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137. SEGUNDAS INTENÇÕES


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 137 – SEGUNDAS INTENÇÕES


 


 


 


 


 


 


A Igreja era simplória e antiga. Hermione estava sentada em seu banco de madeira lamentando ter amanhecido com os pés tão inchados. Há um mês e meio estavam em casa a nada de estranho havia acontecido, além de algumas visitas indigestas do juiz Digory.


Ao menos trazia a tímida Lily que demonstrou, assim como ela, gostar de ler na beira do lago, e também, falar em francês, o que a permitiu treinar a linguagem.


Rony estava ao seu lado, mas tanto fazia. Estava magoada com ele. Muito magoada.


Graças a ele seu irmão, o único que lhe sobrara vinha mantendo um relacionamento com Lilá Brown. Por culpa dele, que trouxera sua amante até a vida deles!


Seu suspiro atraiu a atenção de Gina que segurou suão mão.


Gina parecia um raio de sol. Tão feliz. Tão radiante, enquanto ela estava desbotada e abatida.


Amanhecera pesada, inchada e dolorosamente consciente que seu filho sereia um troglodita, que adorava dar chutes.


Haviam tão poucas pessoas na pequena igreja, que seria triste se não fosse aceitável para alguém de origem tão simples.


No altarzinho, Duran olhava para o chão. Pobrezinho. Hermione refreou o impulso de levantar e abraçá-lo para incentivá-lo.


Juanita pareceu ler seus pensamentos e ajeitou a gravata do menino, e seus cabelos. Disse alguma coisa antes de beijar afetuosamente sua testa. Suarez e ela estavam ao lado do altar, na posição de padrinhos. Hermione seria a madrinha, mas só levantaria quando a noiva estivesse chegando.


Hermione tinha entrado no oitavo mês e estava muito consciente que o parto se aproximava. Tão consciente que quando menos esperava, lhe vinha a mente a imagem da criança morta em seus braços. Ou dela morta e a criança viva. Ou os dois mortos.


Lutando contra esse pensamento, olhou para trás, para seu pai e Elly, e a doce Lily. O Juiz Digory estava ao seu lado, bastante chateado. Se o conde não estivesse ali, jamais iria ao casamento de dois empregados!


Observou desgostosa a presença do juiz Simons, entrando pela igreja.


-Quem foi que o convidou? – perguntou num impulso.


-O Sr. Loren o convidou – Digory respondeu atrás dela, o hálito de porco em seu cangote incomodando-a. – Parece que estão acertando o casamento de sua filha com Loren – ele segredou.


-Mesmo? – os olhos de Hermione brilharam.


Obviamente a presença do Sr. Loren tinha a mesma motivação que Digory. Puxar o saco do conde de Valença e sua insuportável filha. Mas quem se importa?


Logo atrás do juiz Simons e sua mulher, vinha Susan de braço com o baixinho e esquisito Sr. Loren. Carrancuda, a jovem olhou para Hermione com ódio mortal.


Hermione não gostava de sentir-se vingativa, mas a satisfação de vê-la infeliz foi quase insuportável de agüentar. Queria levantar e sair gritando de felicidade pela igreja.


Em seu pior momento da vida, aquela jovem e sua mãe tripudiaram sobre sua desgraça.


-Não preste atenção nelas. – Rony aconselhou.


-Porque não posso ficar feliz com a desgraça dela, se fez o mesmo com a minha? – perguntou ácida, uma fisgada de ciúme, ao pensar que ele se abalava por alguém tripudiar sobre a infeliz.


-Porque não é uma pessoa maldosa igual a ela e sua mãe – foi sua simples resposta.


-Acha que serão felizes juntos? – perguntou, ao não ter como desmenti-lo. Não queria que pensasse que era vingativa ou mesquinha.


-Não – ele sorriu, com algo no olhar que apenas ela poderia entender – E não posso dizer que lamento isso.


