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17. Atrito


Fic: In Aeternum


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Capítulo 17-Atrito


- Ronald Weasley-


Rony achou que acordaria com dor nas costas, mas se surpreendeu. Abriu os olhos contra a pequena claridade que entrava pela janela e não pôde conter um suspiro. Aquilo era tão estranho: dormir em plena sala comunal, acordar rodeado por aquele cenário tão familiar. Ele sempre imaginou como seria dormir em um daqueles sofás diante da lareira, mas sempre havia sua cama confortável o esperando no dormitório.


Harry estava espremido em um sofá menor, após uma breve discussão com Hermione:o garoto afirmava que podia conjurar um saco de dormir enquanto Hermione insistia que ele dormisse em um lugar mais digno já que Hogwarts devia tanto à ele. Rony dera gargalhadas com a discussão, dizendo que poderiam solicitar a McGonagall camas reservas em seus antigos dormitórios. Gina debochou abertamente da sugestão, dizendo que a professora provavelmente não se importaria com isso, talvez se iludindo de que seus antigos alunos soubessem conjurar algum lugar decente para dormir naquela altura do campeonato.


No fim, Hermione disse que poderia conjurar algo melhor, mas os garotos alegaram que não era preciso. Seria no mínimo engraçado passar uma noite na sala comunal, dormindo nos sofás antigos, mas ainda bem conservados. Harry afirmava para Rony que aquilo era uma experiência comum entre os trouxas, arranjar um lugar qualquer para dormir. E ambos conversaram alegremente sobre o assunto, até o sono os atingir, lembrando da maneira quase arcaica com que haviam passado a noite no Largo Grimmauld, enquanto fugiam dos Comensais da Morte.


Rony se levantou e começou a ajeitar com a varinha as almofadas fora do lugar. Se surpreendeu com a rapidez com que deixou o sofá de volta ao que era- ele não era bom nesses feitiços domésticos.


Harry já estava acordando, e imitou Rony. Os dois já haviam terminado a arrumação, quando Hermione apareceu ao pé da escada.


- Bom dia!- ela falou, soando alegre.


- Bom dia!- Harry respondeu.


Ela olhava com um sorriso divertido nos lábios a arrumação feita pelos garotos.


- Hum...nem parece que dois garotos dormiram aqui. Vocês fizeram um bom trabalho!


- Obrigado!- Harry sorriu para ela.


Rony ainda a olhava, meio abobado, tentando se acostumar com a presença dela tão cedo de manhã. Foi impossível não lembrar de como era na época de Hogwarts, como ele se sentia quando a via sair do dormitório. Lembrou-se de quando havia se sentido imensamente constrangido, após as suas constantes brigas. Ter que olhar para Hermione no dia seguinte era sempre um martírio.


Mas naquele momento, a briga do dia anterior parecia tão insignificante. Ele sentiu o peito inflar quando lembrou da maneira com que acabara a discussão- o desfecho mais perfeito que poderia ter havido.


Ele caminhou até a garota, sorrindo para ela.


- Dormiu bem?-ele falou baixinho, mas não precisou se preocupar em ficar constrangido. Harry fingia arrumar as almofadas novamente, lhes dando privacidade.


- Sim...e você?- a voz dela parecia mais suave do que o normal.


- Achei que não seria confortável...mas consegui dormir.


- Você dorme em qualquer lugar...- ela sacudiu a cabeça, se divertindo.


- Eu estava cansado, só isso.- ele deu de ombros.


- Hum...- ela tentou conter um sorriso.


Rony segurou seu rosto e por um breve momento tocou seus lábios. Hermione permaneceu anormalmente parada e sorriu abertamente quando ele se afastou.


- Gina falou que já está descendo...nós podemos ir tomar café.


Rony permaneceu olhando ela sem entender perfeitamente bem por que seu corpo estava reagindo daquela maneira. Ele não sabia se aquilo era comum. Conforme os dias passavam ele se sentia mais preso à garota diante de si, mesmo após a briga estúpida que haviam tido. Talvez, aquilo lhe mostrasse que poderiam lutar pelo que sentiam, independente das dificuldades.


Gina desceu as escadas correndo e foi direto para os braços de Harry.


Rony deixou que eles tivessem um momento e ficou ao lado de Hermione, mas teve que interromper a conversa quando Gina começou a ir longe demais em seus planos.


-... mas eu aposto que tem algum jeito de subir o tobogã, quer dizer, deve ser possível vocês entrarem em nosso dormitório de algum jeito!


Hermione riu, mas Rony ficou parado olhando a irmã.


- Gina, isso não é exatamente o tipo de conversa que eu quero escutar da minha irmã!


- Ah, certo...desculpe...- ela debochou.- Foi só uma idéia.


- Acredito que ficamos muito bem instalados aqui.- Harry falou em bom tom, querendo certamente acalmar Rony, antes que o mesmo tivesse um ataque histérico.


- Ok, Ok, vamos tomar café?- Hermione acabou com qualquer possível stress que surgisse, e todos aceitaram a idéia.


O salão principal continuava com aquela aparência diferente- cores misturadas, o ambientes mais alegre. Era uma Hogwarts distante deles- os primeiros anos em que haviam estado ali certamente haviam sido mais alegres que os últimos, mas Rony nunca vira tantos sorriso e conversas, risadas altas.


O tempo de luto estava se esgotando. As pessoas finalmente se davam conta da importância de viver intensamente cada dia.


Enquanto comia tudo que podia alcançar, Rony deixou sua imaginação vagar, e fingiu ser apenas mais um aluno sentado tomando o café da manhã.


Os alunos da Grifinória começaram a chegar, as caras de sono marcando cada um deles. Cumprimentaram Harry, Rony, Hermione e Gina e começaram a lotar a mesa.


A Profª. McGonagall veio caminhando até eles, o olhar severo.


- Pelo jeito a festa passou do horário ontem à noite...


Ninguém respondeu. Não sabiam se aquilo iria evoluir para um sermão.


- Potter, Weasley...gostariam de me acompanhar hoje à tarde? Apenas um chá para podermos conversar...


- Claro!- Harry respondeu no mesmo momento, e Rony agradeceu mentalmente. A presença da professora ainda causava certo medo nele.


A professora se afastou e todos suspiraram aliviados.


- É impressão minha ou McGonagall relaxou um pouco as regras?- Gina inclinou a cabeça para o lado, enquanto olhava a professora voltar à mesa dos professores.


- Não relaxou nada, ainda outro dia nos repreendeu por estarmos fazendo feitiços nos corredores.- um garotinho do primeiro ano se intrometeu na pergunta retórica de Gina.


- Ela deve estar feliz por ver Harry e Rony aqui, só isso.- Hermione tentou conter um sorriso, mas não conseguiu.


- Então você não se importa de acordar um pouco mais tarde em um sábado, não é? Não tem que estudar?- Rony falava ironicamente para ela.- Pense bem, Mione...você não vai querer ficar atrasada na matéria.


Ele achou por um momento que tinha a tirado do sério. Mas logo o semblante dela relaxou e ela desatou a falar.


- Tudo bem, durante a semana eu já havia organizado todo meu calendário de estudos e consegui deixar tudo em dia.- quando viu a boca de Rony se abrir para falar, ela continuou.- Não ter que fazer o dever triplo, por você, por Harry e por mim, me faz ganhar tempo, sabe?


Rony tentou rir ao ver que a garota estava apenas brincando.


- E ainda perguntam a você como você é a melhor da escola! Repetindo o dever tantas vezes...


Harry riu, tentando evitar uma possível discussão. Mas aquele tipo de coisa não parecia mais abalar nem Rony, nem Hermione, e eles continuaram fingindo que estavam implicando um com o outro durante o restante do café da manhã, apenas parando quando alguém passava e insistia em cumprimentar as visitas famosas de Hogwarts. Na altura que as corujas haviam vindo e voltado com as correspondências, Harry e Gina haviam entrado na brincadeira e faziam piadas cada vez mais constantes, arrancando risadas de todos os ocupantes da mesa da Grifinória e de Luna, que se juntara a eles.


Flashback


Harry o olhava de um jeito estranho na manhã seguinte. A briga com Gina já não parecia tão vívida em sua memória, mas a sensação ruim na boca do estômago continuava.


- Vamos descer para o café?- ele falou, olhando para Harry. O amigo pareceu dar um pulo ao ver que Rony se dirigia a ele.


Rony suspirou. Era terrível ter de saber que todos estavam com pena dele. Pena não seria a palavra adequada, mas o comportamento estranho de Harry só podia significar aquilo.


- Ahn, er...- Harry olhou em direção à escada dos dormitórios.- Acho que Mione já está descendo...


- Ah, tá.- Rony deu de ombros. Colocou as mãos nos bolsos e começou a caminhar em direção à saída do retrato.- Eu vou descendo, então...


Ele não olhou para trás, mas teve certeza de que Harry ficara parado, olhando para ele. Não achava justo o amigo estar agindo daquele jeito indiferente, quando no dia anterior ele presenciara Rony ouvir certas verdades que gostaria que nunca tivessem ocorrido. Deveria haver alguma regra para situações como aquela!


Harry deveria ficar ao seu lado e entender como ele estava se sentindo, mesmo que Rony não quisesse falar sobre o assunto. E verdadeiramente, a última coisa que ele queria era mencionar os nomes Hermione e Krum em uma mesma sentença novamente.


Mas talvez...


Talvez Harry estivesse agindo daquele jeito, pois já sabia, desde o quarto ano, que aquilo ocorrera. Até mesmo ele, Rony, desconfiara que algo mais pudesse ter ocorrido entre Hermione e Krum. Enquanto pensava isso, sentando-se à mesa da Grifinória para o café, teve que dar um tapa em sua própria testa. E ele pedira um autógrafo para Krum, mesmo após tudo aquilo? Hermione deveria achar mesmo que ele era um idiota...


- Oi, Rony...- Neville estava se sentando ao lado de Rony, cautelosamente. Rony tentou mudar sua posição para uma mais relaxada já que aparentemente estava assustando as pessoas.


- Oi, Neville...


Neville pareceu levemente surpreso com o tom mórbido do colega, mas começou a se servir de suco fingindo que nada acontecera.


Parvati Patil e Lilá Brown estavam sentadas um pouco distante deles na mesa, mas pareciam lançar olhares ansiosos para a direção que ele e Neville estavam sentados.


Rony olhou de volta, inexpressivo. Sabia que estava com uma cara ameaçadora, prováveis olheiras e cabelo bagunçado. Lilá não pareceu se importar- nem reparar- em nada daquilo quando lhe dirigiu um sorriso.


- Oi, Rony.- ela falou em tom contido.


- Oi.- ele respondeu seco.


Apoiou o queixo nas duas mãos, os cotovelos descansando em cima da mesa. Lilá pareceu achar suficiente a indireta de Rony de que não estava tendo um bom dia.


Rony mal começara a beber seu suco quando a voz de Hermione, mais irritante que o habitual chegou aos seus ouvidos.


- Tenho certeza que vocês precisarão diminuir os treinos de quadribol, Harry. Ou vão acabar se prejudicando... Você não quer ficar atrasado na matéria, quer?


- Hermione, acho que já tenho coisas demais em mente para pensar nisso agora. Treinar o time é importante, ainda mais com as mudanças recentes!


