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120. BAJULAÇÃO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 120 – BAJULAÇÃO


 


 


 


 


 


 


A doçaria da Madame Roxinne Lammer era agradabilíssima. Não que Hermione tivesse grandes comparativos, pois a única casa de chás da cidade que nascera não chegava a ser um comparativo digno.


Depois de serem cordialmente atendidas por uma jovem uniformizada, foram conduzidas para os fundos do prédio.


-Por aqui, senhoras – a jovem abriu a porta e Anna sorriu para ela, indicando o caminho a partir dali.


O prédio era muito antigo, porém conservado. Paredes pintadas e limpas. Tapetes agradáveis. Ao chegarem à cozinha, Hermione suspirou.


Havia um forno gigantesco, uma mesa de madeira e vários utensílios. Duas jovens uniformizadas lavavam a louça em um canto, e olharam para elas com admiração.


Não era à toa, pensou. Gina parecia uma rainha usando um vestido bordado, com tecido muito caro e fino. Uma trança mantinha seus cabelos afastados do rosto, e causavam um efeito devastador, pois realçava seus olhos azuis e os lábios avermelhados.


Atraia a atenção também pelo número de jóias que usava.


Para Hermione que a conhecia desde a infância, era possível notar que nem todas as jóias do mundo poderiam ocultar sua apatia.


-Sra.Wesley!


A voz empolgada cortou seus devaneios, e ela precisou voltar sua atenção para Roxinne Lammer que adentrava o ambiente, através de outra porta, que deveria desembocar na dispensa.


-Como esperei poder revê-la!


Hermione analisou a mulher que estava a sua frente. Era mais alta que ela, tinha o busto cheio, como uma mulher que teve um ou dois filhos. A cintura era robusta, mas não gorda. Deveria ter coxas grossas também, pois seus braços eram fortes. Seu rosto não era especialmente bonito, mas suas sobrancelhas eram muito bem feitas, e seus cabelos eram muito louros e brilhantes.


Um traço em comum com Lavander Brown.


Roxinne se apressou a segurar suas mãos, com tanto carinho que a confundiu.


-Estive esperando um convite para conversarmos! Não tive audácia de abordá-la, pois não desejava causar-lhe problemas com seu marido ou sei pai!


A palavra ‘marido’ causou-lhe um arrepiou, e nada discretamente, soltou suas mãos.


-Não me contou que conhecia meu marido – acusou.


Roxinne olhou em volta, notando que eram alvo dos olhares de todas as mulheres presentes.


-Então, essa foi a razão de seu afastamento – ela suspirou, olhando em volta – porque não conversamos por um minuto em particular? Minhas queridas ajudantes podem começar a cortar os legumes e separar os ingredientes, basta que as oriente. Devo acrescentar que estou ansiosa para provar de sua culinária, tão elogiada! - ela sorriu para Anna e a menina correu a distribuir ordens, pois conhecia o cardápio que Hermione elaborara.


Hermione achou por bem não responder aos elogios. Seguiu-a em direção a uma saleta, num fim de um longo corredor.


-Anna me contou sobre a importância do seu jantar. Omitiu os detalhes, mas me garantiu que precisará de tudo perfeito!


-E está disposta a me ajudar?


Sua acidez não passou despercebida por Roxinne, que afastou o olhar, notando que ela não sentaria, mesmo tendo lhe indicado a cadeira forrada em veludo.


-Agora percebo que lhe causei uma grande ofensa, Sra.Wesley. Não havia notado. De coração, não havia percebido – ela sentou-se pesadamente em uma de suas poltronas.


-Não aprecio conversar com pessoas que me conhecem e escondem isso. Sabia quem eu era, e não me refiro a ser filha do conde. Sabia quem era meu marido, e sabia também o tamanho da intimidade que possuem!


-E deveria ter lhe dito? – ela pareceu querer rir. – Como poderia ter abordado esse assunto? Um assunto totalmente esquecido por mim.


-É mesmo?


-Sim. Entenda, quando tinha sua idade, meu pai morreu e me deixou uma grande fortuna. Não desejei me casar, não encontrei um grande amor, ou um companheiro que pudesse me acompanhar vida a fora. Tive quatro filhos, de amores diferentes. Orgulho-me da vida que tenho, mas às vezes... É uma vida solitária. Uma noite, um belo rapaz de sorriso fácil me cativou. Mas não prendeu minha atenção além de alguma diversão e uma conversa interessante. Uma noite como tantas outras. É jovem demais para entender de solidão...


