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15. Visita surpresa


Fic: In Aeternum


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Capítulo 15 - Visita surpresa


-Ronald Weasley-


Rony apertou a varinha fortemente na mão direita, sentindo um leve tremor no corpo ao pensar no que viria a seguir. Respirou calmamente, uma, duas vezes até sentir que seus batimentos cardíacos estavam voltando ao normal.


Veria Hermione logo, pelo menos era esse pensamento que mantinha em mente. Harry havia sugerido que fossem em alguns dias para Hogwarts, esperando que passasse a confusão natural da volta às aulas. Os últimos dias haviam sido os mais longos de que Rony se lembrava, perdendo apenas talvez para o tempo que passara no Chalé das Conchas sem saber como Harry e Hermione estavam, durante a busca pelas Horcruxes.


Agora, sentia-se imensamente nervoso, e nem ao menos podia explicar perfeitamente o porquê. Pensar em Hogwarts, com seus diversos corredores e escadarias, lhe passava a sensação de voltar no tempo, para uma época muito mais fácil e tranqüila. Talvez o que estivesse lhe causando todo aquele medo, era o fato de ainda ter longas horas de trabalho no Ministério. Pensar que logo veria o rosto surpreso de Hermione lhe dava certa calmaria, mas saber que teria todas aquelas aulas preparatórios era de desanimar qualquer um.


Visualizou o Ministério e aparatou, torcendo para que aquele dia passasse logo. Mal chegou, visualizando a entrada disfarçada como banheiro público, sentiu uma pontada incômoda no estômago. Não poderia continuar sentindo-se tão estranho por ter assumido uma vida adulta, ou nunca iria para frente.


Assim que chegou ao átrio, resolveu procurar Harry. O amigo havia sido solicitado a aparecer uma hora antes do horário previsto para ele e Rony, pois Kingsley queria realizar alguns ajustes em sua carga horária para que pudesse participar das novas reuniões da reformulada Ordem da Fênix. Rony queria realmente poder participar logo das reuniões, e já havia sido convocado, mas ainda sentia uma sensação ruim ao lembrar que como sempre, Harry estava à frente.


Rony havia integrado a parte responsável por arranjar outro lugar para as reuniões, comunicar os membros de forma discreta onde e como aconteceriam os encontros, e auxiliar na elaboração de atas. Harry começaria, ao lado de Kingsley, a seleção para novos membros.


Por esse lado, Rony ficara feliz por ter sido integrado a outro grupo. Não sabia se teria a paciência e determinação de Harry para observar rosto após rosto de candidatos à cargo da Ordem, sabendo que muitos deles podiam ter desacreditado Dumbledore e Harry durante muito tempo.


Jorge e Rony já estavam pensando em tudo que lhes cabia, juntamente com Molly e Arthur. A mãe de Rony, inclusive, já visitara os garotos no pequeno apartamento, enquanto colocava defeito na organização dos quartos e do posicionamento da maioria dos móveis, fazendo algumas mudanças com as varinhas.


Rony ficava feliz em observar sua família seguindo com a vida, como deveria ser. Jorge já havia atualizado o estoque da loja e colocado anúncios para contratar novos atendentes, já que resolvera ampliar o negócio assim que possível. Rony ficava desanimado pensando em quando seria a próxima tarde de seleção para balconistas e atendentes, sabendo que o local ficaria cheio de fãs barulhentas e escandalosas.


A fama estava sendo realmente um problema. Agora trabalhando meio turno em forma de aulas de preparação no Ministério, e toda a tarde nas Geminialidades Weasley, Rony enfrentara realmente o peso de ser alguém conhecido.


Escrevera a primeira carta à Hermione, no dia após a ida da garota a Hogwarts, e recebera ansioso uma correspondência por correio coruja na loja no Beco Diagonal. Achando que a garota já respondera, abrira a carta rapidamente, sem nem ao menos olhar de onde vinha. Na realidade, era uma espécie de berrador, que falara em alto e bom tom, com uma voz feminina, que o novo Weasley que estava trabalhando na loja era um verdadeiro charme, e que ela em breve pretendia arranjar um jantar para ele e Jorge. Jorge rira por uma hora consecutiva, seguido de Harry. Rony ficara paralisado, sem entender realmente como alguém o estava observando e ainda mais tivera coragem de mandar um berrador daquele jeito. Tremeu ao pensar na cara de Hermione se ela visse aquilo.


A resposta de Hermione chegou, felizmente. A garota parecia meio melancólica, tomada de um sentimento muito forte de perda. Citava várias vezes o que estava fazendo em Hogwarts, como sentia falta dele e é claro, de Harry, até mesmo nas horas mais barulhentas na sala comunal. Falara também da canção do chapéu seletor, fazendo questão de citar algumas frases, o que fez a carta só engrossar mais e mais o envelope. Citara também o discurso de McGonagall, mais animador do que ela própria esperava. A garota descrevera também Hogwarts e suas mudanças, as horas que ela, Gina e Luna passavam na cabana de Hagrid, as aulas que estava assistindo.


Tudo fazia com que Rony sentisse um sorriso se formar enquanto lia. Era muito bom saber que a garota estava arranjando um jeito de se manter firme e forte, mesmo com todas as mudanças. Enquanto ele, era tomado por uma dor de barriga e nervosismo imenso toda vez que precisava ir para o Ministério.


Os treinos de auror eram realmente exaustivos, e Rony normalmente saía na hora do almoço com a sensação de que sua cabeça estava se esvaziando aos poucos, como se ele estivesse desaprendendo tudo que já assimilara até então.


- Rony!- Harry vinha correndo ao seu encontro, o cabelo extremamente bagunçado.


- Até que enfim encontrei você!


Harry postou-se ao lado do amigo e diminuiu o passo para acompanhá-lo.


- Tudo certo com a reunião? Kingsley está bem?


Harry franziu o cenho, sentindo algo diferente no amigo.


- Sim...ele está bem. Mas a reunião foi realmente estressante.- Harry retirou os óculos e coçou os olhos demoradamente.- Ainda bem que vamos fugir desse cenário em algumas horas.


Rony olhou para os lados, com medo de que alguém os escutasse. Achava realmente injusto terem esperado tanto tempo por aquilo, a chance de serem aurores, e o começo ser tão decepcionante.


- Para ser sincero- ele falou o mais baixo que pôde.- nunca achei que uma sexta-feira demoraria tanto a chegar.


- Eu sei...- Harry olhou para o teto, recolocando o óculos no lugar.- Sinto como se estivéssemos há um mês nesse treinamento.


Os dois estavam caminhando em direção ao departamento que estavam tendo as aulas. Rony sentiu mais uma sensação incômoda no estômago ao saber que reencontrariam os colegas da Academia de Aurores. Todos olhavam para Harry e Rony com rosto de descrença, como se duvidassem que realmente fossem capazes. No começo, esboçaram vários sorrisos, alguns arriscaram-se a puxar papo, querendo aproximação com os garotos famosos. Agora, conforme as aulas tornavam-se mais complicadas, surgira um burburinhos entre eles, que gostariam de saber quem havia decidido que Harry e Rony entrariam na Academia pulando toda a burocracia necessária, sabendo que eles nem ao menos haviam terminado Hogwarts.


Rony tentou não olhar para ninguém enquanto entravam na grande sala circular. Uma mulher e um homem, os mais velhos do grupo, viraram-se sem cerimônia quando eles entraram.


- Achei que o fato de termos ajudado a destruir Voldemort tiraria essa antipatia gratuita da cara da maioria...- Harry sussurrou para o amigo.


- Hunf...ajudado? Você literalmente derrubou ele, cara.


Harry deu de ombros. Rony sabia que o garoto também sentia uma desanimação ao ver que não estavam sendo tão bem recebidos na turma.


- Acho que com o tempo eles irão perceber que sabemos alguma coisa. Que podemos ser bons aurores.- Harry falou, mais para ele que para Rony.


Rony não respondeu. Achava tudo aquilo muito estranho. Havia um grande grupo da população extremamente grato a tudo que eles haviam feito, enquanto alguns já haviam deixado a felicidade inexplicável que se seguiu à guerra de lado, e agora questionavam-se que tipo de métodos eles haviam usado para chega até ali. Alguns os acusavam por terem entrado em Gringotes, alegando que não havia justificativa suficiente para aquilo. Outros haviam inventado a fofoca de que a morte de Dobby não havia sido tão fundamental assim, e Harry ofendera-se muito mais com essa mentira do que com qualquer outra, quase gritando na cara de uma jornalista que ela poderia ir até a casa de Gui e Fleur e analisar se o túmulo feito para Dobby representava um elfo doméstico explorado por eles. Rony torcia para que aquilo tudo passasse logo, que a sociedade esquecesse pelo menos por um segundo que eles eram os heróis da Segunda Grande Guerra. Ele sabia que ele e Harry poderiam provar logo que eram capazes de integrar a academia dos aurores, mas sabia que para aqueles que haviam passados anos lutando para aquilo, parecia realmente injusto aqueles dois pirralhos assistindo as mesmas aulas e com os mesmos privilégios. Rony tentava pensar positivo, lembrando de tudo que ele e Harry haviam passado para chegarem vivos até ali, mas começava a entender cada vez mais os motivos de Hermione para querer trilhar o caminho com as próprias pernas, deixando de lado as portas que a fama havia aberto.


Para a alegria dele e de Harry, a aula do dia havia sido mais fácil que as anteriores, pelo menos para eles. A parte teórica havia sido relativamente fácil, sobre feitiços defensivos. A professora do dia havia deixado Harry extramente sem graça ao comentar que sabia de fonte segura, que o garoto era capaz de produzir um Patrono corpóreo desde os treze anos de idade. Todos os colegas olharam sem emoção para Harry, uma das garotas mais novas cochichara sem pudor nenhum para a colega ao lado.


Será que não acreditavam? Será que não achavam o suficiente? Rony logo entendeu o porque, todos pareciam capazes de produzir um patrono perfeito ao primeiro olhar. Obviamente, já que apenas melhores alunos em Defesa Contra a Arte das Trevas estavam ali. Porém, quando questionados quantas vezes haviam testado a força de seu Patrono contra dementadores, todos silenciaram.


