CAPITULO 138 – PERTO DO FIM

"Ilustração da Bruna. Valeu bruna!"
A conversa insistente de Molly Wesley lhe provocou dor de cabeça. Não era culpa dela, mas sim do estresse de gravidez.
As indiretas do conde para Rony a enjoavam. Ele estava com raiva desse genro que a deixava triste e cabisbaixa.
Várias vezes durante aquela tarde torturante, ela quis mandá-lo parar. Explicar-lhe que Rony não fizera nada de errado. Que a culpada era ela.
-Um dólar pelos seus pensamentos – Rony sussurrou em seu ouvido.
Ela não se virou. Ouvira os passos e sabia que era ele. Havia se refugiado nos fundos da casa dos Wesleys, quando a Fler começara a contar de sua maravilhosa vida na frança. Pobrezinha de Elly, pois Fler não quis entender o significado da palavra “desmemoriada’ e seguira lhe fazendo perguntas sobre a França.
Cansada das conversas e dos risos, ela precisou de ar. E a cozinha dos Wesleys era silenciosa e calma. Arejada o bastante para respirar algum ar livre de fumaça de charutos.
Quem diria que tantos homens juntos pudessem ser tão irritantes.
-Não penso nada que valha a pena gastar um dólar – respondeu sem olhar para ele.
-Duvido. Deve estar pensando em modos de me punir por causa de Lilá – Brincou esperando vê-la sorrir.
-Insiste em chamá-la por seu nome de cortesã? - acusou.
-E porque não? Acha que acreditei em suas palavras falsas de arrependimento? Tenho pena do seu irmão.
-Não tenha, ele vai colher o que está plantando – disse rancorosa.
-O rancor endurece o coração, Hermione – esperava provocá-la.
-Gostaria de ir para casa – ela lamentou triste.
-A companhia da minha família não a agrada? – perguntou incomodado.
-Não é isso – ela arriscou um olhar, mas afastou-o rapidamente, ao sentir-se muito perto das lágrimas.
-E o que é então?
Ela não respondeu. Não tinha como responder isso. Ele não entenderia.
-Hermione? Não me obrigue a arrancar a verdade de você!
-E como faria isso? - ela não resistiu a cair na sua provocação, sendo que era uma tática de dobrá-la.
-Posso pensar em mil maneiras. Mas talvez, eu apenas a beije até perder a razão. O que me diz?
-Não me defendeu – ela praticamente cuspiu as palavras.
Não queria desabafar, não queria mesmo!
-Quando não a defendi? – pressionou, sentando-se numa das cadeiras de madeira. Ao seu lado.
Ela mantinha-se olhando para a frente.
-Aquela mulher me chamou de... Disse que... - olhou para sua barriga com desgosto.
-Não defendi, pois não havia nada a ser defendido. É uma linda mulher e está ainda mais bonita com a gravidez. Não preciso dizer o que todos somos capazes de ver.
Seus olhos diziam a ela que era sincero, mas achava-se incapaz de acreditar.
-Hermione, achei que tinha superado essa crise. Já não lhe disse que adoro seu umbigo saltado e seus seios redondos? – brincou.
-Sim, mas eu estou... Não finja que não notou que estou enorme! – cuspiu as palavras.
-Eu não finjo nada. Seu corpo tem a forma que deveria ter.
-A forma de uma vaca – ela resmungou, a cabeça baixa.
-Meu Deus, Hermione, o que está havendo com você? – ele notou que seu sofrimento era verdadeiro. Tentou abraçá-la, mas ela levantou-se surpreendentemente ágil para seu tamanho.
-Não percebeu? É impossível que eu volte ao meu corpo! Olhe para mim!
Seu horror o fez suspirar.
-Hermione, as mulheres emagrecem depois do parto.
-É mesmo? Olhe a sua mãe! – acusou.
-Sim, mas minha nunca foi esguia. Lilá...
-O que tem ela? – seu olhar poderia matá-lo.
