FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 



(Pesquisar fics e autores/leitores)



 




 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

12. Maturidade


Fic: In Aeternum


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________


Capítulo 12- Maturidade


Memórias do quinto ano:


(trechos de: Rowling J.K- Harry Potter e a Ordem da Fênix, tradução de Lia Wyler- Rio de Janeiro: Rocco, 2003).


- Ronald Weasley-


Sabia que não conseguiria dormir. Talvez tivesse essa certeza desde o momento que desaparatara do quarto de Hermione. Mesmo assim, tendo a certeza de que o sono não viria, ele permaneceu ali, deitado com as mãos atrás da cabeça. Sua mente ainda não havia se recuperado do turbilhão de pensamentos e sentimentos, novos ou até mesmo renovados, que estavam ainda presentes dentro dele.


CRAQUE! O som foi alto, como um estalo. Rony se sobressaltou e pulou na cama, assumindo a posição sentada. Quando a viu, parada ali olhando para ele, o rosto corado e os cabelos levemente despenteados, sentiu-se burro e se culpou por ter se assustado com sua chegada.


A distância que havia entre eles desapareceu em apenas alguns segundos e no instante seguinte, Hermione já estava em seus braços.


- O que você está fazendo?


- Vim ver como você estava...- ela falava sem o encarar nos olhos.


- Você sabe que isso não faz sentido...faz apenas minutos que vim para cá...


- Eu sei...- ela falou, sem fôlego, e colou seus lábios.


Recuperado do susto, Rony já a envolvera com os dois braços e a trazia para mais perto de si, correspondendo o beijo à altura.


- Mione...seus pais?- ele falou com a voz abafada, a garota insistia em manter seus lábios unidos.


- Devem estar sonhando há essa altura...


Rony sentiu toda aquela euforia novamente. Hermione parecia não querer deixar espaço para ele se mexer, tomar outra decisão diferente da que ela estava pensando, ou até mesmo respirar.


Um som alto pareceu desmanchar o momento: vinha da porta do quarto. Parecia um arranhar. Hermione pareceu ter perdido toda a cor de seu rosto e encarou Rony, como que pedindo ajuda.


Rony largou a garota e foi lentamente até a porta, torcendo para que Hermione aparatasse o mais rápido possível de volta ao seu quarto, assim teriam a cena perfeita caso seus pais estivessem rondando o corredor.


Porém, quando se aproximou mais, ouviu o barulho novamente. Seu estômago despencou: mas alívio foi o que o invadiu. Um miado muito baixo chegou aos seus ouvidos. Ele abriu a porta com um movimento brusco.


Bichento entrou no quarto como se aquilo fosse algo tão natural quanto sacudir seu rabo de escovinha. Seus olhos amarelos focaram Rony e depois Hermione.


A garota ainda respirava rápido, mesmo vendo que o susto fora apenas por causa do gato arranhando a porta. Ela se dirigiu a ele e o pegou no colo.


- Bichento! Você quer me matar de susto?- ela sussurrou, nervosa.


- Esse gato...- Rony já começara a planejar mentalmente maneiras eficientes de dar um sumiço no felino-...tem problemas comigo. Sempre foi assim! Achei que fosse com o Perebas, digo,com o rato que...ah...esquece....


- Bichento não tem nada contra você!- Hermione riu enquanto se aproximava do garoto.


- Ele me olha de um jeito estranho...- Rony sentiu as orelhas queimarem juntamente com seu rosto.


- Isso é implicância, Ronald!- Hermione levou o gato até a porta e o soltou. Observou ele ir até o seu quarto e olhou novamente para Rony.


Rony sustentou o olhar. A idéia de Hermione ali, ao lado dele, com o perigo de seus pais acordarem e não ficarem nada feliz, era tentadora em sua cabeça, apesar de todos os perigos.


Reunindo toda força que pôde, ele se aproximou dela e segurou suas duas mãos.


- Mione...


- Ron...- ela estava muito vermelha.- Desculpe ter assustado você é que...


- Tudo bem...- ele passou a mão pelo rosto da garota.- Eu não queria ter saído do seu quarto...também queria ficar com você...


Ele não soube porquê, mas Hermione parecia querer falar algo. Seus olhos pareciam úmidos e a voz dela dava a impressão de que estiva resfriada quando ela falou:


- Eu não poderia dormir sem falar...sem...- ela suspirou.-Todo esse tempo...todos esses anos...dormimos separados apenas por paredes, convivemos debaixo do mesmo teto durante a maioria dos dias do ano...tanto em Hogwarts quanto na sua casa...na sede da Ordem...


- Mione...


-...e você lembra quantos desses dias ficamos sem nos falar? Ou passamos nos implicando? Discutindo por motivos bobos até que o Harry tivesse que berrar conosco? E agora que estamos tão perto, não quero ficar longe de você.


Ela riu baixinho. Rony tentou imitá-la, mas não conseguiu. Aquelas lembranças ainda o magoavam, só de lembrar. Ele recolheu uma lágrima que percorria o caminho até os lábios de Hermione. Mas a garota ainda sorria.


-... eu acredito que as coisas sempre tem um porquê de acontecer...- ela passou a mão pelo rosto sardento dele. Ele fechou os olhos, deliciando-se com o toque dela.-... desde que encontrei você naquele trem, no nosso primeiro ano... sei que minha vida mudou...


Ele permaneceu em silêncio. Talvez ela ter vindo até ali refletia muito mais do que a vontade de estarem juntos, o máximo de tempo que pudessem. Talvez não fosse apenas reflexo da noite que estavam tendo, da intimidade que estavam reunindo, dos segredos que estavam compartilhando. Talvez Hermione estivesse falando tudo que havia ficado guardado durante todos aqueles anos. Talvez, o fato de saberem que confiavam um no outro mais do que em qualquer outra pessoa, a instigara a falar.


Flashback


- Hermione Granger-


Após tudo que havia acontecido entre Rony e ela no último ano, parecia quase surreal estar sentada em seu quarto arrumando os livros na prateleira. Fazia apenas alguns dias desde que voltara de Hogwarts, mas já havia sido tomada por aquela sensação estranha de que estava em um mundo paralelo.


Desistiu dos livros que arrumava e começou a abrir as gavetas, organizando os objetos que estavam dentro delas. Assim que chegou na última ficou paralisada. Há algum tempo que aquela gaveta havia ganho uma função especial: era praticamente um depósito.


Haviam diversas cartas jogadas ali. Algumas figurinhas de sapos de chocolate, que Hermione havia guardado na empolgação de seu primeiro ano em Hogwarts. Haviam algumas coisas que certamente deveriam ir para o lixo, e ela começou a retirar o que considerava ser menos importante.


Localizou, no fundo da gaveta, quase escondido, diversas cartas de Rony. Até na arrumação de seu quarto o garoto roubava sua atenção. Suspirou enquanto segurava aquelas cartas. Algumas não tinham maior significado. Eram apenas uma comprovação de conversaa que haviam tido à distância durante as férias.


Mas aquele monte de papéis em suas mãos não iria para o lixo. Não conseguiria fazer aquilo. Colocou as cartas em cima de sua escrivaninha. O que estava debaixo das correspondências de Rony a fez rir. Sentiu seu rosto corar.


Um recorte do Profeta Diário com a foto da família de Rony na viagem ao Egito, estava enrolado e cuidadosamente amarrado com uma fitinha azul, que ela lembrava ser do ovo de Páscoa que ganhara de Rony no seu terceiro ano. Será que desde aquela época ela já tinha certeza do que sentia?


Ela colocou o achado recente em cima das cartas do ruivo, tentando não olhar para aquilo, enquanto preenchia a última gaveta agora vazia com algumas canetas e blocos de papel antigos, que ela guardava mais por valor sentimental, já que na escola usava pergaminho, pena e tinteiro.


Aquela arrumação mostrava a união dos dois mundos a que pertencia. Ela sorriu, enquanto fechava a gaveta e juntava os papéis do chão e outros objetos que iriam para o lixo.


Quando retornou para o quarto, após jogar fora tudo aquilo que julgava não ser tão importante, a visão das cartas de Rony, a fita azul e o recorte de jornal, lhe causaram uma pontada desconfortável na barriga. Não iria jogar fora aquilo. Sabia que não fazia sentido guardar. Mas para ela parecia tão lógico!


Antes que pensasse realmente no que estava fazendo, ela já colocara tudo aquilo dentro de uma caixa cor de rosa, que ela usava para guardar algumas recordações de sua antiga escola, recados de suas colegas, comprovações de que pertencera ao mundo trouxa. Achou que tudo aquilo ficaria muito adequado na última gaveta junto com seu antigo material escolar.


Assim, as cartas de Rony, a fita azul e o recorte do Profeta, foram cuidadosamente colocados na caixa e após isso, a caixa fora fechada com seu tradicional cadeado. Hermione ficou realmente tentada em experimentar um feitiço para abrir o cadeado, apenas para rir da fragilidade que era sua vida antes de descobrir a magia, mas não queria receber cartas grosseiras do Ministério a repreendendo por usar magia longe da escola.


- Hermione, querida...- a voz de sua mãe parecia querer conter uma gargalhada, vinha da cozinha.


Hermione largou a caixa de qualquer jeito e foi em direção à mãe. Assim que teve a visão dela largando a bolsa na cadeira e sentando-se, a voz da Sra. Granger, agora nitidamente irônica, a fez sentir as bochechas corarem.


-... as corujas precisam aprender as regras da casa, caso contrário isso aqui ficará uma bagunça enquanto eu estiver no trabalho.


A cabeça da Sra. Granger apontou para uma carta jogada na pia. A água que sobrara ali em cima enxergara a carta, e era possível enxergar uma marca no vidro da pequena janela em cima, onde a coruja provavelmente batera na tentativa de colocar a carta por debaixo do vidro.


Antes de pegar a carta, Hermione abriu a janela. Sua desconfiança estava certa. Pichitinho estava pousado na grama, e piou alegremente quando a viu. O pássaro abriu as asas e pousou na borda da janela agora aberta, parecendo sinceramente agradecido quando Hermione encheu um copo de água e colocou ao alcance de seu bico.


As mãos levemente trêmulas, talvez pela surpresa da carta mais cedo do que o esperado, ela tirou o papel de dentro de envelope e percorreu os olhos o mais rápido que pôde.


