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127. VAIDADE E TOLICES


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 127 – VAIDADE E TOLICES


 


 


 


 


 


 


 


 


Os dias correram no calendário, e uma semana depois, no dia do casamento de Luna, Hermione estava nervosa.


Fazia uma semana que Harry havia partido, e ainda deveria estar dentro de um trem, enquanto Gina estava confortavelmente instalada em sua casa, a residência Potter.


Era maravilhoso o efeito da separação. Mais dona de si, Gina tomara as rédeas da casa e até mesmo despedira alguns funcionários que a tratavam mal.


Harry havia ido atrás dela, e isso mudava tudo. Se era por amor, ela estava segura.


Hermione a entendia bem.


O amor nos dá segurança.


-Calminha, bebê - ela reclamou pondo as duas mãos sobre a barriga. – A mamãe está ocupada agora.


Ele se mexia demais, atrapalhando sua concentração.


Cantarolando uma valsa que ouvira há poucos dias ser tocada para o conde em um jantar entre amigos, vulgo, bajuladores, continuou prendendo os cabelos, incerta sobre como usá-los.


-Soltos. – a voz quebrou o momento de paz e ela olhou para trás só para ter certeza que o dono era a mesma pessoa que povoava seus pensamentos – Use-os soltos.


-A tutora de Gina diz que uma mulher casada não deve usar os cabelos totalmente soltos – provocou-o.


-Ela diz muitas coisas. É uma reunião íntima, não haverá ninguém que possa se preocupar com a imoralidade de seus cabelos soltos. – ele brincou.


-Luna estava radiante ontem, quando conversamos – contou – Acredita que seu noivo pretende ir para o Alasca um dia, estudar as plantas que crescem no frio? Fiquei abismada!


Rony riu de seu encanto.


-Não acredite em tudo que Neville diz para a noiva permitir que ele suba suas saias – notou seu ar de choque e riu – O que esperava, Hermione? Com Luna gracejos comuns não funcionariam! Neville é um botânico, não um sonhador como ela. Ele a levará um dia até o Canadá, mostrará algumas paisagens geladas e ela se dará por satisfeita!


-Tudo isso, para subir suas saias? – ironizou.


-Sim, é o que fazemos quando o que se esconde sobre as saias valem a pena.


Ele surgiu ao seu lado na imagem do espelho e ela continuou a se arrumar.


-Quer que abotoe seu vestido? – ele passou os dedos sobre as costas alvas, que haviam perdido muito do tom bronzeado, longe do sol intenso.


-Não precisa – ela corou de vergonha e quis se afastar.


-Por que não?


-Porque preciso que Anna faça um milagre para que ele feche – ela suspirou conformada – Seu filho cresce desesperadamente, não notou ainda? Perco vestidos a cada dia.


-Porque não usa um dos vestidos de gestante que encomendou? – sugeriu.


-Porque gosto desse vestido e ele ainda me serve...-  corou novamente – depois de algum esforço, ele ainda me serve.


Deveria ser uma explicação que faria sentido para uma mulher. Mas não para ele.


-Está adorável de amarelo – preferiu a saída dos covardes: Elogiar.


-Sabia que é a primeira vez que vou a um casamento?  - perguntou empolgada.


-Não, não sabia – claro que sabia, mas queria lhe dar a chance de falar.


-Pois é, nunca fui a um casamento. Quando seu irmão Guilherme se casou, não fui convidada. O motivo era obvio. Seu pai não me queria perto de sua família.


-Hermione – ele disse em tom de aviso, enquanto colocava o colar em seu pescoço.


-É apenas uma observação. Agora penso que Arthur deve ter tido suas razões para não me ajudar! E voltando ao assunto,  - ela observou atentamente o contraste do amarelo de seu vestido com o colar que Rony lhe dera. – nunca vi de perto o que acontece num casamento.


-É uma cerimônia religiosa parecida com um missa. – ele contou – Nunca vi nada demais em casamentos, embora já tenha ouvido que quando somos o noivo, a situação é bem diferente! – fez graça.


-Ficará nervoso no dia que subirmos ao altar?  - ela se girou na banqueta que estava sentada e olhou para ele com curiosidade – depois de tantos meses de casamento?


-E como não ficar? A noiva sempre pode fugir, ainda mais quando a noiva é você – ele passou um dedo sobre seu nariz e ela reclamou, pois havia estragado o efeito do pó de arroz.


-Não faça graça! Desça e peça para Anna subir rápido. Preciso de pelo menos meia hora para fechar esse vestido... – ela corou pela própria indiscrição.


Rony riu e beijou sua nuca, pois ela havia erguido os cabelos, tentando decidir se os prendia ou não.


