CAPITULO 124 – DESGOSTO
Amanheceu chovendo furiosamente. Hermione espiava pela janela da carruagem desgostosa. Tinha planos de usufruir de uma manhã de sol, indo até o Rosie Nell com Luna e Gina, e quem sabe, com o Conde de Valença, para ver a misteriosa mulher que se empenhava em ajudar.
Mas com aquela chuva, sua vontade de sair minguava. Os cavalos trotavam mais devagar, para que a carruagem não balançasse tanto, enquanto desviassem das poças de água.
Era uma manhã melancólica.
-Pode me ajudar com as contas do seu pai – Rony disse, retomando o assunto interrompido sobre a frustração de seus planos de passeio.
-Se não se importar, vou me deitar um pouco quando chegar - ela disse melancólica, recolocando a cortina no lugar.
-Sente-se indisposta? – Rony preocupou-se notando sua palidez.
-Não – ela disfarçou graciosamente um bocejo. – O baile me desgastou muito. Não deveria ter dançando quase todas as músicas que tocaram.
Rony lhe sorriu, observando-a com atenção. Usava um dos vestidos que mantinha na casa do conde, era bem simples, e os sapatos muito confortáveis, prova que seus pés doíam. Os cabelos estavam trançados, um tanto displicentemente.
-Deve aproveitar a vida, Hermione. Talvez demore até que possamos voltar a passar uma temporada em Londres – disse banalmente.
-Uma temporada? - estranhou.
-Sim, uma temporada inteira. – Recebi uma carta de Suarez, e aparentemente está tudo sob controle na fazenda. Levando em conta os lucros, agora que... - ele calou-se antes de tocar em um assunto que Hermione desconhecia – Os lucros vão indo bem, o que nos permite planejar uma temporada inteira em Londres. Porém, com um recém nascido não é prudente longas viagens.
-Porque não me conta o assunto que me esconde? Aliás, deve ser o segredo que anda aos cochichos com o conde e Harry. – ela disse sagaz.
-Tenho medo que não entenda minhas razões - ele admitiu.
-Tente me explicar. Sabe que estou me esforçando para entender tudo que me diz – seu tom era tão calmo e sereno que Rony sorriu.
-Sente-se aqui do meu lado, Hermione – ele pediu, ajudando-a a se mover no estreito espaço e sentar ao seu lado. – Vou ser pai. Não tenho as mesmas prioridades de antes – ele tentou explicar seu ponto de vista – Se eu faltar a você e ao bebê, sei que terá minha família apoiando-a, e terá bons amigos como Harry, e seu pai. No entanto, não quero deixá-la desamparada como fez seus pais – ele notou o modo como ela se encolheu – É um assunto que ninguém gosta de tocar. A morte. Mas é necessário pensarmos nela de vez em quando, sobretudo quando jovens, para não colocarmos o orgulho a frente de nossas necessidades reais.
-Do que está falando? - ela não se aproximou cruzando os braços, detestando ser lembrada que a morte existe e os ronda.
-Estou falando de Harry ter pagado a hipoteca da fazenda, e da dívida que passei a ter para com ele. O conde se ofereceu para pagar essa dívida a Harry, por conta do seu dote – foi direto ao assunto.
-Meu dote? – agora ela estava verdadeiramente surpresa.
-O dote da filha de um conde é pelo menos cinco vezes maior que o valor da fazenda, mas não aceitei o excedente. Como disse, não quero partir e saber que deixei uma dívida nas costas do meu filho. Muito menos que vive de favor na casa do avô por não ter sido amparado pelo próprio pai! – disse esperando fazê-la entender – Recusei o direito ao dote, não me casei com você pelo dinheiro do conde...
-Casou-se pela fazenda – lembrou-o acidamente.
-Sim, mas hoje, não mais teria essa atitude – foi sincero – Dote algum no mundo pode pagar as alegrias que tenho com esse casamento. Diga que entende o que estou dizendo, Hermione. Sei que não é mesquinha a ponto de não entender meu receio.
-Eu entendo. – ela suspirou e descruzou os braços - Só estou surpresa de ter um dote.
-Um senhor dote, você quis dizer – ele provocou – Poucas jovens tem a sorte de ter um pai conde. Para ser franco, para ter esse titulo muitos homens até mesmo abdicariam do dote.
-Fala como se o casamento fosse vantajoso para você – ela disse com uma pontada de rancor.