Escutou sua mãe forçar um leve ataque de tosse e mover-se para fora da cozinha.


- Seu pai está demorando para guardar o carro na garagem. Aposto que parou por lá mesmo e já está guardando o material de pesca para o final de semana.


A voz dela foi se afastando. Hermione leu a carta, reconhecendo a letra de Rony.


Mione


Como você está?


Sei que faz pouco tempo desde que entramos em férias, mas resolvi escrever para que você fique a par dos acontecimentos. Logo você, Harry e eu estaremos reunidos novamente. Mamãe e papai não querem me explicar porque o Harry não pode vir direto para a Toca logo, assim ele não precisará passar muitos dias na companhia daqueles tios horrorosos dele. Acredito que queiram garantir a maior segurança para ele.


Mas papai disse que irá buscar você no sábado, se não tiver nenhum problema. Eles irão buscá-la e depois vocês irão com uma Chave de Portal até o local que devemos estar. Não posso falar maiores detalhes na carta.


Espero que esteja tudo OK e que seus pais não se importem de você ser retirada do convívio deles tão rapidamente. Sei que deve haver um porquê de precisarmos ficar todos juntos nesse lugar, mas a única coisa que posso fazer é deduzir que seja por causa da volta de você-sabe-quem.


Espero sinceramente que você não tenha começado os estudos do nosso quinto ano ainda. Serão muitos livros para ler, eu sei, mas haverá tempo.


Mande uma resposta por Pichitinho assim papai poderá organizar tudo para ir buscar você.


Rony


Ela não precisou reler a carta. Ao mesmo tempo em que sentiu uma sensação boa na boca do estômago por Rony ter escrito tão cedo, logo sua animação pareceu desinflar, juntamente com seu peito. Nada estava sendo como ela esperava que fosse. Tudo que havia acontecido nos últimos meses parecia ter sumido. As discussões por casa do Krum, a briga depois do baile, as conversas em que os dois acabaram falando mais do que deveriam. Ou talvez ela que estava vendo coisas demais em tudo aquilo.


Não, não podia ser. Apenas de ser um completo infantil e imaturo, Rony havia deixado bem claro para ela tudo que estava sentindo, mesmo que indiretamente, e mesmo que preferisse fingir, quando estavam na frente de Harry, que estava tudo bem.


Ela não iria pensar naquilo agora. O que tomou seu pensamento, enquanto ela procurava material para escrever a carta, era que logo estariam juntos, e as desconfianças dela poderiam ser comprovadas. Ou não.


- Ronald Weasley-


Ela já devia ter recebido a carta à essa altura. Um alívio tomava conta de seu corpo, poderia corrigir todas as besteiras que fizera nos últimos tempos. Parado ali na sala de estar com Gina, Rony sentia-se um extremo imbecil por ter falado tudo que havia falado para Hermione, por ter deixado tão claro para a garota tudo que sentia. Mesmo quando não falara quase nada, ela conseguira deduzir!


Fizera questão de ser o mais breve possível na carta. Seus pais haviam achado que a idéia era realmente boa.


Quando Gina questionara sobre Harry e Hermione virem à Toca, Rony havia ficado em silêncio, apenas escutando. Seus pais haviam trocado um olhar que parecia ter diversas palavras perdidas. Aquela cena o lembrou muito algumas brigas que havia tido com Hermione. Ele afastou aquele pensamento, enquanto escutava seu pai falar com uma voz falsamente inocente de que a idéia de Gina era boa, que Hermione poderia receber o convite para se reunir a eles logo. Quando questionado sobre Harry por Rony, ele desviou o assunto e falou que para que Harry pudesse sair da casa de seus tios, a coisa mudava de figura.


Muitos questionamentos foram feitos, por Rony, por Gina, até Fred e Jorge pareciam nitidamente interessados nos segredos que os adultos pareciam estar escondendo, e pessoalmente ofendidos por agora serem bruxos-de-maior-idade e mesmo assim não serem tratados como tal.


Gina havia saído da sala de estar. Rony ficou sentado ali, fitando o nada. Sua mãe e seu pai estavam falando que iriam para outro lugar, que eles saberiam maiores detalhes quando chegassem lá. Rony não sabia o que pensar a respeito daquilo. Iriam deixar a toca?


Os passos apressados de Gina fizeram ele acordar de seus pensamentos. A garota estendeu a mão em sua direção. Ele recebeu a carta enquanto franzia o cenho.


Fazia apenas um dia que havia escrito para Hermione. Ou Pichitinho era rápido por ser uma ave pequena, ou a garota havia respondido no momento que recebera a carta. Ele gostava de pensar na segunda opção. Gostava do sentimento que se apoderava dele quando lembrava de que ele não estava sozinho naquele sentimento todo. Afinal, ele só deixara a maioria daquilo aflorar de si porque Hermione o instigará a tal. Mas será que ele poderia guardar tudo aquilo que sentia pela amiga só para si? Ainda mais com a situação que se formava diante deles? Passariam o resto das férias inteiras juntos, depois voltaria para Hogwarts. Depois de todas as meias palavras e discussões sobre o que sentiam, como iriam encarar a situação?


Gina lhe deu um tapa leve no canto da cabeça.


- Rony, você vai babar na carta! Será que você pode fazer o favor de acordar e ler o que a Mione respondeu?


- Gina, você consegue realmente tirar alguém do sério.


- Sim. Claro.- mas a garota tinha um ar debochado no rosto, era quase como se soubesse o que a carta de Hermione estava causando nele.


Quando viu a caligrafia caprichada da amiga, Rony sentiu que a sala de estar estava muito abafada. Precisava de ar. Mas Gina ainda mantinha um olhar inquisidor sobre ele então, ele terminou a leitura rapidamente, quase de um jeito ansioso.


Rony


Pode falar para o seu pai que está tudo OK e agradeça a ele por se oferecer para vir me buscar. Ainda não falei com os meus pais, mas tenho certeza de que não irão questionar muito se eu falar que é algo sobre a escola. Talvez seja melhor eu explicar para eles com calma tudo que aconteceu. Quando cheguei em casa, logo no primeiro dia, eu resumidamente contei para minha mãe os acontecimentos do Torneio Tribruxo. Mas, sinceramente, acho que ela menospreza o que eu falo. Talvez os trouxas não entendam perfeitamente o perigo que você-sabe-quem expõe a todos nós.


Na realidade já estava me perguntando quando receberia o seu convite para visitar a Toca nas férias...


( Rony fez uma breve pausa nessa etapa da carta, tentou conter sua respiração enquanto sentia o rosto queimar)


... mas pelo jeito iremos par a outro lugar, pelo que entendi. Mesmo assim, fico grata por ter me escrito tão rapidamente e muito feliz pela preocupação de sua família.


Nos vemos no sábado, então? Diga olá à Gina por mim.


Afetuosamente,


Mione


Rony não deixara Gina enxergar o que estava na carta. A garota agora bufava impaciente, tentando puxar o papel de suas mãos.


- Hermione lhe mandou um "olá".- Rony falou com a voz sem emoção, enquanto dobrava a carta e colocava no bolso.


Gina olhou irritada para o irmão e desistiu da busca pela carta.


- É? E para você, ela mandou o que?


As orelhas de Rony já estavam muito vermelhas, mas antes que ele pudesse falar Gina já lhe dava as costas e saía pisando firme.


- Ele nem ao menos agradece por eu trazer a carta, arranca de minhas mãos e nem me conta o que Hermione falou...


Ela continuou resmungando pelo caminho, Rony apenas conseguiu decifrar parte dos resmungos da irmã, como "terminar de arrumar minhas malas que eu ganho mais!"


Tinha até sábado para se preparar, se acostumar com o fato de que teria a companhia de Hermione todos os dias. Não conseguia lembrar de ter passado tão pouco tempo longe dela e ao mesmo tempo parecer que aquele tempo haviam durado semanas.


Rony sacudiu a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Deixaria para ser tomado pelo desespero, quando ele e Hermione se encontrassem.


Vozes sobressaltadas vinham da cozinha. Era Percy e seu pai. Rony suspirou, revirando os olhos. Aquela briga já havia começado mais cedo e agora parecia pior, ele trilhou o caminho para o lado oposto de onde as vozes vinham.


- Hermione Granger-


Sentia-se ansiosa, parecia haver algo se sacudindo vivamente dentro de sua barriga. Segurava sua bagagem de mão com força, seu enorme malão de Hogwarts com a cesta de Bichento estavam ao seus pés, escutava os passos de seu pai indo de um lado para o outro na sala de estar. A televisão estava ligada apenas para fazer barulho, nem sua mãe tinha a atenção voltada para o aparelho.


Dentro da pequena bolsa que carregava, estava amassada uma carta de Krum que ela havia recebido algum tempo antes. Não dera a devida bola para a correspondência. Estava tão ansiosa que sentira uma leve decepção ao ver que não era outra carta de Rony.


Seus pais não estavam gostando muito daquela idéia. Hermione tinha certeza disso. Mas não podia dizer para Rony que não iria. Sabia que era importante, sabia que o Sr. e a Sra. Weasley não fariam questão de sua presença se não fosse algo que realmente importasse. Ou talvez toda aquela vontade de sair da casa de seus pais muito mais cedo naquelas férias, fosse exclusivamente por causa do ruivo que iria encontrar assim que saísse dali.


Seu pai bufou impaciente. Parecia querer falar muitas coisas, mas quando se dirigiu a Hermione, sua voz era calma, quase serena.


- Você já passa o ano inteiro longe de sua mãe de mim. Não acha que ficamos preocupados com você quando...?


- Eu não espero que entendam realmente o que isso quer dizer. Os Weasley´s estão solicitando a minha presença e a de Harry, não é apenas um convite feito pela Gina, ou pelo Rony.- ela corou ao falar isso, e percebeu um olhar estanho por parte de sua mãe.


- Filha, seu pai e eu entendemos toda essa história do bruxo das Trevas que retornou só queremos saber a real ligação que você tem com essa história.


- Harry é meu melhor amigo. E é o melhor amigo de Rony também! Todos nós estamos expostos!


Uma batida na porta fez todos se calarem. Hermione prendeu a respiração. Poderia jurar que estava escutando leves estalidos do outro lado da porta.


A mãe de Hermione já estava girando a chave na fechadura enquanto o Sr. Granger se postava ao lado da filha, uma mão protetora em seu ombro.


