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13. Flutuando


Fic: In Aeternum


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Capítulo 13- Flutuando


- Hermione Granger-


Hermione observou todo seu material da escola, sentindo um estranho frio na barriga. Em alguns dias estaria em Hogwarts e a euforia de saber que terminaria a escola havia sido substituída por todas as incertezas possíveis relacionadas a Rony.


Haviam passado tantos anos juntos, mas ao mesmo tempo distantes, convivendo dia após dia na sala comunal, assistindo as mesmas aulas...era quase irônico que agora, que sabiam o que sentiam um pelo outro, seriam separados pelo que primeiramente, havia os unido.


Desde que chegara a Toca e tivera a conversa mais sincera que havia tido com Rony, sobre o futuro dos dois, Hermione estava sentindo na pele o que era ser a namorada de um Weasley. O modo quase rigoroso com que tratavam o namoro de Harry e Gina estava sendo passado para eles. Sabia que os Weasley´s gostavam de manter algumas regras: ela continuava dormindo no quarto de Gina, por mais que a vontade fosse poder passar as noites ao lado de Rony. Pelo menos, eles podiam ficar juntos durante todo o tempo, até que algum dos moradores da casa aparatasse para o quarto, ou chamasse porque o jantar estava pronto.


Hermione desviou o olhar de suas coisas e mirou seu reflexo no espelho, passando a mão pelos cabelos para que ficassem mais ajeitados. Sentiu uma sensação incômoda na barriga. Sabia que Rony estava sozinho no seu quarto naquele momento. Lembranças dos dias que haviam passado junto com seus pais, na sua antiga casa, tomaram Hermione e ela não pôde conter um sorriso sincero.


Não queria ser como aquela garota superficial, não queria que Rony pensasse mal dela. Mas o fato de estarem na mesma casa e passarem tanto tempo na companhia um do outro, só aumentava mais a necessidade de ficarem próximos.


Hermione desistiu de ficar filosofando de frente para o espelho e decidindo que suas coisas já estavam corretamente organizadas para sua volta à escola, fez o caminho até o quarto de Rony.


Uma bagunça geral tomava o quarto do ruivo, que já era pequeno, mas devido a posição de roupas, livros, capas e malas parecia ter diminuído consideravelmente.


- Rony?


Ela se surpreendeu que ele pudesse estar no meio daquela bagunça toda.


- Mione?- o garoto levantou de onde estava para olhá-la.


- Você está precisando de ajuda?


Ele não respondeu. Hermione não sabia se ria ou se dava um sermão no garoto. Com alguns curtos acenos de varinha ela começou a colocar tudo no lugar: roupas para dentro de malas, livros para uma mala separada e deixou as roupas de cama para Rony ajeitar, querendo pelo menos que ele aprendesse uma lição com tudo aquilo.


- Obrigado.- o garoto riu sem graça para ela.


Hermione sorriu para ele e caminhou até a sua cama, sentando-se na beirada enquanto encarava os olhos azuis de Rony.


- Tudo isso vai caber no apartamento do seu irmão?- ela percorreu os olhos para a bagagem de Rony.- Quero dizer, você não precisa levar tudo o que tem.


- Eu não vou levar tudo isso.- Rony já estava com as orelhas vermelhas quando se virou de costas para ela, e posicionou tudo que havia sido arrumado no canto do quarto.- O apartamento não é tão grande assim...só estou deixando minhas coisas separadas...


Foi a vez de Hermione corar. Pela primeira vez Rony estava realmente pensando no futuro. O estômago dela deu uma cambalhota que misturou ansiedade e medo.


Hermione não conseguiu observar Rony ajeitar as coisas, sentia que devia fazer algo. Começou a dobrar algumas cobertas que estavam nos pés da cama de Rony, depois empilhou os travesseiros e colocou ao lado da colcha favorita de Rony, dos Chudley Cannons.


Era estranho observar aquele garoto alto, que alguns anos atrás parecia tão desengonçado, ali na sua frente, tentando organizar tudo da melhor maneira, pensando provavelmente em quando Hermione voltaria de Hogwarts, e nos planos que ele pretendia para os dois.


Hermione levantou e começou a caminhar em direção a Rony. Ela agradeceu que ele estivesse de costas para ela, assim ela pôde observá-lo sem constrangimentos. Observou a movimentação de seus braços, que ainda apresentavam resquícios do quadribol, depois observou a luminosidade chegar aos seus cabelos ruivos. O jeito de Rony era o que mais fazia ela ter certeza de não estava errada em o achar atraente, tudo que ele fazia era de um jeito próprio. Talvez ela o conhecesse há tanto tempo que o amor que sentia por ele mascarava os defeitos. Talvez o nível de intimidade que haviam reunido, fazia ela sentir aquela necessidade física de se aproximar.


Enquanto erguia a mão direita e colocava sobre o ombro de Rony, uma pergunta inquietante gritava em sua mente: como eles conseguiam conter tudo aquilo que havia entre os dois? O que havia acontecido na sua casa, no seu quarto, só havia mostrado para ela como era sincero o sentimento de Rony: o respeito e a paciência do garoto com ela, a calma que ele havia transparecido para ela, mesmo ela sabendo que ele era tão inexperiente como ela própria. Gostava de pensar assim. Sabendo que os dois estavam trilhando aquele caminho juntos, estavam conhecendo todos aqueles sentimentos juntos.


Sentiu algo diferente. Um arrepio estranho perpassou seu corpo, uma ansiedade quase violenta fez seu corpo tremer levemente. Não era justo que ela e Rony estivessem convivendo na mesma casa e não pudessem ter um minuto como aquele a sós.


Rony finalmente parou o que estava fazendo e se virou para ela, retirando a mão de Hermione do seu ombro e segurando entre as suas.


- Acho que assim está bom. Só não queria deixar muito desorganizado.


Ele corou, Hermione sabia que o fato de ele estar deixando tudo em ordem era em parte, culpa dela.


- Onde o Harry foi?


Rony franziu a sobrancelha, pareceu intrigado.


- Ele e Gina decidiram treinar quadribol. Eu ia convidar você, pensei que poderíamos ir depois se...


Ele parou, vendo que o olhar de Hermione estava muito parado nele mesmo. Os olhos dela não estavam no seu rosto naquele momento, ela parecia observar a maneira como o peito do garoto subia e descia com a respiração.


Hermione tentava justificar todas aquelas sensações no seu corpo, mas talvez a mágica do momento fosse não haver explicações racionais. Seu corpo reagia a presença do ruivo, eles ali, sozinhos, servia para provar para ela como era necessário ter autocontrole. Algo que ela não havia tido no dia que havia tomado coragem de beijá-lo pela primeira vez, ou quando havia deixado o relacionamento deles tomar o próximo passo.


Ela olhou para Rony sorrindo. O garoto não estava entendendo nada, provavelmente. Ela não se importou. Ficou na ponta dos pés e com um movimento rápido colou seus lábios sem deixar espaço para reação nenhuma por parte do ruivo.


- Ronald Weasley-


Ainda surpreso com aquele beijo sem explicação de Hermione, Rony tentava fazer seu cérebro analisar a situação. Na verdade, a última coisa que ele queria naquele momento era pensar. Não queria raciocinar, queria ser levado pelos instintos. Fazia muito tempo que ele e Hermione haviam tido a oportunidade de ficarem assim, apenas os dois.


Rony tentou se lembrar o que havia o feito tomar a iniciativa, aquele dia na casa de Hermione. Lembrou com um peso na consciência do vinho que havia tomado. Não havia bebida alcoólica naquele momento e, mesmo assim, ele sentia que não deveria parar.


Acompanhou os movimentos de Hermione, respondendo o beijo à altura. Aquilo o lembrou muito o primeiro beijo que haviam trocado, a maneira como Hermione havia se jogado em seus braços, a surpresa que havia sido se dar conta de que tinham finalmente admitido o que sentiam. Será que Hermione tinha consciência do que o fazia sentir?


Rony afastou o rosto brevemente, Hermione tentou se aproximar novamente dele.


- Mione...- a voz de Rony era quase um sussurro.


A garota olhou assustada para ele, talvez se perguntando porque ele havia parado.


Ela soltou-se dos braços dele, passando a mão pelos cabelos, incrivelmente vermelha. Rony sabia que ela estava ansiosa: estava evitando olhá-lo nos olhos.


- D-desculpa...não quero atrapalhar você...- a garota sussurrou, sem o olhar nos olhos.


Ele já havia acabado de organizar tudo e mesmo que não tivesse chego ao fim, aquele beijo de Hermione havia varrido para muito longe sua concentração em qualquer outra coisa que não fosse ela.


Rony tirou a varinha do bolso e com um gesto quase brusco fechou a porta do quarto com um estrondo. Hermione parecia ter dado um pulo de susto quando mirou a porta fechada. No instante seguinte, ela encarou o ruivo, um sorriso tímido nos lábios.


Rony não saberia responder para onde estava jogando sua varinha, só sabia que precisava dos dois braços livres para puxar Hermione para si. Uma mão na cintura da garota e a outra na sua nuca, ele inclinou-se em direção a ela e a beijou, tentando manter a calma e o controle, mesmo sabendo que seria impossível.


Hermione parecia satisfeita com o resultado que obterá beijando Rony primeiramente, já havia lançado os dois braços ao redor de seu pescoço, suas mãos procurando a nuca de Rony, seus dedos se perdendo em seu cabelo ruivo.


Rony não conseguia controlar seu corpo, o gosto de Hermione em sua boca servia como um apelo, era um grito silencioso de seu próprio corpo reagindo a presença dela. Ergueu a garota do chão em um movimento rápido, sentindo o aperto em seu pescoço aumentar. Hermione não esperou por uma maior segurança, passou as duas pernas ao redor do corpo de Rony, intensificando o abraço, auxiliando na distribuição de seu peso, para que Rony não precisasse largá-la logo.


