CAPITULO 144 – Minhas razões de viver

Capa é presentinho da Jody Chocolate. Muito obrigada, querida! Amei!
Anoitecia quando Hermione perdeu a paciência. Ela esperou Gina colocar o sobrinho no berço e exigiu:
-Se não for comunicada do que aconteceu, juro que me levanto e vou sozinha perguntar a Adolph o que se passou!
Gina não duvidava que fizesse isso.
-Não lhe basta saber que Anna está cuidando de Duran, que ele está bem, que Malfoy morreu e que aquela mulher asquerosa, junto a Lilá foram levadas para a cidade, para serem entregues as autoridades? O conde está cuidando disso pessoalmente!
-Por isso ele não veio me ver ainda? – perguntou curiosa.
-Ele esteve aqui, mas estava dormindo. Foi bem cedo. Viu o neto, e precisou ir. Elly foi com ele. Tem... Tem uma situação acontecendo na cidade, Hermione. Assuntos a serem resolvidos.
-Que tipo de assuntos? Gina!
Para a sorte de Gina, Rony entrou no quarto e a livrou de responder.
-Ronald! O que está acontecendo pelas minhas costas? Por que Gina saiu correndo e não quis me contar?
-Um dia antes do seu seqüestro, Mathias fugiu para se casar. Ficamos sabendo no meio de toda a procura por você – começou a explicar, se aproximando dela e sentando na beirada da cama, para olhar para ela e ter a possibilidade de tocá-la.
-Não me diga isso! Meu irmão se casou com aquela mulher! – o desgosto poderia consumi-la. Que tristeza!
-Não – ele sorriu para acalmá-la – ele roubou a Srta. Lily e os dois se casaram em segredo.
-Eu não acredito! – a tristeza imediatamente deu lugar à felicidade – é por isso que ele não está aqui?
-Bem, ajudou nas buscas, mas agora, está tendo que se resolver com Digory. Eles achavam que o juiz não iria aceitar o casamento dos dois, porque ele não tem o mesmo nível social da sobrinha de um juiz.
-Quanta confusão!
-Sim, quanta confusão – ele concordou, querendo lhe pedir algo.
-O que foi? – ela estranhou seu jeito. – Tem algo que eu deva saber?
Rony tirou um pedaço de papel dobrado do bolso da calça e desdobrou.
-O conde me entregou. É anulação do nosso casamento.
Hermione apanhou o papel e riu diante das palavras.
-Anulação porque o casamento não foi consumado? – ela seguiu rindo.
-Precisava alegar algo, e não havia tempo para pensar em algo melhor. O fato é que tem valor. Podemos recorrer e tentar desfazer, mas para isso o nome do juiz Digory seria posto em xeque. Ele nos ajudou muito até agora, não seria justo.
-Tem razão, não seria justo - ela dobrou o papel - Isso é meu não é?
-Sim, é seu. – sua real vontade era arrancar aquele papel de suas mãos e rasgar em mil pedacinhos.
Não adiantaria de nada, pois havia um original no fórum.
Para seu desespero, ela dobrou o papel com redobrada atenção e colocou na mesinha ao lado da cama. Não teceu comentários, e ele ficou numa situação ainda mais difícil.
Se ela dissesse algo, ficaria mais fácil abordar o assunto.
-Hermione, temos que nos casar de novo, é o único modo de corrigir esse problema.
-Está me pedindo em casamento? - ela perguntou de um jeito estranho, mas ele não notou.
Estava nervoso com essa pergunta.
-Bem, estamos juntos há quase um ano. Sim, vai fazer um ano, e temos uma casa juntos, um negócio próspero aqui na fazenda, e temos um filho. É lógico que devemos nos casar outra vez!
“Sim, muito lógico”. Tão lógico quanto à necessidade de comer e dormir. Uma vez ele a pedira em casamento por causa da fazenda, e agora o fazia por causa da fazenda, do costume de conviverem e do filho que tinham juntos.
Será que nunca a pediria em casamento por ela mesma?
-Não vai responder nada? – ele perguntou rude, nervoso.
-Agora não. Estou cansada. Ainda não descansei o bastante. – dispensou-o, decidida a deixá-lo na dúvida enquanto não lhe fizesse um pedido de casamento como merecia!
-Certo, será como você quiser – ele disse ofendido e magoado – Gina virá lhe fazer companhia e vai dormir aqui essa noite...
-Por quê? – ela perguntou antes que pudesse conter a própria língua dentro da boca.