Antes que a porta se abrisse por completo, o sorriso de Arthur Weasley pôde ser visto por todos.


- Olá! Desculpem o leve atraso!- ele falou enquanto apertava a mão da Sra. Granger, que parecia levemente assustada com a velocidade de fala do visitante.- Mas Olho-Tonto fez questão de vasculhar toda a rua antes de batermos na sua porta!


Ao lado do chefe da família dos Weasley, estava Olho-Tonto. Hermione não sabia o que sentir a respeito daquele bruxo, afinal, haviam convivido durante todo o quarto ano com uma pessoa que havia se passado por ele. Mesmo assim, ele emanava uma aura de segurança.


- Olá.- a voz dele era rouca quando cumprimentou seus pais.


- Este é Kingsley- o Sr. Weasley segurou o ombro do bruxo negro e alto parado entre os outros dois.


O pai de Hermione deu dois passos à frente e cumprimentou todos, a boca levemente aberta ainda com o susto.


- Como estão?


Parecia que era apenas Arthur Weasley quem falava. Sua mãe e seu pai logo responderam, e trocaram algumas breves palavras. Mas o Sr. Weasley pareceu perder a atenção depois de algum tempo, seu olhar arregalado pouso na televisão que podia ser vista atrás dos Granger.


Olho-tonto percebendo que a curiosidade de Arthur sobre os trouxas logo iria aflorar, começou uma breve explicação para os pais de Hermione, dizendo que não deveriam se preocupar, que ela estaria em segurança. Finalizou dizendo que não podiam demorar. Tudo estava sendo milimetricamente calculado, para que Hermione e o resto da família de Rony se encontrassem ao mesmo tempo e no mesmo lugar.


A partir daí Hermione perdeu um pouco a noção de onde estava. Lembrava-se de ter abraçado demoradamente sua mãe, depois seu pai. Prometera que ia escrever, mesmo sabendo que sua mãe não gostava da bagunça das corujas e no momento seguinte, ela havia sentido um vazio no peito ao abanar para seus pais de longe, sabendo que demoraria muito até vê-los novamente. Logo, todos estavam ao redor da Chave de Portal, Olho-tonto olhava o relógio de bolso compulsivamente, até a hora em que todos estavam segurando aquela garrafa vazia que secretamente os levaria para o lugar em que todos os Weasley estariam.


Hermione não soube dizer se fora a força do deslocamento, ou a certeza de que veria Rony logo, que lhe causou aquelas cócegas intermitentes na barriga, enquanto ela se afastava cada vez mais de seu lar.


Quando tudo parou de girar, foi a vez de sua cabeça parecer querer tirar tudo de foco. Tudo ficara vermelho. Haviam muitas pessoas paradas ali. Onde estavam? Era uma praça? Uma rua?


- Vamos logo, muitas pessoas assim certamente irão chamar atenção!- a voz de uma bruxa sobressaltou Hermione. Os cabelos dela estavam cor de rosa, ela estava ao lado de Gina, que ao ver Hermione correu até a amiga e lhe abraçou brevemente.


- Tudo bem, Mione?


- Tudo ótimo. Como você está, Gina?


- Tonks!- a voz de Kingsley quase assustou Hermione. A bruxa de cabelos cor de rosa segurou Gina e Hermione pelos cotovelos e elas começaram a andar.


Um grupo dos Weasley já estava à frente delas. Entre eles estava Rony. Ele olhou para trás, como se percebesse que Hermione estava lá. O garoto sorriu. Hermione sentiu uma contração estranha no estômago, mas no instante em que pensou em responder ao sorriso do ruivo, o grupo em que ele estava desapareceu.


Não era possível! Estavam diante de seus olhos! Na frente deles havia apenas um prédio velho com uma coloração que emana tristeza.


Tonks largou Hermione e olhou para a garota sorrindo.


- E aí, Hermione, beleza?


A cabeça da garota girava. Obviamente havia perdido algum detalhe de tudo que estava acontecendo. Será que o lugar para onde estavam indo era após alguma passagem parecida com a que levava à plataforma para o trem de Hogwarts?


- Sra. Weasley, Sra. Granger... por favor, preciso da atenção das duas.


Para completar a cena da confusão que se formava na cabeça de Hermione, Dumbledore estava parado ali. Sua barba prateada e os óculos de meia-lua fechavam um cortejo da cena mais estranha que Hermione já presenciara em sua vida. Sua escolta, Olho-tonto, Kingsley e o Sr. Weasley olhavam ansiosos para os lados enquanto Dumbledore começava a falar algumas palavras sem sentido, a garota mal pode discernir "Ordem da Fênix" no meio de tudo que ele falava.


- Ronald Weasley-


O rosto de Hermione não saía de seu pensamento. Estavam demorando. Já deveriam ter entrado na casa, eram o grupo logo atrás do dele!


A garota parecia muito confusa. Ele mesmo,até aquele momento, não entendera perfeitamente bem o que estava acontecendo.


Fred e Jorge já pareciam ter tomado toda a cozinha fria de pedra. Faziam mais barulho do que o necessário.


- Parece que finalmente iremos saber algo sobre o que está acontecendo, não é?


Mas Rony não queria escutar os gêmeos. Hermione estava em algum lugar lá fora, com a sua irmã, certamente entendendo muito menos do que ele.


Antes que ele pudesse mandar Jorge calar a boca, pois o irmão começara um discurso sobre teste de aparatação, Rony pôde visualizar cabelos muito fofos vindo em direção à cozinha.


Ele caminhou rapidamente, sem pensar, em direção à Hermione. De algum lugar que ele não pôde ver, sua mãe apareceu e lhe segurou pelos ombros, mas a voz de Molly era calma e contida.


- Você e Hermione devem subir diretamente. Dumbledore quer falar com vocês.- ela passou a mão pelo rosto do filho, enquanto lhe dava um sorriso carinhoso.


Ele observou Hermione, nervosa, parar ao pé da escada, enquanto Dumbledore fazia sinal para que ela subisse à frente deles. A garota lançou um olhar ansioso para Rony, numa velocidade quase absurda ele a alcançou e subiram juntos a escada.


Dumbledore vinha logo atrás, assoviando despreocupadamente, como se fizesse aquilo todo dia. Parecia indiferente à correria de antes, ao fato de estarem em uma casa estranha, fria e que tinha um cheiro muito forte de mofo.


Hermione olhava todas as paredes, seus olhos pareciam analisar tudo nos mínimos detalhes. Rony sabia que ela estava extremamente confusa, mas não podia fazer nada para ajudá-la.


Vozes animadas vinham da cozinha lá embaixo, enquanto eles entravam no quarto que Dumbledore apontava para eles. Hermione e Rony sentaram na beirada da cama, olhando atordoados para o diretor, que se acomodou confortavelmente numa poltrona muito surrada próxima à porta.


Rony esperava que quando ele começasse a falar todas as suas dúvidas fossem esclarecidas, mas quem falou primeiro foi Hermione, ela tinha a voz firme, para a surpresa dele.


- Senhor... estamos na Ordem da Fênix? Eu entendi corretamente?


Dumbledore afirmou com a cabeça, um sorriso formando-se em seus lábios, era quase como se ele esperasse essa reação por parte de Hermione.


- Acredito que você saiba o que é a Ordem da Fênix, estou certo Senhorita Granger?


Hermione não corou nem pareceu surpresa. Rony franziu a sobrancelha para a amiga.


- E-eu...bom...tenho certeza de que já li sobre isso em algum lugar, mas...


Agora sim ela corava. Até Dumbledore pareceu perceber isso, e ele enfim, começou a falar.


- Claro,claro. Certamente a mídia não conseguiu obter muitas informações a respeito da Ordem, mesmo que ela exista há muito tempo.


Hermione já estava sentada de um jeito extremamente formal, era como se estivesse assistindo uma aula muito importante.


Dumbledore manteve seu tom de voz calmo, mas o rumo que a conversa tomou os pegou desprevenidos. Rony e Hermione escutaram atentamente tudo que o diretor falava sobre a Ordem, a importância que tinha na luta contra Voldemort ( Rony tremeu ao escutar o nome), o cuidado que deveria ter enquanto estava ali. Rony achou que a pior parte fora quando o diretor lhes falara que deveria ajudar na limpeza, mas então, após uma pausa, a voz de Dumbledore ficou extremamente séria.


-...e o mais importante. Harry não deve saber onde estão, nem o que estão fazendo.


Hermione olhou desconfiada para o diretor.


- Achei que Harry fosse vir para cá também!


- Ah, sim. Já estamos providenciando tudo. Isso pode demorar um tempo. Enquanto estiverem aqui, não mencionem nada em carta para ele, entendido? A segurança da Ordem depende de cada detalhe, independente de eu ser o Fiel do Segredo, deve haver cautela por parte de todos que estão aqui.


Rony abriu e fechou a boca várias vezes, querendo conter toda a ansiedade.


- M-mas, professor Dumbledore! Harry está preso com os tios, numa casa de trouxas, numa rua repleta de trouxas, ele certamente vai preferir vir para cá e...


- Não depende da vontade de Harry, Sr. Weasley. Vocês irão entender tudo...com o tempo.


Dumbledore já estava de pé. Hermione estava muito quieta, parecia estar querendo digerir tudo que havia acontecido.


- Ah, antes que eu me esqueça. O elfo doméstico da casa é um pouco temperamental, mas peço encarecidamente que sejam educados com Monstro.


Antes que Rony entendesse tudo que estava acontecendo, Dumbledore já saíra pela porta, e foi possível escutar seus passos descendo a escada.


Foi então que ele e Hermione pareceram perceber que estavam a sós. Hermione começou a falar muito rápido, parecia querer preencher o silêncio.


- Não sei se tudo isso fez algo sentido mas...estamos na Sede da Ordem! Ainda não entendo por que Harry não pode vir para cá logo se...


- Está tudo bem com você, Hermione?- a voz de Rony parecia entediada, enquanto ele observava Hermione se recuperar de seu surto momentâneo.


- Ah, sim... está.- a garota sorriu, aproximando-se cautelosamente dele.- Que grosseria a minha, Rony. Fiquei tão empolgada com tudo que Dumbledore acabou de nos contar que...nossa...me desculpe...- ela respirou profundamente, o rosto muito corado. Rony gostou de observar o vermelho em suas bochechas.- Como você está?


- Estou bem.- ele deu de ombros.- Um pouco confuso com tudo isso, mas...