-Talvez esteja perdendo sua última oportunidade – alfinetou, erguendo os olhos para ele.


-Talvez – concordou apenas para vê-la atiçada.


E conseguiu. Essa resposta ficou martelando em sua mente por vários minutos, sendo temporariamente esquecida, pela entrada de Anna. Os dois levantaram e se posicionaram.


Que coisa. Ainda tinha que ser madrinha depois da desfeita que os dois lhe fizeram, traindo sua confiança. Por trás do sentimento exagerado de proteção para com os dois, havia um sentimento de felicidade, afinal, os dois estavam felizes com esse casamento!


Então, só restava a ela também ficar!


Anna adentrou a igreja de braço dado com Suarez e segurava um ramalhete de flores colhidas bem de manhãzinha, no jardim. Usava seu melhor vestido, os cabelos cobertos por um simples véu de orações.


Não poderia estar mais bela, a face tão feliz e tão iluminada que desmentia qualquer pensamento sobre aquele jovem casal não ter futuro juntos.


Quando o padre começou seu discurso, Hermione notou que no fundo da Igreja o grandalhão Adolph espiava a cerimônia.


Ele vinha se mantendo afastado daquela família em respeito à Juanita, e Hermione admirava esse respeito e essa capacidade de aceitar que ela é mais feliz com o marido do que seria com ele.


Quando Anna fazia seus votos, ela notou que alguém entrava na Igreja. Alguém não. Lilá de braço com Mathias.


O desgosto foi tanto que quase a matou.


Virou o rosto para o outro lado se recusando a ver essa cena deprimente. Se ele se casasse com aquela mulher, Hermione o teria como um traidor.


Era um pensamento infame, pois não teria coragem de virar as costas para o irmão que reaparecera em sua vida. Jamais faria isso!


Rony amparou-a pela cintura, talvez temendo que ela passasse mal ou apenas querendo aliviar o peso sobre seus pés inchados. Não era cego.


Hermione vinha carregando um peso angustiante.


Ele, que a via nua, às vezes tinha aflição. Aquela barriga deveria estar prestes a bater algum recorde. Não era possível nascer uma criança dali. Seria mais fácil acreditar que fosse um bezerro, pois já vira vacas menos cheias do que Hermione se encontrava no momento!


Ela quis sentar-se desesperadamente, mas se conteve. Seus pés doíam, o bebê chutava dolorosamente, sua bexiga estava cheia, prestes a romper, suas costas moídas de dor pelo peso que carregava. Seus seios haviam começado a vazar logo cedo, assustando-a até a morte. Não fosse Juanita, ela teria entrado em pânico.


E tudo isso servia apenas para confirmar suas suspeitas de que nunca mais iria querer engravidar na vida! Não enquanto houvesse algum juízo na sua cabeça!


Um profundo suspiro escapou de seus lábios, e ela olhou para o fundo da igreja onde seu irmão estava sentado ao lado daquela mulherzinha asquerosa.


Como podia uma mulher virar a cabeça de um homem em apenas um mês?


A resposta era clara como água límpida. Mathias não tinha uma mulher em sua vida há seis anos, e ainda sofria a morte da esposa. Então, aquela cobra o segurara a maneira mais vil. Usando seu corpo e sua esperteza!


Amargurada ela ouviu o sim, e fingiu não notar que Juanita parecia desconsolada. Os noivos, melhor dizendo, recém casados, trocaram um beijo casto, Duran beijando a face de Anna e não a boca.


Pobrezinha, morreria de vergonha se a beijasse na frente de todos os seus conhecidos. Hermione não pode deixar de sorrir quando Anna olhou para ela, talvez esperando sua aprovação.


A cerimônia havia acabado, mas ainda haveria uma pequena e simbólica comemoração na doçaria perto da igrejinha.  O conde parecia muito interessado naquele menino, e se Hermione o via como um irmão menor, a cada dia o conde o via como um filho.


