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11. Ansiedade


Fic: In Aeternum


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Capítulo 11- Ansiedade


- Ronald Weasley-


O dia estava passando tão rápido que Rony não teve mais tempo de sentir aquele pânico familiar aflorar. Após o almoço, haviam conversado longamente sobre muitos acontecimentos do pós-guerra. A Sra. Granger havia se sentado muito reta no sofá, enquanto o pai de Hermione de vez em quando parecia alheio à conversa e trocava o canal da televisão com o controle remoto, ás vezes murmurando algo incompreensível, dando a entender que assistir TV à tarde era algo que ele jamais faria se tivesse opção. Mas logo os Granger voltariam ao trabalho, e tudo voltaria a ser como sempre fora. Rony não desviava os olhos das imagens que se alternavam na tela. Já havia visto um aparelho daqueles anteriormente, sabia que existia. Mas ainda assim, era estranho.


- Harry está bem. Pelo menos eu acho que agora tudo está se encaminhando. Temos uma reunião no Ministério daqui alguns dias. Pensei primeiramente em não ir, mas agora...


- Você vai, não vai?- Rony virou o rosto rapidamente para Hermione.


- Acho que sim. Já sei exatamente o que eu diria se me oferecessem um cargo, então...


A Sra. Granger desviou o olhar que lançava, desaprovador, para o marido e olhou Rony.


- Talvez você possa me explicar porque Hermione não quer aceitar a proposta, se for esse tal emprego...


- Ela diz que não gostaria de ser vista apenas como a amiga de Harry Potter, que viajou ao lado dele e tudo o mais...


- Entendo.- ela olhou para a filha.- Você mencionou aquilo tão brevemente na carta que me mandou que achei que talvez houvesse outro motivo.


- Não, na verdade...- Hermione respirou profundamente-...mandei aquela carta para a senhora tão logo eu recebi a minha. Ainda estava me acostumando. Acredito que o tempo só tenha me feito sentir mais raiva do Ministério. Se for para trabalhar lá, pretendo fazer a diferença.


O Sr. Granger pareceu interessado na conversa naquele momento, desligou a televisão e mirou os três. Rony apontou para a tela escura da televisão com cara de espanto e se virou para Hermione pedindo ajuda.


- Ele só desligou, Rony.


- Ele o que?


- Eu explico depois...- Hermione sussurrou.


O pai de Hermione deu uma risadinha levemente debochada e falou com Rony.


- Acho que deve ser estranho para você ver tantas coisas diferentes, que não está acostumado. Hum, quem sabe enquanto essas duas conversam eu mostro para você a minha coleção de artefatos para pesca.


- Pai, que é que você...?- Hermione já tentava segurar a mão de Rony.


Ele prontamente se levantou, queria fugir dali. As duas, mãe e filha, provavelmente iriam começar um diálogo longo sobre as escolhas futuras de Hermione.


- Sabe, nós temos um jeito diferente para obter as coisas. Não podemos contar com a magia como vocês...- o pai de Hermione já fazia sinal para que Rony o acompanhasse e logo os dois estavam saindo para o quintal.


O Sr. Granger parecia realmente orgulhoso de mostrar todas aquelas parafernálias, muitas das quais Rony não pareceu achar utilidade alguma. Ele explicou sobre iscas, varas e muitas outras coisas enquanto ficaram sentados em um banco branco posicionado ao lado de um canteiro de flores. Passou-se aproximadamente meia-hora, Rony tentava fazer perguntas para parecer sinceramente interessado, mas começava a desconfiar conforme o tempo passava que o Sr. Granger queria gastar o tempo e impedir que Rony e Hermione ficassem muito próximos.


-... e eu particularmente acho os desse tipo muito melhores, mas meu parceiro de pescaria, Albert, insiste em falar que essa outra marca é melhor. Besteira dele, eu acho.


Rony fez alguns comentários que pareceram levemente perdidos na conversa. Mas o Sr. Granger não pareceu se importar, continuava falando alegremente e mostrando alguns objetos muito coloridos que ele tirava das caixas. Depois, decidiu que deveria gastar bons minutos explicando porque os trouxas precisavam realmente pescar, já que Rony fizera questão de falar para ele do feitiço Accio, que poderia ser usado se você soubesse o que estava procurando.


Rony perguntou-se mentalmente o que Hermione e a mãe estavam conversando. Será que permaneciam discutindo sobre o futuro de Hermione no Ministério?


- Hermione Granger-


A mãe de Hermione parecia realmente interessada em discutir a futura carreira da filha, mas após algum tempo pareceu levemente incomodada com algo. As duas caminharam pela casa, enquanto a Sra. Granger mostrava animada algumas mudanças que havia feito, assim que recuperara a memória. Localizou Bichento, que estava rondando pelos quartos da casa.


- Sabe, ainda não acredito que você teve toda aquela coragem de lançar um feitiço assim, nos seus próprios pais! E partir para uma guerra que você nem sabia como iria terminar! A única coisa que tínhamos que nos ligava a você era seu gato, e nem ao menos lembrávamos que era seu!


Hermione segurou Bichento no colo, apertando-o contra o peito. Sentia saudades do gato! Ficou feliz em saber que estava bem, que havia ficado com seus pais durante todo aquele tempo, pelo menos os olhos de Bichento estavam neles enquanto os dela não podiam estar.


- Mãe, já conversamos sobre isso! Eu precisava ir! Rony e eu tínhamos prometido que ficaríamos ao lado de Harry aonde quer que ele fosse e...


Haviam chego ao quarto de Hermione e a garota sentou-se na cama, sendo imitada pela mãe. Bichento pulou e acomodou-se, enroscando-se ao redor do próprio corpo, na cama da dona. Quando Hermione resgatara os pais, apenas ficara alguns instantes com o gato e ele parecia imensamente feliz de ter a companhia de Hermione novamente.


-...bom,na verdade... houve um momento que foi apenas Harry e eu... Rony nos deixou por um tempo...


A mulher permaneceu em silêncio, olhando para a filha.


- Ele voltou depois de alguns dias, mas...- Hermione olhou para a mãe.-..durante o tempo que esteve fora foi muito difícil.


- Com certeza deve ter sido o momento mais crítico para você.- A Sra. Granger passou a mão carinhosamente pelos cabelos fofos da filha.


-Foi. Em partes. Pode ter sido também quando fui torturada na mansão dos Malfoy, ou quando quebrei a varinha de Harry acidentalmente, mas...- Hermione sentia que precisava contar certas coisas para a mãe.-... os dias em que Rony não esteve lá... parecia muito mais complicados.


A Sra. Granger parecia compreender perfeitamente bem o que se passava com a filha.


- Querida, agora está tudo bem... vocês estão juntos!


- Eu sei...mas logo vou estar em Hogwarts e tenho medo de que esse sentimento se aposse de mim novamente e...


- Hermione, você pode nomear isso sabe. Isso que você sentiu foi saudade de Rony. Todos nós já sentimos uma vez na vida, essa solidão, a sensação de que estamos perdidos no mundo.


- Sim...- a garota abaixou os olhos.- Eu sei...


Quando olhou novamente para a mãe, ela mantinha um sorriso delicado no rosto. Abraçou-a brevemente.


- Obrigada!


- Filha, se tem alguém que entende você, esse alguém é sua mãe.


- Ah, mãe...- Hermione fez cara de nojo.- Sempre que você começa com essa frase sei que não terminou aí, sei que tem algo que você quer falar.


- Você está certa.- a Sra. Granger ajeitou-se erguendo levemente o corpo.- Quero que saiba que pode confiar em mim, que sempre estarei aqui quando você precisar.


A mulher passou a mão pelo pêlo de Bichento, que ronronou sem se mover do lugar.


- Você entendeu, não é filha? Se existe alguém no mundo que você pode confiar...


