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21. Nostalgia


Fic: In Aeternum


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Capítulo 21- Nostalgia


-Ronald Weasley-


Rony deixou seu olhar se perder, enquanto ouvia as conversas animadas na pequena sala. O aposento já tinha seu espaço limitado, e devido aos visitantes tornara-se ainda mais restrito.


Ele focou sua atenção e mirou o rosto de Hermione, sentada ao seu lado. Suas mãos entrelaçadas de uma maneira carinhosa juntamente
as dele, agora descansavam em sua perna direita. A garota tinha um sorriso lindo no rosto, e ele sentiu seu rosto se curvar sem que percebesse.


Harry, Gina, Jorge, Fleur, Gui, Carlinhos...todos estavam ali...além deles, Arthur e Molly recebiam animadamente seus convidados. Os pais de Hermione não pareciam tão deslocados quanto ele achou que estariam.


Enquanto deslocava sua atenção da conversa de Harry e Gui, ele lembrou da chegada da família de Hermione à Toca, mais cedo naquele dia. Pareciam assustados- sem saber se haviam dirigido até o local correto. Hermione desenhara um mapa, e insistia em acompanhá-los, até que seu pai argumentou que poderia achar o caminho sem dificuldade.


Rony gostou do resultado que pôde obter com isso: graças a pequena teimosia do Sr. Granger ele tivera a oportunidade de passar horas e mais horas perfeitas ao lado de Hermione no seu apartamento- futuro apartamento de ambos. Não pôde conter uma leve sensação de cócegas na barriga ao lembrar dos momentos que haviam compartilhado...da demora para finalmente conseguirem se aprontar... das risadas de Hermione quando falhara em querer convencê-lo de que estava irritada com o atraso. Mas eles chegaram na hora...puderam ajudar Molly com toda a arrumação da Toca e ainda receberam os Granger assim que eles chegaram.


Por mais que o jantar tivesse sido maravilhoso e as conversam ainda não tivessem perdido a sua força, Rony estava quase sonhando em voltar para o apartamento, onde ficaria novamente sozinho com Hermione.


-... eu acho que você está ótima assim...- a voz de sua mãe o sobressaltou.


Ele acompanhou o olhar de todos- a conversa parecia ter sido focada em uma pessoa: Fleur.


- Gui também fala isso...mas sinto que estou diferrrente...ainda é cedo parrra dizerr...- Fleur levou a mão à barriga.- Acrrredito que eu vá me sentirr mais inchada do que isso...


Molly sorriu bondosamente para a garota. Obviamente o fato de Fleur estar esperando o primeiro neto apagara qualquer resquício de raiva que ela ainda mantinha pela nora.


- Isso depende, querida...- ela ajeitou-se no sofá, enquanto Rony esforçava-se para tirar os olhos de Fleur...ela não estava maior...ou estava?- varia de mulher para mulher...e conforme e gravidez...na de Rony, por exemplo, eu mal conseguia andar quando o final se aproximara.


Rony achou que aquilo era apenas uma continuação da conversa, mas seus irmãos pareceram achar engraçado.


- Que foi?- ele olhou para Carlinhos, que parecia querer conter alguma ironia.


Hermione sorriu bondosamente para ele, desviando sua atenção dos irmãos.


- Então você sempre foi guloso...e eu achei que isso fora coisa de adolescente...


Rony sentiu as orelhas queimarem, e ficou feliz quando sua mãe e Fleur retomaram a conversa. Hermione ainda olhava para ele.


- Fleur me parece bem diferente agora...- a garota falou baixinho, enquanto os outros continuavam na conversa sobre a gestação da garota.


- Agora...?- Rony precisou conter um sorriso.- Você diz isso apenas porque ela está grávida? Isso apaga qualquer característica que você antes-


- Não é isso.- Hermione apertou sua mão levemente.- Ela parece mais feliz...


Rony olhou rapidamente de Fleur- agora observando que ela sim estava com um pouco mais de barriga do que costumava ter e olhou para Gui. Nunca reparara muito nas cicatrizes do irmão...mas elas realmente pareciam estar escondidas...praticamente ocultadas pelo sorriso constante em seu rosto.


- Gui também...


Hermione não olhou para o outro Weasley, apenas afirmou com a cabeça.


- Você acha que a felicidade muda muito as pessoas? Quero dizer...- ele se demorou novamente em Fleur. A garota parecia mais gentil e menos arrogante, ou era apenas porque estavam se acostumando com ela?- é capaz de mudar traços da personalidade ou coisa assim...?


- Não- Hermione respondeu bruscamente- Você não entendeu...


Hermione se ajeitou no sofá, como se fosse responder uma pergunta durante a aula.


- A pessoa estar mais feliz torna ela diferente, pois na maioria das vezes estamos preocupados...ou frustrados com algo...


Rony tentou absorver cada palavra da garota.


- É bom quando podemos ver essa diferença nas pessoas...pois nos mostra quem elas verdadeiramente são...por debaixo da máscara costumeira...


Ele ficou com a boca aberta, enquanto Hermione olhava para os outros, um resquício de sorriso nos lábios.


- Mione...você...- ele tentou se concentrar.- você...bom...eu era uma pessoa assim? Você fala como se...


Hermione olhou para ele, parecendo intrigada.


- Rony...- ela começou, mas ele a interrompeu.


- Tenho certeza que você me viu aborrecido...e bom...mal humorado- ele franziu o cenho.- incontáveis vezes...você quer dizer que aquele não sou eu...?


- Não é que não seja você...só não é você por inteiro...é uma parte de você que está roubando a cena...- ela descansou a mão no braço dele.- Mas eu acho que eu conheço você muito bem...


Ele fez um cálculo mental, observando que desde que ele se deixara ser mais delicado e menos cabeça-dura, a garota aproximara-se mais dele, e eles puderam depois de muito tempo, e mais algumas discussões, começar o relacionamento.


- Acho que- ele tentou falar baixinho. A sala era pequena e ele tinha a impressão de que caso as conversas silenciassem, ele poderia ser facilmente ouvido por todos- você só está comigo hoje pois eu me tornei...não sei...alguém mais fácil de lidar?


Para sua surpresa Hermione riu.


- Em parte...- ela levantou uma sobrancelha.


- Hermione...- ele não queria usar aquele tom, não queria parecer uma criança tentando arrancar a verdade de um adulto.


- Ronald...eu poderia...ou melhor- ela sacudiu a cabeça- nós poderíamos ter ficados juntos e qualquer um daqueles momentos de briga...desentendimentos...


Rony iria questionar ela como aquilo seria possível, mas ela continuou.


- ...quantas vezes pareceu que as coisas haviam ficado inacabadas? Que muitas verdade haviam sido ditas sem que se colhesse os frutos daquelas escolhas? Acho que, houve vezes em que deixamos tudo muito claro...


Ele permaneceu em silêncio dessa vez.


- Mas tudo não foi o suficiente para que déssemos o braço a torcer...e isso aconteceu apenas há alguns meses...


- Você acha que...todos esses anos foram...em vão? Como se-


- Não, não foram em vão.- Hermione sorriu bondosamente para ele.- Se você pensar assim só vai se magoar...e achar que tudo poderia ter sido diferente. Mas as coisas aconteceram desse jeito porque...tinham que ser...


- Não é você que é sempre a racional? Que acha que tudo precisa de uma explicação muito detalhada?


- No nosso caso, Rony...não há explicação racional... ou você acha que durante todo esse tempo mantivemos a razão?


Ele precisava sair dali...queria continuar aquela conversa que surgira do nada, mas que aparentemente explicaria muita coisa para ele.


Ele a puxou pela mão, cuidando para que ninguém percebesse a saída deles. Resolveu caminhar lentamente, para que achassem que estavam apenas buscando mais bebida. Ele observou que Harry também estava de pé, atrás de Gina. Felizmente o garoto não o olhou enquanto migraram para a escada.


- Rony...o que você...?


Ele começou a subir a escada. Hermione aproximou-se mais dele, encolhendo-se de frio.


- Queria que pudéssemos conversar melhor...- ele justificou, enquanto subiam cada vez mais.- Voltando ao assunto...


Hermione riu, mas continuou subindo as escadas: era um bom sinal. Quando chegaram ao seu antigo quarto, ela parecia realmente disposta a falar.


- Eu fiz uma pergunta...e gostaria de uma resposta...- ela falou simplesmente.


Eles entraram e Rony se demorou alguns segundos olhando como aquele lugar estava diferente. Algumas de suas coisas continuavam ali- ele fez uma anotação mental para levar elas logo para o apartamento, ou se livrar daquelas que não tinham mais utilidade.


- Não, Mione...acho que não fomos racionais nunca durante esse tempo todo...- ele se sentou na cama, arrumada com uma colcha de tom salmão que ele tinha certeza que sua mãe escolhera.- Talvez só agora...


- Claro...- Hermione passou a mão delicadamente pelo rosto do garoto.- Esse amadurecimento foi necessário...e gradual...


