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133. O SUSTO E O RISO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 133 – O SUSTO E O RISO


 


 


 


 


 


 


 


A primeira manhã dentro do trem amanheceu chuvosa. Rony a deixara dormindo até a tarde, pois ao contrário da vinda, quando não sentira nenhuma indisposição, dessa vez estava enjoada e tonta.


Para seu desespero, logo depois da saída de Rony, Gina viera a sua cabine atacada de uma feroz solidão, reclamando dos mesmos enjôos.


E como várias vezes na infância, as duas dormiram juntas, embaixo das cobertas.  Era quase hora do almoço quando Anna as acordara e ajudara a vestir.


Prontas para encarar o primeiro almoço dentro do trem, as duas deixaram a cabine. Gina mantinha-se quieta, a expressão um pouco verde, e Hermione pediu que Anna desse atenção a ela, enquanto fingia não notar Adolph logo atrás delas, no corredor.


-Está montando guarda na minha porta? – perguntou a queima-roupas, quando Gina estava distraída.


-Sim, senhora – Adolph não mentiria para ela.


-Ótimo – ela o surpreendeu – Não diga a ele que estou de acordo – confidenciou, sorrindo


.


Seu grande inimigo: Ele.


E onde estaria ele?


Hermione estava ansiosa para almoçar. Morrendo de fome, era a palavra certa. Em determinado momento, distraiu-se e dobrou um corredor errado. Olhou para trás, mas não avistou Adolph.


Deu de ombros, sentindo-se segura no trem. Seguiu andando, ouvindo o som dos pingos de chuva que caiam na estrutura metálica do trem. Era um som adorável.


Pensativa, respirou profundamente, no último vagão onde estivera com Rony na outra viagem, e ele a fizera ver que há mais na vida que apenas o apego a terra.


Recebendo um doloroso chute como resposta a suas lembranças ela falou sozinha:


-Não faça isso, bebê. Mamãe está feliz.


Sua resposta foi uma seqüência dolorosa de chutes na base da barriga. Longe de estar incomodada, ela apenas sorriu e aceitou que sua vontade era chutá-la. Paciência.


A chuva caia mansinha, sobre os trilhos que ficavam para trás rapidamente. Não sentia mais o peso no coração da noite passada, muito menos de quando descobrira que sua família morrera por causa de dinheiro e poder.


Estava leve.


Sim, não era mais capaz de sofrer, não com uma criança dentro de si precisando dela e da sua força e saúde para sobreviver.


-Se eu fosse um poeta, comporia um verso em homenagem a essa bela imagem


Hermione virou-se para a voz intrusa, e ao não reconhecer o locutor, achou ter sido uma péssima idéia ter se afastado de Adolph.


-Desculpe, preciso ir – tentou se afastar, mas o elegante homem a impediu.


-Apenas um segundo de sua atenção – ele pediu com voz mansa.


Era alto e lembrava muito o próprio Harry. Talvez por isso tenha simpatizado quase imediatamente com sua expressão.


-Realmente preciso ir.


-Apenas me responda uma pergunta.


-Não posso falar com um homem, sozinha desse modo. Deixe-me passar.


-Uma pena; por um minuto desejei arduamente que fosse uma donzela em apuros, para que pudesse me aproveitar e ter a oportunidade de viver o resto da minha vida ao lado desses belos olhos castanhos.


-Sou casada – ela sorriu apesar disso, achando graça nas suas maneiras - Viajo com meu pai e meu marido, e ambos irão desgostar que estejamos conversando a sós.


-Como poderia ser diferente? – ele sorriu e se afastou – Perdoe meu atrevimento. Desejava apenas saber seu nome.


-Apresente-se a meu marido, e então, saberá meu nome – disse séria – Com sua licença – tentou passar, mas novamente, ele não permitiu.


Olhava para os trilhos, e Hermione notou o quanto perto do perigo estava. Silenciosamente, pensava em como escapar dessa situação.


Poderia ser um engano, coisa da sua cabeça. Um medo imaginário.


Seus olhos brilhavam com medo e aflição. Poderia gritar, mas se ele estivesse mal intencionado, com certeza, poderia imobilizá-la facilmente.


Em suspense total, o observou devorá-la com os olhos. Sabia o que estava pensando. Era pequena e frágil, grávida daquele modo. Estaria em suas mãos. Não tinha para onde fugir, ou como escapar.


A morte seria certa.


