CAPITULO 150 – O CASAMENTO DOS SONHOS
Era inacreditável a diferença ocorrida em sua vida nos últimos meses. Hermione observava a sala de espera do juizado da cidade. Dessa vez, não estava sozinha.
Como uma doce ironia, estava novamente esperando pelo juiz Simmons, ao lado de Rony. E para o mesmo fim. Casar-se-iam diante da lei e então, seguiriam para a Igreja, casar-se pela primeira vez diante de Deus.
Ansiosa, olhou em volta. Os irmãos de Rony, Percy e Gui estavam ali, como da primeira vez, mas junto a eles, toda a família Wesleys, inclusive a enjoada da Fler.
Harry e Gina estavam presentes, estando ela com Artur no colo. Edgar estava confortavelmente adormecido nos braços da avó Molly.
O conde e Elly, agora sua esposa, haviam voltado de viagem a poucos dias, e estavam presentes. Não seria uma cerimônia demorada, pois o juiz Simmons não tinha razoes para apreciá-los, após ter seus planos frustrados.
Hermione esperava que não demorasse. Assim que assinassem os documentos, ela iria até o hotel da cidade e trocar de roupa, para a cerimônia religiosa.
A seu pedido haviam esperado mais um mês após ter aceito o pedido, para casarem-se. Rony nem ao menos fizera graça de sua justificativa embora precisasse se esforçar para isso.
Hermione queria estar esbelta novamente para vestir um dos delicados e belos vestidos comprados em Londres e poder se casar na Igreja com toda a elegância que qualquer mulher poderia sonhar!
Na ocasião, Rony até sugerira que usasse o vestido vermelho, assim, eles chocariam o padre e deixariam uma marca naquela cidade pitoresca e de pensamento atrasado.
Um pequeno sorriso infiltrou-se em sua face, e Rony olhou-a esperando que dividisse seu segredo que a fazia sorrir. Fazendo mistério, se afastou dele. Edgar havia acordado, e se bem conhecia o filho, exigiria sua atenção tão logo estivesse completamente desperto.
Por isso, se apressou a ficar perto o bastante para que ele a visse e não sentisse sua falta. Molly tinha muita pratica com os bebês e havia lhe ensinado vários truques para acabar com as ditas manhas.
Para sua sorte, ele adormeceu sem que precisasse apanhá-lo no colo. Vestia um vestido cor de pêssego, muito bonito e fino, comprado em Londres e apesar de simples, era muito caro, além de ser especial, pois o escolhera para estar vestindo-a nesse dia tão feliz.
E seria terrível se um dos bebes destruíssem esse vestido com seus ataques de xixi, ou coisa pior! Hermione sempre soubera que crianças davam trabalho, mas jamais imaginara o quanto!
Sorrindo, voltou para junto de Rony que a observava a distancia.
-Está nervosa? -ele perguntou baixinho, enganchando seu braço no dele.
-Não. E você? - perguntou, tentando esconder o nervosismo.
-Não, porém, também estou mentindo, assim como você – ele fez graça.
Hermione apenas sorriu. Estava nervosa, de um modo diferente do acontecido da primeira vez. Na ocasião sentia raiva e rancor e seu nervosismo se devia ao medo, a incerteza.
Dessa vez, era diferente. Não sabia definir as razões, mas seu coração estava acelerado, suas mãos suadas e sentia um frio intenso dentro de si, como se estivesse frio e quente ao mesmo tempo.
-Casamento é um passo muito sério -ela disse de um modo tonto, bobo.
-Tem razão -ele riu, deliciando-se com sua expressão assustada e nervosa – Acha que deveríamos ter pensando um pouco mais antes de tomar essa decisão tão séria?
-Não ria de mim - ela reclamou – Já disse que não estou nervosa, ou preocupada.
-Sim, eu ouvi – ele baixou o rosto e roçou seu rosto com um suave beijo – Somos casados onde importa, Hermione. Assinar os documentos é mera formalidade.
-E onde importa? – questionou com olhos brilhantes.
-Você não sabe? -ele trouxe sua mão sobre seu coração e ela sorriu, mas não respondeu.
-Da primeira vez em que nos casamos, tudo em que podia pensar era em arrancar os seus olhos por estar me obrigado a casar! – revelou baixinho. – Como o odiei! Não tem a mínima idéia do quanto o odiei!