Hermione nunca se esqueceria do resmungo de Juanita ao comentar isso:


-Que esse menino atraia pessoas boas, eu nunca tive essa sorte.


Era verdade. Juanita tinha perdido o viço e a alegria naquele último mês. Havia feito sua escolha, mas por obrigação e não amor.


-Anna – Hermione abraçou-a com moderação, pois a menina estava prestes a chorar. E também, não havia jeito de abraçar quem quer que fosse com aquela barriga.


-Estou tão feliz, Sra. Hermione!


-Não me chama de senhora, Anna. Ou terei que chamá-la de Sra. Anna, agora que também é casada! – brincou.


Anna abraçou-a por mais tempo, contendo a vontade de chorar desesperadamente. Estava emocionada e amedrontada sobre o que seria seu futuro.


Sua sogra a odiava. E ela podia jurar, aquela mulher era o demônio, e tinha mil olhos, pois estava sempre a vigiando!


Rony sorriu para a jovem, que ainda ficava tímida olhando para ele. Duran, ao contrário, irradiava felicidade, e a duvida era, se isso se devia ao casamento, ou ao fato de agora, ser tratado como homem e não mais um menino.


Afinal, ele andava bem preocupado, quando sua patroa começara a tratá-lo do mesmo modo que sua mãe, como um menino bobo.


O pequeno grupo de pessoas saiu da igreja, e não passou despercebido a Hermione o olhar da Srta. Lily para Mathias.


Achando um modo de livrar se Rony ela se aproximou da jovem, sussurrando algo em seu ouvido. A moça era bastante bonita, e suas covinhas na face eram como covinhas de anjos, se não fosse tão tímida, arrancaria suspiros de todos os homens!


Lily era do tipo que se abria apenas quando se sentia segura. E a filha do conde lhe passava tanta segurança. Era decidida e independente como ela gostaria de ser. Embora, às vezes, pudesse ser assustadoramente ousada. Como agora.


Sua sugestão fez suas faces corarem. Tropeçou pelo susto e pensou em como negar.


-Eu não posso - disse malditamente tímida.


-Não pode ou não quer? – Hermione não a forçaria a nada, embora, seus sentimentos estivessem em sua face, para quem quisesse ler!


-Ele vai me rejeitar – foi sua desculpa.


-Não. É um homem educado. Vai ficar dividido. A solidão o confundiu. – insistiu – Lily, não irá perder nada por tentar!


-Oh, Deus – ela cobriu as faces com as mãos, tão envergonhada que poderia morrer!


Só de pensar na situação, seu coração acelerava!


Animada em ver uma alternativa para seu grande problema, Hermione colocou em prática seu plano. Na casa de chás, quando iam sentar ela disse em alto e bom tom:


-Se essa mulher sentar conosco, eu vou embora.


Havia placidez em sua face. Calma e serenidade. Era óbvio que não deixaria essa situação passar batida.


-Hermione, não seja assim – Rony segurou-a pelo braço – Essa situação precisa se resolver.


-Eu sei disso – ela olhou para ele com toda sua fúria – É uma decisão do meu irmão ficar com ela. E é uma decisão minha não aceitar.


Mathias, que andava de braço dado com Lilá encarou a irmã, duvidoso sobre ser apenas uma atitude impensada, ou ser uma mágoa real.


-Está certa disso, minha irmã? Que nenhuma pessoa nesse mundo merece uma segunda chance?


Atacada por essa pergunta, não respondeu nada imediatamente.


-Não pergunte isso a mim, pergunte a ela. Nunca irá me ouvir rogar a morte de alguém. Mas se é essa a mulher que deseja, espero que seja feliz. – magoada, virou as costas e deixou o comércio.


Marchou em direção à rua, ignorando as vozes que a chamavam.


-Está louca, mulher? – Rony agarrou-a pelo braço, antes que chegasse a rua – Não pode sair desse modo! É a comemoração dos seus protegidos!