Olhou novamente para o fim do vagão onde a estrada de trilhos corria diante do seu olhar. Mesmo que por ironia do destino sobrevivesse, seu bebê não conseguiria escapar dessa!


-Está com medo? - ele perguntou baixo e rouco, um passo mais próximo – Uma jovem tão bonita e gentil, amedrontada?


Sua voz era veludo, mesmo assim, em seus olhos havia um brilho de perigo. De insanidade.


Havia se decidido por gritar, mesmo que isso o descontrolasse, quando viu uma gigantesca mão negra se apoiar sobre o ombro do homem.


-Algum problema, senhora?


A voz de Adolph tão perto o fez tremer por um segundo. Logo atrás dele, vinha o guardinha o trem, com sua expressão fechada, olhando para Adolph com preconceito.


-O senhor está sendo importunado? – perguntou ao cavalheiro e ela se enfureceu.


-Eu estou sendo importunada! Encurralada sem ter como fugir! Esse homem é meu empregado! Não ouse levantar sua voz conta ele!


-Senhora – Adolph colocou-se entre ela e o elegante homem que apenas sorriu e aproximou-se do guardinha.


-Um engano. Confundi a dama com uma parenta distante.


-Não mesmo! – Hermione quase gritou, agora que o medo havia passado, a raiva a obrigava a agir – Me encurralou! Estava tramando algo!


-Creio que a dama está descontrolada. Devo ir para que se acalme – ele disse com tom de deboche, e o guarda pareceu ficar em dúvida.


-Adolph, não o deixe escapar assim! – ela mandou, completamente fora de si.


O nervoso foi tanto que ela achou que o mundo estava rodando. E estava mesmo.


Adolph a amparou quando desmaiou. A indecisão sobre ficar e cuidar de Hermione, ou apanhar o homem que se afastava rapidamente, durou um segundo quando a tomou nos braços.


Sua ordem era mantê-la segura.


 


 


...............................................................


 


 


 


O mundo voltou ao seu eixo quando ela abriu os olhos. Estava em sua cabine, sobre a cama, confortavelmente instalada entre as cobertas.


-Não se assuste, Sra. Hermione – Anna disse com sua voz doce, enquanto ajeitava as roupas de cama em volta dela.


Olhando em volta, encontrou a imagem apreensiva de Gina, e mais ao canto, Duran.


-Está tudo bem, querida – Gina se aproximou e segurou sua mão afetuosamente – O susto já passou.


-Rony...?


-Ele está junto com a segurança do trem, visitando todas as cabines, atrás do homem que a importunou. – contou – Não deve se preocupar com isso agora. Adolph e o valete do conde estão fazendo a segurança do lado de fora do quarto. E estão armados. Nada vai entrar aqui!


-E se entrar – Duran disse do outro lado do quarto – Eu uso a arma.


Ela olhou para a arma que estava sobre a mesinha, perto dele.


Não ousou dizer nada.


Havia um nó em sua garganta.


-Conte-me o que aconteceu – Gina pediu.


-Eu não sei o que foi. Me perdi sozinha... E quando ele apareceu. Achei que fosse apenas alguém simpático. Mas não queria me deixar passar – ela relembrou – Estava tão perto dos trilhos, se ele me empurrasse...


-Não pense mais nisso. O guardinha está ajudando nas buscas, pois o viu e pode reconhecê-lo. Não tem como se esconder num trem!


-Tem razão – ela disse com pesar, recostando-se contra os travesseiros. – Achei que fosse morr...


-Não se atreva a terminar essa frase! – Gina exclamou, as faces sem cor. – Não ouse pensar nisso! Acabou! O perigo acabou!


-Talvez fosse apenas um sem vergonha – ela disse pensativa – posso ter exagerado. Afinal, ele apenas me fez elogios.


-Talvez seja isso – Gina sorriu para tranqüilizá-la, mas estava em seus olhos que não acreditava nessa possibilidade.


-O patrão vai pega-lo – Duran disse com sua ingenuidade quase infantil - E vai dar uma lição nele!


-Sim, é claro que vai – Anna concordou, exigindo diante dela um prato – Precisa comer alguma coisa. Não pode ficar com o estômago vazio.


-Não tenho a menor fome – assegurou, olhando para a comida com desgosto.


-Eu também não teria no seu lugar. Mas precisa comer – Gina segurou o prato, erguendo a colher de sopa para ela.


Hermione comeu. Mas comeu por causa do filho.


A mente estava longe, a presença do medo ainda a sua volta.