Rony moveu-se com apenas alguns passos, procurando um apoio. O beijo não era quebrado nem por ele nem por Hermione. Sentiu que as costas de Hermione haviam encontrado a parede, diminuiu um pouco a força com que a segurava e sentiu, como resposta, um aperto quase forte nas laterais de seu corpo, feito pelas pernas de Hermione.


Desistindo da idéia de permanecer ali, Rony inclinou seu corpo dando apoio novamente para Hermione. Impedindo que ela saísse de sua posição, ele deu passos largos em direção a sua cama. Hermione enroscara as mãos em seu cabelo e puxava o corpo do ruivo com as pernas, não deixando que ele se afastasse nem um milímetro.


Ele se deitou sobre ela, quase se sentindo obediente por não afastar seu corpos. Aproveitando as mãos agora livres, ele começou a trilhar um caminho pelo corpo de Hermione, diferente do que havia feito das outras vezes, querendo provocá-la como se pudesse se vingar, por ela conseguir o alterar tanto. Sua mão viajou da coxa da garota para sua barriga, apalpou fortemente as laterais de seu corpo, Hermione deixara escapar um ruído contido dos lábios.


Não era mais possível saber quem era quem, estavam tão unidos e tão próximos. As mãos de Hermione também estavam no corpo de Rony agora e ele sorriu, enquanto afastava seus lábios, gostando da maneira com que Hermione lidava com a situação.


Como podia ter aguentado todo aquele tempo?


Os lábios de Rony percorriam todo o pescoço de Hermione, enquanto ele sentia, satisfeito, o corpo da garota reagindo ao contato próximo dele. As mãos de Rony não paravam sua viagem, Hermione é que parecia mais quieta agora, aparentemente tentando controlar sua respiração, enquanto levava suas duas mãos para a nuca de Rony, em um gesto que ele entendeu perfeitamente bem.


Rony pressionou o corpo fortemente contra o dela, enquanto mordia muito de leve a pele exposta do pescoço da garota. O corpo de Hermione parecia ter sido colado ao seu, ela puxou o rosto do ruivo de um jeito quase violento, colando seus lábios em resposta à maneira como ele conseguia alterá-la e com um movimento rápido, antes que Rony percebesse, ela estava em cima dele agora.


Então, era Hermione que tinha o controle da situação. Foi a vez dela usar o peso de seu próprio corpo para poder observar o descontrole de Rony, eram as mãos dela que tinham liberdade de explorar o corpo do ruivo.


Por mais surpreso que estivesse com o modo como Hermione estava reagindo, Rony não se sentia tentado a parar. Sentiu, com certo sobressalto, a mão de Hermione por debaixo da camiseta que vestia, os dedos pequenos da garota trilharam um caminho que o testaria mais do que qualquer coisa: percorreram seu peito, pararam em sua barriga e brincaram receosos, abaixo de seu umbigo.


Rony sentiu um som, quase como um rosnar que saiu de dentro de seu peito, escapando de sua boca. Jogou sua cabeça para trás, tentando alcançar as mãos de Hermione, que pareciam determinadas a testá-lo. Ele puxou a garota, violentamente, para que voltasse a beijá-lo e a virou de lado, tentando colocar seu peso novamente sobre ela.


As pernas de Hermione enroscadas em seu corpo impediam que Rony voltasse a dominar a cena. As mãos ansiosas da garota, agora o puxavam para muito perto, enquanto ela movia o quadril em direção a ele. Ele sabia que ela deveria estar rindo internamente com o que estava causando.


Deduziu que não deveria temer ser parado por ela, deixou sua mão passear livremente pela coxa da garota, apertando levemente a sua pele. Deslizou a mão por debaixo da roupa de Hermione, encontrando segurança para poder tirar as peças que ela estava vestindo. Hermione não pareceu, em nenhum momento, tentada a pará-lo. Pelo contrário: respondeu da mesma maneira, tirando o que Rony estava vestindo.


O contado de pele com pele causou a mesma reação de ambos, com a mesma intensidade. Sabiam que a primeira vez em que haviam estado assim havia sido especial. Mas sabiam que a segunda poderia ser muito melhor: sem todo constrangimento, medos e insegurança.


Hermione estava tão segura, Rony não tinha porque sentir receio de nada. Gostava de pensar que todas aquelas atitudes de Hermione, naquele momento, eram reflexo do que ele havia a feito sentir naquela primeira vez.


Sem parar de beijá-la, Rony deixou suas mãos se perderem em seus cabelos, que agora emanavam um perfume mais marcante ainda e com a certeza de que ela queria o mesmo que ele, ele rolou seu corpo por sobre o dela. As duas mãos, agora experientes do ruivo, puxaram o corpo de Hermione, impedindo qualquer afastamento, acabando com qualquer distância que ainda pudesse haver.


- Flashback-


- Hermione Granger-


Não queria realmente olhar aquela carta de Vítor Krum. Sabia que o garoto provavelmente estava esperando uma resposta, já que ela havia recebido antes de sair de casa.


Ela suspirou, olhando para o envelope. Gina estava deitada em sua cama, os olhos no teto, aparentemente sem perceber qualquer coisa que acontecesse ao seu redor.


Hermione abriu a carta, rasgando um pedaço. Seus olhos percorreram rapidamente o papel, feliz de que pelo menos não precisaria decifrar o que o garoto havia escrito: ele provavelmente havia feito isso com um dicionário de inglês do lado. Seu nome estava escrito corretamente também, obviamente, considerando que ela mesma escrevera para ele, juntamente com seu endereço:aparentemente era mais fácil reproduzir a escrita do que a pronúncia.


Quando percebeu que aquela lembrança traria Rony aos seus pensamentos novamente, Hermione tratou de se levantar e achar algum pergaminho para que pudesse responder. Odiando-se por não dar o valor merecido a correspondência de Krum, ela respondeu ao que era perguntado e antes do que havia previsto, a carta já estava devidamente endereçada e no instante seguinte, já havia sumido da casa, buscando seu destino. Assim como também fugiu dos pensamentos de Hermione, que tinha coisas muito mais importantes para se preocupar.


Porém, o tempo foi passando e quanto mais os dias se arrastavam mais Hermione tinha certeza de que sua história com Rony não iria para frente. O garoto mal a encarou nos dias que se seguiram, e ela não pôde culpá-lo: depois de ter escutado aquelas palavras de Fred e Jorge, ela mesma sentia-se sem graça de puxar conversa com o ruivo.


Quando eram forçados a permanecerem no mesmo lugar, Hermione tentava tornar a convivência o mais agradável possível.


- Pelo jeito Roniquinho não está querendo terminar com a louça!- a voz de Fred ecoou na cozinha e no instante seguinte, Hermione olhou para Rony, querendo saber que reação teria.


Sirius havia erguido os olhos do Profeta Diário que tinha em mãos e sorria para os garotos. Aparentemente, até mesmo discussões pequenas como aquela faziam ele se lembrar de que pelo menos tinha companhia naquela casa sombria.


- Eu já acabei de lavar! Não vou secar tudo isso também! Vocês poderiam ao menos me ajudar, considerando que em apenas alguns segundos teriam terminado se...- mas Rony jamais terminou o que estava falando.


- Nada disso, Rony! Você precisa aprender do modo dos trouxas também, não é? Ou como você acha que vai se virar no mundo deles?- Jorge cutucou Fred ao terminar a provocação e ambos deram risadinhas.


Hermione voltou a arrumação das prateleiras, vendo que não deveria realmente forçar o contato com Rony. Os gêmeos estavam ali o tempo inteiro para lhe incomodar, ela não queria que o garoto apenas se sentisse pior.


Mais tarde no seu quarto, quando estava prestes a descer para o jantar, Rony apareceu na porta.


- Acabei de responder à Harry...- apenas aquela frase fez Hermione ter certeza de que poderia conversar com calma.


- E então...? Como você acha que ele está lidando com tudo?


Rony moveu-se lentamente e se sentou na cama dela, passando a mão pelos olhos, parecia estar com muito sono. Ou talvez fosse apenas falta de sono: Hermione não saberia dizer.


- Ele deve estar uma fera com a gente...- Rony abaixou os olhos.


- Talvez...mas você não estaria? Todo esse tempo recebendo apenas notícias vagas? Preso no mundo dos trouxas...?


Rony deu de ombros.


- Não posso julgá-lo...mas Dumbledore nos fez jurar...


- Eu sei, Rony...- Hermione sentou-se ao lado dele.- Mas não sei se essa é a melhor maneira de lidar com a situação...continuo dizendo que ele ainda vai fazer alguma besteira...


Rony virou o rosto bruscamente para ela.


- Por que você continua afirmando isso?- mas a voz dele não parecia nervosa.


- Ah, Rony! Vai completar um mês que estamos aqui! Um mês!- ela desviou o olhar.- Pode ter passado rápido para nós...mas para o Harry...


Ele pareceu ponderar o que ela havia falado. Não parecia realmente preocupado com o que Harry fosse fazer. Talvez só estivesse tentando forçar uma conversa entre eles. Parecia mais alegre de ver que poderiam conversar sem maiores constrangimentos.


- É, Mione...acho que você tem razão...-ele se levantou e virou o corpo para encarar a garota.- Vamos descer?


Ela apenas fez sinal afirmativo com a cabeça e o acompanhou. Desceram a escada em silêncio, mas Hermione era tomada por um sentimento de calmaria, pela primeira vez em dias. Depois de todo aquele escândalo dos gêmeos, no dia do chocolate quente, que havia deixado Rony extremamente sem graça, era bom saber que poderiam voltar a ter o que já haviam construído até então.