Harry se sentou ao lado de Rony, dirigindo um olhar ansioso para o amigo. Rony fingiu um interesse exagerado no prato de cereal diante de si. Hermione sentou do outro lado de Rony, ainda querendo conversar com Harry.


- Não estou dizendo que não seja - ela começou a puxar algumas coisas para perto. - Ah, olá Neville - só estou dizendo que você não deve se descuidar das matérias...


- Ok, Mione...obrigado pela preocupação...- Harry começou a tomar seu café, servindo-se de um pedaço de bolo. Mas não parecia realmente empolgado após aquele sermão matinal.


- Você não acha Rony?- Hermione olhou para o garoto ao seu lado, sem se dar o trabalho de cumprimentá-lo ou saber como estava o seu emocional. Obviamente, ele jamais contaria para ela o que estava se passando em sua mente.


- Que?- Rony continuou, secamente.


Hermione não pareceu muito surpresa com a falta de educação do garoto.


- ... Que Harry sendo capitão pode acabar se descuidando das outras tarefas?


Todos estavam irritando Rony. Hermione principalmente, pois tudo que ele via nela o tirava do sério, ainda mais quando ela usava aquele tom petulante. Harry, pois permanecia quieto, ao invés de inventar para a garota algo para evitar que ela e Rony entrassem em atrito. Até Neville estava entrando na lista, pois olhava para eles com cara de completo espanto.


- Eu acho- Rony já estava se levantando.- que se você tentar não ter a razão em todas as situações, talvez Harry escute você.


Hermione ficou calada, olhando para Rony, agora de pé.


- O que?- ela perguntou, a sobrancelha curvada.


Ele não pôde deixar de perceber que até Lilá e Parvati observavam a leve discussão que se formava.


- Nada, não. Eu já terminei. Estou indo...- ele saiu antes que alguém pudesse falar algo.


Parecia que não enxergava nada, nem as pessoas sentadas tomando café, nem a porta pela qual saía agora. Caminhou sem saber para onde estava indo. A imagem de Hermione, olhando para ele intrigada sentada à mesa do salão, tomava sua mente. Sentiu uma raiva imensa ao lembrar da indiferença com que ela agia-obviamente, já que não sabia de nada do que acontecera. Mas e naquela época, após o Baile de Inverno, como ela pôde ser tão falsa e jogar tudo aquilo na cara dele?


Ele precisou controlar toda a sua raiva quando estava assistindo aula juntos. Ele havia se sentado mais para trás, estrategicamente, pois sabia que Hermione certamente ocuparia a primeira fileira de cadeiras. Ele não pôde conter um ou dois olharem em direção à garota.


Por que aquilo parecia mentira? Será que não era possível ele voltar no tempo e impedir que Krum a beijasse? A cena passava na sua mente minuto a cada minuto, ele não conseguia parar de pensar naquilo. Cada sorriso, cada frase de Hermione parecia mais feliz do que deveria ser.


Uma parte de sua mente gritava que ela não estava errada. Krum havia a convidado para o baile e ela aceitara, simplesmente assim. Enquanto ele, Rony, havia ignorado completamente o fato de que poderia ter chamado a amiga para ir como seu par.


Balançou a cabeça, tentando se concentrar na aula: mas já não sabia o que o professor falava. Seus olhos agora em Hermione, demoraram-se em seus lábios e em seu rosto. Seu estômago deu cambalhotas ao pensar que Krum estivera o mais próximo possível dela, beijara ela- e havia sido beijado em resposta, provavelmente. As mãos de Hermione sobre a classe, anotando quase furiosamente a matéria também o tiravam do sério. Afinal, ela tinha dois braços para ter lutado contra as investidas do búlgaro, mas não-aqueles braços e aquelas mãos haviam ficado excessivamente perto de Krum, o abraçando talvez.


Bufou impaciente, e viu várias cabeças se virarem para ele. Estava se tornando completamente paranóico, precisava saber cada detalhe, cada momento que havia acontecido entre Hermione e o jogador.


A aula continuou, e conforme o tempo avançava sua paciência era testada mais e mais.


- Hermione Granger-


Rony estava de mau humor-mas qual era a novidade? Ela vira ele sentado nos fundos da sala quando entrara buscando um lugar, mas não fez questão de forçar um diálogo. Harry não sentou com nenhum dos dois, querendo provavelmente não mostrar que estava favorecendo alguém na briga.


Quando Rony saíra da mesa do café, ela havia tentado extrair de Harry alguma verdade.


- O que aconteceu no treino de Quadribol?


- Nada de diferente. Não foi o melhor treino, mas...- Harry não a olhava nos olhos.


- Olha, Harry...eu sei que você está me escondendo alguma coisa. O Rony está todo mal humorado e-


- Nós vamos nos atrasar.- Harry falou, ao ver que Neville já estava na metade do salão em direção à porta.


Hermione olhou quem restava na mesa. Lilá e Parvati estavam se levantando também, disfarçando que estavam olhando para os dois até aquele momento.


Hermione deu as costas, ignorando o deboche no rosto de Lilá. Ela obviamente ficara feliz de presenciar a grosseria com que Rony tratara Hermione. Porém, havia algo que não estava fechando naquela história...


A hora do jantar foi o teste de fogo. Harry parecia estar sentado muito parado, quando Hermione se juntou a ele e Rony.


Ela se sentou diante do ruivo, que não lhe dirigia um olhar sequer.


- Tudo bem, Rony?- ela tentou. O mau humor dele devia ter sido provocado por algo no treino de Quadribol, ela não tinha nada com aquilo.


- Tudo ótimo, por que não estaria?- ele debochou, ainda sem olhar para ela.


Hermione e Harry pareciam estar reparando na mesma coisa. Rony mal tocava na comida-exatamente como no café da manhã. Alguma coisa estava acontecendo.


- Desculpe...eu só pensei...- ela deu de ombros.


Naquele momento, Rony ergueu os olhos para ela. Estava realmente furioso, e não parecia nem um pouco feliz em ter que encará-la nos olhos.


- P-pensei que talvez você quisesse conversar... - Hermione desviou o olhar, assustada com o brilho estranho nos olhos de Rony.


- Ah, claro. Por que você adora dar opinião sobre a vida alheia, principalmente quando não lhe pedem. - ele afastou o prato que tinha diante de si.


Hermione ficou chocada. Aquilo havia doído mais do que um tapa na cara. Aquelas respostas irônicas estavam sendo tão gratuitas, ela não sabia de onde vinha tanta raiva.


-Rony, eu não tenho culpa se o seu treino de quadribol foi-mas ela foi interrompida.


- O Rony está realmente evoluindo. Escutei o pessoal elogiar as manobras dele e- a voz de Harry parecia um pouco mais alto do que o normal.


- Quem aqui está falando de Quadribol?- Rony tomou o resto de seu suco de abóbora e procurou com os olhos ansiosamente por algo na mesa, talvez apenas para fugir dos olhos de Hermione.


- Eu achei que você estava com algum problema- Hermione começou a soar zangada também, não iria aceitar aquele desaforo gratuitamente.- Mas já que você está gastando toda a sua energia com essas ironias, eu não irei me importar mais.


- Ei, Mione... você precisa vir aos próximos treinos. O Rony criou uma forma de defender as três balizas ao mesmo tempo que- Harry novamente tentava se fazer visível, e audível, mas os dois amigos diante de si não paravam a conversa apenas por ele estar constrangido.


- Ótimo. Ninguém pediu para você se importar.- Rony olhou diretamente para ela.


Hermione sentiu a raiva se apoderar de seu corpo, de uma forma quase irracional.


- Você pode achar que seus lapsos de humor passam despercebidos, Ronald, mas pisar nas pessoas que estão ao seu redor não vai fazer seus problemas sumirem.- Hermione se levantou da mesa, prontamente.


Os grifinórios ao redor pareciam mais silenciosos que o normal. Estavam acostumados com as brigas de Rony e Hermione, mas provavelmente sentiam que a coisa estava mais séria.


- Eu vou subir. Ainda tenho muitas coisas para estudar antes de dormir.- Hermione olhou para Harry, que tentou lhe dirigir um sorriso.


- Muito menos esse sermão irá fazer meus problemas sumirem...- Rony falou baixinho, ela já estava de costas rumando para a porta.


Ela fingiu não escutar, segurou a frase pronta que se formou na garganta e saiu dali, antes que acabasse falando demais.


Alguém havia levantado atrás dela, ela não quis olhar. Sabia que Rony não viria atrás concertar o estrago e ela não queria ver ninguém. Não conseguia entender porque Rony estava descontando tudo nela.


- Mione!- a voz de Gina alcançou seus ouvidos.


Hermione continuou a subir as escadas, fazendo o caminho tradicional para a sala comunal.


- Mione, por favor espere!


- Gina, eu tenho muitas coisas pra fazer...e seu irmão já conseguiu me tirar do sério.


- Eu vi! Eu- Gina tentava alcançar o passo de Hermione.- eu acho que...


- Não adianta, Gina...nada do que você fale vai diminuir minha raiva. O Rony pode ser muito infantil quando quer, e insensível!


- Mas por que vocês brigaram dessa vez?- ela arriscou um olhar para Gina. O rosto dela estava vermelho, combinando com seu cabelo. Hermione quis entender porque ela estava repentinamente tão interessada naquilo.


- Aí é que está o problema, nós não brigamos!- Hermione quase soou histérica.- Ele está assim, desde aquele treino de quadribol estúpido e fica dizendo que não tem nada relacionado, mas como pode sendo que...


Hermione se calou. Sentia que poderia ter um acesso de raiva pior se não contasse para alguém.


Já haviam chego ao buraco do retrato. Hermione prontamente disse a senha à Mulher Gorda e entrou, Gina nos seus calcanhares.


- Você estava dizendo...- a voz de Gina era cautelosa quando ela se sentou ao lado de Hermione, diante da lareira.


- Nós não havíamos brigado. Eu sei que você vai dizer que isso é quase impossível, mas nós estávamos bem...eu até...- Hermione engoliu em seco- Eu havia convidado o seu irmão para ir à próxima festa do Clube do Slug comigo.


Ela não sentiu seu rosto corar. Gina por outro lado, parecia estar prestes a entrar em ebulição.


- E quando foi isso...?


- Na aula de Herbologia...antes dessa explosão toda do Rony!


- E...ele aceitou?- Gina evitou o olhar de Hermione.


- Ele não respondeu, mas...- Hermione vasculhou sua mente- Ele falou que...bom...ficou subentendido que...


Gina aguardava Hermione finalizar seu pensamento.


- Isso não importa.- Hermione sentiu a melancolia em sua voz.- Acho que ele está dando indiretas e diretas suficientes para mim de que desistiu de aceitar o convite...


- Você acha que ele está desistindo...?- Gina a olhou nos olhos, ansiosa.


- É só o que eu posso pensar. Nem você, nem Harry, nem ele querem me falar se algo aconteceu naquele treino. Então, eu deduzo que nada aconteceu. Só pode ser comigo o problema...


- Mione, por favor. Mantenha a calma. Eu acho que o Rony...


- Gina, não tente defender ele! Nada do que você falar vai diminuir essa raiva que eu estou sentindo! Ele não tem o direito de começar a me xingar e-


- Mas, Mione...eu acho que...bom- Gina passou a mão pelos cabelos ansiosa.- Escute...ele brigou comigo na saída do treino...e então...