-Não importa que ela seja uma cobra. É mulher, e esteve grávida. Veja, voltou ao seu peso normal. Vai acontecer o mesmo com você.
-Mas ela não estava do meu tamanho – para seu total horror, notou que estava chorando. – Jamais vou me livrar desse peso todo! Jamais!
-Acontece que só a sua barriga está grande - ele explicou com toda a paciência do mundo, abraçando-a e descansando seu rosto em seu peito. – está toda magrinha, e delicada, mas sua barriguinha está maior. É o nosso bebê. É com deve ser. Quando nascer, esse peso vai embora.
-Não, não vai! – ela choramingou, a voz abafada pelo tecido da sua camisa.
Rony deixou-a chorar um pouco, consciente que como homem não saberia entender essa dor. Era típico das mulheres a vaidade.
-Eu acho que está linda. E sei que vai continuar linda depois do parto.
Seu riso triste alertou-o de sua ironia.
-Não acredita em mim? – segurou seu rosto e afastou-a da segurança que seu peito representava – Sou o homem que divide sua cama. O homem que desfruta do seu corpo. É apenas a mim que deve agradar, e estou plenamente feliz com minha escolha.
-E desde quando quero agradá-lo? – empurrou-o e se afastou, limpando o rosto.
Rony deixou-a se afastar. Não compreendia seus arrombos, e desconfiava que nunca entenderia. Não era a sua Hermione falando. Era a Hermione confusa e torturada pela gravidez. Não era apenas seu corpo que padecia carregando o bebê.
-Porque está me olhando desse jeito? – ela acusou novamente, desconfiada.
-Estava lembrando que não a agradeci – se aproximou e cobriu sua barriga com as duas mãos – Não agradeci por estar carregando nossa criança. Estar convivendo com todas essas mudanças e ainda ter que aturar um homem bobo, que só vê suas qualidades.
-Eu só queria não...
-O que você não queria? – sentiu um pouco de medo diante da tristeza do seu olhar.
-Não queria ter que ver aquela mulher perto de mim o tempo todo – confessou – Eu não queria estar frágil, sem poder me defender dela. – novas lágrimas se formaram em seus olhos - eu não posso cuidar de mim mesma! Não posso!
-Minha proteção não é o suficiente? Sempre cuidou de si mesma, e das outras pessoas. Agora, é sua vez de ser cuidada.
Era verdade, e sabia disso. Parte da agonia havia ido embora e ela sorriu, um sorriso fraco de quem pede desculpas.
-Disse para o meu pai que sou infeliz, e é mentira.
-É mentira? – Rony sentiu o coração acelerar.
Hermione era feliz ao seu lado. Ela concordou com um movimento da cabeça e respirou fundo antes de dizer:
-Podemos ir para casa?
-Quer se esconder? – tocou na ferida.
-Me sinto tão... Incomodada – ela suspirou magoada – Nem sei como me sinto.
-De certa forma é uma evolução que esteja triste por alguma razão que não seja eu – tentou fazer graça – Levo-a para casa, se prometer que fará um passeio comigo antes.
-Um passeio? – olhou para baixo, talvez querendo olhar para os pés. Mas a barriga estava no caminho – Meus pés estão inchados.
Era um aviso.
-Vamos de charrete.
-Um passeio – sua expressão de cansaço quase o diluiu desse convite – Estou pesada para andar. – achou por bem alertar mais uma vez.
-Vamos ficar sentados a maior parte do tempo – prometeu.
Hermione concordou só para que se calasse, tinha certeza. Pobrezinha. Feliz como uma criança, ele apressou a pedir a mãe preparar uma cesta de piquenique. Faltavam algumas horas para anoitecer e poderiam aproveitar um pouco do dia ensolarado e ameno.
................................................................................
A charrete parou a poucos metros do lago. Hermione havia sorrido algumas vezes desde que deixaram a casa dos Wesleys, e até parecia um pouco mais animada com o passeio a medida que se aproximavam do lago.
