FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 



(Pesquisar fics e autores/leitores)



 




 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

24. Mood That Passes Through You


Fic: Money Honey - Astoria e Draco - COMPLETA


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

 


Mood That Passes Through You


 


Draco se demonstrou curioso quando viu o que eu estava fazendo. Tocava piano, dica dada por Narcisa e que durante aqueles cinco meses seguintes nunca deixou de adiantar, mesmo que isso me deixasse estranhamente sensível.


– Está escrevendo? – perguntou Draco se aproximando de mim no piano.


– Compondo – respondi e eu estava tão concentrada que eu nem reparei quando ele depositou um rápido beijo em meu pescoço. – Escute só.


Coloquei a partitura sobre o piano para mostrar a melodia que eu criara naquela tarde. Estive muito ansiosa para lhe mostrar o resultado. Ele ia gostar. Era uma alternância entre tristeza e felicidade.


Quando acabei Draco só disse, com as pálpebras se fechando:


– Ainda não tivemos nenhum filho, mas eu posso apostar que esse já vai nascer entediado.


Primeiro eu fiquei irritada porque ele não havia me elogiado, mas sim debochado da minha música. Depois fiquei confusa. Eu estava um pouco lenta naquele dia e tão cansada que demorou um tempinho até eu reparar que era a primeira vez que Draco falava sobre isso.


Sobre algo relacionado ao bebê, ao fato de que em alguns meses teríamos um filho.


Demorou cinco meses para ele me surpreender com aquilo. Porém ele mesmo não pareceu notar a evolução que tinha feito, porque se afastou para subir as escadas apenas querendo tomar banho. Lembrei daquela sensação que eu tive no começo sobre ainda demorar até minha barriga começar a crescer, e que sendo assim não tínhamos que encarar tudo tão antecipadamente.


Só que o problema era que o tempo passava num piscar de olhos. Minha barriga já estava suficientemente grande para que meu tio, por exemplo, notasse que eu estava grávida, e não gorda.


Não que ele tenha falado que eu estava gorda quando fui visitá-lo com só dois meses de gravidez, mas ele sempre se preocupou por eu ser muito magra, achava que eu não me alimentava direito. No momento em que me viu, então, ele disse animado:


– Opa, finalmente está se alimentando direito.


– Ei! – eu disse meio rispidamente e muito ofendida. Tudo o que eu menos precisava era ouvir aquilo do meu próprio tio. – Só aumentei uns quilos porque eu estou grávida, tá legal?


E foi assim que eu contei a ele. Achei que ele ia desmaiar na minha frente, mas sua felicidade por mim foi tão instantânea que o meu medo pareceu ridículo e desnecessário.


Medo. Houve um tempo em que eu acordava, olhava para a minha barriga e conseguia controlar minhas sensações. Curiosamente, aquele medo se tornou diferente de todos o que já senti. Era um medo que eu sentia só quando olhava para o meu abdômen e percebia que ele estava crescendo. Era um medo corajoso, e tive a descoberta de que eu deveria lidar com esse medo quando Rachel me deu a idéia de descobrir o sexo do bebê.


Eu já estava no quarto mês quando ela me levou até um médico que fazia ultrassom. Não contei a Draco quando fui; eu confesso que evitava falar sobre isso com ele. Não queria pressioná-lo a nada, não queria que ele se sentisse tenso, como toda vez ficava ao olhar para minha barriga. Da mesma forma que aprendi a controlar meu medo, aprendi a lidar com Draco. Observei como ele mesmo se pressionava, então era desnecessário eu mesma fazer isso. Podia ser quieto com as pessoas em relação ao fato de que ia ser pai, mas era escandaloso em seus atos e pensamentos. Uma vez o vi jogando fora todos os cigarros, mesmo que uma ou duas vezes o tenha encontrado perdendo o controle, mas fumava longe de mim. Era através disso que eu sabia que ele estava se esforçando, mesmo que o nosso sexo tenha passado a não ser tão intenso e luxurioso como era antes.


Às vezes eu achava que ele evitava transar comigo, porque não queria ver a barriga, mas aquela era só uma preocupação estúpida que eu passava por causa dos meus hormônios. Ele nunca me acostumara com elogios nas transas, então eu não ficava chateada por ele não dizer que eu estava linda ou gostosa. Mas ele me acostumara a sentir todo o seu olhar por mim, então eu não podia negar a estranheza em vê-lo me olhando como se... não estivesse olhando para mim.


