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113. PINGO DE AGUA


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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CAPITULO 113 -PINGO DE AGUA


 


 


 


Anna arrumava a bacia com água morna, a toalha e a escova de cabelos sobre a mesinha do quarto, quando Hermione despertou na manhã seguinte.


A cama estava vazia ao seu redor, os lençóis desarrumados e embolados a sua volta. Estava coberta, mas o estado dos seus cabelos, e da própria cama em si, além do fato de estar dormindo nua era um indicio do que se passara naquela cama, e embora Anna não tivesse mais sua inocência, não sabia como se dava o fato.


Malfoy havia causado seu desmaio antes de abusar dela. Corada de vergonha, esperou que a patroa dissesse algo.


-Bom dia, Anna – ela disse sonolenta, se movendo na cama, e espreguiçando-se languidamente. – Onde está Rony?


-Saiu bem cedo, senhora. Levou o menino com ele. – ela corou ao falar de Duran – Disse que tem muitos preparativos para o duelo e não pode esperá-la acordar. Pediu também que a deixasse dormir o tempo que quisesse!


Hermione sentou-se na cama, como se houvesse levado um choque.


-Duelo? Ele ainda vai duelar? – havia horror em sua voz.


-Eu não sei senhora – Anna não sabia o que responder.


Pelo resto da manhã, não teve coragem de falar com a patroa. Hermione estava tensa e a beira de um ataque de nervos. Tinha certeza que depois da noite passada ele desistiria desse maldito duelo!


Tinha absoluta certeza!


Era manhã, mas estava em cima da hora para o encontro que marcara com Malfoy. Frustrada, se vestiu e penteou apressada, descendo para a cozinha e bebendo uma xícara de café antes de pedir a Anna que chamasse uma carruagem de aluguel.


Sua ordem era mandar o cocheiro do conde ao mercado buscar as compras do dia, e assim teria oportunidade de sair sem ser vista.


Na rua, ela avistou Luna no jardim a casa ao lado, mas não parou para conversar, vestiu as luvas correndo antes de entrar na carruagem e dar graças por ela ser fechada.


Tensa, passou o caminho todo rezando silenciosamente para que Malfoy aceitasse o dinheiro e não tentasse nada contra ela. Tinha um filho em sua barriga, disse a si mesma, deveria desistir dessa loucura! Mas era a vida de Rony que estava em risco, e ela tinha que ir em frente!


Com sorte, ele se conformaria só como dinheiro!


Esperança vã; tinha certeza que um homem com sua má fama pediria muito mais que apenas dinheiro. Afastando esse pensamento, se agarrou na certeza que o convenceria a aceitar o dinheiro do conde.


Dinheiro esse que não tinha consigo, disse a si mesma.


Triste destino ter que consertar os erros daquele fanfarrão.


A carruagem seguiu por várias ruas e Hermione sentiu o coração apertar de medo quando entrou por uma vila muito pobre e escura, e avistou alguns homens mal encarados nos becos.


Nunca antes sentira medo frente a desafios, mas agora a vida era outra. Seu filho era um inocente dependendo das ações loucas de sua mãe!


Ah, como ela odiava Ronald Wesley!


Se o livrasse daquele duelo, iria fazê-lo pagar! Ah se ia!


A carruagem parou e o cocheiro abriu a porta, aparentemente indiferente ao lugar.


-A senhora precisa de companhia? – ele perguntou curioso.


-Não. Espere aqui – mandou, não precisava de pessoas comentando seu encontro com um homem que não era seu marido!


Ela andou por vários metros antes de entrar em uma ruela. Era dia claro, mas as construções eram muito juntas e os prédios altos e velhos, lançando sombra por todos os cantos.


Diante da casa certa, parou. Num canto, haviam vários olhos que a olharam com inconfundível interesse.


Aparentando indiferença, bateu várias vezes na porta. Sua idéia, melhor dizendo, sua fantasia infantil, não era precisar subir a casa de Malfoy, mas sim que ele a esperasse na rua, em frente à casa.


Realmente Ronald não valia tanto sacrifício! Não valia mesmo!


Irritada e, sobretudo, assustada, bateu mais algumas vezes na porta, vendo um dos homens se aproximar perigosamente.


Parecia inofensivo, era baixinho e curvo, usando uma boina, quando estava perto o bastante para ver seu rosto, sentiu-se gelada. Havia um sorriso malicioso em sua face, e uma expressão de quem achara um pote de ouro no meio do deserto.


-A moça está procurando o diabo louro? – sua voz era rasgada, mas ela decidiu não julgar o livro pela cama.


-Procuro Draco Malfoy. Ele sabe de minha vinda – esperava assim afugentá-lo.


-Imagino que sim, pois fugiu há dois dias – o homem riu, sendo acompanhado dos amigos que se aproximaram sem que ela notasse – Talvez a moça possa se responsabilizar pelo que ele deve.