Rony queria apagar o abatimento da sua face. Tornar aquelas últimas semanas mais fáceis e se possível, felizes.
Rony deixou a carruagem embaixo da copa de algumas árvores e ajudou-a a descer.
-Não devíamos ter trazido Adolph?
-Não – ele acariciou seu rosto – trouxe a arma. Vou protegê-la. Além do mais, duvido que façam algo a luz do dia.
Hermione acreditou nele, muito ocupada em apoiar as costas com as mãos.
Rony estendeu uma manta sob a copa de uma árvore e depositou a cesta do piquenique em uma almofada que sua mãe fizera questão que ele trouxesse. Hermione sentou-se com sua ajuda e ele entendeu a razão da almofadinha.
Ela pediu que colocasse embaixo dos seus pés. Seu gemido de contentamento o fez sorrir.
-Está confortável? – perguntou ante de levantar – Volto num segundo.
Hermione suspirou aliviada, começando a gostar da idéia daquele passeio. O ar fresco afastava a sensação de opressão e abatimento.
Rony prendeu o cavalo e certificou-se que a carroça não tinha perigo de escorregar na grama e descer a encosta, em direção ao lado, e voltou sua atenção para Hermione.
Ela havia encontrado o livro que ele precavidamente colocara dentro da cesta, e folheava-o interessada.
Era um livro sobre política. Nada mais justo, visto que a revolucionária dentro dela sempre tocava no assunto Rosie Nell.
Deixou-a sozinha por alguns minutos, observando-a a distância. Era tão bonita que comovia seu coração. Não havia mais aquela tristeza em seus olhos, ou a tensão em seu rosto. Via uma jovem e doce mocinha, esperando seu primeiro filho.
Quando a conheceu, foi difícil relacioná-la com a idade de dezessete asnos. Parecia mais velha, não fisicamente, mas havia uma aura de maturidade, e ainda havia. Mas era uma maturidade suavizada pelos sorrisos e os olhos brilhantes.
Hermione ergueu a cabeça naquele momento e fitou as águas calmas do lago. Seu olhar era pensativo, sua expressão sonhadora.
Ela acariciou a barriga e falou algo, que não pode ouvir a distância, mas não era preciso ser gênio para saber que ela pedia para o bebê maneirar nos chutes. O pequeno anjinho torturava a mãe com chutes pesados e dolorosos.
Poderia contemplá-la durante horas, mas a compulsão por estar perto e tocá-la era maior.
Seus passos atraíram sua atenção e ela lançou-lhe um longo olhar, e ele poderia jurar que era um olhar de apreciação.
-Descobriu o meu segredo – ele apontou o livro, sentando ao seu lado na manta.
-Sim. Política – seu olhar tinha malícia – devo entender como um incentivo?
-Não. Deve entender como um ato de um marido que está conformado em ser casado com uma intelectual.
-Intelectual? – a palavra soou com tanta surpresa que ele riu.
-Jamais me verá tocar nesse livro, a menos que minha vida dependa disso, Hermione - ele foi sincero – Já você... Adora essas coisas.
Hermione sentiu que corava.
Rony não insistiu em elogios. Ela estava envergonhada e modesta sobre si mesma, e essa Hermione que vinha surgindo a cada dia o encantava.
Dias de muito aconchego, paixão e palavras carinhosas. Ela nem percebia quando o chamava de ‘amor’. E o que antes acontecia apenas sobre a cama, no enlevo da paixão, agora se repetia junto a um simples bom dia, ou em meio a conversas banais. E ele esperava ansiosamente por cada um desses deslizes da sua pequena.
-Se importa se eu ler? - ela perguntou.
Havia mais em seu olhar. Um desafio muito sutil. Queria saber se ele se importava em dividi-la e ficar sem a sua atenção por algum tempo. Estava insegura.
-Me importo. Prefiro que leia para mim.
-Você não gosta! – ela reclamou, envaidecida.