Como se minha barriga refletisse seus medos.


Então ao mesmo tempo em que não conversávamos sobre isso entre nós, também não ignorávamos. Eu não sabia se isso era certo; tudo era muito estranho, complicado, novo para mim.


– Quer saber o sexo do bebê? – A pergunta do médico me paralisou, depois de ter feito o ultrassom. Eu não tinha visto bebê nenhum naquelas imagens distorcidas, mas meus hormônios fizeram-me acreditar que eu via até a cabeça.


– Então já é mesmo possível saber? – perguntei, engolindo em seco.


– Vamos ver! – exclamou Rachel ao meu lado, toda empolgada. – Tomara que seja uma garotinha.


– Não, eu... não – falei piscando. Começara a mudar de idéia. Não estava preparada para aquilo. Parecia que tinha sido há duas horas que eu contara a Draco que estava grávida.


– Não vai poder fugir da verdade para sempre, Ast – Rachel me disse. – E nós viemos aqui para isso!


– Eu sei, eu só... – olhei para o médico e expliquei – meu marido não está aqui. Não acho justo saber sem ele.


– Posso saber? Eu juro que não vou contar pra você – prometeu Rachel.


– Eu tenho certeza que quando sairmos daqui você vai falar – retruquei. Ela se sentiu ofendida.


– Está me chamando de fofoqueira?


– Aham – respondi. – Você não consegue guardar segredo dos outros.


– Mas...


– Não, Rachel. Realmente... não quero saber agora. Mal acostumei com o fato de que estou grávida. Draco ainda olha para mim sem acreditar. Acho que vou esperar mais um pouco.


– Você que sabe, Ast – ela parecia um pouco chateada. – Se eu fosse você, não perderia essa oportunidade. E realmente tenho a impressão de que só não quer saber, para não ter que confessar ao Draco. Não é legal fingirem que nada está acontecendo...


– Não estamos fingindo! É assustador demais, só isso! Você não entende, você não está grávida.


Me arrependi de ter falado com ela dessa forma, mas era por isso que eu podia considerá-la uma amiga. Eu gostava de Rachel, principalmente por ela não ter ressentimento e entender, com todas as forças, que ela realmente não entendia o que se passava comigo.


– Desculpe, tem razão. Só mesmo em meu sonho que isso deve ser agradável.


– Não estou... dizendo que é desagradável. É só uma sensação... diferente. – Eu podia estar assim, toda nervosa, mas dizer que me sentia desagradável não me parecia certo. – Sabe... aquela sensação de que tem uma vida dentro de você, além da sua? – refleti.


– Um dia vou querer sentir. E, espero, com o homem certo.


– Você vai encontrar – prometi a ela, que estava tendo discussões bobas com Caleb. – Se até eu encontrei...


Sim, apesar de todas as nossas reações, eu nunca mudei de idéia de que Draco era o homem certo para toda a minha vida. Era difícil lidar com ele ou entendê-lo, mas o desafio era esse. Se fosse tão fácil, tão simples, eu não me surpreenderia da mesma forma como me surpreendi quando ele disse que nosso filho ia nascer entediado, só porque eu fiquei tocando música clássica durante a gravidez.


Aquilo me deu a força que eu precisava. Apenas... aquele detalhe, aquele detalhezinho do meu dia fez as coisas andarem para o lado que não procurávamos, mas sim que precisávamos.


De repente me senti tão boba, tão... medrosa e tonta. Medo do quê, afinal? Tantas mulheres têm filhos. Diziam que as dores que eu sentia eram normais. Não havia nenhuma complicação acontecendo agora. O médico até disse que tudo estava indo bem. E se Dafne conseguiu fazê-lo sozinha... eu era muito mais capaz, principalmente porque eu tinha um marido e ele não ia me abandonar.


Quando Draco me viu nua na porta do banheiro, ele piscou como se a imagem ainda o desconcertasse. Eu caminhei até a banheira com seus olhos nunca abandonando meu corpo, muito menos a barriga.


– O que você disse sobre o nosso filho nascer entediado? – perguntei, entrando na banheira de frente para ele.


– Só estava brincando – ele explicou, arrastando os cabelos molhados para trás. Depois me entregou o sabonete.