Uma mulher jovem, que não deveria ter mais do que 25 anos, erguera o braço timidamente, comentando que havia sido necessário utilizar o feitiço do Patrono há algum tempo atrás, após a fuga de Azkabam de grande número deles, quando vira alguns perambulando pela rua de sua casa.


Rony e Harry ficaram sem graça de responder a pergunta, mas a professora bem informada novamente, narrara alegremente que Harry e Rony já haviam ficado conhecidos por dominarem bem aquele feitiço, ao lado de Hermione é claro, sendo que seus patronos eram sua marca, conhecidos até mesmo pelos antigos Comensais da Morte.


Após a vergonha que queimou seus rostos, a professora mudou de assunto, e novamente Harry e Rony se saíram bem. No restante da manhã, treinaram diversos feitiços defensivos.


Ao finalizar a aula, quando Rony já recuperara seu bom humor sabendo que finalmente se dera bem em algo, a professora pedira a atenção dos alunos.


- A partir da semana que vem começaremos com o intensivo. As aulas da manhã começaram uma hora mais cedo e se estenderão até o meio da tarde. Então por favor, organizem suas agendas.


Rony sentiu um cubo de gelo pousar no estômago. Queria tanto poder continuar ajudando Jorge com a loja. Harry ao seu lado, olhava a professora de boca aberta.


- Sabia que não seria fácil. A academia não podia ter toda essa fama de difícil de graça...- Rony falou para o amigo enquanto saíam da sala.


- É...- ele não parecia tão desanimado.- As aulas serão em outros lugares também, ouvi um dos colegas comentando.


Os dois foram em direção a uma das lareiras vazias, Harry deixando espaço para Rony passar. Os dois haviam decidido usar a rede de Flu para o transporte até a loja, assim economizavam alguns minutos. Harry sempre tentava convencer Rony a prolongar um pouco a caminhada para que pudessem aparatar, e Rony o convencia de que dessa maneira poderiam sair dentro da loja já, assim que saíssem da lareira.


Enquanto focava em sua mente a loja no Beco Diagonal, Rony tentava elaborar um esquema mental ao organizar seu horário, de modo que pudesse ajudar o irmão com a loja no restante da tarde que teria após o treinamento de auror, torcendo para que não estivesse muito exausto.


Assim que Harry chegou logo após Rony, os dois colocaram o uniforme da loja e migraram para a frente do estabelecimento, encontrando um Jorge incrivelmente atarefado e felizmente, muito bem humorado, já comentando que estava com idéias para criar novos produtos, sugerindo que Rony e Harry servissem de cobaias para os testes.


Ele não pareceu achar problema nenhum o horário estendido da Academia de Aurores.


- Você já está fazendo grande coisa obrigando Harry a ajudar aqui também...- Jorge falou enquanto tentava empilhar diversas caixas de varinhas falsas com a varinha em punho. Até que a que ele segurava virou uma galinha de borracha e ele percebeu que havia trocado o conteúdo de uma das caixas. Começou a abrir uma por uma, procurando sua verdadeira varinha enquanto Rony contorcia-se rindo.


- Ninguém está me obrigando a nada! Estou hospedado no apartamento de vocês até achar um lugar para morar! Nada mais justo que eu ajude por aqui!


Ele olhou para Jorge, que fazia a varinha falsa voltar ao formato original, empunhando dessa vez a varinha certa.


- Você não pode alegar que não se diverte aqui!- Rony pareceu achar voz em meio as risadas.


Eles continuaram organizando tudo, enquanto a ansiedade de Rony aumentava. Mal conseguiu aproveitar a comida do almoço, checando de hora em hora o relógio de parede que Jorge fixara em cima do balcão. Mais uma invenção do Weasley, o relógio era bastante parecido com o que a Sra. Weasley tinha, mas ao invés disso, possuía marcadores como Dia do Sono, Hoje não irei trabalhar, Hoje sinto-me disposto, Certamente estou atrasado! Jorge mostrara aos garotos que quando acionada a opção Hoje irei trabalhar e Certamente estou atrasado, a hora marcada para despertar fazia aparecer uma espécie de marreta que golpeava a cabeça do proprietário até que ele acordasse e com um aceno de varinha fizesse parar. Rony achara uma ótima invenção, pelo menos para ele que tinha tendência a virar para o lado e continuar dormindo.


Era difícil ver as horas exatas com todos aqueles ponteiros diferentes na frente, mas mesmo assim Rony tinha a impressão de que o tempo estava passando muito lentamente.


- Vocês vão aparatar até a estação de Hogsmeade?- a voz de Jorge fez ele se sobressaltar.


- Achamos que é o melhor. Ainda teremos um belo caminho até o castelo, mas pelo menos saberão que estamos chegando. É melhor do que pararmos na frente do portão e esperarmos Filch nos atender.- Harry riu, enquanto explicava o plano.- Garanto a você que ele não gosta mais de nós apenas porque salvamos a comunidade bruxa.


Rony sentiu um frio na barriga. Logo estaria com Hermione. Com sorte, Jorge terminaria tudo logo e ele e Harry poderiam sair sem culpa. Só de pensar que estaria sentado no Salão Principal aquela noite, como visitante e não como estudante, que veria a sala comunal, sentiu-se mais animado.


Flashback


- Hermione Granger-


- Você não se acostuma com ela, mesmo morando na mesma casa?- Harry indagou Rony. Obviamente falavam de Fleur.


Hermione apurou os ouvidos, olhando para o ruivo.


- Acostumar, acostuma...-disse Rony- mas se ela pula inesperadamente em cima de você, como agora...


Hermione analisou a expressão do garoto e sentiu uma fúria que não era sua se apoderar se seu corpo.


-Isso é ridículo- disse furiosa, antes que pudesse se conter. Afastou-se o máximo que pôde de Rony, virando a cara. Era praticamente impossível aceitar que ainda teriam esse tipo de situação. Será que o garoto não via como a incomodava ver aquele tipo de reação por parte dele? Ele próprio tinha explosões de ciúmes toda vez que o nome de Vítor Krum era mencionado. Ele poderia ao menos admitir o que estava sentindo e parariam com toda aquela baboseira.


Protegeu-se com os braços quando chegou a parede. Faria qualquer coisa, menos olhar para Rony. Não queria dar o braço a torcer.


- Você não quer ela morando aqui para sempre, quer?' Gina perguntou, incrédula, para Rony. Hermione ficou quieta, agradecendo a indagação da amiga.


Rony gaguejou, e Gina continuou.


- Bem, mamãe vai acabar com isso assim que ela puder, aposto qualquer coisa.


- Como ela vai conseguir isso?- perguntou Harry.


- Ela continua tentando trazer Tonks para jantar. Eu acho que ela pensa que Gui vai se interessar por Tonks. Eu também espero que isso aconteça, eu prefiro ela na família.


- Sim, isso vai funcionar- disse Rony sarcasticamente. Hermione sentiu um calor repentino subir seu corpo. Odiava ter de saber que Fleur estava ali por tempo indeterminado, e que seria parte da família para sempre. Era mais terrível ainda ouvir o tom de deboche de Rony.- Ouça, nenhum homem são iria olhar para Tonks enquanto Fleur está por perto.


Hermione congelou. Ótimo. Iria sentir-se como um defeito da natureza novamente. Talvez ela estivesse se iludindo ao pensar que poderia ter algo com Rony, que talvez o garoto amadurecesse e percebesse que passando por cima do ciúme poderia ficar juntos. Talvez aquele tipo de frase, era uma forma de indireta que Rony achava para dizer a ela o quanto podiam haver mais mulheres interessantes quando comparadas a ela. Era como se ele quisesse justificar-se, querendo que Hermione soubesse que entendera tudo errado, que ele jamais olharia para ela. Ainda mais com Fleur perto.


-Quer dizer, Tonks é bonita quando não fica fazendo aquelas coisas estúpidas com o cabelo e com o nariz, mas...


Por que ele continuava a falar? Será que não podia ver as besteiras se acumulando?


Gina olhou nervosa para Hermione, que já não conseguia ficar neutra naquela situação.


Repentinamente, aqueles dias na Toca pareciam muito mais torturantes e muito menos alegres do que ela imaginava.


Após tudo aquilo, após ter que enfrentar mais algum tempo convivendo com a beleza óbvia de Fleur, que parecia estar apenas ali para lhe lembrar o quão não-atraente ela podia ser, Hermione foi forçada a jogar Quadribol. Ótimo, aquela estadia na Toca não podia ter mais surpresas desagradáveis.


Ela nem sabia direito porque aceitara. Prometera a si mesma nunca mais montar em uma vassoura, e ter que ouvir as risadinhas de Rony toda vez que ela errava um passe era pior do que tudo.


Felizmente Harry escolhera Hermione para fazer parte de seu time, e Gina não parecia debochar da garota em sinal de respeito- Hermione sabia que seria alvo de piadinhas quando estivessem sozinhas mais tarde.


- Harry, eu desisto!- ela tentou se fazer ouvir, enquanto sobrevoava o campo, com medo de cair da vassoura.


- Estamos empatados, Mione!


- Eu sei.- ela tentou fazer uma curva leve, para que Rony não a escutasse.- Mas acho que só estou sujando minha reputação aqui...


Harry riu e balançou a cabeça. Ele começou a mover-se em direção ao outro lado do campo, tentando dominar a bola.


Gina moveu-se graciosamente e com uma velocidade incrível, desviando de Harry, que parecia repentinamente mais cavalheiro do que o necessário.


Quando ele finalmente conseguiu derrubar a goles da mão de Gina e marcar um gol, Hermione o alcançou quando ele voltou ao lado dela no campo.


- É...o jogo até que está equilibrado.


- Eu falei!- Harry sorriu para ela.


- Estaríamos ganhando se você não se importasse em machucar a Gina a cada lance.


Harry olhou para Hermione com a boca aberta e a garota passou rápido por ele, querendo se arriscar dessa vez e tentar marcar um ponto.


Harry não parecia ter registrado o comentário irônico da amiga, e enquanto aproximava-se temerosa de Rony, Hermione questionava-se se algo estava acontecendo com Harry, e se ele seria tão lerdo quanto Rony para admitir o que sentia.


Rony olhou nervoso para Hermione, obviamente não esperava uma ofensiva por parte da garota. Hermione sorriu inclinando-se mais na vassoura.