-Mas gosto do som da sua voz – acariciou seu pescoço e notou a pele arrepiada.
Tinha dias em que ela não o queria perto. Nesses dias, era melhor virar para o lado e ignorar o desejo, pois além de dizer não, ela ficava irritada.
Mas tinham outros, onde sua pele ficava arrepiada ao menor toque e suas bochecha coradas pelo desejo. Hoje, pelo visto, era seu dia de sorte.
Vendo-a abrir o livro e posicionar-se para ler, achou melhor deixá-la em paz por hora.
Aproveitou a cesta preparada por sua mãe e serviu–se de um sanduíche. Havia chá, e ele serviu oferecendo para ela.
Hermione recusou, tentando se concentrar na leitura.
Impossível.
Seus olhos estavam na linha das coxas masculinas. Segurava o livro sobre as pernas e sempre que virava uma página acabava olhando na direção das coxas masculinas delineadas pela calça. Como não tinha a menor vergonha na cara, acabava olhando de relance para o volume entre pernas.
Respirou fundo procurando recuperar a atenção. Era uma pena, o enredo era envolvente. Mas sua concentração estava perdida. Por mais que não olhasse, podia ouvir o som das mastigadas.
Fechou os olhos, e se rendeu aos próprios pensamentos. Deixou o livro de lado e olhou para ele.
-Esta com fome? - ele ofereceu o sanduíche e ela negou. – Sede?
Outra negativa.
-Quer alguma coisa? – piscou sabendo muito bem o que ela queria.
-Gostaria de entrar na água. Mas não me arrisco. – suspirou – Poderia afundar.
Rony não estava preparado para a piada e riu com gosto. Ela sorriu achando menos graça que ele, mas adorando ouvir seu riso.
-É um grande dilema, que entendo totalmente. Também gostaria de me afundar em você, mas tenho medo de ser colocado para correr como da primeira vez que nadamos juntos – ele disse em seu ouvido.
Hermione perdeu a capacidade de respirar, olhando para seus olhos azuis, tão pertos dela.
-Naquele tempo eu não simpatizava com você – ela mentiu.
-E agora simpatiza? – moveu os dedos para seus cabelos, querendo achar um jeito de soltá-los. Ela reclamou e começou a tirar os grampos antes que ele a deixasse careca.
-Não tenho opção. Ou me conformo, ou me livro de você.
Rony teve o impulso de lembrá-la que o conde oferecera-lhe a segunda alternativa. E ela não quisera. Estava excitado, e tinha que aproveitar que ela estava querendo também. Em alguns dias e não poderiam mais ter intimidades por vários meses.
Ao menos fora isso que ele leu em livros sobre gestação. Anatomia era uma disciplina obrigatória na escola interna.
-Pode nadar, se permitir que a segure – ele sugeriu.
-Não vou nadar nua, se é o que está pensando – ela reclamou - Sei que Gina espalhava isso por aí quando estávamos brigadas, mas nunca nadei nua.
-Sei disso. Precisa saber que nunca dei ouvidos as mentirinhas da minha irmã a seu respeito. E com toda certeza não quero saber de você nadando nua nesse lago!
Hermione ignorou a demonstração de ciúmes, mas sentiu vaidade ao se acarinhada.
-Vamos, Hermione, coragem – ele incentivou levantando-se e estendendo as mãos para lhe dar apoio.
Corajosamente, ela deu ouvidos aos próprios desejos e esqueceu por alguns instantes as limitações que seu corpo vinha sofrendo. De pé, virou-se para que pudesse abrir os botões do vestido de gestante.
Não eram muitos, pois o vestido mais lembrava um enorme saco de batatas. E para lhe dar conforto, o último botão havia sido preso por dois grampos de cabelo, oferecendo mias espaço. Ele se perguntou se Hermione sabia disso ou Anna havia sido sutil o bastante para não deixá-la ver.