– Eu sei – falei baixinho. Era esse o ponto. – Mas você fala “filho” como se tivesse certeza de que será um menino. E se for menina? Não sabemos.


– Vendemos e a trocamos por um menino. De sangue-puro, é claro.


– Então... está me dizendo que quer que seja um menino?


Ele não respondeu, de modo que confirmou minha pergunta. Tive vontade de gravar o momento. Olhei para os seus olhos que ficavam mais cinzas sempre que ele tomava banho. Eu estava com o coração martelando, não de medo, mas de paixão. De orgulho. Por notar que ele ainda era tão sensual, e ia ser pai do meu filho. E estávamos discutindo o que queríamos relacionado a isso.


Pousei minha cabeça no encosto da banheira, finalmente relaxando, embora ainda sentisse uma fraca cólica. Fechei os olhos e disse:


– Quero te levar a um lugar amanhã.


Rachel ia ficar tão animada.


 


 


Mesmo que o médico tivesse confirmado que não ia ser uma menina, Rachel ficou animada do mesmo jeito. Animada por ver que eu estava feliz, uma vez que Draco, no outro lado da cama do consultório, parecia surpreso e confuso e admirado quando o médico lhe disse que era menino.


– Como você queria – eu sussurrei, segurando sua mão.


Draco tentou dizer alguma, mas parecia fora de palavras. Seus lábios se inclinavam levemente em um sorriso desconhecido até então por nós dois. Era cheio de pavor e, acima de tudo, expectativas. Fiquei arrependida de ter demorado tanto para saber o sexo do bebê. Agora, olhando Draco assim, eu faria qualquer coisa para ter dado a ele há muito tempo a sensação que estava sentindo agora.


Na janta, eu estava me preparando para contar a Narcisa e Lucius sobre essa novidade, mas fui calada quando Draco disse primeiro:


– Vai ser um menino.


Narcisa parou de comer e saiu da mesa depressa, com a mão pousada no nariz, para se emocionar em outro canto, murmurando algo como “não acredito que vou ser avó” como se só naquele momento tivesse se dado conta disso.


Draco olhou para o pai e perguntou:


– E como o senhor ficou quando descobriu que eu ia ser um menino? Decepcionado, como sempre?


– Eu sempre quis um garoto, Draco – ele contou.


– Desejou que eu fosse melhor do que você também?


Lucius continuou a comer e eu aprendi que os homens daquela casa, quando se calavam, consentiam.


Draco me levou para caminhar na cidade no fim da tarde. O tempo estava começando a esfriar e aquilo me deixou inspirada, desejosa pelo ar livre, sentir o vento bater contra meu rosto e ter os braços dele ao redor do meu ombro à medida que caminhávamos em uma praça silenciosa e bonita.


– Alguma notícia de Dafne ultimamente? – perguntou Draco.


– Não falo com ela há uns quatro meses.


– Ela sabe que você está... hum...


– Qual a sua dificuldade em dizer “grávida”, Draco? – perguntei girando os olhos. – E não, Dafne não sabe.


Ele me guiava até um banco, no qual a gente se sentou. Ficamos olhando para o lago ali na frente, sem realmente olhar. Estávamos absortos. Draco principalmente, mas eu já me acostumara com isso, assim como a sentir a mão dele acariciando distraidamente a minha coxa. Mas eu queria que ele fizesse isso com a minha barriga.


– Sabe – comecei a divagar –, se eu conversasse com a pessoa que eu fui aos dezessete anos, ela não iria acreditar nesse momento. As coisas mudaram tanto.


– É – ele concordou com os dedos roçando meu cabelo. – Você se sente bem?


Ele fazia aquela pergunta toda hora. Decidi ser clara:


– Quando eu estou com você, eu sempre me sinto bem.


Draco beijou o topo da minha cabeça e segurei nossas mãos. Ah, eu estava mesmo sensível, mas nem reparava. Só tinha vontade de dizer tudo o que eu pensava e sentia.


– Moço!


A voz de uma criança soou ao nosso lado. Draco olhou para o garotinho que o chamara. Estava há uns quatro metros do nosso banco e parecia hesitante para se aproximar, mas disse com firmeza:


– Podia devolver a nossa bola?


Draco olhou para os pés e viu que havia uma bola jogada ali perto. Só reparamos naquele momento que havia duas crianças fingindo jogar quadribol na praça, perto de nós. O garoto mais alto estava com medo de se aproximar. Draco se inclinou para pegar a bola, sem saber o que faria com ela. Eu esperava que não fosse nada drástico, como furá-la ou transformá-la em um rato.