-Ele tem dívidas? – falava mais para prolongar o momento, e atrasar o embate, do que por curiosidade.


-De jogo. A moça sabe como ele é – falou com intimidade.


-Sinto muito, mas não tenho dinheiro comigo. Ele me deve também – acrescentou, dando um passo para trás – Devo ir agora...


-A moça não pode ir sem nos dizer como ficaremos sem nosso dinheiro – ele disse cada vez mais perto.


Hermione media mentalmente suas possibilidades de correr com os sapatos aprumados e as várias camadas de tecido, chegar à carruagem a tempo do pior, quando ouviu passos.


Droga, mais bandidos!


Suando de nervoso, ela encarou aqueles homens ameaçadoramente.


-Não tenho responsabilidade pelo que Malfoy faz! Deixem-me em paz!


Aparentemente ela não os assustava. Que idéia ir até ali sem sua arma! Burra! Mesmo que corresse, em que o cocheiro poderia ajudá-la contra seis homens, possivelmente todos armados?


Hermione deu vários passos para trás, olhando em volta a espera de algum milagre.


A única coisa que viu foi um homem gigante se aproximando.


Era tão alto e corpulento, que tirou seu fôlego. Deveria ter mais de dois metros, era negro como a noite, sua cabeça inteiramente raspada. Sua camisa já vira dias melhores, pendia aberta e rasgada em vários pontos. Seus pés descalços.


Deus! Estava perdida! Ele carregava nas mãos uma barra de ferro, e quando ficou bem perto dela, Hermione achou que desmaiaria.


-Esses homens estão incomodando-a, madame?


Sua voz soava como a voz de um gigante. Sua face era bronca e severa e Hermione maneou a cabeça concordando, afirmando que sim.


-O que desejam com a senhorita aqui presente? – ele virou-se para os homens que se entreolharam – Talvez eu possa ajudá-los no lugar dela.


O homem mais franzino ainda olhou longamente em direção a Hermione, tentado talvez a insistir, mas desistiu. Quando eles viraram as costas e andaram para longe ela disse com voz falha:


-A carruagem me espera na outra rua. Eu...


-Acompanharei a senhorita – ele disse sério, sem deixar margens para discussão.


Hermione concordou ainda assustada, sem saber se poderia confiar nele.


Andou ao seu lado, em seu passo lento, como se ele soubesse que ninguém teria coragem de abordá-los. Era um homem capaz de assustar até o mais forte dos homens.


O cocheiro pareceu prestes a sair correndo quando o viu.


-Leve a madame diretamente para casa – ele disse com sua voz potente, erguendo-a com facilidade pela cintura e colocando-a dentro da carruagem com uma única mão, poupando-a de subir os degraus com seus pés trêmulos.


O cocheiro apenas concordou com um aceno, mudo.


-Espere – ela disse antes que ele se afastasse – Me diga seu nome!


-Adolph, madame – ele disse como se soubesse que um nome pomposo desses não combinava com ele – Me chamam de Ogro, senhora.


-Ogro? – fitou-o incrédula – Não posso crer que o chamem assim tendo um nome tão bonito! Adolph, preciso lhe agradecer – ela abriu a bolsa e retirou um saco com moedas. Antes que ele pudesse negar ela disse – por favor, cometi uma loucura vindo aqui, estou grávida, e só Deus sabe como lhe sou grata! Por favor, aceite. Compre sapatos para seus pés!


O homem olhou para ela humilhado, e Hermione entendeu sua sensação, pois muitas vezes na vida sentira-se desse modo.


-Vive aqui? – perguntou quando ele aceitou o saco de moedas com sua mão gigante.


Sempre achara Rony um homem enorme, mas aquele era verdadeiramente um monstro!


-Vivo na rua, senhora. Não sou um vagabundo. Meu senhor não precisou mais dos meus serviços – ele disse com um resquício de orgulho que a convenceu que era um bom homem. – não há muito trabalho para um homem do meu tamanho.


-Muito menos para uma mulher do meu – ela disse pensativa, lembrando-se de como era difícil trabalhar sendo tão frágil. Ele não entendeu, e ela sorriu – Preciso de um cocheiro. – disse sem pensar. Venha a minha casa. Apenas me prometa não contar a ninguém de onde me conhece, tão pouco que me viu aqui! Mandarei o cocheiro vir buscá-lo em menos de uma hora. Por favor, esteja aqui.


Ele concordou sem parecer crer.


Hermione fez um sinal para que o cocheiro seguisse e não conseguiu desgrudar os olhos daquele homem tão grande e corajoso.


Em casa, ela tremia quando Anna a recebeu na escada. Depois de pedir ao cocheiro que voltasse para buscá-lo, ela sentou-se na sala, chorando de nervoso.


-A senhora está bem? – Anna parecia em pânico.


-Não – confessou.


