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19. Decisão


Fic: In Aeternum


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Capítulo 19- Decisão


 


-Hermione Granger-


Hermione fitava as brasas ainda restantes na lareira. Sentia os olhos muito inchados e uma sensação desconfortável em todo o seu corpo, como se tivesse acabado de se recuperar de uma gripe.


Vozes pareciam gritar dentro de sua cabeça. Ela nunca havia se sentido tão fora de si- parecia estar interagindo apenas com o seu interior. Ela não conseguiria explicar, por exemplo, por que permanecia na vazia e silenciosa sala comunal, enquanto todos já estavam dormindo.


Ela lembrava de ter voltado até o buraco do retrato, caminhando mais lentamente do que o necessário. Parecia não se importar com monitores vagando pelos corredores ou quebra de regras. Ele ficou ao seu lado o tempo inteiro- mesmo que não tivesse mais falado nada desde que haviam saído da sala de Astronomia. Mais uma lembrança horrível que ficaria marcada naquele lugar. Parecia que aquela Torre era fadada a vivenciar situações extremas, que mudavam o futuro dos envolvidos.


Ela relembrou o sentimento horrível de vergonha que se apoderou dela ao caminhar ao lado de Rony. Mesmo que ela tentasse prolongar ao máximo aquela caminhada, ele não parecia disposto a recomeçar um diálogo. Ela segurava as lágrimas bravamente, como já fizera diversas vezes na frente dele.


Porém, ele parecia diferente. Completamente mudado. Não era mais o mesmo Ronald Weasley. Por que, afinal, ele havia começado com aquela conversa? Para que montar uma cena romântica perfeita, com um encontro numa sala de aula vazia, apenas para fazê-la desmoronar no instante seguinte?


Será que Rony não entendia o que tudo aquilo significava para ela? Será que ele não podia voltar atrás, dizer que entendia tudo que haviam passado e compreender que um término no relacionamento deles não traria nada de positivo?


 


“- Eu nunca pensei que isso fosse acontecer...- ela tinha a voz embargada- Não depois de tudo que passamos para chegar até aqui...


- Eu sei...sinto muito...Só quero o melhor...”


 


Hermione fechou o punho fortemente ao lembrar que Rony também tinha lágrimas nos olhos enquanto conversavam. Sabia que ele estava indo contra qualquer idéia lógica. Como a distância poderia ajudar o relacionamento deles? Principalmente, quando já estavam brigando por qualquer motivo idiota que aparecia na frente?


Gina e Harry pareceram não se importar muito ao verem os dois amigos entrando na sala comunal. Hermione desconfiava que ambos continuavam em sua discussão sobre a confiança de Harry no Professor Gareth.


Ela suspirou, Gina apenas havia a perguntando se ela estava bem. Respondendo que sim, e que contaria a história para ela quando os garotos não estivessem presentes. A ruiva anunciara que estava cansada e que iria dormir.


Claro, ela tinha seus problemas. Ela e Harry também estavam enfrentando algo diferente, divergências de opiniões. Mas Hermione tinha certeza de que ambos acordariam renovados no outro dia, e até a hora da despedida, quando Rony e Harry voltariam a Londres, eles já teriam voltado a ser o casal de sempre.


Harry parecia ter sentido que havia algo errado com ela. A mágoa de Hermione era tamanha, que ela desviou o olhar quando o amigo a encarou. A expressão no rosto do garoto exigia uma explicação sobre ela e Rony. Ela não queria ter de reviver tudo aquilo naquela noite. Fez o mais covarde, mas o que lhe pareceu mais certo- e evitou falar com qualquer um.


Ficou refugiada no dormitório tempo suficiente para deixar mais lágrimas caírem. Gina não se moveu em seu sono quando Hermione saiu pisando leve do dormitório horas depois, quando a luz forte da lua entrava pela janela ao lado de sua cama.


Descer aquelas escadas frias, rumo à vazia sala comunal, fez seu coração se encher de uma dor maior. Aquele lugar era cheio de recordações, e tudo que olhava lembrava Rony.


As conversas na frente da lareira... Todas as longas noites em que ficara esparramada em alguma mesa fazendo um dever que ele não conseguira terminar sozinho... Os olhares que haviam trocado depois de suas brigas- cheios de significados, que mostravam informações suficientes para os dois, mesmo que ambos não tivessem coragem de dar o próximo passo.


Quando ela perdera tudo isso? Desde quando aquela era a melhor solução?


Ela não sabia que horas eram, e a depressão a invadiu mais ainda ao pensar no domingo que se arrastava perante ela. O que Rony faria no dia seguinte? Agiria normalmente, conversando com ela como se nada tivesse acontecido? Contaria a Harry a conversa que haviam tido e ambos iriam embora antes do horário do almoço?


Pensar em tudo aquilo lhe causava pânico. Ela lembrou de outros momentos, em que brigada com Rony chegara a pensar que nunca passaria por algo pior.


Mas ter começado um relacionamento com ele, saber tudo que haviam vivido até então, e ter repentinamente tudo isso arrancado de si, era pior do que qualquer coisa.


Parecia ridículo lembrar dos momentos dos dois na Sala Precisa, da visita que ambos haviam feito semanas antes aos seus pais, a maneira com que Rony parecia se encaixar no mundo trouxa. Parecia hipócrita querer voltar no tempo e entender o que poderia ter sido feito para mudar o desfecho da situação.


Hermione começou a caminhar de um lado para o outro, passando os braços ao redor de si, tentando espantar o frio. Apertou o roupão fortemente em seu corpo e soltou os cabelos do coque que havia feito, espalhando-os sobre seus ombros.


Horas antes ela era a namorada de Ronald Weasley, algo que sonhara desde seus primeiros anos naquela escola. E agora, graças a seus gritos e escândalos, argumentando o quanto imaturo ele era, ele estava lhe dando a melhor resposta que podia e tentando mostrar o quão maduro era.


E a escolha estava na mão dela. Ele queria que ela sofresse, ela tinha certeza disso. Ele estava fazendo uma espécie de terrorismo psicológico para que ela se sentisse culpada por todas as brigas? Ou será que ela era tão desequilibrada ao ponto de sempre querer colocar a culpa nele?


Repentinamente, muitas coisas ficaram claras em sua mente. Ambos eram o problema. Rony podia ser imaturo, ciumento e ter mais de mil defeitos. Mas ela também não estava fazendo tudo o que podia para manter o relacionamento saudável.


Ela passou a mão ansiosamente pelos cabelos, deixando escapar um lamento. O que ela podia fazer? Esperar Rony acordar e pular em seus braços, implorando para que ele não terminasse o namoro?


Não era uma situação em que havia algo formal- um pedido ou algo assim. Tudo acontecera da maneira mais natural possível. Talvez os anos de ansiedade por não poderem revelar o que sentia, tivesse tornado as coisas mais impulsivas do que deveriam ser.


Hermione sentiu o rosto corar ao lembrar de como o deixara ir longe demais logo no começo. Como haviam deixado o instinto e o desejo os guiarem, antes mesmo de se darem conta do que estava acontecendo.


Ela se sentiu suja, se sentiu idiota. Por que aqueles detalhes que pareciam tão lindos e românticos na história deles, agora eram motivo de raiva e indignação?


Ela não deveria se sentir usada. Rony não estava manipulando a situação. Ela precisava acreditar nele, pelo menos aquela vez.


Ela começou a fazer o caminho de volta para o dormitório, mesmo sabendo que não conseguiria dormir. Era tudo tão mais simples quando o maior sofrimento dela era a saudade que sentiria enquanto ele estivesse longe durante a semana e a maior preocupação seriam os planos para onde passariam o próximo Natal.


Ela se deitou, colocando o travesseiro sobre a cabeça, como se aquilo fosse aliviar as vozes insistentes que gritavam para ela o quanto aquilo era ridículo. Não precisava ser tão difícil. Ela estava complicando as coisas.


Ela não sabia dizer se havia adormecido, ou se sua mente havia pregado peças suficientes para deixá-la confusa. Com o tempo, ela pareceu se deixar vencer pelo cansaço, enquanto imagens insistentes da conversa anterior com Rony voltavam a sua mente. Então ela virava o corpo para o outro lado da cama, tentando fazer com que sumissem. Mas aquilo se repetiu pelo resto da madrugada. Quando o sol preguiçosamente se entendeu, deixando um rastro de luz sobre as cobertas de sua cama, ela puxou as cortinas ao redor de si, sentindo-se mais cansada do que nunca. Mais acordada do que nunca. Mais magoada do que nunca.


 


Flashback


 


Certamente aquele fora o pior Natal de sua vida. Não apenas por imaginar Harry, Rony e Gina na Toca, abrindo seus presentes e aproveitando o delicioso jantar preparado pela Sra. Weasley, mas por saber que a volta à Hogwarts seria pior do que sua partida.


Não falava com Rony há muito tempo, e mal conseguira se despedir de Harry. Certamente a frieza do retorno seria pior, e ela teria que voltar a rotina de fugir de qualquer aproximação de Lilá Brown, a não ser que desenvolvesse durante o feriado uma personalidade psicopata e um desejo insaciável pela auto-destruição.


- Querida, você pode me ajudar com a mesa?


A voz de sua mãe a fez voltar para a realidade.


- Claro- ela falou de volta, surpreendendo-se com sua voz fraca, certa de que sua mãe não escutara.


- Você está cheia de trabalhos esse feriado! Não lembro de você ter passado tanto tempo estudando- sua mãe já estava com o cabelo milimetricamente arrumado, e colocava taças e talheres na mesa animadamente.- Você tem mais alguma prova importante esse ano? Algo parecido com aqueles Oms algumas coisa...?


- N.O.M´s mãe...e não...- ela terminou de colocar os pratos e buscou os candelabros que estavam em cima do balcão.- Não tenho nenhuma prova parecida. Só não quero me atrasar com o conteúdo.


- Como se isso fosse acontecer!- sua mãe terminou de dobrar os guardanapos e olhou para ela.- Posso não entender nem mesmo uma palavra dos seus livros da escola, mas entendo perfeitamente bem que suas notas são ótimas.


Hermione sorriu fracamente de volta. A Sra. Granger apertou levemente o ombro da filha.


- Você tem falado muito pouco, querida. Há algo errado...?


- Mãe, eu...


- Você normalmente tem muitas novidades sobre Harry e Rony...- a mãe levantou uma sobrancelha.


Hermione desviou o olhar e fingiu alinhar melhor o enfeite de centro da mesa.


- Apenas não há nada demais para contar. Eles estão ótimos....sem novidades.


Não conseguia esconder nada de sua mãe. E ela sabia que certamente não era por que a diminuição de viagens de coruja a casa haviam chamado a atenção dela. Ela sabia o que acontecia com a filha.


- Hermione-


- Ora, mas já está tudo pronto!- o pai de Hermione estava parado do lado de fora, tentando espiar para dentro da sala. A garota suspirou aliviada, podendo fugir da conversa com sua mãe.


- O restante está na cozinha.- a Sra. Granger sorriu para o marido.- E nem pense em dar mais um passo com essas botas imundas.


Hermione virou de costas para os pais e foi para o seu quarto, talvez pudesse usar a desculpa de que iria escolher uma roupa para o jantar a noite.


- Onde você tem ido pescar? Estou começando a achar que os lagos viraram verdadeiros banhados...


Ela tentou ignorar a voz de sua mãe. Sabia que ela não estava verdadeiramente brava, apenas tentando impor limites no seu pai.


- Pode deixar que eu lavarei a minha roupa, querida.- a voz de seu pai era divertida.


Hermione fechou a porta do quarto atrás de si, escutando a risada exuberante de sua mãe.


- Há! Mas eu terei de lavar tudo de novo mesmo, então...


Ela procurou pelo seu guarda-roupa algo para vestir, enquanto tentava entender como os dias haviam repentinamente se tornado tão longos agora que não tinha notícias dos garotos.


Ela trincou os dentes ao imaginar quantas cartas Lilá estava mandando para Rony, e quanto tempo ele estava gastando para respondê-las. A raiva a tomou novamente, e ela agradeceu por não estar com sua varinha em mãos, já que sua mente encheu-se de pensamentos homicidas relacionados ao mais novo dos Weasley.


Aparentemente, aquela raiva não iria passar tão cedo.


 


(...)


Como ela previra, o descanso teórico do feriado de Natal não foi aproveitado como deveria, e logo ela se viu retornando para Hogwarts, tentando descobrir a nova senha para a entrada da Torre, conversando o mais animadamente que pôde com Hagrid e tentando lembrar claramente todas as regras de comportamentos que deveria ser tomadas diante de um Hipogrifo.


- Ele está ótimo, Hagrid! Fico feliz que possa cuidar dele...


Bicuço se curvou para ela, em sinal de respeito. Ela deu dois passos em direção ao animal e lhe deu leves tapinhas no pescoço cheio de penas.