(...)


- Ronald Weasley-


- Ele chega hoje, não é?- a voz ansiosa de Hermione alcançou seus ouvidos, vinda da janela do quarto.


- Pelo que sei, Hermione...mas não temos muita certeza, não é? Você sabe como andam as coisas...


Rony não gostou de observar a marcha nervosa da amiga, que caminhava de um lado a outro do quarto. Não gostava de observar toda aquela empolgação no rosto da amiga, apenas porque logo Harry estaria com eles. Claro que ele ficava feliz de ver o amigo também, mas a pergunta que não lhe deixava em paz era: será que Hermione ficava naquele estado quando sabia que iria vê-lo? Ele, Rony? O amigo nada famoso de Harry Potter?


- Sua mãe falou disso o dia inteiro...só pode ser hoje...


- Eu sei...mas isso depende dos aurores, não é?- Rony falou emburrado, observando Hermione sentar-se ao lado dele na cama.


- Mas eles não apareceram por aqui hoje!- a voz dela era quase esganiçada.


Sem perceber, Rony já havia levantado da cama e caminhado em direção a porta. Não sabia onde iria, não queria realmente sair do quarto. Pensamentos nada agradáveis o tomaram: havia sido humilhado pelos seus próprios irmãos, Hermione havia escutado eles falaram que Rony era lerdo, que não tomava nenhuma atitude. Depois, havia o fato de Hermione provavelmente saber àquela altura que ele havia levado o chocolate quente, aquela noite, até o quarto dela, apenas para forçar uma conversa, para que pudesse se entender. Somado a tudo isso, haviam os episódios do seu quarto ano que ele nem gostava de lembrar. Tudo havia ficado tão claro e de repente havia estagnado, dando a impressão para Rony de que nada mudaria. Sentia-se um idiota. Um idiota que estava começando a admitir para si mesmo que o que sentia pela melhor amiga não iria embora.


Rony observou Pichitinho voar alegremente pelo quarto, parecia querer dizer alguma coisa. Ele bufou irritado, a ave conseguia tirá-lo do sério, mais do que ele já estava. Hermione olhou para Rony naquele momento, parecia querer entender o que ele estava sentindo.


Rony tentou desviar o olhar, mas a garota parecia ter desenvolvido uma técnica ao longo daqueles anos, parecia que estava enxergando através dele.


A porta se abriu e Hermione instintivamente pulou, os dois perderam aquele contato visual que instantes antes estava lhes dizendo tantas coisas. Rony já estava se virando para ver quem havia novamente interrompido algo que poderia ser muito mais do que uma simples conversa (se ele não fosse tão cabeça-dura e deixasse as coisas claras para Hermione), um gritinho histérico se seguiu a um barulho estrondoso de passos. A garota passou por ele como um borrão.


Quando Rony se virou, Hermione estava abraçada com uma pessoa muito sem graça, que parecia ser Harry. Seu estômago deu uma leve despencada: ele nunca era recepcionado daquela maneira empolgada. Pichitinho voava ao redor deles, Rony pensava seriamente em arrancar a cabeça da ave.


- HARRY! Rony, ele está aqui, Harry está aqui!- Hermione quase gritava.


Rony estava feliz de ver o amigo, de saber que a partir daquele momento ele teria companhia. Mas sua mente, como sempre em outra sintonia, formulava diversas hipóteses do porque Hermione sempre agir diferente em relação a ele. Se ela correspondesse aos seus sentimentos, certamente não se importaria de demonstrar tudo aquilo? Ou se importaria?


Talvez ele tivesse magoado a garota a tal ponto de que a exacerbação de tudo aquilo que havia entre eles deveria partir dele. Única e exclusivamente dele.


(...)


Talvez com a chegada de Harry as coisas fossem melhorar. Como sempre, Rony estava enganado ao pensar aquilo.


- Quem é Monstro?- Harry parecia sinceramente curioso.


- O elfo doméstico que mora aqui- Rony respondeu- Doido de pedra. Nunca conheci nenhum igual.


Hermione franzia a testa para ele.


- Ele não é doido de pedra, Rony.


Oh, não. Rony pensou. Lá vamos nós de novo.


- A ambição da vida dele é ter a cabeça cortada e montada em uma placa como fizeram com a mãe dele- ela já estava conseguindo irritá-lo- Isso é normal, Mione?


Não aguentava quando a garota começava com aquela história de apoio aos elfos.


- Bem...bem, ele não tem culpa de ser um pouquinho esquisito.


Rony girou os olhos e olhou para Harry


- Hermione ainda não desistiu do fale...- ele tentou falar baixo, sabia que a amiga era sensível em relação àquele assunto. Como ela podia perder tempo com algo tão inútil?


- Não é FALE! É fundo de apoio a liberação dos elfos. Eu não sou a única, Dumbledore também diz que devemos tratar bem Monstro.


Conseguira tirar a garota do sério, como sempre. Talvez fosse um dom. Um dom que ele não havia encontrado nenhuma utilidade realmente. Ainda.


- Sei, sei. Vamos estou morto de fome.- foi a coisa mais inteligente que pensou em dizer.


Era melhor finalizar o assunto, antes que Hermione perdesse a razão e obrigasse os garotos a fazer os trabalhos que eram designados ao Monstro.


(...)


Alguém havia feito uma piada. Só podia ser isso: uma piada!


Rony olhava atordoado para sua própria carta: lá dizia claramente, havia sido nomeado monitor.


Estava parcialmente consciente de que Fred, Jorge e Harry estavam conversando, em algum lugar naquele quarto. Não conseguia falar, não conseguia se mover. Alguém logo iria apontar para ele e dizer que haviam endereçado a carta a pessoa errada. Ou será que...


A imagem de Dumbledore conversando com ele e Hermione no dia que haviam chego à Ordem tomou sua mente. Não era tão impossível assim que ele tivesse sido nomeado monitor! Se isso era decidido apenas por McGonagall ou se Dumbledore interferia nas decisões, ele não sabia.


- Que há com você, Rony?- Fred falou, sem usar o tom usual de ironia.


Rony tinha a boca meio aberta, ainda olhando a carta para saber se estava endereçada certo.


- Qual é o problema?- Fred parecia impaciente quando espiou o pergaminho por cima do ombro do irmão. A boca dele se escancarou.- Monitor? Monitor?


Ele falava quase como se fosse ofensivo alguém mais da família virar monitor.


Jorge pulou e puxou a carta da mão de Rony, virando-a de cabeça para baixo. Um distintivo vermelho e dourado caiu em sua mão. Rony sentiu uma euforia estranha se apoderar dele.


- Nem pensar- Jorge falou em tom de desprezo.


- Houve um engano- Fred agora erguia a carta contra a luz- Ninguém com juízo perfeito nomearia Rony monitor.


Os gêmeos olharam para Harry. Rony acompanhou o olhar.A cena estava começando a lhe dar náuseas.


- Achamos que só podia ser você- Fred falou para Harry.


- Achamos que Dumbledore teria de escolher você- Jorge estava indignado. O estômago de Rony dava cambalhotas incômodas.


As vozes dos gêmeos começaram a se misturar e Rony não queria mais saber quem falava o que.


- Depois de vencer o torneio tribruxo e tudo o mais...


- Suponho que toda essa historia de loucura deve ter contado pontos contra ele...


- É...é você criou muita confusão, cara. Bem, pelo menos um de vocês entendeu as prioridades deles corretamente.


- Monitor...Roniquinho, o monitor.


- Ah, mamãe vai dar náuseas- Jorge atirava o distintivo de volta para Rony.


Rony segurou aquilo como se fosse uma bomba prestes a explodir. Olhou, e com todo cuidado estendeu a Harry, implorando com um olhar por uma confirmação.


Mal ele largara o distintivo, a porta se abriu com um estrondo. Rony viu Hermione ali, ficou paralisado sem entender bem o porque. A garota correu até eles, as bochechas vermelhas. Trazia o mesmo envelope que eles haviam recebido na mão.


- Você, você recebeu?


Rony tentava racionar. Ao ver a garota correndo, intimamente imaginara que receberia um abraço, como aquele que Harry havia ganhado no momento que chegara à sede da Ordem.


Hermione olhava para a mão de Harry agora, um grito ensurdecedor fez Rony ter certeza que aquela cena não iria terminar bem. Sentia sua raiva começar a borbulhar.


- Eu sabia!- ela brandia a carta- Eu também, Harry, eu também!


- Não- Harry falara rápido, devolvendo o distintivo a Rony- Foi o Rony e não eu.


Nada do que o amigo dissesse apagaria da memória de Rony os gritos de Hermione, empolgada achando que Harry também seria monitor. Rony não queria pensar naquele distintivo que tinha em sua mão, sua vontade era de jogá-lo longe.


- E... o que?- Hermione parecia não entender. A raiva de Rony só aumentava. Ela parecia realmente acreditar que Harry havia sido o escolhido. Mas fora ele, Rony, pela primeira vez havia sido o escolhido para algo!


- Rony é o monitor e não eu.- Harry continuava a falar, Rony sentia o corpo inteiro anestesiado.


- Rony?- Hermione tinha o queixo caído- Mas...você tem certeza? Quero dizer...


Rony se virou tão rapidamente para olhá-la que sentiu seu pescoço estralar. A garota estava muito vermelha quando encarou seus olhos de volta. Ele lhe lançou uma expressão de desafio.


- É o meu nome que está na carta.- usou o tom mais frio que pôde. Como ela podia agir daquele jeito? Não era impossível que alguém o escolhesse para variar, ou era? Isso queria dizer que ela pensava, como todos os outros, que Rony perto de Harry simplesmente não existia?