-Devo chamar alguém?


-Não, não precisa. Estou nervosa. Vai passar – o medo a deixou lentamente, enquanto Anna lhe fazia companhia.


Não pudera falar com Malfoy. E agora? O duelo aconteceria!


Pouco mais de uma hora depois, o cocheiro voltou e Anna lhe pagou pelo serviço. Quinze minutos depois, Hermione ouviu palmas.


Anna olhou pela janela e cobriu os lábios com uma das mãos assustada.


-Deixe, falo com ele – ela sorriu para acalmar a menina e abriu a porta.


-Madame - Adolph ainda parecia incrédulo sobre o que estava lhe acontecendo.


Curvou-se respeitosamente, e quando ergueu os olhos, Hermione assustou-se. No beco não vira seu rosto em detalhes, mas agora estava diante os olhos mais maravilhosamente verdes que já vira na vida. Olhos idênticos aos de Duran.


-Deus do céu!


-Perdoe-me senhora – ele deu um passo para trás, mas ela sorriu.


-Eu que peço desculpas. É um homem muito bonito, nunca vi olhos como os seus! – disse empolgada – Verá que tenho um empregado, um menino, que tem olhos como os seus!


O homem pareceu além de constrangido, um pouco surpreso.


-Precisará de um uniforme, e deverá ser feito sob medida. Não há dúvidas disso! Anna! – ela gritou, se voltando para a escada, atrás da menina – Chame a costureira. Aquela que meu pai mandou; a de expressão azeda... E desfaça essa cara, esse é Adolph, um amigo. Não tenha medo dele!


Assim como Hermione, Anna quase desaparecia perto dele.


Era um gigante.


Uma idéia se formou na mente de Hermione, e com um sorriso, ela sentiu as esperanças se renovarem, em sua cabeça uma nova idéia de como evitar aquele maldito duelo!


 


 


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Adolph comia com gosto, sentado no degrau da escada dos fundos, pois não havia cadeiras naquela casa que o suportassem. Serviram-lhe arroz e carne, fato raro. Era um ex-escravo e estava acostumado a ser mal tratado.


Hermione olhava para ele com um brilho no olhar que o intrigava.


-De onde você é? – Hermione lhe perguntou, curiosa.


-Não sei. Fui vendido muito pequeno, e não lembro onde nasci – ele contou sem sombra de mágoa, o tempo havia curado suas feridas.


-Tem família, Adolph?


-Não tenho meus pais ou irmãos. Estão todos mortos.


-Sinto muito, também perdi minha família – contou sentida por ele.


-Também sou órfã – Anna disse achando algo em comum com o gigante.


-Têm mulher, filhos? – Hermione seguiu seu inquérito, pensando bem à frente.


-Não, madame - ele engoliu a comida, achando engraçado tantas perguntas – Não tenho mulher ou filhos.


-O que fazia em seu antigo trabalho?


-Cuidava dos cavalos do meu antigo patrão. Ele tinha muitos. Ele casou-se e sua mulher não gostou de mim, disse que a assustava. – comentou brandamente, acostumado a isso.


-Por quê? Que mulher tola! Um homem grande é sinal de proteção. Muito me admira que não esteja fazendo a segurança de algum homem de poder. Sabe Adolph, estou de passagem em Londres. Em dois meses volto para minha casa, que é longe daqui. Uma fazenda – disse sonhadora, notando seus olhos brilharem – Se quiser, e meu marido concordar, pode voltar conosco. Sempre precisamos de braços fortes para o trabalho e os seus... Minha nossa, são capazes de fazer o trabalho de dez homens!


-Se for do agrado do senhor seu marido, terei prazer em servir – ele disse humilde.


-Só me prometa não abaixar sua cabeça para o meu marido. Ele é muito mandão – ela brincou e ele até sorriu, ocupado com a comida.


O homem se perguntava por que a jovem rondava em volta dele como abelha no mel.


Chegando a conclusão óbvia, só lhe restou esclarecer logo de uma vez:


-Desculpe madame, sei que meu porte passa uma falsa idéia, mas não faço trabalhos obscuros – ele disse engolindo um último pedaço de carne e olhando para ela com desconfiança.


-Oh não, não quero que faça nenhum trabalho obscuro! Imagine! – seu sorriso podia iluminar Londres de tão empolgado – Preciso apenas que me seja meu cocheiro e prometa não contar aonde vou. E também, preciso de um pequeno favorzinho. Coisa muito pequena!


-Um favor? Qual? – Anna perguntou ao seu lado, se roendo de curiosidade.


Olhando para os olhos verdes e astutos daquele homenzarrão, disse:


-Preciso que seqüestre o meu marido.


 


 


 


 


 


 


 


BETA: A Mione só apronta, nem tem noção da merda que vai dar isso tudo!!!


 


AUTORA: Faço minha as palavras da beta! Heheheheh....


 

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