-Esta enganada, eu tenho a exata idéia do quanto me detestava. Deixou claro durante semanas o quanto me odiava. Lembra-se? Passamos o primeiro mês de casados sem trocar mais que algumas palavras! -essa lembrança era uma terna recordação para ele.
-Era um momento tão difícil para mim – explicou.
-Sei que ainda deve doer a perca de sua família. Mas a vida não pode parar.
-Sei disso, agora, eu sei disso. – sorriu apesar da tristeza que as lembranças lhe causavam.
-Hermione, não ouse ficar triste. Hoje, não suportarei ver nada menos que o seu sorriso. Está me entendendo? – provocou.
-Sim, estranho. Estou entendendo perfeitamente – provocou de volta.
-Não serei um estranho por muito mais tempo – ele garantiu com tanta satisfação na voz, que ela não pode deixar de responder:
-Nunca foi um estranho para mim...
Pronto, pensou Rony. Não precisava de mais nada em sua vida. Não havia sido um ‘eu te amo’, mas soara como um. Se o juiz Simmons não houvesse entrado naquele momento, a teria pego nos braços e levado para o primeiro local com uma cama que encontrasse pela frente!
O juiz baixinho e desagradável entrou ruidosamente contrariado, sendo seguido de perto pelo juiz Diggory.
Tendo encontrado uma fonte de lucros indevidos, Diggory não sairia daquela cidade enquanto não o depenasse e aumentasse suas próprias economias pessoais e sendo assim, o juiz Simmons tinha que suportá-lo, ou abdicar de seu imponente cargo.
Simmons fitou os dois jovens a sua frente com verdadeiro nojo. Tantos meses paparicando aquele jovem arrogante e ambicioso, apenas para ser passado para trás! Trocado por um sogro conde! Onde já se viu!
Graças a egoísta e insuportável Hermione Granger, sua filha, sua adorada Susan estava casada com um homem mais esperto que ele e que lhe obocanhara um estupendo dote!
Irritado, abriu o livro de registros e ofereceu a caneta para um deles apanhar. Com pouco animo, começou a proferir as palavras que a lei o obrigava a proclamar. Como se não soubessem dessa ladainha toda!
Rony sentiu o sangue ferver e a vontade incontrolável de esmurrar o juiz de paz. Aquele homem estava destruindo seu casamento!
Hermione segurou seu braço com mais força, e o desarmou. Estava achando graça da irritação e contrariedade do juiz. Se divertia com sua desgraça, quando há pouco tempo atrás, ele se divertia com a sua! Tinha uma mulher vingativa e era muito bom não esquecer disso nunca!
O discurso foi rápido e Rony apanhou a caneta de sobre a mesa, lançando um olhar de desafio ao juiz ante de assinar. Naquela mesma pagina poucas linhas acima constava sua assinatura, ao lado de Hermione, de quase um ano atrás. Em menos de uma semana completariam um ano de casados. Inacreditável.
Hermione o cutucou brandamente ao notar sua demora em assinar. Em seus olhos uma labareda de ódio, que o dizia que se a deixasse ‘no altar’, ela o mataria.
Sua assinatura correu sobre o papel e sério, entregou-lhe a caneta. Hermione não viu nada, mal enxergou a linha onde deveria assinar. Seu coração batia tão forte e acelerado, que a tornou cega e surda para tudo a sua volta.
Sua letra tremeu sobre o papel e quando terminou, ouviu os comentários de felicitações, enquanto Rony recebia nas mãos a nova certidão e casamento.
Mostrou a ela com expressão solene e Hermione não disse nada. Engoliu o choro que se aproximava inundando seu coração de angustia e amor.
-Isso é meu não é? – perguntou segurando a certidão nas mãos tremulas.
-Sim, é sua – ele beijou sua testa, se controlando para não beijá-la com o desejava.
-Guarde-a para mim – ofereceu.
Era um passo gigantesco. Confiança. Confiar que poderia cuidar dela.
Suas mãos se enlaçaram e ele iria beijá-la. Não se importava em ter platéia. Iria beijá-la se o juiz não pigarreasse, arrogantemente informando que precisava daquela sala para dar prosseguimento ao seu trabalho.
Hermione conteve o riso, e isso pareceu enfurecer ainda mais o pequeno homem, e se Artur Wesley não fosse rápido, sua mulher Molly teria dito umas verdades a juiz.