- Sim, mãe!- Hermione arregalou os olhos, percebendo que a mãe queria dizer algo mais.- Só não entendo porque de repente você parece tão interessa em...ahn...


A resposta pareceu acender dentro de sua cabeça, como uma pequena lâmpada. Hermione corou sem perceber, enquanto a mãe lhe lançava um olhar culpado.


- Seu pai queria que eu conversasse com você também. Sabemos há quanto tempo você gosta de Rony e você passa muito tempo na casa dele e não sei se...


- Ah, mãe. Acho que realmente não precisamos falar sobre isso!


Hermione não queria ter aquela conversa. Não queria ouvir sermão da mãe sobre prevenção, cuidados e tudo o mais.


- Precisamos sim, Hermione.- a mulher segurou a mão da filha.- Sei que você é uma menina consciente e...- ela sacudiu a cabeça.-... bom, na verdade você não é mais uma menina, não é?


Ela sorriu, parecia um sorriso levemente triste, parecia esconder mais coisas do que Hermione pôde compreender.


- Bom, não. Não sou mais uma menina. Mas você pode ter certeza, mãe, que sou consciente sim e...


- Isso eu sei.


As duas permaneceram em silêncio, ambas parecendo muito constrangidas com o rumo do assunto.


Quando Hermione pensara em conversar com Gina sobre o assunto, havia sido parecido com a conversa que acabara de ter com sua mãe. Mas agora a garota descobria que quando se tratava dela e de Rony, ficava muito mais sem-graça.


Flashback


- Usei Poção Capilar Alisante, sabe... quantidades generosas, por assim dizer- suspirava, enquanto falava com Harry. O garoto parecia sinceramente interessado em conversar com Hermione. Aquilo a deixava mais calma.- Mas é muita mão-de-obra fazer isso todo o dia.


Ela suspirou, enquanto coçava atrás da orelha de Bichento. Havia acordado com uma dor de cabeça chata, que havia persistido da noite anterior. Havia tentado não pensar em Rony, mas até o pêlo laranja de seu gato lembrava os cabelos do garoto. Sentiu-se uma idiota: óbvio que o gato lhe lembrava o garoto. Sempre soubera daquilo, mesmo que mentisse para si mesma.


Rony aproximou-se dos dois e no mesmo instante ela parou de falar. Não quis olhar nos seus olhos, não queria que visse seu rosto inchado.


O garoto parecia interessado em seus cabelos, agora de volta ao normal. Ou simplesmente estava olhando para cima de sua cabeça, também tentando evitar contato visual.


Era dia de natal. Não poderia evitá-lo. Durante o café da manhã haviam trocado míseras palavras, mais pelo hábito do que por qualquer outra coisa. Harry lançava olhares nervosos para os dois, Hermione teve certeza que o amigo havia entendido muito bem a briga que presenciara: pelo menos havia visto apenas parte dela.


Novamente o destino quis que os dois se vissem perante uma situação constrangedora. No passeio a Hosgmeade, no Três Vassouras, Harry havia os deixado sozinhos na mesa, aparentemente sem perceber o que estava fazendo. Havia saído na companhia de Bagman. Claro que não havia pensado nos dois.


- O que será que ele quer?- Rony tentou começar uma conversa. Hermione não respondeu. Sabia que o amigo falava de Bagman, mas ela sentia que se abrisse a boca, acabaria falando coisas que não eram relacionadas ao momento presente.


Ela suspirou, impaciente, bebericando um pouco da cerveja amanteigada de sua taça. Rony parecia tão diferente quando Harry não estava perto.


- Ei...- a voz do garoto soava estranha.-E- eu, quer dizer, não quis gritar com você depois do...depois do...


Hermione o encarou, um olhar surpreso. Sabia que estava com a boca aberta e uma expressão abobalhada no rosto, mas não podia deixar transparecer que estava realmente admirada pelo garoto ter tocado no assunto.


-... depois do baile.


- Ah, tudo bem...- ficou feliz de ver que sua voz saiu firme.- Se eu for me ofender toda vez que você for grosso comigo...


Rony pareceu ter tomado um choque elétrico.


- Eu? Sendo grosso com você...? Do que é que...


- Deixa, Ronald. Esquece.- ela olhou para as próprias mãos, enquanto sentia o olhar de Rony sobre ela. Sabia que estava corando.- Aparentemente a bebida não tem um efeito positivo sobre homens.


Comentou aquilo mais para ela do que para ele. Nem sabia se o ruivo havia bebido ou não no baile. Precisava mudar o assunto, para que ele não entendesse nada errado.


- Bebida?- parecia seriamente ofendido. Ela conseguira. Ergueu os olhos para ele, deixando um sorriso se formar agora.


- Tenho certeza de que você não falaria certas coisas se não tivesse sob efeito de cerveja amanteigada.


Hermione riu e tomou mais um gole da cerveja, deliciando-se com o olhar que Rony lhe dirigia. Óbvio que a bebida não causaria tal efeito em uma pessoa, não era uma bebida forte. Mas queria ver o ruivo ficar sem graça. Ele abria e fechava a boca, incapaz de falar algo.


- B-bebida?- ele apoiou-se sobre os cotovelos abaixando o corpo sobre a mesa, ficando mais próximo dela. Sua voz baixou consideravelmente.- Eu não bebi praticamente nada naquela droga daquele baile e se você quer saber...


Passos anunciaram que Harry voltara. Hermione havia perdido noção de onde estavam, e de quanto tempo havia se passado.


Rony endireitou-se rapidamente, passando a mão pelos cabelos. Olhou para Harry, e falou antes que Hermione pudesse raciocinar o que estava acontecendo.


- Que é que ele queria?- Hermione teve vontade de rir enquanto escutava Harry responder a pergunta do amigo, dizendo que Bagman


havia se oferecido para ajudar Harry a desvendar a pista do ovo. Ela e Rony estavam começando a aprofundar o assunto cada vez mais. Estava começando a ficar interessante.


Para alegria de Hermione, ou desespero, ela ficou dividida entre os dois sentimentos assim que tudo aconteceu, logo ela e Rony estavam sozinhos novamente. Rony havia entrado pelo buraco do retrato para que Harry pudesse sair. Hermione tinha cada vez mais certeza de que o destino queria que os dois conversassem sobre o ocorrido, colocassem os pingos nos "is" e não deixassem mais dúvida do que estavam sentindo. Mas sempre acontecia algo que os impedia, travava a cena.


Rony parecia levemente emburrado, mas veio se sentar ao seu lado. Bufou impaciente. Hermione seguiu os olhos dele e viu que ele encarava a lareira.


- Acho que Krum estava procurando você- ele falou muito sério, a voz rouca.- Estava rondando até agora a pouco lá embaixo.


Hermione não respondeu nada. Folheou o livro que tinha no colo, tentando ignorar o comentário do ruivo.


- Eu o vi, enquanto gastava tempo para poder abrir o retrato para Harry.


Hermione fechou o livro com um estrondo maior do que gostaria. Felizmente, haviam ainda conversas tomando a sala comunal, e ninguém pareceu perceber que uma nova briga se formava.


- Você realmente gosta de falar do Vítor, não é?


As orelhas de Rony já estavam vermelhas. Ela o encarou, sabia que também estava corada.


- Ah, e você não gosta!?- ele virou-se completamente para ela. Seus olhos cintilavam.


Hermione sentiu o estômago despencar. A raiva de Rony a machucava, ela teve que conter todos os seus instintos para manter-se íntegra.


- Ronald Weasley-


Já não bastava ter que estar sentindo tudo aquilo, ver seu corpo reagir quando estava próximo dela, sentir a tortura que era saborear seu perfume que até antes não parecia ter tanto efeito sobre ele, agora tinha que escutar provocações dela?