-Não, não sou. – cortou-a, começando a compreender – Não significou nada?


-Não – Roxinne sorriu – Não contei, pois não sabia se deveria. As jovens recém casadas não falam das amantes anteriores de seus maridos, a maior parte delas, sequer fala a palavra ‘amante’.


-Ele tentou procurá-la? – perguntou achando que podia confiar naquela mulher de olhos sagazes.


-Não. Fugimos um do outro, pois sempre fomos cordiais, e tal ato foi vergonhoso de nossa parte. Meu filho tem a idade do seu marido. Senti-me horrível depois, e sei que por conhecer meu filho, Ronald sentiu-se desconfortável em ser tratado como um brinquedo de uma noite. Deve estar pensando em como é possível uma mulher agir desse modo. Estou errada?


-Não consigo me imaginar numa cama com outro homem... Mas antes, não conseguia me imaginar tendo esses limites ou pensamentos. Sempre cuidei de mim, nunca precisei de um homem para ser feliz.


-Está apaixonada. Não conheço esse sentimento, mas reconheço em você os sinais. Está tomando satisfações de uma mulher com o dobro da sua idade, um terço da sua beleza e viço, e tudo isso por uma noite que aconteceu há anos atrás, antes de conhecê-lo. Se isso não é ciúme, não sei o que é!


Hermione não ousou responder. Não tinha argumentos para defender-se. Era ciúme. Puro e único.


Tomaria satisfações de todas as mulheres que ousaram estar com ele antes dela. Pronto, simples assim. Estaria com cem anos, velhinha e enrugadinha, apontando sua bengala para todas as sexagenárias desavergonhadas que ousassem olhar para ele!


-Esqueça o que dizem sobre uma mulher independente e capaz de cuidar de si mesma não precisar de um homem. É mentira. Precisa de amor como qualquer outra. Eu teria me casado se houvesse me apaixonado. Simples assim.


-Eu a vi no meu segundo dia em Londres. Entregou-me um panfleto – Hermione sorriu para ela – Rosie Nell. Oito horas.


Roxanne riu ao ver que ela ainda lembrava.


-Todas as quintas-feiras. – complementou – Ajudo mulheres simples a aprender uma profissão. Porque não me ajuda? Poderia ensinar outras mulheres a cozinhar como você?


-E como pode saber que cozinho bem? Anna gosta de mim. Não é um julgamento parcial. – sorriu para Roxanne.


-Cozinhar é uma arte, e como todas as artes, só podem ser realizadas por pessoas especiais. E posso ver o quanto é especial. Está em seus olhos, um furor interior inconfundível. A força em você. O tipo de força que faz uma pessoa permanecer em pé.


Hermione sentiu o peso dessas palavras dentro de si. Não era uma mulher forte. Curvara-se a um casamento, inicialmente sem amor, apenas por medo do que seria feito de sua vida. Era fraca.


-Deve ter ouvido muitos boatos sobre mim – ela disse pesarosa – sobre minha família. Sobre... O baile. – baixou o rosto, envergonhada.


-Sim, ouvi muitos boatos, e pobre conde, tem sido acusado de ter mantido uma filha em segredo. Quanto a sua procedência, não há nenhum especulação verdadeira, suponho. Dizem que veio do interior, que vivia em uma fazenda, com sua mãe e posteriormente com seu marido.


-É o que dizem? – surpreendeu-se.


-Sim. E quanto ao baile... Já deve saber o que dizem – ela deu de ombros.


-Sim. Dizem que estou envolvida com aquele homem. – corada, sentiu pena de si mesma.


-Não, minha querida, é claro que não! Todos comentam como Malfoy foi indiscreto e cafajeste em abordá-la daquele modo, e em como seu marido demonstrou ser apaixonado e protetor! Como pode pensar que haveria maledicências sobre a filha amada do conde? Não, imagine!


-Mas Rony jurou que eu estava difamada!


-Impossível, ninguém ousaria pensar mal da filha do conde. A jovem cativante e vibrante, que impressionou a todos dançando com seu marido pelo salão de baile... – ela disse sonhadora – todos comentam de seu lindo e original vestido. De seus cabelos encaracolados e naturais, de suas jóias discretas... De seu olhar brilhante e de sua coragem em vir a Londres. Os comentários ácidos ficam por conta da honra do conde e de seu marido. As debutantes a tomaram como exemplo. Querem ser como você, e ser a cinderela também!