- Ele está ótimo, mesmo!- Hagrid parecia deixar o bicho parecendo menor quando se postava ao lado dele. - Os garotos já voltaram?


Mais uma pessoa a quem ela deveria esconder o verdadeiro motivo de seu afastamento.


Quando encontrou os garotos e Gina, parados na frente do quadro da Mulher Gorda, ela reuniu toda a sua coragem e fingiu agir normalmente, citando a visita à Hagrid. Fez questão de cumprimentar apenas a amiga e Harry, sem citar o nome de Rony.


-Tiveram um bom Natal?- ela disfarçou a raiva ao ver aquele maldito cabelo ruivo e seu dono parados ali, fingido que nada acontecera nas últimas semanas.


- Sim- Rony parecia ansioso para responder a sua pergunta. Hermione manteve a postura.- Cheio de eventos, Rufus Scrim—


-Tenho uma coisa pra você, Harry- a desculpa perfeita para evitar interação qualquer com Ronald estava em seu bolso. Ela guardara o recado para o momento perfeito.- Ah, esperem... a senha! Abstinência!


- Precisamente! disse a Mulher Gorda, e moveu-se revelando a passagem.


-O que houve com ela?- perguntou Harry.


- Animação do Natal, aparentemente- disse Hermione, enquanto liderava o caminho para a sala comunal.- Ela e Violeta beberam todo o vinho naquele quadro dos monges bêbados no corredor de Feitiços. De qualquer forma...


Ela meteu a mão em seu bolso e puxou um pedaço de pergaminho contendo a letra de Dumbledore.


- Ótimo- disse Harry, desenrolando o pergaminho. -Eu tenho muita coisa para contar a ele – e para vocês. Vamos nos sentar...


Mas neste momento, ouviu-se alguém dizendo “Won-Won” e Lilá Brown veio correndo e jogou-se nos braços de Rony.


O estômago de Hermione revirou e uma luz acendeu-se dentro de sua cabeça. Deveria continuar fingido que nada acontecera.


 As pessoas que estavam por perto deram risinhos. Ela as imitou, mesmo que tenha ficado com a sensação de que seus músculos faciais não queriam obedecê-la.


- Há uma mesa logo ali. Você vem...Gina?- a garota controlou a voz, agradecendo a maneira sutil com que Harry reagia quando percebia que ela não estava à vontade.


- Não, obrigada. Marquei de encontrar Dino.- a voz desapontada de Gina fez Hermione ter certeza que a garota estava querendo voltar à ativa. Ela sabia que a garota nunca desistira verdadeiramente de Harry. E considerando que para Hermione, estava muito claro que o garoto estava nutrindo algum tipo de sentimento diferente pela irmã mais nova de Rony, com certeza Gina havia percebido a diferença também. E ela sabia que a amiga não era nem um pouco lenta para decidir o que faria depois de saber que a desconfiança era verdade.


Hermione tentou não olhar para Rony, mas infelizmente sua visão periférica lhe deixava perceber que ele e Lilá estavam mais empolgados do que o habitual. Ela tinha vontade de gritar para os dois que deixassem aquilo para quando estivessem a sós. Ela não era a única que se importava em presenciar tamanha cena ridícula, era?


- Então, como foi o Natal?- Harry questionou, cauteloso.


- Ah, bom- ela controlou a voz, e tentou mirar os olhos de Harry.- Nada de especial. Como foi na casa do Won-Won?


Ela podia usar aquele tom de deboche. Harry sabia muito bem como ela estava se sentindo, considerando os olhares dele toda vez que Gina e Dino estavam juntos no mesmo ambiente que ele.


- Conto para você em um minuto- Harry continuou. -Olha, Hermione, você não poderia...


A voz calma dele quase a tirou do sério. Ela sabia que ele a forçaria a voltar a falar com Rony.


- Não, não posso- respondeu secamente- Portanto não precisa nem pedir.


- Pensei que, você sabe, com o Natal...- nenhum argumento que ele usasse serviria.


 


- Foi a Mulher Gorda que bebeu um galão de vinho de 500 anos, e não eu.- ela queria dar o assunto por encerrado. Harry sabia que ela não daria o braço a torcer. Ele que não insistisse. - Então, quais são as novidades importantes que você tem para me dizer?


 


- Ronald Weasley-


 


Ele sabia o que precisava fazer para voltar a falar com Hermione. Sabia o que era necessário para que voltassem a ser amigos, e talvez se ele não fosse tão orgulhoso conseguiriam continuar de onde tinham parado.


A proximidade de Hermione fez sua mão suar. Aquilo certamente não o estava ajudando já que ele precisava assinar seu nome para o Teste de Aparatação.


Ele tentou olhar para Hermione novamente, já que a garota continuava fingindo que ele não existia, mas quando ele tentou levantar a cabeça, duas mãos taparam seus olhos.


Algo no seu estômago despencou. Ele estava começando a odiar Lilá. Ela conseguia ser desagradável nos piores momentos, e ele não estava com paciência para aquilo.


- Adivinha quem é, Won-Won?!


Ele não tinha vergonha de ter Harry assistindo a cena. Mas Hermione por outro lado....


Ele tirou as mãos da garota de seus olhos e se virou para encará-la. Pelo canto do olho viu Hermione se afastando. Ele sabia que seria assim, e cada vez pior se ele não fizesse nada para mudar a situação em que estava.


- Oi, Lilá...- ele largou aos mãos dela.- Sinto muito, estou com pressa. Preciso combinar algo com Harry...


Ele saiu quase correndo de perto da garota. Ele percebeu que a deixara completamente perdida, mas não se importou.


Quando ele alcançou Hermione e Harry, suas orelhas vermelhas o denunciavam. Ele viu Hermione arriscar um olhar e não se importou em esconder seu rosto irritado. Queria que a garota percebesse o quanto Lilá estava o tirando do sério. Porém, sem falar nada, Hermione se apressou para acompanhar Neville.


- Então, aparatação- ele continuou olhando as costas da garota. Talvez ele precisasse fazer algo mais do que apenas deixar Lilá falando sozinha, para que Hermione voltasse a perceber que ele existia.- Deve ser moleza, né?


Perto das tentativas frustradas de fazer Hermione voltar a falar com ele, aparatação certamente seria moleza.


 


(...)


- Hermione Granger-


Hermione decidiu que não ficaria mais deitada. Ninguém em seu dormitório havia levantado, mas permanecer naquele lugar só estava a deixando mais ansiosa.


Ela encontrou poucas pessoas na sala comunal. Felizmente, seu humor parecia estar mais estável à medida que o sol avançava mais sobre a sala fria e quando ela avistou Harry ao pé da escada, foi quase com alívio que ela se dirigiu a ele.


- Acho que deveríamos ter continuado a dormir aqui em baixo.- ele passou a mão pelo pescoço, parecendo dolorido.- O dormitório pareceu muito menor com apenas duas pessoas a mais.


- Achei que ficariam mais confortáveis. Por que não ficaram aqui se...?


- Rony achou melhor.- Harry deu de ombros.- Usou a desculpa de que seus roncos deveriam ficar mais altos na sala comunal do que no dormitório. Mas isso me pareceu algo muito idiota.


- Completamente idiota.- Hermione tentou desviar o olhar, parecendo entender o por que da idéia de Rony de querer ir para o dormitório.


- O que aconteceu, Hermione?- Harry cruzou os braços, caminhando ao lado da garota até próximo à saída do retrato.


- Por que você acha que isso tem algo a ver comigo?- ela respondeu, defensivamente. Harry conseguira transformar sua quase calma em raiva novamente.


- Por que depois de tantos anos eu vi que sempre quando você e Rony agem irracionalmente, sempre tem relação com alguma briga prévia. Estou errado?


Ele bloqueou a frente de Hermione, como se a garota repentinamente quisesse fugir da conversa.


- Eu estou achando que Rony quis se refugiar no dormitório.


- Eu concordo com você.- ela desviou o olhar e mirou a saída.- Eu estou indo tomar café da manhã. Se você não continuar bloqueando meu caminho, Harry Potter.


Ele pareceu assustado e deu passagem à garota. Quando ela achou que estaria sozinha, ouviu passos apressados atrás de si.


- E você quer que eu acredite que seu mau humor também é coincidência?


- Você está tentando me tirar do sério, não está?- ela apertou fortemente a varinha, para que Harry entendesse que ela não estava brincando.


- Hermione...


Ela continuou fugindo dele, principalmente a partir do momento em que sentiu que não conseguiria manter a compostura por mais tempo.


- Você não vai esperar Gina para o café da manhã?- Hermione sentou-se a mesa da Grifinória, tentando manter a voz calma enquanto apanhava um copo de suco.


- Hermione, você pode me explicar o que aconteceu? Você não consegue esconder tão bem assim esse seu rosto inchado.


Ela olhou para ele rapidamente, sentindo-se ofendida.


- Isso faz com que eu me sinta muito melhor, Harry Potter. Obrigada.


- Achei que vocês ficariam bem depois que conversassem.


- E nós estamos bem...muito bem por sinal.- ela tomou um gole de suco e puxou alguns pãezinhos para perto, sem entender por que estava fazendo aquilo, já que estava sem fome alguma.


- Hermione...- Harry já estava começando a ficar impaciente, e sua voz já começava a se alterar.


Hermione suspirou e olhou para ele, contendo cada sentimento que tentou pular para fora.


- Ele terminou comigo, Harry.- ela quase não conseguiu terminar a frase. Começou a passar geléia furiosamente no pãozinho que tinha em mãos.


Harry olhou ao redor como se aquilo fosse uma piada.


- Como assim...terminou?


- Terminou.- ela deu de ombros.- Pediu um tempo....quer que nos afastemos um pouco...quer alguns dias para pensar com calma...ou seja, como você quiser chamar.


- Eu não estou entendendo- Harry procurou a jarra de suco às cegas.- Foi por causa daquela briga idiota...?


- Aparentemente, diversos motivos o levaram a essa decisão.- ela bateu a faca fortemente na mesa, fazendo Harry se sobressaltar.- Mas caso você descubra como funciona a cabeça do seu amigo, por favor me avise pois eu aparentemente tenho falhado em todas as minhas tentativas.


- Hermione...- Harry abaixou a voz.- Você não precisa ficar agressiva para esconder sua tristeza. Você pode conversar comigo e-


- Obrigada, Harry...mas sabe?- ela levantou da mesa, deixando os pãezinhos intocados no prato diante de si.- Talvez o Rony tenha razão em querer dar um tempo nesse relacionamento.


- Hermione, você não consegue me enganar com essa sua raiva toda. Eu sei o quanto você está magoada...


Ele parou de falar quando viu as pessoas que estavam entrando no salão. Luna e Rony conversavam e Gina ao lado dos dois, arriscou um olhar ansioso para Hermione e Harry. A garota permanecia de pé e olhou rapidamente por cima do ombro para ver quem Harry observava.


- Até mais, Harry.- ela sumiu antes que o garoto pudesse falar mais alguma coisa.


Ela sabia que estava sendo imensamente idiota, principalmente ao fazer aquela cena toda, passando reto por Rony, Gina e Luna, mostrando que estava verdadeiramente magoada, mas mesmo assim agindo como uma criança. Sabia que eles se perguntariam o que estava acontecendo. Talvez Rony contasse que ela estava fora de si por que ele resolvera terminar tudo.


Mas ela teve que pensar naquilo, enquanto caminhava pelos jardins, evitando qualquer lugar em que pudesse encontrar alguém. Por que ela estava agindo daquele jeito, quando Rony deixara tão claro que gostava dela?


Talvez ela estivesse exagerando e agindo como uma verdadeira cabeça-dura. Ele havia deixado a decisão na mão dela, queria que ela pensasse realmente se era aquilo que ela queria. E o que a deixava com mais raiva era que ela sabia o que queria, então por que ele estava colocando obstáculos onde não havia?


Odiava aquela mania de Rony. Ele sempre era a vítima na situação.


- Não desconte sua raiva no Harry.- a voz dele alcançou seus ouvidos. Ela só podia estar alucinando.- É culpa minha você estar assim, nada mais justo que-


- Eu não estava descontando minha raiva no Harry.- ela falou de costas para ele, não querendo acreditar que teria de reviver tudo aquilo de novo.- Ele estava insistindo...querendo saber o que estava acontecendo...


- E você contou a ele?- a voz de Rony estava diferente.


Hermione não falou nada. Apenas tentou controlar sua respiração.


- Eu pensei que contando para alguém...eu me desse conta de que isso é verdade... Que não foi um sonho ruim ou algo assim...


- Você sabe por que eu estou fazendo isso, não sabe Mione? Não quero que você fique zangada...fora de si ou-


- Como você quer que eu fique, Ronald?- ela se virou para ele, já sentindo as lágrimas nos olhos.- Eu não pude argumentar nada com você....e agora que o choque passou e eu quero poder consertar as coisas você-


- Hermione...apenas pense no que eu falei para você. Eu não vim até aqui para deixar você mais nervosa ainda. Não quero outra briga. E acredito que deixei claro para você tudo, ontem a noite...