Estavam muito próximos, ele precisava falar. Precisava acabar com aquela dor, quase física, que estava sentindo.


- Ah, e você não gosta!?- ele reuniu toda a coragem que pôde.- Aposto que só vai demorar dias até você estar trocando os estudos por uns amassos na biblioteca com o Vitinho.


Gostou de ver que ela estava corada. A garota não parecia querer deixar barato.


- Do que você está falando, Rony?


- E vai demorar apenas mais alguns dias para estar falando o nome dele a cada três palavras.


Hermione passou as mãos pelos cabelos, fora de si.


- Não sei quando foi que eu achei que poderia ter uma conversa civilizada com você, Ronald Weasley!


Antes que ela pudesse se levantar, Rony segurou seu pulso fortemente. Ela olhou assustada para o toque inesperado do ruivo, o rosto surpreso.


- Hermione- a voz dele estava trêmula.- como você espera que eu aja?


Ela parou o movimento. Desistiu de se levantar. As conversas que estavam tendo ultimamente mudavam tão rápido de cenário que ela começava a duvidar de sua sanidade. Estava delirando, era isso. Rony não podia estar realmente falando aquilo...ou estava?


- Você espera que eu veja aquele búlgaro nojento sussurrar palavrinhas românticas no seu ouvido e...


- Ah, você disse que ele só queria me usar para se aproximar do Harry, não é? Então não tem problema nenhum se ele...


- Se ele o que?- Rony não largava o braço dela. Sabia que deveria estar começando a machucar a garota. – Se ele o que?


Ela havia dado a entender que eles estavam tendo algo. Sentiu como se algo se remexesse dentro dele, incomodamente.


- Você pode largar o meu braço?- ela disse entre - dentes.


Ele fez o que ela pediu, mas continuou a olhando, insistente.


- Ronald- ela tentou se acalmar, mas sua voz tremia.- esses seus comportamentos estranhos, ás vezes confusos, ás vezes mais claros do que o normal, estão começando a me fazer duvidar da minha sanidade.


- O que...? O que você está querendo dizer?


Sentia-se confuso. Ela havia visto que ele estava admitindo tudo diante dela. Por que continuava fingindo que não entendia?


- Eu vou subir. Não vou conseguir estudar aqui se você continuar com esse inquérito.


Era isso então. Para poder segurá-la ali ele precisava ser claro. Mais claro do que já estava sendo.


- Hermione...


- Boa noite, Rony.- ela já estava se levantando. Apenas parou por um instante, lhe dirigiu um olhar significativo e falou, de costas para ele.- Só não entendo por que você continua se importando tanto, se sua teoria caiu por terra.


- Teoria?- ele levantou também. Fez a volta ao redor dela, tentando ver seus olhos.


As pessoas na sala comunal pareciam perceber que algo estava acontecendo. Fred cutucava insistentemente o braço de Jorge para que ele olhasse os dois. Rony não se importou.


- Se você acha que Krum estava sussurrando algo romântico para mim, então sua teoria de que ele só estava me usando não é mais válida, não é?


Seus olhos se encontraram. Rony sentiu a boca seca.


- Já falei que...que...- ele suspirou.- Que não gosto de ver você com ele....


- Ah, é?- ela já estava perdendo a paciência de novo. Já havia elevado seu tom de voz, as bochechas incrivelmente rosadas.- E por que isso, hein? Você vai controlar com quem eu saio e com que eu deixo de sair?


Ele não teve tempo de responder. Ela já havia se aproximado perigosamente dele. Tinha o dedo indicador apontado para seu rosto.


- Você pode ter demorado todo esse tempo, Ronald Weasley- a voz dela era quase um sussurro. Ele inclinou instintivamente o corpo para trás.- para perceber que a sabe-tudo que estava do seu lado, era uma garota...


- E-eu já falei que...- ele começou a balbuciar.


- ...mas isso não significa...- ela elevou levemente a voz, fechando os olhos para controlar a respiração. Ou talvez para criar coragem.- Isso não significa...


Ele achou que ela fosse chorar. Não quis interrompê-la. Ela respirava rapidamente quando abriu seus olhos, completamente tomados pelas lágrimas. Encarou-o, fazendo com que todos os pêlos do braço de Rony ficassem em pé.


- Isso não significa que ela não exista. Ela e-esteve sempre aqui...- ela jogou os braços, sinalizando com as mãos para o próprio corpo, de uma forma quase dramática.- ... ouvindo quase calada "que não havia nenhuma garota como Fleur em Hogwarts"... sentindo-se humilhada por vários comentários feitos...- ela deixava as lágrimas caírem.


Rony sentiu-se mais calmo ao perceber que as pessoas haviam voltado aos seus afazeres, talvez se dando conta de que Hermione estava desabafando algo muito particular.


- Esperando que nem uma idiota por um convite para o baile...- antes que ele, ainda surpreso, pudesse dizer que ela havia sido convidada por Krum, ela o interrompeu- que nunca veio.


Ela o encarou, em silêncio agora, aparentemente o deixando digerir tudo que havia sido jogado em sua cara. Ela estava falando dele. Estava dirigindo aquelas críticas todas a ele.


Ele mal havia tido tempo de entender o que estava acontecendo, e voz de choro dela saiu de novo, quase inaudível.


- Só por que você não as coisas, Ronald, não significa que elas não existam.


- Hermione eu...- ele ficou surpreso de ver que ainda era capaz de falar. Não parecia mais haver saliva em sua boca.


- Mas o que eu estou falando, não é?- ela deu de ombros e passou reto por ele.- Sentimentos não podem ser visualizados.


Continuou caminhando, deixando todas aquelas perguntas no ar. Rony permaneceu parado, torcendo para que ninguém a estivesse olhando.


Queria correr atrás dela e obrigá-la a falar mais claramente. Não usar meias palavras, não fazer aquelas insinuações.


Não soube dizer quando tempo ficou como estátua naquele lugar. E o pior não foi ter que ir para o dormitório caminhado feito um zumbi, nem vestir seu pijama gelado e se deitar mesmo sem ter sono, muito menos ter remoído aquela conversa por horas a fio. O pior foi a indiferença da garota nos dias que se seguiram. Ela agia como se nada, nada tivesse acontecido! Era como se aquela conversa fosse fruto de sua imaginação!


Ele sabia que não era. Talvez estivesse começando a compreender o que se passava dentro da cabeça de Hermione. Ela provavelmente estava esperando que ele desse o primeiro passo.


Aquilo o assustava mais do que a possibilidade de ela gritar com ele novamente, ou falar mais sobre o assunto. Ele sabia que não tinha essa coragem.


O tempo passou voando, ele viu várias oportunidades se perderem diante dele. Num momento ele e Hermione estavam na biblioteca com Harry, e recebiam a notícia de Fred e Jorge de que deveria ver McGonagall


- McGonagall quer ver você, Rony. E você, Mione.


- Por que?- a voz de Hermione parecia mais um lamento do que qualquer outra coisa.


Ele na teve tempo para pensar. Foram instruídos de que seriam mergulhados em um sono profundo, mas que acordariam são e salvos, logo que a segunda tarefa terminasse.


- Hermione Granger-


Logo que Krum tirara Hermione da água, a garota havia ficado constrangida, sabendo o que aquilo significava. Nos últimos dias ele havia a perseguido incansavelmente, ela sabia que o que Rony havia dito era verdade: ele ficava rondando, na esperança de encontrar a garota sozinha.


As verdades que havia jogado na cara de Rony não a incomodavam mais. Ter visto o garoto constrangido a fazia sentir-se em paz consigo mesma: havia feito sua parte. Não podia implorar pelo amor do ruivo. Se ele não fizesse nada, a culpa não seria dela. Sabia que ele nutria algum sentimento.