Depois dos parabéns, Hermione precisou apanhar Edgar ou ele acordaria o irmão. Ser mãe exigia muito e sua doação tinha que ser total. Mesmo no dia do seu casamento.
Em frente ao hotel, eles desceram da carruagem e Hermione não pode lhe dar muita atenção. Precisava amamentar, e deu graças por ter ajuda de Molly e Gina, ou ficaria cheirando a fraudas sujas em seu casamento!
Sempre sorrindo, ela conduziu o período longo de alimentá-los, conversando e deixando que Gina cuidasse de prender seus cabelos enquanto Artur mamava calmante, olhando –a ocasionalmente com aqueles olhinhos azuis e infinitamente ternos.
-Eles me lembram tanto Rony nessa idade – Molly disse em determinado momento enquanto Anna alisava a saia do vestido que Hermione vestiria em momentos, e Edgar estava sobre a cama, muito ocupado em olhar para as luzes que vinham da janela, onde o sol banhava o quarto. Para ele era novidade. – Para ser franca, me lembram todos eles. – ela mesma riu – Tive filhos muito parecidos. Nenhum, no entanto, parecido comigo.
-Não diga isso, mamãe, ou Hermione vai culpar Rony por isso também – Gina brincou.
-E é verdade. É tudo culpa dele – a doçura em sua voz mostrava elas que não havia raiva, rancor ou ressentimentos. Apenas doçura.
-Prontinho – ela disse ao terminar de alimentar o filho. – Posso me trocar agora?
-Sim. Rony insistiu em esperar na Igreja. Os homens estão esperando por nos na doçaria. Temos muito tempo ainda. – Molly ajudou-a a despir o vestido, suspirando ruidosamente – Que inveja – ela disse observando suas curvas fininhas – que inveja!
-Mamãe! – Gina riu e Hermione acompanhou-a.
-Guilherme estragou todo o meu corpo - ela suspirou novamente, trazendo o vestido para que vestisse – Levei meses para ficar bonita outra vez. Então, veio Carlinhos. Vários meses lutando para ser eu mesma novamente, e pronto, vieram os gêmeos. Então, eu desisti de lutar e me conformei – contornou na própria cintura avantajada – Nunca tive facilidade para ficar magra como você. Que tristeza.
-Mamãe, assim me assusta – Gina pediu, melodramática.
-Está bem, está bem. Deixe-me fechar os botões...isso, está pronta, Hermione.
Hermione observou-se longamente diante do espelho de corpo todo.
Havia escolhido um vestido branco, bordado em fios dourados, com fitas nas mangas que eram fofas nas alturas dos ombros. O corpete a deixava longilínea e elegante, realçando os seios, que estavam voltando ao normal.
Molly tinha razão. Estava magra novamente. E seu umbigo, graças a Deus, havia voltado ao lugar, pensou maliciosa, lembrando-se de como Rony o beijara na noite passada, enquanto faziam amor...
-Preciso falar com ele –disse de repente.
-Terão a vida toda para conversarem – Molly disse ajeitando seus cabelos, num ultimo retoque.
-Preciso dizer algo a Rony, algo que nunca disse. E tem que ser antes do casamento! – decidiu, seria agora, tinha que contar a ele como se sentia!
-Poderão falar enquanto o padre fizer seu sermão – Gina sugeriu, cuidando os sobrinhos que dormiam.
-Não, tem que ser uma conversa particular -ela olhou para Anna que lhe sorriu – Me ajude a escapar e ir até a Igreja!
Sob os fervorosos protestos de Molly e Gina, Hermione escapuliu ajudada por Anna que seguia mais a frente checando se não havia nenhuma membro da família no caminho para barrar sua passagem. Na Igreja, Anna avisou-a que haviam muitas pessoas esperando, sentadas nos bancos, e não passaria desapercebida.
Afinal, era noiva. Rindo de sua travessura, Hermione deduziu que Rony estaria na sacristia. E conhecia uma entrada pelos fundos. Pedindo que Anna esperasse ali fora, decidiu que era a hora da virada! Diria tudo que sentia!
E seria antes do casamento!
Rony tinha que se lembrar desse dia para sempre, desse modo, quando seus filhos estivessem naquela posição de noivo, ele poderia achar graça e tentar incentivá-los, sabendo muito bem pelo que estavam passando.