Ela afirmou com a cabeça.


- Obrigada por me dar uma boa noite de pensamentos conturbados... Você realmente me deu em o que pensar.


Rony colocou as duas mãos nos bolsos e mudou de posição, parecendo ansioso.


- Você realmente acha que eu não pesei todas essas coisas que você disse?- ela sentiu a raiva subindo novamente, e tentou controlar sua voz, já bastante tremida.- Se você acha que chegamos até aqui por sorte, e que eu nunca pensei realmente no que eu sentia você está sendo, como já foi muitas vezes, um completo idiota.


Ele não pareceu se importar com as ofensas. Deixou escapar um sorriso irônico.


- É exatamente por isso que eu-


- Você nem sabe o que está argumentando, Ronald!- ela jogou as mãos para o ar.- Pare de sentir pena de si mesmo!


Seu peito descia e subia tamanho era seu descontrole. Rony parecia calmo.


- Eu estou indo, Hermione...- ele desviou o olhar.- Acho que nós dois precisamos nos acalmar.


- Não haveria nada para acalmar- ela falou entredentes.- se você não estivesse inventando problemas.


Ele ergueu a mão lentamente e passou pela bochecha dela.


- Até mais, Hermione.


Ele parecia tão certo daquela decisão! Hermione sentiu-se mais fora de si ainda. Havia algo naquela decisão que ela não estava entendendo.


Ela não ficou olhando ele se afastar. Não foi atrás dele na sala comunal nem o viu mais depois que ele já estava com suas coisas prontas para ir embora. Ficou sabendo depois, conversando com Gina, que ele preferira sair por Hogsmeade.


- Talvez evitando me encontrar de novo, caso quisesse sair pelo portão principal...


- O que aconteceu com vocês?


Nem Hermione sabia o que pensar. Não conseguia entender perfeitamente bem de onde estavam vindo todos aqueles problemas na cabeça de Rony. Pelo menos Harry e Gina pareciam ter esquecido qualquer desentendimento, e aproveitaram o restante do domingo juntos.


Hermione evitou ficar ao lado deles, e a despedida de Harry ela recebeu através de Gina, mais tarde naquela noite.


- Ele disse que sente muito.- a garota se sentou ao lado dela, no sofá da sala comunal.- Ele também não entende o que está acontecendo. Prometeu conversar com Rony.


- Não vai adiantar, Gina.- Hermione tentou fingir que estava concentrada no seu dever.- Seu irmão é muito cabeça-dura e provavelmente está se martirizando nesse exato momento...


- Você acha que tudo isso é insegurança dele?


- O que mais poderia ser?


Aquele dia estava sendo horrível, e Hermione tinha certeza de que a semana também seria. Ela viu as horas passarem e o dia começar a escurecer enquanto se perguntava se algum dia ela conseguiria ficar em paz com Rony.


 


Flashback


 


Seu coração parecia estar sendo apertado por algo dentro do seu peito. Ela sentia que suas pernas não conseguiam correr mais. Por que aquilo estava acontecendo? Justo quando ela não falava com ele há dias?


As lágrimas quentes que escorriam pelo seu rosto pareciam querer deixá-la mais culpada. Não haviam lhe falado o suficiente, ela nem sabia o quão grave havia sido.


Quando finalmente chegou ao corredor da Ala Hospitalar, deu de cara com Harry saindo pela porta.


- Harry!- ela tentou não gritar.


O garoto pareceu assustado com sua aproximação repentina.


- Mione...está tudo bem agora...


- Como está tudo bem agora?! O que aconteceu?- sua voz estava mais alta do que o necessário. Harry pareceu mais ansioso ao fitar suas lágrimas.


- Hermione, se acalme! Eu vou lhe contar o que aconteceu...mesmo que eu não entenda perfeitamente bem...


- Como assim?- ela começou a tentar espiar para dentro da sala.- Ele está ali? Harry, por favor...


- Quem contou para você?- ele parecia cauteloso quando a puxou pelos ombros para que saíssem da porta.


- Isso importa?- ela tentava parar de chorar, mas sentia que lhe faltava o ar.


- Quem...?


- Todos me cercaram, como se eu fosse uma criança...e perguntaram se eu sabia onde você estava...


Harry desviou o olhar.


- Felizmente aquela garota não estava perto de mim quando Gina me contou.- Não conseguiria pronunciar o nome de Lilá naquele momento.


-Ela disse que já estavam com ele aqui...que era para eu manter a calma...que você estava com ele....Por que todos estão agindo como se eu fosse uma garota de oito anos de idade?


- Hermione- Harry tentava manter contato visual com ela, enquanto ela controlava os tremores de seu corpo.- está tudo bem agora...nós só...bom, ficamos com medo pois....


- Pois...?


- Rony foi envenenado, Mione...ainda não sabemos como isso pode ter acontecido...ainda mais dentro da sala do Slughorn, mas...


- Envenenado?- ela dessa vez gritou.- Harry você...


- Você precisa se acalmar...você não fala com ele há dias...não pode deixar todas essas coisas acumuladas-


- Como você acha que eu estou me sentindo?- os olhos dela cintilaram quando ela mostrou o quanto magoada estava. Magoada com ela mesma. Parecia não se importar com mais da metade da Grifinória, que havia tentado ocultar o fato dela. Sentia-se imensamente ansiosa. Precisava vê-lo.


Gina apareceu após segundos, que lhe pareceram uma eternidade.


- Ainda não podemos entrar.- Harry disse simplesmente, tentando ser cauteloso com a garota.


Eles falaram sem parar, querendo entender o que estava acontecendo. Hermione mal conseguia responder quando questionada, e pareceu que a espera fora a mais dolorida. Aos poucos, outros Weasley juntaram-se a eles, parecendo tão ansiosos quando ela.


Quando ela entrou na sala, não se importou com os outros rostos que a observavam. Fred, Jorge, todos olhavam atentamente a garota entrando pela porta, tentando conter o choro.


Ela foi cautelosamente até Rony, ainda assustada com a imagem diante de si. Ele parecia sem cor, imóvel demais naquela cama.


- Rony...- sabia que ele não poderia ouvi-la, sabia que nada do que ela fizesse naquele momento faria ele esquecer a frieza com que o estava tratando nos últimos dias. Repentinamente, pareceu uma idiotice agir como uma criança perante ele e Lilá. Ela deveria ter feito algo diferente, ter sido direta com ele para que ele tomasse uma decisão.


Tudo aquilo parecia insignificante enquanto ela se aproximava dele.


Seus olhos se demoraram em seu cabelo ruivo despenteado, depois miraram sua boca entreaberta.


Ela segurou o choro. Lentamente, deixou sua mão direita pousar sobre a dele, sentindo um arrepio ao fazer isso: ele estava gelado.


Ela queria que ele pudesse sentir que ela estava ali. Ele fez um breve movimento com os olhos, como se quisesse abri-los. Ela sentiu algo se mexer dentro dela. Será que ele podia perceber que ela estava diante dele, disposta a passar por cima de todas as brigas?


Ela acariciou a mão dele delicadamente, enquanto em pensamento ela tentava formular uma maneira de impedir Lilá de chegar perto dele novamente. Pois ela não sairia do lado daquela cama, nem que precisasse comprar uma briga com a colega.


 


(...)


- Não era assim que imaginávamos dar nosso presente- disse Jorge, derrubando um presente embrulhado grande no gabinete de lado da cama do Rony e sentando ao lado de Gina.


-Sim, quando nós imaginamos a cena, ele estava consciente- disse Fred.


Hermione não prestou atenção à conversa. Observava Rony respirar calmamente, completamente alheio ao fato de todas aquelas pessoas estarem preocupadas com ele, sentadas ao seu redor. Os outros continuavam conversando, e Hermione tentou fixar sua concentração na história de Harry.


-... e então eu enfiei o bezoar garganta abaixo... o que melhorou um pouco sua respiração. Slughorn correu para pedir ajuda, McGonagall e Madame Pomfrey foram buscá-lo, e elas trouxeram Rony para cá. Elas


acreditam que ele ficará bem. Madame Pomfrey diz que ele terá que ficar aqui uma semana ou mais.


-Nossa, sorte que você pensou no bezoar- disse Jorge em voz baixa. Hermione nem gostaria de pensar no que teria acontecido caso Harry não tivesse tido aquela rapidez de raciocínio.


-Sorte que tinha um na sala- disse Harry.


Hermione ouvia um zumbido permanente em seu ouvido. Repentinamente, algo mudou na cena e ela passou a observar Rony mais atentamente. Ele parecia mais ativo, e murmurava enquanto dormia. Ela gostaria que ele pudesse acordar...e torceu para que aquilo fosse um sinal de que ele estava melhor.


- Então o veneno estava na bebida?- Fred continuava a conversa.


- Sim- Harry respondeu.


As pessoas presentes começaram a entrar em uma discussão sobre quem havia envenenado. Chegaram a levantar a hipótese da culpa ser de Slughorn, até que Gina começou a fazê-los voltarem a real. Alguém mandara a garrafa previamente envenenada para Slughorn.


- Então o envenenador não conhecia Slughorn muito bem- ela resolveu se pronunciar, já que as pessoas começavam a se exaltar. Se a garrafa envenenada era um presente ou não, ela não sabia.- Qualquer um que conhecesse Slughorn saberia que existia uma boa chance dele manter algo que lhe interessasse para ele mesmo.


Sua voz lhe pareceu estranha, porém todos pararam para ouvi-la. Hermione sentiu que seu rosto poderia corar, já que ela não falava há horas, mas descobriu que sua preocupação era suficiente para impedir um sentimento idiota como aquele de aflorar.


-Err...mi...o...nee.- a voz pareceu lenta, quase como se alcançasse seu corpo lentamente apenas para que ela sentisse aquele calor subindo da ponta de seus pés até os últimos fios de cabelo.


Ela sentiu algo estranho dentro dela. O restante das pessoas pareceu não perceber a tentativa de comunicação de Rony. Ele estava chamando por ela? Ou estava apenas murmurando algo sem sentido e ela estava imaginando coisas?


Quando ele começou a roncar, todos parecerem se tranqüilizar de que não era nada. A porta repentinamente se abriu, tirando todos de seus pensamentos. Hagrid chegara, varrendo para longe a desconfiança de Hermione de que Rony tentara chamá-la.


 


- Ronald Weasley-


 


Aquela sensação era horrível. Ele não sentia seus braços, nem pernas. Absolutamente nada. E algo fazia barulho...muito barulho.


Porém, aquelas vozes pareciam tão longe. Era Harry falando? E Fred?


Onde ele estava?


Repentinamente, seu corpo inteiro pareceu doer. Estava deitado...isso tinha certeza. Aquela posição estava começando a doer.


Imagens coloridas formavam-se em sua mente. Aquilo era real? Ou estava delirando? Mal saberia responder quem era se questionado.


- Você ainda está aí?- Hermione surgiu diante dele, os braços cruzados diante do corpo. Pelo menos, ela estava falando com ele novamente.- O que você está esperando?


Ela olhou para os pés dele. Ele prontamente olhou para baixo, querendo entender o que ela observava. Ele estava na beira de um penhasco. Quando havia deixado Hogwarts?


- Hermione..- mas sua voz saiu tão fraca, que ele teve certeza de que ela não poderia escutá-lo.


- Qual é o problema com você?- a voz agora era diferente, mais aguda e perturbadora. Ele sentiu uma sensação incômoda. Ela não...- São apenas alguns metros até o chão.


Ele observou Lilá parada onde antes estava Hermione. Ela sumiu, e Hermione apareceu novamente.


- Você não tem coragem...


Ele olhou novamente a altura. Não conseguia enxergar o chão. A voz era de Lilá novamente.


- Pule, Rony!- ela parecia animada com a idéia.


- Cale a boca!- ele gritou com Lilá, que pareceu muito magoada com sua agressividade.


Por que ele não conseguia se mover?


Quando ele olhou para o lado, Hermione estava se afastando dele, sua cabeça fazendo sinal de negação. Para onde ela estava indo? Por que ficara zangada? Por que, afinal, as duas estavam querendo que ele pulasse?


O chão nos seus pés começou a tremer. Ele sabia que cairia se permanecesse ali. Mas não conseguia se mexer!


- Slughorn...chance...ele mesmo.- era a voz de Hermione. Ele tinha certeza! Mas não fazia sentido! Eram apenas palavras soltas...e ela parecia estar falando de algum lugar muito distante. Será que ela não via que ele estava quase despencando daquele lugar?


- Hermione!- ele tentou gritar o mais alto que pôde, mas quando pensou que escutaria seu grito, não pareceu mais que um lamento. Ela certamente não o escutaria. Ele teve a sensação de que estava caindo.... felizmente, a dor do tombo nunca veio.