-Ótimo, então não está restrito a mim... ele só está querendo distribuir esse mau humor pelo castelo...- Hermione estava começando a ficar fora de si.


- Escute, Mione...não é isso...


- Eu vou ir buscar alguns livros. Aproveitar a calmaria enquanto o restante do pessoal está jantando...aproveite seu tempo livre com Dino, Gina...não se preocupe comigo...


- Mione...- Gina continuou tentando, mas Hermione não queria ouvir.


A garota pareceu realmente chateada que a amiga não a tivesse escutado, mas Hermione não tinha tempo para aquelas infantilidades.


Quando voltava com seus livros e algumas anotações, percebeu um leve aumento de pessoas na sala comunal. Ignorando as conversas, se sentou em sua poltrona favorita e começou a ler.


Não demorou muito, Rony e Harry juntaram-se ao grupo de pessoas barulhentas. Hermione insistia em seu estudo, tentando a todo custo entender o que estava lendo.


- Eles me tiram do sério, esses pirralhos. Não éramos tão mal educados assim!- Rony falou impaciente enquanto tentava obter um lugar para sentar.


Harry olhava para o amigo com uma expressão estranha, como se dissesse que não era preciso muito para tirá-lo do sério.


- Mal educados...- Hermione debochou.


- Com licença?- Rony olhou para ela, de uma maneira mais formal do que o momento pedia.


- Você já ouviu a expressão, o "sujo falando do mal lavado"?- ela já fechava o livro. Sabia que não seria possível continuar ali, já que Rony provavelmente continuaria com suas piadinhas.


- Ah, vamos...vocês dois...não vão começar de novo com essa história...- Harry já estava se aproximando de Hermione, o rosto parecendo sinceramente cansado.


- Você é monitora, por que não acaba com aquele burburinho?- Rony ignorou a provocação de Hermione, e apontou para o local onde os alunos do primeiro ano travavam um duelo falso, uma pequena multidão incitando a brincadeira ao redor.


- Você também é monitor! Por que você não vai até eles, já que está tão incomodado?- Hermione se colocou de pé, prontamente.


- Ah, mas isso é tão típico de você, Hermione. Sair por aí dando lições de moral. Não vou nem me dar ao trabalho...- ele passou por ela, o corpo duro, e se jogou prontamente na poltrona que ela acabara de sair.


Hermione ficou parada de costas para ele, tentando não demonstrar qualquer reação.


Harry olhou ansioso para a amiga. Ela respondeu o olhar.


- Repentinamente, o ambiente ficou muito pesado. Boa noite, Harry.


Ela subiu as escadas rapidamente, sem olhar para trás. Quando bateu a porta do dormitório, não se importou em demonstrar sua raiva. O livro que pretendia estudar ficou jogado em cima de sua cama, enquanto ela andou de um lado para o outro do dormitório vazio, tentando acalmar a fúria quase homicida que Rony despertara nela.


- Ronald Weasley-


Ele permaneceu sentado ali, olhando para onde Hermione acabara de sair. O barulho na sala comunal continuava. Os olhares ansiosos de Harry não estavam ajudando.


- Eles não estão dando sinais de que vão parar. Vou subir.- ele falou, querendo justificar o fato de estar saindo do local minutos após Hermione.


Ele sabia que Harry compreendia perfeitamente bem seu sentimento. O amigo não estava o julgando, nem o colocando contra a parede. Porém, continuava defendendo Hermione, tentando evitar que Rony brigasse com ela.


Era impossível ficar no mesmo ambiente que ela e não tentar de toda forma a magoar. Ele queria que ela sentisse na pele o mesmo que ele estava sentindo.


Ele continuou sendo irônico, dia após dia, sem justificativa, sabendo que tudo que falava podia estar magoando ela mais do que ele programava.


O tempo passou mais depressa do que ele planejara, e ele teve que colocar de lado toda a raiva acumulada por Hermione e Krum, quando se viu na mesa da Grifinória, uma massa sólida de vermelho e ouro, na manhã do jogo.


Harry sorriu e acenou quando se aproximaram, os colegas parecendo mais alegres. Rony deu um sorriso fraco e balançou a cabeça. Não sentia uma boa energia vindo daquele jogo, algo lhe dizia que tudo tinha potencial para dar muito errado.


- Anime-se, Rony- Lilá quase gritou, querendo chamar a atenção do garoto. -Eu sei que você será brilhante.


Rony não conseguiu sorrir para ela, muito menos responder. Lilá estava insistindo muito em manter uma conversa com ele nos últimos dias, ele sabia bem o que a garota queria. Será que ela não enxergava que ele tinha outros problemas em mente?


- Chá? Harry lhe perguntou.- Café? Suco de abóbora?


- Qualquer coisa- Rony respondeu sem pensar, dando uma mordida mal-humorada na torrada. Não entendia como Harry podia estar tão calmo.


Alguns minutos depois, Hermione parou atrás dele na mesa. Rony sabia pelas atitudes dela, que finalmente se cansara de seu comportamento. Ela não fizera questão de descer para o café com eles, sendo que sempre se importara de manter Rony calmo. Ele lembrou, sentindo uma pedra afundar em seu estômago, do beijo de boa sorte que ela lhe dera em seu quinto ano, antes de seu primeiro jogo. Sentiu a raiva tomar seu corpo novamente- aquilo tinha sido após toda a história da garota com Krum. Mais uma etapa de sua vida que havia sido construída em cima de mentiras. Pelo menos para ele. Talvez Hermione não visse problema algum em sair beijando quem quer que fosse.


- Como vocês estão se sentindo?- a voz dela veio de trás dele.


- Bem- Harry foi quem respondeu, enquanto passava um copo de suco de abóbora para Rony.- Aqui está, Rony. Beba.


Rony tinha levado o copo aos lábios, quando Hermione falou mais alto do que o necessário.


- Não beba isso, Rony!


Harry e Rony olharam para ela.


-Por que não?- Rony perguntou, ainda mantendo seu tom indiferente.


Mas Hermione estava encarando Harry como se ela não pudesse acreditar nos próprios olhos.


-Você colocou algo naquela bebida.- ela acusou prontamente.


-Desculpe?- Harry parecia ter o tom divertido.


- Você me ouviu. Eu o vi. Você colocou algo na bebida do Rony. Você ainda está com a garrafa em sua mão direita!


- Eu não sei sobre o que você está falando- Harry disse, e Rony pôde apenas visualizar uma pequena garrafa que o garoto guardava no bolso.


- Rony, me escute, não beba isto!- Hermione disse novamente, alarmada.


Rony ignorou completamente a amiga, tomou um gole e disse.


-Pare de mandar em mim, Hermione.


Ele não quis escutar mais. Viu que Hermione ainda tentara argumentar algo com Harry, mas aquilo não importava. Da mesma forma que não importava nem um pouco o que quer que Harry tivesse colocado em sua bebida.


- Que sorte o clima estar bom, né?- Harry perguntou.


- Sim- respondeu, enquanto sentia seu estômago dar cambalhotas incômodas.


A sorte realmente estava do seu lado. Ele sabia que nada daria errado. Sentiu-se furioso apenas em lembrar da sensação ruim que se apoderara dele antes do jogo. Não havia como perder aquela partida.


- Hermione Granger-


Rony e Harry foram os últimos a deixar o vestiário. Estavam quase saindo quando Hermione entrou. Ela parecia chateada, mas determinada.


- Eu quero dar uma palavrinha com você, Harry.- ela respirou fundo. - Você não deveria ter feito isto. Você ouviu Slughorn, é ilegal!


- O que vai você fazer, nos entregar?- exigiu Rony.


Harry ter posto a poção da sorte em seu suco fizera com que Grifinória saísse vitoriosa. Mas ela não podia fingir que aceitava algo daquele tipo.


- Do é que é você dois estão falando afinal?- perguntou Harry, se virando para retirar o uniforme.


- Sobre o que nós estamos falando!- sabia que estava soando estridente.- Você colocou no suco do Rony a poção da sorte, durante o café da manhã! Felix Felicis!- finalizou de modo quase escandaloso.


- Não, eu não coloquei- Harry respondeu simplesmente, se virando para ficar de frente para eles.


- Sim, você colocou, Harry, e é por isso que tudo deu certo, faltaram jogadores da Sonserina e Rony defendeu tudo!- Harry não conseguiria sair dessa impune.


- Eu não coloquei!- o garoto estava sorrindo amplamente. Ele enfiou a mão dentro do bolso de jaqueta e tirou a garrafa minúscula que Hermione tinha visto na mão dele naquela manhã. Estava cheia da poção dourada e a cortiça ainda estava lacrada firmemente com cera.- Eu queria que Rony pensasse que eu tinha feito isto, assim eu fingi quando eu soube que você estava olhando.


Ele olhou para Rony.


- Você defendeu tudo porque você se sentiu com sorte. Você fez tudo por mérito próprio.- Ele guardou a poção novamente.


Hermione não soube dizer se ela ou Rony eram os mais surpresos.


- Você quer dizer que não havia nada em meu suco de abóbora?- Rony estava realmente surpreso.- Mas o bom tempo. . . e Vaisey não poder jogar. ... Honestamente, eu não tomei nada da poção da sorte?


Harry balançou a cabeça, negando.


Hermione respirava rapidamente, surpresa. Rony tinha sido perfeitamente enganado, e seu talento como jogador de quadribol aflorara verdadeiramente enquanto ele havia fixado em sua mente que era capaz.


Rony abriu a boca por um momento, então se virou para ela, debochando com uma voz incrivelmente estridente.


- Você colocou Felix Felicis esta manhã no suco de Rony, e é por isso ele defendeu tudo!Veja! Eu posso defender gols sem ajuda, Hermione!


Novamente ele conseguia a tirar do sério.


- Eu nunca disse que você não podia, Rony, você também pensou que tinha bebido a poção!


Mas ele não esperou que ela finalizasse. Nem ao menos escutou o restante de sua frase. Ela queria terminar, dizer para ele que ele era capaz de jogar bem, que apenas o fato de ter confiado em si mesmo mostrara aquilo. Ele já saíra do vestiário, a vassoura sobre o ombro.


- Ahn...- Harry disse no súbito silêncio- Vamos para a festa, então?


- Você vai!-ela respondeu prontamente, sentindo as lágrimas teimosas fugirem de seus olhos.- Eu estou cansada do Rony, eu não sei o que é que fiz!


Ela saiu rapidamente, antes que Harry falasse mais alguma coisa.


Ela resolveu gastar algum tempo caminhando, até que seu rosto perdesse um pouco o inchaço por causa do choro. Mas quanto mais passos ela dava, mais ela sentia aquela agonia lhe romper o peito. Tinha vontade de correr até Rony e sacudi-lo até que ele a escutasse. Ele era tão ignorante em situações como aquela, nem ao menos a deixava falar.


Os últimos dias haviam a tirado do sério. Ela não podia mais suportar.


Ficou sentada em um banco no jardim vazio, até que uma sensação estranha se apoderou dela. Ela estava completamente sozinha ali, a sala comunal deveria estar fervendo em festa naquele exato momento, até Harry deveria estar lá, provavelmente bebendo muita cerveja amanteigada ao lado de Rony.


Ela se levantou, sem querer planejar para onde iria.