Ele sorriu e alcançou a mão dela, puxando de sua bochecha para seus lábios. Ele depositou um beijo delicado, enquanto sorria para ela.


- Você sempre tem uma explicação para tudo...- ele sussurrou.


Hermione colou a testa na dele e suspirou. Eles ficaram abraçados durante algum tempo. Ele viu que os olhos dela haviam se perdido em seu quarto, e um sorriso apagado pontuava seu rosto.


- Deixei você pensativa...- ele foi cauteloso.- Isso não é bom...


- Não, não é isso...- ela se afastou delicadamente.- É que...bom...agora é bom pensar em tudo que passamos...


Ele também deixou seus olhos vagarem. Sentiu uma sensação estranha na garganta- não era tristeza nem nada assim. Era uma sensação de perda. Aquele quarto fora durante muito tempo seu... e agora, ele não sentia mais resquício algum daquele tempo passado.


- Parece surreal...- ela falou baixinho.


- Mione- ele continuou falando suavemente, não queria testar a paciência da garota.- desculpe perguntar mas...isso sempre passa pela minha cabeça...pelo menos passou durante muito tempo...


Ela olhava atentamente para ele.


- Eu sei...eu já superei a minha fase de insegurança...ciúmes...eu acho...- ele sorriu para ela, tendo a impressão de que ela reprimira uma gargalhada.-...mas eu...


Ela forçou seus olhos se encararem.


-...eu não sei como você...o que você viu...- ele passou a mão nos cabelos- eu cheguei a duvidar que pudesse ter alguma coisa com você... parecia tão certo você escolher outro...principalmente...


- Rony...- ela sorriu, sacudindo o rosto como se não acreditasse no que ouvisse.


- ...toda essa história de amadurecimento...as pessoas sendo diferentes quando são felizes...eu não sei em que pedaço daquele ogro que eu fui muitas vezes você conseguiu achar um cara que...


- Valesse à pena?- ela completou, erguendo uma sobrancelha.- Um cara pelo qual eu pudesse me apaixonar...? Que eu quisesse passar o resto da vida junto?


Ela pareceu irônica, mas ele não se importou.


- Ronald...- ela suspirou, parecendo cansada. Era como se ela fosse explicar novamente algo que tivera certeza que havia ficado muito claro.- em toda essa história...quando eu estava perto de você...eu não era a Hermione que todos conheciam...


Ela deitou a cabeça no ombro dele, parecendo incapaz de manter contato visual.


- Eu não podia prever suas reações...não estava escrito em um livro...eu não podia demonstrar que estava preocupada com você...ou tentar ajudar você...pois você já viria com pedras nas mãos...


Ele abraçou o corpo da garota, tentando gravar todas aquelas palavras, sentindo-se único enquanto escutava da boca dela tudo que ela sentira durante aqueles anos.


- Durante muito tempo eu não me permiti acreditar no que sentia...nós só brigávamos...como isso poderia se tornar alguma outra coisa? E quando eu achava que poderia ser...você vinha com atitudes infantis...destruindo tudo que havíamos construído até então...


Ele ficou anormalmente parado, sentindo que deveria escutar até o final.


- Hermione Granger-


- O fato é que- ela levantou o rosto, encarando-o- independente de tudo que acontecia...eu continuava no mesmo erro...achando que você poderia sentir o mesmo...que iria me convidar para o baile...que largaria as palavras rudes e fosse capaz de um elogio...


Ela precisava contar tudo aquilo?


Repentinamente parecia uma necessidade fazer com que ele entendesse- algo que ela pensou que ele já tivesse assimilado.


- Mione...- ele migrou a mão para o rosto dela.


- Toda garota tem um sonho...encontrar a pessoa certa...- ela suspirou- saber que aquela pessoa é sua e que você é dela...e repentinamente esse garoto ruivo e mal humorado está lá...parado diante de mim...


Ela observou um sorriso nos lábios dele.


- ...me ofendendo...brigando por que meu gato havia caçado seu rato...deixando claro que até então não havia percebido que eu era uma garota...


Rony abaixou os olhos por instantes, mas ela continuou com o semblante relaxado. Não queria que aquilo aparentasse um sermão. Esperou ele olhá-la novamente, e continuou.


- O pedido para o baile não veio...o primeiro beijo não veio- ela inclinou a cabeça, rindo.- Nada do que eu esperava aconteceu, então...eu tive que fazer do meu jeito. Convidá-lo para o baile... pular em seus braços e quase beijá-lo a força...


Dessa vez ele riu, mais descontraído.


- Você nunca permitiu que eu agisse daquela maneira excessivamente racional.- ela abaixou o tom de voz, aproximando o rosto do dele.- Você sempre fez com que eu perdesse o fio da meada, ficasse sem paciência...mostrasse a todos aquele outro lado de mim que ninguém conhecia.


Ela se lembrou de como havia mudado para ir ao Baile de Inverno...a coragem que tinha tido para convidar Cormaco para acompanhá-la na festa do Clube do Slug, apenas para irritar Rony...lembrou dos sorrisos falsos...da fofoca forçada com Parvati na mesa da Grifinória...apenas para que ele percebesse...que ele terminasse com aquela agonia eterna...


- E agora...- ela descansou a mão no rosto dele. Observou o garoto fechar os olhos, deliciando-se com a sensação.- Eu posso ser quem eu realmente sou...posso viver inteira finalmente...


Ele abriu os olhos, e ela sabia que ele estava atento em cada palavra.


- Não me falta mais pedaço algum...- ela sussurrou.


- Mione eu...- ele segurou o rosto dela. Ela quis esquecer da festa de Natal nos andares de baixo, o fato de alguém os estar procurando.-...não tinha coragem para fazer o que era preciso...você sabe...


As orelhas dele estavam incrivelmente vermelhas, ela só conseguiu afirmar com a cabeça.


- A lógica seria você escolher o melhor...eu nunca fui aquele que...eu sempre vivi nas sombras dos outros...- ele não parecia triste, mesmo relembrando tudo aquilo.


- Não sei se faz você se sentir bem...eu lembrar que...para mim, sempre foi você...- ela finalizou, simplesmente.


Ele ficou muito parado, olhando-a nos olhos. A mão dele acariciou o cabelo dela lentamente, enquanto não conseguiam quebrar o contato visual.


- Quem dera eu soubesse naquela época...teria me poupado muitas noites insones...- ele riu.


- Você era um garoto...eu sei que em parte você sabia...e não fazia nada para mudar...- ela beijou seu rosto.


- Sempre houve impedimentos. O fato de você ter beijado Krum não facilitou as coisas...


Ela endireitou o corpo, achando que a conversa poderia tomar um rumo diferente.


- Você ainda pensa nisso? Faz mal remoer esse tipo de sentimento, sabe...


- Eu não estou pensando.- ele ficou vermelho novamente.- Depois de muitas brigas...e muito tempo pensando eu entendi algumas coisas...que na época eu era muito criança para entender...


Hermione ajeitou-se mais confortavelmente, relaxando ao ver que ele não pretendia começar uma briga.


- Todos os empecilhos que tivemos...de certa forma...nós os colocávamos no meio do caminho...


Ela afirmou com a cabeça, entendendo onde ele queria chegar.


- Todas as brigas...todas as pessoas com quem saímos- Hermione fez questão de lembrar.- foi uma forma de negação.


- Todas as pessoas faz parecer muita gente.- ele fechou o rosto para ela, querendo aparentar raiva.


- O suficiente para eu ter certeza- ela aproximou os lábios dos dele- que eu não encontraria a felicidade em nenhum outro lugar.


Ela o beijou delicadamente, esperando por uma resposta por parte dele. Rony segurou seu rosto enquanto a puxava mais para perto.


Ela afastou seus rostos, enquanto deixava sua mão se perder no cabelo do garoto. Ele fechou os olhos e colou suas testas, pareceu suspirar pesadamente, o que lembrou muito Hermione um ronronar de um gato. Ela precisou conter uma risada, certamente o tiraria do sério se falasse aquilo em voz alta.


- Você quer ir para casa...?- ela sussurrou, já que o garoto permanecia com os olhos fechados após muitos minutos, sua cabeça descansando no peito da garota, que o abraçava e continuava com o carinho em seus cabelos. Ela adorava observar o contraste de sua pele próxima aos cabelos de Rony, parecia afirmar para ela que era mais real. Não era um sonho...ela não iria acordar...


- Precisamos nos despedir de todos lá embaixo...- a voz dele era de sono.- Mas não seria uma má idéia...estou morto...


Ela riu e ele a imitou.


- Você é inacreditável... qualquer um estaria feliz com essa folga da Academia de Aurores...- ela ironizou.


- Ah, a Academia é brincadeira de criança...- ele se levantou bruscamente enquanto a puxava de encontro ao seu peito, abraçando-a.- perto do dia de hoje...


- Shh- ela já sentia o rosto corar. E se alguém estivesse próximo ao quarto?