Como ela não disse nada, ele apressou-se a esconder os grampos no bolso da calça e seguiu abrindo o vestido. Ajudou-a a passar as mangas pelos braços e em por um segundo achou que ele não desceria pela barriga.
Ficou maravilhado com o contorcionismo, digno de um gato, que ela fez para livrar-se do vestido sem rasgar nenhuma costura. Sorriu, mas ela não notou, saindo do circulo formado pelo vestido aos seus pés. Os cabelos haviam sido soltos e caiam por suas costas graciosamente.
Hermione não precisou entrar em detalhes quando olhou para baixo. Ele ajoelhou-se aos seus pés e acariciou seu tornozelos delicados, antes de tirar os sapatos. Um pé de cada vez, com toda a gentileza de um súdito maravilhado com sua rainha.
Desceu as meias de seda, e o calção intimo.
De pé notou que ela esperava algo. Hermione conteve o riso antes de indicar suas próprias roupas.
Havia se empolgado tanto em despir sua mulher, que esquecera de tirar as próprias roupas!
Fingiu não notar a intensidade do olhar castanho sobre cada movimento seu. Hermione estava corada, cada vez mais vermelha, como se estivesse em chamas, e ele sabia muito bem como dar fim a essa necessidade!
Provocou-a com o olhar enquanto se despia.
Nu, esperou que ela reclamasse e mandasse que se vestisse. Mas não disse nada.
-Tenho medo de escorregar – ela explicou, segurando sua mão espontaneamente.
-Não vai escorregar - ele garantiu, andando com ela até a beira do lago.
Só esperava que ninguém os espiasse, ou seu traseiro branco seria uma grande atração!
Esqueceu do mundo cuidando do seu bem mais precioso. Entrou na água, e ajudou-a a fazer o mesmo. Hermione gemeu quando a água aliviou metade das suas dores. Suas costas pareceram aliviar, agora que flutuava e seu campo gravitacional havia mudado.
-É tão bom... – ela gemeu de alivio.
-Dizem que água alivia as dores do corpo – ele segurou-a de modo que flutuasse. Seus braços girando-a lentamente na água.
Hermione se deixou levar, de olhos fechados, decidindo que quando engravidasse novamente, iria querer repetir esse momento várias vezes, pois se houvesse sabido antes, poderia ter sido poupada de várias horas de sofrimento.
Perdeu a noção do tempo em que ficou boiando na água morna. O sol era forte ainda, mas a temperatura não era tão severa quanto nos piores meses de verão.
Era um espetáculo para os olhos apaixonados de Rony.
A camisa diáfana estava transparente, revelando os seios graúdos e cheios de leite. Os mamilos rosados, enrijecidos pelo contato da água. Sua barriga dilatada, inclusive com seu umbigo que tanto a incomodava, se destacava. Suas coxas finas e macias, seus joelhos...
Sua bela face erguida contra o sol, os cabelos espalhados pela água...
-Hermione – ele disse baixo, e ela não abriu os olhos, mas sabia que estava ouvindo-o. – Quero fazer amor com você, aqui e agora.
-Você quer...?
Sua voz não era mais que um suspiro. Rony parou os movimentos e soltou-a na água, apenas para abraçá-la um segundo depois. Manteve-a contra seu corpo evitando que ela se desgastasse nadando.
-Quero. Deixe-me amá-la... - pediu, enquanto corria os lábios pela sua testa úmida. Hermione fechou os olhos, enlaçando seu pescoço. Os cabelos molhados e ruivos atraíram sua atenção e ela afastou-os de sua testa, expondo seus olhos extremamente azuis.
-Sim... – ela nem percebeu que respondia, até sentir o corpo masculino ficar tenso sob a palma de suas mãos e a boca carnuda e voraz cobrir a sua.
Havia muita paixão em seu beijo, e disso jamais poderia se queixar.
Não sabia exatamente o que atraia tanto a atenção deste homem sobre ela, no entanto, jamais poderia reclamar de sua paixão. Saía pelos poros. Impregnava sua pele. Roubava o seu ar e aquecia seu sangue.