Suas pernas trilharam o caminho habitual para o retrato da Mulher Gorda. Seu pensamento estava exausto, e tudo que ela queria era poder se jogar na cama.


Infelizmente a sala comunal estava cheia quando ela chegou. Ela tentou trilhar o caminho para o dormitório, mas haviam muitas pessoas bloqueando sua passagem, e ela mal conseguiu dar alguns passos para dentro da sala.


Ela olhou ao redor, não queria ter que encontrar Rony, mas talvez uma conversa com Harry, agora que se sentia mais calma, pudesse ajudar.


Ela localizou o amigo, estranhamente parado como se estivesse em choque. Ela foi em direção á ele, mas uma movimentação muito peculiar chamou a sua atenção.


O cabelo ruivo de Rony tomou seus olhos antes que a cena se formasse por completo em sua mente. Ela não podia acreditar no que estava vendo. Lilá, completamente abraçada com Rony, o beijava com uma empolgação digna de filmes de romance baratos. Rony, por outro lado, não parecia nem um pouco forçado a nada, e correspondia ao beijo da garota, parecendo meio mecânico, como se não soubesse direito o que fazer com suas mãos. Lilá parecia não se importar com a aparente inexperiência do garoto, e não deixava espaço para que ele respirasse.


Por que ela não conseguia desviar o olhar daquilo? Por que ela continuava assistindo enquanto Lilá se enlaçava mais fortemente ainda com Rony?


Sua boca estava seca, um apito histérico tomava seu cérebro, e a única coisa que lhe pareceu sensata foi virar as costas e sair dali. Fugir, não ter que encarar aquilo.


Sentiu suas pernas tremerem enquanto mais lágrimas teimosas fugiam dos seus olhos. Ela passou a mão pelo rosto, de um modo mais rude do que pretendia, não deveria chorar.


Entrou na primeira sala que viu, sem se importar com o barulho que a porta fez quando ela empurrou.


A varinha já estava em punho, parecia uma necessidade lançar um feitiço, azar alguém, qualquer coisa.


A imagem de Rony e Lilá se beijando, na frente de toda a casa da Grifinória, parecia presa em sua mente. Ela fechava os olhos, e o rosto de Rony não saía de seu pensamento.


Ele finalmente cedera as investidas da garota. Ela estava tentando há muito tempo, Hermione percebera cedo demais aquele interesse. Chegou a cogitar a hipótese de Rony estar realmente interessado na garota. Mas ver suas desconfianças ali, desfilando na sua frente, não era nada agradável.


Ela escutou o barulho ensurdecedor da festa da sala comunal chegar aos seus ouvidos- o buraco do retrato estava se abrindo novamente.


Ela agiu por instinto- não queria que ninguém a pegasse ali, sozinha, chorando. Passou a mão pelo rosto novamente, não queria deixar resquício de nenhuma lágrima.


Sentou-se rapidamente na mesa que deveria ser do professor. Apontou a varinha para o teto da sala, tentando pensar em algo que pudesse justificar sua ausência na festa. Qualquer pessoa que entrasse na sala deveria acreditar que ela estava ali querendo estudar, querendo fugir do barulho. Não queria que soubessem que havia saído, pois havia algo naquela festa que havia a machucado verdadeiramente, mais do que qualquer ironia ou provocação dos dias anteriores.


Ela conjurou os pássaros que a Profª. McGonagall havia os ensinado, não conseguindo pensar em nenhum outro feitiço que pudesse dar a entender que estava naquela sala há tempo suficiente, talvez antes da festa ter começado.


Mas o rosto familiar que apareceu na porta, pareceu varrer um pouco da sensação ruim que estava reinando nela.


- Ah, oi, Harry.- ela tentou normalizar a voz, mas sabia que não conseguiria mentir para o amigo. Ele a vira chorando antes, e sua voz continuava embargada.- Eu só estava praticando.


- Sim. . . eles são, ahn, muito bons.- a maneira como o garoto respondeu não deixou dúvida. Ela sabia por que Harry estava ali. Ele estava com pena dela. Mas ao mesmo tempo, tentava disfarçar deixando abertura para que ela falasse sobre o assunto se quisesse.


Hermione ficou surpresa ao ver que queria falar, queria xingar Rony, gritar para todos que o odiava.


- O Rony parece estar desfrutando das comemorações.- a ironia lhe pareceu o melhor caminho.


- Ahn, ele estava?- Harry fingiu não saber de nada.


- Não finja que você não o viu. Ele não estava se escondendo exatamente, não é?


Ela não poderia suportar mais mentiras. Não acreditava que Harry fosse capaz de acobertar o amigo, tentar inventar alguma desculpa esfarrapada.


Mas Harry não era assim, e não parecia capaz de zombar da cara de Hermione. O olhar que ele lhe dirigiu, parecia sincero. Ele parecia querer dizer que entendia.


A porta atrás dele se abriu com estrondo. O estômago de Hermione chegou aos pés, quando Rony entrou rindo, puxando Lilá pela mão. De todas as pessoas que poderiam ter saído da festa e vindo até ali, justo Rony?


Hermione não sabia como iria reagir, quando confrontada assim, diretamente. Ela vestiu a melhor expressão que pôde, tentando manter o olhar mais frio que jamais havia dado a Rony.


- Ah- a voz do garoto pareceu mais uma faca, a atingindo direto sem dó.


Seu estômago revirou, ela sentiu-se extremamente nauseada. Então Rony planejava ficar a sós com Lilá? Que planos ele tinha para àquela sala vazia?


- Ops!- Lilá riu abertamente, enquanto saía da sala. A porta fechou atrás dela.


Hermione sabia o que ela estava pensando. A risada não deixava que ela mentisse. E por que ela fechara a porta atrás de si? Por vergonha? Certamente não. Ela dirigira olhares descarados para Rony durante todo aquele tempo.


Talvez ela achasse que Harry e Hermione estavam naquela sala pelo mesmo motivo que ela e Rony queriam estar. Aquele pensamento fez o enjôo de Hermione piorar, ela sentiu a saliva inundar sua boca. O silêncio era denso e constrangedor.


Hermione não soube o que lhe fez agir daquele jeito, mas lhe pareceu incrivelmente certo olhar para Rony. Ele não queria olhar para ela.


Ela insistiu, procurando seus olhos, sem mexer um músculo. Queria ler seu olhar, saber o que ele estava sentindo. Ela conseguia claramente entender o silêncio dele, sempre que ele tentava lhe esconder algo.


- Oi, Harry! Queria saber onde você estava!


Ele fingia que ela nem estava ali. Ela não sabia se o pior era ver claramente no rosto do ruivo que ele estava constrangido por ver que Hermione sabia que ele queria estar se agarrando com Lilá naquela sala, ou se a indiferença dele, fingindo que ela não estava ali, era o que mais machucava.


Hermione saiu de trás da escrivaninha. Os pássaros dourados continuavam cantando em círculos ao redor de sua cabeça.


- Você não deveria deixar Lilá esperando- ela falou baixo. Sabia que Harry podia ouvir, mas não se importou. O amigo sabia há muito tempo, ou pelo menos desconfiava, do sentimento dela por Rony. Presenciara todas as brigas, e ter vindo atrás dela naquela sala significava que ele entendia completamente o dilema que ela estava passando ao ver Rony beijar outra.- Ela vai querer saber onde você foi.


Ela passou por ele caminhando lentamente. De costas para Harry, ela não se importou de olhar Rony nos olhos. Ela sabia que ele podia ver seu rosto vermelho e a marca das lágrimas antes tiradas de seu rosto.


Ele parecia aliviado ao ver que ela não estava fazendo um escândalo.


- Oppugno!- ela gritou, quando já estava na porta, apontando a varinha para o ruivo.


A lembrança da aula em que aprendera a conjurar os pássaros lhe roubou a mente. Havia sido algum tempo após toda aquela conversa dela e de Rony sobre a festa do Clube do Slug. Ele até se oferecera para carregar o livro dela, querendo parecer anormalmente mais gentil do que era.


Ela queria que aqueles pássaros arrancassem cada pedaço de pele de Rony, sabendo que a raiva dela ajudaria para que o feitiço desse certo.


Lilá estava próxima à porta, parecendo querer escutar tudo que eles falavam. Hermione mal lhe dirigiu o olhar, sabia que a expressão de ironia no rosto de Lilá não iria ajudar em nada para que ela se sentisse melhor.


Ela só queria fugir dali, e não ter que olhar nunca mais para a cara de Rony.


- Ronald Weasley-


Quando saíra porta a fora do vestiário ele teve certeza que aquela raiva não iria diminuir. Não sabia explicar perfeitamente bem porque tamanha frustração.


O jogo havia sido perfeito, tudo havia dado certo e ele pôde ver, sem sombra de dúvida, como ele podia jogar quando confiava em si mesmo. Mas não era raiva pelo fingimento de Harry, quando o amigo tentara enganá-los com toda aquela história da poção da sorte. Não.


A indignação de Hermione era a pior parte da história.


Ele já estava prestes a gritar com ela, sua paciência sendo testada toda vez que ela ria, ou repreendia alguém com aquele seu jeito tão Hermione sabe-tudo de ser. Como tudo nela o estava irritando, ele provavelmente explodiria se fosse confrontado por ela.


E lá estava ela novamente, querendo provar que tinha razão. Jogando na cara de Harry que ele colocara a poção da sorte no copo de Rony, que por isso tudo havia dado certo. Talvez, há algum tempo atrás, aquelas acusações não incomodassem tanto Rony, já que ele mesmo admitia dentro de si que acreditara que havia tomado a poção. Mas não podia deixar Hermione saber daquilo... precisava aproveitar cada oportunidade para magoar ela, ver aquele rosto de frustração a tomar, deixá-la falando sozinha.


Ele continuou caminhando firmemente, a vassoura começando a machucar seu ombro. Mas ele não se importou. Novamente, a briga com Gina tomou sua mente e ele se viu apertando o punho, tentando controlar o que sentia. Era justo que Hermione se sentisse tão mal, tão rejeitada, quando ele próprio estava se sentindo. Sabia que não era normal ser tão vingativo, querer tanto o mal da garota por ela ter beijado Krum. Mas tão logo esse pensamento lhe ocorreu, ele deu um jeito de varrê-lo para bem longe. Era normal sim, era justo sim ele se sentir daquele jeito.


Como ela se sentiria se soubesse que ele estava beijando outras por aí? Será que Hermione achava completamente habitual sair beijando pessoas que mal conhecia? E o pior- o estômago de Rony despencou novamente- continuar se correspondendo com a criatura, no caso Krum, mesmo após todas as brigas e crises de ciúme por parte dele, Rony?


Rony já estava na frente do buraco do retrato quando se deu conta. A raiva latejava a sua mente, e ele jogou sua vassoura em qualquer lugar, com uma força maior que o necessário, sem se importar em guardá-la.


- Rony, você foi simplesmente sensacional!- Lilá veio correndo até ele, dando um pequeno salto para completar a distância.- Eu disse que você seria brilhante!


Os dentes muito brancos de Lilá formando um sorriso estampado pareciam diferentes. Ela parecia diferente, agindo daquela forma espontânea e espalhafatosa com ele nos últimos tempos.


- Obrigado, Lilá!- ele sorriu sinceramente para ela, tentando esquecer no que estava pensando anteriormente. Juntou sua vassoura, sentindo o rosto corar violentamente.