-É por acaso não é? – ele sorriu sem vergonha – tenho uma mulher que adoro, que é minha companheira e que me faz imensamente feliz. O sexo é fantástico. E vou ser pai. Só vejo vantagens em estar casado.
Hermione não respondeu nada, pois o brilho de sinceridade em seus olhos era desconcertante.
-Não posso me queixar que aceite um dote. É seu direito, e até mesmo dever de um pai. Conheço-o para saber que odiava dever a Harry – foi sincera.
-Odeio a sensação de me aproveitar de Harry. Quando era mais novo, as vezes precisava fingir que não sabia que ele me ajudava financeiramente com meus livros e uniformes. Havia um tutor anônimo que sempre me mandava roupas e livros. Um dia descobri que era Harry quem pedia a seu administrador fazer isso. Fiquei amargando essa descoberta durante dias, sem saber o que fazer, até entender e aceitar que para Harry era um modo de mostrar sua amizade e o quanto me apreciava. Então, me restou fingir que não sabia, porque amava Harry como um irmão e tinha muita vergonha de precisar da sua ajuda.
-Harry nunca ficou sabendo que descobriu? – ela abraçou seu braço, encostando a cabeça em seu ombro, triste pelo menino pobre que Rony fora um dia. Longe da família, sem amor ou carinho.
-Um dia contei, mas já éramos adultos e acabamos rindo dessa historia. Quando casei Gina com Harry, me senti como se houvesse pagado essa divida de gratidão. Ajudá-lo a encontrar a felicidade seria o único modo de pagar tudo que fez por mim.
-E Gina só faz trazer tempestades para a vida de Harry – ela lamentou.
-Acho que Harry precisa disso. Eles são perfeitos um para o outro, mas Harry tem muito que aprender. E Gina o fará achar o caminho certo.
Hermione permaneceu calada, pensando que Rony ter entrado em sua vida causou o mesmo efeito. Ele a trouxe para o trilho certo e agora, era capaz de entender coisas que lhe pareciam inacreditáveis até poucos meses atrás.
-Nosso bebê está mexendo? - ele perguntou vendo-a quieta.
-Sim, está agitado desde que descobriu que um dia se casará bem e receberá um farto dote. Puxou ao pai, tenho que me conformar.
Rony riu abertamente, acariciando seu rosto, fitando seus olhos brilhantes.
-Se refere à ganância?
-Sim, e a tudo o mais. Será arrogante, turrão e mentiroso. Bajulador e sedutor barato. Terá todos os defeitos! – brincou arrancando dele outro riso cristalino.
-E acaso não tenho qualidades? Nenhuma qualidade que meu filho possa herdar?
-Sim, tem. Mas são qualidades que como mãe, não desfrutarei – ela mesma riu.
Referia-se ao seu talento na cama, mas havia mais. Quis lhe dizer isso, mas não pode. Apenas se recostou mais a seu ombro, deixando que o calor de seu corpo e a confiança depositada nele, lhe contasse o quanto o apreciava.
Rony era espirituoso e otimista, transformando cada dia em uma busca por felicidade, e essa qualidade era imbatível. Tinha senso de humor e fazia seu coração disparar com um simples olhar.
-Só peço a Deus que ele não tenha o gênio da mãe – Rony brincou – Não sei se sobreviverei a mais uma pessoa me apontando armas.
-Ronald! Não diga isso nem de brincadeira! – ela reclamou, lhe dando um tapinha – Não quero que meu filho mexa em armas! Entendo que tenha que aprender a atirar para se defender, mas apenas isso. Me entendeu?
-Sim, é meu desejo também. – tranqüilizou-a – Deixarei que cuide de sua educação desde que me prometa que não o fará me detestar!
-E porque faria isso? – perguntou horrorizada.
-Porque me odeia, lembra-se? – provocou – Cansei de ouvi-la gritar isso!
-Tem razão – ela disse pensativa.
-Só isso? Tenho razão?
Hermione olhou-o demoradamente, com as palavras na ponta da língua. Diria logo de uma vez. Pronto, estaria acabado. Mas não disse. A carruagem parou e ela se afastou salva pela interrupção.
A porta da carruagem foi aberta e Hermione se afastou dele, sorrindo aliviada enquanto se oferecia para ser colocada no chão em segurança por Adolph.
-Obrigada, Adolph. É meu anjo da guarda – ela brincou com o grandalhão que pareceu corar, por de trás de sua pele escura como chocolate.