O que realmente a estava incomodando era Vítor Krum. E ele agora a mirava, com um brilho nos olhos, querendo saber, provavelmente, o que ela achava de ter sido escolhida como "a coisa mais importante para ele".


Madame Pomfrey entregara cobertores para eles. Ele já estava com a aparência normal agora, diferente do tubarão que parecia instantes antes.


Ela mal havia tido tempo de respirar o ar frio, ainda pingava água, e Krum já tagarelava muitas coisas para ela.


Não parecia constrangido de admitir o que sentia. Ela não pôde conter uma comparação mental entre o jogador e Rony.


- ...e acho que focê não ficou surrpresa... por ter sido escolhida parra a tarrefa do torneio.


- Ah?- ela realmente não estava prestando atenção no que ele estava falando.


- Pom, eu nunca me senti assim com nenhuma garrota antes.- ele deu de ombros.- Achei que focê deveria saber.


Ela tentou falar, mas ele continuou.


- Querria que você me visitasse nas férrias...na Bulgária. Se focê não tiver compromisso, claro.Poderríamos nos conhecer melhorr e...


Queria muito fugir daquela conversa. Queria ter qualquer desculpa para evitar ouvir tudo aquilo. Após tudo que havia conversado com Rony, ou melhor, gritado para ele, ela não podia continuar alimentando as esperanças de Krum.


Ela fingiu estar realmente interessada em saber sobre Harry, tentou desviar o assunto o máximo que pôde. Krum continuava a rondá-la.


Para finalizar seu desespero, ela teve que ver Fleur dar um beijo de agradecimento em Rony, logo após ela ver com alívio que ele e Harry haviam voltado do fundo do lago.


- Ronald Weasley-


Palavras soltas do "O semanário das bruxas" pairavam sobre sua mente.


"Acha consolo com sua namorada firme em Hogwarts, a garota nascida trouxa, Hermione Granger."


"... parece ter uma queda por bruxos famosos"


"Krum que está visivelmente apaixonado pela dissimulada Srta. Granger, já a convidou para visita-lo na Bulgária nas férias de verão e insiste que nunca se sentiu assim com nenhuma outra garota"


- Eu disse a você- Rony disfarçava a raiva, tentando se convencer de que aquilo não era verdade. Era só uma besteira inventada por Skeeter- eu disse pra você não aborrecer Rita Skeeter. Ela fez você parecer uma espécie de... Jezebel!


Krum não havia falado tudo aquilo, é claro! Era só invenção para vender mais exemplares. Ou será que...


- Mas tem uma coisa engraçada. Como é que Rita poderia ter sabido?- a voz de Hermione parecia mais um sussurro.


- Sabido o que? –perguntara depressa demais. Estava deixando transparecer tudo de novo.- você não andou preparando Poções do Amor, andou?


- Pára de ser débil. Não, é só que... como foi que ela soube que Vítor me convidou para o visitar no verão?


Sabia que estava ficando escarlate. Aquelas frases soltas da revista voltaram a sua mente. A garota evitava seu olhar.


- Que?- deixara cair o pilão com estrépito. Aquilo não importava mais. O que importava era arrancar de Hermione a verdade sobre o que estava acontecendo com ela e Krum.


- Ele me convidou logo depois de ter me tirado do lago.- murmurara a garota- Assim que se livrou da cabeça de tubarão. Madame Pomfrey nos deu cobertores e então ele meio que me puxou para longe dos juizes, para eles não ouvirem, e me perguntou, se eu não estivesse fazendo nada no verão, se eu gostaria de...


- E o que foi que você respondeu?- amassara a mesa com o pilão, sem tirar os olhos da garota. Suas desconfianças estavam certas. Havia realmente algo entre eles.


- ...e ele realmente disse que nunca se sentira desse jeito com nenhuma garota.- estava muito vermelha. Será que Hermione estava fazendo aquilo para testar ele? Parecia ter pleno controle de seus sentimentos, fingindo que não havia jogado na cara dele tudo aquilo. Parecia realmente querer provocar ciúmes, forçar uma atitude por parte dele- mas como é que Rita Skeeter poderia ter ouvido? Ela não estava lá... ou estava? Vai ver ela tem uma capa de invisibilidade, vai ver entrou escondida na propriedade para assistir à segunda tarefa...


- E o que foi que você respondeu?- ah, ela não iria conseguir desviar o assunto assim!


- Bem, eu estava tão ocupada vendo se você e Harry estavam Ok que...


- Por mais fascinante, sem dúvida, que seja sua vida social, Srta. Granger, devo lhe pedir para não discuti-la em minha aula. Dez pontos a menos para Grifinória.


Nunca odiara tanto Snape quanto naquele dia. Ele sabia que Hermione queria ele perguntasse. Tinha que insistir no assunto.


Quando Harry ficara para trás, ainda na masmorra, Rony alcançara Hermione, ainda indagando o que ela havia respondido.


A garota não parou de caminhar. Estava conseguindo. Estava deixando ele incrivelmente nervoso. Testava para saber até onde ele iria. A vontade que tinha era de bloquear o caminho dela e forçá-la a falar. Talvez fosse isso que ela queria.


O que mais fez ele se admirar foi que talvez a garota quisesse esse descontrole. Talvez ela soubesse o efeito que estava causando. Ela sabia. Com certeza sabia


Mas ela não permitiu que os dois ficassem sozinhos novamente. Escondeu-se no dormitório para evitar perguntas. E quando Rony teve a oportunidade de continuar a conversa, o assunto já havia morrido e sido substituído por mais uma briga dos dois, onde agora o assunto eram os elfos.


Claro, na frente de Harry ele não iria continuar insistindo. Não podia deixar claro para o amigo o dilema que estava vivendo.


Os dois ficam sozinhos ali. Harry havia saído pelo buraco do retrato e Rony ainda olhava para o lugar que o amigo havia desaparecido, como se a solução para seus problemas fosse aparecer do nada.


- Acho que ele está chateado com a gente.


- De quem você está falando?- Hermione olhou para Rony, parecia ainda irritada com o garoto.


- Harry.


Hermione franziu o cenho e acompanhou o olhar de Rony, querendo entender o que ele estava falando.


- Hum...talvez...você ainda não parou com as suas mudanças de humor e isso realmente incomoda...


- Você vai começar de novo com essa história?- as orelhas dele já estavam vermelhas.- Acho que Harry está chateado com nós dois, por estarmos sempre brigando.


Rony bufou, impaciente, e apoiou o queixo nas mãos, fitando o fogo.


- Hum...- Hermione não olhava mais para ele. Parecia querer compreender o que o amigo estava falando.- Acho que você tem razão. Harry não tem nada a ver com os nossos problemas.


Ele ergueu os olhos para a garota no momento que ouviu a frase dela. Um gelo pareceu se instalar no seu estômago com a palavra "nossos".


- Acho que precisamos resolver todos esses mal entendidos porque só assim...- Hermione começou, mas Rony não a deixou continuar.


- Não houve nenhum mal entendido!


- Houve, sim!- ela já tinha aquele brilho no olhar.- Quando uma pessoa fala uma coisa e pensa outra, e faz outro acreditar numa mentira normalmente damos um nome, sabe.


Rony a mirava, sem piscar. Seus rostos estavam tão próximos, formavam praticamente uma sombra única no tapete da sala.


- Não acho que isso tenha acontecido.


- Então...- ela falou em voz baixa. Rony sentiu como se tivesse sido atingido por algo muito forte, quando sentiu o hálito dela alcançar seus lábios.-... você daria outro nome para o que aconteceu, Ronald?


Ela não se afastou nem um milímetro. Rony tinha a impressão de que a garota segurava o riso. Teve quase certeza de que ela estava percebendo as reações que causava nele.


- Ah, b-bom, e-eu, ahn...- começou, não desviava do olhar dela. A garota ainda o encarava, um brilho diferente no olhar, que ele nunca havia visto.