- Eu não disse nada- ele arregalou os olhos.- Poderia estar me referindo à véspera de Natal...muitas pessoas se sentem exaustas ao terem que preparar tudo...


- Ah, claro...- ela riu, enquanto caminhavam para fora do quarto.- O seu jantar estava delicioso, Weasley...


Ele a segurou pela cintura antes que ela pudesse descer a escada. Prontamente descansou o queixo na curva do pescoço da garota, depositando alguns beijos pelo caminho. Ela sentiu a pele se arrepiar, mas tentou manter a concentração.


- Espere só até provar a sobremesa...- ele precisou conter uma risada. Hermione deu um breve tapinha no seu braço.


Ele a abraçou enquanto desciam lentamente a escada, demorando-se mais do que o necessário.


- Eu posso passar a noite na casa dos meus pais...- ela fingiu estar ofendida.- Você precisa descansar...


- Ei...- ele fez ela se virar e encará-lo.- Você me ouviu reclamar?


Ele beijou seu rosto, segurando-a pelos braços para que ela não pudesse continuar caminhando.


- Tive a impressão...- ela sorriu de um jeito bobo, enquanto o puxava para que chegassem logo ao andar de baixo.


- Nosso apartamento nos espera...- ele sussurrou. Ela sabia que ele fazia isso para que ela ficasse entregue.- Você não quer que eu durma sozinho...depois dessa declaração de amor às avessas...quer?


- Como se você não soubesse que eu te amo...- ela colou seus lábios, abraçando o pescoço do garoto e ficando na ponta dos pés para poder beijá-lo.


- É sempre bom escutar...- ele se afastou dela.


Dessa vez ela que se aproximou novamente, mordendo levemente o lóbulo da orelha dele, tentando irritá-lo. Ele não se afastou.


Ela sentiu a ansiedade a tomando- sua cabeça já trabalhava a mil querendo sair logo dali. Já devia ser tarde e as conversas não davam sinais de querer ceder. A vontade de voltar ao apartamento de Rony apertava seu peito, enquanto ela o puxava pela mão para despedirem-se de quem estava na sala.


- Você vai primeiro...quero evitar as piadinhas de Gui e Carlinhos...- ele sussurrou em seu ouvido, antes que alcançassem os outros.


Ela não se importou com as reclamações que se seguiram, Harry e Gina fazendo piadinhas a respeito de eles estarem fugindo da comemoração de seu noivado. Felizmente, com aquele assunto voltando à tona, puderam sair pela porta dos fundos da casa, lentamente, acenando para os poucos que ainda mantinham a atenção neles, enquanto o Sr. Weasley dava um jeito de reavivar o papo sobre o futuro casamento de sua filha caçula com o herói Potter, fingindo-se imensamente interessado no que o "noivo" tinha a oferecer para sua querida filha.


Eles poderiam ter escolhido uma data melhor para anunciar o noivado...- Hermione sentiu seu maxilar trincar com o frio que a tomou, assim que passou pela porta, sua mão já insensível mesmo por debaixo da grossa luva que vestia, procurando a de Rony.


-É melhor que tenha sido agora...todos estavam distraídos com o natal...e a barriga de Fleur...- o garoto riu, procurando a varinha com a mão livre.


-Você está denominando a gravidez de Fleur de barriga?- ela riu, curvando o rosto para esconder sob a gola da blusa grossa que usava sob o casaco.


-Ah, você entendeu...


Finalmente haviam alcançado uma distância suficiente para desaparatarem. Hermione não precisou pensar muito- sabia que em segundos estaria na pequena rua trouxa próxima ao apartamento dos dois.


Aquele pensamento provocou cócegas gostosas em sua barriga.


Flashback


-Ronald Weasley-


Perto das tentativas de fugir dos inquéritos cada vez mais freqüentes de sua mãe, roubar a poção Polissuco de Moody fora moleza. Rony respirou aliviado quando Hermione sorriu abertamente para ele, escondendo a poção dentro de sua bolsa.


-Você acha realmente que ele não desconfiou?- Rony sentou-se ereto na cama de sua irmã, tenso com a situação. Mesmo que a poção estivesse sob seu domínio agora, ainda pairada sobre eles uma nuvem de medo e ansiedade.


-Positivo- Hermione finalmente largou a bolsinha e se jogou em sua cama de armar.- Ele acabou fazendo uma porção maior...comentei isso com você...


Ela girou os olhos, impaciente por ter que repetir aquilo.


-Eu sei!- ele quase gritou.- Mas você não acha muito estranho Olho-tonto ter se enganado e ter feito poção a mais?


Hermione ficou com os olhos vidrados encarando o garoto.


-Você acha que ele sabia exatamente quanto havia ali?- a voz dela tremeu levemente.


-Provavelmente não exatamente...mas...é estranho...


Hermione silenciou, enquanto sua mente fazia caminhos inimagináveis para explicar a situação.


-Quais seriam as chances de ele querer que essa parte da poção fosse roubada?- ela sussurrou.


Rony riu, curvando o corpo de uma maneira tensa.


-Você acha que...


-Não posso afirmar...- ela se levantou de um salto, sobressaltando o garoto.- Mas acho que...


Um barulho repentino fez com que os dois parassem qualquer movimento, inclusive suas respirações. Os olhos de Hermione já estavam na porta e ela levou instintivamente à mão ao bolso da varinha.


-Queridos...- Molly Weasley entrou, o rosto coberto por uma pilha de roupas.- Será que podem me ajudar com isso?


Hermione prontamente disfarçou sua surpresa, e apanhou uma braçada de roupas, depositando-as na cama.


-Obrigada, querida.- ela sorriu bondosamente para Hermione.


Rony ficou parado, esperando que sua mãe saísse para que pudessem continuar a conversa.


-O jantar hoje será conturbado, Ronald. Você pode ajudar Jorge na cozinha?


-O Jorge ficou responsável pelas tarefas na cozinha?- ele franziu o nariz, e sua mãe não pareceu gostar de tal reação.


-Sim! E está se saindo muito bem! Agora, se não se importa...- ela já empurrava o filho em direção à porta- em duas pessoas as batatas se descascaram mais rápido!


-Mas por que...?- ele não conseguiu terminar a pergunta.


-Sem varinhas. Pelo menos agora, está bem? Aqueles dois já fizeram uma bagunça danada tentando cozinhar com magia.


Ele sabia que ela se referia aos gêmeos, da mesma forma que sabia que estava querendo manter todos ocupados.


Ele não ficou para ver o que ela mandara Hermione fazer, desceu as escadas de dois em dois degraus, sentindo a raiva inflar seu peito.


Ele e Hermione estavam formulando teorias interessantes, e aos poucos conseguindo pedaços importantes que faltavam no plano para a viagem. Mas sua mãe continuava com toda aquela ladainha de trabalho e tarefas domésticas.


Mais tarde, durante o jantar, Hermione lhe lançou um olhar ansioso quando Moody falava alto à mesa.


-Está tudo Ok, Arthur...- o olho mágico do auror estava fixo em Hermione, enquanto o normal não saía do rosto do Weasley-pai.- E não se preocupe com Mundungo..eu darei um jeito nele.


-Ele é sempre algo com que se preocupar...- o Sr. Weasley parecia muito ansioso com o plano de buscarem Harry. Mas Rony não tirava os olhos de Moody, ele obviamente estava querendo se comunicar com Hermione.


-Sim, eu sei.- o auror arriscou mais uma garfada, o olho mágico agora em Rony, que sentiu as orelhas queimarem.- Eu mesmo sempre digo, é muito importante ter um plano B.


Teve a nítida impressão de que Moody queria que Hermione e ele entendessem perfeitamente bem aquilo.


-Obrigado pela comida, Molly.- ele falou sem se mexer do lugar, seu olho mágico já havia sumido na órbita.- Desculpe o incômodo.


-Não foi nada, Alastor...- a mulher sussurrou.


Hermione franziu a sobrancelha, analisando o comportamento de Moody.


-Vigilância constante!- o auror brincou, gargalhando com sua voz rouca.- De que adianta planejarmos tudo para o dia que iremos buscar Harry, se um inimigo escutar tudo que falamos?


Rony observou Hermione dar um pequeno salto na cadeira, quase como se levasse um choque. Ele aproveitou a distração de sua mãe com a despedida de Moody e subiu as escadas. Gina correu atrás dele, mas manteve a voz baixa, aparentemente não querendo escândalos por parte de sua mãe.


-Você não pretende ajudar com a louça?- ela ergueu apenas uma sobrancelha para ele.


Hermione passou por ela, cautelosa. Seu rosto muito vermelho, fez Gina estranhar o comportamento dos dois.


-Desculpa, Gina...irei seqüestrar seu irmão por alguns minutos...


A voz tremida de Hermione pareceu convencer Gina, mas dessa vez não houve sorrisinhos irônicos.


-Não pensem que não sei que vocês estão guardando algum segredo.- ela se virou de costas, e voltou para a cozinha.