 


(...)


Aquele lugar parecia claro demais. Aberto demais... e que luz era aquela?


Finalmente estava se dando conta de onde estava...permanecia em Hogwarts...mas...ele não acabara de cair de algum lugar? Não conseguia se lembrar perfeitamente bem, e sua cabeça doía muito.


Com o passar das horas ele começou a lembrar de tudo. Escutou a voz de Harry e forçou seus olhos pesados a se abrirem.


Foi bom poder voltar à realidade. Seu corpo inteiro parecia querer reaprender a se coordenar, mas Harry o tranqüilizava. Ele lhe explicou com calma tudo que acontecera, e teve que repetir mais do que uma vez. Parecia surreal....


Conforme os dias passavam, ele esperava uma visita diferente. Não que a presença de Harry o incomodasse, mas Hermione não estava preocupada com ele? Será que havia vindo visitá-lo enquanto ele dormia? Aquilo estava o deixando ansioso.


Quando escutou uma voz feminina na porta da enfermaria já ensaiava o sorriso. Infelizmente a voz ficou clara, e não era Hermione que vinha para que pudessem finalmente conversar e deixar os desentendimentos de lado. Era Lilá.


Ele prontamente fechou os olhos e tentou ficar o mais imóvel possível. Não queria ter de agüentá-la. Não queria nem ao menos olhar para seu rosto.


- Ah, ele está dormindo...- a voz da enfermeira parecia irônica. Será que ela percebia que ele estava fingindo?


- Hum...eu voltou mais tarde então...- ele sentiu Lilá se aproximar lentamente dele e pousar uma mão sobre a dele.


Aquilo lhe deu uma sensação de deja vu estranha...será que ela fizera aquilo antes?


- Vai ficar tudo bem, Won Won...- a voz dela era chorosa. Ele sentiu um beijo leve em sua testa, molhado pelas lágrimas. Teve que resistir à tentação de limpá-lo assim que ela se afastou, mas apenas abriu os olhos quando teve certeza de que ela estava longe.


- Dormiu bem, não foi?- Madame Pomfrey o olhou divertidamente.


Ele sorriu torto para ela. Felizmente, conforme as visitas de Lilá se repetiram e ele continuou fingindo que estava desacordado, a enfermeira acobertou suas mentiras. E ele poderia, com sorte, em alguns dias levantar daquela cama e voltar à rotina, torcendo para que alguém pudesse ajudá-lo com alguma idéia de como-terminar-um-pseudo-namoro. Antes que ficasse pior.


 


(...)


- Então, o quanto McLaggen está preparado?- ele perguntou nervosamente para Harry, fingindo esquecer que já tinha feito duas vezes a mesma pergunta.


-Eu já lhe falei- disse Harry pacientemente- ele poderia ser o melhor do mundo e eu não o manteria. Ele continua tentando dizer para todo o mundo o que fazer, ele pensa que pode jogar melhor em qualquer posição que todos nós. Eu não vejo a hora de me livrar dele. E falando em evitar pessoas...- ele sabia que aquilo logo se tornaria tópico.- você vai parar de fingir estar dormindo quando a Lilá vier visitá-lo? Ela está me deixando louco com isso.


-Ah- ele tentou esconder o quanto envergonhado ficara.- Sim. Certo.


- Se você não quiser mais ficar com ela, apenas lhe fale- Harry disse simplesmente.


- Sim... bem... não é fácil, né?- disse Rony. Ele ficou observando a vassoura nos ombros de Harry. Adoraria poder pelo menos assistir ao jogo.- Hermione virá me ver antes da partida?


Ele tentou soar casual, e Harry tentou disfarçar.


- Não, ela já foi para o jogo com Gina.


-Ah- ele sentiu o mau humor voltando.- Certo. Bem, sorte. Espero que você acabe com McLag - eu quero dizer, Smith.


- Eu tentarei- disse Harry, mudando a vassoura de posição no ombro.


 


- Hermione Granger-


 


Ela achou que aquele jogo não poderia ser realmente interessante. Sua mente permanecera na enfermaria, querendo saber como Rony estava.


- Eu não sei por que você ainda insiste para que eu venha!- Lilá Brown parecia fora de si. Nem havia notado a presença de Gina e Hermione, na arquibancada de trás.


- O que você queria? Ficar fechada na sala comunal?- Parvati sentou-se ao lado da amiga, parecendo irritada.


Gina olhou ansiosa para Hermione. Hermione fez sinal para que ela permanecesse em silêncio, e instintivamente curvou seu corpo para trás, tentando se esconder dentro do próprio casaco caso uma das duas olhasse para trás.
Apenas da distância, ela conseguia escutar perfeitamente bem o que conversavam. Se Lilá estava zangada por alguma razão, ela adoraria saber.


Gina parecia se divertir com a situação, mas ao mesmo tempo permaneceu fiel à amiga, ficando tão imóvel e silenciosa como ela.


- ...sempre dormindo toda vez que eu vou lá....você acha que eu não tenho que escutar o suficiente...?- Lilá tentava sussurrar para Parvati, mas sem sucesso.


- Olhe, talvez...


- Ah, não me faça rir!- Lilá controlava-se para não gritar.- Todos estão agindo como se eu não fosse nada dele!


- Mas...


- Eu sei exatamente o que isso quer dizer. Desconfiei desde o começo.


- Lilá...- Parvati olhou para os lados. Hermione se encolheu, mas ela não olhou para trás.


- É óbvio que Hermione Granger está escondendo algo. Tenho certeza que existe alguma coisa entre eles...


Hermione sentiu as bochechas corarem violentamente. Gina virou o rosto para a amiga, rindo silenciosamente de sua expressão.


- Mas ele está com você!


- Algo não se encaixa nessa história!


As duas decidiram parar de falar. A narração do jogo começava, mas Hermione não escutava mais nada. Seu corpo inteiro estava atordoado, sua cabeça dava voltas. O que fazia Lilá ter tanta certeza de que havia algo entre ela e Rony? E principalmente....o garoto estava realmente a evitando, fingindo estar dormindo quando ela o visitava?


Repentinamente ela se sentiu mais ansiosa para a saída de Rony da enfermaria.


 


- Ronald Weasley-


Tudo estava aos poucos se ajeitando. Ele podia sentir quase uma euforia por ter sido envenenado, já que Hermione parecia ter esquecido qualquer tipo de discussão que haviam tido antes disso.


Ele havia tentado disfarçar em diversos momentos que estava a olhando insistentemente. Havia algo diferente no rosto da garota, e ele novamente pode aproveitar aqueles raros momentos em que ela olhava de volta e rapidamente desviava o olhar, corando e escondendo o rosto por detrás de qualquer livro que tivesse em mãos.


Hermione estava novamente ao lado deles sempre. Seja trazendo notícias sobre a briga de Dino e Gina, ou simplesmente os acompanhando para a próxima aula como haviam feito durante aqueles longos anos.


Porém, havia ainda o pior problema que ele deveria enfrentar mais cedo ou mais tarde: Lilá.


Estava claro para ele que não seria fácil. A garota já era suficientemente escandalosa quando estava feliz. Ele não gostava de pensar no que aconteceria quando terminasse com ela.


Hermione lhe olhava quase como se soubesse de algo que ele não sabia. Alguns sorrisos irônicos lhe davam a entender que a garota estava o desafiando: ou ele terminava com Lilá ou o comportamento agressivo voltaria. Mas aquilo não aconteceu, e ela estava ao lado dele como sempre, ele tagarelando qualquer coisa sobre criar um maior afeto por Luna, quando o destino pregou uma peça. E daquelas.


-...eu sei que ela é pirada, mas é de um jeito- ele parou de falar repentinamente. Lilá Brown estava ao pé da escadaria de mármore, parecendo atordoada.- Oi- foi apenas o que ele conseguiu falar, nervosamente.


Ainda não havia a encontrado. Estava evitando esse momento. Sabia que ela jogaria na sua cara que ele não havia a procurado. Ela podia ser tão previsível ás vezes.


- Por que você não me disse que tinha saindo hoje? E por que ela estava com você?


Quando ele olhou para o lado, querendo ver a reação de Harry e principalmente de Hermione, viu que eles não estavam mais ali. Perdera até mesmo a sua segurança de que Lilá não tentaria amaldiçoá-lo.


- Er...eu-


- Mas Hermione Granger, por outro lado, já estava sabendo da novidade, não é? Talvez ela tenha descoberto que você estava saindo há dias atrás, em uma das visitas a enfermaria...?- Lilá parecia fora de si.


Rony se aproximou dela para que ela parasse de gritar.


- Lilá-


- Não venha com desculpas!- ela ergueu a mão para que ele não se aproximasse mais.- Eu sou sua namorada, eu tinha o direito de saber que você estava-


- Eu já ia procurar você, tá legal? Eu só estava...


 - Dando uma voltinha com seus amigos.


Ela não parecia querer ceder. Ele segurou a mão dela, contra a sua vontade. Precisava fazer qualquer coisa para que ela parasse de gritar.


Lilá pareceu se acalmar por segundos, mirando as mãos entrelaçadas.


Rony segurava ela mais a frente, como se quisesse dizer algo.


- Lilá...eu não queria magoar você...eu...


- Eu não sou tão difícil assim de agradar, sou?- ela tinha lágrimas nos olhos.- Eu só estou pedindo um pouquinho de atenção do meu namorado que quase morreu envenenado.


- Obrigada pela preocupação, e desculpe se eu-


Mas ela não o deixava falar. Sua carência excessiva se manifestava nos momentos mais idiotas e quando Rony achou que ela colocaria um ponto final no relacionamento deles, ela pareceu cair em si. Suspirou longamente.


- Não quero ser aquele tipo de garota irracional que tem ciúme da própria sombra...


- Lilá, Hermione e Harry são-


- Seus amigos, eu sei. Só que eu- ela se aproximou dele.- fiquei realmente angustiada ao encontrar você sempre dormindo naquela cama da enfermaria.


As orelhas de Rony estavam muito vermelhas. Onde aquilo iria parar? Em apenas dez minutos Lilá já estava colada nele, havia lhe dado um beijo estalado na bochecha, mesmo não parecendo nada sincera.


Ele não sabia explicar como, mas tinha a nítida impressão de que ela estava fazendo aquilo por algum motivo. Parecia que a confiança havia quebrado, ela parecia olhar para todos ao redor e mencionara pelo menos mais sete vezes o nome de Hermione. Queria saber se ela havia o visitado quando ele estava acordado, por que eles repentinamente tinham voltado a se falar, e se ele alguma vez tivera alguma coisa com ela.


- Eu já lhe falei, somos amigos!


- Você é muito inocente Rony.


Ela pareceu se dar por vencida de que Hermione era uma daquelas garotas que faria qualquer coisa para namorar um jogador de Quadribol famoso, e em poucos instantes estava defendendo Rony, como se ele alguma vez tivesse sido assediado pela garota.


Porém, ela estava mais calada, menos empolgada e mais nervosa. Aquilo deveria significar alguma coisa, e Rony adoraria aproveitar a desculpa para terminar com ela. Onde estava sua coragem para fazer aquilo?


 


(...)


Hermione olhava o trabalho dele atentamente. Eram tantos erros que a garota rolou os olhos quando viu que tinha sua atenção.


-Qual tipo de pena você está usando?- ela encarou Rony.


O garoto demorou alguns segundos a mais para responder. Havia se demorado observando como ele deveria aproveitar mais os momentos que os olhos castanhos dela estavam presos nos dele.


-Uma das penas de checar-soletragem do Fred e do Jorge, mas eu acho que o feitiço deve estar falhando.


Foi difícil articular as palavras. Ele não sabia se era aquele calor que a proximidade de Hermione trazia, ou o cansaço por estar em cima daquele trabalho há muito tempo, mas parecia tão absurdo não ter colocado um ponto final com Lilá quando tivera oportunidade.


- Sim, deve mesmo- a garota respondeu, apontando para o título da redação- porque fomos perguntados como nós lidaríamos com dementadores, e não “bombas de bosta”, e não me lembro de você ter


mudado seu nome para Roonil Wazlib, também.


O tom de voz dela era divertido. Ele finalmente conseguiu concentração suficiente para voltar ao trabalho.


-Ah não!- olhou horrorizado para o pergaminho.- Não diga que eu terei de reescrever tudo isso de novo!


- Tudo bem, a gente pode consertar- disse Hermione, puxando a redação para perto dela e pegando sua varinha.


Ele sentiu algo se remexendo dentro de seu estômago. Ele não merecia toda aquela atenção dele. Ele passara os últimos meses beijando Lilá demoradamente para quem quisesse ver, e ela mostrara claramente sua mágoa com isso.


- Eu te amo, Hermione!- disse, sentindo-se atordoado, afundando em sua cadeira. Piscou seus olhos pesadamente, sorrindo ao observar a reação de Hermione.