- Sim, é claro.


Hermione falou tão rápido que era quase impossível discernir entre sua fala e sua respiração. Mas, logo o silêncio pairou entre os dois. Rony foi até a janela para tentar visualizar algo, mas o que quer que estivesse vendo tornou-se insignificante, pois Hermione voltara a falar.


- Há um elfo doméstico na casa...- parecia falar mais para ela do que para Rony.-...pelo menos Dumbledore é consciente o suficiente para pedir para que as pessoas o respeitem...


- Hum...ainda com aquela história do fale?


Rony ficou feliz que o assunto entre eles voltasse. Era muito melhor do que quando estavam quietos.


- Tive algumas idéias realmente boas neses dias que passei em casa... se você e Harry me ajudassem eu...


Hermione fora interrompida pela entrada de Gina no quarto.


- Ah, vocês ainda estão aqui! Mamãe está chamando todos para que possamos comer algo! O Professor Lupin está lá embaixo também, dá pra acreditar?- ela abraçou Hermione novamente.- Mas Sirius diz que não se importa em ter a casa cheia.


- Sirius?


Hermione e Rony falaram ao mesmo tempo. Pelo jeito, as surpresas estavam ainda começando. Gina os colocou à par da situação que ela havia ficado sabendo na cozinha, pela sua mãe, enquanto Hermione e Rony lhe contavam sobre a conversa com Dumbledore.


A cabeça de Rony doía. Era estranho algo físico se manifestar assim, como consequência da quantidade de informação obtida nos últimos minutos. Enquanto iam para a cozinha, em silêncio, seguindo a instrução de Gina para que não conversassem nos corredores, Rony se perguntava o que o aguardava lá embaixo, e torcia para que não fossem mais informações, para que assim, sua cabeça pudesse parar de girar.


(...)


Os dias que se passaram estavam sendo diferentes de tudo que Rony imaginara. Ele achou que teria a oportunidade de conversar com Hermione, comentarem sobre a situação em que Harry estava. Talvez ele pudesse entender melhor tudo que estava sentindo, mas sua ansiedade só aumentava. Todas as refeições ela estava lá. Trocavam olhares, conversavam com todas as pessoas, mas não haviam tido mais oportunidades de conversarem a sós, e Rony se pegou quase desejando que estivessem na Toca, mesmo que fosse pequeno lá ele com certeza conseguiria dar um jeito de fugir das obrigações que sua mãe lhes dava.


Sempre havia uma sala para arrumar, um quarto para organizar, louça para lavar. A casa era grande e muito suja. Os gêmeos riam da cara de Rony quando ele pedia que o ajudassem com magia, já que agora podiam fazer isso fora da escola.


Ele estava acabando de mandar Fred para um lugar nada educado quando Hermione entrou no seu quarto. Os gêmeos se espremeram pela porta tentando passar ao mesmo tempo. Quando já estavam atrás de Hermione, Jorge riu debochadamente para Rony, lançando um olhar para a garota, e erguendo as sobrancelhas de modo sugestivo para o irmão.


Rony sentiu o rosto corar. Sabia o que os gêmeos pensavam sobre os sentimentos dele por Hermione. Talvez toda Hogwarts já tivesse consciência disso.


No instante seguinte ele se deu conta de que Hermione deveria ter ido ali por algum motivo, estavam sozinhos depois de muitos dias. E ele percebeu, com uma sensação incômoda no estômago, que ele não fazia a mínima idéia de como preencher o silêncio que caíra sobre eles.


- Gina e eu desistimos da sala por hoje. Fizemos o que podia ser feito. Pelo menos nosso quarto já está em condições de ser habitado por um ser humano.


Rony riu, lançando olhares nervosos para a bagunça que virara o quarto que ocupava. Estava na esperança de que Harry o ajudasse quando chegasse, mas ele não fazia a mínima idéia de quando seria isso.


- Você quer ajuda por aqui?- Hermione olhou para os lados, censurando a bagunça.


- Ah, não!- Rony se jogou na cama, querendo parecer mais descontraído do que estava. Estava mais calmo agora, vendo que ele e Hermione conseguiam ficar um na presença do outro sem brigar.- Também já parei por hoje.


Hermione se sentou na cama, muito distante dele, parecia extremamente cuidadosa em cada movimento.


Rony levou os braços para trás da cabeça, permanecendo deitado, tentando mirar Hermione de onde estava.


- Você sabe o que terá para jantar?


- Não. Mas sua mãe deve estar preparando algo muito bom porque Tonks e Lupin irão jantar conosco hoje, e você sabe como ela gosta de reunir todos.


- Ah, sim...- Rony já estava quase sonhando com a comida da janta.


- Rony...- a voz de Hermione parecia preocupada. Ele se levantou e mirou a amiga.


- Que foi?


- Você...você não acha....que Harry vai acabar fazendo alguma besteira? Quer dizer, não podemos falar nada para ele e se ele...?


- Relaxa, Mione. O cara sabe se cuidar. Não vai transformar mais ninguém em balão como fez com a Tia aquela vez....


Ele riu, mas Hermione permaneceu séria.


- Só estou brincando...- ele deu de ombros.


Hermione suspirou, enquanto observava Bichento entrar no quarto.


- Não lembro de ter autorizado seu gato a entrar aqui...


- Ah, por favor, Ronald! Achei que você já havia perdido essa implicância com Bichento depois de tudo...


- Não tenho implicância com ele...


As orelhas dele já estavam vermelhas. Mas Hermione não parecia querer prolongar a discussão.


- Como foram suas férias? Ou melhor, os dias antes de virmos para cá?


- Hum, foi OK. Quer dizer...- Rony desviou do olhar da amiga.- Não foi tudo perfeito lá em casa, sabe.


- Sei. Por causa de toda a confusão para virmos para a Ordem?


- Não, não só por causa disso.- ele olhou nos olhos de Hermione.- Papai e Percy brigaram. Brigaram feio.


Hermione pareceu sinceramente interessada em ouvi-lo. E era incrível como ele conseguia desabafar com ela. Talvez eles tivessem realmente muito em comum, talvez pudessem realmente se entender se conseguissem passar por cima das brigas.


Ele contou tudo. As ofensas que foram jogadas pelos dois, tanto Percy quanto Arthur. Hermione percebeu o quanto aquilo afetava a família. Os olhos dela pareciam úmidos enquanto ela escutava o desfecho da história: Percy havia saído de casa.


Rony não havia percebido em que parte da conversa os dois haviam se aproximado, nem quando aquela tensão no ar havia sumido, só sabia que sentia seu peito muito mais leve ao falar com Hermione.


Sentiu, sobressaltado, a mão da garota sobre seu braço.


- Rony...eu...eu sinto muito...toda essa briga do seu irmão e do seu pai deve...deve ter realmente abalado a família...


- Ahn...bom..vai ficar tudo bem... eu espero...


Rony não conseguia desviar os olhos da mão de Hermione, ainda pousada sobre seu braço, o branco da pele da garota fazendo contraste com o suéter que ele vestia. Aquele toque tão simples pareceu acalmar ele, quando olhou nos olhos dela, percebeu que ela sorria.


Ele se surpreendeu com a resposta do seu corpo a ela. Ele sorriu de volta, sem perceber, sem comandar. E percebeu que não ficou realmente decepcionado por ouvir sua mãe chamar, pois o jantar estava pronto. Sentiu como se o momento fosse quebrado, mas parecia que ele e Hermione haviam atingido um patamar em que podiam entender um ao outro, mais do que jamais haviam conseguido. Sentaram lado a lado na mesa, Hermione lançava olhares constantes para ele. Tinha um sorriso lindo no rosto.


Rony sentiu uma felicidade que não parecia sua o invadir. A casa repentinamente parecia mais quente, mais bonita, mais aconchegante.


Todos já conversavam animadamente na mesa, parecia um mundo paralelo ao de Rony, mas ele tentou se concentrar na conversa.


- Gui é que pareceu gostar da novidade, não é?- Fred debochava de algo que havia sido mencionado.


- Gostar? Ele adorou!- Jorge ria.- Ele e Fleur parecem amigos de infância! Não sei se o motivo desse emprego dela no Gringotes é mesmo aperfeiçoar o inglês...


- Fleur?- Hermione olhava confusa para os gêmeos.- No Gringotes?


- Sim, Mione. Ela está oficialmente morando na Inglaterra agora.


Jorge e Gina deram risadinhas enquanto Rony engasgava, parecia que a comida havia descido pelo lugar errado.


- Rony lembra dela, não é Rony?- Fred encarou o irmão.


- O que?- sua voz saíra mais estridente do que planejara. Era verdade então?! Fleur estava trabalhando no Gringotes?


- Calma Rony, ela não está aqui.- Gina falou como se tentasse explicar algo a uma criança de poucos anos de idade.


- Lembranças ruins do Baile de Inverno, Roniquinho?- Jorge questionou o irmão, irônico.


Rony parou de tentar entender naquele momento. Hermione estava muito vermelha e tinha os lábios cerrados em uma linha fina.


- O que você quis dizer com isso?- ele sabia que estava muito corado. Arriscou outro olhar para Hermione, mas a garota parecia muito interessada em seu prato de comida, e fingia não ouvir mais o que estavam conversando.


- Lembra...? Você convidou Fleur? E saiu correndo?


Jorge fez questão de lembrar. Rony não precisava que falassem aquilo na frente de todos. Agora todos estavam rindo. Inclusive Hermione, a garota não havia conseguido conter uma risada. Parecia irônica quando olhou com o canto de olho para ele.


Felizmente, Fred e Jorge já estavam desviando o assunto para o fato da proximidade de Gui e Fleur, e Rony pôde virar o rosto para Hermione, quando nem Gina mais estava olhando para ele.


- Do que você está rindo?- sabia que estava sendo rude com Hermione, mas afinal, a garota estava rindo das provocações dos gêmeos!


- Da sua cara!- ela não pôde conter outra risada. Levou a mão a boca para disfarçar, mas Rony não sentiu sua raiva diminuir. Pelo contrário. Sentiu que seria capaz de perder o apetite.


- Ah, tá.


Seria grosso com ela, então. Se era o que ela queria. Como podia rir daquele jeito, descaradamente? O baile de inverno jamais seria uma recordação boa para ele, havia a parte positiva das conversas mais calmas que havia tido devido as brigas daquela época, mas lembrar daquela noite certamente não trazia boas memórias.