-Não há de que, senhora - ele cuidou de segurar a porta para Rony, que observou Hermione se apressar até o jardim, para falar com Luna, que estava do outro lado da cerquinha cuidando do jardim de sua casa.
-Hermione tem ido ao Rosie Nell? - ele perguntou.
-Todos os dias, desde que o senhor deu permissão – ele confirmou.
-E depois? – perguntou curioso e preocupado.
-Passa algumas horas na Doçaria de Roxanne Lammer. – ele confidenciou.
-Tem cozinhado para ela não é? – ele falou consigo mesmo. – Deveria saber que ela não sossegaria em casa! – maneou a cabeça.
-Devo avisá-lo da próxima vez em que a Sra.Wesley pedir que a leve a doçaria? – Adolph perguntou.
-Não. Apenas cuide de sua segurança – continuou olhando para ela – Hermione é muito irrequieta, precisa trabalhar para se sentir útil – ele olhou para o homem – Acredite, essa pequena mulher é mais forte que nós dois juntos.
Adolph não o contrariou, pois desconfiava que ele tinha razão.
Rony entrou no jardim, e se aproximou, cumprimentando educadamente Luna.
-Precisamos entrar Hermione – ele despediu-se com rapidez impressionante, temendo, que Luna o prendesse em um de seus monólogos.
-Quanta indelicadeza! Luna me contava que seu noivo marcou a data do casamento! Se casarão na última semana desse mês. Estaremos aqui não é? Não posso perder seu casamento! – pediu.
-Está me pedindo permissão, Hermione? - ele a enlaçou pela cintura, querendo beijá-la até que ambos perdessem o fôlego.
-Não exatamente. – explicou – Como é pratico, deve saber que é melhor me fazer um agrado do que me obrigar a pedir ao meu pai que se livre de você! – ameaçou.
-Oh, mas estou morrendo de medo do conde – ele brincou de volta – Vamos para o quarto. Tenho uma hora antes de me apresentar no escritório. – ele disse beijando-a.
-Hum, não ia trabalhar em casa hoje? – fugiu do beijo, enlaçando seu pescoço.
-Sim, mas primeiro preciso conversar com o Sr.Loren sobre um assunto de trabalho.
-E essa conversa não pode esperar para amanhã? Sabemos que ele não vai despedir o genro do conde de Valença – ela desdenhou.
-Sim, sabemos. Mas nunca fui homem de deixar o trabalho de lado. Cumpro minhas obrigações e volto para cá. Tire um cochilo, Hermione.
-É o que vou fazer – ela garantiu, se afastando. – Vai trocar de roupa antes de sair?
-Sim, depois de fazer amor com você – ele disse em tom de ordem.
-Sorte sua que esteja cansada demais para argumentar – fez ares de pouco caso.
Os dois sorriam enquanto subiam as estreitas escadas.
No corredor, Rony a puxou pela mão e a beijou. A noite passada haviam feito amor até despencarem exaustos na cama, mas não fora o bastante para aplacar o desejo e consumir toda a vontade de estarem juntos. Aliás, nunca era o bastante.
O beijo cresceu e Hermione o empurrou gentilmente, sussurrando em sua orelha:
-Anna pode nos ver – lembrou-o.
-Vamos entrar – ele sussurrou de volta, assoprando em seu ouvido e arrancando dela um gemido involuntário.
-Hum, espere, vou avisar Anna que chegamos – ela afastou-se, conseguindo escapar de seu abraço e rindo pela sua expressão contrariada – Em dois minutos estou de volta!
-Pois é bom que esteja mesmo! – ele resmungou entrando no quarto, enquanto Hermione descia as escadas rindo.
Na cozinha estava tudo silencioso então, restava procurá-la em seu quarto. Era cedo ainda, e talvez houvesse aproveitado a ausência dos patrões para dormir um pouquinho mais.
Longe de estar chateada, Hermione abriu a porta do quartinho que Anna costumava ocupar quando não dormia no Rosie Nell. Pretendia dizer-lhe bom dia e recomendar que ficasse na cama mais um pouco, pois ela mesma voltaria a dormir depois que Rony saísse para o trabalho.
A primeira coisa que viu foi que Anna estava entre as cobertas. A segunda coisa que viu foi seu pé moreno escapando por baixo da pesada coberta de espuma.