-O que dizem do meu pai e do meu marido? – não fazia sentido, pensou.


-Oh, o de sempre. Dizem que um nobre não podia e não queria assumir uma filha bastarda. Que Ronald Wesley foi esperto em encontrar essa jovem e se casar com ela, obrigando o conde a tomar uma atitude!


-Mas, isso é mentira! – indignou-se – Mentira!


-Sim, todos sabem disso. Mas precisam falar de alguém desde que o Conde de Torrilan fugiu com o namorado cocheiro – confidenciou e piscou para ela, rindo.


-Rony me disse que... Ele iria duelar com Malfoy por causa dos comentários sobre minha honra. Sobre o meu bebê.


-Está grávida? Oh, que benção! Não, não mesmo. Acredito que poucas pessoas devem saber que espera um filho. Mas claro; isso explica tudo! – ela disse pensativa.


-A que se refere? – estranhou.


-Ouvi de uma fonte segura sobre um encontro seu com Malfoy – ela foi direto ao ponto.


-Pretendia pedir que desistisse do duelo! Rony é péssimo com armas! Não teria a menor condição de duelar com um perito! – exasperou-se.


-Perito? Draco Malfoy? – ironizou – Aquele verme não é perito em nada na vida! Conhece armas, claro, é militar, mas é um beberrão. Quanto a Ronald, soube que tanto ele quanto Harry, são sumidades na arte do tiro. Um duelo entre eles, por certo, seria uma fatalidade para a família Malfoy! Embora, não tenha sabido de nenhum duelo. E sou, talvez, uma das mulheres mais bem informada de Londres.


-Eu não entendo. Anna lhe contou sobre meu encontro com Malfoy?


-Lucius Malfoy, o pai, é um homem que causou muitas tristezas em minha vida e família. Apanhar o rato do filho, é um modo de sentir o gosto da vingança!


-Ele não apareceu em nosso encontro – ela disse olhando para Roxanne com apreensão – Por sua causa?


-Falei com alguns conhecidos, que liquidaram as dívidas de jogo que pesavam sobre ele. Aquele rato não ousaria ficar e encarar os homens para quem devia. Seres de pior espécie que ele próprio!  Não deixaria que um homem como aquele tivesse a oportunidade de se encontrar a sós com você. Entenda, para ele, é um pote de ouro. Conheço aquele desqualificado. Acharia um modo de destruir seu casamento, e casar-se com você!


-Isso não seria possível! – Hermione negou veemente.


-É mesmo? Pois se ele a violentasse, e a mantivesse presa a ele por muitos dias, não sobraria alternativa. Ronald teria que abdicar do direito de ser seu marido, pois a vergonha destruiria sua vida. E seu pai... Teria que recuperar sua imagem, casando-os. Seria horrível demais.


-Não. Não conhece Rony! Esse plano nunca daria certo! Ele o mataria por ter me machucado! E quanto ao meu pai, duvido que me fizesse infeliz por causa da opinião dos outros!


Sua convicção surpreendeu Roxinne.


-Seu marido não se importaria de outro homem a tocar?


-Rony é muito possessivo. Mas saberia que não foi consentido.


Roxinne não argumentou mais, sorriu cordial e levantou-se.


-Entende por que interferi? Agora, ao saber que seu casamento é tão feliz, fico ainda mais contente de ter intervindo nos planos daquele homem! Seria uma lastima duas pessoas tão apaixonadas sofrerem.


Hermione corou violentamente. Seria tão óbvio assim o tamanho do amor que vinha nutrindo por aquele homem? Seu marido, bonito, ágil e tolo?


-Ainda não entendo porque Rony me disse que duelaria, e se esforçou tanto para me convencer dos boatos, e de que não venceria Malfoy. – disse pensativa.


-Bem, é inteligente demais para não chegar à conclusão obvia.  – Roxinne quase riu diante de seu suspiro inconformado.


-Era tudo mentira. Não havia duelo. Não havia boatos, não havia risco algum. – verbalizou o que ambas pensavam.


-Exatamente. Acho que seu marido usou das táticas mais antigas, para chamar atenção de sua jovem e apaixonada esposa. O medo.