De repente Draco se desvencilhou de mim e levantou. Quando entregou o brinquedo de volta às mãos do menino, o outro garoto que o acompanhava exclamou:


– Uau, o que é essa tatuagem?


Draco colocou a mão no bolso do casaco rapidamente, escondendo o que sobrara da marca negra em seu pulso.


– Uma lembrança – respondeu.


– Você foi um comensal da morte? – perguntou o garoto da bola. Havia curiosidade em sua voz. – Posso ver a tatuagem de novo?


Nós não sabíamos que tipo de crianças eram aquelas, mas pareciam bastante interessadas. Não de um jeito maligno, mas muito ingênuo e inocente. Eu e os garotos esperamos por uma resposta de Draco, mas não aconteceu. Uma mulher se aproximou deles crispando, brava e zangada. Agarrou o pulso do filho rigidamente.


– Leonardo, o que falei sobre não conversar com estranhos?


– Mamãe, ele foi um comensal da morte! – contou o garotinho mais baixo, apontando para Draco. Era como se estivesse contando à mãe que vira um cão com a perna quebrada, e não Voldemort. Eu me levantei alarmada, quando a mulher puxou os filhos para trás e olhou com desprezo, aquele desprezo típico, ao meu marido.


– O que quer com eles? – perguntou a mulher de forma ríspida.


– Ele fez uma boa ação, devia agradecer. – Eu me aproximava quando disse isso. Não queria ver pessoa alguma desprezando Draco daquela forma, sem o conhecer, sem saber sobre sua vida, sem ter idéia do diabo que ele passava com todo aquele preconceito.


A primeira coisa que a mulher reparou foi, definitivamente, minha barriga. Todo mundo sempre olhava. Olhava e julgava. Era inevitável, uma vez que chamava atenção. Mas eu fiquei satisfeita por ver a mulher endireitar a postura e soltar o pulso do filho, olhando-me de outra forma. Foi o garoto quem disse como se achasse a mãe meio chata:


– É, mamãe, ele só devolveu nossa bola.


– Tudo bem, meninos, vamos embora – falou baixinho. Antes de se afastar, deu mais uma última olhada em nós dois. Eu a ainda a encarava meio que ameaçadoramente. Não que eu esperasse ou exigisse agradecimento e desculpas, mas eu poderia enfrentá-la se fosse preciso.


Draco estava silencioso ao meu lado. Deu vontade de consolá-lo, como sempre dá, quando ele tem aquela expressão no rosto.


– Você viu como ela reparou na sua barriga – ele murmurou. – Como se já tivesse pena da criança que terá um pai como eu. Sei que eu tenho.


Aquelas palavras eram as que eu mais temia em ouvir de sua boca. Ele nunca disse, mas sempre pensou.


– Não pode deixar alguém fazer você se sentir assim – falei, com raiva.


– Eu sei, vamos embora daqui.


Voltamos para a Mansão. Estava me sentindo pesada e cansada, como o usual, quando sentei-me no sofá para amenizar o enjôo e aquela dorzinha constante que o médico disse que ia acontecer durante a gestação, e eu já estava até me acostumando.


Mas de repente eu senti algo diferente; um movimento diferente dentro de mim.


– Opa – eu falei, espantada, procurando com o dedo sentir aquela pressão de novo contra meu útero.


Draco viu a minha cara e se aproximou depressa. Ficou de joelhos no chão para conseguir me encarar sentada no sofá.


– Que foi? Você está bem?


Durante aquele tempo, sentia bastante movimento dentro da barriga, mas daquela vez eu tive a concreta sensação de que realmente havia alguém ali dentro. E queria chamar muita atenção, pelo visto.


Draco me olhava tão apavorado que eu estava me sentindo bem o suficiente para rir dele. Passei a mão em seu rosto pálido, para deixá-lo tranqüilo. Era assim que ele ficava toda vez que eu reclamava de alguma dor. As sobrancelhas ficavam juntas, a testa franzida, em preocupação.


– Parece que está chutando – eu disse concentrada em ter a certeza. – É normal, acho.


Eu levei sua mão em direção a barriga, para ele sentir também. Não queria achar que eu estava ficando louca ou tendo sensações psicológicas. Alguém devia ter uma prova de que o bebê estava realmente se movendo ali dentro.