- Achei que você estava descontando algo na vassoura.- Lilá riu para ele, inclinando o rosto para o lado.


- Ah, não...- ele olhou para a vassoura e a segurou propriamente.- Quer dizer, o jogo foi ótimo e tudo o mais...


- Ahn, sei...- Lilá tinha os dois braços para trás, e olhou brevemente para Parvati, sentada em um dos maiores sofás. A garota deu um sorriso amarelo para Rony.


- Hum, vou guardar a vassoura no dormitório.


Ele se moveu sem jeito, Lilá permaneceu ali olhando para ele enquanto ele trilhou o caminho para as escadas. Era tão estranho. Ela estava realmente forçando uma conversa com ele há bastante tempo, mas estava agindo completamente diferente agora que ele estava sozinho.


Talvez sua desconfiança estivesse certa- talvez Lilá estava querendo dizer algo a mais por detrás daqueles sorrisos.


Mal ele começara a subir a escada para o dormitório, teve que abrir espaço pois toda a casa da Grifinória, praticamente, estava descendo. Todos com suas bandeiras, fazendo mais barulho do que o necessário.


Todos cumprimentaram Rony, enquanto ele se espremia contra a parede de pedra, deixando os outros passarem.


- Ótimo jogo, Weasley!


- As defesas foram demais, Weasley!


- Obrigado...- era só o que ele conseguia falar.


- Já está subindo? Venha tomar uma cerveja amanteigada!


Rony guardou a vassoura rapidamente no dormitório, sentindo uma euforia na boca do estômago. Seu coração estava batendo muito forte quando ele desceu novamente em direção à sala comunal.


Lilá não estava ao lado de Parvati, e parecia um imã pois em questão de segundos estava ao lado dele.


- Então...onde está o Harry?


- Ele já deve estar vindo...- ao ter que responder a pergunta da garota, Rony lembrou que Harry ficara para trás com Hermione no vestiário. Todos os pensamentos ruins voltaram.


Ele olhou novamente para Lilá, que parecia mais animada do que qualquer pessoa ali. Ele analisou brevemente a garota- ela não parecia nem um pouco com aquela menina de anos atrás, que chorava pelo seu coelho de estimação morto, acreditando cegamente que a professora de Adivinhação havia previsto a tragédia.


Uma luz se acendeu em seu pensamento, ao pensar em como estaria a cara de Hermione se visse Lilá ali tão perto dele, agora lhe passando uma cerveja amanteigada. Infelizmente, sua personalidade não lhe permitia fazer nada. Ele era terrível com aquelas coisas. Nunca tivera nada com uma garota. Mas Lilá parecia tão certa de si enquanto chegava mais perto dele, comentando alegremente sobre as defesas que ele fizera durante o jogo.


- Ah, você não precisa ficar aqui comigo...- ele largou a garrafa vazia, levemente assustado com o pouco tempo que levara para tomar aquilo.- O Harry já deve estar chegando e...bom...


Ele tentou olhar ao redor da sala procurando a companhia sempre freqüente de Lilá, mas Parvati estava entretida conversando com Simas. Era tão estranho, as duas estavam sempre juntas. A alguns passos de distância, Gina conversava de um jeito muito formal com Dino, Arnaldo, seu novo mascote, em seu ombro. Será que eles estavam discutindo?


- Ahn...bom...achei que a conversa estava interessante...- o sorriso de Lilá murchou.


Rony sentiu algo se mover mais forte em seu peito.


- Está sim, ahn...


- Fazia algum tempo que eu queria conversar com você. Mas você está sempre com o Harry, e com a Granger...- Rony não gostou do modo como ela citara Hermione, quase pejorativamente.


Ela pareceu interpretar a expressão no rosto do garoto.


- Ah, não pense que eu tenho algo contra eles!- ela ergueu as mãos em defesa.- É só que...


O sorriso no rosto de Lilá parecia estranhamente convidativo. O estômago de Rony dava cambalhotas insistentes. Ele sentiu o rosto muito quente, a garota mudara inclusive o tom de voz.


- Eu nunca vejo você sozinho...


Rony não sabia o que responder a isso. Ele sorriu, sem jeito, enquanto Lilá se aproximou perigosamente dele rindo, sacudindo seus cabelos para trás.


- Ah, por Merlim...você deve estar achando que eu sou uma idiota, não é?


- N-não...- ele falou, tendo que tossir após isso, sentindo sua voz rouca.- Claro que não, por que pensaria isso?


Ele passou a mão pelos cabelos, ansioso. Sabia que suas orelhas estava vermelhas.


Lilá ainda sorria para ele, lhe desviando a atenção apenas pelo seu rosto. Rony sentiu, com um sobressalto, quando ela tocou levemente o seu braço.


- Por nada, Rony...- ela abaixou os olhos. Rony suspirou tentando manter a calma. Ela era um pouco mais baixa do que ele, os cabelos quase roçando o queixo de Rony.- Só queria lhe elogiar novamente pelo jogo.


- Obrigado.- sua voz estava ficando mais rouca, não parecia pertencer a ele.


Ele reparou que estava repetindo muito a palavra "obrigado" nos últimos minutos.


- Você é um jogador maravilhoso, sabe disso não sabe?- a voz de Lilá também estava baixa. Ela o olhava nos olhos.


Rony soube exatamente o que ela quis dizer com aquilo. O rosto da garota estava levemente curvado para baixo, mas seus olhos estavam grudados nos dele. Ele não precisava de mais justificativas, nem de mais elogios.


Ele iria unir o útil ao agradável- Hermione não beijara Krum sem nem pensar duas vezes? E depois não tentara esconder sendo que ele apenas descobrira há algum tempo atrás?


Então por que ele, um Weasley desgarrado, como diziam Fred e Jorge, não estava fazendo nada para mudar o placar 0X0 que reinava na sua vida desde sempre? Os irmãos sempre faziam piada com ele a respeito disso. Então por que ele não deixava aquele momento ir adiante, dando a Lilá o que ela estava pedindo? Era muito claro por aquele olhar e o sorriso persistente, que ela estava querendo dizer algo mais quando mencionara que nunca o encontrava sozinho, que ele era um ótimo jogador.


Ele jogou para o algo toda a insegurança que sempre havia caminhado ao lado dele, o medo de ser rejeitado...resolveu agir conforme o instinto mandava.


Ele riu baixo, tentando imitar a maneira com que Lilá o olhava. A garota sorriu mais, deslizou a mão pelo braço de Rony, de uma maneira convidativa. Ele não precisou fazer muito, Lilá pareceu entender que ele estava finalmente cedendo, aproximou o rosto deixando apenas milímetros, onde suas respirações se encontraram.


O estômago de Rony deu outra cambalhota, o que deveria fazer depois daquilo? Ele não tinha experiência alguma no assunto!


Fez o que lhe pareceu óbvio, a vontade de mostrar para Hermione que ele não era um idiota apaixonado em sua mente. Adoraria que ela pudesse saber como Lilá estava se jogando para cima dele, queria que Hermione soubesse que ele não iria ficar correndo atrás de alguém que já estava nutrindo uma história com outra pessoa, e o pior- fingindo que nada acontecera.


Ele fechou os olhos, puxando o ar como se estivesse prestes dar um mergulho. Ele tocou gentilmente os lábios de Lilá com os seus, sentindo seu corpo tremer, nervoso. O que ele estava fazendo? Uma parte de seu pensamento gritava muito alto para que ele saísse dali o mais rápido possível. Outra parte tinha a voz estridente de Gina:


"Harry beijou Cho Chang! E Hermione beijou Victor Krum, é somente você que age como se isso fosse algo que repugnante, Rony, e isso é porque você tem tanta experiência quanto uma criança de doze anos!"


Mas ele não precisou pensar muito nem agir muito, Lilá já havia jogado os braços ao redor dele e tentava a todo custo aprofundar o beijo. Rony torceu para que o grande movimento na sala comunal disfarçasse a cena, pois tinha certeza de que estava parecendo um idiota, os braços quase imóveis enquanto Lilá o abraçava fortemente.


Então era daquele jeito que ele deveria se sentir quando beijasse uma garota? Ele tentou corresponder da melhor maneira possível, mas a empolgação de Lilá não deixava margem para mais nada. Ele sentiu uma náusea estranha, e tentou se afastar da garota- mas não conseguiu.


Ouviu algumas exclamações de surpresa ao seu redor, e ficou tentado a abrir os olhos e espiar, mas mesmo a sua pouca experiência lhe dizia para não fazer aquilo.


Quando ele achou que já haviam se passado longos minutos- e o suficiente, ele usou um pouco mais de força para se afastar.


Lilá continuou pendurada no pescoço dele.


Ele tentou se endireitar, o corpo todo começando a doer.


Lilá não ficou muito tempo parada, e dessa vez ela havia o beijado. Rony precisou se concentrar para segurar o peso da garota que praticamente se jogava para cima dele.


Era para ser assim tão simples conseguir beijar uma garota? Lilá parecia radiante por estar sendo beijada por ele.


A outra parte da história não era simples- responder à altura da empolgação da garota. Rony teve uma impressão estranha, e até mesmo grosseira, de que havia algo neles que não fechava. Ele sentiu seus dentes baterem nos dela uma ou duas vezes, e se perguntou se aquilo era normal. Ela não parecia se importar.


Outra coisa estranha era a sensação ruim na boca do estômago, como se estivesse fazendo algo de errado. Antes que ele pudesse se acostumar com a sensação incômoda das investidas constantes do beijo da garota, ela quebrou o momento.


Ela olhou ao redor rapidamente, sorrindo radiante para ele.


- Você não acha que aqui está um pouco cheio demais?


Rony engoliu em seco. Ela pareceu aceitar o silêncio dele como uma resposta, e o puxou pela mão para o buraco do retrato.


Rony escutou várias brincadeirinhas e assobios quando passou pela grande multidão da sala. Ele ignorou, mesmo que suas orelhas vermelhas o denunciassem.


Lilá guiava seus passos, e a sensação ruim só piorou, pois aquilo lhe deu mais certeza ainda do que ele apenas desconfiava: Lilá provavelmente já beijara grande parte da Grifinória, talvez até parte das outras casas!


Ela seguiu direto para uma sala, Rony ficando mais ansioso a cada passo. O que ela esperava que ele fizesse?Já não estava sendo nem um pouco agradável beijá-la na abafada sala comunal, como seria quando estivessem sozinhos?


A maneira da garota agir era quase agressiva, pulando para cima dele a cada instante. Ele resolveu não se importar, resolveu ignorar todos os alertas em sua cabeça. Agindo completamente diferente, a puxou pela mão para entrarem na sala, já planejando a surpreender com um beijo e impedir que ela falasse- a conversa dela não era algo muito interessante. Sentiu euforia ao pensar no que ela falaria para Parvati e para as outras amigas sobre ele- será que os comentários chegariam até Hermione? Adorou imaginar o rosto de surpresa da amiga ao saber que seu amigo finalmente seguira a carreira de um Weasley. Lilá pareceu imensamente satisfeita ao ver seu humor mudar, e sorriu juntamente com ele enquanto ele a puxava pela mão para dentro da sala.


Ele parou assim que viu que o lugar não estava vazio.


- Ah- ele não conseguiu formular uma frase inteligente.