Hermione riu. Por alguma razão havia tanta graça nisso, que se viu rindo descontroladamente, Roxinne acompanhou-a no riso, sem saber do que riam. Era incontrolável a vontade de rir, quanto alguém ri bem na sua frente, com tanta vontade.


-Do que estamos rindo? – ela perguntou curiosa.


-Bem feito para ele! – ela disse limpando as lágrimas de riso – Bem feito para o grande impostor que ele é! Para impedir esse duelo, eu o seqüestrei. Não dando certo, o dopei durante um dia inteirinho. Agora eu sei, um dedo destroncado foi pouco! Merecia ter quebrado o nariz!


-Meu Deus! Não fez essas coisas!


-Sim, eu fiz. – aprumou as roupas – Ele não tinha o direito de mentir para mim! Mas como já o fiz sofrer por seus atos, mesmo sem saber de nada, não há razão para não me sentir vingada.


-Contará a ele, que sabe de tudo?


E estragar a paz restabelecida entre eles? Hermione se indagou.


-Não sei. De verdade, não sei.


Uma batidinha, e Anna entrou, avisando que estavam prontas para começarem.


Deixando o assunto Ronald de lado, Hermione se esforçou para se concentrar no jantar.


Era quase impossível, no entanto, esquecer de sua mau criação.


Vez ou outra, as outras mulheres a notavam parar, sorrir e manear a cabeça, pensando nos porquês dele querê-la desesperada com sua possível perca. Será que era mesmo para chamar sua atenção?


E será que fizera isso pelas mesmas razões que ela fizera, ao dançar com Malfoy?


 


 


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Começava a escurecer em Londres, quando a carruagem parou em frente à pequena casa. Hermione espiou pela fresta da cortina e saiu em disparada em direção à cozinha. Anna apareceu na sala, se arrumando antes de abrir a porta.


Gina surgiu na sala, ao lado de Harry. Ambos contrariados. As expressões eram fechadas e sombrias. Hermione sabia muito que o casamento dos dois não ia bem, e apesar de ter seus próprios problemas para resolver, se convenceu que era hora de colocar Harry na linha.


Recebê-los ajudou a conter um pouco da sua ansiedade. Mal podia esperar. Aqueles dois homens tinham o poder de mudar sua vida.


O Sr.Loren a quem tinha profundas mágoas, por fazer Rony de escravo, e o Sr.Digory, um homem tido como machista e irritadiço quando mulheres se envolviam em conversas.


Essa noite seria a perfeita anfitriã.


Mesmo que isso lhe custasse seus nervos. Estava nervosa, ansiosa e a beira de um chilique.


Ao menos a chegada de Gina serviu para distraí-la a ponto de não ouvir o barulho da carruagem chegando. Gina lhe contava sobre a mais recente briga com Harry, quando a porta se abriu e Rony entrou, orgulhoso, indicando o caminho para os dois homens.


O Sr.Loren torceu vividamente o nariz diante da simplicidade da casa. O Sr.Digory olhava tudo com curiosidade.


Hermione estava sentada, quando a voz de Rony a tirou da animada conversa.


-Sr.Diggory, Sr.Loren, quero apresentar-lhes minha esposa, Hermione.


Ele estendeu a mão em sua direção, sorrindo para encorajá-la.


Hermione olhou para ele por um segundo, antes de aceitar sua mão e levantar-se. Não passou despercebido a Rony o ambiente decorado com flores, o chão lustroso, o aroma de flores do campo exalando por todo ambiente.


Assim como não passou despercebido o vestido lilás, num tecido acetinado, que evidenciava seus seios, e principalmente sua cintura, delatando a curva acentuada que se formava dia a dia em sua barriga.


Seguiam rendas e bordados pelas mangas, que lhe chegavam aos cotovelos, o decote era quadrado e sóbrio, apesar de revelar uma porção generosa de colo. A saia não era tão ampla como exigia a moda, mas era o exato gosto de Hermione.


Ela trazia no pescoço a corrente que ele lhe dera, os brincos que o duque lhe presenteara, e tinha os cabelos soltos, presos em um dos lados, com a simplória presilha que ele lhe dera ainda na fazenda.


Quando Hermione passou por ele, exalou um delicioso perfume de rosas.


Seu sorriso era verdadeiro e suave, quando cumprimentou educadamente aos homens.