-Porque posso atrapalhar seu descanso – ele disse humilde.
-Duvido. Gina vai passar a noite toda me obrigando a contar do parto – ela achou uma desculpa para sua recusa – Não pode ficar e me ajudar? É a minha primeira noite com o bebê.
Rony pensou em lembrá-la que havia tantas mulheres naquela casa, que seria impossível ficar sozinha, mas não disse. Querer sua presença já era um começo.
-Vou jantar com meus irmãos. Eles querem comemorar – ele se inclinou e beijou sua testa, frustrando-a, pois queria um beijo de verdade.
-Diga a eles, que aprecio a consideração – ela respondeu num tom falsamente submisso.
-Eu direi – ele respondeu no mesmo tom, dando um ultimo olhar para o berço e deixando-a sozinha para descansar.
Sozinha, ela apanhou aquela anulação novamente e leu e releu diversas vezes.
Quanta tolice. Como se precisasse de um documento para lhe dizer se era ou não casada com Rony!
Aproveitando que não havia ninguém no quarto pra repreendê-la, e que não sentia quase dor, levantou-se da cama, e andou até o berçinho. Seus pés eram outra historia.
A pele ardia a cada passo. Juanita havia feito um balsamo e aplicado sobre a pele ferida, enfaixando-os.
-Que coisinha gostosa é esse meu bebê – ela segurou-o no colo e voltou para a cama, sentando-se. Colocou-o sobre a cama, e afastou a manta que o mantinha acolhido. – A mamãe quer te ver todinho. Não pude nem contar seus dedinhos!
Sabia que o som da sua voz o deixava agitado, e aqueles olhinhos azuis a acompanhavam como se pudesse reconhecê-la e saber que era sua mamãe.
Com mãos suaves, ela tirou as roupinhas e olhou o corpinho frágil do bebê. Era seu filho e era perfeito. Seria um menino alto e forte. Tinha baços compridos para um bebê. Mas o que ela entedia de bebês? Nada!
Acariciou o corpinho do seu filho, tocando-o e esperando que ele reconhecesse o seu toque, que no futuro soubesse que aquele toque gentil e apaixonado apenas sua mamãe teria para lhe dar.
Ninguém o amaria desse modo. Ela se inclinou e beijou aquele peito cheirando a talco.
-Achei que não ia conseguir – ela disse para o bebê. – mas nós dois vencemos e estamos aqui. – tirou-o da cama e o colocou contra o peito, como fizera durante aquelas terríveis horas andando na chuva, com ele contra seu corpo. – Sempre vou te proteger. Sempre vou fazer tudo para que esteja feliz e saudável. Está me ouvindo, bebê? – um choramingo, que mais lembrava um risada a fez rir – Sim, é a mamãe. Aquela que você chutava sem parar...
Continuou dizendo besteiras, até ser apanhada em flagrante por Molly, que a repreendeu por ter saído da cama, vestiu o neto e levou-o de volta para o berço;
Mediu sua temperatura, feliz por não ter febre, e a colocou embaixo das cobertas.
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Rony deitou-se ao seu lado cuidadoso para não acordá-la. O bebê dormia calmamente no berço, e Hermione dormia profundamente virada para a parede do quarto.
Ele despiu as roupas e entrou na cama, cuidadoso. Havia fantasiado muitas vezes como seria essa primeira noite com o bebê em casa. Mas nenhuma envolvia tanto alívio e felicidade.
Com medo de machucá-la, ficou imóvel ao seu lado por várias horas ouvindo o som da sua respiração. No meio da noite, o bebê chorou e ela acordou para amamentar.
Parecia tão natural para ela acordar de madrugada e amamentar, que ele se obrigou a permanecer acordado para ajudá-la quando terminasse.
Cumprida sua tarefa de mãe, ela se acomodou e adormeceu antes que ele voltasse para a cama. Coisas do universo feminino. Ele jamais entenderia.
Para Rony a noite foi passa completamente em claro, prestando atenção no menor ruído que sua família fizesse.
Nas primeiras horas da manhã ele acordou com Hermione chamando-o.
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Hermione conseguiu dormir por algumas horas. Depois de amamentar, o sono a abandonou completamente. A dor havia aumentado, e ela esperava algum sinal de que a placenta sairia.
Nada.
Para compensar sua espera, a dor foi se tornando insuportável. Quando teve certeza que Juanita estava errada, também teve certeza que ela mesma estava certa.
-Rony... – ela o acordou, sacudindo-o com força.
-O que foi? – perguntou confuso pelo sono.