Hermione o olhava da maneira mais fria possível, já Harry por outro lado parecia levemente assustado.


- Ops!- Lilá riu abertamente, enquanto saía da sala.


Ele lembrou do que a garota falara sobre ele sempre estar acompanhando- ela certamente não ficaria ali na presença dos dois amigos dele.


Hermione continuava o encarando. Ele evitou aquele olhar- como ela era capaz de deixar tantas coisas explícitas com apenas um olhar?


Ele pensou rápido, tentando fingir que ele e Lilá só estavam passeando.


- Oi, Harry! Queria saber onde você estava!


Ele ouviu Hermione se levantar e sair de onde estava. Ele viu diversos pássaros dourados voando ao redor se sua cabeça, piando de uma maneira perturbadora.


- Você não deveria deixar Lilá esperando- ela falou baixo.


A voz dela o surpreendeu. Era fria e sua expressão mostrava toda a mágoa em seu rosto.


- Ela vai querer saber onde você foi.


Ela passou por ele caminhando lentamente. Ele imaginou uma cena de raiva. Mas...será que ela vira ele e Lilá na sala comunal? Ou será que apenas deduzira devido ao fato de os dois estarem entrando em uma sala vazia.


Ela olhou para ele e agora mais perto ele pôde olhar para seu rosto com mais calma, uma hora ou outra ele teria que encará-la. Seu rosto estava marcado, ainda úmido. Seus olhos muito vermelhos lhe diziam que ela havia chorado durante muito tempo.


Será que ela iria fazer uma daquelas cenas ridículas de ciúmes e lhe dar um tapa na cara? Será que iria lhe lançar uma maldição imperdoável? A raiva no rosto da garota era gigante, não havia como prever o que aconteceria.


Ele olhou para Harry pedindo ajuda, o amigo parecia apreensivo também. Quando Hermione passou por ele, ele sentiu o alívio o invadir e buscou no olhar de Harry uma resposta para a falta de gritos, escândalo, ou alguma reação de Hermione.


- Oppugno!- ela gritou, quando já estava na porta. Rony mal teve tempo de se virar, pois os diversos pássaros que estavam sobrevoando a cabeça da garota agora vinham furiosos em sua direção.


Quando ele tentou se desvencilhar para ir atrás de Hermione e lhe exigir uma resposta para o silêncio, os pássaros ficaram mais fora de si e começaram a bicar cada pedaço da sua pele exposta.


- Saiam de cima de mim!- ele tentou gritar, mas sua voz não saiu clara.


Harry não vinha ajudá-lo, e o desespero começou a tomar conta.


- Harry, me ajude!


Ele viu o amigo sacar a varinha e imobilizar os pássaros após a terceira tentativa. Harry ficara realmente bom em feitiços depois de todos os treinamentos, inclusive os da AD, aquilo só podia significar que o feitiço de Hermione havia sido feito para perdurar. Talvez ela achasse graça Rony ter de andar por Hogwarts com um monte de pássaros lhe bicando, até achar alguém que pudesse o ajudar.


Ele ficou sem fôlego quando Harry se juntou a ele, o rosto preocupado.


- O que foi isso?- Rony perguntou, apertando uma câimbra do lado do corpo.


- Me diga você.- Harry falou, olhando surpreso para os cortes nas mãos de Rony que sangravam.- Lilá...?


- Merlim, é mesmo...ela deve estar lá fora me esperando!


Para sua surpresa, Harry segurou o seu braço.


- O que está acontecendo, Rony?


- Nada, por que?- ele respondeu curto e grosso.


Harry soltou o braço dele e ficou parado, o encarando. Os olhos do amigo o incomodaram, ele sabia que havia um sermão por detrás.


- Eu vou atrás dela.- Rony saiu por afora, procurando com os olhos ansiosos onde Lilá podia estar.


Ela estava caminhando ansiosamente de um lado para o outro, próxima a porta.


- O que aconteceu lá dentro?- ela perguntou, ansiosa.


- Ahn...


- Granger saiu simplesmente fora de si!


- Pois é...é que...- Rony gaguejou, não havia resposta adequada.


- Rony...você...


- Vamos sair daqui.- ele puxou ela pela mão, indo em direção à outra sala. Não queria perguntas, nem acusações. Lilá seria uma ótima maneira de mostrar a Hermione do que ele era capaz.


Eles não permaneceram muito tempo dentro da sala. Lilá o beijou durante os primeiros minutos e depois pareceu intrigada demais. Rony percebeu que ela estava estranha.


- Rony!- ela analisou as mãos dele, segurando próximas ao seu rosto para poder ver melhor já que não havia muita luz.- O que aconteceu com a sua pele? Está toda machucada!


- Não é nada!- ele escondeu as mãos, inclinando o rosto em direção à garota. Lilá quase tocou na parede para continuar o olhando.- Não é possível sair completamente ileso de um jogo de quadribol.


Ele sabia que a frase acabaria com qualquer questionamento por parte de Lilá. Ela sorriu abertamente e o beijou novamente, os braços firmemente ao redor do seu pescoço.


Rony tentou um comportamento diferente dessa vez, tentando assumir o controle. Mas após algum tempo, a garota se afastou.


- Acho que devemos voltar para a sala comunal...Parvati deve estar preocupada...


- Tudo bem.


Ele deu de ombros. Então Lilá era daquele jeito- mais propaganda do que qualquer outra coisa. Ele achou que a garota talvez fosse insistir para que ele ficasse mais tempo na sala, o beijasse como estava beijando na sala comunal, mas não... ele fez o caminho de volta com uma séria desconfiança em mente.


Será que ela saíra da sala comunal com ele apenas para que todos vissem que estava saindo? Será que ela se importava tanto com o que os outros pensavam?


Rony não duvidava de que ela tivesse algum sentimento por ele. Porém, seu comportamento demonstrava ainda um certo receio.


Ele ficou com aquela pergunta em mente, até o momento em que chegaram na sala comunal, Lilá afirmando que estava muito animada a festa, mas que precisava ir dormir. Rony achou aquilo muito estranho, e já estava quase se convencendo de que a garota fizera toda aquela cena por simples aparência, quando ela veio lhe desejar "boa noite".


- Vejo você amanhã?- ela sussurrou, ficando na ponta dos pés para beijá-lo.


- Ok.- ele respondeu simplesmente.


A garota o beijou brevemente, mas diferente de todos os outros beijos da noite. Ela colou o corpo mais perto ainda do de Rony, deixou que seus dedos se perdessem em seu cabelo e não aprofundou demais o beijo, apenas o suficiente para que Rony saboreasse o seu gosto. O beijo foi lento, e ela se afastou ainda com os olhos fechados.


- Boa noite...- ela sussurrou.


Rony sentiu os pêlos da nuca se arrepiarem. Então era isso que ela planejava? Terminar a noite de uma maneira convidativa, querendo dar a entender que eles continuariam de onde tinham parado?


"Mulheres são muito complicadas."- ele pensou, enquanto viu Lilá subir a escada, espiando por cima do ombro e lhe dirigindo um sorriso torto.


Ele ainda não conseguia entender bem a personalidade da garota. Talvez por ser apenas próximo de Hermione, uma garota que não seguia nenhuma regra.


Ele suspirou enquanto buscou outra cerveja amanteigada, por que estava pensando novamente em Hermione quando Lilá acabara de lhe dar o beijo mais envolvente da noite?


Ele sabia por que, e se odiou por pensar aquilo enquanto bebia a cerveja gelada. Por melhor que tivesse sido os beijos com Lilá, ou a euforia de saber que alguma garota queria ficar com ele, não era a alegria que o tomava naquele momento.


Ele ficou triste. Sentiu aquele peso novamente no estômago. Onde será que Hermione estava naquele momento?


Ele desistiu da festa e das perguntas constantes dos colegas sobre onde ele e Lilá haviam ido. Subiu para o dormitório apenas meia hora depois de ter sido deixado sozinho por Lilá, e não se surpreendeu ao ver que a porta abriu logo depois dele a ter fechado.


- Você já vai dormir?- a voz de Harry o alcançou.


Ele se virou, olhando para o amigo. Harry tinha o semblante preocupado.


- Estou cansado.


- Ahn...tudo bem então...- Harry foi até a sua própria cama, e começou a ajeitar as roupas que havia deixado jogado.


Rony ficou em silêncio, sentado em sua cama.


- Rony, sobre antes...- vendo que tinha a atenção do amigo, ele continuou.- O que aconteceu exatamente? Em um instante você estava no vestiário e no outro estava agarrado no pescoço da Lilá?


Harry ria, mas Rony sabia que a piada escondia alguma verdade que o amigo queria lhe falar. Ele estava indiretamente querendo saber sobre Hermione, mas não se atreveria em colocar em palavras.


- Ela estava querendo isso há algum tempo...eu só...


- Ah, eu percebi que ela queria.- Harry continuou rindo.- Acredito que toda Hogwarts tenha percebido.


Os dois riram. Rony jogou o calçado para longe.


- E então...é isso.


- Hum...OK.


Harry não parecia querer forçar a conversa, mas apontou para os cortes nos braços de Rony.


- Você vai precisar fazer alguma coisa com esses cortes.


- Ah, claro...- Rony olhou distraidamente para os ferimentos, alguns manchados com sangue seco.- Você sabe por que Hermione teve aquele ataque de fúria repentino?


Ele sabia que sua pergunta era idiota, mas já que ele e Harry estavam fingindo não haver nada a mais para dizer, ele se sentiu seguro para falar.


- Eu não sei. Achei que você soubesse.- Harry deu de ombros.- Vocês que estavam brigando feito loucos nos últimos dias.


- Ninguém estava brigando.- Rony se levantou, procurando o pijama.- Ela estava me tirando do sério...só isso.


- Entendo...- mas Harry não parecia sincero.- Bom, eu só a encontrei lá. Não sei o motivo dos pássaros nervosos. Ela disse que estava treinando o feitiço, apenas.


- Hum, sei.- Rony começou a vestir o pijama, tentando não olhar para o amigo nem parecer muito interessado.- Ela estava, hum...


Harry o olhou, enquanto ele finalizava colando a parte de cima do pijama. Rony continuou.


- ...hum...ela chegou a vir para festa?


Harry silenciou e terminou de dobrar suas roupas, tirando os óculos e limpando nas bordas do pijama.


- Acredito que sim...


- Ah, tá...- Rony sentiu novamente algo murchar dentro de si. Se jogou por cima das cobertas e ficou lá, com os braços para trás da cabeça.


Ele ouviu Harry se acomodar também, mas quando olhou o garoto já estava tapado até quase o pescoço.


Ele resolveu não continuar com o assunto. Harry também não dava sinais de querer continuar a falar sobre aquilo, ambos parecendo muito constrangidos de colocar aquilo em voz alta.


Então Hermione havia vindo para a festa? Será que ela vira ele e Lilá? E se vira, o que sentira?


Rony sentiu um calor subir pelas pernas até atingir seu rosto, quando fechou as cortinas ao redor de si. Será que seria assim tão agradável ver a decepção no rosto de Hermione? Será que ele queria que ela passasse as mesmas sensações que ele quando soubera que ela beijara Krum?


Mas felizmente, com aquele pensamento, o sono o tomou. Ele achou que não iria conseguir dormir, mas o cansaço dos últimos dias parecia acumulado e o sono o venceu.