Um pé moreno? Ela franziu as sobrancelhas e se aproximou mais, notando as roupas no chão. O entendimento fez seu sangue ferver, e Hermione apanhou o cinto que estava no chão. Dobrou-o nas mãos decidida a usá-lo.
-Anna? – chamou em voz alta – Anna!
Um movimento embaixo das cobertas avisou-a que havia acordado. A coberta baixou o bastante para que ela visse o olhar desesperado de Anna. Isso, e um ombro nu.
-Vou esperar na sala. – ela disse achando que sufocaria pela raiva – se vista. E você, Duran, nem se de ao trabalho de fugir!
Não houve respostas, e ela saiu do quarto. Furiosa, bateu os pés e sentou-se no sofá. Juanita nunca a perdoaria por isso!
-Hermione? – Rony chamou do alto da escada. Havia tirado os casacos e o colete e mantinha apenas a camisa, as calças e o sapato.
-Anna e Duran passaram a noite juntos – ela disse como quem roga uma praga.
-Por isso está com esse cinto nas mãos? - ele desceu calmamente os degraus – Me dê isso. Ele não é seu filho, não é você quem vai dar essa surra!
-E eu vou fazer o que? Deixá-lo estragar a própria vida? Eu pedi que falasse com ele! Porque não fez isso?
-Eu fiz! – ele se defendeu – Não achei que seria tão estúpido a ponto de não me ouvir!
-Estúpido! Estúpida fui eu de confiar nesses dois! – com ódio, interrompeu o que dizia, quando os avistou se aproximarem de cabeça baixa. – Como pode fazer isso comigo, Anna? – ela perguntou dirigindo a eles toda a sua indignação – Duran, como pode fazer isso comigo? Sabe a confiança que sua mãe precisou ter em mim para que permitisse vir a Londres sem sua companhia? O que direi a ela?!
-Explicarei a minha mãe – ele disse envergonhado – Eu...
-Você o que? Vamos diga! Se explique, menino! – Rony exigiu.
-Eu... Não tenho explicação nenhuma, senhor – ele disse humilde.
-Se ousar dizer que ‘aconteceu’, eu arranco sua língua! – Hermione tentou pegar a cinta da mão de Rony e Duran olhou para ela com medo. Mas Rony não entregou e sim, segurou Hermione pelo braço.
-Sentem vocês dois – Rony mandou – E você, sente e se acalme.
Furiosa, Hermione sentou-se longe dos dois, mirando o menino com tanta raiva que poderia tê-lo fulminado.
-Desonrar uma mulher é um assunto muito sério, Duran – Rony começou a falar – Aqui em Londres, ou onde vivíamos a honra de uma mulher não pode ser tomada por um homem como se nada houvesse acontecido! Está ciente disso?
-Por favor, Sr.Wesley – Anna pareceu desesperada – A culpa foi minha. Duran não tem culpa alguma. Eu... não tinha mais virtude. Ele não tomou nada de mim. Eu...
-Cale a boca, Anna! – Hermione exigiu – Ter sido violada a força, não quer dizer que perdeu sua honra. Perdeu apenas o aspecto físico. Isso é mais sério. Foi consentido!
-Sim, foi. Mas Duran não pode ser responsabilizado por algo que quis. Eu o amo, Sra.Wesley e desejei isso. E não cobro nada dele.
-Não? Pois desse modo está a um passo da vida de cortesã! Pensar dessa forma a fará ser uma coitada, explorada pelos homens. Duran, é um menino bom, já viu o pior da vida, criando seus irmãos ao lado de sua mãe, e a vida dela nunca foi fácil. Não vou tratá-lo como trataria um menino, porque sei é mais maduro do que os outros de sua idade. Acha certo que Anna banalize o que fizeram? Responda-me!
Rony não a interrompeu, pois ela tinha razão.
-Eu fui fraco – ele admitiu – Mas gostaria de casar com Anna.
-Casar? E viver do que? – Hermione olhou para Rony exasperada – Sua mãe conta com você para ajudá-la! Como pretende cuidar de uma esposa? E de filhos? Como?
-Eu posso trabalhar – ele disse orgulhoso - não posso voltar para casa com uma esposa, mas posso ficar aqui e trabalhar.
-Deus do céu! – Hermione olhou para Rony esperando que ele pudesse ajudá-la, pois estava completamente sem palavras para tanta idiotice.