-Juanita, eu preciso de Juanita – ela disse contendo um grito de dor.
-Hermione, você está bem? - ele pulou na cama, quando ela se sentou na cama, agarrada a barriga, gemendo de dor, numa careta horrível de dor intensa.
-Não! Chame Juanita! Oh, meu Deus... – ela sentia as dores vindas cada vez mais rápidas, e como ele não se mexia, ela gritou – Não vou passar por isso sozinha de novo! Chame Juanita agora!
Sem alternativa diante do seu grito e impaciência, ele saiu do quarto, sem se preocupar em fechar a porta.
Para total desespero de Hermione, o bebê se assustou com seu grito e começou a chorar. Ela queria levantar e acudi-lo, mas havia algo muito estranho acontecendo ali.
Chorando de dor, como não fizera na noite passada, pois agora era mais intenso e mais latente, ela avistou a sogra entrando no quarto com expressão surpresa.
-Hermione, o que está acontecendo? - ela tentou acudi-la, mas Hermione se afastou – Está sentindo dor?
-Ele não para de chorar – ela disse como se isso quisesse dizer algo realmente.
Molly apanhou o neto do berço e levou-o para o corredor. Hermione respirou aliviada. Que droga de chá era aquele que Juanita lhe dera?
Rony voltou dez minutos depois, com Juanita descabelada e meio vestida. Atrás dela um de seus meninos, que acordara assustado e seguira a mãe sem que ninguém notasse.
-Leve o menino para a sala! – ela mandou Rony, olhando para Hermione e sua expressão de dor.
Rony fez o que pediu e deixou Ruanzito na sala, antes de correr de volta para o quarto. Juanita subia a camisola de Hermione e ela parecia bem ansiosa para que ela fizesse isso.
-Está saindo! – ela disse esbaforida e assustada.
-Não pode ser... – Juanita olhava sem entender.
-Oh, Deus! Não! Isso de novo não! – Hermione gritou, Juanita tocava a região e ele não via os detalhes, mas parecia ser muito doloroso.
-Não acredito nisso... – Juanita repetiu, parando por um momento para assimilar o que via. Ao chegar a uma conclusão, saiu do torpor e cobriu suas pernas com um lençol dizendo – Agüente um pouquinho, vamos fazer direito dessa vez.
Hermione concordou, e ele saiu do caminho para Juanita passar.
-O que esta havendo? Hermione, pelo amor de Deus, o que esta acontecendo? - ele correu até a cama, e tentou segurar sua mão.
Nervosa, ela aceitou seu toque e lançou-lhe um olhar estranho.
-Está acontecendo de novo – disse hesitante, em meio a uma onda de dor.
-O que está acontecendo de novo? – ele perguntou, afastando os cabelos de seu rosto.
Num intervalo da dor, ela acariciou sua mão de volta, adorando o modo displicente dele. Usando apenas a calça, era uma imagem deliciosa. Se ela não estivesse sendo rasgada pela dor, claro.
-Por que tem que doer tanto assim? – ela se lastimou, quando a contração voltou – Onde está Juanita? – seu grito de dor o alertou que algo estava muito errado.
-Hermione, meu amor, me diz o que está acontecendo? Por favor, não me assuste assim!
Juanita voltou naquela hora com toalhas e uma bacia de água. Quando Rony viu a adaga que seu pai havia feito, franziu as sobrancelhas.
-O que está acontecendo aqui? – exigiu saber, furioso por não obter respostas.
-Isso, querida, abra mais as pernas. – ela mandou sondando novamente. Ignorou-o e quando olhou para Rony disse em voz seca – Segure a mão de Hermione, ela vai precisar.
Rony fez isso, e notou o modo como Hermione segurou-o, precisando desse carinho.
-Prefere ficar deitada, ou sentar? – Juanita perguntou, com cautela.
-Sentada, eu fiz o outro sentada. – ela respondeu.
Rony ajudou-a se recostar contra os travesseiros ainda sem entender o que acontecia. Depois de uma dor profunda ela virou para ele e sorriu.
-Outro bebê, Rony, você fez isso comigo. Outro bebê.
As palavras não faziam sentido.
-Ronald! – ela chamou com uma sombra de sorriso no rosto.
-Não podem ser dois... – ele olhou para Juanita que apenas maneou a cabeça – Isso é maravilhoso!
-Diga por você - ela resmungou quando a dor veio tão forte quanto se caísse um raio em sua cabeça. – Deus do céu!