- Eu...eu...bem...uau! Parabéns, rony! É realmente...


- Inesperado- Jorge tentou ajudar a garota.


Rony não desviava o olhar. Hermione ficava cada vez mais vermelha, aquilo estava começando a acalmá-lo. Queria que ela ficasse constrangida. Queria que ela lembrasse de tudo que já havia acontecido.


Se ela achava que Harry era tão superior, por que não fora chorar para ele as mágoas do Baile de Inverno do período letivo anterior? Por que fizera questão de lhe jogar na cara todas aquelas verdades? Por que havia deixado tudo tão claro, dado tanto a entender? Para depois vir com a cara lavada e lhe cuspir na cara que Harry era muito melhor que ele? Que ela nunca havia enxergado o amigo sardento e ruivo do menino que sobreviveu?


- Não- Hermione tinha os olhos levemente úmidos, tamanha era a vergonha que sentia. Olhava nervosa para Rony, querendo que ele entendesse seu pedido de desculpas.- Não, não é que...Rony fez montes de...ele realmente...


Ele não queria escutar. Parecia que algo havia quebrado. Ele não sabia explicar exatamente o que estava sentindo.


A porta se abriu um pouco mais e a Sra. Weasley entrou de marcha a ré trazendo uma pilha de vestes recém-lavadas.


- Gina me disse que as listas de material afinal chegaram...- ela falou sem olhar para eles.


Rony queria que o mundo parasse para que ele pudesse descer. Iria começar tudo de novo. Será que sua mãe, pelo menos, iria acreditar que ele havia sido escolhido?


(...)


-Então, vamos arranjar uma cabine?- convidou Harry.


Rony e Hermione se entreolharam.


- Hum- falou Rony


-Nós...bem...Rony e eu temos de ir para o carro dos monitores- Hermione continuou, extremamente sem jeito.


Rony não olhava para Harry, tentava concentrar sua atenção nas unhas da mão esquerda. Estava se sentindo um completo idiota, pensando na amizade deles como uma espécie de rivalidade. Harry já estava passando por um momento difícil, toda aquela revolta e aqueles sentimentos estranhos estavam tomando o amigo.


- Ah- Harry falou, baixinho.- Certo. Ótimo.


- Acho que não temos de ficar lá a viagem inteira. Nossas cartas dizem que vamos receber instruções dos monitores –chefes e depois patrulhar os corredores de tempos em tempos.


- Ótimo. Bom, eu...eu talvez veja vocês mais tarde, então.


- É, com certeza- Rony olhou ansioso para o amigo.- É chato ter de ir para lá, eu preferia...mas temos de ir...quero dizer, não estou me divertindo, não sou o Percy.


- Sei que você não é- Harry riu. Rony foi tomado por uma sensação maior de culpa. Tinha sentido raiva do amigo em alguns momentos e lá estava ele, sempre disposto a esboçar um sorriso e dizer que tudo ficaria bem.


Ele e Hermione saíram arrastando os malões, Bichento e Pichí em direção à frente do trem. O coração de Rony parecia pesado no peito: talvez fosse Harry mesmo que devesse estar ali, no seu lugar.


- Não se preocupe, Rony...- a voz de Hermione era cautelosa.- Harry vai entender...ele só está, ahn...com muitos problemas...


- Sei...- Rony não olhava a amiga nos olhos.- Não deve ser fácil para ele...


Ele queria completar a frase, admitir para Hermione que sentia-se culpado por sentir tudo aquilo, por desconfiar de que deveria ser rival do amigo.


- Ei, agora que me dei conta!- Hermione sorriu abertamente para ele. Rony sentiu as bochechas corarem.- Você vai ter muita vantagem quando estivermos em Hogwarts! Você cresceu com Fred e Jorge, está a um passo à frente de todos nós no quesito evitar brincadeiras e armadilhas!


- Não sei se isso conta como ponto positivo para um bom monitor.- Rony não conseguia pensar em nada inteligente para falar. Hermione não dissera nada de mais, mas ele sabia que a amiga estava tentando se redimir com ele, isso o deixava levemente ansioso.


- Pode ser que conte alguns pontos...- Hermione olhou para a frente, acelerando o passo.- Suas qualidades certamente contam pontos, Rony.


Ele viu que a garota estava incrivelmente corada, e agora tentava a todo custo chegar a cabine dos monitores antes que ele pudesse pará-la para questionar o que ela realmente queria dizer com aquilo. Sorriu internamente, enquanto seguia Hermione.


(...)


Estavam saindo da sala de História da Magia.


- E como seria- Hermione falava, friamente- se este ano eu me recusasse a emprestar minhas anotações a vocês?


- Não passaríamos nos N.O.M´s. Se você quiser ter isso pesando na sua consciência, Mione...- Rony falou antes que a garota pudesse começar um sermão.


- Ora, seria bem merecido. Vocês nem ao menos tentam escutar o que ele diz, tentam?


- Tentamos.- Rony olhou para Hermione. Sentia que deveria pagar a garota na mesma moeda, lançando indiretas ou talvez diretas, para que ela se lembrasse de tudo que haviam conversado na Sede da Ordem.- Só que não temos o seu cérebro nem a sua memória nem a sua concentração... você é simplesmente mais inteligente do que nós...você acha bonito esfregar isso na cara da gente?


- Ah, não me venha com essa baboseira.- ela já saíra a frente deles para o pátio molhado, querendo esconder um sorriso. Rony viu e evitou olhar para Harry, que observava a cena calado. Hermione gostara do elogio. Não era tão difícil ser agradável com ela. Sentia-se melhor quando arrancava sorrisos da garota.


-Hermione Granger-


Agora Cho se aproximava deles e Hermione parecia apreensiva, olhando para Harry para ver a reação do amigo. Tentava olhar para o lado e fingir que não estava escutando a conversa deles. Rony olhava para algo nas vestes da Corvinal, sem prestar atenção ao que os dois conversavam.


- Isso é um emblema dos Tornados?- apontara para as vestes de Cho.- Você não torce para eles, torce?


- Torço- Hermione virou para Rony querendo que o amigo entendesse a indireta com o olhar.


- Você sempre torceu por eles, ou só depois que começaram a ganhar destaque na divisão?


- Torço por eles desde que tinha seis anos de idade. Em todo o caso...a gente se vê, Harry.


Hermione ficara com a boca aberta. Controlando a raiva, olhou novamente para Rony.


- Você não tem um pingo de sensibilidade!


- Quê? Eu só perguntei a ela se...


- Você não percebeu que ela queria falar com Harry sozinha?- parecia tão óbvio para ela, como Rony poderia ter deixado aquele detalhe passar despercebido?


- E daí? Podia ter falado, eu não estava impedindo...


- Droga, por que você estava atacando a garota por causa do time de quadribol?


- Atacando? Eu não estava atacando a Cho, estava só...


- Quem se importa se ela torce pelos Tornados?- Hermione sabia que estava quase gritando.


- Ah, nem vem, metade das pessoas que a gente vê usando esses emblemas só os compraram na última temporada...


- E que diferença faz?


- Quer dizer que não são fãs de verdade, só estão aproveitando a onda...- Rony parecia estar levemente corado agora, mas a raiva de Hermione não diminuía.


- A sineta- Harry, como na maioria das vezes, cortara a discussão dos dois. Porém, assim que conseguira um pouco de ar, Hermione já havia se aproximado de Rony e sussurrava zangada para o garoto, tentando fazer com que Harry não escutasse, enquanto trilhavam o caminho para as masmorras.


- Ah, Rony, por favor! Você não viu o modo como a Cho olhou para Harry?- Hermione balançou a cabeça.- Ok, Ok...você não tem sensibilidade para tal...mas você certamente já percebeu como o seu melhor amigo olha para ela!


- Hermione, eu não estava fazendo nada! Eu só perguntei...


- Você interrompeu uma conversa que a garota poderia estar planejando há séculos!- Hermione girou os olhos para o teto.


- Ah, é? Como você sabe? Você tem uma enciclopédia do pensamento humano por acaso, hein?-Rony olhou zangado para a amiga.


- Não.- Hermione sentiu o rosto corar.- Não é necessário uma enciclopédia para ter empatia.


Ela virou o rosto, evitando o olhar de Rony.


- Unf...se você sabe exatamente o que ela está sentindo então quem sabe você me explica antes de começar a me atacar com todas essas acusações?


Hermione se virou para ele, preocupada com o fato de Harry poder escutar o que ela estava falando, mas o garoto já passara a frente deles, caminhando em direção à masmorra.


- Como você mesmo me disse uma vez, Ronald Weasley...- Hermione crispava os punhos.-...se você não sabe, não sou eu que vou lhe dizer.


Deixando Rony com seus pensamentos, Hermione teve que aguentar a aula de Snape com todas aquelas emoções dentro de si.


- Eu realmente pensei que talvez ele fosse melhorar um pouquinho este ano...-ela falava, após a aula de Snape, enquanto começavam a jantar- Quero dizer...sabe...- olhara cautelosa para os lados- agora que ele está na Ordem e tudo.


- Cogumelos venenosos não muda sua natureza- Rony olhou para a amiga e continou- Em todo o caso, eu sempre achei Dumbledore meio matusquela por confiar em Snape. Onde está a prova de que ele realmente parou de trabalhar para Você-Sabe-quem?


- Acho que Dumbledore provavelmente tem muitas provas mesmo que não as revele a você...- Hermione já estava começando a perder a cabeça.