Hermione segurou o pulso de Rony em um movimento brusco e o puxou um lance de escadas acima. O garoto controlou a respiração e tentou agir com naturalidade perante a intimidade que adquiriam.


-Moody sabe.- ela sussurrou, parecia prestes a chorar.


-Também percebi.- ele sentiu-se incomodado, havia algo mais importante para tratar.


-E aparentemente estamos esquecendo alguma coisa.- ela bateu na testa. Tirou a varinha do bolso e mirou a escada.- Abaffiato!


-Achei que você não- ela não o deixou terminar a frase.


-O momento pede que usemos esse tipo de técnica.- Ela cruzou os braços.- Moody lembrou de algo crucial. Nós sempre cuidamos as portas e as janelas...mas nunca se sabe se seus irmãos não estarão com algumas orelhas extensíveis!


-Não apenas eles...- Rony deu de ombros, desanimado, sua mãe parecia disposta a descobrir tudo sobre o que planejavam.


-Além disso- Hermione parecia realmente empolgada, como se estivessem prestes a realizar um teste de final de ano, garantindo a aprovação em alguma disciplina.- Acho que estão faltando alguns feitiços que eu preciso aprender!


-Feitiços? Você, Mione?- Rony riu debochado.- Francamente, acho que você já sabe o suficiente por nós dois..


-Não- ela negou com a cabeça.- Moody sempre deixa isso muito claro...temos que pensar como os Comensais da Morte pensariam...


-Ok, Ok, Mione..eu entendo o que você quer dizer- Rony distanciou-se alguns milímetros, precisando de ar, tamanha a empolgação que emanava da garota.- Mas de que tipo de feitiços você está falando?


Ela fez uma cara marota, um sorriso torto em seu rosto. Rony não teve tempo para analisar o quão encantadora ela ficava daquele jeito.


-Alguma chance de Gui ou Carlinhos terem deixado algum livro de Feitiços Avançados da sétima série perdido por aí?




-Hermione Granger-


Se algo desse errado, ela estava preparada. Ela tinha um plano B, como Moody mesmo mencionara que deveria existir em todas as situações- sua bolsinha de contas estava bem escondida. Caso precisassem fugir no meio de alguma confusão, ela teria tudo com ela- ou pelo menos quase tudo.


Ver Harry a deixou mais tranquila, porém não pode deixar de reparar em olheiras profundas marcando o rosto do amigo. Será que ela também estava com a aparêcia diferente?


Mudar de cenário e sentir a adrenalina de precisar resgatar o amigo lhe fez bem. Estar longe da Toca parecia tornar menos real o fato de ter apagado a memória de seus pais e de estar prestes a entrar em uma aventura potencialmente mortal.


A poção polissuco de Moody, pronta para o uso, fez seu estômago se contrair, e um sentimento forte de gratidão a tomou. O auror desconfiava fortemente de seus planos, e mesmo assim, parecia confiar que saberiam o que fazer. Aquilo tranquilizou Hermione.


-Ah, você parece muito mais gostoso do que Crabbe e Goyle, Harry- ela falou sem pensar, mirando a poção pronta que tinha em mãos. Precisava perder a mania de precisar falar algo quando estava nervosa, para quebrar a tensão. Rony ergueu a sobrancelhas para ela, surpreso. - Ah, você entendeu o que eu quis dizer. A poção de Goyle lembrava um bicho-papão.


Ela completou, antes que ficasse mais corada do que já estava.


- Certo então. Os falsos Potters, alinhem-se do lado de cá, por favor- disse Moody. Rony, Hermione, Fred, George e Fleur se alinharam em frente a pia. -Todos juntos, agora...


Todos beberam engasgaram, fizeram caretas de nojo à medida que a poção atravessava suas gargantas. Pareceu menos horrível dessa vez- talvez a euforia do momento fosse maior, e ela soubesse que aquilo era estritamente necessário; não estavam quebrando regras da escola e principalmente, haviam aurores envolvidos no processo, o que a deixava mais calma. Porém, tomar a poção gosmenta fez com que ela se sentisse diferente instantaneamente, conforme seu corpo se esticava para cima.


Um pânico irracional a tomou conforme ela sentiu algo caminhar em sua cabeça- levou algum tempo para perceber que eram seus cabelos encurtando.


Ela tentou se olhar, sem mover as mãos- nunca se sentira tão desconfortável em toda sua vida. Por que garotos tinham os ombros tão largos? Ela deveria se sentir daquele jeito, tão exposta?


Só voltou a si, ao ouvir a voz de Moody.


- Senhorita Granger com Kingsley, também em um testrálio!


Sentiu-se mais calma ao saber que não estaria voando em uma vassoura naquela noite. Sorriu mais tranquila enquanto encarava Kingsley- o auror sorriu de volta, aproximando-se ddela.


-E você sobra para mim, Rony!- Tonks dirigiu-se ao garoto empolgada, acenando para ele.


Ao ouvir aquele nome, Hermione tentou a todo custo manter o corpo virado de uma maneira que pudesse enxergá-lo. Rony não parecia nem um pouco calmo.


Ela o encarou- será que ele reconheceria que ela era aquele Harry Potter que o encarava ansiosamente?


O garoto- também perfeitamente idêntico ao melhor amigo a olhou- mas ela saberia dizer mesmo a quilômetros que aquele era Rony. A expressão em seu rosto, a maneira de caminhar e as caretas que faziam, eram inconfundíveis.


Ele trocou um olhar rápido com ela, talvez achando que era outra pessoa. Em um segundo, ele a olhou novamente, reconhecendo-a.


Ambos se olharam por alguns segundos, que parecerem horas. Tudo precisava dar certo, ela voltaria a vê-lo em questão de minutos, horas talvez. Rony parecia muito preocupado, seu semblante fechado. Era incrível como, mesmo com os óculos, olhos, cabelo e todas as características de Harry, sua mente ainda brincasse formando imagens do ruivo para que ela soubesse que era ele.


-Boa sorte, para todos!-gritou Moody. -Vejo vocês todos dentro de uma meia-hora na Toca. Quando eu contar três. Um... Dois... TRÊS!


O frio na barriga era constante, o medo não saiu de seu lado. Por diversas vezes precisou segurar fortemente em Kingsley para não cair. Não sabia mais quanto tempo havia se passado, não pensava em nada. Sua mente formava imagens horríveis do que deveria estar acontecendo com os outros.


Repentinamente não havia mais espaço para se preocupar com tudo aquilo- os vultos encapuzados estavam por todos os lados.


Quando tudo se tornou uma batalha sem fim, cheia de faíscas e feitiços constantes, ela mantinha em mente que precisava voltar sã e salva.


Harry deveria estar bem...ele tinha que estar bem. Hagrid jamais deixaria que algo de ruim lhe acontecesse. E Rony...- pensar no garoto fez o frio em sua barriga aumentar. Ela continuou mirando a varinha sem saber quem estava acertando- amigo ou inimigo- as lágrimas tingindo sua visão, enquanto ela apenas se preocupava em chegar logo ao seu destino.


Queria que tudo aquilo acabasse...depois de um tempo parecia que alguém programara a cena para que não houvesse som. Ela sabia que gritava...sabia que Kingsley lhe dava ordens para que mantivesse a calma e o foco. Mas ela não conseguia...não tinha mais forças...


Quando se afastaram cada vez mais daquela bagunça infernal de feitiços e maldições, por um momento ela achou que estavam fazendo uma manobra para voltar.


-Estamos quase chegando, segure firme!- Kingsley gritou.


-Não!- ela gritou de volta.- Os outros ainda estão...


-Tudo vai ficar bem!- a voz grossa do auror fez ela se sentir uma criança. Ela sabia que tudo poderia estar dando errado, e ela se afastava cada vez mais dos outros.




Hermione não conseguia se acalmar. Não conseguia fitar direito os rostos ao seu redor. Onde ele estava? O que estava acontecendo? Por que não voltara ainda?


As lágrimas não paravam de cair, seu peito subia e descia rapidamente. Rony com certeza estava bem, logo estaria ali...


Ao ouvir um nome conhecido na conversa, ela forçou sua atenção, a notícia a tomando e causando um susto maior do que o necessário.


- Lalau?- repetiu Hermione confusa.-Pensei que ele estava em Azkaban, não?


Sua mente fez cálculos e mais cálculos- que parte da história ela perdera enquanto estivera andando de um lado para o outro preocupada com Rony?


- Obviamente Hermione, houve uma fuga em massa que o Ministério abafou.- Kingsley parecia impaciente. Sentiu-se culpada na mesma hora, ele deveria ter perdido a paciência com ela diversas vezes desde que haviam saído da casa de Harry. Justo Kingsley, sempre tão calmo.-O capuz de Travers caiu quando eu o amaldiçoei, ele deveria estar preso também! Mas que aconteceu com você, Remo? Onde está o Jorge?


-Perdeu uma orelha..- respondeu Lupin, sua voz falhando. Hermione sentiu um estralo em seu pescoço quando olhou para o ex-professor.