-Soltos – mandou novamente – Não teime comigo!


-Certo, soltos - ela disse apenas para se livrar dele.


Estava escrito em sua testa, mas ele não se ofendeu. Era assim que uma mulher deveria ser. Vaidosa quando deve ser vaidosa.


Ele mal saiu, e Anna passou correndo por ele, com uma expressão contente.


A mocinha vestia um vestido azul claro, delicado, e simples, estava pronta para ir ao casamento, pois apesar da posição social do Lovegood, a maior parte dos convidados eram pessoas simples, que tinham valor pelo que são, e não pelo que possuem.


Duran estava no jardim, conversando com Adolph, que parecia um pouco desconfortável no terno bem cortado. O sr.Loveggod o convidara depois de usar de seus serviços por alguns dias, elogiando sua força e educação.


O homem era muito grande, e a semelhança entre os dois não cansava de surpreendê-lo.


Duran não alcançaria sua altura, mas seria um homem forte no futuro.


Os três começaram a conversar, pois do jeito que ia, Hermione ainda demoraria a se aprontar. E a coisa só piorou quando a carruagem de Gina parou em frente a casa, e logo a seguir a carruagem do conde, com Elly a tira colo.


Conformado que não sairiam tão cedo, os homens se juntaram a um jogo de cartas enquanto o riso  feminino que vinha do quarto de cima, alegrava toda a casa.


-Levarei Elly comigo para a fazenda de vocês – o conde disse em dado momento, fingindo grande interesse em suas cartas.


-Hermione já sabe? – Rony perguntou curioso, e procurando não fazer algazarra do inusitado fato.


-As duas se gostam, e minha filha não mostrou oposição ao fato de Elly morar em minha casa por uns tempos.


-Isso, porque ela não sabe que dormem juntos.


Duran olhava de um para outro com olhos arregalados.


-Desfaça a surpresa, menino – o conde riu dele.


-Menino, não. Está de casamento marcado porque o pegamos na cama com Anna – Rony contou, notando o conde rir e colocar uma carta sobre a mesa.


-Então, já é um homem – ele disse piscando para o menino – Esperto para a idade.


-Não deixe Hermione ouvi-lo. Ela esta com essa atravessada na garganta.


-A sra. Hermione teria me dado uma surra de cinto se tivesse oportunidade – ele contou, aliviado por ter escapado.


Os homens mais velhos riram de sua inocência e o conde olhou bem para Rony antes de dizer:


-O que vai ser de duas crianças se casando?


-É uma boa pergunta – ele disse com certo rancor.


Não queria se meter nessa enrascada. Apenas aceitara a responsabilidade por que isso faria Hermione feliz.


-Os pais do menino devem ajudá-lo, uma vez que a moça é órfã – Adolph opinou depois de ganhar a partida e arrancar exclamões e reclamações até mesmo do conde que sempre ganhava roubando.


-Minha mãe vai me matar  – ele disse pensativo – mas se não o fizer, meu padrasto o fará.


-E valeu a pena tanto sacrifício? – o conde perguntou, não deixando espaço para as perguntas que Adolph queria fazer sobre sua família.


O menino nem precisou responder, sua expressão dizia tudo.


Os homens riam quando elas desceram.


Gina não parecia muito animada, sentia saudades de Harry. Mas sorriu quando o irmão a notou e levantou-se para encontrá-la no meio do caminho escada abaixo.


Usava um vestido cor de rosa, e estava graciosíssima.


Rony não perdeu muito tempo com a irmã, pois Hermione descia de braço com Anna.


Ele não teceu comentários sobre sua desistência do vestido amarelo, em prol de um vestido claro, em tons de salão e dourado. Acentuava o busto, abrindo em uma ampla saia a partir dos seios.


Era um dos vestidos de gestante que relutava em usar.


-Está linda – ele disse beijando sua mão com carinho.


-Estou enorme – ela reclamou.


-Linda  - ele corrigiu.


-Linda, porém enorme.


Rony abraçou-a gentilmente quando notou que não era apenas um supérfluo de vaidade, era quase uma magoa. Hermione recupera a vaidade e agora a perdia. Muito cedo para saber lidar com isso.


-Por isso tem me afastado a noite? – sussurrou em seu ouvido.


Ela não respondeu e se afastou, baixando os olhos.


Não faziam amor há uma semana, e ela sempre dizia que era por causa do desconforto da gravidez.


Agora percebia que era uma bobagem.


-Bobagem, Hermione. Se uns quilos a mais fizessem diferença para um homem, eu não teria nascido – ele disse baixio, apenas para ela ouvir – Ou não percebeu que minha mãe não é a criatura mais esguia do mundo?


-Não seja calhorda – ela reclamou, sorrindo para o pai e deixando-o sozinho.