- Ah, calem a boca, vocês dois...- a voz de Harry a sobressaltou. Os dois olharam surpresos para o amigo- Será que não podem dar um tempo?Sempre brigando um com o outro, estão me enlouquecendo- largara o empadão pela metade atirando a mochila nas costas. Saiu, deixando os dois sentados.


Hermione olhava para o prato de Harry abandonado, tentando entender a fúria repentina do amigo.


- O que você acha que aconteceu com ele?- ela perguntou para Rony.


O garoto não parecia querer papo.


- Se você não me atacasse o tempo inteiro, certamente ele ainda estaria aqui.


- Eu? Atacando você?- Hermione largara seu garfo.- Acho que seria legal se Harry parasse de descontar a raiva dele na gente...


- Ah, vamos parar, OK.- Rony se inclinou sobre a mesa, evitando o olhar dela.- Se nem Harry aguenta mais as nossas brigas...imagine como está meu ouvido depois de você me passar lições de moral o tempo todo...


Hermione se calou, perdendo completamente a fome.


- D-desculpe, eu...- ela sentiu o rosto corar. Suspirou e olhou para o teto do salão principal, querendo juntar coragem.- Estou sempre falando...sempre tentando evitar essas brigas...


- Qual é o problema com a gente?- Rony já estava a encarando, os olhos postos nos dela, sem parecer se importar com o público que poderia observar a cena.


Hermione já abrira a boca para falar, mas o ruivo não esperou uma resposta. Levantou-se bruscamente e se afastou dela, talvez querendo que dessa vez fosse a vez dela filosofar um pouco sobre tudo que lhes acontecera.


(...)


- Ronald Weasley-


Planejara treinar quadribol, o tempo é que não parecia colaborar. Se queria mesmo entrar para o time, precisava tomar providências.


-...você tem consciência de que temos de escrever três trabalhos, praticar os Feitiços de Desaparição para a McGonagall, treinar um contra feitiço para o Flitwick, terminar o desenho do tronquilho e começar aquele diário idiota de sonhos para a Trelawney?


Rony gemeu ao ouvir isso, erguendo os olhos para o teto.


- E parece que vai chover.


- Que é que isso tem a ver com os nossos deveres de casa?- Hermione olhou curiosa para o amigo.


- Nada- Rony sentiu as orelhas corarem. Era como se Hermione soubesse o que ele estava planejando.


Aquele dia, ele apenas pegara a vassoura, dando apenas uma volta voando, e o tempo começara a piorar. Desistindo, voltou para a sala comunal onde encontrou Hermione. A garota apenas observou enquanto ele se sentou ao seu lado. Não fez mais perguntas, ele ficou feliz que ela começasse a respeitar um pouco os sentimentos dele.


- Você precisa terminar os deveres.- a garota falou, descansando a pena que segurava.


- Eu sei.- Rony suspirou cansado, precisava treinar mais do que estava treinando para conseguir passar nos testes para o time.


- Não quero que isso soe como um sermão.- Hermione corou, olhando para ele.


- Tudo bem...eu entendi...


Rony recostou-se no sofá e suspirou, sem se importar com os cabelos bagunçados pelo vento.


Quando virou deparou-se com Hermione o encarando. Ao perceber que seu olhar era correspondido, a garota corou e virou o rosto.


- Que foi, Mione?- ele endireitou-se.


- Ah, nada...- ela parecia analisar a roupa em desalinho dele, o cabelo despenteado.- Só estava me perguntando onde você...


Ela iria perguntar o que ele andava fazendo, tinha certeza. Hermione era sempre tão metida.


- ...ahn...esquece...


A garota evitou seu olhar, juntou seu material e migrou para a escada dos dormitórios. Rony observou ela partir, uma dúvida pairando no ar. Ela estava realmente se esforçando para não parecer tão chata, ou ele estava imaginando coisas?


(...)


Queria tanto conseguir entender o que se passava na cabeça de Hermione, a garota parecia ficar mais difícil de decifrar conforme o tempo passara.


O teste de fogo seria naquele momento. A euforia de ter passado no teste, de ser nomeado goleiro da Grifinória, fora substituída por uma ansiedade sem tamanho: a reação de Hermione. Queria saber como ela reagiria a sua vitória, se ela iria compará-lo com Harry, se ela demonstraria estar orgulhosa.


Uma festa tomava a sala comunal. Rony percorreu com os olhos, procurando Hermione entre as pessoas que começavam a descer dos dormitórios e chegar pela entrada do retrato.


Ela estava em um canto, parecendo alheia a bagunça, percorrendo com os olhos um livro. Rony fez o caminho até ela rapidamente, um sorriso no rosto.


Ele não precisou falar nada para Hermione erguer os olhos e perceber que ele estava ali. A reação da garota o pegou de surpresa.


- Rony?


- Eu consegui.- ele falou, quase sem fôlego.- Sou o goleiro da Grifinória, Mione.


Tentou forçar o tom, parecer mais calmo. Conseguiu apenas um resultado quase infantil, falando de um modo doce que ele sabia que não pertencia à ele.


Hermione levantou com um pulo, as bochechas coradas. Rony sabia que ela não se importava quase nada com os assuntos relacionados a quadribol, mas antes que pudesse raciocinar direito, Hermione já começara a falar.


- Rony! Isso é incrível, parabéns!- ela sorria abertamente para ele.- Ah, fico muito contente por você!


Rony achou que ela iria o abraçar, mas o que se seguiu foi um silêncio constrangedor, ela continuava sorrindo para ele. Ele sabia que ela estava se esforçando para demonstrar tudo aquilo.


- Obrigado, Mione,


Os dois se olharam pelo que pareceu um longo minuto, e no instante seguinte Fred e Jorge conseguiam novamente acabar com o momento, puxando Rony pelos ombros para que ele abrisse uma cerveja amanteigada em comemoração.


(...)


- Como foi o treino?- a indiferença com que Hermione perguntava deixava Rony profundamente irritado.


- Foi...- Harry começou.


- Uma meleca- Rony falou, afundando na poltrona ao lado de Hermione.


O gelo que ela estivera dando em Rony, aquele dia, pareceu derreter.


- Bom, foi só o seu primeiro treino- dizia em tom de consolo- leva tempo para...


- Quem disse que fui eu que melei tudo?


- Ninguém- Hermione parecia espantada- Pensei...


-Você pensou que eu só podia estragar tudo?


- Não, é claro que não! Olhe, você disse que foi uma meleca, então eu só...


- Vou começar a fazer os deveres- Rony parecia enfurecido, saiu pisando duro em direção ao dormitório.


Ela parecia sinceramente feliz em saber que ele havia entrado para o time, porque fazia questão de lembrá-lo de que todos esperavam que ele ferrasse com tudo?


(...)


- Hermione Granger-


- Quase no fim?- Hermione olhou ansiosa para Rony, não queria soar como uma chefe que exige a finalização em dia de um trabalho requisitado.


- Não- Rony respondeu, secamente.


- A lua maior de Júpiter é Ganimedes e não Calisto.- Hermione falou, observando os deveres do garoto.


- Obrigado.- o garoto parecia realmente irritado.


- Desculpe, eu só...


- Eu sei, ótimo, você só veio até aqui para criticar...- Rony parecia realmente ofendido.


- Rony...


- Não tenho tempo para ouvir sermão, tá, Hermione. Estou até o pescoço...


- Não...olhe!


Hermes aparecera com a carta de Percy. Hermione leu juntamente com Rony, indignada. Não queria sentir pena de Rony, então forçou aqueles sentimentos a darem lugar a uma raiva de Percy, que fazia questão de frizar coisas nada agradáveis. Como ele podia escrever coisas daquele gênero para o irmão?


Harry e Rony já anunciavam que voltariam aos deveres. Ela olhou para Rony, querendo entender como era alguém crescer sendo comparado, nunca sendo o único, sempre tendo que competir com todos os irmãos. Como podiam querer que ele acabasse com a amizade que tinha com Harry? Observou o amigo, que parecia querer se concentrar no que estava fazendo.


- Ah, me dá isso aqui.


- Quê?- Rony olhou surpreso para ela.


- Me dá esses deveres, vou dar uma lida e corrigi-los.


- Você está falando sério? Ah, Hermione, você é uma salvação...que é que eu...


- O que vocês podem dizer é o seguinte: Prometemos que nunca mais deixaremos os deveres para a última hora- estendera as duas mãos para receber os trabalhos.


-Mil vezes obrigado, Hermione- Harry olhava admirado para a amiga.


Passara da meia-noite, Hermione rabiscava os erros nos trabalhos dos garotos.


-O.K, escreva aí- dizia Hermione a Rony, empurrando o trabalho para ele juntamente com uma folha escrita com sua letra- e depois acrescente a conclusão que fiz.


- Hermione, sinceramente, você é a pessoa mais maravilhosa que eu já conheci..- Rony falara com a voz fraca- e se eu tornar a ser grosseiro com você...


- Saberei que você voltou ao normal.- mas quando ouvira o elogio, o sono lhe fugira. Tentava focar em outra coisa, para não deixar transparecer tudo aquilo.- Harry, o seu está bom, exceto o pedacinho final. Acho que você deve ter entendido mal a Profª Sinistra. A Lua Europa é coberta de gelo, não de grelos...Harry?


A cabeça de Sirius estava fogo, cortando a concentração dos garotos e varrendo para longe o constrangimento por parte de Hermione devido ao elogio de Rony.


(...)


Hermione tentava fazer um reforço positivo com Harry, falando diversas coisas que saberia que iriam lembrar o amigo de que ele seria sim, um bom professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.


-... você foi a única pessoa no ano passado que conseguiu se livrar completamente da Maldição Imperius, você é capaz de produzir um Patrono, você sabe fazer uma quantidade de coisas que bruxos adultos não conseguem. O Vítor sempre disse...