Rony abriu a boca para falar, um sorriso irônico formando-se nos lábios. Incapaz de escutar mais uma ironia sequer, Hermione lançou a bola com a maior força que pôde em direção ao gol demarcado.


Rony segurou facilmente e Hermione bufou impaciente. Já estava virando de costas, observando surpresa Gina e Harry conversando em pleno ar, completamente alheios ao jogo, quando Rony falou:


- Na próxima você acerta, Mione!


Ela não pensou duas vezes. A ironia dele a estava irritando profundamente. Antes que ele percebesse o que ela estava fazendo ela aproximou a vassoura do garoto o máximo que pôde e o encarou nos olhos.


Rony corou bruscamente, assustado que a garota tivesse levado a sério a provocação. Feliz com a distração do garoto, Hermione deu um leve tapa na goles segura na mão do garoto e lançou ela sem força alguma por cima da cabeça do garoto.


- Obrigada pela torcida, Ronald!


Virou-se de costas, chegando ao outro lado do campo em tempo recorde, querendo observar a expressão de Rony. Ele permaneceu quieto, flutuando na vassoura, ainda incrédulo.


Após algum tempo, Gina concentrara-se o suficiente para empatar o jogo novamente.


Ainda jogaram algumas vezes quadribol durante aquelas férias, mas dessa vez Hermione teve todo o cuidado para se mexer o menos possível, impedindo a criação de novas piadinhas a seu respeito. Rony parou com as ironias, e parecia ter ficado realmente ofendido com aquele gol por cima de sua cabeça, enquanto ficara calado encarando Hermione.


- Ronald Weasley-


Ser monitor tinha suas vantagens, obviamente. Mas o que mais queria era estar sentado calmamente na cabine com Harry, ao invés de ter que patrulhar os corredores.


Além do mais, Hermione não parecia ter adquirido muito bom humor no restante das férias, e estava extremamente calada.


- A Gina está na cabine com o Harry?- ele forçou um diálogo.


- Acredito que não. Ela comentou que iria se encontrar com o Dino.- Hermione respondeu sem o olhar. Ela estava espremendo-se para passar entre alguns alunos do segundo ano.


Rony estranhou ela não os dar alguma ordem, mandando-os de volta a sua cabine ou exigindo comportamento.


- Hunf...- irritou-se ao pensar em sua irmãzinha em alguma cabine com Dino.


- Ah, não começa Rony!- Hermione finalmente o olhou.- Essa implicância com todos os pretendentes da sua irmã...


- Ahá! Então você admite que foram muitos!- ele encarou a garota, as orelhas vermelhas.


- Eu não falei que foram muitos, falei todos! Nenhum garoto pode se aproximar dela que você...


Mas Rony estava olhando para dentro da cabine que estavam passando. Malfoy estava ali, juntamente com os colegas da Sonserina.


Hermione logo entendeu o que ele estava olhando.


- Ele deveria estar auxiliando os outros monitores!- ela falou, chocada.


- Como se patrulhar os corredores fosse algo muito importante...- Rony respondeu, sem encará-la.


- Se não fosse, não estaríamos aqui!


Naquele momento, Malfoy olhou para eles com um sorrisinho debochado. Cochichou algo para Crabble e fez um gesto obsceno, rindo para eles. Hermione corou e Rony sentiu que poderia ter um ataque de raiva.


- Vamos sair daqui...- ela cochichou próxima a Rony.- Repentinamente o lugar ficou muito baixo.


- Concordo com você.- Rony sobressaltou-se ao sentir a mão leve de Hermione puxando ele pelo braço.


Percebendo o que estava fazendo, a garota o soltou.


- Acho que Malfoy vai desistir de ser monitor de vez.- ele tentou pensar em qualquer coisa para dizer. Sentia-se constrangido com a menor proximidade que surgira entre eles.


- Imagino que deve haver algum motivo para isso...


Mas ela não falou mais nada, e após aquilo os dois deixaram um silêncio permanecer. Rony suspirou, tentando relaxar os ombros ao irem a procura de Harry. O ruivo torcia para que pudesse se sentir mais a vontade quando estivessem na companhia dos outros.




- Calma aí- disse Hermione parando um garoto do segundo ano, que estava tentando passar por ela com um disco verde em suas mãos. -Frisbees dentados estão proibidos, me entregue!- ela mandou.


O garoto a entregou o Frisbee, passou por baixo do braço de Hermione e foi atrás de seus amigos. Rony esperou que ele sumisse, depois pegou o brinquedo das mãos de Hermione.


- Beleza, sempre quis ter um desses!


Ele sabia que Hermione não deixaria ele ficar com o brinquedo, mesmo que tivesse sido criado com Fred e Jorge e soubesse como manusear corretamente aquilo. A garota já estava abrindo a boca para responder, mas seja lá o que estivesse pensando em falar, foi abafado antes de sair de sua boca, por vários risos.


Hermione olhou para o lado de onde vinha a risada, surpresa. Franziu a sobrancelha e olhou novamente para Rony, como que esperando uma resposta.


Lilá Brown ainda olhava para o ruivo, e permaneceu olhando por cima do ombro, rindo, quando passou por eles.


Rony sentiu como se seu peito inflasse e sorriu de volta. Pelo menos alguém ali achara engrado! Ficou observando Lilá se afastar, perguntando-se porque a garota parecia repentinamente mais simpática.


Hermione virou a cara passando por ele. Rony gostou de vê-la perder a postura de mandona pelo menos uma vez. Ela podia ter continuado com seu discurso após a saída de Lilá, mas pareceu dar-se por vencida. Parecia querer ignorar Rony, e ele estava começando a acreditar que a garota ficara pessoalmente ofendida por ter sido cortada por Lilá.




- Hermione Granger-


Ela conhecia Lilá desde o seu primeiro ano em Hogwarts. Desde o primeiro dia haviam dividido o dormitório, e ela escutara os comentários dela e de Parvati sobre garotos, sobre encontros e tudo o mais. Hermione sabia muito bem o que aquele tipo de comportamento significava, com risada forçada e olhares para chamar a atenção. Ou estava muito enganada, ou Lilá estava tentando aproximar-se de Rony.


Hermione sentiu seu estômago dar cambalhotas. Não esperava por essa.


Ela certamente achava o ruivo atraente ao seu modo, sabia exatamente o que sentia por ele, apenas não esperava que uma de suas colegas tivesse a coragem que ela não tivera em todos aqueles anos: tomar uma atitude. Se Lilá estava realmente interessada em Rony, certamente não mediria esforços até conseguir o que queria. E Hermione sabia que não podia fazer nada, faltava coragem. Ela esperaria Rony dar o primeiro passo, mesmo sabendo que talvez essa iniciativa jamais viria.


A porta da masmorra se abriu e a barriga de Slughorn apareceu antes que o próprio professor. Enquanto entravam na sala, seu grande bigode se curvou acima de sua boca, e ele saudou Harry e Zabini com entusiasmo A masmorra estava já cheia de vapores e cheiros estranhos.


Harry, Ron e Hermione cheiraram interessadamente enquanto passavam por grandes, borbulhantes caldeirões.


Estavam na mesa mais próxima do caldeirão que continha uma poção com um cheiro maravilhoso. Hermione foi tomada por aquele perfume antes mesmo que se desse conta do que se tratava. Sentiu-se envolta por uma sensação gostosa de calor, parecia estar voltando no tempo: todas as preocupações e sensações ruins pareciam sair de seu corpo e ela sentiu-se completamente envolvida pelo perfume da poção. Conhecia todos aqueles aromas muito bem...


Tentou se concentrar para responder corretamente as perguntas do professor, ignorando o cheio marcante da poção tão próxima.


- Excelente, excelente! Agora essa aqui... sim querida?-perguntou Slughorn, agora perplexo, enquanto a mão de Hermione cortava o ar mais uma vez.


- É Amortentia!- respondeu, referindo-se à identidade da poção poderosa que tinha diante de si. Sentiu uma euforia estranha se apoderar de si ao saber o que viria a seguir.


- Realmente, é. Parece quase uma tolice perguntar- disse Slughorn, que parecia muito interessado- mas eu acredito que você saiba o que ela faz?


- É a mais poderosa poção do amor no mundo!-disse Hermione. Óbvio que era. Parecia quase um pecado não se dar conta disso, considerando que a poção a fazia lembrar-se com tanta clareza de tudo que sentia por um certo ruivo, por mais que ela tentasse não pensar naquilo agora.


- Certo! Você a reconheceu, eu suponho, por seu brilho pérola característico?


- E pela fumaça subindo em espirais - confirmou Hermione, entusiasmada. - E ela deve cheirar diferentemente para cada um, dependendo do que nos atrai, e eu posso sentir cheiro de grama recentemente cortada...- ela parecia estar realmente hipnotizada agora. As cenas dos jogos de quadribol na Toca, o cheiro da grama cortada há pouco tempo, o tempo que havia passado naquele jardim, deliciando-se com os perfumes característicos da época, tudo formava-se em sua mente.- Pergaminho novo...- ela lembrou-se dos primeiros dias do período letivo em Hogwarts. Era sempre aquela sensação gostosa na boca do estômago. Saber que voltariam à rotina antiga, convivendo na sala comunal, assistindo aula lado a lado dia após dia, aquilo lhe remetia a uma lembrança tão boa, quando sabia que poderia estar ao lado de Rony em todas as aulas.- E...


Parou. Havia falado demais! Obviamente aquilo eram cheiros neutros, ninguém deveria ter percebido que ela estava falando de Rony! Sentiu seu rosto corar violentamente.


- Posso perguntar seu nome, minha querida?-perguntou Slughorn, ignorando a vergonha que se apossara da garota.


- Hermione Granger, senhor.


- Granger? Granger? Por acaso você tem algum parentesco com Hector Dagworth Granger, que fundou a Extraordinária Sociedade dos Preparadores de Poções?


- Não. Eu acredito que não, senhor. Eu nasci trouxa, sabe.- respondeu antes de pensar realmente na possibilidade de ter algum parentesco bruxo, feliz que o assunto estivesse sendo desviado, pelo menos por um momento.


Slughorn abriu um sorriso e olhou de Hermione para Harry, sentado próximo dela.


- Há! Uma das minhas melhores amigas é nascida trouxa, e ela é a melhor do nosso ano! Acredito que esta seja a amiga da qual você me contou, Harry?