- Desculpe, mas é que...- Hermione parecia sinceramente envergonhada. Mas ele não se importava mais com isso agora.


- Ah, claro. Você certamente tem memórias melhores relacionadas aquele baile.- falou no tom mais irônico que pôde conter. Não suportava ser tomado pelo pensamento de que Hermione podia lembrar com carinho do baile, por ter ido com Krum. Queria que ela se lembrasse apenas da parte que realmente importava, da parte que eles haviam discutido por causa de todas aquelas situações. Não queria que ela esquecesse das brigas! Claro, sentia-se imensamente envergonhado de lembrar que havia admitido muitas coisas para ela, mas não conseguia acreditar que a garota podia rir do episódio em que ele convidara Fleur para o baile, sendo que havia outros acontecimentos muito mais importantes para recordar!


- O que você está querendo dizer?- ela estava muito corada. Ele estava conseguindo o que queria.


- Hum, nada não.- ele tentou virar a cara.


- Rony, que é que...- a garota insistia em fazê-lo falar.


- Hum, já sei tive uma idéia.- ele olhou nos olhos dela. Ela parecia estar prestes a começar a berrar com ele.- Quem sabe você não escreve para o Vitinho, e dá a idéia de ele conseguir um emprego que nem a Fleur para melhorar o inglês.


Hermione ficou olhando atordoada para ele, parecia ter levado um tapa na cara.


- Acho que ele estava realmente precisando.- Rony finalizou, triunfante, enquanto tentava continuar a comer o que estava no prato.


Hermione parecia querer reunir toda a sua coragem. Respirou calmamente e olhou diretamente para Rony.


- Lá vem você colocar o Vítor na conversa quando ele não tem nada...


Ele continuou falando, como se ela não tivesse interrompido, elevando levemente a voz para que ela o escutasse.


- Quem sabe mudando de país ele melhora aquele semblante carrancudo...- Rony desviou o olhar, não podia encarar Hermione. A garota sabia que ele era fã do jogador, e o garoto agia como se nem lembrasse que quando haviam se despedido ele havia pedido um autógrafo para Krum!-...ou quem sabe consiga pronunciar seu nome direito?


- Hermione Granger-


Hermione ficou parada ali, olhando incrédula para Rony. Não era possível que Harry tivesse comentado que ela estava ensinando Krum a falar seu nome, ou era? Talvez o garoto apenas tivesse ouvido Krum chamar Hermione de um jeito completamente errado quando viera se despedir dela no fim do ano letivo. Claro. Obviamente Rony captara que Krum não conseguira aprender a pronúncia de seu nome. Tudo aquilo deixou ela sem palavras, aquele raciocínio todo estava exigindo muito de sua paciência.


Rony arriscou olhar para ela. Ela encarou de volta. Resolveu que não iria responder nada. Apenas encarou o ruivo da maneira mais significativa que pôde, tentando imprimir toda a sua mágoa pela discussão recente naquele olhar, levantou-se decidida e saiu rapidamente da cozinha.


Queria apenas ficar sozinha, não ler que olhar para a cara de Rony por um bom tempo. Por que ele começara com aquela discussão sem pé nem cabeça, apenas por que ela rira de uma piadas dos gêmeos? Por que o ruivo estava tão sentimental?


Não. Não queria pensar que ela estava sendo insensível. Ele não tinha porque se ofender com tudo aquilo. Jogou-se na cama, usando o travesseiro para tapar sua cabeça, tentando convencer-se de que se ela havia ido ao baile com Krum, era por culpa exclusiva de Rony.


Mesmo pensando naquilo, a sensação de tristeza por ter brigado com o ruivo não a abandonava.


- Ronald Weasley-


A mágoa que vira no rosto de Hermione, quando a garota havia levantado e saído da mesa, quase o fizera ir atrás dela e pedir desculpas. Olhar o prato dela ainda cheio de comida, deixado ali, abandonado, o fez sentir-se pior ainda. Conseguira magoar a garota tanto ao ponto dela deixar de comer apenas para sair dali.


A culpa o invadiu profundamente. Não podia ir atrás dela. Mas então porque havia começado uma discussão tão idiota? Por que tinha que ter perdido a paciência? Hermione tinha todas as razões do mundo para rir da cara dele, afinal, não fora ele o idiota que demorara quatro anos para perceber que podia tomar uma atitude em relação à amiga?


Falara tantas coisas que sabia que haviam a magoado, sabia que toda aquelas brigas agora estavam passando pela cabeça de Hermione, mas sabia também que era fraco o suficiente para não ir atrás.


As horas foram se passando e nem sinal de Hermione. Estava ficando muito tarde. Gina havia ido até o quarto e voltado, lançando um olhar de censura para Rony. Ótimo. Certamente Hermione estava em um estado que fizera despertar em Gina uma empatia capaz de querer bater em seu próprio irmão.


Ninguém parecia querer dormir. Lupin e Tonks pareciam animar o jantar e agora todos estavam dispostos a expulsar os que não faziam parte da Ordem da cozinha.


- Mas, mamãe....eu estou fazendo chocolate quente!- Gina parecia sincera ao reclamar.


- Ótimo plano, Ginevra. Mas não pense que me engana. Termine seu chocolate e saia. Precisamos terminar essa reunião logo, já é tarde.


Rony observou uma cara de completa decepção se instalar no rosto da irmã.


- Isso era realmente um plano, Gina?- ele falou enquanto observava a irmã despejar o chocolate quente agora pronto em algumas xícaras que estavam em cima da mesa.


- Em parte. Mas pelo jeito não foi um bom plano, não? Não é hoje que poderei escutar parte da conversa deles...


Ela apontou com a cabeça os adultos que estavam todos agrupados no final da mesa, falando em sussurros.


Gina alcançou uma xícara para Fred e outra para Jorge, que não parecia estar realmente cientes do que estavam aceitando, poderia ser veneno e nem iriam perceber: estavam tentando a todo custo escutar o que as pessoas estavam conversando tão baixo.


Rony olhou para uma xícara que sobrara em cima da mesa e segurou ela, uma idéia se formando dentro de sua cabeça.


- Você se importa, Gina?


A garota olhou, boquiaberta, enquanto Rony decidia o destino da última xícara de chocolate quente. Ela franziu o cenho, obviamente tinha outros planos para aquela última xícara. Mas ela estava com a própria na mão, aquela estava sobrando.


- Ah, tudo bem. Pode pegar.- ela falou, com um olhar desconfiado. Um sorriso estranho nos lábios.


Rony virou as costas, levando a xícara com o chocolate quente fumegante, tentando entender o que Gina planejava com aquela última porção. Pretendia tomar uma dose dupla de chocolate?


Mas Rony não foi para seu quarto. Com a mão esquerda que estava livre ele bateu na porta do quarto de Hermione, assim que terminou de subir a escada.


Hermione não respondeu de imediato. Ele sentiu um leve tremor nas pernas. Sabia que precisava fazer isso. Precisava se desculpar.


- Mione?- ele falou cuidadosamente.- Posso entrar?


Ela não respondeu. Ele ouviu passos rápidos e logo a porta se abriu rapidamente.


- Se você veio até aqui para continuar a falar do Vítor eu...


-Não, calma! Eu trouxe chocolate quente para você, você quer?- ele estendeu a xícara em direção a ela, como que pedindo paz.


Ele teve a nítida impressão de ter escutado a voz de Gina a beira da escada, seguida de um "psiu!" e quando olhou, não havia ninguém lá.


Hermione ficou olhando para a mão de Rony que segurava o chocolate, parecia não acreditar no que estava vendo.


- É a última xícara, pegue. Gina que fez.


Hermione deu espaço para que ele entrasse no quarto, enquanto aceitava segurava o chocolate.


- Pode tomar. Você falou que é a última xícara mesmo...


Rony se sentou na cama da garota, assim ela poderia entender que vira em paz, para conversarem apenas, e não brigarem.


- Ah, eu já tomei.- mentiu.- Está uma delícia, prove! Trouxe esse para você.


Ele corou, enquanto abaixava o olhar.


- Hermione Granger-


Hermione não soube bem o que a estava levando a fazer aquilo, mas fechou a porta atrás de si enquanto provava o chocolate. Estava tão quente que chegou a deixar um rastro quase doído na sua garganta. Estava realmente bom, e ela ficara com fome porque saíra antes da janta.


Sentou-se ao lado de Rony sem saber direito o que fazer. O gesto dele havia a pego desprevenida.


- Obrigada pelo chocolate, está realmente muito bom!


Aproveitou a pausa e tomou mais um gole, feliz que tivesse uma desculpa para evitar continuar falando.


- Achei que deveria trazer algo para você não ficar com fome. Sabe...- Rony não a olhava, e ela não queria que olhasse.-...acho que foi culpa minha você não terminar de jantar?


- Ah, você acha é?- ela tentou controlar a raiva, tomando mais um gole.


- Eu vim me desculpar, tá legal? Não precisa ficar tão na defensiva.


Foi a vez dela corar. Ele ainda olhava o chão. Hermione pousou a xícara na mesa de cabeceira e suspirou.


- Eu não deveria ter rido da piada sobre a Fleur. Me desculpe, também.


- Ah, vocês estão certos em rir. Aquilo foi uma verdadeira piada...nem sei porque fiz aquilo....


Ele parecia estar pensando muitas coisas. Hermione não forçou a conversa, deixou que ele falasse.


- Nós tínhamos dito que não brigaríamos mais por coisas idiotas.


- Eu sei. Não conseguimos cumprir essa promessa, não é?- ela sabia que não adiantaria ser irônica. Suspirou.- Acho que já passamos desse ponto, não é Ronald?


- Do que você está falando?- ele a encarou.


Ela sentiu o estômago despencar. Com ele olhando para ela assim, era difícil se concentrar.


- Essas brigas, sem motivo. Ou por motivos idiotas.


- É...


O silêncio pareceu perturbador. Hermione resolveu terminar o chocolate, a proximidade que os dois estavam começava a incomodar profundamente. O quarto parecia muito quente.


Quando ela olhou novamente para o ruivo, ele estava cuidando cada movimento dela.


- Já deixamos muitas coisas claras, Mione.


- Também acho...- ela falou quase num sussurro, não acreditando que a conversa estivesse tomando aquele rumo.