 


 


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Era noite quando Rony bateu na porta e Gina o permitiu entrar. Ele beijou a irmã e pediu que fosse para seu quarto. O valete do conde faria a segurança de sua cabine, desse modo ela e Anna estariam protegidas.


Duran não precisou de um segundo olhar para sair atrás de Anna e Gina.


-O que aconteceu? Encontraram-no?


-Sim - ele sentou na beira da cama, cansado – Seu nome é Mathias. Recusou-se a dizer o segundo nome. De qualquer forma, é impossível saber se falaria a verdade ou não.


-O que quer dizer? – olhou para ele com estranheza.


-Alegou que estava fazendo elogios impróprios a uma mulher casada, e que seu ultraje foi exagerado. A segurança concordou com ele. Não há nada que o acuse de um crime, além da impressão que teve.


-Impressão que tive? – horrorizada, ela o fitou com rancor – Não foi uma impressão! Pedi que me deixasse passar! Ele se aproximou mais! Não tirava os olhos dos trilhos do trem, e então olhava para mim com deboche! Sabia que estava com medo! Se Adolph não houvesse aparecido...


-Sei de tudo isso! Não precisa tentar me convencer, Hermione! Acredito no que sentiu! Tive a mesma impressão ao falar com esse homem! Mas não há provas.


-E o que vai ser de mim? Vou ficar a mercê dele? Se for um cafajeste é provável que perca o interesse. Mas e se for...?


Calou-se. Não tinha coragem de verbalizar suas dúvidas e seus medos.


-Só há um meio de garantir sua total segurança. Vai passar a viagem toda dentro da cabine. – viu sua expressão de alarme e continuou antes que ela protestasse – Eu sei que não será fácil! Fará suas refeições aqui, e permanecerá lendo, bordando ou dormindo. Mas não vai sair até chegarmos!


-Não pode fazer isso comigo! – ela ficou em pânico – Não posso ficar presa! Odeio ficar presa! Rony... Adolph pode me proteger. Eu não preciso ficar presa!


-Não, ele não pode protegê-la. Você é imprevisível. Ele a perdeu por um segundo, Hermione. É muito escorregadia. E se ele a perder de vista outra vez? Pode jurar que não vai se rebelar outra vez?


-Não me afastei por querer! – indignou-se – Foi sem querer!


-E se houver outro ‘sem querer’? - ele bradou com raiva.


Não era raiva dela, era raiva por não ter evitado que isso acontecesse. Um sentimento de perca que não saia do seu peito.


-E se ele houvesse feito mal a você? – perguntou direto, segurando algumas mechas do seu cabelo. De forma a trazer seu rosto para perto – E se houvesse feito mal ao nosso filho? O que seria de mim?


-Não posso ficar tantos dias trancafiada – ela tentou argumentar, sentindo-se a última das criaturas.


-Pode e vai. Será meu passarinho preso em sua gaiola – ele disse ternamente, roçando os lábios em seu rosto, mas ela se afastou.


-Não quero que encoste em mim.


-Não sou eu quem é seu inimigo – lembrou-a.


-Sim, mas graças a sua decisão ficarei presa nesse quarto! – horrorizada com o que estava dizendo, quis desmentir-se a agradecer a ele por ajudá-la, decidindo por ela o que não teria coragem de decidir. Mas não! Agredia-o!


-Graças a minha decisão – ele disse baixo, magoado. – Comeu? – perguntou sem olhar para ela.


Apenas concordou com um movimento da cabeça.


-Ótimo. Vamos dormir então. Irei substituir Adolph pela manhã. Ele precisa dormir também.


-É claro – ironizou.


Virou-se para o outro lado, enquanto ele se preparava para deitar, ainda vestido.


Hermione sabia que deveria ser grata a ele, mas não conseguia sufocar a raiva de ser prisioneira. Sua raiva era destinada ao homem que ousou encurralá-la. A mulher que a perseguia. Quis dizer isso a ele. Mas não o fez.


Em resposta ao próprio medo, afastou a única pessoa que a fazia sentir-se segura.


 


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Os dias passaram dentro daquele quarto sem que ela notasse. Dias longos e tediosos, onde sua irritação conseguiu afastar até mesmo Anna, que agüentava sempre firmemente ao seu lado, mesmo nos piores momentos de mau humor.


Estavam a meio caminho quando, Rony a procurou no meio da manhã. Anna havia deixado-a sozinha depois de algumas alfinetadas e respostas enviesadas, usando como desculpa buscar alguma coisa na cabine de Gina.