-Perdeu uma...?- sentia sua voz embargada, incapaz de conter o calor terrível que lhe subiu dos pés a cabeça.


-Obra do Snape!- sussurrou Lupin.


-Snape- Harry pareceu tão surpreso quanto ela.- Não pode ser...


-Ele perdeu sua capa, durante a perseguição. Sectumsempra foi sempre uma


especialidade do Snape.- Lupin pareceu ponderar durante alguns segundos. O coração de Hermione permanecia apertado no peito.- Vamos conseguir curá-lo... ele perdeu bastante sangue...


Todos ficaram em silêncio, contemplando o céu azul-marinho. Não havia


nenhum movimento, não havia estrelas reluzentes, e a lua nova se escondia por trás de uma nuvem particularmente grande.


Pensar em Jorge mutilado aumento a preocupação de Hermione a níveis imagináveis. Repentinamente, a ideia de Rony estar são e salvo lhe pareceu absurda. Uma dor incômoda se fixou no pé de sua barriga, enquanto ela lutava contra as lágrimas. Sentiu-se mais segura com Hagrid ao seu lado, pelo menos assim ninguém conseguiria enxergar suas lágrimas por debaixo da sombra que o meio-gigante formava. Lupin do seu outro lado, parecia mais nervoso do que ela nunca o vira, nem mesmo quando tentara em vão controlar sua transformação em lobisomem, durante seu terceiro ano.


Qualquer farfalhar de folha, qualquer brisa que soprasse, fazia com que o coração de Hermione disparasse e ela sentia-se incapaz de conter a tontura iminente.


Repentinamente, uma vassoura se materializou praticamente do nada e migrou em direção ao chão.


- São eles!- ela gritou, sem se importar com mais nada. Seu coração dava pulos, um zumbido insuportável tomava seus ouvidos, impedindo que ela visse a situação com clareza.


Tonks aterrisou no chão, jogando terra pra todos os lados.


- Remo!- Gritou ela, enquanto largava a vassoura e se jogava nos braços de Lupin. O rosto do homem estava branco, parecia ser incapaz de falar.


Hermione sabia que deveria estar da mesma maneira. Não focou sua atenção na mulher, mas sim na pessoa que caminhava em direção à ela.


-Você está bem...- foi apenas o que ela escutou se formar da voz dele, antes de esquecer completamente onde estava e abraçá-lo com força.


-Pensei, pensei que...- ela não conseguia colocar a desconfiança em voz alta. Seu coração parecia mais leve, ela não queria se afastar mais nem um centímetro dele.


-Tô inteiro.- ele respondeu, dando palmadinhas de leve nas costas da garota- Tô inteiro


-Rony foi o máximo!- disse Tonks calorosamente, ainda abraçada em Lupin. – Fantástico! Estuporou um Comensal da Morte direto na cabeça, e olha que quando se está mirando um alvo móvel montado em uma vassoura...


- Você fez isso?- perguntou Hermione mirando Rony, incapaz de soltar os braços do pescoço do garoto. Queria que soasse como um elogio, mas o garoto já ficara na defensiva.


- Sempre o tom de surpresa- ele disse desvencilhando-se, rabugento. Ela sentiu-se imensamente vazia naquele momento.- Somos os últimos a chegar?


-Não- foi Gina que respondeu. Hermione sentiu a boca seca, quase sentindo-se traída por ter seu abraço desfeito por Rony, quando estava tão preocupada com ele.- Ainda estamos esperando Gui e Fleur... e Olho Tonto e Mundungo ainda não voltaram. Vou avisar o papai e a mamãe que você está bem, Rony...


Sim...ele estava bem...estava salvo. Era isso que importava. Não precisava ser egoísta naquele momento...ele estava preocupado com toda a sua família, principalmente por estarem todos envolvidos naquilo.


Ela deixou o sentimento ruim de lado, e se preocupou em ajudar com qualquer coisa que estivesse ao seu alcance, enquanto esperavam o restante do grupo.




-Ronald Weasley-


Os dias que se seguiram haviam sido tão corridos que Rony estava quase sonhando com algum lugar longe dali, onde eles pudessem continuar com seus planos. Olhou ao seu redor- o quarto estava melhor do que ele imaginava. Realmente, Hermione estava conseguindo fazer milagre, obrigando-o a se organizar. Mesmo assim, a bagunça ainda lhe dava um certo desânimo.


Ao pensar na garota, um frio incômodo tomou sua barriga. Não estava sendo tão atencioso com ela como gostaria. Claro, tinha seus motivos e suas preocupações com tudo que acontecera desde o dia do resgate de Harry, mas ela continuava o olhando cautelosamente, como se esperasse que em algum momento eles fossem ficar a sós, e poderiam enfim, conversar da mesma maneira que haviam feito antes das últimas tragédias.


Uma batida na porta fez com que ele saltasse. Antes que pensasse duas vezes, respondeu.


-Entre!


Seu coração pareceu derreter no peito quando Hermione entrou no quarto. Parecia ter tentado disfarças as olheiras mudando o penteado habitual do cabelo, mas mesmo assim parecia claro para Rony o quão exausta ela estava.


Mione!- ele sorriu para ela.


-Olá- ela sorriu fracamente de volta.- Estou atrapalhando você?


Ele se levantou bruscamente da cama, apontando um lugar para ela sentar.


-Claro que não!


A garota não seguiu para onde Rony apontava, foi paro o canto mais distante que pôde, onde ela havia esparramado algumas coisas nos últimos dias, em meio a conversas meio frias e distantes entre os dois. Bichento entrou atrás dela, antes que Rony pudesse fechar a porta.


Ele não falou nada, sabia que não precisaria comprar outra briga com a garota.


Você vai continuar organizando isso?- ele apontou para a pilha de livros.


-Se você não se importa...- ela acariciou as orelhas de Bichento, sem olhar para Rony. Pegou um dos livros, olhou o título, e deixou-o de lado. Pareceu achar melhor continuar aquilo sentada, sem olhar para o ruivo.


-Desculpe, Mione...- Rony falou sem pensar, sentando-se lentamente em sua cama.- Não queria ser tão insensível com você...


Ela parou tudo que estava fazendo, apoiou outro livro nas pernas e finalmente o encarou- aquele olhar que Rony conhecia muito bem.


-E você se refere a que momento, Ronald?- a voz fria dele, fez ele precisar engolir em seco antes de continuar.


-Esse últimos dias...- ele sacudiu a cabeça confuso, passou a mão nervosamente pelo cabelo. Hermione o observou, uma sobrancelha erguida.- Eu não queria, tá legal? Fiquei nervoso com tudo que aconteceu...Jorge...Moody...


-Eu sei!- a voz dela era quase esganiçada, ele teve a percepção de que ela poderia cair no choro a qualquer momento.- Só achei que você sabia que eu estava ao seu lado. Você poderia ter me chamado para conversar...desabafar...você meso não havia me dito que eu poderia o procurar se precisar falar sobre algo?


As orelhas dele queimaram- parecia um sermão de uma namorada/esposa, ou algo assim.


-Desculpe, Mione...eu...


-Não estou zangada com você- ela continuou o trabalho com os livros.- Só magoada! Achei que você confiava em mim!


-Eu confio!- ele precisou mexer os braços para expressar o que estava sentindo.


-Então você sabe que pode falar comigo quando estiver se sentindo assim...achando que todo o mundo está contra você.


Ela não o olhou, mas não precisava. Ele sabia exatamente o que ela queria dizer.


-Desculpe se fui grosso com você...aquele dia...- ele lembrou da raiva que sentiu, misturada com a preocupação. Não sabia porque a dúvida de Hermione sobre ele ser capaz de se defender tão bem havia o ofendido ou humilhado, na frente de todo mundo.


-Eu estava morrendo de preocupação!- os olhos muito vermelhos da garota.- Você não sabe como foi esperar você voltar sabendo como seu irmão estava! Sabendo tudo que poderia ter acontecido!


Ele não teve resposta para aquilo. Observou a garota continuar a sua organização minuciosa dos livros, enquanto ouvia o próprio coração bater nos ouvidos. Seu rosto ficou vermelho, e voltou ao normal- ele teve tempo para controlar a respiração. Hermione parecia disposta a não conversar mais.


Jogou-se na cama, bufando impaciente. Estava acostumado a ter brigas com Hermione, mesmo se considerasse que nos últimos tempos as brigas tomavam cada vez mais a conotação de um desentendimento de casal.


-Sua mãe estava exaustivamente tentando me impedir de vir até aqui...acho que ver os livros a deixou mais desconfiada...- a voz de Hermione era normal, portanto ele se sentiu à vontade para continuar a conversa, feliz de que ela estivesse desviando o assunto.


-Ela está sempre desconfiada...não se preocupe...- ele riu.


-Você foi adiante...com o seu plano...?- ela não o olhou, ele apenas arriscou um olhar para ela, levantando levemente a cabeça.


-Sim, está tudo pronto.- estufou o peito, sentindo alívio de saber que pelo menos aquilo estava resolvido.