- Sim, senhor - confirmou Harry.


-Bem, bem, você recebeu vinte pontos para a Grifinória, senhorita Granger - finalizou Slughorn.


- Ronald Weasley-


Ainda sentia-se abobado com aquele perfume o circulando por todos os lados. Aquela aula de poções seria a sua desgraça. Sentia como se estivesse flutuando a um palmo do chão. Parecia capaz de fazer qualquer coisa, falar qualquer coisa, desde que o deixassem absorvendo aquele aroma maravilhoso para sempre.


E para variar ela estava ali, a dona daquela mistura de perfumes, respondia todas as perguntas corretamente como sempre. Cada movimento da garota, cada fio de seu cabelo que se movia, lançava uma nova onda do aroma característico, que se misturava com aquele que a poção lançava em baforadas pela masmorra.


Hermione se virou para Harry com uma expressão radiante e sussurrou.


- Você realmente falou a ele eu era a melhor do ano? Oh, Harry!


Do que eles estavam falando mesmo? Sentia-se perdido, parecia que havia exagerado em uma dose de bebida alcoólica.


-Bem, o que há de impressionante sobre isso?- murmurou ainda tonto, não conseguindo conter o tom chateado. - Você é a melhor do ano. Eu diria isso se ele me perguntasse.


Sentiu-se ofendido com o comentário de Hermione e sob o efeito daquela maldita poção que continha o melhor perfume que já sentira na vida, ele sentia-se capaz de ir até ela, sacudi-la para que entendesse que ele sabia que ela era a melhor aluna. Naquele momento, parecia realmente absurda a idéia de estar ali sentado, assistindo aquela aula. Sentiu um impulso muito forte de levantar da bancada, agarrar Hermione pelo braço e puxá-la para fora daquela masmorra, jogar na cara dela todas as verdades engasgadas. Dizer que sim, havia sentido ciúme durante todo aquele tempo, e que admitira na frente dela tudo aquilo. Dizer que se arrependera amargamente de não tê-la chamado para o Baile de Inverno e que lamentava ainda mais as discussões a seguir, sabendo ainda que com aqueles acontecimentos, deixara o caminho livre para Krum, pelo menos por um tempo.


Sacudiu a cabeça, tonto, tentando sair daquele delírio que parecia extremamente real. Aquela maldita poção parecia jogar para cima dele tudo aquilo.


Com o corpo ainda amortecido, ele viu abismado um sorriso bobo no rosto de Hermione enquanto ela pedia silêncio para continuar a prestar atenção na aula. Ela havia percebido o que ele queria dizer por detrás daquelas simples frases...mas então porque aquela sensação ruim permanecera no ar agora? A sensação de que faltava algo, um desfecho?


- Amortentia não cria realmente amor, é claro. É impossível fazer ou imitar amor.- Rony virou os olhos, aquilo que o professor falava era tão óbvio.- Não, isso irá simplesmente causar uma forte obsessão ou atração. É provavelmente a mais perigosa e poderosa poção nessa sala - ele disse, afirmando com a cabeça gravemente para Malfoy e Nott, ambos os estavam sorrindo descrentes. - Quando vocês tiverem visto tanto da vida quanto eu vi vocês não subestimarão o poder do amor obsessivo... E agora é hora de começar a trabalhar.


Odiou ter que ouvir aquela palavra: amor. A palavra que provavelmente justificava tudo aquilo, inclusive as noites sem sono perdidas e os acessos de raiva. Seria tudo tão mais fácil se o perfume que emanasse daquela poção não fosse da sua melhor amiga...




- Cinco pras oito, melhor eu ir, ou estarei atrasado para ver Dumbledore.- Harry falou, já se movendo.


-Oh!- arfou Hermione, olhando para ele. - Boa sorte! Nós vamos esperar, nós queremos saber o que aconteceu!


- Espero que corra tudo bem - disse o Rony, sentindo uma certa sensação de ansiedade tomar seu corpo.


Assim que Harry sumiu e ele e Hermione desviaram o olhar do buraco do retrato, Rony tentou fazer o que lhe parecia mais óbvio: conversar com ela.


- Você acha mesmo que o tal Príncipe Mestiço poderia ser uma garota?- Rony tentou, obviamente não pensando muito no assunto.


Hermione olhou para ele com os olhos estreitos.


- Por que você acha que não poderia?- já estava zangada, aparentemente.


- Calma!- Rony ergueu as mãos, em defesa.- Convivendo com você sabemos muito bem até onde as garotas podem ir.


Hermione franziu a sobrancelha para ele, inclinando o corpo levemente para frente, sinalizando que estava escutando.


- Você mesma não ficou incrivelmente satisfeita de saber que Harry falou ao professor Slughorn que você é a melhor do ano?- Rony virou a cara, querendo que a amiga entendesse perfeitamente o que ele estava querendo dizer.- Você não precisar cair em cima dele por ele sugerir que o príncipe fosse um garoto.


- Eu sei que o Harry não estava debochando de mim...- a garota ficou levemente corada.


- Ah, ok então...- Rony deu de ombros.


Não queria que a garota ficasse com a idéia de que apenas Harry sabia que ela era incrivelmente dedicada, a melhor aluna da turma. Mesmo tendo falado para ela durante a aula de poções, ainda sentia que faltavam muitas palavras para serem ditas.


A situação repentinamente mudou, e parecia que o destino estava começando a trabalhar ao seu favor. Lilá passou de braço dado com Parvati, torcendo o pescoço o máximo que pôde para observar Rony.


Ele olhou para Hermione que parecia ter percebido. Incrivelmente contrariada, enfiou a cara em um livro deixando apenas seus cabelos fofos aparecendo por cima dele.


- Oi, Rony!- Lilá abanou para o garoto que instintivamente abanou de voltar.


- Oi, Lilá...- sentiu-se um idiota. Conheciam-se desde o primeiro dia em Hogwarts, e haviam trocado algumas palavras durante todo aquele tempo. Não eram pessoas próximas nem muito amigos, por que a garota fazia questão de mostrar para ele que o conhecia?


Assim que desviou o olhar, observou Hermione. A garota estava anormalmente quieta, os lábios cerrados em uma linha fina.


Lilá e Parvati tinham ido para um canto da sala comunal, onde estavam com as cabeças próximas, dando risadinhas ao invés de se concentrarem no dever de casa que tinham diante de si.


- Então...- Hermione começou a falar e era incrível como sua voz, mesmo baixa, era muito nítida para ele.-...não sabia que você e Lilá eram amigos. Não lembro de ter visto você falar com ela muitas vezes...


- E não falei...- respondeu prontamente, sem saber onde Hermione queria chegar.- Ela me cumprimentou e eu respondi...


- Hum...ela fez questão de cumprimentar você, não é? E de rir de suas piadas também...- Hermione fechou o livro com um estrondo, mas para alívio de Rony seu rosto continuava relaxado.


- Qual é o problema?- ele sentiu as orelhas queimarem, mas o sentimento que se apoderou dele foi bom. Será que fazia essa cena toda vez que o assunto Krum vinha à tona? Será que Hermione estava experimentando aquela mesma sensação ruim que ele sentira quando vira os dois de braços dados, dançando colados?


- Nenhum!- a garota desviou o olhar do dele e se virou para trocar de poltrona.- Achei que tinha perdido algum detalhe da história...só isso...


Rony sentiu algo crescer em seu peito, uma vontade estranha de mover o corpo para mais perto de Hermione e questioná-la o porquê de ela estar querendo falar sobre aquilo. Mas ficou paralisado, sem saber exatamente o que estava acontecendo. Ela estava zangada, magoada ou queria apenas comprar briga?


Suspirou e recostou a cabeça no sofá. Hermione evitou o olhar dele e já estava ocupada com todas as anotações que tinha espalhado diante de si. Se ela não queria conversa, então não queria forçar uma briga. Mas então por que estava deixando tudo aquilo solto no ar?


- Mione?- sua voz saiu mais rouca do que queria.


- Hmm...- ela apenas sussurrou em resposta, ainda absorta no que quer que estivesse lendo. Rony viu um pequeno sorriso formar-se nos lábios dela.


- Só queria saber o que tanto você lê...não podem haver tantas tarefas acumuladas ainda...


Hermione reprimiu uma risada. Sua expressão estava dividida entre um sorriso bobo e decepção.


- Não vou fazer como você e deixar tudo para última hora...


- Outra vez o tom de acusação...- Rony virou o rosto, tentando não parecer muito mal educado.


- Logo você terá a seleção para o time, não é? Você não acha que com os treinos de quadribol sobrará menos tempo para tudo?- ela o encarou, desistindo da leitura e tirando o dedo indicador que usava para marcar onde tinha parado.


- Ahá! Você está deduzindo que já estou no time?- Rony abriu um largo sorriso para ela.


- Claro que sim...você sabe que irá conseguir, Ronald...- ela falou abanando o ar com a mão, mas não parecia muito interessada naquele assunto.


- Uau.- Rony assobiou, querendo assimilar perfeitamente o elogio da amiga.


O sorriso perdurou em seu rosto durante todo o tempo que permaneceram ali. Rony começou a pensar se ela realmente havia sido sincera falando aquilo. Ficou remoendo durante muito tempo, querendo recomeçar a conversa sem saber exatamente o que falar. No momento que decidira puxar outro assunto com a garota, Harry apareceu pelo buraco do retrato.


Estando sentado ali com Hermione não havia percebido quanto a sala comunal havia esvaziado. Talvez Lilá tivesse saído decepcionada por não receber uma despedida, pensou feliz. Talvez a garota quisesse se aproximar dela... ao pensar naquilo, e em como Hermione ficaria se aquilo acontecesse, ele sentiu novamente uma euforia o tomar. Gostaria de ver como a garota reagiria se o jogo virasse...


Harry já estava falando e Hermione ouvia atentamente, exclamando em alguns momentos e bombardeando o garoto de perguntas. Rony não participou muito daquela conversa: antes de Harry chegar, ele estava se sentindo quase como se tivesse voltado à masmorra de poções, e aquele perfume maravilhoso estivesse o envolvendo por todos os lados.


Agora, com o amigo ali roubando a cena, as preocupações e todo o stress que o esperava começou a voltar, com toda força.