As mãos de Rony correram pelas laterais do seu corpo, parecendo se divertir com os relevos exagerados. Apertou seus quadris e seu traseiro. Aqueles dedos apertando sua carne, a deixou em chamas. Eram mãos de homem. Braços duros como ferro. O trabalho no campo fizera uma maravilha por seu corpo, que sempre fora bem delineado.
Abençoado trabalho pesado, ela pensou, a mente contusa pelo desejo.
Rony amassou entre os dedos aquele bumbum redondinho e delicioso, fantasiando sobre quando poderia voltar a desfrutar dele. Demoraria muito... Porém, a demora sempre aumenta a expectativa, pensou, gemendo e prolongando novos beijos.
Não podia agarrar seus seios, e ela nem iria querer que os beijasse, estava muito sensível, dolorida e vazando. Não podia exagerar nos toques íntimos por razões muito semelhantes. Esse período de gravidez vinha ensinando a ele mesmo, várias coisas sobre fazer amor.
Primeiro, um beijo pode ser tão excitante quando um toque genital.
Segundo, Hermione adora apertões no traseiro, e terceiro e mais importante, um casal que se ama, não precisa ter medo de perder a paixão. Ela sempre existirá, mesmo que seja de outro modo.
Suas caricias correram mais abaixo, enquanto ele soltava seus lábios, e corria beijos por seu pescoço, ao longo da pele molhada. Hermione ronronou deliciada quando ele lambeu sobre um dos mamilos, num toque muito leve, sem apertar ou sugar. Repetiu a caricia várias vezes, saboreando seus gemidos. Seus dedos procuraram a curva do sexo e sondaram.
A umidade que havia ali nada tinha a ver com a água do lago.
Descobrira que ultimamente ela não desfrutava muito de sexo oral, mas gostava de carinhos rítmicos sobre o clitóris. Irritava-se com movimentos muito fortes, pois dizia que deixava dolorido depois.
Ele jamais entenderia. Como homem, jamais poderia entender o que acontecia com o corpo de uma mulher para se modificar tanto e tão rapidamente durante uma gravidez. Corpo e mente.
Sua paixão de homem continuava a mesma, e as mudanças dentro dele em relação a seu corpo, quando o desejo o queimava, continuava igual.
No entanto, seus sentimentos em relação à Hermione fora da cama, tinham mudado. Além do amor, sentia uma ternura tão profunda em vê-la carregando seu filho que quase o sufocava.
Seguiu tocando-a entre as coxas, subindo o rosto para beijá-la novamente.
Hermione se agarrava a ele, expondo toda sua necessidade enquanto incendiava da cintura para cima. Ergueu uma das pernas e passou em volta da perna dele, odiando não ser tão ágil quanto antes. Felizmente ele entendeu o que desejava. Agarrou-a pelos quadris e ergueu.
Seu suspiro de ardor se misturou a surpresa quando ele começou a andar em direção as margens.
Carregava-a como quem carrega uma menina. Era um homem forte, e seus ombros eram tão perfeitos... Tão fortes, tão amplos. Seu pescoço tão deliciosamente salgado, banhado pela água do lago.
Sua língua traçou esse caminho e Rony gemeu, colocando-a sobre a manta com todo o cuidado.
Pousou o corpo sobre o dela, de modo a não pressioná-la, e Hermione surpreendeu-o ao apanhar seu membro nas mãos. Ela evitava chupá-lo. Não queria que montasse sobre ela, muito menos montava sobre ele. Melindres de uma mulher cheia de temores.
Ele gemeu forte, temendo gozar ao mero toque de seus dedos. Ela sorriu e afastou as pernas, soltando-o.
Ciumento de alguém vê-la, como apenas ele tinha o direito de ver, cobriu-a com a camisola, e ocupou seu espaço entre as pernas delicadas. Olhando para o meio delas, se encaixou naquela fenda úmida e relutante, que parecia mordê-lo sempre que avançava.