Rony se vira depressa, parece dar um mau jeito no pescoço e o esfrega.


- É? Que foi que o Vitinho disse?


- Ho,ho- Hermione caçoou com a voz entediada- Disse que Harry sabia fazer coisas que nem ele sabia,e olha que estava cursando o último ano de Durmstrang.


Rony ficou olhando desconfiado.


- Você continua em contato com ele?


- Ronald Weasley-


- E se continuar?- ela manteve a voz calma, mas seu rosto estava corado- Posso ter um correspondente se...


- Ele não queria ser só seu correspondente- Rony sabia que usava um tom de acusação, mas não se importava. Como Hermione podia falar com tanta naturalidade do búlgaro que havia sido motivo de várias discussões entre eles?


Hermione sacodiu a cabeça. Rony continuou olhando para ela, tentando entender como a cabeça da garota funcionava. Sua teoria continuava firme e forte. Ele sabia que ela queira testá-lo. E estava conseguindo bons resultados.


(...)


- Mas, na verdade, quanto maior o número de pessoas melhor será, quero dizer, Miguel Córner e os amigos dele não teriam vindo se ele não estivesse saindo com a Gina...


Rony estava terminando de beber seu copo de cerveja amanteigada. Engasgou e cuspiu, olhando para Hermione.


- Ele está O QUE? Ele está saindo com...minha irmã está saindo...que é que você quer dizer, com Miguel Córner?


Hermione encarava Rony com um semblante confuso. Poderia estar querendo rir, ou esconder alguma raiva contida.


- Bom, é por isso que ele e os amigos vieram, acho, bom, é claro que estão interessados em aprender defesa, mas se Gina não tivesse contato a Miguel o que estava acontecendo...


- Quando foi que isso...quando foi que ela...?


Sua irmã? Saindo com alguém? Sua irmãzinha mais nova? Não, não era possível. Todos os seus irmãos haviam feito sucesso com as garotas em Hogwarts, Fred e Jorge mesmo sempre aprontando conseguiam manter a popularidade entre o público feminino. Apenas ele, Rony, seria o solitário? O garoto imaturo que não era capaz de tomar alguma atitude para com a garota que gostava?


- Eles se conheceram no Baile de Inverno e se reencontraram no fim do ano passado- Hermione parara a porta da Escriba Penas Especiais- Humm...eu bem que gostaria de comprar uma pena nova- ela entrou na loja.


Rony não saía de perto dela. Precisava ter certeza de que sua irmã mais nova estava realmente saindo com alguém. O sentimento de saber aquilo não era nem um pouco agradável. Não era justo! Pela ordem das coisas, ele deveria ser o próximo a ser conhecido por ter uma namorada legal e bonita. Não que ele realmente pensasse naquilo. Mas por que se ofendia com o fato de todos os outros estarem arranjando companhias menos ele?


Seu pensamento começou a trabalhar: Harry e Cho, Gina e o tal de Miguel...Hermione e... Ao completar o pensamento, visualizando o par de Hermione como Krum, resolveu afastar todas aquelas baboseiras de sua mente.


- Qual deles era o Miguel?- perguntou furioso para Hermione.


- O moreno.- ela respondeu simplesmente.


- Não gostei dele.


- Grande novidade.- ela estava usando seu tom de deboche. Ótimo.


- Mas pensei que Gina gostasse do Harry!- ele seguia Hermione, querendo fazer um raciocínio lógico em sua mente, onde haveria um começo, um meio e um fim do amor platônico de Gina por Harry. Era tão mais simples quando ele pensava daquele jeito! Ele sabia que Harry jamais olharia para sua irmã mais nova, então estaria tudo bem. Não gostava de pensar em algum malandro saindo por aí com sua irmã.


Hermione o olhou com um tom de censura e sacudiu a cabeça


- Gina costumava gostar do Harry, mas desistiu já faz meses. Não que ela não goste de você, claro.- a garota acrescentou para Harry.


Rony ficou atordoado, encarando o nada. Será que apenas ele encarava o assunto relacionamentos daquela maneira? Será que só ele travava quando se tratava em dar um passo adiante com Hermione? Ambos já sabiam o que sentiam, não haviam falado em voz alta, mas para ele estava tudo tão claro!


(...)


Hermione e Gina estavam agora sentadas na frente de Rony e Harry.


- Como você está se sentindo?- Gina tentou forçar um diálogo com Rony. Ele olhava para os pingos de leite que haviam sobrado do seu café da manhã. Queria poder sumir neles. Sentia que se abrisse a boca para responder a pergunta da irmã, corria o risco de vomitar o que quer que se chamasse o que estava revirando em seu estômago. Estava louco, não podia fazer parte do time! Não tinha coragem para isso!


- Ele está apenas nervoso- o tom de cuidado de Harry apenas fez o seu estômago revirar mais ainda. As pessoas estavam sentindo pena dele. Pena do vexame que ele estava prestes a dar!


- Bom, isso é um bom sinal, eu nunca acho que você se sai tão bem nos exames se você não esta um pouco nervoso- a voz de Hermione o sobressaltou. Ela estava ali, ele tivera a nítida impressão de que ele havia vindo com sua irmã. Não soube explicar porque o que Hermione falava agora parecia acalmar mais do que o que todos os outros falavam.


-Oi- Luna estava ali. Ótimo. Mais pessoas para assistir sua derrota!- Eu estou torcendo pela Grifinória.


Seu estômago deu mais um nó. Ele não queria escutar mais nada. Tentou ficar alheio as conversas ao seu redor, se tentasse fixar seu olhar para algo tudo girava. Nunca havia sentido tanto nervosismo. Não podia ficar pior. Ou podia? Talvez depois, horas mais tarde, na sala comunal da Grifinória, rodeado por todos os seus colegas de casa o acusando com o olhar por ter sido o responsável pelo fracasso no jogo?


- Estaremos lá daqui a pouco- a voz de Harry chegou a ele- Rony só precisa comer alguma coisa.


Então estavam indo para o campo! E ele e Harry iriam em seguida? Ainda dava tempo de voltar atrás, não é? Suas pernas pareciam feitas de gelatina quando Harry decidiu que se Rony não comera nada até então, era melhor eles irem.


Hermione já estava ao lado de Harry, em pé. Rony não quis olhar, ela estava sussurrando algo para o amigo. Ótimo, pensou com raiva, não se importem em demonstrar que sentem pena de mim.


Rony se aproximou de Harry, sentia-se perdido e ao mesmo tempo desesperado. Viu o olhar de Hermione suavizar ao olhá-lo. A garota já estava se movendo, provavelmente para ir com os outros para as arquibancadas.


Quando Rony achou que ficaria a sós com Harry e poderia extravasar seus nervosismo longe dos outros, a voz de Hermione, demasiadamente perto de seu rosto, fez seu coração dar um pulo.


- Boa sorte, Rony- ela ficou na ponta dos pés e, no instante seguinte, Rony sentiu os lábios quentes de Hermione em contato com a sua bochecha- e para você também, Harry.


Ele olhou para os dois, mas Hermione não beijou Harry como fizera com ele. A garota se afastou, deixando Rony completamente perturbado, perdido em seus pensamentos.


Por que seu peito parecia repentinamente mais leve? O aperto em seu coração havia diminuído, o nervosismo parecia ter dado lugar a uma ansiedade estranha. Hermione havia o beijado na frente de todos, sem se importar. Ok, havia sido um simples beijo no rosto...mas os dois tinham sempre um comportamento estranho, contido, quando estavam próximos! Ela repentinamente decidira que apoiá-lo naquele momento de nervosismo valia mais do que todas as brigas e mágoas do passado?


Sentiu-se mais animado enquanto cruzava o salão ao lado de Harry. Encostou a mão no lugar onde Hermione o beijara, querendo entender o que realmente havia acontecido, o que havia feito a garota tomar aquela atitude.


Sentiu-se intrigado. Até então, a perspectiva de que algo acontecesse entre os dois estava dentro de sua mente, nada de mais concreto ocorrerra e todas as vezes em que parecia que iriam se acertar, algo acontecia e mudava tudo de figura. Mas aquele beijo tão simples e sincero de Hermione, em um momento em que ela sabia que ele estava nervoso, por mais simples que tivesse sido, significava muito para o garoto.


- Hermione Granger-


Todo aquele nervosismo que vira estampado no rosto de Rony parecia ter sido passado para ela. Sentia uma euforia a lembrar de que tivera coragem para lhe dar um beijo de boa sorte antes do jogo. Pelo menos assim, Rony saberia que ela estaria ao seu lado, o apoiando.


Gostava de lembrar da cara de surpresa do ruivo quando ela se aproximou dele. Riu sozinha na arquibancada, tentando se concentrar no jogo enquanto os rugidos do leão do chapéu da Luna faziam questão de anunciar para quem a garota torcia.


Não conseguia tirar os olhos de Rony, que agora era só um borrão vermelho e pequeno próximo aos três arcos da Grifinória. Suspirou, tentando pensar se realmente havia agido certo sendo tão impulsiva antes do jogo.


Foi apenas um beijo de boa sorte, pensou, e é assim que Rony provavelmente interpretou.


Ou não?


(...)


Outra reunião da Armada de Dumbledore e como sempre, Hermione e Rony praticavam juntos.


Estava muito difícil se concentrar. Como era possível estuporar alguém sem realmente ter a intenção de fazê-lo? Aquele treinamento não estava sendo igual para eles. Não pelo menos do jeito que estava sendo para o resto dos alunos ali, que não paravam de agitar suas varinhas e cair em cima das almofadas estrategicamente colocadas para que ninguém se machucasse seriamente. Rony e Hermione demoravam muito mais tempo para realizar o feitiço, seu treinamento estava mais composto de longos contados visuais, que se olhados de fora, pareceriam rostos de concentração para o que estava por vir. Mas os dois sabiam, que estavam tentando falar coisas não ditas em voz alta.