Draco não encostara um dedo em meu abdômen até aquele momento. Quando fez, nos entreolhamos.


– Ele não parece tão entediado agora, parece? – eu consegui sorrir um pouco, meio que tentando tirar satisfação dele, quando o bebê chutou mais forte.


Draco não tirou a mão da barriga, mesmo que a pressão tivesse diminuído. Ficou ali, com seus dedos pousados em mim. Calado, apenas sentindo o que nós dois nunca sentimos antes.


Narcisa me aconselhava algumas coisas, e eu notava sua preocupação verdadeira, sua ajuda, não apenas por mim, mas pelo seu futuro neto. Quando contei que o bebê estava chutando ela ficou a semana inteira procurando sentir, e olhava para minha barriga, cada vez maior, dizendo com a mão no meu abdômen:


– Vamos, pequeno Malfoy, chute.


E quando aquela sensação intensa acontecia dentro de mim, ela exclamava:


– Definitivamente não vai herdar os tornozelos de Draco! – e ela se demonstrava feliz e satisfeita.


Até o final do quinto mês foi o mês que eu mais sorri. Fui ficando mais acostumada, mais admirada com o efeito que as expectativas de ter um filho criavam dentro daquela casa, e em mim também. Eu me sentia importante, quando ia ao médico verificar se tudo estava bem. Eu me sentia importante quando alguém me parava na rua para conversar sobre isso. Eu me sentia importante ao ver Draco sorrir quando o bebê demonstrava que não tinha muito espaço dentro de mim agora, os chutes ficavam cada vez mais fortes.


– A qualquer momento ele já vai estar pronto para sair – comentou Rachel, sempre tão sonhadora. Eu estava de bom humor naquele certo dia, de modo que a deixava passar a mão na minha barriga.


– Não seja tão apressada!


Mas, querendo ou não, até eu ficava pensando nisso. Como não pensar?


 


 


A chuva era intensa contra a janela do quarto e eu acordei ao ouvir um barulho estranho vindo lá de fora. Fui até a sacada e assustei ao ver que realmente havia alguém dentro do jardim. Carregava uma criança encapuzada.


Era Dafne. O que ela estava fazendo ali?


Acordei Draco e nós dois descemos para atender a porta, quando a campainha soou alta e desesperada.


Dafne e Dimitre estavam encharcados quando Draco abriu a porta e vimos os dois ali a nossa frente, trêmulos.


– Eu... ele... se divorciou da esposa... – contou Dafne, apertando Dimitre contra o colo. Ela olhou para Draco quando perguntou. – Posso entrar?


– Só não me dê um tapa – ele resmungou. Já não ficava muito feliz quando era atrapalhado no sono, e vendo que era Dafne quem estava a sua porta pedindo para entrar, eu não culpava Draco por parecer irritado.


Dafne entrou e colocou Dimitre no chão. O menino havia crescido desde a última vez que o vira. Havia se passado quase seis meses desde então, e nesse tempo ele aprendeu a andar, aparentemente, porque já estava caminhando pela sala, desajeitado.


– Eu vou voltar pra cama – Draco avisou, olhando de mim para Dafne, e de Dafne para mim. Aquela não era uma conversa para ele, então não se incomodou em não ser anfitrião. Subiu as escadas e o silêncio reinou pela sala, enquanto Dafne tentava encontrar uma maneira de me explicar porque estava ali agora.


– Markus – disse como se essa fosse sua explicação. – Apareceu em casa. Ele quer ficar com Dimitre.


– E isso não parece bom pra você?


– Ele tirou o dinheiro da minha conta. Não tenho mais nada. Nem a casa... Ele disse que se eu entregasse Dimitre a ele, eu ia poder ficar com a casa, com tudo. Mas eu... – a voz dela vacilou. – Eu disse não. Eu disse que ele podia pegar qualquer coisa, menos o Dimitre. Eu fiquei louca, Astoria!


– Você sempre foi louca – eu respondi. No fundo, aquilo me impressionava. – Aonde quer chegar com tudo isso, vindo aqui no meio da noite, nessa chuva...?


– Pode nos deixar ficar aqui pelo menos até eu encontrar um emprego?


Ergui uma sobrancelha. Mais porque ela falou sobre “emprego” do que sobre querer ficar ali.