Era casado com Hermione há um ano e haviam acabado de assinar novamente os papéis que os ligavam um ao outro para toda a vida! Então, porque estava tão nervoso?
A resposta era bem simples e clara. Hermione é imprevisível. Como um tornado. Impossível prever seus atos.
Poderiam dizer-lhe não bem diante do altar, ou sair correndo ou ainda dizer-lhe e sair correndo!
Parte de sua razão, o alertava que Hermione estava amadurecida para o amor e aceitava seus sentimentos e que não lhe diria não, pois também estava apaixonada. Porém, o medo é algo irracional. Incompreensível.
Tanta coisas podem sair errado em um casamento. O noivo pode desmaiar, por exemplo. E nesse caso, o noivo era ele. Um dos bebes poderiam chorar, ou os dois, então, Hermione teria que se casar com um filho agarrado ao seio....ou ela poderia tropeçar no vestido. Ou o padre enfartar, afinal, todos sabiam que o velho padre vivia ameaçando que isso acontecesse como uma premonição ou praga divina.
Fechou os olhos lembrando-se que não era uma cerimônia grande. Era algo intimo e qualquer interrupção poderia ser contornada e controlada. Com exceção da morte do padre, claro.
Rony ouviu a porta se abrir, e achou que seria um de seus irmãos para atazanar e implicar com seu nervosismo!
-Eu sabia que não me deixariam em paz! – virou-se sorrindo, até descobrir quem era seu visitante. – O que está fazendo aqui?
-Não imagina porque vim? – sua voz soou calma, mas havia mais, havia um tom de perigo de alerta.
-Não tenho a mais pálida idéia de sua razão em estar aqui, nessa hora imprópria,para ser franco, em hora alguma seria conveniente estar aqui! – respondeu friamente – Seu marido sabe que está aqui?
-Loren? – Susan sorriu amargamente – É claro que não. Disse ao pobre diabo que estava indisposta. Como poderia vir a seu casamento depois de tudo que nos aconteceu? Impossível!
-Não aconteceu nada entre nos, minha jovem – ele achou graça, mas não viu razões para se preocupar com essa visita indiscreta.
-Sim, o destino foi cruel comigo. Não finja que não sabe do meu sincero apreço por você – se aproximou.
-sua mãe sabe que esta aqui?
-Minha mãe? – ironizou – ficou feliz com meu casamento. Acha que é vantajoso dada a minha situação! Sabia que o Juiz Diggory decretou que o único modo de esquecermos esse infeliz incidente, seria que eu me casasse? Odeio esse homem! Cobra de meu pai, como se fosse um inquisidor! – Susan não possuía mais em sua face a inocente beleza primaveril, e sim uma amargura dura e solida de quem aprendeu que a vida pode ser difícil – Meu pai disse que tudo se resolveu. Que não era bígamo. Eu fico pensando...sua mulher...seu pai é um conde...foi isso não foi? A razão para não se livrar dela definitivamente?
-É isso que pensa?
-que outra razão haveria para preferir Hermione a mim? – apesar do próprio sofrimento, não era capaz de ver com clareza além do próprio umbigo. Rony esperou que continuasse, apreciando o grande espetáculo de sua arrogância, e soberba – Eu pensei muito...no que poderia fazer para me salvar desse casamento sem amor e cheguei a conclusão que todo esse tempo meu pai esteve errado! Rony, eu me apaixonei no dia em que o vi. Desde o primeiro minuto que o vi! - Susan se aproximou e Rony esperou, curioso para ver até onde ela iria em sua farsa de amor – Papai tentou coagi-lo. Que erro! É um homem de espírito livre! Aventureiro!
Sua empolgação causou uma ruga de preocupação na testa de Rony. Desde quando era um homem aventureiro? Seu maior desejo era firmar raízes e ter uma vida tranqüila ao lado da mulher que escolheu!
-Pensei muito. Muito mesmo – ela conspirou, confidenciando seu segredo – A fazenda é sua. Pode vendê-la quando quiser. Meu pai tem um cofre em casa, e sei a senha, ouvi por descuido quando dizia a minha mãe. Sei que tem muito dinheiro nele. E tem...Loren. Ele tem um cofre em Londres. Consegui que me dissesse a senha...- um pequeno sorriso vitorioso surgiu em seus lábios – a despeito das coisas nojentas que faz comigo, ele me aprecia muito e confia em minha índole. Não foi difícil enganá-lo! Agora, pense comigo. Podemos fugir daqui e sermos ricos. Teremos um futuro esplêndido! – seu sorriso era contagiante e ele quase riu. – por favor, de sua resposta!