Rony ficou pensando nessa súbita mudança. Até valia a pena ser seqüestrado e drogado, se fosse para tê-la tão educada e carinhosa!


-Mas ora, se não é a jovem sem educação do mercado! – o gracejo surpreso do Sr.Loren pegou Rony de surpresa.


-A rebelde! Como pode ser sua mulher, Ronald!? Uma dama que fala como essa mulher não pode ser casada com um homem de bem!


Hermione tinha os olhos arregalados.


-Era cedo quando cruzamos com uma jovem no mercado, estava em um beco, e teve a ousadia de nos ridicularizar quando tentamos ajudá-la! – Digory informou – Jamais imaginaria que essa jovem sem um pingo de respeito fosse sua mulher! – Digory fincou o chapéu de volta a cabeça, e chegou a virar as costas para ir embora, quando Rony se desesperou:


-Deve haver algum engano! Minha mulher é um doce, nunca elevou a voz para mim! Ou para qualquer outra pessoa em toda sua vida!


Gina chegou a se engasgar, pois bebericava um copo de vinho, e disfarçou com uma tosse discreta, que passou despercebida, mas não a Harry, que retirou o copo de suas mãos.


Ela tomou isso como uma afronta, afastando o olhar, magoada, por isso não notou o olhar carinhoso dele, querendo protegê-la de se envergonhar em público, derramando vinho.


-Como lhes contei, Hermione perdeu a família recentemente, foi vítima de um sórdido plano para roubar as terras que possui. Um plano, que graças ao meu bom amigo Harry, pude impedir de se concretizar. Criou-se, ao lado de minha irmã, ambas aprendendo a serem verdadeiras damas. Como verá essa noite, é prendada e muito cuidadosa em agradar ao marido e cuidar da casa. Não consigo imaginá-la sendo descortês ou rude com quem quer que seja! Hermione, esclareça esse mal entendido – ele mandou, segurando seu braço, como os maridos deveriam fazer.


Ele comprou seu olhar, talvez lhe implorando que não o contradissesse em público.


-Não posso dizer nada, esposo. Passei o dia todo em casa, preparando o jantar. Caprichei em vários pratos e várias sobremesas, e não tive tempo de pôr o pé para fora de casa. Sinto muito, mas não sei o que dizer.


Sua falsa humildade parecer erguer uma dúvida, primeiramente em Digory, que a mediu dos pés a cabeça.


Ele olhou para Loren e então para ela novamente.


-É possível que seus olhos velhos tenham nos enganado, Loren? – ele perguntou a queima roupas.


-E os seus? – ele devolveu a pergunta, nada convencido disso.


-Ora, meus amigos – Harry interrompeu – A prova do que Hermione diz está na cozinha, esperando por nós. Tenho certeza, um banquete digno dos deuses!


-Um banquete facilmente comprado em qualquer casa refinada – Loren desdenhou.


Hermione ferveu por dentro, pronta para colocá-los porta a fora. Para sua sorte, Rony salvou-a de fazer isso.


-Duvido que não mudem de idéia depois do jantar. Verão com seus olhos como vivo bem! Não é comida que encontrarão em Londres. É comida de fazendeiro, meus amigos. A melhor e mais saborosa comida que já tiveram o prazer de provar! E os doces! Deus do Céu, eu mataria para manter essa mulher cozinhando para mim pelo resto dos meus dias!


Digory parecia mais convencido de seu engano, e com água na boca, se acalmou mais facilmente. Ainda desconfiado, Loren concordou em sentar-se, sempre analisando Hermione em todos os detalhes.


-Um infeliz incidente – Rony explicou pouco depois quando Loren puxou um assunto desagradável. – Como sabem, era o primeiro baile que Hermione participou em sua vida. Viu-se presa numa situação constrangedora, por um homem desprezível como Malfoy. Um biltre sem moral, que não pode respeitar nem mesmo os enjôos e mal estares de uma senhora grávida.


-Por isso não se defendeu? – Diggory olhou dela para sua barriga, e ela acenou com a cabeça, achando que mais uma hora sorrindo desse modo, como tonta, e ela grudaria permanentemente esse sorriso na face.


-Homens como Malfoy não devem ser discutidos em um jantar tão agradável como o que meu amigo oferece – Harry sugeriu, servindo mais uma taça de vinho a Diggory. – Além disso, é de conhecimento público que Hermione é filha do Conde de Valença. Estiveram no baile que ele ofereceu?


