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114. FATALIDADES E ESCORREGÕES


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 114 – FATALIDADES E ESCORREGÕES


(SEGUNDA TENTATIVA)


 


 


 


 


O mau humor havia se instalado em Rony ao longo da manhã.  O sol brilhava alto, o dia estava lindo, e havia acordado bem humorado e feliz como raras vezes em sua vida. Tinha tudo para ser um dia perfeito.


Isso, até o Sr. Loren pedir-lhe que fosse pessoalmente entregar uma pilha de intimações.


Ser o homem dos sonhos de Hermione dava trabalho, e o impedia de pedir dinheiro ao conde, por isso, submetia-se a isso.


Mentiroso, disse a si mesmo. Não queria que o conde tivesse influência sobre você e sua vida, e que não lhe tirasse Hermione. Essa era a verdade!


Infeliz, seguiu andando pela estradinha de terra, esperançoso de ver uma carruagem passar por ali. Ledo engano, pois teria que andar alguns quilômetros até voltar à cidade.


O lado bom. Era que lhe dobrava tempo para pensar. Pensar em Hermione, na vida dos dois, pensar no fatídico baile e suas conseqüências.


Pensar em sua vida antes e depois do casamento.


Lembrou-se quando decidiu voltar para casa, mostrar  seu diploma aos pais e dizer que era um homem de verdade, capaz de cuidar de si mesmo, e que não investiram seu dinheiro à toa.


Que toda a saudade e separação não haviam sido em vão.


Hoje era capaz de admitir que parte de sua decisão de voltar, se dera pela necessidade feroz de voltar aos seus. Ver os irmãos com aos quais brincava quando pequeno, ver a irmã menor, que era apenas um bebê quando partiu. Ver a mãe, que guardava na mente a imagem bela e bondosa, sempre carinhosa e amorosa, mesmo quando eles a enlouqueciam com suas traquinagens. Ver seu pai, e dizer a ele que eram iguais.


Tinham o mesmo sangue nas veias e o mesmo amor pela terra.


Não esperava de jeito nenhum, encontrar uma mulher tão determinada, bonita e arredia como Hermione. Sempre preferira as moças dóceis. Era de imaginar que elas não o atrairiam para casar, pois gostava de uma boa briga.


Sorrindo, ele cogitou o que diria a ela quando retornasse do suposto duelo. Havia pensando em algo dramático, como pedir a Harry para surrá-lo e deixar algumas marcas para passar mais veracidade, ou quem sabe, cair de propósito da carruagem em movimento para ganhar algumas escoriações, tudo para garantir mais veracidade ao seu plano.


Decidira, porém, que a pobrezinha estaria tão desesperada e frágil que poderia ser demais para ela. Melhor se concentrar em dramatizar o mínimo possível a situação!


Sorte sua Malfoy ter deixado Londres. No início, achara que o conde tinha algo a ver com sua fuga, mas sua verdadeira surpresa diante da noticia o inocentara. Alguém menos civilizado que Rony, finalmente se cansara do maldito Malfoy e o colocara em seu devido lugar.


Suas dívidas de jogos eram lendárias, e não se admiraria se alguém o houvesse pressionado obrigando-o a juntar sua existência insignificante e asquerosa e fugir para um buraco, assim como os ratos fazem ao sentir medo.


Torcia, para quem quer que o estivesse procurando, ter sucesso em sua busca. Nada lhe daria mais prazer que assistir seu funeral.


Pensando nas mil razões para odiar Malfoy, seguiu andando. Umas duas horas depois, ele chegou finalmente a cidade. Tinha algumas moedas no bolso, e quase se ajoelhou de alívio quando ouviu o som de uma carruagem que se aproximava.


Fez sinal para chamar a atenção e se aproximou. O cocheiro mal lhe dirigiu o olhar, um homem pequeno e enrugado, mas o que importava eram os assentos macios e a proteção contra o sol.


Ainda tinha dois mandatos para entregar, e só Deus para saber o quanto ele apreciaria torcer o pescoço ossudo do Sr.Loren


O homem sabia o quanto odiava fazer esse tipo de trabalho, normalmente condicionado aos iniciantes, e parecia se divertir com sua desgraça.


Como se ele fosse bobo e não soubesse que havia o dedo rico do conde nisso. Não era segredo que o desejava como seu secretário pessoal, cuidando e sendo treinado, para um dia assumir o controle sobre sua fortuna.


Bem mais suave que o pai de Suzan, mas tão ardiloso quanto!