-Eu não sei o motivo dessa popularidade tão repentina do time...- Harry parecia sincero ao desabafar.


-Ah, Harry- disse Hermione, repentinamente impaciente. Rony virou o rosto para ela: a garota nunca se metia no assunto quadribol!- Não é o quadribol que é popular, e sim você! Você nunca foi tão interessante, e francamente, nunca foi tão fantástico como agora...


Rony quase se engasgou com um grande pedaço de salmão. Hermione dedicou-lhe um olhar de desdenho antes de voltar-se para Harry. Então ela realmente achava Harry interessante? Sentiu um formigamento estranho subindo da ponta dos seus pés até sua cabeça. Seu instinto sempre gritava, querendo dizer que havia algo que Hermione não lhe falava sobre o que sentia por Harry. Seu estômago revirou em resposta àquele pensamento.


- Todo mundo sabe que agora você está dizendo a verdade, não é? Toda a comunidade mágica teve de admitir que você estava certo sobre Voldemort ter voltado, e que você realmente encontrou com ele nos últimos dois anos, escapando nas duas vezes. E agora estão te chamando de O Eleito...bem, pense apenas...vai dizer que você não consegue ver porquê as pessoas estão fascinadas por você?


Atordoado, Rony desviou o olhar da amiga e analisou Harry. O amigo estava muito vermelho. Rony baixou a cabeça, sentindo que estava sobrando naquela conversa.


- E você estava envolvido com aquela perseguição do Ministério quando eles estavam tentando pinta-lo como inseguro e mentiroso. Ainda dá pra ver as marcas nas costas de sua mão de quando aquela mulher diabólica te fez escrever com seu próprio sangue, mas você continuou firme com a sua história...- ela continuou.


Indignado, Rony tentou chamar a atenção de Hermione.


- Ainda dá pra ver onde aqueles cérebros se prenderam em mim no Ministério, veja- disse,agitando suas luvas para trás rapidamente, para que a garota pudesse ver do que ele estava falando. Não era justo Harry ganhar todo crédito pela luta no Ministério e era mais injusto ainda Hermione falar como se apenas ele tivesse feito algo.


- E você cresceu mais de meio metro durante esse verão- ela estava realmente frisando que ele era alto? Aquela poção de Slughorn deveria ter mesmo mexido com algo dentro dele, sentiu-se estranhamente nervoso, mesmo sem motivo.


Hermione continuava ignorando Rony, era como se o garoto não tivesse falado uma palavra desde o começo da conversa.


-Eu sou alto- Rony disse abruptamente. Sentia a necessidade de lembrar Hermione de que ele estava ali, ao lado dela, escutando tudo aquilo. Mas a garota continuava tendo olhos apenas para Harry e Rony sentiu seu humor sumir, como se uma nuvem cinza pairasse sobre ele. Talvez a poção do amor tivesse mexido com tudo e com todos. Talvez ele estivesse enganado em relação aos sentimentos de Hermione. Talvez ela até achasse que poderia se interessar pelo ruivo, mas havia seu amigo famoso sempre ali do lado, e provavelmente ele era bem mais interessante.


- Hermione Granger-


Quando deixaram a mesa da Grifinória cinco minutos depois para ir até o campo de quadribol, passaram por Lilá e Parvati. Hermione olhou para elas, que sussurravam, parecendo aflitas. Não conseguia acreditar que sentira pena das garotas, pelo medo de seus pais em mantê-las em Hogwarts naqueles tempos difíceis. Parvati repentinamente cutucou Lilá, que olhou ao redor e sorriu amplamente para Rony. Rony


piscou e retribuiu o sorriso, incerto. Seu caminhar instantaneamente se tornou mais pomposo. Hermione desviou o olhar: sua teoria estava certa, Lilá estava interessada em Rony. Ela e Parvati estavam provavelmente falando dele, até que eles passassem por ali.


Harry arriscou um olhar para ela que desviou o olhar, com o queixo trincado. Assim que chegou ao estádio, achou que já era seguro sair dali- não agüentaria nem mais um minuto ao lado daquele Rony exibido e orgulhoso por ter chamado a atenção de uma garota.


Rony virou-se para ela, esperançoso, quando ela fez menção de se afastar. Ela desviou o olhar e migrou para as arquibancadas. Ele que se virasse em cima da vassoura, ela não iria torcer com gritinhos histéricos ao lado de Lilá.


Rony olhou para os lados, parecendo prestes a desmaiar quando montou sua Cleansweep 11.


- Boa sorte!- Lilá gritou arquibancadas. Hermione sentiu seu ânimo afundar: não queria ter de assistir aquilo. Tapou o rosto com as mãos quando percebeu um olhar de Harry para ela. Torceu para que ele não pudesse enxergar, estando montado na vassoura, a decepção em seu rosto.


Rony defendeu um, dois, três, quatro, cinco faltas. Sentia-se feliz pelo amigo, sabia que ele era nervoso e que gostava muito de participar do time. Mas toda vez que Lilá dava gritinhos agudos e cochichava algo com Parvati, ela sentia um gosto amargo invadir sua boca e a sensação de que sua cabeça estava girando. Era como se um grande relógio tivesse sido posto em cima de sua cabeça, lembrando a ela que era questão de tempo até a garota se pendurar no pescoço de Rony.


Restavam-lhe três opções. A primeira era ignorar e fingir que Lilá não existia, que nunca surgira interesse dela por Rony. Aquela opção logo foi descartada, pois a garota era muito barulhenta e chamativa para que Hermione pudesse fingir que ela fazia parte de outro mundo. A segunda, era ser irônica ao extremo com ela, quando Rony não estivesse por perto, dando a entender que ela não teria chance. Hermione não sabia se tinha coragem suficiente para isso...e a terceira, e o que mais queria poder fazer, era agir diferente com Rony, lembrar-lhe que ela sempre esteve ali ao seu lado, ajudando não apenas nas tarefas de escola, mas convivendo quase como se pertencessem a mesma família.


Lilá lançou um olhar irônico para Hermione. Ela sabia que não queria deixar aquilo barato. Ela podia não ser absolutamente nada de Rony, mas conhecia o garoto bem, passara diversas férias na casa dele, ao lado dele. Odiava aquela cara de deboche de Lilá, como que querendo dizer que conseguiria roubar o seu lugar em um piscar de olhos: lugar que, tecnicamente, não existia.


- Você foi brilhante, Rony!- Hermione gritou. Sabia que deveria fazer o garoto lembrar que ela torcia por ele. Desistiu de ignorar a colega, ela não se daria por vencida tão fácil.


Adorou ver o sorriso de Rony de volta, talvez ainda se perguntando porque ela sumira daquele jeito antes. E gostou mais ainda da boca aberta de Lilá, diminuindo o passo, o braço dado com Parvati, a expressão irritada. Desviou o olhar da garota, ela deveria saber que Hermione era próxima de Rony. Se Lilá queria se ofender com o fato de ela ter chego primeiro, que se ofendesse. Ela não iria deixar o campo livre assim, tão fácil...


Ron ficou extremamente contente, sorriu para a equipe e para Hermione, que retribuiu o sorriso, sincera. Adorou ver as orelhas do ruivo corarem ao encará-la, queria que ele entendesse o que ela queria dizer com olhar: acreditava nele e torceria por ele, mesmo que aquela garota enxerida fizesse questão de se colocar no meio do caminho.




A rotina na escola, as aulas e os estudos na sala comunal, estavam mantendo Hermione sob controle, pelo menos temporariamente. Não gostava de parar para pensar em como fazia falta os seus dois inseparáveis amigos, mesmo que no momento presente Rony não fosse mais apenas um amigo.


Hermione escrevia rapidamente no pergaminho que tinha diante de si. A aula já estava terminando e sem saber porque, ela não estava conseguindo manter toda a sua atenção ao que a Profª McGonagall estava falando. Observou uma certa movimentação e percebeu que seus colegas estavam se levantando das classes.


Rapidamente, organizou seu material espalhado e jogou a bolsa atravessada sob o ombro. Antes que pudesse terminar o caminho até a saída da sala, a voz da Profª a sobressaltou.


- Senhorita Granger?


Ela se virou prontamente, sem entender o que a professora poderia querer.


- Sim, professora...?


- Quando Potter e Weasley chegarem peça que vão até a minha sala, gostaria muito de poder conversar com eles!- parecia mais um daqueles sermões da professora, mas ela tinha um sorriso sincero nos lábios.


- Mas Harry e Rony...?- antes que pudesse terminar seu pensamento Hermione sentiu como se uma luz se acendesse dentro de sua cabeça.
Será que os garotos estavam planejando uma visita surpresa? Será que era por isso que seu inconsciente gritava que deveria haver algo mais naquele dia?


Hermione virou-se rapidamente para longe da professora, não querendo deixar transparecer que não sabia. Se eles haviam se comunicado com McGonagall pedindo autorização para irem ao castelo, certamente não haveria problema algum, e ela certamente não gostaria de deixar a situação ruim para os dois.


- T-tudo bem, professora...eu direi.- certificando-se que a professora havia escutado, Hermione saiu correndo da sala. Precisava encontrar Gina e contar o que os garotos estavam aprontando.


Mal chegou ao buraco do retrato, encontrou a entrada quase bloqueada: haviam muitos alunos parados ali. A mulher gorda não deixava que ninguém passasse, e alguns alunos dos primeiros anos começavam a ficar ansiosos, reclamando que se atrasariam para o jantar.


Hermione sentiu-se mais ansiosa do que deveria, imaginar os garotos ali, em Hogwarts, ainda na primeira semana de aula era melhor do que qualquer outra surpresa. Começou a perder a paciência ao ver que nenhum aluno conseguia decifrar a senha.


- Onde está o monitor?- uma garotinha do segundo ano começou a procurar, agitada, pelo monitor que deveria estar ali.


Logo o garoto do sexto ano chegou correndo, sem fôlego, apertando o corpo na lateral. Parou antes de alcançar o grupo.


- A n-nova senha...é...Dobby!- o garoto quase não conseguia falar.


Hermione ficou parada após escutar aquilo, enquanto os alunos mais à frente falavam a senha para poder entrar na sala comunal.


- A nova senha é Dobby?- ela questionou o monitor que se aproximava.


- É sim...- o garoto corou ao ver que ela se dirigia à ele.