Coitada de Gina, a viagem estava acabando com ela. Os enjôos haviam-na derrubado, e passava quase tanto tempo em seu próprio quarto, deitada, quanto Hermione!


Hermione ergueu os olhos do bordado, e o olhar acusador que dirigiu a Rony não era novidade. Há cinco dias eles mal trocavam algumas palavras.


Faziam amor todas as noites. Um amor silencioso, sem frases ou palavras carinhosas. Por ela, nem deixaria! Mas seu corpo a traia e exigia mais e mais, e apenas algumas horas nos braços do marido podiam apagar aquela vontade incontrolável.


E se detestava por conta disso!


-Que bom que esteja vestida – ele disse – Vou levá-la para passear.


O bordado quase caiu de suas mãos.


-Está brincando comigo?


-Não. O dia está ensolarado. Precisa pegar um pouco de luz.  A essa hora não há praticamente ninguém tomando o café da manhã. E estarei ao seu lado o tempo todo. O que me diz?


-Digo que posso perdoá-lo por todos esses dias de reclusão se me disser que poderei almoçar com meu pai civilizadamente! – havia lágrimas de expectativa em seu olhar.


-Se prometer que não soltara meu braço em momento algum – ele disse sério – Hermione, se você se afastar de mim eu a tranco aqui dentro até o fim da viagem, e dessa vez, ficarei aqui, te infernizando! – havia uma sombra de sorriso em sua face e ela quase sorriu.


-Não quero perder nenhum minuto da manhã - ela levantou-se a arrumou o vestido.


Um vestido rosa pálido com fitas douradas. Tinha mangas compridas, e um caimento delicado sobre sua barriga. Nas costas uma larga fita era arrematada por um laço. Seus cabelos estavam presos no alto da cabeça, e o restante caia numa cascata de cachos por suas costas e ombros.


-Está linda essa manhã! – ele se aproximou e ela se afastou.


-Quero sair daqui – disse em tom de urgência.


Entendendo sua urgência, ele a conduziu, segurando sua mão sobre seu braço, com firmeza, deixando claro que não a perderia de vista.


A liberdade tinha um gosto delicioso, pensou.


Mesmo o cheiro dos vagões, nem tão higiênicos assim, depois de tantos dias de viagem, parecia-lhe totalmente agradável. Ao ver o conde e Elly, ela achou que ia chorar.


Os via todos os dias, mas não era a mesma coisa.


-É tão bom vê-la, minha filha – ele disse depois de receber seu beijo e seu abraço, a despeito dos olhares dos demais passageiros, que não estavam acostumados ao desplante de um contato físico entre homem e mulher, mesmo que pai e filha.


-Estou tão feliz em estar livre! Papai, faça esse homem entender que não posso ficar presa desse jeito!


-Eu adoraria fazer isso, mas é seu marido e não devo interferir – ele respondeu com diplomacia.


-Não acredito! Está de acordo com ele! - ela indignou-se.


-Porque não se acalma e se conforma, Hermione? – Elly tocou suas mãos, carinhosamente – Não podemos ter o controle de todas as decisões de nossa vida. Deixe que seu marido decida. É o melhor.


Ela não disse nada. Elly havia sofrido tanto quanto ela na vida, e não poderia bater de frente com seus conselhos. Respirando fundo, começou a degustar do café da manhã.


Em uma mesa próxima, Digory e Loren bebiam seu café, olhando para eles de vez em quando.


-Eles sabem...? – ela perguntou intrigada.


-Não. Claro que não. Uma viagem com uma mulher grávida, só poderia acabar desse modo, não estranharam nada.


-Uma não, duas - ela disse com uma pontada de carinho na voz.


-Do que fala? – ele perguntou intrigado.


-Não notou que sua irmã está pior que eu no começo da gravidez? – riu de sua expressão surpresa – Pobre Harry. Espero que não esteja muito bravo, pois ela o irá desarmar totalmente quando contar da gravidez.


-Não é possível que minha irmãzinha esteja grávida! – ele pareceu realmente surpreso.


-E porque não? – desafiou - Não sabe como é fácil engravidar, esposo?


-Faz muito pouco tempo que estão casados. – ele discordou, e no momento em que ela sorriu com malicia, lembrou-se que o casamento havia sido consumado a bem mais tempo.


-Uma única vez, Hermione – era um dialogo só deles e ela riu.