Ela estava corada, exatamente daquele jeito que ficava quando ele lhe dirigia um olhar silencioso. Sabia que quando a encarava daquele jeito a deixava confusa, mas gostou do efeito do vermelho no rosto dela.


- Não deixe Lilá escutar você dizer isso.


- Não deixarei- ele tapou a boca com as mãos, brincalhão. - Ou talvez eu deixe, assim ela termina comigo.


Ele percebeu um sorriso contido no rosto de Hermione. Estavam recomeçando aquele tipo de brincadeira em que deixavam tudo muito claro.


- Porque você não termina com ela já que não quer mais ficar com ela? – Harry ainda estava ali? Estava, e aparentemente querendo entrar na conversa.


- Você nunca teve de dar um fora em alguém, não é? – ele respondeu para o amigo.- Você e Cho apenas...


- Nos distanciamos de alguma maneira, sim- disse Harry.


- Gostaria que isso acontecesse com a Lilá e eu.


Harry ainda o observava, mas ele virou o olhar em direção a Hermione. A garota estava silenciosamente batendo com a varinha nas palavras escritas incorretamente na redação dele. Ele sabia que o amigo ainda estava o observando, mas ele mesmo resolvera deixar para trás qualquer tipo de fingimento.


- Mas quanto mais eu dou a entender que quero terminar, mais ela me abraça. É como estar saindo com a lula gigante.


Ele recordou da maneira com que ela se acalmara e tentara colocar Hermione como vilã. Ela parecia gostar do desafio de ter uma concorrente, e fazia questão de mostrar para todos que ela estava com Rony.


- Aqui - disse Hermione, mais ou menos vinte minutos mais tarde, devolvendo a redação para ele.


- Muitíssimo obrigado- disse Rony.- Posso pegar sua pena emprestada pra escrever a conclusão?


Ele precisava de um plano para deixar claro para Lilá o que ele queria. Não poderia mais continuar sendo visto em público com ela quando na verdade queria....Ele cortou o pensamento. Seus sonhos pareciam voltar com força e ele não queria pensar naquilo com Hermione tão próxima ele. Poderia acabar falando alguma besteira.


Primeiro, ele resolveria o problema que tinha em mãos. E depois, ele pensaria em correr atrás daquilo que ele realmente queria.


 


(...)


- Sim- Harry respondia à pergunta, segurando a Capa de Invisibilidade.-Eu sinto como se fosse o lugar certo para ir hoje à noite, você sabe o que eu quero dizer?


Ele devia estar ficando louco. Ele não poderia desperdiçar a poção da sorte indo com Hagrid enterrar aquela maldita aranha gigante.


- Não-  ele e Hermione falaram juntos, ambos olhando claramente alarmados agora.


- Isto é Felix Felicis, certo? - perguntou Hermione ansiosa, levando a


garrafa à luz.- Você não pegou outra pequena garrafa cheio de - eu não sei - Essência de Loucura?- Rony sugeriu, quando Harry balançou a capa por cima de seus ombros. O garoto apenas riu em resposta ambos olharam o amigo ainda mais alarmados.


- Confiem em mim-  Harry continuou.- Eu sei o que eu estou fazendo... ou pelo menos a Felix sabe.


Ele já estava na porta, e puxou a capa da invisibilidade por cima da cabeça, descendo os degraus antes que eles pudessem falar qualquer coisa.


Rony correu rapidamente tentando alcançá-lo, Hermione logo atrás.


Aos pés da escada, Harry deslizou pela porta aberta.


- O que você estava fazendo lá em cima com ela?- a voz de Lilá chegou aos seus ouvidos como uma Maldição Imperdoável.


Ele não sabia se ria, se corria dali ou se puxava Harry para que ele voltasse e explicasse tudo. Mas o que ele estava pensando? Essa não era a oportunidade que ele esperava?


- Ahn, er...eu...


Hermione passou por Lilá, as costas curvadas e o rosto incrivelmente corado. Ela parecia não ter idéia melhor para ajudar Rony, ou simplesmente queria que aquilo terminasse em briga.


- Bem...e então?- Lilá parecia furiosa. Estava ao ponto de voar para cima dele.


Hermione encarou Rony quando passou por Lilá, levantou a sobrancelha de um jeito divertido, um sorriso tímido nos lábios.


Rony olhou para a garota de boca aberta. Lilá virou-se para trás em um segundo, querendo saber para onde Rony olhava. Mas Hermione foi mais rápida, e sumiu do campo de visão da garota como se tivesse desaparatado.


Lilá se virou para ele.


- Preocupado em saber para onde ela está indo?


A ironia na voz de Lilá parecia pior quando misturada com a mágoa, e considerando o fato de ela estar fora de si.


- Lilá, eu...


- Eu achei que havia deixado claro para você como me sentia. E você jurou para mim que não havia nada-


- Lilá!- ele quase gritou, mas teve de admitir que não estava fazendo o máximo que podia para evitar aquilo.


- Você está me fazendo de idiota há muito tempo, não está?- Lilá colocou as mãos na cintura.


Rony inclinou o corpo para trás, defensivamente, sabendo o que estava por vir.


- Mas eu tenho uma novidade para você, Rony. Eu não vou ficar no meio do que quer que seja que você e essa...essa garota tenham...


Ela jogou as mãos para o alto, querendo fazer uma cena dramática.


- Ah, espera só um momento...eu quase ia me esquecendo! Você não tem nada com ela, não é?


- Lilá, você quer me escutar? Nós estávamos...- mas ele não fazia questão de falar muito.


- Por favor, poupe-me dos detalhes! O que vocês fizeram ou deixaram de fazer lá em cima não é mais da minha conta.- ela suspirou, as lágrimas manchando seu rosto e seu cabelo incrivelmente despenteado dando um ar completamente insano à situação.- Acabou, Rony. Eu não posso aceitar que você e ela...


Ela irrompeu em um choro sem fim, parecia que teria uma parada respiratória a qualquer momento. Nada do que ele falasse ou fizesse adiantaria, e ele não fazia questão de explicar nada para ela. Não contaria que Harry estava invisível, e nem fazia questão que ela pensasse que não havia nada entre ele e Hermione. A partir daquele momento ele estava livre, e não precisava mais ficar ao lado dela.


Sentindo suas orelhas muito quentes e sabendo que deveria estar com o rosto todo na cor de seus cabelos, ele passou por Lilá. A garota permaneceu na escada, chorando muito, tapando o rosto com as mãos. Ele não olhou para trás para ver quem estava a levando para o dormitório. Saiu pelo buraco do retrato pensando em dar uma volta para tirar a tensão que havia ficado. Agora não havia mais com que se preocupar.


- Você sobreviveu ao ataque!- a voz dela o fez congelar. O que ela estava fazendo parada ali fora da passagem do retrato? Esperando para terminar os gritos de Lilá.


Hermione tinha um sorriso mais aberto no rosto agora, e parecia não se importar em lançar ironias para cima dele, enquanto ninguém assistia.


- Eu não ficaria tão alegre se fosse você. Ela ainda pode tentar algum tipo de vingança...


- Ora, eu não tive nada ver com isso.- ela estava encostada na parede de pedra, os braços para trás.


Ela saiu da posição em que estava e passou por ele, caminhando muito reta.


Rony resistiu ao impulso de segurá-la pelo braço. Queria que ela ficasse ali, e que pudessem continuar de onde tinham parado.


- Você poderia ao menos ter sido mais corajoso e terminado com ela de uma maneira mais calma.- ela arriscou um último olhar para ele.- As pessoas tem sentimento, sabe.


Ela acelerou o passo e saiu do seu alcance de visão. O que ela queria dizer? Ela não se importava realmente que ele havia terminado com Lilá, não é? Então por que a cena toda?


 


(...)


- Uau!- Rony disse, quando Harry finalmente terminou de contar tudo. Ele estava movendo sua mão muito vagamente na direção do teto sem prestar a mínima atenção com o que estava fazendo. - Uau! Você junto de Dumbledore ...e tentar e destruir ... uau!


Seu humor havia melhorado muito, e ele nunca escutara Harry de uma maneira mais atenta. Tudo parecia mais simples agora.


- Rony, você está fazendo nevar.- Hermione  disse pacientemente, segurando o seu pulso e afastando o do teto no qual, antes vazio, grandes flocos brancos estavam começando a cair.


Ele realmente não reparara que estava causando algum efeito com a sua varinha. Ele olhou para o pulso que Hermione segurava, atordoado.


Hermione desviou o olhar dele e mirou outra mesa, ele acompanhou o olhar. Lilá fuzilava Hermione com os olhos, sentada numa mesa vizinha. Tinha os olhos muito vermelhos, e Hermione imediatamente soltou o braço de Rony.


- Ah , sim!- ele disse, olhando para baixo observando a neve sobre eles.  Desculpe... ehrr...olhem como estamos com uma caspa terrível agora ...


Ele sabia que poderia tornar a situação pior. Lilá continuava os olhando e ele, despreocupadamente tirou um pouco da neve falsificada dos ombros de Hermione. Lilá explodiu em lágrimas. Não era exatamente aquilo que ele pretendia. Olhou para Lilá tentando mostrar para ela que não era sua intenção magoá-la daquele jeito, mas a garota continuava chorando.Ele  virou de costas para ela.


- Nós brigamos-  ele disse para Harry, quase sem mexer os lábios- Na última noite, quando ela me viu sair do dormitório com Hermione. Logicamente ela não pode te ver, assim pensou que apenas nós dois estávamos saindo.


-Ah!- disse Harry.- Bem...pelo menos você não teve que terminar, não é?


-Não- admitiu Rony.- Foi ruim enquanto ela estava gritando, mas ao menos eu não tive que terminar.


-Covarde!-a voz de Hermione o surpreendeu, mas parecia que ela desfrutava de uma piadinha particular, pois ainda esboçava um sorriso.- Bem, hoje não foi uma boa noite para romances. Gina e Dino também terminaram, Harry.


Ótimo jeito de desviar o assunto. Ele olhou com o canto de olho para Hermione mais algumas vezes, analisando a melhora de seu humor, assim como o dele, com o passar do tempo.


 


(...)


Eles deveriam fazer o que Harry havia falado. A mão trêmula de Rony segurava a Felix Felicis restante. Hermione olhou atentamente para sua mão.


- É isso, então?- ele olhou para ela, como que pedindo ajuda.


Hermione fez sinal afirmativo com a cabeça. Ele queria poder falar mais algumas coisas para ela, poder expressar seu medo de que algo desse errado. Mas Neville mexia-se sem parar ao lado deles, e Gina já estava se aproximando do grupo.


- Vamos, Luna estará esperando na escadaria.


Ele observou o rosto da irmã. Ela parecia muito ansiosa, ele poderia até arriscar dizer que ela havia chorado. Mas ele a conhecia muito bem e sabia a garra que ela tinha. E ele, sendo um Weasley, deveria ter também.


- Vamos, então.


Eles saíram pelo buraco do retrato. Hermione não se distanciou nenhum centímetro dele, seus braços se tocando enquanto caminhavam rapidamente. Ele queria poder segurar sua mão sem que ninguém visse, passar algum tipo de mensagem silenciosa para ela. Queria que ela soubesse o quanto preocupado ele ficaria, agora que iriam se separar.


O caminho foi mais curto do que ele imaginava, e logo não havia mais tempo e ele deveria ir com Gina e Neville para a sala precisa. Luna postou-se ao lado de Hermione assim que a alcançaram.


Rony sentiu um aperto forte no peito. Silenciosamente, passou o frasco da poção para a mão de Gina. A garota fez sinal para que todos se aproximassem.


Eles dividiram o que restara da poção. Rony tomou sua parte sentindo-se mais nervoso do que nunca. Aos poucos, conforme observava os outros tomarem sua parte, foi invadido por uma sensação maravilhosa. Tudo daria certo, eles fariam com que tudo terminasse bem.


- Não podemos nos demorar!- Gina olhou para Luna, e começou a lhe passar algumas instruções.


Parecia que o grupo entendia a necessidade de Rony de falar algo a sós com Hermione antes de tudo.


- Vocês vão ficar bem sozinhas, não vão? Você e Luna?- ele se aproximou da garota, vendo a surpresa dela. Não importava. A poção da sorte parecia estar circulando forte em suas veias agora. Ele sabia que precisavam daquele momento.


- Não se preocupe. Luna é ótima.


- E você também, é. Sei que vai dar tudo certo.


Ele viu Hermione ensaiar um sorriso, talvez dividida entre querer aproveitar o raro elogio dele e ser tomada pela ansiedade que a situação exigia.


- Tomem cuidado.- Rony queria segurar o braço dela para que Hermione entendesse o quanto aquilo estava arruinando ele. Se ele pudesse escolher, estaria ao lado dela. O máximo que ele conseguiu, foi passar a ponta dos dedos delicadamente logo acima do cotovelo dela.