Ele sabia que deveria aproveitar o silêncio, a calmaria daquele momento, pois a manhã seguinte certamente seria conturbada.


- Hermione Granger-


Nem em época de N.O.M's Hermione sentira o tempo passar tão rápido em Hogwarts como naquele final de semana. A alegria e, em parte, estranheza dos alunos com a presença de Harry e Rony havia se dissipado aproximadamente quando o meio-dia de sábado se aproximou, e agora eles caminhavam alegremente em direção a cabana de Hagrid, os estômagos cheios após saborearem tudo que Hogwarts tinha de melhor em culinária, garantindo que teriam um pretexto para não provar os biscoitos endurecidos de Hagrid.


- Achei que não iriam mais aparecer!- a voz de Hagrid estava quase alarmada, enquanto ele se fazia escutar.- Quieto, Canino! Entrem, entrem!


Foi como voltar realmente no tempo. As canecas gigantes de Hagrid, os pedaços de carne não identificados pendendo do teto, o fogo sempre ardendo na lareira. Hermione ficou contente que a cabana tivesse sobrevivido- e se recuperado inteiramente- após a regra.


Hagrid gastou bastante tempo explicando sobre as novas plantações de abóbora, as novas criaturas das aulas e de como estava se sentindo feliz pela nova onda de alegria que havia tomado o mundo bruxo.


- E tudo graças a você, Harry! Eu sempre soube!- a voz dele falhou quando ele olhou diretamente para o garoto.- Seu pai e sua mãe ficariam muito orgulhosos de ver o mundo que você construiu.


Harry se mexeu incomodamente na cadeira, e Gina passou o braço ao redor dele sorrindo.


- Com certeza.- ela falou baixinho, lhe dando um beijo estalado na bochecha.


- Ah, Rony...quase me esqueci...diga a Arthur que preciso falar com ele. Ou melhor, lhe das os parabéns pelo neto!- Hagrid sorriu por debaixo da barba espessa.- A corujinha que entregou a carta não me deixou tempo para redigir uma resposta e saiu voando.


- Pichí!- Gina riu.- Ele devia estar indo a nossa procura, então você já sabe Hagrid!


- Sim! Fico muito feliz. Sua família merece passar por bons momentos depois de todo essa tempestade.


- Obrigado, Hagrid.- Rony parecia não saber o que responder.


O tempo voou enquanto estavam ali, rodeados de mais um ambiente familiar, onde as conversas pareciam não ter fim. Mas conforme a tarde passava, Harry e Rony começaram a se movimentar, argumentando que haviam combinado um chá com McGonagall.


Hagrid se despediu deles, rindo após o comentário de Rony que sua mãe provavelmente ainda faria muitos jantares para comemorar a gravidez de Fleur, e se atrapalhara querendo mostrar para Hermione que entendia dos costumes de trouxas, de que outras mulheres levavam presentes à mulher grávida.


- Eu sempre achei que a mulher grávida é que distribuía presentes...- as orelhas dele estavam muito vermelhas.


- Isso é depois que o bebê nasce, Ronald. E não são presentes...é apenas alguma coisa para lembrar o nascimento. Os homens antigamente fumavam charutos.


- Não acho saudável.- Gina ainda não havia parado de rir, mas continuava debochando do irmão.


- Isso quer dizer que você precisa dar um presente para Fleur?- ele franziu a sobrancelha.


- Não é que precise. Mas normalmente as pessoas levam algo para o bebê.


Harry deu de ombros quando Rony olhou para ele.


- Não pergunte para mim, eu entendo disso tanto quanto você.


As gargalhadas continuaram até que eles chegassem a entrada para o antigo escritório de Dumbledore, que agora pertencia à McGonagall.


- Bom, Gina e eu vamos esperar vocês aqui fora. Acho que o convite não foi para todos.


Harry se virou bruscamente para Hermione.


- Você acha mesmo que McGonagall não iria convidar vocês?


Hermione tentou conter um sorriso, mas não conseguiu.


- Ah, ela só está tentando arranjar um pretexto para ir estudar enquanto vocês estão aí.- Gina largou a mão de Harry e se postou ao lado da amiga.


- Pensei que você iria querer conversar com McGonagall, Mione... pode contar pontos para você.- Rony tentou a chantagem, mas não estava parecendo funcionar.


- Isso não vai me convencer, Rony. Preciso dar pelo menos uma olhada na biblioteca, pegar alguns livros para a semana.- ela sorriu, timidamente.


- Você havia acabado de dizer hoje pela manhã que não restara nada para estudar? Que estava livre...?


- Bem...- ela desviou o olhar.


Para sua surpresa, Rony riu.


- Você nunca me enganou, Hermione.


As duas se despediram dos garotos e seguiram o caminho para a biblioteca. Mal haviam virado alguns corredores, Gina começou a ir para o lado dos jardins.


- Obrigada por me tirar de lá, Hermione...


Hermione não teve tempo de responder, Gina já estava indo em direção ao gramado levemente iluminado pelo sol, tomado de folhas caídas.


Hermione não sentiu real necessidade de descansar como Gina, e continuou o caminho para a biblioteca. Não conseguia tirar o sorriso do rosto, estava sendo tudo perfeito apesar dos pequenos incidentes da noite anterior. Mas a briga idiota que havia tido com Rony parecia estar perdida em seu pensamento, enquanto ela deixava aquela sensação boa a invadir, pensando que ainda havia muito tempo para ficar ao lado dele. Ela seria capaz até de jogar quadribol ao lado dos garotos, apenas para permanecer com aquele sentimento de alegria estampada.


Mas o seu trajeto até a biblioteca foi bruscamente quebrado quando ela viu diante de si uma figura estranhamente vestida. As roupas pareciam leves demais para a pessoa que a usava. Pensando bem, Hermione ainda não o tinha observado com mais calma.


O Prof. Gareth saía da biblioteca carregando alguns livros debaixo do braço, parecendo imerso em pensamentos. Hermione pensou em passar pelo lado dele sem ser notada, mas pareceu impossível.


- Granger...- ele falou, a cumprimentando, sem erguer os olhos do livro que analisava.


- Olá, professor.


- Visita à biblioteca, no sábado à tarde?- ele finalmente desviou o olhar do livro que segurava e a encarou.


Hermione nunca tinha reparado na aparência dele como naquele dia, talvez por ele estar com roupas diferentes, ou talvez pois no dia que o vira na cabine ou no salão principal, estivesse muito preocupada com o constrangimento que se apoderava dela toda vez que o via. O professor tentava disfarçar a pouca idade que tinha com uma barba curta e um cavanhaque, escuros como o seu cabelo.


- Nunca é uma má hora para ir a biblioteca.- ela tentou finalizar o assunto.


Ela achou que entrando na biblioteca conseguiria fugir do professor. Suspirou aliviada enquanto procurava os livros que precisava, e não demorando mais do que 10 minutos, já estava de volta ao corredor.


Quase derrubou os livros que segurava ao ver o professor ali parado, no mesmo lugar, sorrindo para ela.


- Então...Potter e Weasley ainda estão no castelo?


- S-sim.


- Ainda preciso perguntar a eles se aceitam participar dos seminários que estou planejando.


- Se o senhor quiser, eu posso perguntar a eles.


O professor inclinou a cabeça para o lado.


- Muito obrigado, mas acho que gostaria de ter essa desculpa para conseguir uma conversa com eles.


Hermione sorriu. Já estava se virando para ir embora.


- Sempre tenho uma carta na manga para poder manter uma conversa.- ele se aproximou dela.- Porém, não parece estar funcionando com você.


Hermione não soube explicar porque seu rosto corou. Mas o professor, obviamente, deveria estar apenas interessado em saber maiores detalhes sobre a guerra.


- Desculpe, professor- ela tentou manter a voz firme, sem olhá-lo nos olhos.- Eu só estava com pressa...


- Ok, tudo bem então.- ele deu um passo para o lado.- Pensei ter ouvido por aí que a senhorita pretende obter um cargo no Ministério. Achei que poderia ajudá-la.


Hermione virou o pescoço rapidamente em direção à ele, sentindo o pescoço estralar.


- Desculpe...?


- Acho realmente interessante realizarmos aulas interativas sobre a Segunda Grande Guerra, os alunos iriam simplesmente adorar. Mas gostaria de ajudar a senhorita na carreira no Ministério.- vendo o rosto apavorado de Hermione, ele continuou.- Se não houver problema, é claro.


Hermione abriu a boca para responder, mas não conseguiu. Ela e o professor caminhavam lado a lado, ambos carregando livros muito pesados.


- O-obrigada, professor...eu só não entendo...


- Ah, por favor. Não vá pensar que sou intrometido.- ele sorriu para ela.- Eu passei por muitas dificuldades na minha carreira de Auror, e por mais dificuldades ainda quando resolvi largar a linha de combate e lecionar...


- O senhor é auror?- Hermione não pôde conter a pergunta.


- Você nunca se perguntou por que eu sou tão insistente em conhecer você, Potter e Weasley melhor?


Hermione apenas afirmou com a cabeça, ficando levemente tonta com o rumo da conversa. Ela não sabia mais em que corredor estava, apenas seguia os passos do professor.


- Eu sou sete anos mais velho do que vocês, senhorita Granger. Cresci ouvindo o nome de Harry Potter, o garoto que sobreviveu, apenas alguns anos mais novo do que eu.- ele sorriu, parecendo envolto por uma nuvem de nostalgia.- Você cresceu no mundo trouxa, não teve as mesmas influências.


Hermione viu que estava nos jardins. Sentiu-se envolta pela história que o professor contava. Mal olhou para o banco em que estava sentando, os livros completamente esquecidos ao seu lado. O professor parecia estar querendo aquela oportunidade para falar há bastante tempo.


- Vocês certamente não se lembram de mim, mas...- ele sorriu- quando vocês começaram Hogwarts eu estava me formando.


Hermione sentia a necessidade de falar algo. Era tão estranho ouvir aquela história, sabendo que estava tão próxima dela há alguns anos atrás.


- Terminei a Academia dos Aurores no tempo previsto, antes do que minha família imaginava, já que logo após sair de Hogwarts já havia começado a carreira.


Hermione sorriu.


- É muito complicado conseguir uma vaga lá, não é?- ela questionou.


- Sim, imagino que Potter e Weasley devam estar sofrendo algum preconceito por parte dos colegas, mesmo tendo toda essa história nas costas.


Hermione afirmou.


- Me desculpe, professor...mas eu...não entendo perfeitamente bem...


-Ah, sim...eu estava contando porque queria conhecer vocês melhores.- ele sorriu tristemente.- Isso é uma longa história...não é possível contá-la em apenas alguns minutos.


Hermione se ajeitou mais confortavelmente no banco. Não sabia porque, mas parecia haver algo escondido naquele professor. Talvez uma história triste, uma mágoa, algo que lhe dava esse ar de deveria ter cuidado com ele. Hermione começou a calcular todas as probabilidades do que deveria ter acontecido com ele, enquanto ele continuou.


- Enfim... após o final da Guerra eu decidi me candidatar a vaga de professor de DCAT. Largar a carreira de auror. Tentar formar novos jovens para serem corajosos como vocês foram. Capazes de mudarem a realidade do mundo bruxo.


Hermione tentou colocar o que estava sentindo em palavras.


- Isso é muito bonito.