-Não, infelizmente não fomos convidados – Sr.Loren respondeu com rispidez.


-Uma falha imperdoável – Rony observou.


-Sem sombras de dúvidas, uma falha imperdoável! Um baile oferecido pelo conde de Valença. Seria uma honra ser convidado!


Havia um tom libidinoso na voz de Diggory, e Rony apertou os dedos de Hermione entre os seus, pois estavam sentados lado a lado, e ela olhou para ele com explícito receio.


-Talvez... – ela suavizou a voz de tal maneira que Rony mal podia acreditar que aquele gatinho manso fosse sua mulher. -... Não pude aproveitar meu baile. Talvez se eu pedisse, meu pai pudesse reparar a falha terrível de não ter convidados dois cavalheiros tão importantes para nossa família, e promover outro baile em minha homenagem.


Rony poderia ter rido.


-Uma idéia louvável, minha senhora – Digory falou como se estivesse sufocando, o peito inchado de orgulho.


Até mesmo o orgulhoso e desdenhoso Sr.Loren, parecia comovido com essa oportunidade de aparecer diante da sociedade londrina como alguém querido pelo conde de Valença.


-Uma idéia esplêndida, minha querida – Rony sorriu-lhe – Não sei se costuro sua boca para que não grite em becos, ou se a beijo até perder o fôlego – ele sussurrou em seu ouvido.


-Nem uma coisa, nem outra – ela sussurrou de volta.


Mais alguns minutos de conversa, torturantemente bajuladora, e Anna anunciou que a mesa estava pronta. Aliviada pela tortura estar se desenrolando, Hermione foi conduzida a cozinha, onde a mesa os esperava.


Até mesmo Rony ficou surpreso. A louça era de qualidade e bom gosto. A disposição dos alimentos estava perfeitamente harmônica. Mas nada se comparava com o cheiro suculento da carne de carneiro, ou o cheiro do pernil. Muito menos o cheiro do frango assado com especiarias.


Batatas, saladas e vários outros acompanhamentos, todos regados a muito vinho e mais conversa bajuladora.


O ponto alto foi a sobremesa. Diggory chegou a lamentar ter comido tanto, sua elegância deixada de lado, quando abriu os botões do seu colete, segundo ele garantindo espaço para as tortas.


Rony foi servido de torta de nozes, sua preferida. Gina preferiu um mousse delicado e rico feito com morangos e calda. Harry mal pode degustar sua torta de chocolate, observando com desejo Gina inocentemente sorver o morando cortado, que enfeitava seu doce.


Diggory e Loren provaram de tudo um pouco, e graças ao vinho, ou a comida, ou aos dois, até o final da noite estavam rindo e conversando alto, esquecidos do incidente do beco.


Quando foram embora, não cansavam de repetir sobre o baile que o conde poderia vir a consentir dar, em homenagem a sua delicada e pueril filha.


-Delicada e pueril – Rony resmungou, quando ambos ficaram sozinhos na sala - Megera, isso sim.


-Pelo menos não sou bajuladora. – devolveu, começando a subir as escadas.


-Ah, é sim. Um baile para Diggory e Loren? Se isso não é bajulação, então, estou destreinado na arte de agradar os mesquinhos, turrões e mãos de vaca! – ele riu.


-Não sou bajuladora, mas não me importaria de ser um pouco bajulada – ela segurou no corrimão – Meus pés doem. Estão inchados. Quero deitar e dormir até o próximo século!


Rony subiu os degraus, ficando um pouco mais baixo que ela, mantendo sua mão a centímetros da dela, sobre o corrimão.


-Deseja que a coloque na cama, Hermione? – sua pergunta soou aveludada. Sedutora.


-Sim, desejo – concordou, num tom muito parecido com o dele.


Rony se inclinou e a beijou languidamente, sem presa. Um beijo de amor, sem que se tocassem. Os lábios agiam sozinhos, e o calor queimou dentro de Hermione. Ela ergueu um dos braços e colocou sua mão sobre seu ombro, seguindo o contorno másculo, até embrenhar os dedos em seus cabelos ruivos e espessos.


Ele ronronou e o beijo se aprofundou.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Beta: Pode falar, nunca viu tanta velocidade nas entregas né!!! Até!!!


Autora: isso aí, beta! Agora a gente pegou o jeito! Hehe


 


 

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