- Eu falei que não iria mais brigar com você....- ele abaixou o tom de voz, o rosto dele parecia estar milímetros mais próximo.- Desculpa....


Ele fiou esperando por uma resposta. Hermione sabia porque ele estava fazendo aquilo. Ele não era corajoso o suficiente para tomar a iniciativa. Sabia que sempre havia sido ela. Então, estava deixando uma situação em que ela não tivesse para onde fugir.


Não lembrava de ter sentido algo tão bom. A pequena distância que havia entre os dois permitia que ela sentisse a respiração dele alcançando seu rosto. Ela sentiu que tudo girava. Os olhos dele estavam pousados nos dela. Não estava mais sentindo seu corpo. Seria assim então? Tão simples e antes que ela pudesse ter certeza do que estava acontecendo?


CRAQUE! A visão dos gêmeos nublaram toda a cena, ela parecia ter pulado para longe de Rony. O ruivo não parecia ter se recuperado tão rápido, o fato de Fred e Jorge terem aparatado no quarto parecia ter deixado Rony perturbado.


- Orelhas Extensíveis, senhoras e senhores!- Jorge falava animado, enquanto Fred olhava Hermione e Rony pelo canto do olho. Seguravam fios cor de carne e os exibiam como se fossem um prêmio.


Gina entrou pela porta tão rápido que Hermione apenas pôde visualizar um borrão vermelho.


- Fred, Jorge!- ela quase gritou.- Eu posso falar com vocês...só por um minuto?


Ela falava entre dentes. Fred cutucava o irmão e sussurrou enquanto iam em direção à Gina.


- Falei que não era para virmos aqui...


Os dois arriscaram um olhar para Hermione e Rony, os dois continuavam sentados, em choque. Gina fechou a porta com um estrondo.


Hermione não pôde acreditar no que tinha acontecido. Sua respiração estava rápida. Por que sempre acontecia algo para interromper os dois? Além do mais, os gêmeos sempre pareciam saber o que acontecia entre eles então por que haviam vindo até ali, quando sabiam que estavam conversando?


- Eu falei que vocês não deviam ter vindo aqui!- Gina tentava sussurrar, mas o silêncio que ficou dentro do quarto após a saía dos três permitia ouvir qualquer coisa do lado de fora.


- Achávamos que Rony já tinha ido para o quarto...


- Quando eu estava subindo as escadas vocês viram que eu voltei! Não era para ninguém ter vindo para cá!


Hermione e Rony não podiam ter ficado mais constrangidos perante a situação. Hermione levantou nervosa, estava ficando difícil escutar os sussurros de Gina.


Os gêmeos agora falavam algo, mas não era possível ouvir. Rony já estava próximo à porta também, curioso.


- Vocês são uns insensíveis!- Gina quase gritou.


Um "psiu" foi ouvido, mas não era mais possível dizer qual dos gêmeos estava falando.


- Não temos culpa se Rony é mais lerdo do que a preparação das poções para rejuvenescer do Snape...


Hermione não queria olhar para Rony. Sentia-se constrangida por ele, não queria ver o vermelho tingir o rosto do ruivo, iria se sentir imensamente incomodada.


Hermione não sabia mais o que fazer. Precisava acabar com aquela situação. Foi até a mesa de cabeceira pegar a xícara, quando voltou, Rony estava parado mais longe da porta, parecia não querer ouvir o que estavam falando.


Porém, não haviam mais vozes atrás da porta. Gina certamente havia tido o bom senso de tirar os gêmeos dali. Rony ainda estava muito vermelho e não parecia capaz de falar. Na verdade, passava a impressão de que jamais abriria a boca para falar nada.


Hermione não achava aquilo pior do que ela já falara para ele. Já jogara verdades na sua cara, mas escutar os irmãos falarem daquele jeito, fazia ela sentir-se culpada por ter dito tudo que já havia dito.


Queria poder tirar Rony daquela situação, dizer para ele que estava tudo bem, mas ele parecia alheio à realidade.


- Ron...


Ele olhou para ela assustado, provavelmente achando que ela iria comentar algo sobre os comentários de seus irmãos.


- Obrigada mesmo pelo chocolate, estava muito bom.


Se ela seguisse seus instintos ela iria até ele, lhe daria um abraço um beijo no rosto, já que o momento maravilhoso que estavam dividindo até então havia sido quebrado. Mas aquela vontade se perdeu. Ela chegou a se aproximar dele, ele a encarou como se ela fosse realmente fazer algo. Ela simplesmente tocou seu braço, ele olhou para a mão dela e depois seus olhos se encontraram.


-E-eu vou levar a xícara lá para baixo.


Os olhos dos dois pareciam estar se atraindo magneticamente. Rony olhou incrédulo para Hermione, que tentava esboçar o sorriso mais sincera que pôde.


Ele tentou sorrir de volta. Hermione apertou seu braço levemente e decidiu que era hora de deixá-lo com seus pensamentos. Quando saiu e fechou a porta atrás de si sentiu um alívio inflar seu peito.


Tonks e Lupin estavam se dirigindo à porta quando Hermione passou por eles.


- Obrigada pelo jantar, Molly. Terminamos mais cedo do que pensávamos.- Tonks sorriu para a matriarca Weasley.


Hermione parou de escutar, só queria largar a xícara na pia e encontrar Gina, saber como a conversa com os gêmeos tinha acabado. Surpresa, encontrou Gina parada próxima a mesa de jantar.


- Mione!- a garota olhou atordoada para a amiga, rapidamente veio em sua direção.- Eu sinto muito, muito mesmo! Eu vi que Rony estava indo para o quarto, sabia que iam conversar...não sei o que deu nos gêmeos para aparecerem lá assim, de repente...


- Tudo bem, Gina. Tentei deixar a situação o mais calma possível. Saí de lá e fingi que não tinha escutado nada da conversa de vocês.


- E o que exatamente vocês escutaram? Ah, não...- Gina abaixou os olhos.-...ele ouviu o que Fred e Jorge estavam falando?


Hermione afirmou com a cabeça. Gina suspirou, retirando a xícara das mãos da amiga.


- Bom, pelo menos ele conseguiu engolir o chocolate...- Gina olhou o fundo da xícara.- Na verdade, fiz para nós duas, mas ele veio aqui e pediu...achei que era melhor...


- Do que você está falando?


- Do Rony. Ele veio aqui, pegou a última xícara. Eu ia levar para você, mas...


- Rony levou a última xícara para mim.- Hermione falou, olhando para o nada.


- Hum...- Gina não parecia realmente surpresa.


- Ele me falou que já tinha tomado!


Gina largou a xícara na pia e se virou para a amiga, sorrindo.


- Não sei por que, mas isso não me surpreende.


Hermione ficou parada ali, pensando. Achou muito sensível da parte de Rony dizer que já havia tomado a bebida apenas para que ela aceitasse. Mostrava preocupação, mostrava que ele realmente queria se entender com ela quando fora para o quarto conversar.


- Meu irmão não é tão lerdo quanto parece...- Gina já estava saindo da cozinha, de costas para Hermione, mas a garota ainda pôde escutar essa última frase.


Não pôde conter um sorriso. Rony não era tão imaturo quando ela pensava. Ele havia realmente tentado mudar o que havia acontecido, ficara arrependido.


Aquilo só a fez ter mais raiva ainda dos gêmeos e torcer para que da próxima vez que ela e Rony chegassem à etapa em que haviam parado, Fred e Jorge estivessem muito ocupados com alguma tarefa proposta por Molly Weasley.


- Hermione Granger-


Quando planejara ir para o quarto do ruivo, não estava pensando em dizer todas aquelas coisas. Mas agora, parada ali diante dele, tendo no seu futuro diversos meses separados, aquilo parecia tão urgente.


- Eu não podia deitar a cabeça no travesseiro, dormir e fingir que...fingir que tudo isso que está acontecendo...


Ela parou. Suspirou fechando os olhos. Quando abriu, encarou o azul dos olhos de Rony, que lhe deram força para continuar.


- Nós estarmos juntos, agora...significa mais para mim do que qualquer coisa...não é possível colocar em palavras, Rony...


Ele ficou ali parado, a boca entreaberta, olhando para ela como se tivesse levado um balaço na nuca.


- Mione, eu sinto o mesmo...eu acho que...


- Nós vivemos durante todos esses anos...- ela havia pousado a mão nos lábios dele para impedi-lo de falar. Estava reunindo toda a coragem que podia, não queria parar antes de ter falado tudo.-...um do lado do outro...dia após dia...e perdemos muitas oportunidades....


Ele a olhou, curioso, querendo entender o que ela queria dizer com aquilo.


- Pelo menos eu sei que perdi muitas oportunidade de ser feliz ao seu lado.- ela sorriu, sua mão alcançando os cabelos ruivos.- Se eu tivesse tido coragem antes...se quando começamos a brigar por causa de todas aquelas besteiras, ciúmes...se eu tivesse....se eu tivesse feito o que fiz aquele dia na Sala Precisa, antes da Guerra...


- Mione, isso não importa mais. O que importa é agora. Nós éramos muito crianças. Eu era muito criança. Eu não via todas essas coisas que eu vejo agora. Eu preferia negar, esconder...eu não achava certo...- ele parou, suas orelhas queimarem.-...não achava certo gostar de você.


O sorriso dela pareceu desmanchar um pouco. Certamente tinha algo no pensamento de Rony que ela não estava conseguindo acompanhar.


Ele a puxou pela mão e os dois sentaram na cama.


- Quando eu vi que não tinha mais como fugir...quando eu percebi realmente o que estava sentindo...eu tentei...eu juro que tentei deixar claro para você, mas...


- O seu jeito era estranho...- Hermione riu, interrompendo o discurso do ruivo.- Eu lembro de algumas conversas que tivemos depois do Baile de Inverno e você realmente dava a entender que tinha algo a mais no seu ciúme.


- E tinha...- ele estava muito vermelho agora.


- Por que você...?


- Eu era um garoto! Gostar da minha melhor amiga parecia o fim do mundo, principalmente quando nos meus dias mais pessimistas eu achava que você e Harry acabariam juntos...então eu neguei...


- Espera aí, você o que?


- Ronald Weasley-


Sabia que havia chego à hora. Hermione estava trazendo todos aqueles assuntos à tona e ele sabia que haviam muitas coisas para dizer.