-Foi um ótimo trabalho, sabe...- ele observou uma cor vermelha brincar nas bochechas da garota.- Não sei se eu teria uma ideia tão conveniente...


-Ei!- ele riu, não contendo a gargalhada a seguir.- Isso foi um elogio. Não foi?


Ela não respondeu, porém um sorriso bobo se instalou em seu rosto. Ele ficou a observando em silêncio, sabendo que ela só falara aquilo para deixar claro que não duvidava se duas capacidades.
- Acho que me inspirei um pouco em Olho-tonto sabe...- ele falou baixinho.


Hermione parou o que estava fazendo.


-Por que?- ela questionou, sinceramente surpresa.


-Durante nosso quarto ano não era ele mesmo que estava dando as aulas, não é? Óbvio que estava bem disfarçado, mas de certa forma...


-Hum...- ela abaixou os olhos e continuou a tarefa.- Também lembrei de algumas coisas sobre ele nos últimos dias...é incrível como só valorizamos as pessoas quando elas são tiradas de nós...


Ele a encarou, silenciosamente. Ela não tinha os olhos fixos, eles pareciam procurar algo no quarto e ao mesmo tempo não pareciam olhar nada.


-Ele sempre tentou nos ensinar algo de valor...- ela sorriu.- Porém, na minha cabeça sempre se confunde já que o nosso professor não foi realmente o Moody...


Os dois sorriram. Rony sabia que precisava colocar a desconfiança em voz alta.


-Você acha mesmo que ele morreu?- ele sussurrou.


-Rony- ela já balançava a cabeça, desacreditando que ele falava aquilo.


-Eu sei, eu sei...mas e o corpo?


Ela ficou em silêncio.


Um barulho de alguém se aproximando fez Rony pular da cama.


- Já estou arrumando! Já estou arrumando!- ele olhou para a pessoa que acabara de chegar- Ah, é você!


Parecia que alguém havia cortado a tensão permanente que havia entre eles- nos últimos tempos, estar ao lado de Hermione sempre o deixava mais alerta do que deveria. Em instantes, ele estava novamente jogado na cama.


-Oi Harry- Hermione falou calmamente, enquanto Harry se sentava ao lado de Rony.


-E como você fez pra se livrar?- o garoto retrucou, parecendo ofendido. Rony não precisou pensar muito para saber que estavam falando de sua mãe.


- A mãe do Ron esqueceu que ela tinha pedido pra Gina e eu pra mudarmos os lençóis ontem- Hermione respondeu, prontamente.


Ela jogou "Numerologia e Gramática" em uma pilha e "A ascensão e a queda das Artes das Trevas" em outra pilha.


-Estávamos conversando sobre Olho-Tonto- Rony sentiu uma necessidade incontrolável de justificar o tempo que haviam passado ali juntos.- Eu acredito que ele tenha sobrevivido.


-Mas Gui o viu sendo atingido pela Maldição da Morte-disse Harry.


-Sim, mas Gui estava sendo atacado também!- Rony respondeu, quase eufórico.- Como ele pode ter certeza do que viu?


-Mesmo se a Maldição da Morte não o acertou, Olho-Tonto ainda caiu de muitos metros de altura!- Hermione respondeu, usando seu tom de sabe-tudo, enquanto folheava "Termos do Quadribol da Inglaterra e Irlanda" que tinha em mãos.


-Ele poderia ter usado um encantamento de Escudo ...


-Fleur disse que a varinha dele voou da mão dele- Harry respondeu prontamente.


-Bom, tudo bem, se você querem que ele esteja morto- sabia que sua voz parecia mais um grunhido, mas não se importou. Ajeitou o travesseiro de uma forma mais confortável, querendo ignorar os dois.


-Claro que não queremos que ele esteja morto!- Hermione parecia chocada.-


-É péssimo que ele esteja morto! Mas estamos sendo realistas!


-Os Comensais da Morte provavelmente se organizaram para não deixar pistas, é por isso que ninguém o achou- Rony continuou, mais para ele do que para os outros.


-É- disse Harry- Como quando Bartô Crouch se transformou em um osso e se enterrou no jardim da frente do Hagrid. Eles provavelmente transfiguraram Moody e o empalharam.


Rony não ia rir, mas era mais reconfortante saber que logo estariam esquecendo aquela discussão boba. Porém, a voz de Hermione o sobressaltou.


- Não!- ela gritou. Ela não podia estar levando aquilo a sério! Harry sempre fazia aquele tipo de piada, ela não poderia estar levando ao pé da letra. Porém, ela já havia caído no choro.


- Ah não- a voz de Harry o assustou, ele observou o amigo tentando se levantar.- Hermione, eu não estava querendo chatear...


Sem precisar controlar muito o seu corpo, Rony levantou-se de um salto e em instantes estava ao lado da garota.


Não raciocinou- não era preciso cuidados idiotas naquele momento- ele apenas fez o que seu instinto mandou. Colocou um braço em volta de Hermione e com a mão livre, procurou no bolso do seu jeans o lenço- ou algo parecido com um- que havia usado para limpar o fogão mais cedo. Antes que a garota visse e ficasse mais revoltada, ele sacou a varinha e ordenou: Tergeo!
A varinha aspirou a maioria da sujeira. Ele lentamente estendeu o guardanapo/ lenço para Hermione.


- Ah... obrigada Rony... me desculpem...- Ela assoou o nariz e soluçou.- É tão ho-horrível, não? L-Logo depois de Dumbledore... Eu ap-apenas nunca imaginei Olho-Tonto morrendo, de alguma maneira, ele parecia tão forte!


-Sim, eu sei- ele falou tão baixinho, que duvidou que alguém além dele tivesse escutado. Surpreendeu-se com o fato de sua voz poder ficar tão melodiosa quando estava preocupado com Hermione. Inspirado pela fraqueza dela, apertou-lhe brevemente.- Mas você sabe o que ele nos diria se ele estivesse aqui?


Ele sentiu o corpo de Hermione reagir ao seu toque, a garota pareceu se desmanchar lentamente junto a ele.


- V-Vigilância constante.- a garota respondeu, esfregando os olhos.
-Isso mesmo- ele continuou mantendo o tom de voz calmo.- Ele nos diria para aprender com o que aconteceu com ele. E o que eu aprendi é a não confiar naquele covarde imundo do Mundungo.


Hermione deu uma gargalhada e seguiu em frente para pegar mais dois livros. Rony não se sentiu constrangido como achou que se sentiria- havia agido puramente por instinto, e sentia-se bem de ver que havia a acalmado. Afinal, ele prometera que a ajudaria. E cumpriria aquela promessa.




- Feliz Aniversário, Harry- disse Hermione, atravessando a cozinha e colocando seu presente no topo da pilha. - Não é muito, mas espero que goste. O que você deu pra ele?- ela se virou para Rony, parecendo sinceramente curiosa.
- Vamos, abra logo o presente de Hermione- Rony não a encarou.


Não queria encará-la nos olhos- ela o obrigaria a contar a verdade. E ele jamais deixaria que ela descobrisse que aquele maldito livro intitulado Doze maneiras seguras de encantar bruxas existia.
Felizmente, Harry ficou muito ocupado abrindo os presentes. Hermione arriscou olhar para Rony uma segunda vez, mas ele não correspondeu o olhar e ficou cuidando a garota com a sua visão periférica.


Eles não sentaram a mesa, pois a chegada de Madame Delacour, Fleur e Gabrielle, fez a cozinha ficar insuportavelmente lotada.


- Carrego isso pra você.- Disse Hermione prontamente, pegando os presentes de Harry enquanto os três voltavam para cima.- Estou quase pronta, só estou esperando as calças do Rony secarem...


Ele se assustou com a menção de seu nome- ainda mais perante a situação que ela o colocava. Ele precisou de alguns instantes para se dar conta de quão vergonhoso era a garota lavar suas roupas. O restante pareceu se divertir com o comentário despreocupado de Hermione.


As palavras enroladas que saíram de sua garganta jamais se formavam- ele fora interrompido pelo abrir de uma porta no primeiro andar.


- Harry poderia vir aqui por um momento?
Era Gina.


Rony pulou, mas antes que pudesse ter alguma reação maior que aquela, sentiu uma mão em seu cotovelo que o guiou para o andar de cima.


- Deixe eles conversarem!- Hermione sussurrou, enquanto se afastava da escada.


- M-mas...o que...Mione?- ele olhou para ela, curioso.- Você está me deixando tonto. Primeiro: por que você estava lavando minhas roupas?


Ela bufou impaciente.


- Ronald! Estou ajudando sua mãe em todas as tarefas caso não tenha percebido- quando ele começara a elevar a voz, ela continuou- Além do mais, estava separando algumas roupas para o caso de...


- Tá, Ok...isso não é importante...- ele não quis escutar o resto, precisava focar no mais urgente.- Segunda pergunta: você sabe o que a minha irmãzinha quer com o nosso amigo?