Hermione lhe deu as costas e entrou na aconchegante sala, ainda tentando decifrar se a senha havia sido trocada propositalmente no dia que McGonagall descobrira que os garotos estariam em Hogwarts. Correu até o dormitório, largando suas coisas e puxando alguns cabelos soltos para trás, tentando inutilmente deixá-los menos fofos.


Saiu do dormitório antes que o restante das meninas chegassem e já que Gina não estava ali ainda, ela decidiu gastar a sua ansiedade e distrair-se. Era agonizante saber que os garotos estavam vindo de surpresa e que não podia contar nem para Gina nem para ninguém que ainda não soubesse.


Repentinamente, decidiu ir até a cabana de Hagrid, gastando tempo até o jantar. Saiu pelo buraco do retrato e quase correu nos corredores, alcançando as escadas e a porta para a rua antes do tempo imaginado. Atravessou os gramados e bateu fortemente na porta da cabana de Hagrid. Ele abriu a porta na segunda tentativa de Hermione de se fazer ser ouvida. Sorriu sinceramente para a garota.


- Entre, Mione!


Hermione entrou na cabana sem esperar um segundo convite. Torcia as mãos nervosamente, ajeitou os cabelos e começou a andar em círculos na pequena cabana do guarda-caças.


- Hagrid! Você está sabendo que Harry e Rony estão vindo para Hogwarts?


O meio gigante arregalou os olhos e sua barba repuxou nos cantos, demonstrando que ele estava sorrindo.


- Não estava sabendo! Quando foi que eles...?


- Eles estavam se correspondendo com McGonagall! E não falaram nada nem à Gina nem a mim!- ela não queria sentar, continuava andando de um lado para outro.


- Eu não estou sabendo de nada, Mione!- Hagrid ficou parado olhando para a garota, querendo entender se estava sendo acusado de algo.


- Eu preciso encontrar Gina!- Hermione olhou para Hagrid, repentinamente assustada.- Você viu ela, Hagrid?


- Não estive no castelo hoje...


Hagrid tentou convencer a garota a se sentar e tomar um chá. Hermione ficava remexendo-se na cadeira, incapaz de ficar parada. Meia hora passou e a garota não parecia mais capaz de ficar ali.


- Hagrid...vou ir até o castelo jantar...quem sabe encontro Gina por lá...


- Hermione...não entendo porque você ficou tão ansiosa assim!- Hagrid jogou alguns biscoitos endurecidos no chão, talvez esperando que Canino os encontrasse.- Eles irão chegar...acalme-se.


Realmente ela não sabia por que toda aquela euforia se apoderara dela. Não se sentia capaz de ficar parada, parecia que todo tempo que permanecesse quieta faria com que eles demorassem mais a chegar.


- Hagrid, eu simplesmente não consigo acreditar que eles não me contaram!- ela repassou a conversa mentalmente, sabendo que Hagrid entenderia o que se passava com ela.


- Certamente querem fazer uma surpresa, e você está estragando tudo!- Hagrid levantou-se movendo a chaleira de lugar, percebendo que Hermione movia-se muito, correndo o risco de derrubar água quente para tudo que era lado.- Eles devem estar tão ansiosos quanto você, Mione!


- Não sei...eles podem estar planejando isso há muito tempo!- já se encontrava de pé, caminhando novamente.- E Rony não mencionou nada em carta, nada!


- Espero que essa sua ansiedade seja apenas por coisas positivas.


Hermione parou ao ouvir a última frase de Hagrid, nem ela própria podia explicar porque ficara repentinamente tão elétrica. Os garotos não voltariam a estudar em Hogwarts, a antiga rotina jamais seria recuperada. Suspirou demoradamente, fechando os olhos.


- Você tem razão, Hagrid...acho que só me resta esperar...não quero canalizar essa energia para algo negativo.


Hagrid sorriu enquanto concordava com a garota com um alegre " He!". Jogou-se na sua poltrona surrada em frente à lareira e começou a jogar mais lenhas no fogo.


- Sempre achei que no momento que você e Rony parassem de brigar seriam assim...quero dizer, a partir do momento que vocês se acertassem, sabe...


Hermione cruzou os braços, tentando esboçar um sorriso para Hagrid.


- Como assim, Hagrid...?


- Conforme o tempo passa a gente começa a entender certas coisas da vida, Hermione...- ele alisou a barba rapidamente, querendo aparentar uma pessoa mais sábia. Hermione riu espontaneamente e Hagrid a acompanhou.- Eu sempre soube que assim que vocês deixassem de ser cabeças-duras e ficassem juntos a coisa iria para frente!


Hermione sentiu que poderia ficar muito sensível se Hagrid continuasse relembrando tudo aquilo. A voz grave do guarda-caça fazia com que ela se lembrasse de tempos alegres que dividira com Rony e Harry naquela cabana, de todas as conversas que haviam tido, das aventuras. Ela era quase capaz de sentir falta das criaturas horripilantes que Hagrid criava...


- Ah, Hagrid...- não queria ficar sentimental antes dos garotos chegarem. Sabia que o momento que encontrasse os dois seria alegre, mas ficar relembrando da época de Hogwarts talvez apenas tornasse a despedida mais dolorosa.- Obrigada por me acalmar...


Hagrid sorriu para ela. Pareceu ponderar algo por um tempo e se levantou bruscamente, assustando Hermione.


- Vou com você até o Salão Principal...- ele já estava vestindo o casaco.- Normalmente evito as jantas com todo o pessoal, mas a noite de hoje merece uma comemoração.


Hermione sorriu durante todo o caminho da cabana do amigo até o Salão. O teto encantado traduzia perfeitamente como ela estava se sentindo: estava salpicado de lindas estrelas, uma mais brilhante que a outra.


Hagrid despediu-se dela e se sentou à mesa dos professores. Alguns alunos curvaram-se para olhar melhor o professor de Trato de Criaturas Mágicas, que nos últimos tempos limitava-se a jantar juntamente com todos apenas nas comemorações de início de ano letivo, Dia das Bruxas e Natal.


Hermione finalmente encontrou Gina, sentada na mesa da Corvinal com Luna. Hermione correu até elas e sorriu antes mesmo de começar a falar.


- Oi Gina, oi Luna...


- Olá, Hermione!- Luna a encarou, os olhos muito azuis refletindo as estrelas do céu encantado.- Gina estava me contando que coincidentemente a senha da Torre da Grifinória foi trocada para homenagear o elfo doméstico, Dobby!- Luna parecia imensamente feliz com a notícia.


Hermione sentiu que estava perdendo algum detalhe.


- As senhas não estão mais sendo mantidas em segredo?- questionou mais para Gina do que para Luna, não querendo que a garota sentisse que estava a acusando de algo.


- Estamos seguindo a filosofia do chapéu seletor, Mione. Além do mais, ando querendo conhecer a sala comunal da Corvinal. Fiquei muito curiosa desde que Harry me contou como é.


Ao escutar o nome do amigo, Hermione sentiu como se uma sensação de cócegas lhe tomasse todo o corpo e antes que Gina ou Luna a interrompessem, ela desatou a falar, deixando de lado o assunto sobre as casas.


- Gina...o Harry comentou algo com você sobre quando ele e Rony viriam à Hogwarts...?


- Hum...ele não mencionou datas, não. Por que, Mione?


Hermione decidiu sentar-se de frente para as garotas. Ignorou o prato postado diante de si.


- Acredito que eles estejam vindo hoje! Pelo menos foi o que McGonagall disse...


- McGonagall disse que eles estão vindo?


Hermione deu de ombros.


- Ela deu a entender...


Gina olhou para Luna que permanecia quieta, com a mesma expressão. Não demonstrava surpresa nem sobressalto.


- Então...eles estão vindo ou...?- Luna questionou.


Hermione e Gina se olharam. Nenhuma das duas tinha certeza, mas até o clima no castelo parecia estar se preparando para receber os hóspedes.


Hermione olhou ao redor, querendo evitar ter de responder à pergunta da Luna. Talvez afirmando para mais pessoas tornasse aquilo mais verdade, e ela não queria voltar para aquele estado de incrível ansiedade.


Algumas garotas ainda lançavam olhares ansiosos para ela, algumas mais corajosas chegavam a apontar, não se importando em manter discrição. Hermione virou o rosto e decidiu comer algo. Antes que pudesse engolir a segunda garfada, ouviu uma voz a suas costas.


- Senhorita Granger?


Hermione se virou para encontrar o Prof. Gareth a observando.


- Sim, professor?


- Será que eu poderia conversar com a senhorita após o jantar?


Hermione engoliu em seco, esquecendo completamente de onde estava. O professor inspirava uma sensação de que não deveria ultrapassar certos limites, e deixá-lo convocá-la para uma conversa parecia ser aquele tipo de coisa de que Gina a prevenira.


- B-bom, eu...na verdade...- não queria contar ao professor que Harry e Rony provavelmente chegariam ao castelo naquela noite. Resolveu tentar fugir da convocação do professor.- Sobre o que seria a conversa, professor?


Ela acrescentou, com medo de parecer muito rude.


- Nada muito importante. Apenas algumas idéias para as próximas aulas que eu gostaria de sua opinião.


Hermione não respondeu. Queria virar e encarar o semblante de Gina, saber o que ela achava daquilo. O professor pareceu entender que ela aceitara o convite, e caminhava agora em direção à mesa dos professores.


- Ele sabe!- Gina estava pálida, e parecia fazer um grande esforço para não começar a gritar, tendo um ataque histérico.- Ele sabe que Harry e Rony estão vindo por isso quer conversar com você!


- Você não acha que ele realmente quer falar sobre a aula...?


Antes que Gina pudesse começar a falar, a voz etérea de Luna roubou a cena.


- A aula da turma anterior a nossa foi muito interessante hoje à tarde. Toda sala comunal estava falando.- ela espetou com o garfo um grande pedaço de empadão e ficou analisando, antes de levar à comida a boca.- Mas acredito que você tenha muito à acrescentar, Hermione...


Hermione ficou olhando desconfiada para Luna, querendo entender o que ela estava dizendo. Gina ficou paralisada, aparentemente sentindo-se ofendida por não compreender do que se tratava a conversa.


- Que aula foi essa, Luna?- Hermione perguntou, repassando mentalmente as aulas que ela própria tivera de Defesa contra a Artes das Trevas até então.