-Meus protegidos? Eles sabem como me sinto ofendida por essa mulher! Me conhecem melhor do que você e o meu irmão! - enfurecida, soltou-se dele, e recomeçou a andar – Ela me atormenta em pesadelos! – tentou ir, mas a raiva era maior. Virou-se para ele, gritando – Ela não me deixa em paz! Se eu morrer no parto, vão saber que a culpa é dela! Mas talvez, seja isso que todos querem! Me ver pelas costas!


-Hermione – ele tentou ser paciente – Quero que me ouça – tentou segurá-la.


-Não vou ouvir nada! Volte lá para dentro e se divirta! Com sorte poderão dividi-la, afinal, os dois estão fascinados por ela!


Inferno, aquela mulher estava linda enquanto ela... A raiva fez acelerar seu coração, e ela achou que morreria de agonia.


-Quanto mais bater de frente, mais instiga esse romance. – Ele disse pacientemente – Como Mathias verá quem Lilá é, se ela é a mártir?


-Não me importa! Deveria ficar do meu lado! É o que eu faço! Fico do lado das pessoas que amo! – sua revolta aflorou ao notar que ele tinha razão.


-Então, fique do lado dele – aconselhou.


-Sentar na mesma mesa que aquela mulher? – encarou-o horrorizada.


-Não. Sentar na mesma mesa que suam família, e aceitar os erros que cada um comente. Mathias vera com seus próprios olhos.


-Talvez apenas queira ficar perto dela – acusou.


-Fato muito bem facilitado por você, que se recusa a me fazer companhia. – acusou num tom conciliador, apelando para seu ciúme.


-Verme – ela retrucou, afastando as lágrimas.


-Sou um verme que quer o seu bem e se recusa a vê-la deixar uma comemoração por causa de outras pessoas. Não vou permitir que se rebaixe diante de Lilá. Essa família é sua. Não dela.


Furiosa, se recusava a ouvir. Muito menos a olhar para ele.


-Hermione – sua voz era de comando – Jurou que iria se controlar. Não vá ser desobediente logo agora, vai?


-Desobediente? - a palavra a ofendeu imediatamente.


-Não distorça tudo que eu digo, Hermione! Quanto fica com raiva tem o péssimo habito de fazer isso! – notando sua expressão de raiva passar, a amparou, aproximou-se e ela se deixou apertar em seus braços, numa espécie de abraço de má vontade – Vamos, Hermione. Você é alma dessa comemoração. Todos estamos aqui, por que te amamos. Sem você, esses dois inconseqüentes nem teriam se conhecido! Acha justo deixar de prestigie a loucura que é esse casamento por causa da Lilá?


-Vai olhar para ela não vai? Sei que ela vai ficar olhando para você! – reclamou, empurrando-o.


-Prometo que não olho para ela. – garantiu, tentando não sorrir.


-Mentiroso – ela reclamou indecisa.


-Se prometer olhar para mim o tempo todo, não terei razões para olhar para outra pessoa. Para ser franco, não conseguiria tirar os olhos de você – galanteou.


Galanteios. Porque ele não os engolia?


Estava enorme.


Hermione não se via através dos olhos de Rony. Apesar de ter reclamado, ela prendera os cabelos num coque, e seu rosto estava límpido e bonito, com os olhos castanhos brilhantes, o narizinho arrebitado e provocador, os lábios rosados e úmidos. Estava graciosa como um botão de rosas.


Desajeitada, e gigante. Não negaria. Mas encantadora e delicada.


-Vai entrar ou não? – ele lutava para compreendê-la e não se irritar.


-Vou estar me dobrando a presença dela! – reclamou uma última vez antes de ceder.


-Não, não vai.  – assegurou.


-Odeio você por ter trazido essa mulher para a minha vida!  - esbravejou – Odeio!