Hermione permaneceu encarando os olhos dele, não se importando com a tentativa frustrada de Rony demonstrar seu afeto. Ela corajosamente, segurou sua mão e lhe deu um breve aperto. A proximidade que estavam agora não exigia mais nada, e ele sentiu a respiração dela alcançar seu rosto enquanto ela se despedida.


- Vocês também. Boa sorte.


A separação não foi tão dolorida depois daquilo. Ele queria que tivesse havido um abraço ou que ele tivesse expressado sua preocupação. Mas ele sabia que ambos haviam se entendido naqueles breves minutos. Ele observou Luna e Hermione correndo na direção das masmorras e seu estômago contraiu mais uma vez.


Infelizmente, a próxima vez em que poderiam ficar efetivamente perto a tragédia do momento impedia a euforia que Rony pensou que se apoderaria dele quando a tivesse em seus braços.


Mas foi durante aquele momento, enquanto choravam pela morte de Dumbledore, que mesmo envolto por uma sensação de que não havia mais segurança nem respostas suficientes, que Rony teve certeza de que ficando ao lado dela tudo estaria bem.


Ele não esperava que Hermione se aproximasse dele naquele momento, ele podia ver sua tristeza estampada, por mais que ela tentasse segurar as lágrimas. Ele arriscou uma ou duas vezes aproximar a mão da dela, mas aparentemente apenas Hermione tinha coragem para fazer qualquer coisa como aquela.


Ele sentia o pânico se arrastando em sua direção. Sabia o quanto Harry também deveria estar confuso. Dumbledore era o porto-seguro de todos que confiavam na derrota de Voldemort. E agora...parecia que nem o dia que terminava diante deles poderia fazer com que a idéia fosse real. Parecia mentira. Ele arriscou olhar para Harry e Gina sentados próximos a eles, e ambos conversavam agora. Ele não iria interromper. Apenas adoraria saber o que havia de tão importante para conversar em um momento como aquele. Algumas pessoas já se levantavam de seus lugares, as conversas ficavam mais altas.


Ele sentiu um peso sobre seu ombro. Seu estômago despencou. Ele escutou durante longos segundos o choro de Hermione. Ela não tentou esconder dele.


Ela se mexeu mais para perto dele, causando arrepios em seu corpo. Precisava estar ao lado dela naquele momento, precisava mostrar o quanto gostaria de poder tirar sua tristeza.


Ele simplesmente passou os dois braços ao redor dela e sem pensar duas vezes, a apertou fortemente de encontro a si. Ela chorou mais ainda e afundou a cabeça em seu peito.


Ele se virou completamente em direção a ela. Sussurrando algumas palavras para que ela se acalmasse. Ele sentiu as lágrimas voltando aos seus olhos. Ver o sofrimento de Hermione, era pior do que sentir o seu próprio.


- Mione...- ele sussurrou.


Ela pareceu entender aquilo como uma forma de apoio. Ela tentou enxugar as lágrimas, mas permaneceu abraçada com ele. O calor do corpo dela era reconfortante, e ele sabia que poderia ficar para sempre daquele jeito.


- Não consigo acreditar...- ela sussurrou, mal conseguindo pronunciar as palavras.


- Eu sei...- ele levantou a mão nervosamente, e pousou nos cabelos macios da garota.- Vai ficar tudo bem...


Ele deslizou a mão pelos cabelos de Hermione, adorando a sensação de tê-la tão próxima. Por mais triste que fosse o momento, havia os aproximado como jamais haviam estado. Ele continuou deixando as lágrimas caírem, mas não queria que ela visse. Hermione o abraçou mais fortemente e ele suspirou, sabendo que o que iriam enfrentar pela frente não seria fácil.


Mas estando um ao lado do outro, certamente teriam força para continuar.


(...)


 


- Hermione Granger-


 


Os dias passaram lentamente, parecendo não se importar com o sofrimento de Hermione. Assistir as aulas, ler todos os assuntos necessários e entregar o dever de casa em dia estava parecendo mais uma obrigação do que qualquer outra coisa.


Se não estivesse em Hogwarts, poderia estar falando com Rony naquele exato momento. Faria as coisas darem certo.


Ela finalmente entendeu que precisava mesmo ficar sozinha para se acalmar. Conforme o pânico sumiu e ela se acostumou com a idéia de que estava sozinha, ela começou a pensar em tudo que ele falara.


Mas ela não esperava que ele fosse levar tão a sério tudo aquilo. Ela achou que no final de semana seguinte eles poderiam conversar, ou que ele mandaria uma carta perguntando como ela estava. Mas nada disso aconteceu.


Era como se o Rony tivesse evaporado. Ela não escrevia para ele, pois não daria o braço a torcer. Quanto tempo ele pretendia deixá-la naquela agonia?


Parecia surreal, mas Gina a tranqüilizava dizendo que aquele tempo iria fazer bem a eles. Hermione achava completamente desnecessário escutar aquilo da amiga, já que ela sabia que Gina e Harry estavam se encontrando com freqüência. Ela fora a Hogsmeade no último final de semana, e voltara com vários doces de Dedosdemel para Hermione.


- Hogsmeade?- Hermione aceitou a barra de chocolate gigante que Gina estendia para ela.


A garota tinha o rosto corado pelo vento.


- Aproveitamos para conversar e comprar algumas coisinha.


Hermione sentiu o ânimo despencar. Gina e Harry estavam seguindo à risca a idéia da garota sobre os encontros constantes que poderiam ser arranjados para que o relacionamento não sofresse tanto com a distância.


Já ela permanecia sozinha dia após dia, fitando a lareira da salão comunal e agüentando as pessoas que forçavam qualquer assunto com ela quando ela não estava por detrás de um livro ou enfurnada na biblioteca.


- Você tem certeza de que está bem, Mione?- no final de semana seguinte sem notícia, Gina começou a mudar seu comportamento, parecendo realmente aflita ao observar a situação de fora.


- Estou. Não é a primeira vez que fico tanto tempo sem notícias do seu irmão.


Gina olhou para o Salão Principal lotado e depois baixou o tom de voz.


- Não sei se você gostaria de saber, mas o Harry falou que...


Hermione levantou o rosto tão rapidamente que Gina chegou a se sobressaltar. Ela continuou calmamente.


- Falou que Rony está um trapo...e quase deixou uma colega da Academia de Aurores careca outro dia. Está tendo problemas com feitiços.


- Quando foi que ele não teve.- Hermione desviou o olhar, tentando disfarçar a ansiedade que se apoderara dela ao saber daquilo.


- Vocês dois são teimosos demais, e não sei por que permanecem desse jeito.


- Eu sei o que eu quero, Gina. Seu irmão é que não me dá oportunidade de falar com ele. Ele nem sequer me mandou uma carta.


Três dias depois, Hermione voltava da aula de DCAT. Acabara de ter uma breve conversa com o Professor Gareth após a aula, e conseguiu se animar escutando os elogios do professor sobre seu desempenho nas aulas.


- Carta para você.- Gina esticou um envelope para ela, quando ela mal colocara o primeiro pé para dentro da sala comunal.


- Obrigada.


Ela sabia que Gina deveria ter mandado um berrador para o irmão, xingando-o de insensível e qualquer outro adjetivo terrível. Hermione não pôde conter um leve tremor nas mãos quando abriu a carta. Sentou-se em sua poltrona favorita para ler com calma.


 


Mione


Sei que faz tempo que não nos falamos. Sinto muito, ando muito ocupado. Imagino que você também deva estar cheia de compromissos. Como vão os estudos?


Harry e eu estamos enfrentando uma nova etapa na Academia, e aos poucos estamos diminuindo o trabalho na loja com Jorge. Ele está sendo bem compreensível, e agora que o período de treinamento de novos funcionários terminou, ele pode descansar mais. As vendas, por sinal, estão ótimas.


Queria saber como você estava e dizer que sinto sua falta. Espero que possamos conversar melhor em breve.


Ronald


 


Ela leu a carta cinco vezes. O texto era curto e ela precisou da repetição para ter certeza que lera certo. Ele sentia a falta dela, então por que fazia questão que ficassem separados? Ela teve vontade de rir ao ver que ele assinara o nome inteiro, talvez querendo passar a idéia de que era mais maduro do que ela pensava.


Ela sentiu que não deveria responder prontamente, deixaria ele agoniado esperando por notícias. Gina olhou ansiosa para ela.


- E então...?


- Obrigada pela tentativa de ajuda, Gina.- Hermione se levantou e foi até o dormitório. Jogou a carta em cima de sua cômoda e se sentou na cama.


 


Aquilo estava ficando ridículo.


 


(...)


Já fazia mais de um mês agora, e tudo que ela sabia de Rony era através de cartas vagas como a primeira que recebera e as fofocas que Harry trazia, e Gina repassava. Por outro lado, a opinião das pessoas sobre Rony ela sabia. E algumas pessoas não eram nada sutis. Ela contara a Gina a conversa que ouvira entre duas Sonserinas, quase saindo de si quando a amiga a fez voltar a real.


- Eles estão visíveis no momento, não estão? Nada mais normal que tenham fãs.


- Você lida bem com isso pois Harry sempre teve fãs.


A garota riu e disse para Hermione não se preocupar, e já mudou o assunto contando à Hermione a vontade que tinha de que Harry pudesse vir para a festa de Dia das Bruxas.


Aquilo fez Hermione pensar. Já estava há muito tempo separada de Rony, e saber que os dias não paravam lhe deixava levemente desesperada.


Saindo do café da manhã, enquanto saia lentamente do Salão Principal ao lado de Luna, alguém gritou seus nomes:


- Luna! Mione!


Elas olharam para a voz. Parecia estranhamente familiar.


O garoto veio correndo na direção delas, depois pareceu analisar o comportamento inapropriado e diminuiu o passo.


- Ei, Neville! Tudo bem?- Luna falou antes que Hermione pudesse achar as palavras.


- Tudo ótimo, e com vocês?


Hermione questionou o que ele estava fazendo ali. O garoto prontamente explicou que começaria um estágio observacional na área de Herbologia, assistindo aula e sendo responsável pelas estufas dos primeiros anos.


- Isso é ótimo, Neville!- Hermione sentiu seu humor melhorando ao ver o amigo. Era bom ter notícias de fora de Hogwarts, parecia fazê-la voltar a real.


- É apenas um estágio, mas espero que ano que vem isso possa ser um emprego de verdade!


- Eu sabia que você se daria bem em Herbologia!- Hermione sorriu calorosamente para ele.- Você sempre foi o melhor da nossa turma!


Ele corou levemente, e tentou mudar de assunto, argumentando que Hermione era a melhor no restante das matérias, e querendo saber como estavam sendo as aulas.


Elas se despediram de Neville e foram para a aula. Era estranho compartilhar aulas com Luna e Gina, mas Hermione já estava se acostumando ao fato de pertencer a turma delas agora.


A aula passou rápido, Hermione ficara ansiosa para almoçar com Neville e poderem conversar mais. Ele não se sentou à mesa da Grifinória prontamente, e quando Hermione chegou ao Salão Principal ele estava na mesa dos professores. Ela sentiu muito orgulho do amigo.


A Professora Sprout conversava animadamente com Neville, e ele parecia muito sem graça, o rosto incrivelmente corado e os braços paralisados ao lado do corpo, sem nem sequer tocar na comida diante de si.


- Fico feliz por ele.- Hermione olhou para Gina, que parecia igualmente satisfeita de ver o amigo tendo suas aptidões reconhecidas.


Mas naquele momento, algo desviou a atenção das duas. Três garotas da Sonserina passaram por elas, e conversavam animadamente. Hermione conheceu a garota que falara de Rony outro dia. Gina lançou um olhar de desaprovação para Hermione.


As garotas silenciaram quando passaram pela mesa da Grifinória, uma delas apontando nada discretamente para Hermione e pedindo que as outras se calassem. Elas só irromperam em conversas novamente quando estavam a salvo na sua mesa.


- Discretas...- Hermione ergueu uma sobrancelha.


- Hermione, você não vai deixá-las te tirarem do sério, vai?


- Você viu, Gina! Elas não se importaram em-


- Desculpem a demora!- Neville chegara até elas. Hermione se calou na mesma hora.


- Está fugindo da mesa dos professores Neville?


O garoto sorriu para elas e começou a contar como havia sido a manhã. Hermione tentava escutar atentamente, mas os olhares insistentes da garota do outro lado do salão, na mesa da Sonserina, estavam a deixando ansiosa.


- ...ele é ótimo, Gina. Sabe muita coisa. E tem uma história de vida difícil.


- A maioria das pessoas tem.- Gina desviou o olhar, descrente.


- Quem?- Hermione voltou sua atenção para a mesa.


- Prof. Gareth. Quem mais?- Gina rolou os olhos.


- Eu estava falando dele para vocês. Ele foi muito simpático comigo agora há pouco, me ofereceu ajuda para o que eu precisar e disse que conhecia minha história na Guerra.