- Sobre vocês três.- os olhos de Luna abriram-se mais do que o normal arregalado.- Harry, Rony e você, Hermione.


Hermione sentiu seu estômago se contorcer. Por que o professor não conversara com ela antes de começar a dar aulas sobre eles?


- E...e... o que exatamente teve de interessante nessa aula, Luna?


Luna desistiu da comida e falou, enquanto olhava para o restante dos colegas na mesa.


- O pessoal da minha casa realmente adorou, sabe. Diz que ele realmente sabe do que está falando. Explicou tudo sobre a viagem de vocês e sobre alguns boatos negativos que foram espalhados...


Gina aproximou-se de Luna:


- Luna...você sabe sobre mais o que ele tratou nessa aula?


- Ele falou que vocês estavam atrás de pedaços da alma de Voldemort, que poderiam estar em qualquer parte do mundo.- a garota soltou uma risada mais escandalosa do que o necessário.- Eu achei isso uma grande besteira, papai mesmo já havia publicado há um tempo atrás no Pasquim que Harry estava realmente era à procura de um pequeno exército da raça de fadas mordentes mais poderosas da face da Terra e que assim...


- Luna!- Hermione exclamou antes que pudesse se conter.- Desculpe interromper você mas...você sabe o que aconteceu naquele ano que passamos fora, não sabe?


Luna olhou de Gina para Hermione.


- Cada pessoa diz uma coisa, e a mídia normal não é necessariamente confiável.- Luna falou, como se excluísse O Pasquim do quesito normal- Eu particularmente fico extremamente feliz de conhecer vocês, independente do que vocês fizeram para ajudar a comunidade bruxa.


A garota parecia já estar em outra vibração. Levantou-se e esticou o corpo para alcançar um pudim que estava longe dela, a varinha esquecida pendurada sob a orelha.


- Luna gostaria mesmo é de saber que vocês lideraram uma revolta de elfos domésticos...- Gina riu.


- Rony queria isso...- Hermione gostou de brincar com algo que há algum tempo atrás fosse tão sério. Ela e Gina riram até que o assunto voltou a cair sobre elas.


- Então esse professor sabe a verdade? Sobre as Horcruxes?- Gina perguntou baixinho.


- Talvez...pode não saber tudo...não acredito que Harry tenha revelado todos os detalhes da nossa viagem...


- Talvez os professores de DCAT sejam todos fãs de leitura de pensamentos. O Snape adorava fazer isso, afinal de contas.


- Ou talvez o Prof. Gareth esteja apenas especulando e queira arrancar algo de Harry quando...


Hermione perdeu completamente o apetite. Precisava fugir daquela conversa com o professor. Queria poder encontrar Harry e Rony com calma, sem que aquilo se transformasse em uma entrevista.


- Gina! Vou ir falar com o professor agora e acabar com isso de uma vez.


Gina ficou encarando a garota com a boca aberta. Ignorando os olhares que a seguiram por todo o percurso, Hermione alcançou a mesa dos professores. A Prof. Sprout ergueu as sobrancelhas, assustada com a invasão da aluna.


- Prof. Gareth...me desculpe, mas não poderei conversar com o senhor após o jantar...se o senhor não se importa eu...


- Sinto muito perturbá-la, senhorita Granger. Fiquei com medo de estar sendo inconveniente...


- Minha amiga comentou que as aulas a que o senhor se refere são sobre a viagem que meus amigos e eu realizamos...


- Ah, sim...algumas turmas insistiram para que eu adiantasse o cronograma...- ele pareceu um pouco sem graça ao ver que Hermione sabia do que se tratava.


- Bom, não vejo problema algum nisso. Se o senhor precisar de alguma ajuda...- Hermione se arrependeu assim que as palavras lhe fugiram. Por que tinha que ser sempre tão prestativa?


- Muito obrigado, senhorita Granger. Na verdade gostaria que a senhora, o senhor Weasley e o senhor Potter pudessem participar de alguns seminários que realizaremos.- ele resolveu se levantar da cadeira e se postar ao lado de Hermione.- As turmas estão muito curiosas com o que aconteceu, e eu acredito que isso sirva como um estímulo ao estudo da disciplina.


- Hum...talvez...- Hermione ponderou por algum tempo.


- Não precisa me responder agora, converse com Potter e Weasley. Não quero parecer intrometido. Mas acredito que a maioria dos professores gostaria de já ter tido a coragem de realizar o convite...


Hermione afirmou com a cabeça e achou que a conversa já estava finalizada. Saiu em direção à mesa da Corvinal com pressa, sentando-se no mesmo lugar.


- Luna estava certa.


Luna e Gina a olharam. Hermione ainda não sabia o que pensar sobre aquilo. Será que deveria confiar no professor? Ou será que deveria estranhar o fato de aquele convite partira do professor que menos a conhecia?


-E o que exatamente ele pediu...?


- Que participássemos de algumas discussões...


Gina ergueu o queixo, fingindo-se ofendida.


- Acho que Harry não vai gostar da idéia...


Hermione riu.


- Aqui em Hogwarts é diferente. É nossa casa... nossos colegas...


Ela parou por um momento, pensando se seria agradável falar em frente de uma turma, tentando fazer com que acreditassem que DCAT era uma matéria realmente importante. Talvez o excesso de segurança que havia nesse pós guerra, tivesse passado a sensação errada a maioria do estudantes que a defesa pessoal se tornaria obsoleta com o passar do tempo.


Hermione sentiu tudo aquilo fugir de sua mente quando viu uma grande movimentação começar no saguão. O salão esvaziava-se rapidamente e muitos alunos corriam para lá. Ela e Gina separam-se de Luna e correram. Hermione sentia o coração batendo forte, aquilo só podia significar que os garotos estavam chegando.


Passando rapidamente pelos alunos mais novos e alvoroçados, ás vezes precisando pedir para que dessem passagem, elas chegaram logo às portas de carvalho.


Nada era visível dali, mas algo dizia à Hermione de que a surpresa que Rony preparava, estava prestes a ser revelada. E ela deveria fingir surpresa...pelo menos ainda haveria a felicidade estampada em seu rosto depois que ele descobrisse que ela estava sabendo da visita.


- Ronald Weasley-


A sensação que o fez ter a certeza de que havia feito a coisa certa apoderara-se dele no momento que saíra da loja do irmão. Chegar à plataforma de Hogsmeade parecia ter renovado as suas energias e o caminho pela longa estrada pareceu incrivelmente rápido.


Adoraria ver o sorriso no rosto de Hermione, a surpresa por ver que ele já estava ali.


Harry permanecera calado durante todo o tempo e apenas rira quando Filtch os recebera, mal humorado como sempre.


Parecia que tinha sido ontem que olhara para essas mesas paredes de pedra sentindo um medo terrível se apoderar dele. Era bom voltar sabendo que aquilo apenas existia ainda, porque eles haviam lutado para que isso acontecesse.


Aquelas paredes haviam o visto crescer, haviam guardado todas as suas aventuras, o dia após dia dos anos mais maravilhosos que conhecera. Fora naquele castelo que a guerra acabara...e fora naquele castelo também, que sua história com Hermione efetivamente começara.


Todos os professores sabiam que eles estavam chegando, Harry era contra chegar sem avisar. Mesmo assim, a impressão era de que a notícia se espalhara com rapidez, pois diversos alunos os cercaram antes que eles tivessem a primeira visão do Grande Salão.


Rony, pela primeira vez na vida, sentiu falta de seu irmão Percy como monitor, ele teria colocado ordem naquela bagunça sem que lhe fosse pedido. Agora, os monitores corriam o máximo que podiam arrebanhando os alunos e tentando gritar para serem ouvidos. Alguns reclamaram muito quando forçados a seguir o caminho para suas salas comunais, outros seguiram mais silenciosos, espiando por cima do ombro.


Mas a cena toda sumiu, pareceu se desmanchar, quando ele a viu parada na entrada do Salão Principal, ao lado de sua irmã. Parecia apenas mais um dia em Hogwarts, em que eles se encontravam após alguns dias separados, talvez por causa do horário muito complicado de Hermione, talvez por causa de uma briga boba. Hermione estava vestindo ainda o uniforme da Grifinória, após o dia de estudo. Tentou desviar o olhar...aquela imagem de Hermione mexia mais com ela do que quando a via normalmente na Toca. Parecia que estava diante da Hermione que sempre conhecera, que brigava com ele por qualquer besteira, que lhe cobrava as horas de estudo atrasadas- a impressão era de que tinha voltado no tempo.


Rony tentou lembrar da sensação que se apoderava dele nas sextas-feiras, da felicidade de saber que o final de semana se aproximava. Porém, normalmente Hermione o convencia de que precisava adiantar alguma tarefa ou estudar a matéria dada.


Parecia incrivelmente errado correr até ela, tomá-la nos braços e a beijar, como já fizera incontáveis vezes. O ambiente de Hogwarts lhe remetia um Rony mais imaturo, incapaz de tomar aquela atitude. Fora Hermione, afinal, que o beijara a primeira vez...e naquele momento ele sentiu como se realmente voltassem no tempo.


Percebeu que Gina já estava ao lado de Harry e abraçava fortemente o garoto, exigindo saber como haviam feito para chegar até ali. Hermione ficou parada olhando para ele. Rony tinha a leve impressão de que havia ainda muitas pessoas dentro do salão, mas naquele momento ele não se importou.


Hermione deu alguns passos em direção a ele, ele finalizou aproximando-se mais rapidamente da garota. Ela já estava em seus braços antes que ele se desse conta de que grande parte da escola ainda deveria estar assistindo a cena.


- Vocês são loucos, Ronald?- Hermione sussurrou com a voz abafada contra seu peito.- Aparecer aqui...assim?


- Você não gostou da surpresa?


- Claro que sim!- Hermione afastou-se para olhá-lo nos olhos.


A voz de Gina chegou aos seus ouvidos, em um tom mais baixo do que o normal.


- Acho melhor sairmos dos holofotes, não é?


Eles caminharam em direção ao salão principal, mas dessa vez rumaram para a mesa da Grifinória. Harry e Rony olhavam para os lados o tempo inteiro. Felizmente, os alunos pareciam muito acanhados para cercarem os garotos.


- Todos estão olhando com as bocas escancaradas!- Rony olhou ao redor, estufando o peito.