– Dafne, eu não posso deixar você ficar aqui. A Mansão não é, você sabe, exatamente minha.


– Esse lugar é tão grande! Não vou... eu juro, eu não quero atrapalhar você e nem... Ei, você está grávida. – Ela notou isso agora e disse num tom de “caso não tenha reparado”. – Enfim... eu não tenho para onde ir. Olha... sei que não é o jeito certo de acertar as coisas, mas é só por essa noite... até eu arrumar um emprego ou um apartamento, o que seja. Eu prometo começar a fazer isso amanhã. Por favor. Mas deixe-nos ficar aqui essa noite... pelo menos! Dimitre não vai dar trabalho, prometo.


Assim que disse aquilo, Dimitre derrubou uma taça de vinho sobre a mesinha da sala. Era a taça preferida de Lucius. O garoto começou a rir, como se nada mais fosse divertido.


Voltei a olhar para Dafne. Ela parecia ter mudado de idéia de repente, enquanto pegava o filho no colo de novo.


– Quer saber? Foi besteira minha vir até aqui. Mesmo se não aceitar, eu não vou ficar insistindo. Apenas pensei que valeria a pena tentar uma última chance de... – Ela não terminou de dizer. Olhou para minha barriga e para meu rosto e deu um passo para trás. – Ok, finja que eu nem apareci. Vamos esquecer essa cena.


Ela virou as costas e estava indo embora quando falei:


– Está chovendo o diabo lá fora. Tem sorte de eu estar com o coração mole, Dafne.


– Eu não vou atrapalhar – ela prometeu sempre dando a si mesma uma chance para tudo. – E Dimitre vai ficar longe das taças de vinhos.


Eu não precisava acreditar em suas promessas. Ela tinha razão; a mansão era tão grande. Não precisávamos realmente ficar nos esbarrando por aí. Qual era a minha dificuldade em deixá-la dormir no quarto em que eu ficara hospedada há anos quando ainda estava conhecendo Draco? O importante era que ela não estava bêbada dessa vez; e nem se ajoelhando aos meus pés. Ela não estava se rebaixando. Ela estava pedindo ajuda. Daquele seu jeito, mas estava.


Quando a levei até o quarto de hóspede, ela ficou toda impressionada e deitou na cama, deixando Dimitre de lado, e acariciou a maciez do colchão e do cobertor quente, confortável.


– Oh – ela exclamou em êxtase. Depois fez uma careta. – Credo, espero que não tenha sido aqui a história da concepção da sua gravidez.


Fiquei com uma vontade inédita de rir. Mas não queria que ela pensasse que eu estava gostando de lhe dar um lugar para dormir, porque não estava. Eu só estava ajudando ela e meu sobrinho, devido aos hormônios. Deixavam-me sensibilizada. E estava chovendo muito lá fora.


– Se precisar de alguma coisa... – eu disse, enquanto ela namorava o travesseiro de veludo de um jeito patético – não me acorde e não me incomode. Muito menos o Draco.


– Eu só preciso disso! De conforto... de coisa que cheira a... – ela cheirou o travesseiro – Dolce & Gabbana. A sra. Malfoy tem bom gosto. A velha, não você.


– Se você for realmente ficar aqui – eu disse –, nunca deixe Narcisa ouvir você se referindo a ela como “velha”. Não se não quiser acordar sem cabelo.


Deixando as coisas importantes bem claras, eu me virei para sair do quarto e deixá-la aproveitar seu encanto luxuoso por ele. Eu estava ultrapassando a porta quando senti uma dor insuportável embaixo do meu abdômen. Eu gemi, arquejando, contraindo-me.


Não era nenhum pouco parecido com um chute do bebê. Não era agradável, não me fazia sorrir. Tirava meu fôlego, me deixava tonta.


Havia sangue escorrendo pela minha perna. Vermelho escuro.


– Dafne – minha voz saiu assustada, ofegante, enquanto eu reparava de onde o sangue estava saindo.


– Hum?


Dafne olhou para mim e se afastou do travesseiro quando viu o sangue escorrendo. Minha visão começou a girar quando voltei a olhar para ela deitada na cama. Minhas mãos começaram a tremer, não apenas de susto, mas da dor que eu sentia. Eu não ficaria em pé por muito tempo, mas tive força para perguntar:


– O que está acontecendo?