Hermione entrou escondida e se aproximou da porta da sacristia. Estava entreaberta, então, ela espiou. Ouviu vozes e estranhou ser uma voz feminina.
-Preciso saber, Rony! Vamos ficar com tudo! Podemos ir embora logo após a cerimônia. Sou casada, infelizmente. Não poderíamos de qualquer modo casarmos na Igreja ou no civil. Então, que me importa que também seja casado? Podemos ir para um lugar onde não nos conheçam e seremos marido e mulher! Não me deixe na expectativa! Me diga logo o quanto me quer!
-Se eu a desejo tanto, porque não aceitei a alternativa que seu pai me oferecia? Teria me livrado do casamento com Hermione e estaria livre para me casar com você – Rony provocou.
-Como? Com aquela cortesa no seu caminho? Eu entendo perfeitamente que assumir ser casado com ela, o tornaria um joguete em suas mãos inescrupulosas! Mas agora, ela esta fora da sua vida, não sei que fim deu, mas ela foi embora. Estamos livres para sermos felizes juntos!
Hermione mal acreditou no que ouvia. Em outros tempos teria arrombado a porta a acusado os dois de traição. Mas hoje, mais calma e centrada, esperou. Queria ouvir tudo. Cada palavra, para então, tirar uma conclusão sobre o que se passava entre os dois.
-Tão simplesmente abandonar tudo? Tenho filhos. Deve ter sabido do nascimento dos gêmeos. –ele instigou.
-Ora,por favor, Rony! Quem lhe garante que esses filhos são seus? Hermione pode ter sido violentada junto com sua irmã!
-Mas então, as crianças teriam nascido muito antes. as contas não batem – ele contrariou. – Além do mais, era virgem em nossa noite de núpcias.
Susan suspirou, como uma criança mimada faria.
-Talvez não tenha sido fiel.
-Os meninos tem minha fisiologia. Caso não acreditasse em sua fidelidade teria que acreditar nisso.
-Não me importo se quiser levá-los. – ela cedeu, achando estar entrando em um acordo.
-Se dedicaria a criá-los como seus, ou os trataria como bastardos indesejáveis? – Rony sentiu uma raiva tomar conta de seu corpo.
A pouco havia decido livrar-se daquela conversa indesejável e dar o assunto por encerrado. Mas agora, ouvindo seus planos dissimulados para seus filhos, decidiu por resolver o problema de um modo mais enérgico.
-Não gosto dela. Não suportaria criar seus filhos como meus. Mas posso ser uma boa mãe, mesmo sem amá-los. – ela sorriu – pense, Rony, quão adorável será nossa vida longe daqui! Somente nos dois, nos amando e conhecendo o mundo, sendo livres. Será uma vida de tanta alegria! Terá uma mulher doce, que sabe cuidar da casa e cuidar de um marido!
-Imagino que sim, Loren deve ter se fartado com seus predicados – disse para magoá-la. – O que a faz pensar de abrirei mão de um casamento feliz, com uma mulher que me satisfaz totalmente, e tudo isso, para fugir com uma mulher de outro homem. Uma mulher que nunca me despertou nada além de boas risadas diante de suas falhas tentativas de sedução?
-Não pode estar dizendo isso! -ela lançou a luvas que segura nas mãos, sobre ele, furiosa – Sou tudo que um homem pode sonhar! Sou linda! Sou angelical! Eu tive a melhor das educações!
-Sim, e teve também, uma mãe terrível que a convenceu que é a mulher mais maravilhosa do mundo! E talvez seja, mas não para mim. Em poucas horas estarei me casando. E não quero que sejamos vistos juntos. Agora, faça-me o favor de sair.
-Não! Rony, meu amor, eu digo as senhas, você quer uma prova do meu amor, pois eu digo as senhas. Assim, poderemos começar sem segredos! -ela tentou abraçá-lo e Rony afastou-a com firmeza.
Ela repetia as seqüência de números e ele se pegou pensando em como contaria ao seu antigo patrão, o Sr.Loren que sua mulher atentava contra ele.