Decidido a não ceder, parou em outro endereço e fez sua entrega. Sempre era uma situação desconfortável intimar as pessoas. Nesse caso em particular, uma jovem viúva com uma filha de colo. O marido havia morrido e deixado apenas uma casa simples. Como o único filho era mulher, a pouca herança iria diretamente para um primo distante.


O homem dera ordens expressas de vender a casa e remeter o dinheiro o mais breve possível. A pobre mulher ouvira com atenção e orgulho, mas ele sabia o tamanho da humilhação e dor que sentia.


E sabia também, que o Sr.Loren nesses casos, geralmente, agia como o advogado do diabo e tirava vantagens. Provavelmente venderia a casa por procuração, por um valor maior do que informaria ao primo ambicioso do pobre falecido. Seria pouco dinheiro, mas ao menos a viúva teria como recomeçar.


Infelizmente não eram todos os casos em que poderia interferir. Seu último destino era uma casa, onde os filhos deveriam ser retirados pela justiça. Seriam levados para um orfanato por causa de maus tratos a abusos.


Rony não entendia certos tramites da lei. Porque avisar com antecedência se era óbvio que o pai estuprador e agressor fugiria com as pobres meninas para longe e nunca mais seria visto, enquanto as pobres criaturas viveriam suas vidas sendo constantemente abusadas?


Pensou no infortúnio de Hermione, ao lhe tirarem a fazenda quando se conheceram. O mundo não é justo para as mulheres, e ela tinha toda razão ao afirmar isso.


Terminado sua tarefa, praguejou ao ver que o cocheiro havia ido embora.


Merda. Logo num dos bairros mais desagradáveis da cidade.


Só lhe restava apurar o passo e sair dali o mais rápido possível.


Não muito longe dele, Adolph seguia seus passos. Uma sorte Rony ter resmungado na mesa do café, antes de sair, diante de Anna que teria que ir até aquele bairro. Desse modo, fora fácil manter vigília esperando a hora que um homem alto, ruivo e de postura rebelde passaria por ali.


O homem nunca vira o ruivo antes, mas a descrição de sua nova patroa era exata e precisa. Toda a postura do ruivo indicava descaso e desenho social. Em sua larga experiência, já vira muitos homens como ele terminarem mal por causa de suas atitudes impensadas.


Seguindo-o a uma curta distância, disfarçou os passos, acostumado a andar escondido e não ser visto, para não causar comoção por causa do seu inexorável e intolerável tamanho.


Adolph lutava contras as dúvidas, preferindo acreditar naquela pequenina mulher que lhe estendera a mão e lhe fora caridosa. Não era fácil acreditar depois de tantas desilusões na vida, e ainda tinha dúvidas sobre qual era seu intento em relação ao jovem marido.


Não seria a primeira vez que uma moça desejaria a viuvez prematura. Ele não era assassino, e se fosse esse o caso, acharia um modo de deixar aquela situação antes de se envolver ainda mais.


Rony sentia os pelos de sua nunca arrepiados, como se o seu corpo o prevenisse que algo estava prestes a acontecer.


Não ouvia os passos, mas tinha certeza que havia alguém atrás dele.


Merda.


Não tinha dinheiro com ele, ou algo de valor, além do relógio de seu pai que sempre carregava no bolso do colete, então, acabaria morto em uma vala.


Merda.


Um enfrentamento era impensável em sua situação de desvantagem. Restava-lhe tentar fugir através da esperteza.


Adolph era acostumado a analisar a reação das pessoas a sua volta, por isso não demorou a notar a estranha tensão sobre os ombros do homem a quem deveria atacar, muito menos lhe passou despercebido o andar mais pesado, como se estivesse esperando algo acontecer.


Era um homem esperto, como dissera sua nova patroa. ‘uma raposa velha, esperando para mordê-lo. Tome cuidado, aquele homem não presta. ’ Fora essas as palavras dela, desmerecendo o marido, com um brilho tão apaixonado nos olhos, e um tom de voz tão amoroso por trás do fel, que não o enganou quando aos seus sentimentos.


Se a moça não estivesse tão apaixonada pelo marido, não teria aceitado essa tarefa.


Rony dobrou uma esquina, mas ao contrário que muitos fariam, não aproveitou para correr. Dependurou-se em uma janela de um prédio quase em ruínas, e esperou que seu algoz mostrasse a cara.


Antes de ter tempo para analisar seu opositor, pulou sobre o homem que o seguia.