Ele ouviu sem responder. Estava nervosa, e não bateria de frente agora, tão perto do parto. Em pouco mais de um mês, eles teriam o bebê, e então, ele poderia dar o troco por todas as desforras de Hermione!


-Vamos entrar. E chega de brigas.


E chega de brigas. Hipócrita.


Magoada, seguiu-o de volta para a casa de chás. Queria que a terra a engolisse. Ou melhor, que a terra engolisse Ronald e Lilá ao mesmo tempo. Assim se livrava deles dois de uma vez só!


Contrariada e revoltada, aproximou-se da mesa com a expressão azeda.


O conde e Elly conversavam baixo, enquanto o resto dos presentes não pareciam muito felizes. Gina e Harry olhava repressores para Lilá, e os noivos estavam muito ocupados em olhar o ambiente e falar da nova vida.


Juanita lutava contra o impulso de acabar com aquela comemoração. Destroçada, não tinha felicidade alguma naquela união. Nunca tivera uma filha mulher, e não queria ter agora. Muito menos uma menininha impertinente e espertinha como Anna.


Não conseguia olhar para aquela menina sem lembrar de si mesma naquela idade, cheia de sonhos. A pobre teria a realidade batendo em sua porta logo, logo. Amava o filho, mas já previa o momento em que o casamento seria demais para ele, e cairia no mundo,  como os homens costumavam fazer.


E caberia a ela cuidar da criatura e dos filhos que tiver na época.


Seu longo suspiro de resignação fez Suarez olhar para ela de um modo estranho. Se ela estava contrariada com aquele casamento, ele estava à beira de tirar o cinto e matar os dois.


Uma boca a mais. E em breve várias outras. Seu desgosto era tanto, que era visível. Desconsolada, olhou para a menina Anna e se perguntou se alguém daria por sua falta caso a afogasse no tanque.


Ela acabou sorrindo quando enxergou Hermione voltando acompanhada do marido. Era uma evolução interessante. O homem estava vivo para trazê-la de volta.


Era uma evolução e tanto! Suarez comentou algo parecido e ela sorriu para ele. Seu bom marido. Como deixá-lo?


O Conde levantou-se quando a viu, e lhe sorriu. Hermione não foi capaz de retribuir.


Lily olhava para ela incerta. Olhava para o tio. Olhava para Hermione novamente. Parecia prestes a tomar uma grande decisão. Para ela, falar em público já era uma grande decisão. Um grande desafio.


-Meu tio – ela disse em tom baixo, nervosa.


Hermione e Rony sentaram-se e Digory não prestou atenção nela, tentando atrair a atenção do conde para ele.


-Titio – ela puxou a manga de seu casaco, e ele continuou sem notá-la.


Lily parou e olhou para Hermione, como quem vai desistir.


-Titio – insistiu, e ele deu-lhe um empurrãozinho discreto para calá-la.


-O que foi, Lily? Não está passando bem? - Hermione perguntou bem alto, atraindo a atenção do juiz Digory.


Não podia ignorar a filha do conde, quando o mesmo colocava sua atenção sobre ela!


-Não, não estou – ela respondeu as faces completamente em chamas. - Talvez precise deitar um pouco... – as suas palavras pareciam ensaiadas.


-Posso acompanhá-la a casa dos Simons... – Harry pretendia levantar-se galante, quando Hermione negou.


-Nem pensar! Não pode fazer essa desfeita a Duran. Não é mesmo? – o menino jamais ousaria desmenti-la! – Meu irmão, porque não acompanha Lily até a casa do juiz Simons. Seria horrível se ela fosse sozinha e passasse mal na rua!


A expressão de Mathias dizia claramente que não aceitaria ser manipulado. Temendo que negasse ela completou:


-Gostaria de ter uma oportunidade de conversar com sua... Amiga. Para nos entendermos.


Mathias duvidava que as duas pudessem apenas conversar.


-Posso acompanhar as duas damas - ele foi politicamente correto – Lilá precisa voltar e ver a filha.