-Abra-se para mim, Hermione – pediu em seu ouvido, beijando-a rapidamente nos lábios antes de olhar para baixo mais uma vez e investir mais um pouco.
Ela gemeu sofrida e arqueou o corpo ao senti-lo bem fundo dentro de si.
-Ai – ela gemeu e ele parou.
-Machuquei você?
-Não – ela sorriu maliciosa – Não machucou. Mas dói, mesmo assim, dói.
Ele sorriu do mesmo jeito ao entender, era a dor do amor. A dor da paixão. A dor da espera.
Os movimentos começaram lentos, as bocas ávidas, procurando compensar a lentidão com beijos que sugavam a alma e expunham o coração. Era, no entanto, impossível serem lentos e suaves. Gostavam forte e profundo, e os movimentos cresceram.
Uma das pernas dela surgiu e passou sobre suas costas, o pezinho roçando o traseiro branco de Rony banhado pela luz do entardecer.
Gemendo ele arfou, prestes a perder o controle antes de ela chegar ao ápice.
Hermione virou o rosto, longe de seus beijos, o ar muito falho, a paixão alcançando o ápice da expectativa. Agarrou-se a ele, enquanto Rony beijava seu pescoço, movendo-se com torturante lentidão. Mais forte, ela pensou, mas não disse. Lento era bom, mas forte era excitante.
Ele deu uma batida mais forte, quase sem notar e ela mordeu seu braço, o antebraço musculoso a centímetros da sua cabeça. Rony gemeu. Ela sugou a pele daquele músculo, e ele gemeu batendo novamente com mais força.
Ela mordeu. Ele agitou os quadris. Outra mordida e algo correu dentro dela. Seus dedos se retesaram, as pontas dos seios endureceram ainda mais, dolorosamente sensíveis através do tecido molhado, pressionado contra seu peito.
Seu sexo se contraiu, sua pelves enrijeceu e ela tremeu, todo o corpo apreciando o que ele fazia com ela. Seu gozo foi deliciosamente lento, prolongado e desfalecedor.
A tensão abandou aquele corpo exasperantemente sedutor, e seu relaxamento em volta de seu pênis o levou ao seu próprio gozo.
Hermione sentiu sua semente batendo no fundo do seu útero, sentiu os movimentos diminuírem, correu as mãos pelas costas tensas, adorando sentir os músculos relaxarem sob seu toque.
Ele arfava e gemia, terminado em sussurros de paixão.
-Tão doce... Tão quente... Oh, Hermione... Minha vida. Diabos, minha mulher – ele sussurrava sem nem notar, tão bonito ao sentir prazer que ela o beijou.
Esse homem era seu.
Revelação espantosa.
-Rony... Eu... Eu... Oh... Eu... – “eu te amo”. Era tão simples. A frase tão pequena.
-Não precisa dizer nada – ele beijou-a ainda no enlevo do gozo – Apenas seja minha. Só isso importa.
Suas palavras ecoaram em sua mente e ela sorriu entre beijos. Não precisava mais nada. Não mesmo!
Naquela troca de carinhos eles não notaram que eram alvos de olhares. Um homem, seus olhos acinzentados, os acompanharam até o lago, lamentando não poder se aproximar e vê-los dentro da água. Olhos que os seguiram até a manta. Olhos que queimaram de ciúmes e inveja quando o corpo forte e bem feito de Rony se posicionou sobre o corpo gentil e feminino, tão pequeno e frágil, tomando aquilo que era seu.
Ouviu os gemidos daquela mulher, viu sua face se contorcer de prazer. Viu seus beijos amorosos.
Era tão bonita, o corpo moldado pelas curvas da gravidez.
A distância não podia ver muita coisa, mas secou o suor da testa, um suor de paixão por desejar estar no lugar do Wesley, e observou-os conversarem baixo. Falavam amenidades, e ela riu de algo que ele disse.