Mesmo conversando com o pai, olhava para ele de vez em quando, como se quisesse dizer algo.


A conversa se estendeu por alguns instantes. Quando a hora de ir chegou eles se dividiram em suas carruagens, Anna e Duran indo com Gina, que estava solitária desde a partida de Harry.


Hermione estava sentada a sua frente na carruagem e mordia os lábios, inquieta.


-Sabe que pode falar sobre todos os assuntos comigo não sabe?


-Hum-hum – ela ainda não o olhava.


-O que a incomoda é algo sobre a gravidez? Algo que apenas uma mulher poderia lhe dizer?- pressionou.


-Nada me incomoda – ela desconversou.


-Não minta para mim. Já pensou que pode estar sofrendo por algo a toa?


A dúvida pareceu dividi-la. Por fim ela suspirou.


-É algo que não me atreveria a falar com ninguém além de Gina. Mas ela nunca passou por isso – ela acariciou o ventre, que nas últimas semanas havia arredondado assustadoramente.


-Pode falar comigo. Não deve haver segredos ou constrangimentos entre nós. Sou seu amante, Hermione, conheço seu corpo quase tão bem quanto você o conhece.


Essa verdade não poderia ser ignorada.


-Estou grande demais para seis meses. Não notou?


-Quase sete. Está para fechar sete meses. Deve ter o tamanho certo para sete meses.


-Não, não tenho. Estou gigante! Todas as mulheres que me vêem me perguntam para que dia é o bebê, como se eu fosse dar a luz a qualquer momento – disse jocosa.


-Está incomodada por estar grande? – conteve um sorriso que poderia ser facilmente tomado como riso.


-Estou muito diferente, não pode negar – baixou os olhos.


-Diferente não quer dizer feia. – lembrou-a.


-Sempre elogiou como era...- lhe faltou a palavra.


-Magra?


-Não diga essa palavra – remexeu-se no assento, desconfortável.


Ele tentou não rir, nem dar indícios de achar graça. Mas foi impossível.


-Eu sabia! Está rindo de mim!


Ao contrário do esperado, ela não sentia raiva, e sim uma incontrolável vontade de chorar.


-Não estou rindo de você, pequena  - ele fez força para não rir de verdade.


-Está rindo sim!


-Tem razão, estou.  – admitiu, abrindo um sorriso agora que não havia mais como disfarçar – e quer saber por quê?


-Não, eu não quero! – emburrada, ela cruzou os braços sobre a barriga.


-Hermione, eu te achei linda mesmo quando estava magrinha como um graveto. Dava aflição vê-la  tão magra e abatida, e mesmo assim, eu a desejei de um modo como nunca quis mulher alguma. Confesso, seu corpo me enlouquece. Suas curvas suaves, sua barriga lizinha...me desperta o desejo para fazer amor. Mas existem outras coisas em você, que me despertam o mesmo desejo.  A maneira como olha, por exemplo.


-Como eu olho? – parecia curiosa e surpresa.


-A força em seu olhar. Há algo de especial no modo como olha. Não sei explicar. Um olhar e estou em chamas. E isso não tem nada a ver com seu corpo. Tem a ver com algo que há dentro de você e me atrai como um imã. Sua voz é rouca e suave e me deixa excitado. O perfume da sua pele. O cheiro do seu sexo quando a toco...


-Pelo amor de Deus, pare de dizer essas coisas! – ela pediu desesperada.


-Por quê? Não quer saber o quanto a desejo? Prefere estar insegura? Pois lhe digo que esses dias tem me deixado louco. Respeito seu desconforto, espera um filho e não serei egoísta. Mas a única razão para não me aproximar é porque você não quer.


-Estou desajeitada – ela confidenciou.


-Está linda. Olhe para mim e veja que não estou mentindo.


Ele ergueu um dos braços e segurou seu queixo obrigando-a a olhar para ele.


-Sua pele nunca esteve tão macia quanto agora. Seus cabelos brilham intensamente e estão sedosos como seda. Não sei se é a maternidade ou o simples florescer depois de tanta privação, mas está radiante. Seus seios...estão cheios – ele molhou o lábios com a língua, observando os montes suculentos que se agitavam dentro do comportado vestido. – Grandes, cheios e macios, e tenho certeza, saborosos.


-Não diga isso, por favor – ela pediu, baixando o rosto quente, e corado.


-Por que não? Hermione olhe para mim. – pediu, mais sério. – o que está acontecendo?


-Eu não posso falar sobre isso! – ela disse desesperada.


-Vamos a um médico, então. – ele decidiu – Falará a um médico, se não quer falar para mim.