Hermione sorriu ironicamente para ele, e conteve uma gargalhada.


- Ah, Ronald. Francamente! Deixe os dois!


Ela já estava se virando de costas, quando ele agiu sem pensar. Dessa vez ele segurou seu cotovelo, forçando-a a encará-lo.


- Você sabe de alguma coisa...- ele sussurrou.


- Ai, você está me machucando, Ronald!- ela puxou o braço.- E o que você tem haver com isso, hein? Sua irmã já é bem grandinha para conversar com quem quiser!


- Não é disso que eu estou falando!- ele quase gritou.


Hermione parecia fora de si, mantinha os punhos cerrados do lado do corpo.


- Ah, não?- seu rosto tingia-se de vermelho.- Então deixe o seu amigo conversar com ela em paz! Eles não se viam há meses, e mesmo estando debaixo do mesmo teto mal conseguiram se falar!


Rony sentiu o peito inflar de raiva. Algo muito forte pareceu controlar seus pensamentos. A euforia que Harry e Gina sentiam quando estavam próximos, era a mesma que ele experimentava toda vez que Hermione e ele estavam sozinhos? Ele precisou sacudir a cabeça para afastar o pensamento do que os dois poderiam estar fazendo naquele quarto.


- Harry terminou com ela! Ela ficou realmente mal! Eu conheço minha irmã!


- E eu conheço os dois!- Hermione quase gritou.- Sei o quanto se gostam, e sei que...


- Não vou permitir que ele brinque com os sentimentos dela! Minha irmã não é qualquer uma!


Hermione segurou o pulso dele bruscamente.


- Harry sabe disso!- ela abaixou o tom de voz.


- Não sei se ele sabe...caso contrário, não estaria trancado naquele quarto fazendo sei-lá-o-que com ela!- ela se desvencilhou de Hermione.- Vou acabar com isso agora! Você não deveria ter me forçado a vir até aqui!


- Rony!- a voz dela foi quase um grito, mas não o impediu.


Ele não bateu na porta e nem anunciou a chegada de alguma maneira, simplesmente a empurrou o mais forte que pôde.


Porém, a cena dos dois completamente envolvidos em um beijo cinematográfico e o brusco afastamento dos dois, fez com que o rosto de Rony ficasse completamente quente.


- Ah, desculpe.- talvez ele tivesse algum tipo de ilusão de que aquilo não estaria acontecendo. Que Harry seria um cavalheiro, e não tentaria beijar sua irmã ou qualquer coisa do gênero.


- Rony!- Hermione estava logo atrás dele, parecendo um pouco sem ar. Um silêncio permaneceu sobre eles, até que Gina sussurrasse, se afastando.


- Bem, feliz aniversario, Harry.
Rony não precisava gritar na frente dela- e não queria. A garota era a vítima da situação- ela que gostava de Harry desde o começo, que vivenciara aquele amor não correspondido. E agora ele achava que poderia tratá-la como algo descartável?


Assim que soube que ela já estava longe, ele conteve toda a raiva antes de começar a gritar.


-Você tinha terminado com ela! O que estava fazendo agora se agarrando com ela por aí?


-Eu não estava me agarrando com ela por aí- Harry respondeu rapidamente, parecendo muito surpreso, enquanto Hermione tentava conter a raiva que surgia entre os dois.


-Rony...- a voz de Hermione o surpreendeu. Ela parecia realmente preocupada.


Ele levantou a mão, sinalizando para Hermione ficar em silencio.


-Ela ficou realmente arrasada quando você terminou tudo...


-Eu também. Você sabe por que eu terminei, e não é porque eu queria!


-É ..mas você agora fica de beijos e abraços, renovando as esperanças da minha irmã!


-Ela não é idiota, ela sabe que isso não pode acontecer...ela também não está esperando a gente... se casar ou.


-Se você não pára de se atracar com Gina toda vez que tem a chance..


-Não vai acontecer de novo!- Harry respondeu, parecendo rouco.- Ok?


Rony tentou conter a raiva, parecendo mais envergonhado que nunca.


Balançou-se nos pés pra frente e para trás por um momento e finalizou.


-Certo..então..bem é isso...ok.


Não queria falar mais nada. Aquilo estava sendo muito constrangedor.




Ele abriu os olhos lentamente, sem querer acordar por inteiro. De maneira instintiva, moveu o braço para o espaço ao lado, procurando o ser que havia povoado seus sonhos durante toda a noite.


Abriu os olhos bruscamente, encontrando apenas ao escuro, ao se dar conta de que estava sozinho na cama. Suspirou pesadamente- aquilo estava acontecendo com frequência nos últimos tempos. Ficar longe de Hermione doía fisicamente e acordar sozinho, naquela cama gelada do outro lado, com as cobertas perfeitamente intocadas, fazia com que se sentisse mais e mais solitário.


Lembrou claramente do sonho que havia tido naquela noite- muito parecido com outros que havia ocorrido naquela mesma semana. Passou a mão nervosamente pelos cabelos, deixando um sorriso apontar para a escuridão diante de si- mesmo que o sonho tivesse sido maravilhoso, certamente não fazia jus a Hermione ao vivo e a cores que naquele momento deveria estar em segura em sua cama de colunas, em Hogwarts.


Ele olhou o despertador na cabeceira da cama- ainda lhe restavam quatro minutos antes que o alarme tocasse. Ele apertou o botão sem pensar duas vezes, levantando-se da cama, indo ás cegas para o banheiro. Precisava tomar um banho, vestir-se e ir para a o Ministério. Mas principalmente- precisava afastar aquele sonho vívido com Hermione da sua cabeça, se não quisesse estuporar alguém por engano novamente.


Desde o feriado de Natal estavam apenas passando o tempo dos finais de semana juntos- na maioria das vezes, ele ia até Hogwarts e precisava lidar com as risadinhas e piadinhas de alguns alunos. Harry também era presença constante, e os dois não se importavam com os comentários de Neville de que poderiam se tornar professores de lá.


A sala comunal da Grifinória parecia uma extensão de seu apartamento, porém nos últimos tempos, ele, Hermione, Gina e Harry passavam mais tempo na cabana de Hagrid e em Hogsmeade, fugindo do barulho e alunos empolgados.


Hermione, pela primeira vez na vida, estava contando os dias que faltavam para o início do ano letivo- e não para se organizar para as provas, mas porque estava incrivelmente atarefada com todo o trabalho de "madrinha". Afirmava a todo o momento que Gina não precisava se preocupar, pois assim que as aulas acabassem ela tiraria a medida para o vestido e a ajudaria com todo o resto. As duas adoravam entrar no papo "onde Harry e Gina iriam passar a lua de mel", e Harry e Rony simplesmente se esquivavam nessa parta da conversa, e fingiam estar comentando algum jogo de quadribol.


Ele mesmo brincava com Harry que o amigo estava o fazendo pagar os pecados, tendo escolhido ele e Hermione para padrinhos de casamento. Harry apenas ria, e dizia que jamais pensara em outra pessoa.


Rony terminou de tomar seu café silenciosamente, quase empurrando o último pedaço de pão goela abaixo, quando visualizou o calendário enfeitiçado no canto da cozinha: faltava pouco agora!


Será que ele contava o tempo para o casamento do melhor amigo e de sua irmã mais nova? Ou será que ele contava o tempo para o final do ano letivo de sua namorada? Ou principalmente, o tempo que faltava para Hermione vir morar de vez no apartamento que ele planejara desde o começo que fosse dos dois?


O tempo voara, felizmente, e ele não notara. Ele olhou o relógio, virou a xícara de café e tateou a procura de sua pasta. Bufou impaciente, e gritou Accio!


Saiu porta a fora, já mentalizando o caminho que deveria tomar para estar em um lugar seguro para aparatar.


Logo aquela rotina estaria terminada- Hermione estaria ao lado dele. Para sempre.


-Hermione Granger-


Aquela café da manhã fora mais tumultuado do que ela planejara. Luna, sempre quieta, parecia estar vivenciando o sentimento de ansiedade pela primeira vez na vida.


-Eles insistiram em marcar as provas no mesmo dia!- Gina parecia prestes a arrancar os cabelos.- Eu achei que daria tempo de treinar mais um pouco no campo hoje à noite!


-Desista, Gina!- Hermione apoiou o rosto na mão.- Estamos cheias de compromissos.


-Isso logo vai acabar.- Luna falou simplesmente, seu copo de suco ainda intocado diante dela.


-Sim! Felizmente- Gina tirou a mão dos cabelos,e alinhou a roupa.- Nunca achei que o último ano fosse me enlouquecer.


-Não estou enlouquecida.- Luna falou baixinho. Hermione segurou a risada, parecia quase irônico escutar aquilo de Luna.- Só fico triste de saber que nunca mais estaremos aqui como estudantes...


Hermione parou e olhou para o teto, enquanto mastigava o restante do seu café da manhã.


-Pensei muito nisso nesses últimos meses...- ela sussurrou.