- Meu ciúme, Mione...- ele olhava para as mãos deles agora entrelaçadas.-...não foi só por causa do Krum.


- Eu pensei que...


- Você lembra...quando estávamos buscando as Horcruxes e eu...bom...eu...


Ele não precisou continuar. O vermelho em seu rosto, seu olhar fugindo do dela, fizeram a garota entender ao que ele se referia.


- Quando você foi embora...?- ela sussurrou.


- Sim. Você sabe qual foi o motivo da minha decisão?


- O medalhão estava deixando você maluco...você achou que Harry não sabia mais o que estava fazendo e...


- Você lembra a minha frase exata?Quando fui embora...?- ele a olhou nos olhos. Seu estômago se remexia desconfortavelmente. Ter que admitir tudo aquilo era difícil. Mas era o primeiro passo para a vida nova que esperava ter.


Hermione desviou o olhar franzindo a sobrancelha. Obviamente não gostava de lembrar daquela cena. Ele também não gostava. Após um longo minuto, o rosto dela pareceu mudar e ela abriu a boca, espantada.


- "Você está escolhendo ele..."


Rony se surpreendeu que ela conseguisse lembrar daquilo tão rapidamente, mas vindo de alguém que decorava livros em uma velocidade recorde, não era realmente uma surpresa. Ele permaneceu em silêncio, lembrando-se de como fora irracional.


- E-eu...até achei que você estava se ofendendo com o fato de eu ficar e ajudar Harry, mas não pensei que você realmente tivesse...ah, Rony!- ela levou as mãos à boca.- Quando Rita Skeeter escreveu para o Semanário das Bruxas você fez até uma piadinha sobre...


- Não era piada.- ele olhou firme para ela.- Eu usava a ironia como defesa porque era difícil...eu...


Ele fechou os olhos e respirou fundo. Pareceu que tudo estava se passando em câmera lenta.


- Quando eu voltei...e Harry falou que eu deveria destruir o medalhão...ele, bom... você sabe como é...na Câmara Secreta você também teve que...


- Sim...- Hermione corou, lembrando-se da forma como a Horcruxe havia tentado impedi-la de a destruir.


- Bom...o Harry viu...o medalhão..bom...ele tentou...tentou montar imagens de vocês dois e vocês eram diferentes, diziam que eu ter ido embora fizera as coisas melhores...porque aí eu não estava atrapalhando nada...


Ele falava muito rápido. Hermione olhava para os olhos dele, parecia estar levemente confusa.


- Foi aí que o Harry me falou que vocês dois eram como irmãos...


Ele achou melhor omitir algumas partes da história, como a parte em que eles se beijavam nas formas fantasmagóricas, ou a parte que ele rompera em lágrimas pelas verdades jogadas em sua cara.


- Rony, eu nunca pensei que você...nunca pensei realmente que você sentisse isso...


Ele olhou para ela, o rosto sério. Havia conseguido desviar toda a conversa. Pareciam ter a necessidade de falarem certas coisas que estavam guardadas.


Ele sabia que Hermione não poderia imaginar realmente que todos aqueles temores de adolescente eram algo real, que o machucava.


Ela beijou seus lábios suavemente e colou suas testas. Os dois ficaram alguns minutos assim, ouvindo as próprias respirações.


- Acho que estou muito sensível...desculpe...- a voz dela era um sussurro.- Todos esses dias ao seu lado...todos esses sentimentos eu...


- Eu entendo, Mione...


Ele a abraçou braços dela fecharam o abraço e os permaneceram daquele jeito.


- Arg, o que tinha naquele jantar...naquele vinho? Por que estamos assim?- Rony precisava entender porque estavam repentinamente querendo deixar tudo tão claro. Sentia que também tinha lágrimas nos olhos.


- São coisas que eu sempre quis falar para você. Sempre quis que você soubesse como eu me sentia...


Ele a encarou, sentindo uma coragem que não parecia vir dele.


- Eu acho que eu sempre soube... só não acreditei realmente que eu pudesse...


Ela esperou ele continuar. Ele sorria agora, sentia uma emoção crescendo dentro do peito. Aquilo era tão real. Hermione estava ao seu lado. Para sempre! Como podia ficar indiferente aquilo?


-...que eu pudesse ter você...que nossa história acabaria dando certo...que namoraríamos e...


Hermione pareceu ter tomado um choque elétrico quando ela arregalou os olhos para ele. Mas ela não falou, ela esperou que o garoto continuasse.


Rony sentia todo o corpo anestesiado. Sua mão fez o caminho pelo rosto de Hermione e alcançou sua nuca. A outra estava na mão da garota. Ele a sentiu tremer levemente.


- Eu quero passar o resto da minha vida com você, Hermione.- ele falou no tom mais digno que pôde reunir, considerando seu nervosismo. Sua voz saiu levemente trêmula, mas a garota pareceu compreender plenamente o que ele estava falando.


- E-eu...eu...- ela estava tão vermelha, aquilo não estava ajudando.


Acidentalmente pronunciara a palavra tão temida. Dando a entender que estavam namorando, ele sabia que estava tentando se redimir por todos os momentos que agira errado com ela.


Após terem falado um ao outro que se amavam, ainda tinham aquele medo de assumirem um relacionamento. Talvez, o histórico de histórias amorosas frustradas em suas vidas tivesse culpa pensou, enquanto Hermione ainda parecia perdida, que todos os relacionamentos que os dois haviam tido tinha sido em consequência do que sentiam um pelo outro.


- Rony...- a voz dela era suave.


- Eu espero que um dia você possa me perdoar por todas as burradas que já fiz.


Ela fez sinal negativo com a cabeça, sorrindo.


- Eu não tenho o que perdoar. Já está esquecido.- a garota tinha lágrimas nos olhos.


Hermione riu baixinho, passando a mão pelo rosto querendo esconder as lágrimas. Abaixou o próprio cabelo enquanto tentava disfarçar sua voz e fingir tom de surpresa.


- É impressão minha, Ronald Weasley, ou você acabou de me pedir em namoro?


Ele riu, o rosto muito corado. Por um instante, não conseguiu encará-la nos olhos.


- Ainda preciso me redimir muito com você...


Sabia que não adiantaria mudar de assunto. Hermione segurou suas mãos e olhou para ele de modo inquisitivo, querendo que ele a encarasse.


- Ronald...- ela segurou seu rosto.


Ele a olhou. Ela sorria do jeito mais lindo que ele já havia visto.


- Eu também quero passar o resto da vida com você.


Aquilo estava ficando muito sério. Talvez os dois já soubessem, naquele tempo, que um pedido de namoro não se encaixaria perfeitamente na história deles. Chegava a ser quase engraçado. Rony e Hermione namorando?


Toda Hogwarts sabia que se gostavam, todas as pessoas viam eles lutarem contra aqueles sentimentos. Parecia aquele tipo de história que tem um começo e um final feliz. O meio parecia meio confuso, como se tivesse sido tapado por uma nuvem.


Mas Rony não tinha mais medo daquilo. Talvez o que ele precisasse desde o começo era encarar as coisas de frente. Ir para a casa de Hermione e conhecer seus pais havia sido um dos passos que ele havia dado, após sua conversa com Harry, após o dilema na frente do espelho em que se dera realmente conta do que estava acontecendo. Ele sempre soubera que era isso que queria. Agora que tinha, não podia imaginar alguém sendo mais feliz do que ele.


Todas as dúvidas, receios e angústias que apertavam seu peito sumiram enquanto Hermione o puxava para mais um abraç sabia que a partir daquele momento, ele faria o possível e o impossível para fazê-la feliz.


Lembrava vagamente de Hermione indo até o seu próprio quarto fechar a porta e ele aproveitando o momento para trocar de roupa, preparando-se para dormir. Quando ela voltou, ele achou que seria apenas um beijo de boa noite, mas os dois voltaram a conversar e enquanto ele a envolveu nos braços, escutou sua respiração ficar cada vez mais pesada.


Não soube direito quando foi que adormeceu. Não se preocupou com o fato de já ser realmente muito tarde e que logo os pais de Hermione acordariam e os encontrariam ali, dormindo abraçados.


Só se deu conta de que em algum momento da conversa o corpo de Hermione havia escorregado e agora eles estavam deitados muito juntos, ele a abraçando protetoramente, o rosto colado em sua nuca.


Não se importou que aquela empolgação toda da noite tivesse acalmado e cedido lugar a toda aquela certeza, aquele carinho estampado. Sentia-se completo daquele jeito.


Quando adormeceram, lado a lado, ele foi tomado por um sentimento maravilhoso. Não importava que aquele ano ela estivesse em Hogwarts e eles se veriam pouco. Logo, estariam juntos, construindo uma vida. Ele tinha certeza de que no momento que Hermione saísse da escola, eles não saíram mais um do lado do outro.


Aquilo não lhe deu medo. Sentiu apenas um gostoso frio na barriga. Ter todo o destino diante de si assim, tendo certeza do que queria e sabendo que era correspondido, não deixava lugar para medos e incertezas.




- Hermione Granger-


Hermione não conseguiu dormir profundamente, mesmo estando completamente confortável nos braços de Rony. Torcia para que um dia pudesse ser assim sempre, dormir e acordar ao lado de quem ela amava.


Sem nem ao menos acordá-lo, a garota desfez o abraço quente que a envolvia e saiu do quarto, não querendo desaparatar para não fazer barulho.


Agora sentia-se mais calma para ficar sozinha. Antes, quando fora para o quarto de hóspedes, haviam ficado meias-palavras, coisas que não haviam sido ditas. Mas agora, ela conseguiria deitar tranqüila na cama e esperar amanhecer.


Faltava muito pouco para isso agora, ela não tinha mais sono. Queria apenas pensar. Pensar em tudo que havia acontecido, em tudo que haviam conversado.


Não se sentia culpada por ter feito o que havia feito aquela noite. Conhecia Rony há tanto tempo, que parecia até errado ter demorado tanto tempo para ficar ao lado dele.


Nunca havia sentido nada assim. Saber que havia compartilhado com Rony todas aquelas sensações novas lhe dava a certeza de que tudo que haviam vivido havia valido à pena. Sentia-se especial.


Em nenhum momento imaginara que aquilo poderia acontecer assim, de repente, quase sem querer, antes que ela imaginasse. Ela já conseguia se enxergar indo para Hogwarts, ficando longe ele, mas em nenhum momento ela imaginara que teria coragem de fazer tudo aquilo.