-Imagine se deixarei minha sobrinha ser vista ao lado dessa... – Digory parou antes de ofender alguém. Hermione quase sentiu pena de Lilá.


Quase.


-Como podemos ser amigas, se há tantos mal entendidos entre nós? – Lilá perguntou a Mathias com expressão falsamente ingênua. – Vá sem medo.


Concordando, ele levantou-se e acompanhou Lily. Hermione só esperava que ela abrisse a boca durante o caminho, ou ele a acharia que ela era muda!


Convenientemente, esquecia que até pouco tempo atrás, ela própria falava muito pouco e enlouquecia Rony com seus longos e significativos silêncios!


-Deveríamos estar comemorando o enlace dos meninos – Gina interrompeu o olhar penetrante que as duas trocavam. – Hermione, não se rebaixe a ser provocada por essa mulher! – indignou-se.


-Não estou me rebaixando. Só quero entender o que espera do meu irmão!


-Não estou mais na vida de cortesã. Quero um marido que cuide da minha filha – ela disse com um fundo de verdade dos olhos. – quero ir embora daqui e voltar a Londres, se o preço de viver comodamente é ser uma boa mulher, é o eu serei. Seu irmão... É uma boa pessoa e me fez querer pensar em uma família. Se não posso ter riqueza – ela olhou para Harry e as roupas bonitas e as jóias de Gina – agora com uma filha estou marcada. E não terei mais tantos clientes. E não posso ter o amor de verdade – cobiçou Rony – Ao menos terei uma vida digna e cômoda.


-E espera que eu ache isso próprio para o meu irmão?


-Espero que não se meta na nossa vida – Lilá respondeu petulante.


-Esperava o mesmo de uma vadia. Mas mesmo assim, se meteu na minha vida, se eu puder, saiba que afasto vocês dois.


-Uma atitude digna de uma dama – Lilá ridicularizou.


-Exatamente. Uma atitude digna de uma dama – ela respondeu no mesmo tom.


-Não é uma dama. E nunca será! Olhe sua pele. Quer compará-la a minha pele de pêssego? Seus cabelos... Deus, são um ninho de rato. E nunca em minha vida, vi uma mulher tão gorda e grande!


Hermione ficou calada. Se o seu pai ou marido não a defendesse, ela com certeza pediria o divórcio, mesmo que legalmente ele não existisse, e nunca mais olharia para seu pai novamente!


-Que coisa horrível de dizer – Anna disse antes que os outros – A Sra. Hermione é um doce. Cuidou de mim, quando estava quase perdida na vida.  É uma dama tão bonita e bondosa. Quanta crueldade falar isso para ela quando está tão perto de ter um filho.


Anna tinha um jeito manso de falar. Mas seu tom dizia mais que tudo. Um tom de quem sofre por ouvir aquelas ofensas. Não tanto quanto Hermione, que não respondeu nada, tentando achar as palavras.


Nos últimos tempos a emoção sempre a calava.


-Deve saber Lilá, que uma verdadeira dama, jamais conta uma mentira – Rony disse calmamente.


Lilá corou. Seus olhos demoraram sobre Rony. Hermione quis jogar a xícara de chá sobre ela. Tão bonita... Tão magra.


-Deveria ter feito um bolo e comemorado esse casamento em casa – Juanita opinou bem feliz em ver que não era ela apenas a infeliz ali.


-Mas hoje é um dia de festa, mãe – o menino se atreveu.


-Para você. Apenas para vocês dois. – ela respondeu azeda.


Hermione sorriu. Acabou rindo.


-Não seja má, Juanita.  – pediu, tentando ignorar a dor em seu coração.


-Estou sendo realista.


-E se eles forem mais felizes do que nós? – ela perguntou amargurada.


-Impossível – foi Rony quem respondeu atraindo sua atenção – impossível alguém ser mais feliz do que eu.