Arrependeu-se no mesmo instante. Foi lançado no ar por braços fortes, e erguido como se não passasse de um menino de dez anos.


Adolph quase riu de sua tentativa de escapar. Pegar-lhe de surpresa, não queria dizer que teria chances. Outros homens já tentaram coisa parecida e sem sucesso.


Tirou o ruivo de sobre seus ombros e acertou-lhe um soco bem dado no queixo.


Rony mal viu o vulto vindo em direção ao seu rosto, e tudo ficou negro. Antes de ser puxado para a escuridão total, ainda pensou, que definitivamente, aquele não era o seu dia de sorte!


 


 


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O plano era bem simples, pensou Adolph. Achar um galpão abandonado que, aliás, ele conhecia muitos, pois eram em locais assim que vinha dormindo clandestinamente desde que perdera o emprego e o teto sobre sua cabeça.


Achado o lugar, deveria levar o ruivo até lá, e amarrá-lo por algumas horas, mais precisamente, até o meio dia do dia seguinte. Aparentemente, havia algum acontecimento no dia seguinte que a mulher não queria que ele participasse.


Cumprida sua tarefa, ajustou as cordas nas mãos do homem e inspecionou seu rosto. Nada mal. Não ficaria um roxo tão grande assim, pois não batera com muita força.


No passado, descobrira que um simples soco seu poderia quebrar o pescoço de um homem. Por conta disso sempre era cuidadoso com suas brigas.


Satisfeito com o próprio feito, Adolph fitou a cama de jornais que havia no chão, num canto do casebre abandonado. Havia passado várias horas acordado durante a noite planejando como faria para apanhar o ruivo, e mais umas tantas horas esperando-o naquele beco. Sem contar que há muitos dias não se alimentava direito, e mesmo um homem grande como ele sentia fraqueza de vez em quando.


Atirou-se no chão, satisfeito em poder dormir algumas horas. Cruzou um dos braços sobre o peito, e sentiu o contato gelado de um pingente de prata que carregava em seu pescoço. O único bem que homem algum tivera coragem de tirar-lhe.


Fora dado a ele há muitos anos atrás, pela única mulher que amou na vida. A única que não tivera medo do seu tamanho, e o vira como um ser humano digno de amor e respeito.


Lembrando-se daquele rosto, adormeceu.


 


 


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A dor o fez acordar. Seu maxilar latejava e sua cabeça pesava.


Tentou se mover, mas estava amarrado, sentado numa cadeira. Suas mãos presas para trás, seus pés amarrados também.


O ar cheirava a mofo e a animal morto. Pela quantidade de ratos que deveria haver ali, não o surpreendia ter sido seqüestrado pelo rei de todos os ratos, e que serviria de banquete.


Maneando a cabeça para se livrar do torpor, olhou em volta, procurando o gigante que o seqüestrara. Encontrou-o e conteve um palavrão, apenas para não o acordar.


Como alguém poderia escapar daquele mostro? Era grande e largo como uma parede! Que merda!


Grande, grande merda!


Não podia simplesmente ser assaltado, surrado e seqüestrado como as outras pessoas normais? Tinha que ser vítima de um ogro, com o qual não teria a mínima chance?


Rancoroso, ponderou que era tudo culpa de Hermione, a grande pé-frio da sua vida. Desde que a conhecera fora vítima de um tiro, tinha uma ameaça de prisão pairando sobre sua cabeça, e agora, era seqüestrado.


Ô mulher para atrair desgraças!


Se concentrando para pensar em uma saída, chegou à inevitável conclusão que não poderia lutar contra o gigante-do-pé-de-feijão.


Teria que aproveitar seu sono de cinderela para escapar. Ótimo, como se não houvesse feito isso antes.


Anos atrás, quando tinha doze anos Malfoy e seu bando, ainda no internato, haviam-no prendido e amarrado no sótão, um lugar aonde ninguém ia, e que era esquecido pelos professores. Haviam-no amarrado na mesma posição que estava agora, e ido embora, deixando-o com a certeza que morreria de fome, sede e frio, pois era inverno.


Naquela ocasião lhe restara apenas uma saída, e se fosse bem franco, não fora a mais inteligente. Juntando coragem e fôlego, ele moveu os dedos, no curto espaço que havia entre as cordas.  Na ocasião usara da mão direita, mas nesse caso, preferia a esquerda, para não machucar sobre uma lesão antiga.