-Meu marido acredita em contos de fadas, meu pai – ela ria tão bonito que ele não se zangou.


Mas tiraria a limpo com Harry essa história.


-Seus filhos serão como irmãos, pois terão quase a mesma idade – Elly lembrou-a – Que lindo.


-Sim, mas Harry e Gina viverão em Londres – disse pesarosa.


-Nada a impede de viver perto deles – o conde fez questão de lembrar a despeito do olhar irritadiço do genro.


Hermione gostava de ver alguém colocando Rony na linha. O conde de Valença tinha esse dom, não por causa do dinheiro. Não mesmo. Mas seu poder ilimitado, como um dos homens mais influentes de Londres, poderia garantir que nunca mais a visse.


A súbita consciência de ser essa a razão de tanta ponderação para com o conde, quase a fez engasgar com o pão que engolia. Bebeu um longo gole de chá para engolir o alimento e aproveitou para digerir essa idéia.


Seria possível que seu amor fosse verdadeiro? Amor incondicional? Do tipo que ele vivia dizendo?


Ele sentia afeição por ela. Claro. Mas era amor mesmo?


O modo como Hermione estava olhando para ele o fez desejar ter o poder de entrar em sua mente e arrancar as verdades que se escondiam ali dentro.


Sempre que chegava ao consenso de finalmente estar compreendendo-a, ela vinha com alguma novidade e o confundia totalmente!


Como agora.


O conde e Elly se afastaram para um passeio pelos corredores, uma delicada desculpa para deixá-los a sós.


Hermione se distraiu comendo um doce tristemente mal feito, tentando entender os ingredientes e o que poderia ter dado errado na execução, quando notou que não tinha a atenção de Rony.


Ficou tensa no instante em que viu para onde ele olhava. Um homem se aproximava da mesa deles. Assustada, agarrou sua mão sobre a mesa, querendo desesperadamente sair dali.


Não era apenas medo de morrer. Era medo pelo bebê. Se ela morresse, ele não poderia crescer, sobreviver e ter a chance de nascer. Esse medo cresceu de tal modo que quando o viu colocar a mão dentro do fraque, tirando algo, ela soltou um gritinho de medo.


-Perdoe-me a audácia - o homem se curvou respeitosamente e ergueu em direção a Rony um pedaço de papel – Não houve oportunidade para me explicar.


-Não há nada que possa dizer como justificativa - Rony levantou-se no mesmo instante, ignorando sua mão erguida.


-Olhe para essa fotografia, senhor – ele disse com apreensão – no outro dia, me descontrolei ao ver sua esposa. Minha postura a assustou. Relembrava o passado.


Rony olhou para a fotografia que havia nas mãos do homem.


Era uma imagem antiga. Uma jovem delicada de cabelos cacheados e castanhos, muito pequena e frágil, sorria para a foto amarelada, uma barriga tão grande quanto à de Hermione. Eram muito parecidas.


-Minha esposa. Uma trágica morte. Vê-la, me deixou fora de mim, não tinha a intenção de assustá-la. Muito menos causar medo. Tornei-me pensativo e não pude me afastar. Foi um momento de loucura. Insanidade que jamais se repetira.


Rony olhou para a fotografia e estendeu para Hermione.


Poderiam ser irmãs gêmeas. Olhando para os olhos sofridos daquele homem, entendeu a que se referia. Um amor incondicional deixa marcas, ao ser arrancado subitamente da vida de um homem.


-Como ela morreu? – Hermione perguntou, as mãos trêmulas segurando o retrato.


-No parto – ele respondeu tristemente, olhando para ela com desejo e paixão, de quem vê outra pessoa.


-Não permitirei que volte a se aproximar de minha esposa – devolveu a ele a fotografia.


-Compreendo. Duvido que nos vejamos outra vez. Estou de chegada à cidade, para buscar minha irmã. Da última vez que a vi era apenas uma menininha de colo. Soube recentemente que meus pais morreram. Espero poder fazer algo por ela. Não desejo atormentar a vida de ninguém, muito menos de uma senhora grávida. Espero que me perdoe pelo mau jeito.


Rony olhou para Hermione sem gostar nada do modo como ela olhava para ele.


-Espere – ela disse quando o homem se virou para partir. – Como disse que se chama?


-Mathias - ele respondeu sorrindo para ela com tanta simpatia que comoveu o coração de Hermione.


-Mathias... - ela sorriu, mas balançou a cabeça, afastando os pensamento estranhos.