-Luna...não entendo você...você parece estar preocupada...mas ao mesmo tempo mantém a cabeça no lugar.


-Não adianta se estressar, Gina.- ela arregalou os olhos, falando em um tom mais monótono que o habitual.- Ter feito tantas disciplinas juntas nesse ano certamente me ajudou a ter mais controle.


Hermione sentiu pena de Luna- devido a todos os acontecimentos do ano anterior, a garota vivenciara carga dobrada de estudos devido a todas as matérias que perdera devido ao sequestro. Porém, era melhor do que repetir todo o ano.


-Você realmente se esforçou esse ano, Luna.- Hermione sorriu.


-Obrigada.- a garota lhe dirigiu um olhar vidrado característico.- Falando em esforço, quando teremos o resultado dos N.I.E.M's?


Hermione sentiu o corpo congelar. Viu o olhar de Gina se focar nela, parecendo imensamente preocupada.


Mas ela não iria surtar- não daquela vez. Já havia tido sua cota de ansiedade na época dos N.O.M's, e não adiantara de nada. Ela havia visto que notas não refletiam em nada o conhecimento obtido, e aprendera com Rony no dia após dia a não se preocupar tanto com o desempenho acadêmico. Os testes estavam começando naqueles dias,e ela precisava manter a calma.


Haviam tantas coisas importantes para se preocupar- a saudade que sentia do namorado naquele momento, a pilha de pergaminhos que estava preenchendo para a vaga que queria no Ministério, os planos para realizar uma surpresa para Harry e Gina no dia do casamento, o presente dos dois que ela ainda precisava providenciar...a vida que esperava Rony e ela quando Hogwarts terminasse.


Enfim.. tudo aquilo ocupava muito espaço em seu coração e mente. Além do mais, ela sabia que fizera o seu melhor estudando exaustivamente nas últimas semanas, inclusive obrigando Harry e Rony a jogarem Quadribol no sábado à tarde para que ela pudesse revisar a matéria. Tudo iria dar certo.


O que mais a preocupava- e a deixava ansiosa, querendo que o tempo voasse- era os planos que tinha ao lado de Rony. Nunca ficara tão eufórica em toda a sua vida- nem em seu primeiro dia de aula.


Gina ainda a olhava, a boca aberta e os olhos arregalados, enquanto a mesa ao redor deles se esvaziava. Hermione terminou o suco, controlando o tremor em sua mão. Mirou as amigas, enquanto colocava a mochila nos ombros.


-Acredito que ainda receberemos o resultado aqui em Hogwarts, não?- ela controlou a voz.


Será que ficaria nervosa com testes, mesmo depois de todo aquele tempo?


-Mione, você está bem?- Gina também se levantou e se posicionou ao lado da amiga.- Você não está piscando!


-Estou bem!- ela tremeu de leve.- Não vou me estressar dessa vez!


Luna e Gina ficaram paradas, encarando-a.


-Perto do que passamos, os N.I.E.M's vão ser fáceis!- sua voz falhou, enquanto seu peito subia e descia, e ela tentava controlar a respiração.


-Calma, Mione- Gina alcançou seu ombro.- Você não precisa tentar aparentar essa serenidade toda...todas nós estamos ansiosas..e nervosas...


Ela olhou para Luna, que afirmou com a cabeça. Gina não pareceu muito feliz com a ajuda da colega.


-É verdade, Hermione.- ela remexeu na bolsa por um instante e pareceu achar algo que a interessa.- Toma!


Ela estendeu a mão para a garota, que prontamente segurou o que ela estava lhe dando.


-O que é isso, Luna?- ela analisou o pequeno pacotinho perfumado que agora tinha em mãos.


A Corvinal pareceu imensamente surpresa.


-Vocês não conhecem?


Gina se afastou um pouco, olhando para a mão de Hermione com mais calma.


-Não!- ambas responderam.


-É um amuleto de algas dos sereianos.- Luna respondeu simplesmente.- Dizem que podem lhe trazer toda a serenidade do mar se você o cheirar.


Hermione o cheirou mais de perto, e conteve a coceira no nariz, disfarçando enquanto Luna sorria para ela.


-Pode ficar, tenho vários iguais a esse.- ela já estava se afastando da mesa.- Vai lhe ajudar a ficar calma.


Gina olhou para Hermione, dividida entre a vontade de rir e de não perder a piada.


Luna já estava perdida em pensamentos, caminhando em direção a saída do salão principal, alcançando a varinha que estava detrás de sua orelha.


-Ótimo presente.- Gina riu.


-Sim- Hermione a acompanhou.- Será que Luna já ouviu falar em maremotos? Ou ondas gigantes? Por que certamente eu não quero essa serenidade durante as provas!


As duas riram e Gina apontou para o amuleto.


-Você falou exatamente o que o Rony diria se estivesse aqui...Guarda isso, deixa pra lá.- ela começou a caminhar, Hermione a acompanhou.- Ela faz isso achando que está ajudando, sabe...a Luna.


-Sei- Hermione cheirou mais uma vez o presente, rindo internamente, pensando em mostrar para o Rony quando estivessem juntos, em apenas alguns dias.


Quando chegou à porta do salão principal ela parou. Gina, apenas alguns passos de distância, chamou sua atenção.


-O que foi, Hermione?- ela perguntou cautelosa.


Hermione olhou para a amiga e depois novamente para o salão- o teto encantado, as mesas quase vazias, a mesa dos professores ao fundo, as velas e os vitrais. Não conteve um suspiro. Será que já parara para apreciar a beleza daquele lugar antes? Será que antes da destruição da Guerra ele era exatamente daquele jeito? Ela apertou o amuleto que Luna lhe dera na palma da mão, entendendo a amiga mais do que nunca.


-Nada, vamos...


As duas começaram a andar em direção a sala de aula, Hermione arriscando um olhar pelas janelas de vez em quando, admirando os jardins que aos poucos se tingiam de novas cores. Alguns alunos dos primeiros anos jogados na grama, aproveitando o sol...outros competindo entre si em alguma espécie de jogo.


Ela observou até os corredores escuros e as armaduras que sempre rangiam...o contraste das cores dos uniformes nas vestes pretas...observou a tudo e a todos, enquanto era tomava fortemente por uma sensação de despedida...como se fosse sua última chance de olhar tudo aquilo...de reparar e tudo aquilo...


-Mione?- Gina a puxou pela veste, cautelosamente.- Chegamos...


A sala da primeira prova que realizaria do N.I.E.M era completamente diferente- pronta para avaliação teórica e posteriormente prática. Lembrou de seus N.O.M's, no salão principal, lotado de alunos.


Agora restavam tão poucos...cabiam naquela sala comum...


Ela nunca havia reparado que todos os dias consistiam em uma despedida...em algo que não voltaria...será que ela sentiria novamente aquela euforia de véspera de prova? E posteriormente poderia desfrutar de longas horas em frente à lareira na sala comunal?


Ela suspirou antes de entrar na sala, os olhos de Gina preocupados.


-Você tem certeza de que está bem?- a amiga perguntou, o tom de voz extremamente preocupada.


-Estou ótima!- ela falou, sem tremer a voz.


Aquilo era o próximo passo- a primeira, das últimas provas que enfrentaria no castelo. Tinha um sabor de despedida...misturado com a felicidade de saber que algo muito melhor a esperava.


N/A: 


Fiquei surpresa ao ver comentários de vocês preocupados comigo! Nossa, muito obrigada pela preocupação pessoal =D Eu realmente estava num período conturbado da minha vida- ainda tô correndo que nem louca, mas aos poucos tudo acalmou! É muito bom chegar aqui p/ postar capítulo novo e ver todos vocês não só torcendo pela fic, mas querendo notícias minhas! OBRIGADA!!!


Não sei se adianta justificar a minha demora- sinto muito mesmo! Eu sei como é ler uma fic e repentinamente o autor sumir e deixar aquela história solta! Prometo que não é o que vai acontecer aqui! Não desisti da história! Apenas não acho justo com vocês postar qualquer coisa apenas p/ ter capítulo novo on! A história continua conforme estava na minha cabeça há anos :)


Enfim, TCC e estágios estão roubando o meu tempo mas tudo acalmará em questão de algumas semanas! O que resta para mim? Pedir desculpas pela demora e repetir (já é até redundância) que são vocês que fazem a fic ser o que ela é!


MIL VEZES OBRIGADA!!!


 


 


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Comentários: 3

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Enviado por mariapaulann4 em 21/12/2011

não para de postar não, é muito linda. Todo dia eu entro aqui pra ver se tem capitulo novo, mas nunca tem =/ Não abandona a fic não. É boa demais. To louca pra ver as memorias de reliquias da morte. :}

Nota: 5

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Enviado por anna domingues em 04/10/2011

começei a ler esses dias, e mal posso esperar pelo próximo capítulo :) 

Nota: 5

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Enviado por Eliana de Albuquerque Lima em 05/09/2011

Por favor posta logo. Bjos

Nota: 5

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