Hermione se esqueceu do outro parto. Era tudo muito diferente. Estava em uma cama, estava segura. Rony segurava sua mão. Juanita se preocupava com o bebê e sua única participação era fazer força.
Tanta força que pensou que fosse morrer, ao desabar contra os travesseiros depois de um empurrão muito forte.
Depois de alguns minutos, Hermione tinha a sensação de estar completamente dormente da cintura para baixo. Não sentia dor, não sentia nada.
A sensação de estiramento havia passado, e por isso mesmo ela se desesperou. Suas forças a tinham abandonado e ela não conseguiu fazer força quando Juanita mandou.
A contração passou e ela a perdeu.
-Hermione! Hermione, faça agora!
Ela ouvia Juanita gritando, mas não conseguia fazer nada. Seu corpo não conseguia acompanhar outro parto. Não mesmo.
Ela ouviu de longe, como num eco, Juanita falar alguma coisa, e então o braço forte de Rony estava atrás dela, seu peito dando apoio a suas costas. Quis recostar a cabeça ali e desmaiar, e livrar-se da dor das contrações, mas não pode.
Quando esta veio, seu corpo se retesou e ela sentiu que era empurrada para frente. Fez força sem querer, e as palavras, o som das palavras de incentivo de Rony em seu ouvido a fizeram recuperar parte da lucidez, mesmo que não pudesse entender tudo que dizia.
Pobre Rony, parecia mais desesperado do que ela...
Sua insensibilidade a dor desapareceu quando ela sentiu os ombros do bebê passarem, e com certeza a dor do outro nascimento não era nada comparada a essa dor. Esbravejou, e sabia que seu grito teria acordado toda a casa, se já não estivessem todos de pé.
Juanita falou alguma coisa e Hermione empurrou de novo, sabendo que só mantinha a pressão, porque Rony a impedia de relaxar.
Os próximos momentos passaram em branco para ela, seus gritos explodindo em seus próprios ouvidos, o suor corria em sua testa, seu corpo todo tremia pelo esforço. E quando finalmente Juanita pode puxar o bebê, ela caiu para traz, direto para os braços de Rony.
Juanita cortou o cordão umbilical com a adaga de marfim, mas ela não viu isso. Seus olhos nublados pela dor e a exaustão viram apenas a criança arroxeada que ela erguia pelos pés. Um sonoro tapa em seu bumbum a indignou, mas então o choro irrompeu pelo quarto e ela quase sorriu.
Sua cabeça tombou no ombro de Rony e ele acariciou seu rosto, antes de colocá-la deitada na cama. Ela queria reclamar, estava tão bom ficar em seus braços.
Juanita colocou o recém nascido sobre o seu peito e ela tentou olhar para ele, mas não conseguiu. Seus olhos se fecharam contra a sua vontade, e ela sentiu que escorria de seu corpo muito sangue, e não parava. Quis falar sobre isso, quis segurar a criança que precisava do seu toque e amparo nesse primeiro momento de vida, nessa vida tão estranha da que ele conhecia, mas suas mãos não a obedeceram.
Seus olhos se fecharam e ela apagou.
Beta: Rony lerdinho né, rsrsrs, e você como sempre nos fazendo ficar desesperadas por causa da Mione, ai ai ai!
Autora: Seguinte, Bruna, eu sempre faço umas pesquisas meio loucas quando vou escrever partos. Tenho uma parente que é enfermeira, e trabalha como secretaria de um obstetra. Daí quando decidi que iam ser gêmeos, quis fazer uma coisa bem doida, para ela sofrer bastante.
Liguei para ela, e perguntei se era possível uma mulher fazer o parto sozinha. Ela me disse algumas coisas e tal. Daí eu perguntei se ela não podia me contar algum jeito bem doido de nascerem gêmeos.
Ela me contou de uma vez, que uma moça teve um bebê no hospital, pelo SUS. Ela foi para casa no mesmo dia, tava tudo bem. Dois dias depois ela voltou achando que tava morrendo. Mandaram ela para casa dizendo que não tinha nada. Daí, o marido dela a levou no obstetra onde minha parente trabalha e ele atendeu, porque achou o caso estranho. Não deu outra quando fez o ultra-som. Tinha mais um gêmeo querendo sair. Foi de cesária.
Como é uma fic, eu coloquei de parto normal mesmo. Achei que a Hermione merecia um parto bemmmmmmmmmmmmm incomum, do tipo que acontece muito raramente. Afinal, ela é azarada como o que!
Heheheheheheh
Beijos