O desgraçado do Wesley cobriu suas coxas cremosas com a camisola quase seca e ele xingou mentalmente não ter a oportunidade de ver mais que suas pernas nuas. Queria ver tudo.
Mas teria tempo para isso depois.
Ela esperou que ele se vestisse, enquanto eles continuavam falando bobagens sobre o tempo e sobre a fazenda. Informações que lhe eram úteis. Ele apanhou o vestido e passou-o sobre a cabeça de Hermione e ela levantou-se.
Por pouco o vestido não passou por sua barriga, deveria saber que o demônio do Wesley a deformaria com aquela criança. Mas para tudo tem um jeito nessa vida, pensou Malfoy, apoiado na árvore.
Ela segurou os cabelos para frente enquanto ele fechava os botõeszinhos e ficou de frente para onde ele estava. Olhou em sua direção, era como se o visse, e aquele olhar o encheu de paizão e desejo. Faria com que fritasse de prazer. Seria o único a lhe dar a paixão que merecia, e a faria esquecer-se do dia que teve aquele ruivo infeliz sobre si!
Não seria hoje e nem agora, mas um dia, muito próximo dia, isso aconteceria!
-Esqueça, esse botão não fecha – ela disse em dado momento e ele enlaçou sua cintura, abraçando-a por trás.
-Me promete que não vai passar esse próximo mês triste?
-Não estava triste. Estava incomodada – confessar era tão fácil, relaxada contra ele – Meu corpo às vezes é traiçoeiro. Juanita disse que é normal se sentir assim.
-Me corta o coração vê-la ‘incomodada’ – soltou-a, buscando seus sapatos e calçando-os em seus pezinhos coceguentos, enquanto ela se apoiava em seus ombros.
-Diz isso porque não faço mais as sobremesas que gosta – ela instigou.
-Descobriu meu segredo! - ele entrou na brincadeira.
-Posso pedir a Anna me ajudar e preparar algo... Mas não espere grande coisa. Seu filho está torturando a noite.
-Não seja malvado, bebê - ele aproveitou que estava de joelhos e beijou sua barriga através do tecido, pousando a cabeça ali – A mamãe merece um descanso.
-Não seja tolo! – ela afastou-o – Prefiro senti-lo. Assim eu sei... Que ele está bem.
-Estará melhor quando estiver aqui, conosco. Conhecendo sua mãe tão delicada e cordial.
-Parece o juiz Digory falando – ela acusou e os dois seguiram rindo, enquanto ele arrumava a bagunça do piquenique.
Malfoy usou um lenço para limpar o suor, que não se devia ao calor, ou a caminhada longa e a pé até ali. Devia-se a raiva. A frustração. A longa espera que o matava.
Hermione olhava para aquele homem com adoração.
Sabia no entanto, que bastaria algumas noites ao seu lado, para apagar esse olhar. Era inevitável. Quando não houvesse nada entre eles dois, Wesley e aquele bastardo seriam passado.
Ela andou um pouco esticando a pernas e aproveitando o ar livre enquanto ele arrumava a charrete, e por um segundo Malfoy achou que bastaria erguer as mãos e pegá-la.
Como uma oferta dos céus, bem diante de si.
Mas o paraíso não era ofertado a ele, não agora.
Os dois subiram na charrete e foram embora.
Por enquanto.


Beta: Ai que medo. A fic tá acabando, tá dando um aperto no coração! Acho que me apeguei a essa fic...
Autora: O titulo do capitulo é só coincidência, ainda tem vários capítulos. Não vamos morrer de véspera, meninas.
Pobre Hermione...ela vai padecer. Tadica. Heheheheheh....
Vocês não tão levando fé quando eu digo que a fic Dramione tem surpresa, né? Pois vão quebrar a cara! Hehehehehehehe
Bem, minha vida deu uma guinada profissional, e to de trabalho até a testa, mas acredito que a partir de hoje eu normalizo as atualizações.
Ok?
Beijinhos