- O que você esperava?- Gina debochou do irmão.


As conversas eram quase as mesmas daquele tempo de Hogwarts, interrompidas por alguns colegas que já conheciam Harry e apareciam para cumprimentar o trio.


Harry e Rony pareciam muito à vontade. Assim que terminaram de comer, acenaram para Hagrid na mesa dos professores. McGonagall parecia satisfeita de vê-los ali novamente, provavelmente orgulhosa ao extremo daqueles Grifinórios que tanto orgulho haviam trazido para a escola.


- Como estão garotos? Sentiram falta de casa?- Hagrid já estava ao lado deles, cumprimentando Harry e depois Rony.


Hagrid desatou a falar sobre as criaturas que estava cuidando, e em poucos minutos eles já estavam cercados por todos os lados: todos os professores queriam uma oportunidade de conversar com seus antigos alunos. McGonagall permaneceu quieta por um tempo e depois aproximou-se de Harry e Rony:


- Se vocês não se importarem, Potter e Weasley, gostaria que tomassem um chá comigo antes de irem embora.


- Claro, professora.- Harry respondeu, corando, poupando Rony de ter de dizer algo.


Rony afirmava a todo momento que haveria todo o final de semana para visitarem Hagrid, os jardins, conversarem com todos os professores, e seguia Harry no discurso de que o que mais queria naquele momento era rever a sala comunal da Grifinória. Então, assim que conseguiram falar um pouco com cada professor e prometer que não fugiriam de Hogwarts tão cedo, afastaram-se da multidão indo em direção à escadaria de mármore.


Harry permaneceu um tempo calado após Hermione dar a senha para a Mulher Gorda e eles adentrarem a sala. Provavelmente aquela visita à Hogwarts traria muitas memórias.


- Desde quando a senha é Dobby?- Rony questionou enquanto seus olhos percorreram curiosos a sala comunal, assim que entrou. Parecia esperar que algo tivesse mudado.


Ele parou de repente: todos os alunos estavam muito quietos olhando para eles. O silêncio foi seguido de um barulho ensurdecedor, que não pareceu nem por um momento, apenas gritos alegres dos colegas da Grifinória.


A sala já estava lotada de cerveja amanteigada e pedaços incontáveis de bolo. Alguns garotos do quinto ano contaram felizes à Rony e Harry que tinham roubado a comida da cozinha, assim que os viram chegar ao castelo. Alguns mais corajosos diziam aos dois que poderiam conjurar um saco de dormir cedendo o dormitório apenas para que os dois ocupassem.


Hermione riu quando Rony olhou com os olhos arregalados para ela.


- Eles estão querendo mesmo dormir aqui em baixo, no chão gelado?


- Tudo para agradar vocês, eu acho...- a garota respondeu tímida.


Harry e Rony fugiram da parte em que Gina exigiu que explicassem quando haviam decidido aparecer de surpresa. A festa na sala comunal não parecia ter hora para acabar, e alguns alunos do primeiro ano já estavam ficando sonolentos de tanto esperar a oportunidade de trocar algumas palavras com os heróis.


- Então... o que você está planejando fazer amanhã, Mione?- Rony segurou a mão dela sorrindo.- Quero dizer, que matérias você precisa estudar...?


- Esse final de semana? Nenhuma...- ela sorriu sem jeito para o garoto.


- Nenhuma?- Rony franziu o cenho.


Ele sabia que ela provavelmente já estava querendo programar um cronograma de estudos, mas o fato de dizer que não iria estudar enquanto ele estivesse ali, mostrava o quanto se sentia feliz por vê-lo.


Aos poucos os alunos começaram a acalmar e Rony puxou Hermione para se sentar ao lado dele no sofá. Ele queria poder desfrutar da sensação de viver, pelo menos durante algumas horas, como se ainda morasse em Hogwarts.


Era incrivelmente estranho estar sentado ali, abraçado com Hermione na sala comunal, sob os olhares de todos os antigos colegas. Harry e Gina conversavam animadamente, sentados em uma poltrona de um lugar só.


Rony sentiu o estômago afundar lembrando de quantas vezes havia sentado naquela mesma poltrona abraçado com Lilá, normalmente tomado de raiva, querendo vingança por saber que Hermione havia beijado Krum. Se tivesse que observar Hermione namorando com outro, dia após dia, provavelmente não agüentaria.


Enquanto esses pensamentos o tomavam ele teve certeza de que ainda haviam muitas coisas para serem ditas para Hermione, precisaria passar o resto da sua vida fazendo com que ela entendesse o quanto ele se arrependia por ter sido tão imaturo durante todos aqueles anos.


- Nessas horas eu gostaria de ter a capa de invisibilidade do Harry...- ele sussurrou.


Adorou observar Hermione reagir ao contato tão próximo dele. Resolveu descansar o rosto na curva do pescoço da garota. Espiou ela fechar os olhos e tentar se concentrar para falar- ele reprimiu uma risada.


- Realmente uma ocasião social como essa pode se tornar muito chata...- ela falou com a voz fraca, o corpo muito parado.


Rony não conseguiu reprimir uma pequena risada agora. Em alguns momentos ela parecia tão certa de si, decidida, tomando a iniciativa em tantos momentos. Talvez, como ele, ela estava sendo tomada pela sensação de que tinham voltado no tempo. Estar ao lado dela daquele jeito, sentindo como se ainda fossem colegas, tornava se é que isso era possível, mais perfeito ainda cada instante.


- Sim...- ele levou a mão ao cabelo dela, colocando uma mecha para trás da orelha da garota.- Principalmente se você está louco para fugir da multidão...


Hermione virou-se para ele lentamente. Evitou olhá-lo nos olhos.


- Se você estiver muito cansado, pode ir se deitar...eu invento alguma coisa para o pessoal...


Ele sentiu um arrepio gostoso ao ver que a garota parecia ofendida achando que ele queria fugir de todos, inclusive dela.


- Ah, eu quero sair daqui sim, Mione...- ele aproximou o rosto da bochecha dela, tocando a pele suave com o nariz e traçando um caminho pelo rosto bem delineado de Hermione.- Mas você vem comigo...


Ele riu de um jeito espontâneo enquanto a puxou pela mão, mantendo as costas curvadas, aproveitando o grande barulho que tomava a sala comunal naquele momento. Ele escutou Gina e Harry conversando.


- Prepare-se para as perguntas de Luna sobre o exército de fadas mordentes!- Gina falava alegre.


- Exército do que...?- Harry riu, sem entender.


Rony e uma Hermione ainda muito confusa com o que estava acontecendo, alcançaram o buraco do retrato e saíram correndo por ele antes que alguém na sala lotada desse por falta deles.


- Hum...estão escapando para um passeio noturno?- a Mulher Gorda não parecia gostar de estar sendo incomodada.- A regra de alunos fora da cama após o toque de recolher continua...


- Eu não sou aluno!- Rony olhou para ela rindo, puxando Hermione pela mão pois a garota parecia querer explicar algo para o quadro.


- Ronald!- ela falou, esganiçada, quando Rony quase começou a correr, os passos ecoando alto nos corredores vazios.- Você está louco? Você não é aluno, mas se eu for apanhada vou ficar em detenção por pelo menos um mês!


- Temos que dar a Filch um motivo para ser feliz, não é?- ele falou abraçando o corpo da garota e caminhando rápido. Ela tentou se esquivar.


- Não tem graça, Ronald!


Ele sabia que aquele comportamento arredio não era por causa dele: Hermione ainda considerava-se uma aluna exemplar, e ainda carregava nas costas um antigo cargo de monitora que ela fazia questão de prezar.


- Ah, qual é Mione!- ele parou quando chegaram a um novo corredor. Ele abaixou a voz, pois Hermione não parava de olhar para os lados, nervosa.- Quantas vezes andamos na escola a noite? Por alguns motivos muito idiotas, por sinal...?


- Motivos idiotas?- ela sussurrou muito baixo, mas parecia querer gritar.- Eu nunca saí perambulando pela escola sem um bom motivo!


- Ok, Ok...apenas quando eu e Harry deixamos você presa fora da sala comunal!


Hermione sorriu finalmente. Rony sentiu que podia voltar a caminhar lentamente. Ela apresentou menos resistência dessa vez.


- Tinha esquecido isso...


Os dois riram. Rony apertou o passo, parecia que a qualquer momento dariam de cara com Madame Nora. Claro que fazer Hermione quebrar as regras não era algo simpático, ainda mais como visitante já que não estudava mais na escola. Naquele momento isso não importava.


- Rony, você pode pelo menos me dizer para onde estamos indo?- Hermione tentou alcançar ele, puxando sua mão para trás.- Ou melhor, para onde você está me arrastando? Eu preciso formular uma boa desculpa caso sejamos apanhados e...


- Hermione, calma! Não estou seqüestrando você...ainda...


Já estavam chegando, ela saberia em breve para onde estavam indo. Ele torcia para que ela não ficasse muito zangada quando descobrisse.


- Você não faz a menor idéia de onde estamos indo? Achei que você já soubesse esse caminho de cor?


Rony observou as paredes, querendo relembrar de como era ser aluno e andar por aqueles corredores com medo de perder pontos para Grifinória. Alguns quadros reclamavam quando a luz de sua varinha acessa iluminava o caminho que estavam tomando.


- Não tenho como adivinhar o que você tem em mente...


Ele olhou para Hermione, a garota tentava segurar a capa ao redor do corpo para evitar o vento nos corredores. O rosto dela estava vermelho, mas os lábios se curvavam em um sorriso tímido.


Finalmente estavam no local certo. Rony deixou Hermione parada, soltando sua mão e começou a caminhar de um lado ao outro do corredor. Não precisava mentalizar nada, sabia que daria certo.


Finalmente ele parou, escutando um barulho por detrás da parede que lhe informava que sua idéia funcionara. Ele ouviu uma exclamação de Hermione, finalmente entendendo onde estavam.


Ele sorriu quando se virou para ela, estendo a mão. Ela continuava abraçando o corpo com os próprios braços, os olhos surpresos e os cabelos levemente bagunçados, pois Rony a forçara a correr.


Ela segurou sua mão, ainda trêmula devido ao nervosismo de poder ser apanhada fora da cama. Rony a guiou até a porta, abraçando suas costas.

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