Quando tudo finalmente terminou, Hermione suspirou quase com alívio. Ela e Rony ajudaram Harry a recolher as almofadas. Hermione tinha todo o cuidado que podia para não se aproximar demais de Rony, ainda sentia-se levemente envergonhada pelo seu comportamento impulsivo. E sabia que os olhares que dirigia a Rony tinham muitos significados: para os dois.


Naquele momento não haveria escapatória. Harry certamente queria ficar sozinho com Cho, e Hermione teve que fazer sinal para que Rony a seguisse.


Tão logo saíram da sala precisa e arranjaram um caminho seguro para voltar a Torre, Rony já estava franzindo o cenho para ela.


- Qual a pressa?


Hermione fez sinal para que ele falasse baixo e apressou o passo, para que chegassem logo a sala comunal.


- Deixe que Harry e Cho conversem um pouco!- Hermione quase corria agora, olhando para os lados.- Já que você fez questão de estragar a conversa deles há algum tempo...


- Não comece de novo com essa história.- Rony já estava vermelho.


Mas Hermione sorriu para ele. Não queria discussão.


Assim que estava são e salvos na sala comunal, Rony jogou-se na sua poltrona favorita em frente ao sofá.


Hermione fitou o fogo, lembrando-se que tinha uma carta para responder: Vítor havia escrito novamente para ela, alheio a pouca consideração que ela lhe dera nas últimas correspondências. Dessa vez Hermione programara contar para ele tudo que estava acontecendo no período letivo- tudo que ela pudesse contar: o nervosismo com os N.O.M´s, como havia sido sua volta a Hogwarts, como Harry estava...


Ela foi até seu dormitório e voltou no instante seguinte, com tudo que precisava para responder a carta.


Rony fitava o fogo, sonolento.


- Mione...


Ela já estava molhando a pena no tinteiro. Lançou um olhar curioso para o ruivo.


- Sim?


- Você acha que...- Rony se endireitou um pouco.-...Harry e Cho, quero dizer...você acha que eles vão ficar juntos?


- Depende do que você entende por ficar juntos.- Hermione riu e começou a escrever rapidamente a sua carta.


- Você entendeu.- Rony olhou novamente o fogo, zangado.


- Acho que Harry gosta muito dela. E acredito que ela goste dele.


Hermione suspirou, molhou a pena novamente e continuou a carta. Por alguns instantes foi apenas aquilo que se ouviu:o arranhar na pena no pergaminho.


- Hum...então você quer dizer que tudo se resume ao fato dos dois se gostarem?


Rony continuava olhando para a lareira, Hermione descansou a pena e olhou nervosa para ele.


- O que você está querendo, Ronald?


- Nada! Só estou falando...não é só isso, não é?


Ela não soube dizer se continuavam falando de Harry e Cho, ou se em algum momento haviam mudado o rumo do assunto e estavam novamente em uma daquelas conversas perturbadores que tinham.


- Não, um relacionamento não é isso, Rony.- ela falou sem encará-lo, era mais fácil daquele jeito.- Mas já é grande coisa.


Rony se recostou no sofá, pensativo.


Hermione não sabia realmente porque ele havia perguntado aquilo, nem sabia porque havia respondido. Talvez faltasse coragem para deixar tudo as claras.


O tempo pareceu voar, ela se distraiu escrevendo linhas e mais linhas para Krum e agradeceu mentalmente quando Harry apareceu pela passagem do retrato.


- Ronald Weasley-


Ela não parava de escrever aquela carta, ou o que quer que fosse. Não podia ser um dever, não era típico de Hermione fazer um dever sem no mínimo dois livros por perto e mais um bloco grosso de anotações de aula. Mas não iria perguntar. A única coisa que havia perguntado para ela aquele dia havia sido sobre sentimentos,e agora se arrependia de ter trazido o assunto a tona. Não estavam falando anda há algum tempo, ou ela se ofendera ou realmente não queria papo com ele.


Quando Harry chegou, Rony achou que seria um alívio ele e Hermione não estarem mais a sós. Mas o assunto novamente caiu em toda aquela baboseira de namoros e relacionamentos. Será que tudo na vida se resumia a isso? Arranjar alguém? E quando esta pessoa já está próxima a você, e você continua agindo como um idiota, o que fazer?


- Vocês se beijaram?- Hermione questionava Harry vivamente, estavam falando de Cho.


Rony sentou-se rápido.


- Entao?- Rony


Harry tinha uma expressão estranha no rosto. Rony imaginou como deveria estar funcionando a cabeça dele. Harry e Cho haviam se beijado então? Será que era assim que se sentia alguém que havia experimentado algo que antes só acontecera em sonhos?


- Ha- Rony comemorou a vitória de Harry com o punho e riu roucamente. Parecia que a empolgação que Harry deveria estar sentindo, havia passado para ele. Hermione olhou ele, censurando sua atitude. Voltou para a carta que escrevia.


- Bom, como foi?- Rony questionou. Nada mais justo que seu melhor amigo contasse os detalhes.


- Molhado- Harry respondeu com uma expressão estranha- Por causa das lágrimas.- apressou-se a completar.


- Oh, você beija tão mal assim?- Rony fez piada do assunto, querendo descontrair o clima.


- Não sei, talvez sim.- Harry parecia levemente apavorado agora.


- Claro que não- a voz de Hermione o assustou mais do que deveria.


- Como você sabe?


A pergunta fugiu de sua boca tão logo ele havia pensando em fazê-la. Será que havia perdido algum detalhe entre Harry e Hermione? Será que suas desconfianças estavam certas?


- Porque ultimamente Cho passa metade do tempo chorando...chora na hora da comida, no banheiro, por toda parte- falava distraída.


Rony sentiu um alívio estranho, suas pernas pareceram repentinamente quentes e o sangue parecia ter subido ao seu rosto. Resolveu continuar com o pensamento anterior: comemorar a vitória de Harry!


- Mas era de esperar que uns beijinhos a animassem- falou sorrindo, tentando arrancar uma risada de Harry.


- Rony- Hermione falou em tom solene- Você é o legume mais insensível que já tive a infelicidade de conhecer.


Ele controlou os sentimentos que se apoderaram dele.


- Que é que você quer dizer com isso?- falou indignado- que tipo de pessoa chora ao receber um beijo?


- É- Harry pareceu finalmente querer participar da conversa- que tipo?


E lá estava Hermione novamente, falando rápido, de um jeito que nem ela mesma poderia se entender. A cabeça de Rony dava voltas.


Será que Harry também passaria à frente? Começaria a namorar com Cho, passaria a andar de mãos dadas pelo castelo e ele, o melhor amigo do garoto famoso, voltaria a ser um ninguém sem turma andando sozinho?


Ficou surpreso de se dar conta de que aqueles sentimentos não estavam o incomodando. Era muito melhor pensar que Harry arranjaria uma namorada, do que sua irmã saindo com um cara. Ele sabia o quanto estar ao lado de Cho significava para Harry, pelo menos Hermione fizera questão de lhe esfregar na cara até que ele entendesse.


(...)


Presentes de natal. Ótimo. Nunca tinha inspiração suficiente para tal.


Para Harry era muito simples: o amigo gostava de qualquer coisa. Como seu primeiro presente de natal havia sido em Hogwarts, Rony sabia que desde que se lembrasse do amigo, com qualquer lembrança, ele estaria feliz. Decidiu-se por uma caixa de Feijõezinhos de todos os Sabores: a maior que conseguiu encontrar. Após todo o dia buscando o que gostaria de presentear as pessoas, faltava o mais difícil: Hermione.


Não podia simplesmente comprar um chocolate, nem um livro qualquer. Foi o natal mais difícil de escolher um presente para a garota.


Acabou optando por um perfume, guardado em um frasco delicado, em uma loja excessivamente carregada em Hogsmeade. Era aquilo ou nada. Ele gostou de pensar que se desse aquele presente para Hermione, poderia fazer com que ela se lembrasse dele toda vez que colocasse o perfume. Parecia um presenta adequado, mesmo que tivesse custado um pouco mais do que planejara gastar. Não podia dar qualquer coisa para ela.


(...)


- Hermione Granger-


Não sabia se estava mais nervosa pelo fato de saber só naquele momento que Sr. Weasley fora atacado ou com o fato de ter de ir para a Ordem e encarar a família toda provavelmente em prantos. Hermione ficou extremamente preocupada, desistindo no mesmo mento de esquiar com seus pais.Já mandara uma carta avisando a eles, e agora apenas aguardava o final oficial do período para que pudesse pegar o Noitebus e ir de encontro aos outros.


Escrever para seus pais com a desculpa de que ficaria na escola para estudar não foi o problema, muito menos viajar no ônibus sacolejante até o endereço mais próximo da sede da Ordem que o feitiço de proteção permitia, o mais difícil foi a chegada. Abraçou Gina, a Sra. Weasley, cumprimentou até os gêmeos de um modo mais carinhoso. Todos sorriram fracamente para ela. Ela sabia que tudo iria ficar bem. Sr. Weasley era forte, iria superar essa.


Ela sabia quem ela estava procurando: Rony. Precisava saber como ele estava lidando com tudo aquilo. Ela subiu as escadas, cuidando para não chamar atenção, para que ninguém a impedisse de ir lá sozinha.


Bateu de leve na porta. Rony não respondeu. Ela espiou para dentro e encontrou o garoto sentado na cama, em uma posição apática, parecendo perturbado.