Rony respirou fundo. Iriam acabar com aquela baboseira, e seria naquele momento. Se ele falasse rápido, sem pensar, tudo estaria terminado antes que ele pudesse sentir aquilo pesar em suas costas.


- Ahn... já falei para você como me sinto em relação a tudo isso. Acho que o assunto encerra aqui. Não vamos mais ficar discutindo por algo tão idiota.


- Ah, eu não acho idiota!- Hermione se afastou dele tão rapidamente que Rony achou que havia dito algo errado, mas a garota sorria agora, enquanto mirava o fogo.


Ele permaneceu durante muitos segundos hipnotizado, olhando para ela. O fogo que se mexia na lareira parecia brincar com as sombras que chegavam a Hermione, e ele se flagrou reparando em tudo que havia reparado quando a vira, tão bela, vestida para o baile.


- Bom, eu ainda tenho que estudar algumas coisinhas. Logo o barulho por aqui vai aumentar e certamente o dormitório vai estar mais calmo para a leitura.


Ela o olhou, mas não fez um movimento sequer. Os dois se olharam, e naquele silêncio, Rony teve a certeza absoluta de que a única coisa que faltava, para que os dois ficassem juntos, era acabar com a distância que havia ainda entre seus corpos.


- Estamos conversando civilizadamente agora, você não precisa fingir que tem que estudar. Pode ficar aqui.


Ele corou ao falar aquilo. Hermione desviou os olhos e riu.


Queria perguntar sobre Krum, saber se estavam se vendo ainda, saber se havia algo entre eles, mas as palavras se perderam no caminho.


Hermione pareceu satisfeita com o efeito que causara no ruivo, levantou-se e foi embora, talvez tivesse certeza de que a conversa não passaria daquilo.


Rony odiou-se por não ter ficado quieto. Havia sido tão claro naquela última frase, pedindo que ela permanecesse ali.


- Hermione Granger-


Por mais simples que tivesse sido as palavras do ruivo, haviam tido um significado completamente diferente para ela. E certamente para ele também. O olhar dele não mentia, estava visivelmente envergonhado.


Agora refugiada no dormitório, com um livro descansando sobre suas pernas, ela pôde analisar a situação de uma forma mais clara.


Não conseguia parar de sorrir. Estava tudo muito claro. Sentia um frio permanente na barriga ao tentar imaginar como seria o futuro dos dois agora que haviam admitido tudo aquilo.


Se ambos sabiam o que sentiam, o que estavam esperando para acabar com aquela tortura, e ficarem juntos?


(...)







Harry ainda não voltara. Agora a última tarefa se aproximava cada vez mais e Hermione tinha certeza que o amigo deveria estar realmente nervoso.


- Harry deve estar receoso que aja outro dragão para ele derrotar.- Rony riu. Fred e Jorge o acompanharam, mas Hermione apenas lançou um olhar de censura para eles.


- Você ainda não está magoada por causa do ovo de Páscoa, está?- Rony falou calmamente, tentando não tirar Hermione do sério.


Molly Weasley certamente lera o Semanário das Bruxas, tinha uma assinatura da revista por causa das receitas,e descontara sua mágoa em Hermione, lhe mandando um pequeno ovo de Páscoa.


- Não é pelo ovo em si. Mas ainda não sei como as pessoas podem acreditar nas baboseiras que aquela Skeeter escreve!


- Hum, é que você e Harry andam sempre juntos então- Fred começou.- despertam interesse. Sabe, esse povo de Hogwarts fala qualquer coisa! Só querem ter um assunto novo a cada dia!


- É, você não deveria se importar, Mione!- Jorge sorria para a garota, ela parecia mais animada- Se Krum não acreditou no que aquela velha intrigueira publicou na revista, então está tudo bem.


O gêmeo ruivo piscou o olho para Hermione e depois olhou com um rosto de nítido interesse para Rony.


- Jorge, do que é que você está falando?- a garota sentiu o rosto corar violentamente. Fred e Jorge conheciam tantos segredos de Hogwarts, que parecia provável que estivessem escondidos assistindo a cena de Hermione e Krum, nos jardins, no dia do baile.


Hermione contara apenas para Gina, quando indagada rapidamente para a amiga, que havia acontecido algo sim, entre ela e Krum. Não especificou se havia gostado do beijo ou não, se havia visto Krum mais vezes após aquilo, mas pareceu achar que era necessário pelo menos contar para alguém, para ter certeza de que não havia sido fruto de sua imaginação. Mas a garota não contaria para ninguém, não é? Confiava em Gina!


- Não estou falando nada, calma!- ele ergueu as mãos, imitando sinal de rendição e fez um gesto para que Fred o acompanhasse.


Os dois saíram cochichando muito rápido, lançando olhares nervosos para Rony, que parecia estar perdendo a paciência novamente.


Jorge deu um leve cutucão nas costas de Rony, o garoto deu um pulo e mirou o irmão.


- Hei!


- Foi mal, Roniquinho!


Os dois saíram do campo de visão de Hermione. Rony estava emburrado novamente. Hermione não soube o que falar. Rony parecia incomodado com algo.


- O Vitinho falou algo sobre o seu romance secreto com Harry?


- Eu não acredito que estou escutando isso de você, Ronald! Não havíamos dito que não iríamos mais discutir!- ela já elevava a voz, incapaz de se controlar.


- Não iríamos mais discutir por motivos idiotas!- ele praticamente cuspiu as palavras.


- E eu falei que não eram idiotas! Mas isso é! Ora, francamente! Romance secreto com Harry?


- Bom, foi como os gêmeos disseram. Se Krum não se importa...


O garoto deu de ombros e cruzou os braços firmemente sobre o peito. Hermione bufou impaciente.


- Você só sabe trazer esse assunto à tona, não é? Não vê que estou cansada dessas insinuações de que...


- Bom, se são insinuações eu não sei.- as orelhas de Rony estavam vermelhas, como sempre quando ficava envergonhado.- Ele realmente convidou você para passar as férias com ele, não é? E disse que nunca havia se sentindo assim com nenhuma garota!


A voz dele era tão carregada de desprezo que Hermione sentiu medo. Seu corpo tremia quando ela se aproximou dele.


- Quem sabe você se dá conta de que eu não vou passar as férias com Vítor e que a única pessoa que está dando crédito para essa história, além dele, é você!- ela respirou rapidamente, e continuou antes que Rony pudesse falar algo.- Será que você não vê, Ronald, que Vítor não significa nada!? Nada!


Queria que ele perguntasse o porquê ela estava falando aquilo, queria que ele a instigasse a continuar.


- Ok. Se você diz...


Ele permaneceu com os braços cruzados, naquela posição defensiva. Ela se jogou no sofá, suas costas bateram no estofado, mas ela não se importou. Os dois ficaram em silêncio por muito tempo, as conversas na sala comunal faziam contraste aos dois sentados ali, em silêncio, no mesmo lugar que havia presenciado tantas das suas discussões.


Hermione olhou para Rony, para sua surpresa, o garoto olhava de volta para ela. Ela não ousou mexer um músculo. Por que eles só tinham coragem de conversar através do olhar? Por que Rony não deixava de ser cabeça-dura e falava o que estava sentindo?


O contato visual estava começando a deixar Hermione incomodada. Rony não desviava o olhar, nem ela. O semblante do garoto parecia mais leve. Ele descruzou os braços e falou tão baixo que Hermione podia ter acreditado que havia imaginado as palavras.


- Se Krum não significada nada mesmo, por que você foi ao baile com ele?- ele não a olhava agora, mexia num fio solto do sofá, incrivelmente vermelho.


- Você esperava que eu não fosse? Negasse todos os convites?- os braços dela estavam cruzados, e ela não daria mais liberdade para Rony falar qualquer coisa que a magoasse.