-Algum problema, Hermione? – Rony segurou seu braço quando ela tencionou se aproximar do homem.


-Não. Eu só... – ela conteve a frase, olhando para aquele homem de forma cada vez mais estranha. – Tive... Tive um irmão que morreu quando era pequena, que tinha esse mesmo nome. Não me lembro dele. Mas lembro que tinha os olhos do meu pai – ela sorriu a essa lembrança – Foi uma pena, nunca encontramos seu corpo. Mamãe sempre chorou nunca ter o enterrado. Mas depois, com a morte de meus outros irmãos, que também não foram enterrados, ela nem pensou mais nisso.


-Sinto muito por sua família - ele disse simpático – Conheço essa dor. Perdi todos os meus irmãos. Recentemente dei por falta das cartas do meu pai. Resolvi me informar. Foi quando descobri de sua trágica morte. Sobrou apenas minha irmãzinha. Mas pretendo corrigir os erros do passado. Vou buscá-la, seja o estado em que a encontrar, a casarei com um bom homem e cuidarei de seu futuro, como deveria ter feito se me pai houvesse me permitido. Se não fosse o velho Arthur, jamais saberia da morte deles. – seu suspiro pareceu tão familiar a Rony, assim como o nome.


Hermione tinha o hábito de suspirar pesarosamente quando falava do passado.


-Velho Arthur? – ele perguntou.


-Um vizinho de bom coração. Se me derem licença, não pretendo mais importuná-los e espero que tenham uma boa viagem, a despeito da situação que criei.


-Porque não se junta a nós? – Ela perguntou de impulso. Havia algo nele que a fazia desejar sua companhia – Pode nos contar sobre sua esposa!


-É melhor não – Rony disse com voz dura ao deduzir o óbvio. – Preciso conversar com ele em particular.


-Vai me deixar sozinha? – estranhou. – Achei que estivesse me vigiando bem de perto, Ronald Wesley! – provocou.


-Wesley? – o jovem parou olhando para Rony com reconhecimento – Um dos vários Wesleys?


-Conhece a família Wesley? – ela perguntou, sempre encantada com seu sorriso e seu olhar. Lembrava muito os olhos de seu pai, o homem que a criou, e era adorável olhar para eles. Estava completamente esquecida do medo de dias atrás!


-Sim, cresci brincando com os muitos Wesleys. Eram nossos vizinhos.


Ele sorriu para ela, e estranhou quando a pequena mulher sentou-se pesadamente.


-Vizinhos?


-Sim, fazemos fronteira com os Wesleys. Ou fazíamos, não tenho certeza se a fazenda Granger ainda pertence a minha família.


-Não, não pertence – Rony respondeu ao notar que o choque a impedia de falar.


-Diabos! - ele exclamou horrorizado – Cheguei muito tarde!  O que terá sido de minha irmã!


A agonia era visível naquele homem e Hermione riu.


Quase histericamente.


-Ela casou-se – ela mesma respondeu, entre o riso, e algo de lágrimas – Casou-se com um caça fortunas. – o riso aumentou, chamando atenção de todas as pessoas – Mas ela não é sua irmã. É meio irmã!


-Hermione, acalme-se – Rony pediu, corando pela ofensa, e ao mesmo tempo sem saber como lidar com essa reação.


-Quantas surpresas tenho em minha vida! - ela disse segurando o riso, e abrindo seu melhor sorriso – Será que nunca terei uma vida calma?


Mathias olhava para ela sem compreender. Rony achava que era horrivelmente parecido passar por isso novamente.


-Hermione Granger, se chama Hermione Wesley agora – apontou a jovem grávida, que continha o riso.


Um riso histérico de nervoso, surpresa e incredulidade.


-Minha irmã? A irmãzinha que não vejo a...? - ele sentou-se a sua frente, e buscou sua mão para um aperto que demorou mais de quinze anos para acontecer. – Minha irmã.


-Sim. Sua irmã. – ela disse com voz fraca, mas sem tristeza.


Seu riso feliz fez eco ao riso dele.


 


 


 


 


Beta: Uau, quantas emoções, assim vc acaba comigo!!!


Autora: é essa a intenção. Vão preparando os corações estamos indo para as emoções finais...heheh


Capa dos primeiros tempos da fic, para fechar a ultima fase.


Beijinhos!


 


PS: Thayna Zumba, parabéns atrasado tb vale? Espero que sim! Parabéns e tudo de bom para você!  


 


 

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