- Sempre prestativo.- Gina ergueu a sobrancelha, irônica.


- Gina não parece gostar dele.


- Não é que não gostemos dele...- Hermione tentou se incluir na conversa.- Mas algumas coisas acontecerem e...


- Hum...sei...- Neville deu de ombros.- Bom, eu já havia ouvido falar nele...quando ele entrou em Hogwarts. Vovó disse que saíram algumas notícias sobre a mulher dele logo que começaram todas aquelas histórias de perseguições a trouxas e tudo o mais.


Gina e Hermione se olharam, confusas.


- Do que você está falando, Neville?


- Achei que vocês soubessem...esse tipo de história sempre circula por Hogwarts...ainda mais se tratando de um professor novo...


Hermione sentou mais reta, querendo escutar atentamente.


- O Professor Gareth só se candidatou a carreira de professor pois-


- Ele queria formar jovens com coragem e atitude...pelo menos foi o que ele falou para mim...- Hermione interrompeu, parecendo ansiosa.-....isso foi logo depois da Guerra, não foi?


Neville silenciou. Gina parecia estar olhando para o teto.


- Não foi o que minha vó me contou.


Neville olhou para os lados.


- A esposa de Gareth era curandeira em St. Mungus. Ele era auror. Como ela era nascida trouxa, certo dia bateram à porta da casa deles. Bem, vocês lembram como foi aquela época. Eles tentaram fugir,mas a mulher dele acabou assassinada, por se opor a retirarem sua varinha e a levarem.


Gina finalmente passou a achar interessante a história.


- Você está querendo dizer que ele é viúvo? E que só veio a Hogwarts por que assassinaram sua mulher e...?


- Não sei exatamente os motivos dele. Mas o assunto na sala dos professores é que foi um dos porquês.


Hermione ficou paralisada. Sabia que devia haver mais informações naquela história. Parecia que faltavam certas peças no quebra-cabeça. Talvez por isso o professor fosse tão simpático, além de deixar claro o quanto admirava Harry, Rony e ela. Ele sofrera nas mãos dos seguidores de Voldemort...será que se sentia tão grato assim por eles terem ajudado a destruir o bruxo das Trevas?


- Algumas coisa fazem mais sentido para mim...- Hermione falou baixinho, enquanto Gina tentava continuar a conversa com Neville, tentando descobrir quem era a mulher dele.


- Só sei que ela era da Grifinória.- Neville deu de ombros.


Hermione sentiu um desânimo se apoderar dela. Ela ficara as longas semanas desde da briga com Rony, em uma depressão sem tamanho. Não sentia-se motivada a nada, explodia por qualquer motivo. E perante aquele breve resumo da história do professor, sentiu-se tão mesquinha.


Pelo menos aquilo a fez sentir uma maior empatia pelo professor, e ela observou ele almoçando sozinho na mesa dos professores sentindo uma grande afeição por aquele homem tão jovem, e já tão machucado.


 


(...)


Hermione estava entrando em surto. Escrevera sua última carta para Rony havia mais de uma semana e não recebera resposta alguma. As corujas não poderiam estar demorando tanto, poderiam?


A festa do Dia das Bruxas já se aproximava e a idéia de Gina de convidar os garotos para participarem soava mais absurda do que nunca.


Ela e Rony pareciam ter assinado um contrato silencioso e muito formal que dizia que deveriam manter o menor contato possível durante aquela pausa em seu relacionamento. Ela já começava a delirar achando que ele poderia estar tendo um tipo de vida diferente em Londres.


- Ele provavelmente está arrependido...e pretende fazer uma surpresa como aquela para você...e aparecer aqui no próximo final de semana.- Gina tentava alegrá-la.


Hermione não respondeu e simplesmente continuou caminhando. Finalmente as aulas haviam terminado e a quinta-feira logo chegaria ao fim. Quase dois meses sem ver Rony. Ela nunca pensou que aquilo aconteceria....que passariam tanto tempo separados de novo.


Quando viraram e começaram a caminhar no corredor que as levaria para o Salão Principal mais rápido, deram de cara uma cena inusitada.


A garota da Sonserina, que parecia ser fã incondicional de Rony, estava apoiada na parede de pedra, próxima a escada de mármore. E alguém conversava com ela, passando a mão nervosamente no cabelo. E não era ninguém mais ninguém menos do que o alvo da garota- Ronald Weasley.


- Meu Merlim!- Gina exclamou ao lado dela, parecendo tão incrédula quanto Hermione.


Hermione não desgrudou os olhos dos dois. Rony parecia estar querendo fugir da conversa, mas mesmo assim continuava parado ali. Já a garota da Sonserina lançava sorrisos constantes para ele e falava cada vez mais alto. Hermione adoraria escutar o que estavam falando.


Ela deu passos pesados em direção aos dois. Gina correu para acompanhá-la. Rony olhou para o lado, querendo saber quem se aproximava. Seu queixo caiu quando ele viu Hermione parar ali.


No exato momento que seus olhos se encontraram Hermione sentiu-se mais ridícula do que nunca. Certamente estava com o rosto mostrando cansaço, mal pensara na roupa que usaria para o jantar e tinha certeza de que seu cabelo estava armado como sempre.


O que ele estava fazendo ali? Ela estava alucinando? Por que ele não falara que viria? Nada se encaixava.


Ela sentiu a mão de Gina em seu ombro, e um sussurro quase inaudível.


- Mione, encontro vocês no jantar.


E ela saiu, sem nem olhar para o rosto do irmão. Hermione ficou contente pela amiga fazer parte de seu protesto silencioso, ela nem ao menos olhara o rosto de Rony.


A sonserina ainda estava ali, e olhava ansiosa de Hermione para Rony.


- Ahn, Julie...eu falo com você depois...- ele continuava olhando para Hermione.


- Tudo bem então, Ronald!- ela sacudiu os cabelos loiros e sorriu abertamente para ele.- Obrigada pelos conselhos! E novamente, parabéns pela palestra!


Ela sorriu para Hermione, que permaneceu séria em resposta. A garota pareceu entender o que estava acontecendo e saiu rapidamente de perto deles, parecendo ansiosa para encontrar seu bando de amigas para se sentir mais segura. Hermione sabia que tinha um brilho homicida nos olhos. Ronald? Conselhos? Palestra??? O que ela havia perdido?


- Oi, Mione.- Rony olhava para o chão, fazendo sua expressão mais mortificada. Hermione conhecia aquela atitude de vergonha dele.- Como você está?


Hermione não respondeu e deu mais dois passos em direção a ele.


- Estou ótima. – ela falou, o tom de voz mais agudo do que o normal.- Você também me parece estar muito bem.


Ele não respondeu, apenas colocou a mão nos bolsos.
Hermione perdeu alguns segundos da discussão que se aproximava e observou a roupa que ele usava. Mais elegante do que costumava ser.


- Posso saber qual é a ocasião?-ela cruzou os braços na frente do corpo, tentando forçar ele a olhá-la nos olhos.- Você...em Hogwarts...


Ele estava começando a responder, mas ela o impediu.


- Quer saber, não precisa me contar.- ela começou a caminhar para o lado.- Estamos há mais de um mês sem nos vermos, mas se você achou que a sua visita à escola não era tão significativa ao ponto de eu saber-


- Eu vim para o seminário de Defesa Contra as Artes das Trevas.- ele praticamente cuspiu, aproximando-se dela, finalmente a olhando nos olhos.


- Ah, claro. Isso explica tudo.- Hermione continuou caminhando lentamente, sem querer realmente sair do lugar.- Já que você e o professor da matéria são ótimos amigos e você devia esse favor a ele, não é mesmo?


Rony pareceu ansioso, quase impaciente.


- Hermione...podemos conversar?


- Estamos conversando.- ela se virou para ele, a voz ameaçadora.- Agora que sua agenda lotada permitiu que eu ganhasse os minutos de sua atenção que estavam sendo dispensados à Julie...


- Ela estava no seminário...quis saber algumas informações sobre a Academia de Aurores.


- Hum...muito interessante- Hermione odiava o fato de ele estar se explicando.- Sonserinos realmente dão ótimos aurores.


- Hermione- ele suspirou- você sempre foi contra qualquer tipo de preconceito ou generalização...


- Ah, então agora o assunto é esse.- ela descruzou os braços.- Me desculpe, por um momento pensei que era sobre você aparecer em Hogwarts de surpresa.


- Era para ser uma surpresa.- ele parecia muito sem graça.- Mas mais alegre. Menos agressiva.


Ele riu. Ela não o acompanhou.


- Neville e Gina estavam preocupados com você.


- Então Neville sabe da minha tragédia grega agora?- ela quase gritou.


- Gina contou.- Rony tentou se justificar.


- Ah, então todos estão sabendo dessa armação menos eu?


- Não culpe os dois. Nem Gina estava sabendo. O seminário com o Harry é em data diferente e eu pedi à ele que não contasse já que-


- Em que parte da história- Hermione aproximou-se perigosamente dele- eu ficaria sabendo que teria uma oportunidade de conversar com você?


Rony parecia imensamente nervoso. Hermione estava contendo todos os seus músculos para não começar uma briga naquele exato momento.


 


- Ronald Weasley-


 


Já não bastava que suas últimas semanas tivessem sido horríveis, agora ele precisava mostrar para Hermione que seu plano maravilhoso dera errado.


Ele havia pensado muito também, no tempo que haviam ficado separados. E entendeu, em parte, o argumento de Harry de que ele sempre se sentia inferiorizado.


O amigo havia tentado convencer Rony de que Hermione gostava verdadeiramente dele. Haviam tido longas conversas, que lhes custaram várias garrafas de cerveja amanteigada. Até Jorge resolvera opinar, caçoando de Rony o máximo que podia e dizendo que daquele jeito ele nunca conseguiria ficar ao lado de garota nenhuma.


- Mulheres são assim, irmãozinho.- Jorge falara um dia, já tomando a décima cerveja.- Elas precisam que você bajule elas, e não o contrário.


Várias piadas se seguiram. E Harry e Jorge finalmente conseguiram fazer Rony enxergar que ele estava agindo da maneira errada.


Concordaram com ele com o fato de Hermione ter que pensar se ela tinha certeza daquilo que queria, mas Jorge começara a gritar nessa parte querendo mostrar seu ponto de vista.


- Você acha que ela não tem certeza de que a ambição de vida dela e passar seus dias ao lado de um cara sardento, alto e desengonçado? Acho que ela já teria mandado você pastar se não quisesse isso.


Finalmente, após longas conversas, Rony se convenceu de que não precisaria ter tomado aquele tipo de atitude. Poderia ter colocado seu ponto de vista, mas não precisava ficar tanto tempo sem falar com ela.


- Ela vai desistir, cara.-Jorge falou para Harry.


- Não vai não- e Harry olhou para Rony.- É só vocês dois se acertarem, Rony. Não é a primeira vez que ficam brigados.


Ele pensou durante semanas no que poderia fazer para conversar com Hermione. Não tinha coragem de dizer por carta de que queria reatar o relacionamento. Ele já havia sido bastante estúpido no seu ataque, que segundo Jorge, podia ser traduzido como surto agudo de falta de confiança e auto-depreciação.


Rony teve que concordar. E começou a sentir raiva de si mesmo conforme outubro se alongava diante dele e ele não tinha coragem o suficiente para, pelo menos ir até Hogsmeade e correr atrás dela.


Finalmente, a desculpa perfeita surgiu. Os tais seminários de DCAT. Harry também achou uma ótima idéia, e prometeu acobertá-lo. Mas agora, ele estava diante de uma Hermione fora de si. A idéia nunca lhe parecera tão boba.


- Hermione...eu estou arrependido por ter bancado um inseguro..eu-


- Não é a primeira vez que acontece, não é? Eu já estou acostumada com isso...o que eu não posso suportar é...


Ela se calou. Ele sabia que não estava nem perto de acalmá-la.


- Desculpe, Hermione. Eu não sabia como falar com você...as cartas que eu mandava pareciam tão formais...você certamente não entedia que-


- Eu fiquei achando durante todo esse tempo que você não iria fazer nada para mudar a situação! E depois de tudo que passamos!


Ele viu que ela estava prestes a cair em lágrimas. Ele segurou seu pulso. Ela prontamente puxou o braço de volta.


- Vamos conversar com mais calma...a sala comunal deve estar tranqüila nesse horário...


- Não pense que um pedido de desculpas e palavras bonitas vai aliviar a minha raiva.


Ela começou a caminhar, fazendo o caminho inverso de Gina.


- Você passa semanas longe, semanas! Exatamente como naquela vez em que- a voz dela falhou, e ela acelerou o passo. Ele sabia que ela estava lembrando da viagem em busca das Horcruxes. E ele sabia que era culpa dele ela estar revivendo aquele sentimento.


Quando finalmente chegaram próximos a torre da Grifinória, Hermione parou.