Ele sorriu de volta para ela. Ela sabia que deveria haver alguma história por detrás daquilo, mas não iria questionar aquilo agora. Já estava achando informação demais tudo aquilo que o professor decidira contar para ela.


- Mas chega dessa história...sempre que falo disso fico meio ranzinza...- ele riu.- Por que a senhorita não me fala sobre o que pretende fazer no Ministério?


Hermione ergueu um pouco o corpo tentando se concentrar.


- É complicado...a maioria das pessoas não entende.- como ela iria explicar que pretendia trabalhar para melhorar a vida dos outros seres, como os elfos domésticos?


- Certamente é algo diferente da Academia de Aurores, já que a senhorita poderia ter começado juntamente com Potter e Weasley...?


- É sim...- ela suspirou.- Resolvi terminar Hogwarts...


O professor não falou nada, e sinalizou para que ela continuasse. Por onde ela deveria começar? Pelo F.A.L.E? Pela guerra? Pelos planos que tinha para quando terminasse a escola?


Foi muito estranho, pois ela ficou falando por minutos a fio, e o professor parecia realmente interessado. Era quase como ter Lupin de volta à Hogwarts- aquela maneira de se portar, mostrando interesse pelo futuro dos alunos. Ela não percebia o tempo passar, e se surpreendeu em como havia perdido a desconfiança do professor.


Não importava o que Gina havia falado, a cena que Rony havia feito. Ela conseguia perceber agora, que a máscara que o professor vestia tinha algum fundamento, na história do seu passado. Ela não pretendia descobrir aquilo, ele já lhe contara o suficiente de sua vida.


Ela teve certeza durante aquela conversa de que ele seria um bom amigo. O ciúme de Rony não tinha realmente nenhum fundamento, o professor parecia sinceramente interessado em ajudá-la nas escolhas de sua carreira. Hermione se sentiu amparada enquanto escutava os conselhos dele sobre os trabalhos disponíveis no Ministério.


O sol estava em uma posição diferente no céu. Será que já havia passado tanto tempo?


- Bom, acho que já tomei muito o seu tempo, senhorita Granger.- o professor se levantou rapidamente, passando os livros de Hermione para ela e segurando os seus.


- Claro que não, professor Gareth. Eu só tenho a agradecer o senhor pela conversa. Muito obrigada.


Ele sorriu.


- Vou verificar nos meus livros se tenho algo sobre Leis dos Elfos ou algo do gênero. Talvez em algum sobre a história da população mágica eu ache alguma coisa.


- Obrigada.


Hermione abraçou fortemente os seus livros enquanto via o professor se afastar.


- Bom descanso, Granger.


- Igualmente, professor.


Ela ficou observando as costas dele se afastarem, enquanto tentava volta à realidade.


Era estranho ter em sua convivência uma pessoa daquele jeito, realmente interessada em ajudar. Em nenhum momento surgiu em sua mente a dúvida se deveria ou não estar confiando no professor. Ele parecia sincero quando contara sobre sua vida.


Ela já estava fazendo o caminho de volta para o castelo, quando seus pensamentos foram interrompidos por uma voz seca.


- Esse é o tal Professor Gareth?


Ela levantou os olhos. Rony estava parado ali, na saído do castelo, ainda protegido pelas paredes de pedra.


- Rony! Vocês já voltaram!


Ela correu até ele, que permaneceu imóvel.


- Você não me respondeu...- ele continuou, rudemente.


- Sim, Ronald...esse é o Professor Gareth.


Ele olhou para o local que o professor acabara de sumir.


- Defesa Contra a Arte das Trevas, hein?


Hermione bufou impaciente.


- Ele estava sendo realmente querido, Ronald. Eu estava completamente enganada sobre ele. Ele não está interessado na história da Guerra...


- Hum, sobre o que vocês estavam conversando?


Rony parecia repentinamente muito frio e distante. Hermione trocou o peso do livro para o outro braço, já perdendo a paciência.


- Ele estava me contando que era Auror.- ao falar isso, ela viu os olhos de Rony se arregalarem.- E comentou que imagina pelo que vocês estão passando.


- Auror?


- Sim, auror. Mas desde com o fim da Guerra ele resolveu dar aula.


- Por que?- Rony franziu o cenho.


- Ele disse que é uma longa história.- ela deu de ombros.- Mas estava me ajudando, dando conselhos sobre o Ministério.


- Interessante.- Rony falou, olhando para o horizonte, parecendo excessivamente irônico.


- Ronald Weasley-


Por mais que Hermione parecesse calma em relação a tudo aquilo, Rony não conseguia parar de sentir aquela coisa ruim sobre o professor. Ele era um tipo de pessoa que inspirava cuidado.


- Agora eu sei o que você queria dizer. Ele realmente dá uma impressão estranha.


Já bastava ele ter ficado na sala de McGonagall tempo demais, escutando ela e Harry falarem com o quadro de Dumbledore, depois o assunto obviamente caíra para a Academia de Aurores, agora tinha que lidar com seu próprio pensamento paranóide.


Será que ele seria sempre assim? Toda vez que algum homem tentasse fazer amizade com Hermione? Ele deveria se sentir tão protetor, com aquele medo irracional?


- Pois é, mas depois de um tempo conversando com ele eu percebi que ele usa essa postura como defesa, deve haver algo na história dele que o deixou assim...


Rony afirmou com a cabeça para dizer que entendia. Mas não parecia capaz de continuar com aquela história.


- Vamos atrás de Harry, ele falou que iria procurar Gina.


- Ok.- Hermione o alcançou.- Como foi a conversa com McGonagall?


Rony suspirou.


- Você pode imaginar...


Ele permaneceu quieto, sem puxar papo. Sabia que estava sendo irracional, apenas por ter visto o professor conversando com Hermione. Mas não conseguia controlar.


-Rony, está tudo bem?


Ela parou no meio do corredor, olhando para ele.


- Não.


Ele suspirou. Hermione começava a ficar impaciente.


- Você provavelmente vai dizer que não quer outra briga, Hermione...mas...


Hermione segurou o livro mais fortemente contra o corpo, como se quisesse cruzar os braços, demonstrando sua insatisfação.


- Eu não gosto desse tal Gareth. Você pode dizer que é ciúme, mas...


- Ronald...


- Me deixe terminar...- ele ergueu a mão para que ela parasse.


Ele alcançou o livro dos braços dela e segurou.


Ela soltou os braços, agradecendo ter se livrado do peso.


- Você pode achar que é implicância, mas...


- Não, Rony, não...eu não vou deixar você começar com essa idiotice. Você não é mais criança, Ronald...você não precisa fazer essa cena por causa de uma conversa.


Ele permaneceu quieto, tentando ignorar o formigamento que surgia em seus pés. Ele não podia controlar seu pensamento, que gritava para que ele tivesse interrompido a conversa.


Por um momento, ele olhou para o livro que estava carregando para Hermione, depois olhou para ela.


- Por que você ainda não levou o livro para a sala comunal, Mione?- ele riu, como se achasse graça de algo.


Quando ela deu de ombros, o sorriso dele sumiu.


- Eu estava conversando com o professor, ele me encontrou na saída da biblioteca e...


Mas Rony já havia mudado de expressão. Como explicar o que se passava dentro dele naquele momento?


- Você está conversando com o professor, ou melhor, com essa pessoa que mais parece um aluno recém formado do que um professor, desde o momento que Harry e eu estamos na reunião com McGonagall?


Hermione não respondeu.


- E você pede para que eu não tenha ciúme!


- Ronald! Que diferença há entre eu conversar com ele ou, quando conversávamos com o professor Slughorn, ou Lupin...


- Há, você sabe exatamente bem a diferença.


Hermione bufou impaciente e estendeu a mão para receber o livro de volta.


Rony se sentia comparado ao professor, principalmente após saber que ele fora Auror, e com tão pouca idade já largara a carreira. Não sabia explicar por que o professor o incomodava tanto.


- Para que você quer o livro?- ele passou para ela, que aguardava com a mão estendida.


- Vou levar para o dormitório e dar algum tempo para você...


Ela começou a caminhar e Rony a chamou de volta.


- Do que você está falando, Hermione?- ele reclamou, impaciente.


- Você é que sabe, Ronald. Desde que você colocou os pés aqui em Hogwarts, parece que sua cabeça está funcionando de uma maneira diferente. Talvez após alguns minutos você recupere a maturidade que tinha adquirido nos últimos tempos.


Ela seguiu caminhando, sem olhar para trás. Rony sabia que estava estragando o final de semana perfeito que eles poderiam estar tendo. Por que Harry e Gina não brigavam? Por que ele e Hermione sempre entravam em atrito?


A resposta estava pronta na sua cabeça: era ele que criava os problemas. Mas simplesmente não conseguia passar indiferente àquilo, não quando alguma coisa berrava em sua cabeça dizendo que havia algo errado.


Ele suspirou quando perdeu Hermione de vista. Não podia deixar que ela simplesmente sumisse assim, zangada com ele. Ele sabia que havia sido uma cena sem necessidade, mas por que aquele professor tinha que ser tão novo, auror e o pior, ter conquistado a confiança de Hermione?


Ele começou a fazer o caminho para a sala comunal sentindo-se imensamente deprimido. Não haveria surpresa na Sala Precisa que pudesse apagar a raiva que Hermione estava sentindo.


Quando ele pararia de agir como uma criança? Mesmo sabendo que estava errado, ele persistia no erro!


Ele colocou as mãos no bolso e continuou o seu caminho. Até então, durante aquela visita, ele não havia se sentido daquele jeito. A sensação era quase igual àquela de anos atrás, quando ele e Hermione haviam tido uma briga, provavelmente por algum motivo idiota, e ele sabia que deveria pedir desculpas, mas simplesmente não conseguia passar por cima do orgulho.


N/A: Eu sei que alguns de vocês estão provavelmente planejando meu assassinato! O semestre está corrido, é prova atrás de prova, trabalho atrás de trabalho. Mas enfim, obrigada para quem ainda está acompanhando a fic.


Ahá, viram como o feitiço Accio funcional, aqui está o capítulo hehe


Agora, pequenas explicações:


Sei que o capítulo pareceu meio melancólico, ainda mais com os flashback com a Lilá, que certamente nos lembram um período conturbado para o nosso casal favorito. Mas as histórias de amor não são apenas felicidade.


Rony é uma pessoa muito ciumenta, e vocês certamente devem ter percebido que o ciúme agora (no final do capítulo) está se devendo muito mais ao fato de Rony ver espelhado no professor algo que ele gostaria de ser, mas ainda não conseguiu (complexo de inferioridade, que ele sempre teve...tadinho =/ )


A história do prof. Gareth está apenas começando. Acredito que a vida das pessoas durante a guerra deve ter sido muito conturbada, então eu escolhi uma das histórias tristes e ao mesmo tempo felizes que podiam ter acontecido e cá está ela! Há muito mais nas histórias da J.K do que apenas o contexto principal =D


Finalizando, muito obrigada pelo apoio, espero que tenham ficado curiosos para saber o que vai acontecer, já que o nosso ruivo favorito repentinamente teve um acesso completamente Ronald Weasley.


Obrigada, obrigada, obrigada por estarem lendo ainda, por me animarem dizendo para eu continuar, por elogiarem os capítulos, enfim!


Ah! Aguardo os comentários!


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