Com os dedos da mão oposta, forçou o dedo mínimo, até sentir o osso estalar. Segurou o grito de dor, praguejando em silêncio contra o próprio azar. Porque aquele filho da puta não seqüestrava o conde? Ele sim tinha dinheiro!


Passada a raiva, oriunda da dor, forçou as cordas, agora que libertara espaço. Libertou a mão esquerda, ignorando a dor lacerante e o ódio sufocante por ter que passar por isso novamente.


Sem tempo para pensar muito, soltou-se e livrou os pés das cordas. Pelo visto, seu monstrengo seqüestrador não era muito inteligente, ou muito interessando, pois não prendera os pés com a mesma força que as mãos.


Satisfeito, se perguntou se deveria ou não atacá-lo. Um ronco particularmente alto o alertou que não seria necessário. Se fosse rápido, estaria fora dali antes que acordasse e desse por sua falta.


Apanhando um trapo velho do chão, amarrou o dedo quebrado contra os demais dedos, para minimizar o estrago, e achou um modo de sair dali, dando graças pela janela não estar presa ou trancada.


Na rua, tomou fôlego antes de se por a correr.


 


 


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Era noite quando Rony chegou em casa. Suado, cansado e dolorido, ele bateu com força na porta, até ter certeza que Hermione acordaria.


Dentro de casa, ela não dormia ainda, nervosa sobre o seqüestro ter dado certo. Animada, achando ser um recado de Adolph sobre o sucesso do seqüestro, quase morreu de susto a se ver diante de Rony.


-Fui seqüestrado – ele disse com voz cansada, forçando a entrada, uma vez que ela parecia em choque – Deus do céu, fui seqüestrado! Por sorte consegui fugir!


Ela observou-o cair sobre o sofá, exausto.


Pobrezinha, estava tão assustada que o fitava com espanto e pavor. Como poderia culpá-la, se ele mesmo ainda sentia o medo correndo em suas veias em forma de adrenalina.


-Seqüestrado? – conseguiu gaguejar.


-Sim, devem achar que tenho dinheiro por causa do seu pai – olhou para ela com súplica – Hermione, me ajude a subir, preciso de um banho antes de procurar as autoridades. E preciso cuidar disso.


Ela olhou para sua mão ferida e se aproximou, tocando de leve seus dedos, pálida.


-Não é nada demais, quebrei meu dedo para me livrar das cordas.


Nada demais? Esse filho da mãe escapara de um homem que mais parecia uma muralha!


E pior que isso, ainda duelaria!


-Uma pena, não poderá segurar uma arma - ela disse pensativa, avaliando as vantagens de seu plano falho.


-Hum, eu atiro com a mão direita – ele disse sem notar sua expressão mudar.


Filho da mãe!


Como podia? Esse homem era feito de sebo? Como podia escorregar desse modo? Adolph era enorme e esperto!


-Hermione, não fique olhando para mim desse modo! Chame um médico! Preciso de uma tala – ele reclamou notando sua imobilidade.


Em sua inocência para o que se passava, achou que se devia ao susto de vê-lo ferido.


-Anna! – ela correu para a cozinha. Por sorte a menina ainda não fora embora – Corra até a farmácia no fim da rua. Chame o farmacêutico, e diga que é um dedo quebrado que deve ser colocado no lugar!


-Mas, senhora, o médico mora a duas casas daqui. É melhor eu chamá-lo e...


-Não! – seu grito a fez se assustar – Faça o que eu pedi!


Por um segundo Anna ficou na dúvida sobre suas intenções. Mandar cartas para homens perigosos, encomendar o seqüestro do marido...


-Anna, ele vai duelar amanhã cedo com Draco Malfoy – disse baixo em tom desespero – Faça o que eu pedi.


Anna compreendeu imediatamente seu medo. Aquele homem era o demônio! Seu sorridente, perspicaz e lindo patrão não tinha a menor chance contra as trapaças dele!


Vendo a menina tirar o avental e se apressar a arrumar os cabelos, antes de sair, ela disse muito baixo, sussurrando:


-Peça que ele traga um tônico para o sono. Um bem forte. – olhando em volta, acrescentou – Preciso colocar um leão para dormir.


 


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Que coisa. Esses dois precisam de uma boa conversa. Onde já se viu! Tadinho do Rony. Heheheheheh....


 


 


Não pude atualizar ontem, apesar da Mi ter mandado o capitulo bem cedo. É o que o site do FeB não abria de jeito nenhum! Como tinha visita, não pude sair e usar o computador na casa do meu pai. Tive que ficar em casa, fazendo sala (hehe).


 

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