-Nem pensar! Não posso contar isso a um médico! – maneou a cabeça em pânico, só de pensar nessa possibilidade.


Rony não entendia a razão para tanta vergonha. Se fosse algo sério ela procuraria um médico, tinha certeza. Era zelosa demais com a gravidez para descuidar-se desse modo.


Então, só podia ser algo tolo. E ele não aceitaria que medos ridículos ficassem entre eles.


-Não confia em mim nem um pouquinho? – ele perguntou sério.


-O que pensará de mim se eu falar?


Ela pareceu falar consigo mesma.


-Pensarei o de sempre: que é minha mulher. – ele avisou, quase desistindo.


Hermione ponderou os prós e os contras. Sentindo as faces queimarem de vergonha acabou cedendo a própria necessidade de falar sobre isso com alguém.


-Não ria.  – ela pediu uma última vez – Achei que...pudesse ter repulsa do meu corpo. Por isso tive vergonha.


-Agora já sabe que isso não é verdade – ele ficou sério – Tem mais?


-Oh, Deus! – ela quis que um buraco se abrisse a seus pés para que pudesse desaparecer e nunca mais precisar olhar para ele.


-Hermione, desse modo vai me assustar!  -ele insistiu.


-Eu sinto...tanto calor – ela disse fechando os olhos por um segundo, como se ouvisse algo dentro dela  - O tempo todo, a cada minuto, eu sinto muito, muito, e muito calor. Como se estivesse pegando fogo. É isso.


-Calor? Que tipo de calor? – intrigado estranhou seu olhar rancoroso.


-O tipo que me faz querer tirar as saias e subir no colo do primeiro homem que passe por mim!  - disse brava.


-Tesão?  - ele perguntou recebendo um gritinho de horror como resposta – Hermione – seu tom era de completo humor – Sente desejo físico? É isso?


-Não, você não me entendeu – ela disse revoltada com seu pouco caso em relação ao seu grande problema – estou enorme, gigante e desejo um homem como se fosse explodir por causa disso! Qualquer um serve!


-Você tem um homem, não precisa se privar disso – ele lembrou-a – Aliás, tem um homem muito disposto a ajudá-la nesse ‘grande’ problema. Se houvesse me contado antes de sairmos de casa, é bem provável que não viéssemos a esse casamento!


-Não exagere – ela reclamou.


-Exagerar? Sente ao meu lado – ele mandou.


Com cuidado, ela se moveu, sendo mantida segura por ele, e sentou ao seu lado.


Sem cerimônia, ele apanhou sua  mão e colocou sobre a braguilha de sua calça onde sua ereção apertava.


-Oh  - ela suspirou.


Seus olhos estavam em chamas, ele notou. Ela apertou sobre a carne e ele gemeu longamente.


-Nunca mais ouse achar que não a desejo – ele avisou, beijado-a.


O beijo prosseguiu por vários minutos, e quando acabou ela recomeçou outro.


-Eu te quero – ele agarrou um seio e apertou arrancando dela um forte gemido de pura paixão.


Estava prestes a subir suas saias quando a carruagem parou.


Vagamente ele ouviu o som da rua, mas não deu atenção, esquecido de onde estavam. Completamente esquecido.


Para seu total azar quem abriu a porta da carruagem foi o conde.


Rony soltou-a imediatamente. Mas era claro como dia o que fazia. Ajeitou sua saia enquanto Hermione escondia o rosto em seu ombro.


A porta havia sido fechada novamente, e ele beijou a ponta do seu nariz antes de dizer:


-Não vamos demorar na festa.


-Não, não vamos – ela concordou o rosto queimando de vergonha, observando-o fechar todos os botões do seu casaco. Tudo para disfarçar o volume entre suas pernas.


-Está bem?  - ela perguntou enquanto ele a ajudava a se preparar para sair da carruagem.


-Já vai passar. Agora, apenas não me olhe nos olhos por alguns minutos – ele avisou e ela riu.


Um riso cristalino, e ele gemeu.


Saíram da carruagem e o Conde os esperava a uma curta distância com Elly, e Gina. Os outros já haviam entrado na Igreja.


O Conde não teceu comentários sobre a cena que tivera o desprazer de presenciar, mas não pareceu muito satisfeito.


-Está tudo bem? – Gina lhe perguntou sorridente – Está corada? Está com calor?


-Cale a boca, Ginevra – ela sussurrou como se estivesse tudo bem.


Calada, Gina os seguiu.


Sentia falta de Harry ao seu lado. Mesmo aos trancos, brigas e constantes farpas, sentia falta dele ao seu lado. E essa falta só aumentava quando olhava para os casais de braços dados.


Como sentia falta do braço de Harry


Dos seus abraços...


 


 


 


Autora: Beijinhos.

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