-Trabalhando como ajudante de estrebaria ou ferreiro? Acha que é salário suficiente para manter uma casa em Londres?
-Eu posso ajudar – Anna apressou-se a dizer.
-Sim, até o próximo inverno quando estiver grávida e precisar parar. É o que acontece quando se casa. A gente engravida – apontou para si mesma, nesse momento tão indignada com os dois que podia bater neles. – O que eles vão fazer, Rony?
Ele abriu os braços como quem diz “eu não sei”.
-É a escolha de Duran, se já é homem pode fazer suas escolhas – ele disse com cautela, apenado menino. – Vou tentar conseguiu um trabalho que lhe renda alguma coisa e precisa ver um lugar para morarem.
-Ronald! – Hermione disse desesperada – Ele não pode ficar aqui! Não está acostumado com Londres! Não pode começar uma vida aqui, é muito novo. Não tem experiência de vida!
-Um homem tem que arcar com suas escolhas, Hermione – tentou acalmá-la.
-Não mesmo – ela disse quase as lágrimas – Não vou deixá-lo nessa vida fria e sofrida! As pessoas daqui não tem coração. Não vai haver emprego para ele e muito menos para Anna! Eles não terão uma vida! Esse menino precisa cuidar de sua mãe, dos seus irmãos. Rony – apelou ,segurando sua mão, sabendo que apesar de não querer, estava chorando.
Ele suspirou ruidosamente, nada feliz com a conclusão que Hermione o obrigava a chegar.
-Quer levá-los para a fazenda?
-Anna pode ajudar Juanita com o trabalho de casa. Com o bebê o trabalho vai aumentar. E... E... Duran pode ajudá-lo com o trabalho, como fazia antes. Por favor, só por um tempo, até serem adultos para cuidarem de si mesmos!
Contrariado, Rony teve que ceder. Não o agradava levar mais gente para a fazenda.
-Duran, daqui para frente fica com Adolph na estalagem. Não o quero perto de Anna novamente até acertarmos o casamento.
-Casamento? – Anna parecia chocada.
-O que você espera? Que eu permita que vire uma mulher usada pelos homens? Vão se casar sim! – Hermione rugiu, nada simpática.
A menina se encolheu.
-Anna, você quer se casar com Duran? – Rony precisou perguntar, a despeito da fúria de Hermione.
-Só se ele me quiser – ela admitiu chorando.
-Eu quero – ele disse apressado.
-É claro que quer – Hermione desdenhou, olhando muito para a cinta que Rony segurava – Espero que Juanita arranque seu couro, menino mal agradecido! Vai se casar e vai se casar calado! Se ouvir um pio dos dois, juro por Deus que eu...
-Chega – Rony interrompeu – Anna, prepare o café da manhã, preciso beber café depois dessa. Duran, saia das minhas vistas por um tempo. Vou levá-lo comigo mais tarde para o trabalho. Mas até lá, não quero ver sua cara arrependida.
-Quando vão marcar a cerimônia? – Hermione perguntou, olhando com indignação para os dois.
-É melhor que se casem na fazenda. Os proclamas demoram mais tempo do que podemos dispor. Agora, vamos subir para o quarto.
Liberados, Anna e Duran sumiram, cada um para o seu lado, como se corressem do próprio diabo. Hermione levantou-se.
-É bom que esqueça qualquer idéia de fazer amor. Depois desse desgosto não quero saber de você perto de mim! – avisou, passando por ele em direção as escadas.
-Ótimo, eu que não tenho nada a ver com isso, pago o pato – ele reclamou seguindo-a.
-Era você quem deveria ter falado com ele, e o impedido de fazer essa besteira sem tamanho! – ela acusou jogando os sapatos longe, e sentando-se na cama pesadamente.
-Talvez devesse tê-lo castrado também - ele resmungou sentindo-se culpado também.
-O que você disse? - ela perguntou furiosa com ele. Furiosa com Duran e Anna. Furiosa com sua própria omissão ao dar oportunidades a ambos de aprontarem.
-Nada. Eu não disse nada – ele resmungou novamente.
Hermione se deitou, e ignorou-o pela próxima hora.
Rony também não estava no melhor dos humores quando praticamente arrastou Duran para o trabalho junto com ele.
Beta: Só fazem besteira, a Mione já tá agindo como mãe, tadinho do bebê!
Autora: Hermione é dessas mães terroristas. Coitada, fiquei até com pena da Anna e do Duran. Heheheh...