Sabia que estava sendo uma boba. Havia sido tão natural. Certamente, se Rony não tivesse bebido no jantar, não teria tido tamanha coragem, afinal, ele sempre esperava uma iniciativa por parte dela. Ela riu pensando em como o destino havia brincado com os dois. Ela se perguntou se era assim que as pessoas que amavam plenamente sentiam-se: como se nada fosse capaz de quebrar aquela felicidade.




Houveram muitas situações para lidar na manhã seguinte. A primeira, que ela sempre teve certeza que ocorreria: seu pai abrindo a porta do quarto para ver se ela realmente estava dormindo e o mais importante, se estava sozinha. Depois o rosto de sua mãe que parecia ter percebido alguma alteração mínima na única filha, ela encarava Hermione como se ambas tivessem confidenciado o que havia acontecido em segredo e a terceira e mais difícil de lidar, Rony vindo em sua direção com um olhar abobalhado de quem perdeu alguma informação crucial na história.


Ela sabia que ele deveria ter acordado completamente perdido,mas era melhor assim do que seu pai não a encontrar dormindo no quarto. Rony não era bom para disfarçar tudo que estava sentindo. A intimidade que reunira com a família parecia ter se dissolvido e ela estava extremamente formal com os pais de Hermione.


Enquanto o ruivo ajudava sua mãe a tirar a mesa do café da manhã Hermione revirava os olhos para o teto, torcendo para que aquilo acabasse logo.




Se falassem para Hermione que a reunião do Ministério seria relativamente tranqüila se comparada com a despedida dos seus pais, ela jamais acreditaria. Ela teve que sentir na pele.


Ainda estava sensibilizada devido aos abraços finais, beijos de despedida e lágrimas insistentes de sua mãe, que tentava conversar a filha a voltar nas primeiras férias possíveis. Hermione achou aquela despedida a mais difícil de todas: sabia que agora sua vida seria dividida entre duas famílias. Já fora assim, e já acontecera situações em que ela passara mais tempo com os Weasley do que com os seus pais, mas em todas elas ela sempre tinha a certeza de que logo estaria em casa. Sabia que aquela era sua casa, seu lar. E repentinamente, não parecia mais.


Ela não conseguia mais juntar as duas palavras lar e feliz sem pensar em Rony ao seu lado. Agora, enquanto caminhavam pelo saguão do Ministério lado a lado, juntamente com Harry, ela se questionava quando que tudo aquilo havia mudado. Ela sempre soube o que sentira, e estava ciente de que queria ficar para sempre ao lado dele. Apenas não se dera conta de que ao escolher aquele caminho, a casa de seus pais seria apenas a casa de seus pais.


Ela segurou a mão de Rony fortemente, enquanto tentava entender o que ele e Harry estavam conversando.


- Gina deve estar morrendo de curiosidade a uma hora dessas, eu prometi que aparataria direto para a Toca assim que tivesse novidades.


- Já estaremos lá, em um minuto.- a voz de Rony parecia diferente, ele encarava Hermione. – Mione... está tudo bem?


- Sim...claro...


A reunião havia sido mais breve do que todos esperavam, talvez não havia sido tão emocionante para Harry por ela considerar o Ministério um ambiente que ainda merecia ser estudado.


Como o esperado, eles haviam sido homenageados e haviam ganhado prêmios para serem colocados ao lado dos que Harry e Rony haviam ganho por serviços prestadas à Hogwarts quando haviam tirado Gina da Câmara Secreta. Todas as pessoas na reunião, haviam deixado bem claro que os três tinham uma vaga garantida no Ministério, deveriam pensar e avaliar as propostas, e voltariam a conversar. Hermione não iria nem pensar na proposta. Logo, estaria de volta a Hogwarts e aí sim, pensaria em conseguir um emprego por méritos de seus estudos.


- Você está pensando em mudar de idéia?- Harry olhou para Hermione.


- Não, não é isso! Só estou cansada...


Quando eles aparataram para a Toca, Hermione sentiu seu coração acalmar. A conversa de Harry e Rony tomara outro rumo. Ela pensou que talvez aquilo só a faria sentir-se mais nostálgica, mas teve o efeito contrário.


- Jorge e eu iremos ajeitar tudo no dia que levarmos Mione e Gina para a estação. O apartamento ficou muito tempo fechado, sabe...


- Eu ajudo vocês, com todo o prazer! Se vou ficar hospedado lá por um tempo nada mais justo que ajudar.


Hermione fez Rony a olhar nos olhos enquanto eles se aproximavam da porta dos fundos da Toca.


- Você já vai ir morar com seu irmão?


Rony fez sinal afirmativo com a cabeça.


- Sei que tudo é ainda muito recente, mas nada melhor do que retomar a rotina. Quero mudar algumas coisas de lugar, tornar a volta de Jorge o mais fácil possível.


- Acho admirável da sua parte o que está fazendo, Ronald.- Hermione passou a mão pelo rosto do namorado carinhosamente.


Harry passou reto pelos dois e entrou na cozinha, a voz de Gina foi ouvida no instante seguinte, não parecia muito feliz. Hermione e Rony ignoraram.


- Tenho certeza que essa ajuda inicial que você dará ao seu irmão será crucial na volta dele. A loja tem tudo para deslanchar novamente.


Rony estava vermelho. Hermione sorriu, o relacionamento deles havia chegado em tal estágio que ela não achava mais normal o garoto ficar envergonhado.


- É bom ouvir um elogio para variar.


- E quando foi que eu não elogiei você?- ela riu, sacudindo a cabeça, incrédula.


- A pergunta certa seria, quando foi que você me criticou. E eu mesmo respondo: várias vezes. Incontáveis.


Hermione o abraçou, querendo evitar a nova briga. Mas o garoto riu, despreocupado.


Ela ficou ali, com a cabeça deitada no peito de Rony, ouvindo o coração dele bater forte. Sabia que quando entrassem na Toca dificilmente teria um momento a sós como aquele. Ela não ficava frustrada por saber que não poderia repetir tudo que havia acontecido na casa de seus pais aquela noite, o que realmente a deixava angustiada era saber que talvez só teriam um momento apenas dele quando ela voltasse de Hogwarts.


- Você está realmente pronto para sair da casa dos seus pais?- ela sussurrou.


- Acho que nunca vou saber isso. Talvez só me dê conta quando eu chegar ao apartamento de Jorge e a comida não estiver na mesa.


Os dois riram. Hermione olhou para cima, querendo entender o que se passava nos olhos do ruivo.


- Admiro sua coragem.- ela forçou a voz, para que saísse firme.


Rony beijou seus lábios delicadamente.


- Vindo de você, isso vale muito.


Ela achou que iriam para a cozinha, seria engolfados pelas conversas de todos, e aquela insegurança dela ficaria perdida dentro de seu peito.


- ....e Mione...


Rony falou enquanto segurava o pulso dela, para que ela ficasse mais um momento ao seu lado.


-... essa pergunta que você me fez... foi por que você está se sentindo insegura ou....?


- É...mais ou menos...de alguma forma eu soube...aquele dia que nos despedimos deles...- ela desviou o olhar de Rony, sentia as lágrimas se aproximando.-... que eu não iria voltar...


Rony a abraçou novamente. As mãos dele já estavam nos seus cabelos, seus dedos perdidos nas mechas fofas de Hermione. O carinho dele parecia tão experiente com ela agora, era capaz de acalmá-la em apenas um segundo.


- Eu vou estar sempre com você.- Rony respirou fundo, o nariz encostado no topo da cabeça dela.- Não pense que vai se livrar de mim tão cedo...


- Nem passou pela minha cabeça...- a voz dela era quase um sussurro.


Rony afrouxou o abraço e a encarou, sério.


- Quando você terminar Hogwarts....


- Vamos...- ela colocou o indicador e o dedo médio nos lábios de Rony, impedindo que ele continuasse.-...entrar e conversar com todos.


Rony pareceu levemente desapontado enquanto ela abaixava a mão.


- Ronald...eu sei o que você iria falar. E...- ela suspirou e sorriu para ele.-...você sabe a minha resposta. Não quero que você se sinta forçado a nada apenas por que eu decidi não voltar para a casa de meus pais.


- Mione...


- Tudo bem, Rony.- ela tentou tranqüilizar o ruivo.


- Mione me deixe falar...- ele continuou antes que ela pudesse interromper.- Sei que foi sua decisão. Mas quero que você saiba, que quando você voltar- ele impediu que ela o interrompesse novamente, segurando sua mão.-...eu quero que isso seja uma decisão nossa.


Ela ficou parada. Sabia que Rony faria o convite para morar com ela assim que pudesse, ela mesma o havia impedido de fazer aquilo, para não se sentir pressionado. Mas escutar aquilo, vindo dele, fazia com que ela se sentisse mais ansiosa ainda.


- Ron...- ela não podia conter a emoção. Não queria que ele falasse. Mas ele insistira. Ele realmente queria que começassem uma vida juntos quando ela terminasse a escola.


- Hermione...eu espero estar empregado quando você voltar...tentando levar uma vida...ser independente...mas eu não quero...eu não quero...- ele engoliu em seco.-... não quero nenhum plano para a minha vida, em que você não esteja.


As lágrimas agora estavam realmente caindo pelo rosto de Hermione, e ela se sentiu mais completa ainda ao ver que o rosto de Rony estava úmido também.


Abraçou o ruivo fortemente, ao ponto de sentir que a circulação havia parado em seus braços.


- Ah, Rony...- ela tentou falar, enquanto as lágrimas teimosas e verdadeiras molhavam a roupa do garoto, o peito dele movia-se também, acompanhando o choro.


- Eu te amo, Hermione....


A intensidade com que ele falara aquilo varreu para longe toda a insegurança, o medo e talvez até o frio na barriga incômodo que ela sentira ao saber que tudo seria diferente.


Claro que seria diferente. Sair da casa dos pais, começar a construir uma vida ao lado do ruivo, sonhar em ter uma família. Mas o que Rony falara valia mais do que qualquer coisa. Os planos eram dos dois. E os dois juntos iriam construir essa realidade.


Ela sabia, que uma felicidade que fosse construída em conjunto, valeria mais do que um sucesso individual. A alegria compartilhada, seria alegria redobrada. Ao lado de Rony.


Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 12) - Copyright 2002-2017
Contato: clique aqui

Moderadores:


Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.