- Hum...sua cabeça é muito complicada de entender.


- Que bom que você pensa assim.


Ela olhou para outro lado e suspirou, sentindo uma euforia estranha se apoderar dela. O que aconteceria se ela rapidamente se aproximasse dele naquele sofá, segurasse seu rosto e o beijasse? Ela sentia-se realmente tentada a fazer aquilo, mas não podia.


O problema é que aquela convivência forçada, dia após dia, aquelas conversas cheias de significados, estavam deixando ela realmente ansiosa. Aquilo não iria terminar nunca?


- Não queria brigar com você de novo.- Rony falou irritado.


- Já estou acostumada.- agora ela teve que rir, levemente, não queria que o ruivo visse.


O momento pareceu perder completamente o seu encanto, pois Harry chegou correndo a sala comunal, parecendo muito aflito. Hermione arregalou os olhos para o amigo. E odiou toda aquela história do Sr. Crouch ter aparecido na floresta e Krum estar envolvido na história também. Talvez se tivessem tido mais alguns minutos sozinhos, ela e Rony não teriam parado novamente em um momento crucial.


(...)







Todos estavam se despedindo. Os visitantes partiriam no momento seguinte. O torneio havia acabado e logo Hogwarts estaria novamente em férias.


- Nos verremes utrra vez, esperro- a voz de Fleur lhe parecia mais irritando do que nunca- estou querrendo arranjar um emprrego aqui para melhorrar o meu inglês.


- Já é bastante bom- Rony lhe respondeu e Fleur sorriu para ele. Hermione amarrou a cara. Aparentemente, após tudo que haviam passado, ainda não haveria um final feliz para a situação.


Krum interrompeu a conversa de Harry, Rony e Hermione, querendo, aparentemente, despedir-se também.


- Posso lhe darr uma palavrrinha?


- Ah...claro...tudo bem.- obviamente ficou envergonhada. Ainda se culpava por ter beijado o garoto, nutrido esperanças dele, enquanto Rony não saía de sua cabeça.


- É melhor você se apressar. As carruagens vão chegar a qualquer momento- Ron falou para ela, antes que ela pudesse estar a uma distância considerável. Parecia imensamente ansioso, como se quisesse continuar com aquelas últimas conversas que haviam deixado no ar.


Ficou esticando o pescoço, tentando observar o que Krum e Hermione estavam conversando. A garota, vendo isso, riu e abaixou os olhos. Krum olhou por cima do ombro, localizando Rony em meio à multidão. O ruivo o encarou de volta.


- É ele, non é? Non é Harry.


- O que?- do que ele estava falando. Krum não poderia ter descobertos seus sentimentos, ou poderia? Afinal, aquele dia no baile, ela estava realmente distante em pensamentos, ele poderia ter percebido algo.


- O garroto ruivo...- apontou por cima do ombro para onde Rony estava, ainda os olhando.- é porr isso que focê...


- Ah, acho que as carruagens devem estar chegando logo e...- queria fugir do assunto. Sentiria muita vergonha de admitir para Krum que gostava realmente de Rony, e que mesmo ciente desses sentimentos, havia o beijado aquele dia. Mas o garoto não parecia ofendido. Sorria para ela.


- Sim, é clarro... focê poderria pelo menos, manter contato comigo?- ele lhe entregou uma folha de papel, com um endereço escrito.


Logo que eles voltaram para a companhia de Harry e Rony, Hermione lançou um olhar cheio de significados para o ruivo. Ele a encarou de volta. Hermione esboçou um sorriso, queria que ele entendesse que do mesmo jeito que ele não vira nada acontecer na cena anterior, não haveria nada. Por que era ele. Sempre havia sido ele o dono de seus pensamentos.


- Pode me dar um autógrafo?- a voz de Rony pareceu estranha quando se dirigiu a Krum. Deu vontade de rir, Hermione não conseguiu conter a risada que escapou de seus lábios. Mas ficou feliz com o pedido de Rony, pois sabia que ele jamais teria feito aquilo, se ainda tivesse alguma dúvida do que havia entre Hermione e Vítor.


Assim que Krum se afastou, Rony e Hermione se olharam. Não haviam palavras que se encaixariam ali. Hermione havia deixado claro que Krum não significava nada, e Rony, mostrando que compreendera, estava agindo normalmente e educadamente de novo, e não sendo grosseiro com o jogador, ou com ela.


Mais um ano havia acabado. Mas era diferente sair para essas férias de verão. Hermione queria mais do que nunca poder passar os dias das férias na Toca. Após tudo que havia acontecido, sentia que era possível haver algo entre ela e Rony. Eles só precisariam ceder um pouco mais. Serem menos cabeça-dura e deixarem os sentimentos aflorarem, ao invés de tentar contê-los.


(...)







- Ronald Weasley-


O dia foi passando e para a felicidade do Sr. Granger, Hermione e Rony não havia passado nenhum segundo daquele tempo sozinhos. A Sra. Granger parecia mais calma ao observar isso também.


Mas aquilo só estava deixando Rony mais nervoso. Estava tão próximo de Hermione e ao mesmo tempo tão distante: precisava dar a ela esse tempo com a família.


Antes do jantar, a mãe de Hermione fizera questão de mostrar a Rony diversas fotos da infância de Hermione. A garota deixara claro que achava aquilo uma perda de tempo, e corava toda vez que a mãe passava uma página do álbum para frente.


Rony comentou com a Sra. Granger que achava muito estranho as fotos não se moverem. Mas logo seus olhos pareceram se acostumar. Era quase como se fosse possível ver o movimento da cena, entender o que estava acontecendo, os sentimentos que tomavam seus personagens.


Gostou particularmente de uma em que o Sr. e a Sra. Granger, abraçados, pousavam para a foto, a Sra. Granger com os braços envolvendo um pequeno ser enrolado em um cobertor. Parecia estar enxergando Hermione e não sua mãe, mesmo tento plena consciência de que Hermione era aquele embrulinho sendo carregado.


Outras fotos o divertiram, algumas da infância da garota, outras de férias onde já havia uma garota mais parecida com a que ele conhecia.


Para a alegria de Hermione, a sessão de fotos terminou e não foi retomada após o jantar. Rony tentava controlar a velocidade com que comia, para não envergonhar Hermione. Mas a mãe da garota sempre insistia em lhe servir outro prato. O Sr. Granger ofereceu vinho para os dois, ele mesmo tomara já algumas taças, e parecia mais descontraído. Rony não conhecia aquela bebida de trouxas, e achou incrivelmente saboroso. Hermione lançava olhares reprovadores para ele, que não conhecendo a tal bebida, não deveria estar na segunda taça.


Rony só pôde conversar calmamente com Hermione novamente, quando seus pais levantaram da mesa da cozinha e anunciarem que iriam dormir. O Sr. Granger franziu as sobrancelhas para Hermione, instantes antes de ir em direção ao quarto juntamente com a mulher, mas a garota apenas desviou o olhar.


- Desculpe pelas fotos. Minha mãe mostra para qualquer pessoa que nunca tenha vindo a nossa casa.


- Algumas eram realmente engraçadas! Acho que todas as fotos de trouxas são um pouco- Rony riu. Segurou o prato que Hermione agora lavava e começou a secá-lo com o pano de louça.- Até que me diverti, sabe.


- Hermione Granger-


- Tenho que lembrar de pedir para a sua mãe algumas fotos suas, Ronald!


- Ah, talvez você não tenha tanta sorte com isso. Éramos em muitos e as fotos eram realmente poucas. Não tínhamos câmera em casa, sabe.


Hermione já ia se desculpar pelo comentário, perguntando-se quando custaria uma câmera fotográfica mágica.