Ele ergueu os olhos para ela. Ela sabia que ninguém estava ali para presenciar, sabia que não precisava ter vergonha de mostrar para Rony o que sentia. Ele deveria estar com tanto medo, após ter visto o pai no hospital e sabendo que o que o atacara apenas não o matara por pouco.


Sem pensar duas vezes, não gastando nem um milímetro de seu pensamento com o constrangimento que poderia causar, ela foi até ele com passos firmes. Assim que ela se aproximou, quando haviam apenas dois passos de distância entre eles, Rony levantou-se de um modo quase instintivo e no instante seguinte estendeu os braços para ela.


Hermione o abraçou o mais forte que pôde, ainda enxergando a cena de um modo distante. Era como se Rony esperasse que ela o abraçasse, era como se pedisse por um abraço, por compreensão.


- Eu vim o mais rápido que pude.- ela sussurrou com a voz abafada, seu rosto colado no peito de Rony.


Eles ficaram em silêncio, o peito de Rony subia e descia com sua respiração.


- Como você está?- ela afastou o rosto para fitar os olhos azuis do ruivo.


- Estou bem...- a voz de Rony era rouca. Foi...assustador.


Ela o abraçou de novo, jogando todas as incertezas para o alto.


- Estou preocupado com o Harry.- Rony falou com a voz rouca, afastando-se de Hermione, as bochechas coradas, parecendo perceber a situação em que estavam e querendo acabar com o constrangimento que poderia vir dela.


- Hum...onde ele está?


Antes que Rony pudesse responder, várias pessoas já estavam entrando no quarto. A Sra. Weasley trazia diversos sanduíches e com acenos rápidos da varinha tornava o quarto mais organizado, acendo o fogo na lareira e jogando para longe a bagunça que os meninos já haviam conseguido formar.


- Ronald Weasley-


(...)


- Oi, Harry- Cho estava atrás deles. E como sempre, dirigia-se somente a Harry.


-Ah, oi- o garoto respondeu.


- Vamos estar na biblioteca, Harry- Hermione pegou Rony acima do cotovelo arrastando-o em direção a escadaria de mármore.


Rony tentou olhar para o amigo que ficara para trás, mas apenas o que conseguiu visualizar foi o cabelo brilhante de Cho antes de Hermione puxá-lo para longe.


- É melhor assim...é melhor que eles se entendam.- Hermione falou sorrindo, ainda segurando o braço de Rony.


- Você pode me soltar, Mione? Eu não vou voltar para lá para estragar o "momento" dos dois.- ele desenhou aspas no ar, debochando da garota.


Hermione afastou-se dele, jogando os cabelos para trás e erguendo o queixo, assumindo sua posição de garota-sabe-tudo ofendida.


- Ok, só estava querendo impedir que você quisesse permanecer por lá. Eles precisam conversar.


- Sei que precisam!- Rony falou, sentindo as bochechas queimarem.


Quando se aproximou mais da garota, sentindo todo seu corpo reagindo, inspirou lentamente, absorvendo o perfume dela.


O aroma que vinha de Hermione quando ela se movia era diferente, marcante. Parecia despertar no seu cérebro uma sensação gostosa, era quase como um sentimento de conforto. Parecia querer lembrá-lo de algo.


Olhando para o pulso da garota, que até antes estava próximo de si segurando seu braço, ele agiu por instinto. Segurou do modo mais delicado que pôde a mão de Hermione.


A garota pareceu congelar por um instante. Parara de andar e olhava para Rony com os olhos em completa surpresa. Ela começou a respirar rapidamente.


- Que foi, Rony?- perguntou, assustada.


Rony continuou olhando a mão dela, seu pulso. Aproximou de seu rosto e inspirou o perfume que ali estava.


- Ei- ele falou alegre, quase rindo.- você está usando o perfume!


Ele largou a mão dela, que permaneceu suspensa no ar, mesmo que nada mais a mantivesse ali. Hermione, paralisada, tinha o rosto incrivelmente corada.


- Bom, se você me deu de presente, entende-se que você queria que eu usasse, não é? Não que eu o deixasse guardado.


Ela abaixou a mão e estava prestes a voltar a caminhar, quando Rony decidiu que queria continuar aquela conversa.


- Ficou bem em você- ele começou a caminhar, sem se importar se aquele tipo de elogio se encaixava para perfumes além de roupas.


- O-obrigada.- Hermione apressou o passo para acompanhá-lo, forçando uma mecha de seu cabelo fofo para trás da orelha, um sorriso bobo nos lábios.


Rony desviou o olhar não querendo que ela ficasse constrangida.


Ela não precisava falar mais nada. Nem ele. Caminharam em silêncio lado a lado, talvez um pouco sem graça, talvez um pouco atordoados com tudo.


(...)


Rony beijou os lábios de Hermione incontáveis vezes, enquanto fazia pequenas pausas para olhar seus olhos. Permaneceu apoiado sobre ela, controlando seu peso para que não ficasse desconfortável para a garota.


Hermione tinha o cabelo levemente bagunçado, os olhos pareciam brilhar enquanto ela mantinha contato visual com o ruivo.


Rony passou a mão pelo rosto da garota, ela fechou os olhos. Será que seria assim, sempre tão perfeito? Era apenas a segunda vez que ficavam tão próximos, cedendo aos instintos e mesmo assim, pareciam se entender perfeitamente.


Rony relaxou o corpo, deitando-se ao lado da garota. Um braço estendido por sobre o corpo dela, sobre sua barriga, impedindo que ela se afastasse.


- Eu não acho bom ficarmos aqui, assim...- Hermione falou baixinho.


- A porta está fechada.- Rony respondeu, sabendo que sua voz de sono era um pouco enrolada.


Hermione sorriu e se virou para ele. Ela passou o dedo indicador pelos lábios do ruivo. Rony fechou os olhos e instintivamente levou sua mão para os cabelos da garota.


Hermione mordeu o lábio inferior, encarando Rony com um sorriso contido, enigmático. Aproximou seus rostos, tocou os lábios dele com os seus apenas por alguns instantes.


Rony já estava puxando o rosto da garota para mais perto, praticamente implorando para que o beijasse logo, sem maiores provocações. Com a outra mão livre, puxou o corpo de Hermione pelas laterais para que ficassem mais próximos.


Ela não conseguiu conter uma risada baixa.


- Você deveria estar cansado.


- Por que eu deveria?- ele massageou a nuca dela, bagunçando mais ainda seus cabelos.- Eu nunca vou me cansar de ficar assim com você.


Hermione rolou para o lado, ficando de costas para Rony, puxando o braço dele para que a abraçasse fortemente. Suspirou, enquanto o ruivo descansava o queixo na pele nua do ombro dela, depositando alguns beijos no caminho.


- Acho melhor eu ir...- ela falou depois de alguns instantes abraçada com ele.


- Você poderia ficar um pouco mais...você não tem nada para fazer...- ele sussurrou com a voz rouca em seu ouvido, sabendo que iria provocá-la daquele jeito.


- Vou ver se sua mãe precisa de ajuda...- ela tentou afastar seus corpos, porém estavam muito colados: Rony fazia questão de usar a sua força para que ela não se afastasse naquele momento.


Hermione foi delicada afastando o braço forte do ruivo de seu corpo, sentou-se na cama tentando ajeitar os cabelos. Rony apoiou-se no cotovelo para encará-la, o outro braço puxando a coberta mais para cima de seu corpo.


Hermione já estava começando a vestir sua roupa, enquanto Rony tentava beijar seu pescoço, suas mãos habilidosas massageando suas costas.


- Ron...- a voz de Hermione era fraca.- Por favor, me deixe ir...se Harry ou alguém aparecerem por aqui...


Ela se virou para olhá-lo. Envergonhado, sentindo suas bochechas queimarem juntamente com suas orelhas, Rony puxou a coberta até acima de sua cintura. Hermione olhou para ele, sorrindo.


- Você vai me deixar aqui...assim?- ele tentou fingir um tom ofendido.


Queria que ela entendesse o que causava nele. Queria que ela tivesse sentido o mesmo que ele na última hora que haviam passado ali. Ou será que fora mais do que isso? Perdia a noção do tempo quando estava ao lado dela.


Hermione riu e beijou seus lábios delicadamente.


- Desculpe, Rony. Não quero causar problemas...- ela passeou pelo rosto dele com a ponta do seu nariz.- Amo você...


Antes que ela pudesse se levantar, agora completamente vestida, Rony ficou de joelhos na cama e puxou com força o corpo da garota contra o seu. Hermione reprimiu um grito de surpresa e se abraçou ao pescoço do ruivo.


- Você quer me matar de susto?- ela riu.


- Você que veio até o meu quarto...me beijando daquele jeito...


- Você também me beijou!- ela silenciou o garoto com o indicador, sorrindo.- Vista-se também e venha comigo, você não queria jogar quadribol...?


- Não vai ser tão fácil você se livrar assim de mim da próxima vez.- ele a beijou rapidamente, inclinando seu corpo contra o dela.


Depois, rindo, soltou a garota e recolheu suas peças de roupa, vestindo-se rapidamente enquanto Hermione analisava seu próprio reflexo.


Ela estava vermelha quando ele segurou sua mão para que saíssem do quarto. Será que ela não entendia o que Rony estava passando? Mesmo que tivessem ficado todo aquele tempo ali, se ninguém os interrompesse, Rony seria capaz de permanecer o resto do dia, por mais que sentisse seu corpo cansado e as pernas levemente trêmulas.


Abraçado a Hermione ele desceu as escadas, sem se importar em saber para onde estavam indo. Sentia-se como se flutuasse, como se seus pés não precisassem do chão para levá-lo a algum lugar.


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