou as linhas desse capítulo e eu gostei de escrever assim.
Quanto ao título desse capítulo (e dos outros tb), bom... um dia, eu recebi um e-mail da minha amiga Mithya, que deu uma sugestão de ouro para o nome dos capítulos. Que foram inspirados na fic No One Else da belovedranger, que é muito boa. Afinal, estão todos relacionados diretamente com o nome da fic. Bom, pra quem quiser ler a fic da beloved este é o link: http://www.checkmated.com/bedchamber.php?story=7468 – Só pra lembrar que essa é NC. Linda demais!
Agora, sendo completamente específica, este capítulo foi nomeado pela Aline. Bom, quando eu comentei com ela a respeito da idéia que a Mithya havia sugerido e quando eu mostrei o nome dos dois primeiro capítulos, a idéia foi praticamente instantânea. Eu digo instantânea porque na horinha ela se lembrou de uma fic que se chama Behind closed eyes que é da Sarabhi. Pra quem quiser ler, esse é o link: http://www.fanfiction.net/s/2472008/1/
Outra coisinha importante, pra quem não sabe Muffliato é o nome original do Abaffiato que a Lia doida criou! Afffffffff... só ela!! '

É isso gente! O que eu espero agora são os coments de todos. Porque eu amo comentários. \o\ Eu fico bem feliz quando vcs comentam! :) ... Bom, agora é a vez de la beta reader. o/
Betynha

**********

N/B: O que falar sobre esse capítulo? Hummm, sou suspeita quando se trata de um capítulo sobre o ponto de vista da Hermione. Quando fui betar fiquei plugada da primeira à última linha, sem conseguir desgrudar os olhos. Absolutamente viciante e brilhante (Intromissão da autora: brilhante? Ai que responsabilidade!). Betynha se superou mais uma vez, tanto que não deu praticamente trabalho algum betar esse capítulo. You go girl! Continue se superando a cada capítulo, porque está demais!

Aline Oellers

**********

Agora é hora dos agradecimentos:

LUISÂO: Valeu pelo bom humor... ajuda que é uma blz... \o\

Bruna Perazolo: Pois é... iludidos são os abóboras mesmo. Deixe-os lá mergulhados no limbo da ignorância junto com a Warner (gastei!)... e eu também não sei como eles voltam a se falar... eu li, reli e nada... então, dei um jeitinho... hihihi... valew!

amy_louca (?): Vc chorou??? O.O ... Gente, eu juro que essa não é a intenção quando eu escrevo... juro! Mas tô vendo que é meio inevitável né?!? Anyway... valew pelo coment emocionado... :)

NäNï TönKs: Meu estado depois de ler seu comment - =======OOOOOOO .... totalmente desconcertada, mas também hiper lisonjeada porque Shakespeare, para mim, é o Cara. Uma fonte muito ótima de inspiração (não quer dizer q eu recorra a ele! Hihihi)... E fiquei mais feliz ainda que vc viu a Hermione e não a Emma no 1º capítulo... essa é uma preocupação constante... não quero cópias da Emma... Hermione é muito mais!
Mais uma fã? \o/ Valew pela força ... o seu comment é daqueles que fazem a gente não querer desistir nunca! /o/

miss malfoy XD: Concordo com você. Seria lindo um livro de MM's, mas a Jo só quer saber do Potter ' ... que coisa!! Hihihi

Marcela Calura: Pois é... o Ron acabou percebendo as furadas dele... e eu tenho certeza que muita coisa passou mesmo pela cabecinha ruiva dele durante o Natal... não é a toa que ele acaba voltando e fica frio com a Vacander... digo, Lavander! Hihihi

Pedro Ulisses Guerra: Valew Pedro... é, concordo que se eles fossem um pouquinho mais corajosos e sinceros a festinha do Slug teria sido um must! \o\ Obrigada pela força de sempre!

Edn: Eu fico tão feliz qnd alguém diz q o Ron e a Mione que eu coloco no papel são parecidos com os da Jo... me sinto lisonjeada, mas acho que não é tanto assim... eu me esforço e o presente são os comentários de vocês... q eu amo! Obrigada mesmo.

Thacila Carneiro: Thaciiiiiiiiii... Obrigada pelo comment... feliz demais que você aprovou esse cap. \o/

Letícia Wons: Lê, eu não acho exagero não... o Ronnie voltou tão diferente... q nossa só um H² cego não percebe mesmo... hihihi... mas o objetivo era esse mesmo, mostrar o quanto ele se arrependeu do que fez. E calhou que eu nem percebi o quanto essa frase ficou bem colocada... fiquei tão feliz com o seu comment... sempre bom receber um coment seu viu... espero que tenha gostado do 3º!

LiLi N. ( Liz): Obrigada pelo comment... ficou realmente feliz com os comentários como o seu. E espero que vc tenha gostado desse 3º capítulo também.

Charlie: Q legal que gostaste do capítulo. Foi um tantin difícil, mas valeu a pena e espero que tenha gostado desse tb! Vlw!

E a todos que comentaram, meu super obrigada... como eu já disse (e não canso de repetir) o comentário de vocês é o ar que eu respiro e a motivação que eu preciso!

Obrigada mesmo a todos e até a próxima!

o/

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