-Volte a razão! -ele tentou sacudi-la – Não pode seguir contando os segredos de sua família desse modo! Acaso deseja que sejam roubados!? Cale-se e volte para junto de sua família! Vamos esquecer esse incidente lamentável!
Rony teve a atenção distraída para som de passos e vozes. Havia alguém do outro lado da porta. Susan também notou.
-Pode não me desejar, mas vou destruir seu casamento! Contarei a todos que somos amantes! Vão acreditar em minha mentira! Se não me quer, estará arruinado!
Furiosa, e vingativa, Susan correu até a porta e escancarou-a, esperando encontrar o padre ou algum parente de Rony.
Paralisada, ela ficou imóvel ao se ver de frente ao marido, o Sr.Loren.
-eu disse que sua mulher estava aqui – uma voz inconfundível soou logo atrás do pequeno homem.
-Sua demônia! – Susan gritou ao ver Hermione – Sua desgraçada!
Rony segurou-a antes que avançasse contra Hermione. Não precisava ter feito isso, pois Loren resolveu o problema acertando-lhe um tapa de deixar a face roxa por semanas.
Caída no chão, ela começou a chorar.
Rony tentou se aproximar da moça, com pena, mas a voz dura de Hermione o parou:
-Espere. O juiz Simmons deve estar chegando.
-Não, meu pai não! -ela gritou desesperada.
-Iria me abandonar – Loren disse magoado. – E me roubar?
Rony conhecia o homem para saber que perder a mulher tudo bem, mas perder o dinheiro...
-Hermione o que está fazendo aqui? – ele tentou segura-la, mas Hermione se afastou.
-Não me segure, estou furiosa. E não é com você.
Era um claro aviso. Hermione ficou de pé esperando até enxergar o juiz Simmons vir apressado, com o juiz Diggory atrás dele. No instante em que eles entraram na Sacristia e o padre surgiu esbaforido correndo atrás dele, Hermione relaxou e se aproximou.
-Agora podemos ir -ela disse calma, olhando para a jovem que chorava descontroladamente.
Rony a tomou pelos ombros e tirou de lá, apressado. Fora da Igreja, ele notou que os convidados se aglomeravam. Obviamente os gritos de Loren e Susan, haviam atraído a curiosidade de todos.
Era um escândalo.
-Hermione, eu não sabia que ela iria... – tentou se explicar, mas ela parou e colocou os dedos suavemente sobre seus lábios.
-Eu sei. Ouvi a conversa. Por isso chamei Loren para ouvir também.
-Estava ouvindo o que dizíamos e não entrou? – estranhou.
-Porque entraria? Não era um assunto meu ou seu. Chamei a quem interessava ouvir.
-Tem lógica -ele concordou.
O fato de Hermione não o acusar mostrava toda sua confiança. Era incrível que pudessem passar por algo assim sem uma tempestade.
-Precisamos avisar os convidados – ela disse triste e pensativa.
-Avisar sobre o que? – estranhou, tentando abraçá-la, mas ela escapou de seus braços.
-Não vai haver casamento. – avisou.
-Hermione, eu não fiz nada para incentivá-la a falar comigo! Juro que não planejei nada com aquela jovem! Eu...
-Não estou acusando-o de nada. Apenas não vou me casar depois disso! Recuso-me a ter essa lembrança horrível marcando o dia do meu casamento na Igreja!
-Hermione, estão todos aqui, você não quer se casar e resolver logo essa questão? – insistiu, preocupado.
-Questão? Vou lhe dar uma questão para pensar, Ronald! Um dia quando nossos filhos perguntarem como foi nosso casamento, terei de dizer que me casei numa Igreja onde momentos antes uma vagabunda tentava seduzir meu marido! Que tive que esperar que ela apanhasse do pai e do marido, para poder me casar! E que meus convidados, passaram todo o dia de festividade por causa do meu casamento, comentando sobre um escândalo que não me diz respeito! Ou me caso direito, dessa vez, ou não me caso!
Sua veemência calou seus protestos. Assim como calou a conversa dos convidados.
E desse modo, o casamento foi adiando.
Autora: estive de cama ontem. To quase boa, mas to correndo aqui. Fim de fic é sempre uma loucura.
Olhem no Capitulo O, saiu o resultado do concurso da capa.
Beijos, beijos e beijos.