- Você vai me obrigar a conversar com você?


- Mione- ele tentou falar suavemente.- Queria que você entendesse eu...


Ela não falou nada, não o interrompeu. O silêncio também era assustador.


- Eu achei que esse tempo seria bom. Pensei que você talvez tivesse dúvidas...queria que você pudesse pensar...que não se sentisse obrigada a levar adiante tudo isso.


- E eu falei para você que eu tinha certeza do que sentia. E do que queria.


- Então Jorge e Harry tinham razão. Perdemos todo esse tempo.-ele suspirou.- E estamos aqui novamente...brigando...


- Você achou que todo esse tempo separados acabaria com as brigas?- ela tinha os olhos muito úmidos, mas continuava segurando o choro.


- Achei que talvez...- Rony suspirou.


Olhou ao seu redor. Mesmo que o corredor estivesse deserto ele não se sentia à vontade. Ele abriu a porta da primeira sala que viu, Hermione entrou com a cara emburrada.


Ele percebeu que aquela era a sala que ela lhe jogara os pássaros, em seu sexto ano, quando ele entrara na sala com Lilá. Ela pareceu não perceber.


- Eu apenas pensei...que talvez o tempo estivesse sendo prejudicial. Que após termos passado por todas as dificuldades nossa situação tivesse...eu não sei...


- Ronald- Hermione continuava zangada.


- Sobrecarregada. Desgastada.


Ela silenciou e suspirou. Ele viu que estava conseguindo acalmá-la.


- Eu não acredito que você me fez passar por tudo isso para dizer que estávamos com nosso relacionamento desgastado!


- Eu não sabia como-


- Pois eu acho que não estamos. Só que você está vendo as coisas diferentes Rony, por que está amadurecendo. É assim que as pessoas são.


- Mione...por favor escute...é que...quando eu tomei essa decisão eu estava pensando em algo...e eu não podia dar o próximo passo sem nos fazer passar por essa prova...eu...


- Hum...como se nosso relacionamento nunca tivesse passados por dificuldades até aqui.- Hermione riu sarcasticamente.- Claro que haveria uma vaga para Julie no longo caminho que-


- Hermione- ele falou mais alto. A garota levantou a sobrancelha para ele.


Como ele poderia contar o que havia feito naquelas semanas? Que tipo de pessoa terminaria um relacionamento e sairia fazendo o que ele fez?


Ele colocou a mão no bolso e sentiu o peso de sua decisão. Um peso real- e não imaginário.


Havia dividido o seu tempo, já escasso, na Academia de Aurores para procurar o que achava ser perfeito. Já era em tempo. Ele sabia que o pouco que estava ganhando como bolsa o ajudaria a manter seu plano.


Ele precisava daquilo. Mas ainda precisava da certeza de Hermione. Por isso ele havia terminado com ela.


Talvez fizera da maneira mais errada. Ele se culpava agora por isso, mas achou que era preciso.


- Hermione- ele aproveitou que ela estava calma- Eu estou saindo do apartamento do Jorge.


Ela ficou calada, em choque.


- Harry já estava vendo um apartamento desde que chegamos lá e ele achou um lugar...pretende se mudar até o final do ano.


- Do que você está falando?- ela provavelmente não entedia por que ele precisava sair de um apartamento que teria mais espaço sobrando.


- Por isso eu entrei em surto. Você me conhece. Sabe como eu fico quando...quando preciso tomar uma decisão.


Ele engoliu em seco. Hermione soltou as mãos.


- Ronald...


A penumbra da sala começava a incomodar. Ele sacou a varinha e iluminou o local, deixando-a sobre uma classe próxima.


- Eu já havia deixado claro para você...logo depois que voltamos da visita aos seus pais...


- Ronald você- a raiva dela aos poucos estava se transformando. Havia um pânico claro em sua voz.


Ele puxou uma chave para fora do bolso e segurou diante dela. Ela ficou olhando sem entender.


Ele não falou nada. Aos poucos, ela levou as duas mãos a boca.


- Você não fez isso....- ela sussurrou.


- Papai emprestou um dinheiro para a entrada...a bolsa da Academia paga o restante das prestações...vou demorar bastante tempo, mas talvez depois de ser efetivado pelo Ministério eu consiga quitar em menos meses.


Hermione continuava paralisada. Sua pele estava incrivelmente branca.


Ele respirou aliviado. Sabia que na mente dela tudo estava se encaixando.


- Você é mesmo um idiota. Precisava terminar comigo para...?


- Essa chave é sua.- ele puxou a mão dela e colocou a chave ali. Ele tinha até arrumado um chaveiro com elfinho doméstico cor de rosa. Ela riu de um jeito espontâneo quando observou o presente.- Harry ficou rindo por semanas. Ele falou que isso tudo é por que nunca tivemos muito dinheiro...e agora que eu tenho quero gastar em tudo que vejo pela frente.


- Ele tem razão, sabe.- ela observou o chaveiro, e dirigiu um olhar carinhoso para Rony.- Você vai se endividar até a cabeça.


- Não vou não.- Rony se aproximou mais dela.- Era esse o plano. Eu só estava esperando a oportunidade certa.


Hermione sabia que a Academia estava pagando o suficiente para ele se manter. O Sr. Weasley ganhara um belo aumento também, e todos estavam vivendo tranquilamente. Até Jorge estava mantendo a loja apesar do aluguel e do tempo que passara fechada.


- Rony...você-


Rony deu uma tossida nada discreta.


- Bom, como da última vez eu não fui nem um pouco claro, acho melhor deixar tudo bem explicado dessa vez.


Hermione deixou o chaveiro esquecido na sua mão.


- Eu estou me mudando para o novo apartamento mês que vem.- ele nem parecia acreditar que estava falando aquilo.- Você ainda tem esse ano em Hogwarts, mas...


Hermione continuava com o rosto muito branco, a boca aberta. Ele finalmente estava conseguindo manter o domínio da situação.


- Por isso você ainda tem bastante tempo para pensar...por enquanto, considere que isso é apenas a chave do meu apartamento. Para quando você for passar as férias de Natal, ou algo assim.


Ela tremia da cabeça aos pés. Rony teve vontade de rir, mas achou que seria indelicado. Uma lágrima silenciosa desceu pelo rosto dela.


- Rony- ela falou em tom quase inaudível, a voz rouca.


- Mas depois que você terminar Hogwarts, eu gostaria de uma resposta.- ele sentiu a voz tremer.


Ela olhou a chave na sua mão. Rony sentia o coração batendo muito rápido. Observou a respiração alterada de Hermione.


- V-você- ela engoliu em seco, nervosa.- está me convidando para...morar c-com você?


Rony sorriu abertamente. Ela observou os olhos dele demoradamente.


- Algo mais sério do que isso, mas....Não vamos antecipar as coisas.


Ele ficou muito vermelho. Hermione não conteve uma exclamação.


- Ronald Weasley- ela tentava falar.


- Eu falei pra você que eu não sei fazer esse tipo de coisa. – ele deu de ombros.


Suas orelhas estavam tão quentes que ele sentia como se pudesse esquentar a sala inteira no inverno mais rigoroso.


- Eu não sei se eu mato você ou...ou- Hermione tentava conter o choro, mas as lágrimas teimosas a denunciavam. Ela ria e chorava ao mesmo tempo.


- Eu acho melhor você me entregar sua varinha, só por precaução.- ele riu, divertido.


Ela puxou a varinha antes que ele percebesse, e soltou faíscas ameaçadoras pela ponta.


- Eu sei que não é um pedido oficial...-ele começou a caminhar para trás. As luzes da ponta da varinha de Hermione formavam uma luminosidade estranha.- E eu não imaginei que fosse assim...


- Você imaginou um restaurante?- ela riu, quase histérica.- Um buquê de flores?


- Eu prometo me redimir.- ele levantou as mãos em defesa.- Considere apenas que lhe entreguei a chave do apartamento.


Hermione largou a varinha no chão. As faíscas prontamente se apagaram, e somente o feitiço Lumus da varinha de Rony voltou a iluminar o local.


- Você realmente não sabe fazer esse tipo de coisa.- ela se aproximou lentamente dele. Rony tropeçou em uma classe e quase caiu no chão. Hermione parecia um predador se aproximando de sua presa.


Ele queria falar para ela que consertaria as coisas. Primeiramente ele iria para o apartamento, ela poderia deixar alguma de suas coisas lá. Ele provavelmente marcaria um jantar, a luz de velas, compraria um anel ou algo assim. Ele preferiu deixar apenas o convite para morarem juntos no ar.


- Desculpe...não queria pular etapas...só....


- Da próxima vez, você não precisa terminar comigo antes para que eu pense em todas essas coisas.- Hermione se aproximou dele, ainda com aquele andar imitando um felino. Rony ficou paralisado, as costas coladas na classe.- Ah, a propósito. Eu já sei a minha resposta.


- E qual é?- ele quase sussurrou. Ele não sabia se ela estava pronta para esganá-lo, ou planejava jogá-lo pela janela.


- Não vamos pular etapas.- ela ironizou.- Esperarei o pedido oficial.


Ela parecia tão diferente. Ele gostou do efeito que causou nela. Era incrível como o sofrimento de todas aquelas semanas valia a pena perante aquele momento.


- Ok- ele respondeu, antes que Hermione praticamente pulasse sobre ele e o silenciasse unindo seus lábios.


Ele segurou ela fortemente contra seu corpo, tentando impedir que ambos caíssem. Ele tentou se manter sobre os dois pés, mas Hermione continuava jogando seu peso contra ele.


Ele levantou a garota do chão e a colocou de uma maneira nada delicada em cima da classe que ele estava encostado até então. Ela pareceu não se importar, nem ao menos se assustar. Já estava com os braços ao redor de seu pescoço e o beijava de uma maneira quase furiosa.


Rony deixou seus dedos se perderem em seu cabelo, enquanto Hermione o prendia com a perna ao mesmo tempo que massageava sua língua com a própria, fazendo Rony perder completamente a razão.


Ele correspondia como podia. Suas mãos percorreram o corpo da garota. Hermione puxava seu corpo mais para perto.


Além de todo o tempo que haviam ficado separados, ainda havia as emoções do momento, a euforia de ver todos os planos que tinham diante deles. Saber que era apenas questão de tempo para estarem morando juntos, construindo seu futuro.


Ele tentava raciocinar, mas Hermione não parecia querer deixar. Ela segurou os cabelos dele fortemente, sem parar de beijá-lo. Rony se inclinava cada vez mais sobre ela, sem se importar se iriam cair no chão.


Ela se distanciou dele apenas alguns milímetros. Ele respirava rapidamente. Ela sorriu para ele.


- Senti sua falta.- ela falou sem fôlego, a voz entrecortada.


- Eu também. Você não sabe quanto.- ele empurrou ela dessa vez completamente sobre a mesa. Hermione abraçava-o fortemente, beijando cada pedaço de seu rosto que podia.


- Adoraria que pudéssemos estar no seu apartamento agora...- ela sussurrou em seu ouvido.


Ele olhou para ela, um semblante de preocupação querendo se formar no seu rosto.


- Sem pular etapas.- ela sorriu, explicando.


Ele a beijou novamente e ela aos poucos diminuiu a intensidade do beijo. Inclinou o corpo para frente e ambos começaram a se move do lugar.


Ele afastou o cabelo dela e começou a beijar seu pescoço.


- Espero que seja meu apartamento por pouco tempo...- ele sussurrou, enquanto mordia levemente a pele dela.


- Eu também...- ela quase não conseguiu falar, mantinha seus olhos fechados e respirava rapidamente.


Ele a encarou nos olhos, beijou seus lábios delicadamente.


- Eu amo você...- a voz dela saiu abafada, ele manteve a boca sobre a dela.- Ronald Weasley...


Ele novamente passeou com sua mão pelo corpo de Hermione, não acreditando em quanto aquele momento tornara-se perfeito.


- Eu amo você, Hermione Granger...- ele sussurrou.


Ela colou seus lábios novamente. Rony respondeu com tamanha empolgação que dessa vez, não houve mesa que agüentasse.


Hermione riu e se afastou levemente.


- Acho melhor irmos jantar.


- Alguns elfos poderiam levar um jantar até a Sala Precisa- ele ergueu uma sobrancelha. Hermione respondeu com o mesmo gesto. - Brincadeirinha.


Ela riu e o abraçou fortemente. Ele adorou a sensação da respiração dela no seu pescoço, enquanto ela suspirava longamente.


- Ah, você não mudou nada, Rony.


Ele sabia que era verdade, apesar de tudo que acontecera. Se ele ainda era o Weasley imaturo e teimoso por quem Hermione se apaixonara, ele realmente queria continuar sendo o mesmo.


 


 


 


N/A: Capítulo mais longo para recompensar os meus queridos leitores. Espero que tenham gostado! Obrigada para quem continua acompanhando!


 


 


 


 

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