Ela estava séria, não havia nenhum pingo de sarcasmo ou ironia quando me contou. Havia preocupação, como de uma irmã mais velha:


– Astoria... menstruada que você não está.


Não sei se era possível ela estar mais assustada do que eu, mas se aproximou de mim no mesmo segundo em que fiquei zonza, a pressão aumentando a cada vez que eu respirava. Perdi o equilíbrio, caindo de joelhos no chão, apertando com as mãos a minha barriga como se isso fosse amenizar a dor intensa, forte, insuportável, inesperada, que eu estava sentindo. A queda piorou ainda mais.


Dafne havia me segurado quando desmaiei, e a última coisa que pensei antes de apagar completamente foi em Draco.


 


 


 


 


N.A:


 


O próximo capítulo sairá semana que vem. Obrigada, como sempre, aos lindos comentários que recebi tão rápido! Cada vez mais que vocês comentarem, muito mais perto (porém não facilmente - pelo visto!) de Scorpius estaremos.


Decidi priorizar os meses mais marcantes da gravidez dela, como as evoluções do Draco sobre a idéia de ser pai, a descoberta de que será um menino, e, aparentemente, a possível complicação da Astoria :/ 
Espero ver mais comentários! Obrigada pessoal! 

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Clochette em 02/08/2011

Uaau, adorei o capitulo! Sabia que Draco não ia continuar a agir como ele estava agindo no começo da gravidez.
Estou super curiosa pra saber o que vai rolar, pincipalmente com essa coisa de Dafne na mansão deles!!!
Esperando ansiosa pelo novo capitulo!
Bjokas

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por MarianaBortoletti em 01/08/2011

Juro que morri de raiva do Draco no inicio do capítulo, mas logo em seguida eu já estava amando ele de novo, daquele modo que não dá para evitar. E eu percebi uma coisa que nunca tinha pensado antes, acredito que tenha sido essa a tua intenção: o Draco ainda tem aquela parcela de culpa com o futuro do filho por causa das coisas que ele fez, em ter sido um comensal. Perfeito, não era apenas a surpresa e a preocupação com a Astoria, era o fato de a criança crescer com aquele preconceito sem nem saber de onde ele veio. Genial! Adorei o capítulo, em tudo! E eu já disse que gosto bastante da Dafne dessa fic, fiquei contente de ela aparecer agora. Eu sempre dou risada com o Dimitri, sempre imagino aquela criança bagunceira, que mexe em tudo, que não deixa ninguém conversar, mas ao mesmo tempo um baby fofo... rsrsrssr Bem, e esse final? As complicações chegam para estragar a fase "tudo azul". Nem preciso dizer que estou mega ansiosa com o próximo capítulo e nem que essa é minha fic preferida na FeB, não tem como não ser. Bjs, até o próximo!

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Carolzinha Gregol em 31/07/2011

Meu deus, fiquei curiosa para BURRO, meus olhos encheram de lágrimas em algumas cenas desse capitulo! amei de coração esse capítulo! QUERO MAIS! e que história é essa da Dafne ficar na casa dos MALFOYS? não sinto coisa boa no ar, será que ela vai dar em cima do Draco?! tenho medo disso, principalmente que sinto que a Astória vai ter gravidez de risco é/ sinto muito isso! QUE RAIVA, você me deixa cada vez mais curiosa, se rolar alguma coisa entre o Draco e a Dafne eu juro que vou surtar de vez cara! Ou talvez seja só coisa da minha mente super criativa! e tipo me deu MUITA dó do Draco nesse capitulo, nem preciso dizer porque né?! NÃO DEMORA NÃO! amoooo essa fanfic *-*

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Louyse Malfoy em 31/07/2011

Ok, Draco estava muito muito frio com a Ast. 

Mas a cena do bebê chutando e ele se comovendo foi lindo! 

E claro, a da descoberta do sexo do bebê!

Como será o nascimento de Scorpius? :o'

Será que o nascimento dele vai ter risco? ai, ai, ai.

Não demora a postar. 

E antes que eu esqueça, esse capítulo foi incrível!

Beijos.

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

Enviado por Mohrod em 31/07/2011

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, que liiindooo! *-*

 por favor, posta looogoooo! não aguento mais esperar!

ta muuuito legal! heuheuhe

 beijo

Nota: 5

Páginas:[1]
:: Página [1] ::

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 12) - Copyright 2002-2014
Contato: clique aqui

Moderadores:


Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.