- Mas mamãe sempre fazia questão de tirar muitas fotos de quando éramos crianças. Tia Muriel não se importava nem um pouco de emprestar a câmera dela para a coletânea pessoal.- Rony riu, obviamente imerso em lembranças.


Hermione desligou a torneira e secou as mãos no pano que o ruivo segurava.


- Pronto!


- Sabe, Hermione... se tivéssemos usado magia já teríamos terminado isso há muito mais tempo!


- Eu sei disso, Ronald! Mas aqui em casa sempre foi assim! Não me importo realmente. É bom saber fazer as coisas do modo trouxa.


- Hunf, mas você não espera que eu sempre ceda as suas vontades e seque a louça sem usar minha varinha, não é?


Hermione parou, olhando para ele. Ele falara aquilo com tanta naturalidade, era como se tivesse discutindo o tempo que iria fazer no outro dia, enquanto parecia claro que estava falando em quando ele e Hermione morassem juntos. Certamente o vinho não estava tendo um efeito normal em Rony.


Rony pareceu perceber o que falara e suas orelhas já estavam vermelhas. Ele tirou rapidamente a varinha do bolso e terminou com a tarefa antes que Hermione falasse qualquer coisa. A garota permanecia parada.


- Vejo que você terminou sua parte também.


- Agora sim.- ele sorriu e guardou a varinha.


Hermione, ainda levemente atordoada, fez o caminho para fora da cozinha sendo seguida por Rony. Teve que parar na porta e explicar para ele que ele não deveria usar o desiluminador para as luzes da casa dela, seria muito mais prático apagá-las pelo interruptor.


Enquanto caminhavam até a sala Rony segurou a mão dela. Ele estava tão diferente. Desde que vira a caixa em que ela guardava todas as lembranças relacionadas á ele, ficara a olhando daquele jeito, parecendo admirado.


Hermione sentou-se no sofá e Rony ao seu lado. Ela já tinha o controle remoto em mãos.


- Você quer assistir TV? Existem alguns programas de trouxas que são realmente interessantes...


- Se você fizesse esse convite para o meu pai, ele provavelmente não sairia mais desse sofá. Mas eu não entendo muito dessa coisa aí- ele apontou para a TV com a cabeça.


- Ok.


Hermione largou o controle remoto e ficou entrelaçando seus dedos, repetidamente, com os de Rony. Um silêncio constrangedor tomou conta deles.


- Se você quiser ir se deitar, pode ir. Não se preocupe comigo.- a voz de Rony era tão baixinha, que ela teve a sensação de estar sonhando que os dois estavam ali, na sala de sua casa, sentados naquele sofá em que ela estava sentada quando recebera a notícia de que realmente iria para Hogwarts, o mundo novo em que ela conhecera o ruivo.


- Ah, eu não estou com sono.- ela analisou as bochechas levemente rosadas de Rony, e teve certeza que era por causa do vinho que ele tomara. Afinal, ele havia tomado a mesma coisa que seu pai no final das contas. A Sra. Granger havia até comentado para Hermione não implicar e deixar o garoto provar a bebida, já que no mundo dos bruxos dificilmente achariam vinho como aquele.- E você, não está com sono? Depois de todo aquele vinho...


- Todo aquele vinho? Foi apenas algumas tacinhas, Hermione. Estou bem!- ele sorriu para ela, divertido.


A garota riu, certamente seria engraçado ver Rony bêbado, mas com certeza aquela situação ela não queria ter que lidar estando na casa de seus pais. Felizmente, o garoto parecia estar bem. Mas não estava como estaria normalmente.


Naquele momento, por exemplo, ele a olhava sério, sem quase piscar. Ela sentiu o rosto corar.


- Que foi?- ela arriscou.


- "Aparentemente a bebida não tem um efeito positivo sobre homens." Você lembra dessa frase, Hermione?


- Você ainda lembra disso?- ela cobriu o rosto com as mãos.- Eu só estava tentando irritar você.


- Era só o que fazíamos naquela época, implicar um com o outro.- ele deslizou o indicador pelo rosto da garota carinhosamente.- Mas foi injusto porque cerveja amanteigada não tem nada de álcool se comparado com isso que seu pai toma.


- E entenda que ele é um dentista, e fica realmente pirado se não escovar os dentes logo após tomar qualquer bebida alcoólica!- ela riu.- Isso torna a situação mais cômica ainda.


Rony riu também. Agora segurava o rosto de Hermione com a mão direita.


- Fico feliz de ter vindo com você até aqui.


- Eu fico feliz que você tenha vindo.- Hermione falou, quase com um sussurro, ele já estava começando a ter todos aqueles efeitos sobre ela novamente.


Ele aproximou seus rostos, mas não a beijou no primeiro momento. Os olhos dela já estavam fechados quando ela teve que abri-los, apenas para encontrar o ruivo a encarando. A sala estava muito escura, a única coisa que ela podia distinguir era o brilho de seus olhos azuis. Aquele olhar era parecido com o que ela tinha visto algumas vezes no rosto dele. Mas parecia tão intenso agora.


Ele beijou apenas por um instante os lábios da garota, parecia querer testá-la. Mas Hermione permaneceu quieta, não moveu um músculo. Então ele tentou novamente, e beijou durante um segundo o canto de seus lábios, e a partir daí, beijou delicadamente cada parte da sua bochecha.


Hermione fechou os olhos, sua respiração já estava alterada. Levou uma das mãos à nuca de Rony, entrelaçando seus dedos no cabelo ruivo do garoto. Agora que ele sabia o poder que era capaz de exercer, parecia querer usar todas as suas armas.


Ele tocou levemente com a ponta do nariz no rosto de Hermione, ela sentiu a respiração dele deixar uma sensação quente por onde passava. Ele desceu até seu pescoço, todo o corpo de Hermione reagiu quando sentiu o calor na pele exposta.


Rony continuava delicado e, lentamente, fez seus lábios encontrarem a pele do pescoço de Hermione. Ela não pôde conter um suspiro quase inaudível. Ele beijou demoradamente, cada pedaço de pele que pôde. Hermione sentiu todo o corpo ser tomado por uma sensação de formigamento, quando sentiu a boca de Rony se abrir e os dentes dele rasparem levemente a sua pele.


Ele não parava. Continuava dando beijos cada vez mais atrevidos em todo o pescoço dela. Hermione não ousava falar. Ainda tinha seus cabelos enlaçados em sua mão. Na verdade, não queria que ele parasse.


Ele levantou o cabelo de Hermione que tapava sua nuca e respirou profundamente próximo a sua pele, deixando seu rosto se perder ali. Suas mãos já estavam nas costas da garota, e agora estavam tão próximos que já não parecia mais possível separá-los.


Ele inclinou o corpo de Hermione levemente para que pudesse olhá-la, como a garota não apresentou resistência, ele beijou delicadamente seus lábios.


Ela sentiu certa raiva. Ele estava vendo o descontrole que estava causando nela, podia ver as reações de seu corpo. Então por que insistia em apenas lhe dar aqueles breves beijos? Eles não eram nada comparados aos beijos que já haviam trocado!


Cansada da provocação, Hermione forçou o corpo contra o dele, e agora era ele que estava inclinado em direção ao sofá. Hermione já colara seus lábios no do ruivo e o beijava, exatamente como da primeira vez que precisara tomar essa atitude.


A garota não parecia plenamente consciente do que estava fazendo. Não parecia ter mais controle sobre o seu corpo. Enquanto sua boca travava uma luta incansável contra a de Rony, ela enroscava o corpo cada vez mais no do ruivo. Quando percebeu, estava deitada sobre o garoto no sofá, mas Rony não parecia querer deixar barato.


As mãos ágeis dele percorriam as costas dela, perdiam-se novamente em seus cabelos e arriscavam caminhos cada vez mais ousados.