Hermione se calou. Sentiu-se como quando o conheceu, ouvindo esse tipo de coisa e não sabendo como responder.


Não percebeu que Lilá olhou para outro lado, os olhos umedecidos.


-Porque não embalamos os doces e continuamos na casa dos meus pais? – Gina sugeriu, suspirando diante daquela situação lamentável – Uma comemoração íntima. Sem tanta gente.


O conde foi o primeiro a concordar. Queria conversar com a filha em particular. Juanita estava louca para ir embora, e lamber suas feridas longe deles. Se não fosse o braço de Suarez em suas costas, ela já teria desabando ao ver o filho casando tão cedo.


Menina dos infernos. Tentara seu filho. Tentação do demônio! Anna não conseguia olhar para ela, parecendo ler seus pensamentos.


-Sim, é o melhor – Rony quase morreu de alívio.


-“Particular” não inclui antigas amantes – ela disse ácida.


-Antigas? – Lilá perguntou, sorrindo vitoriosa, embora por dentro estivesse destroçada.


-Sr. Digory, Sr. Loren, nos façam companhia – Hermione pediu polidamente, esperando que ela entendesse que a lei estava totalmente do lado deles.


-Infelizmente, preciso ver minha sobrinha – o juiz disse desconfortável por alguma razão.


-Ele tem razão, precisa ver a sobrinha – o conde concordou, apressando-se a levantar e afastar a filha de Rony. Protegia-a contra qualquer maldade que a pudesse ferie a magoar ainda mais.


Ela não ouviu as conversas que se seguiram. Pousou a cabeça no ombro do pai e sentiu um afago no ombro. Elly lhe dava apoio e ela sorriu.


-Está tudo bem, filha? - ele perguntou baixinho.


Não. Estou feia, e Rony tem que preferir olhar para outras mulheres. Nada está bem!


-Às vezes sou tão infeliz, papai...


 


 


 


 


 


AUTORA: Nossa, achei tempo para um comentário profundo. Quero analisar a relação da Hermione com o Rony. A Hermione do começo da fic não era a Hermione verdadeira.


A menina espontânea e alegre, inteligente e mordaz, corajosa e revolucionária, havia se escondido por trás do medo e da dor. Com o passar dos capítulos, ela foi se agarrando a confiança que amor lhe trouxe.


Quando se descobriu grávida, foi obrigada a aceitar que o amor está em nossa vida como uma benção e não como uma razão de dor. Mas é uma aceitação lenta e demorada.


Encontrar o pai, e saber que tanto desamor do passado havia sido causado por sentimentos de vingança, a aliviaram do peso de achar que todas as pessoas são assim. Ela tem um pai que ama.


Quanto a Rony, ele esteve presente desde os piores momentos. A evolução entre eles ocorreu de modo gradativo. Ela sabe o que quer e sabe o que ele espera dela.


Então, fica mais fácil com o tempo ir se abrindo ao amor. As palavras escapam, os carinhos são quase involuntários...


Mas ainda há dentro dela um vestígio de medo irracional. Medo da solidão e do sofrimento. Por isso, ela ainda reluta em aceitá-lo.


Agora, livre de tanto sofrimento ela começa a ter probleminhas típicos de qualquer mulher. Vaidade abalada, ciúmes, ataques de infantilidade ou carinho excessivo. Coisas de mulher jovem, apaixonada e grávida pela primeira vez!


Era isso que eu esperava passar durante a história.


E sim, estamos indo para o final. Nunca consigo precisar o tempo exato, mas acho que acaba na primeira semana de Maio.


E por favor, não fiquem tristes. Outras histórias virão!


Quero que comemorem o fim, e apreciem o que vou aprontar para a Hermione!


Hehehe!


Comecem a se preparar, a guria vai sofrer horrores.


Hehehe...


 


Beijos!


 


 


Sorry, o feb não abria de jeito nenhum aqui e só funcionou agora!


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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