Hermione moveu as pernas para as laterais do corpo de Rony, percebendo aos poucos a situação em que estavam. Quando a garota tentou se levantar, Rony entendeu como um sinal para que fizesse o mesmo e sentou-se rapidamente, sem tirar Hermione do seu colo. Moveu o corpo para colocar suas pernas para fora do sofá, e puxou o quadril de Hermione para mais próximo de si, impedindo a garota de fazer qualquer outro movimento. As mãos dele já estavam em suas costas, a boca do ruivo parecia querer transmitir tudo que ele estava sentindo.


Rapidamente, antes que Hermione pudesse impedi-lo, ele deslizou uma de suas mãos pela coxa da garota. Quando o toque se tornou atrevido de mais, a mão de Hermione pousou sobre a dele, como um sinal para que parasse, mas sem cessar o beijo que se tornava cada vez mais impossível de ser quebrado.


Desistindo, Rony moveu a mão para as laterais do corpo de Hermione. Puxou-a novamente contra seu corpo, fazendo seus corpos se baterem, já não havia mais espaço entre eles.


Seus lábios se separaram apenas por um momento.


- Ron...- a voz dela era tão fraca, ele teve quase certeza de que ela só estava sussurrando seu nome para provocá-lo mais.


Já estava aproximando seus lábios novamente quando Hermione tentou sair da posição que estava: as duas pernas continuavam uma de cada lado de Rony, ela tentou levantar levemente e se ajoelhar de um jeito mais digno no sofá. Ele a deteve. Não iria a deixar pará-lo naquele momento.


- Mione...- ficou surpreso ao saber que ainda podia achar sua voz.


- Rony, meus pais...


- Eles estão dormindo, não estão?


- Sim, mas podem acordar a qualquer momento e caso você não lembre estamos no meio da sala!


Ele se calou e sorriu torto para ela, movia-se levemente no sofá, sentando-se mais confortavelmente, enquanto puxava mais uma vez o corpo dela contra o seu.


- Tudo bem. Eu estou parado. Não estou fazendo nada.


- Sinto muito lhe informar, mas você não está numa posição muito favorável para esconder o que está sentindo.


Hermione riu, enquanto erguia uma sobrancelha. Rony pensou que fosse corar, mas manteve a expressão firme.


- Hum... olha só quem está falando. Será que você mudou de opinião sobre o efeito da bebida?


- Talvez...- ela mordeu o lábio inferior e ele continuou rindo para ela.


Ela passeou a mão pelos braços de Rony, querendo analisar cada centímetro que havia sido modificado pelos treinos de quadribol. Apertou levemente o músculo do braço do ruivo.


- Se você não quer ficar aqui na sala...


Ele sussurrou, antes de se colocar de pé, em um movimento muito rápido, segurando Hermione ainda no seu colo, movendo as pernas dela para suas costas.


- Ronald! Me põe no chão!- ela sussurrou com certa urgência, abraçando o pescoço dele com medo de cair.


Com apenas alguns passos, Rony já havia feito o caminho até o quarto de Hermione. Fechou a porta com um leve chute, torcendo para que o barulho não fosse suficiente para acordar os Granger.


Hermione parecia já ter desistido de lutar contra ele. Ainda agarrada ao seu pescoço, beijava-o novamente, parecia implorar por mais.


Rony deitou sobre ela na cama, deixando uma de suas mãos passear por debaixo da blusa que ela vestia. Dessa vez ela não o parou, moveu-se estranhamente debaixo dele, empurrando o corpo para cima, sinalizando que ele podia continuar.


- Ronald Weasley-


Ela deveria saber o que estava causando nele. Qualquer movimento que ela fazia parecia o deixar mais sem controle. Seu cérebro parecia não querer mais funcionar.


Hermione insistia em beijá-lo da forma mais sensual que já havia feito, todo seu corpo movia-se com o beijo. Assustou-se quando sentiu a mão de Hermione puxando-o pelo quadril para mais perto. Após isso, as mãos dela estavam nos seus cabelos, bagunçando-os insistentemente, puxando seu rosto e impedindo ele de se afastar.


Rony já estava começando a sentir uma dor física. Hermione não podia fazer isso com ele. As mãos pequenas da garota agora migravam de um canto ao outro de seu corpo.


Ele jogou o peso em cima dela e separou seus lábios. Colou a testa no travesseiro em que a cabeça de Hermione estava, e sussurrou, próximo ao ouvido dela.


- Mione... se você não me parar agora...


- Eu não quero que você pare.- ela usou aquele tom mandão que ele tanto conhecia. E se ele havia aprendido algo durante todos aqueles anos, é que deveria obedecê-la quando falasse daquele jeito.


Ela permanecia de olhos fechados e sua voz não havia saído mais do que um sussurro.


Quando percebeu, seu tórax nu estava em contato com a blusa de Hermione. A garota havia arrancado sua camiseta sem que ele se desse conta do que estava acontecendo.


Seu coração batia tão rápido que ele tinha medo de que pudesse parar repentinamente. Suas duas mãos estavam nas laterais do corpo de Hermione, suas bocas unidas.


Ele afastou-se e a olhou. Ela estava incrivelmente vermelha. Seus cabelos bagunçados ocupavam todo o travesseiro. Seu rosto tingia-se da mesma cor que as bordas de seus lábios. Ela respirava rapidamente e o olhava. Os olhos da garota se desviaram de seu rosto e pararam sobre seu peito.


Com a mão trêmula, Hermione trilhou o caminho pela pele de Rony, fazendo o garoto fechar os olhos. Ele teve que conter cada célula de seu corpo quando a mão dela parou em sua barriga, sentindo seus músculos.


Sem conseguir se conter mais nenhum segundo, ele a beijou novamente durante um curto espaço de tempo,e antes de pensar no que realmente estava fazendo, puxou a blusa dela por sobre sua cabeça.


Hermione abraçou o corpo dele fortemente, e no momento que a pele dos dois se encontrou, enquanto Rony a beijava profundamente, Hermione deixou um gemido escapar de seus lábios. Rony teve certeza de que dessa vez, não precisaria mais se manter sobre controle.




(...)


Rony acordou sobressaltado. O relógio na cômoda ao seu lado dizia que ainda eram 3:30 da madrugada. Sentiu um peso sobre seu peito e olhou rapidamente para baixo. Hermione estava deitada ali, um dos braços jogados ao redor de Rony.


A sensação que se apoderou dele não era possível de por em palavras. Ele conteve um suspiro, enquanto deslizava a mão pelos cabelos da garota.


Ela moveu-se levemente, parecia estar acordada, não parecia assustada com o toque dele. Abraçou-o fortemente, sem levantar a cabeça para olhá-lo.


Ele passou a outra mão pelas costas de Hermione, lentamente, observando a pele dela se arrepiar enquanto fazia isso.


Ela fez um barulho parecido com um ronronar de um gato quando se moveu para poder olhá-lo nos olhos. Ele passou a mão pelo rosto dela lentamente, parecia estar vendo diante de si o tesouro mais precioso de sua vida.


Acompanhou o contorno do nariz da garota, seus lábios, seu queixo. Ela moveu-se lentamente para cima, puxando a coberta que tinha sobre o seu corpo, aparentemente envergonhada de ainda estar nua diante dele.


Ele também puxou a coberta para cima de si, e envolveu Hermione nos braços quando ela se deitou sobre seu ombro. A garota suspirou, a respiração dela provocou cócegas na sua pele.


Hermione beijou delicadamente seu pescoço, deixando seu rosto colado ao do ruivo quando deitou sua cabeça novamente.


Rony se virou lentamente para ela. Sentia que seu corpo havia ficado paralisado naquela posição. Seus músculos começavam a doer.


Hermione tinha um olhar determinado, diferente. Enquanto a observava e passava a mão pelos seus cabelos, ele sentiu que ela pertencia a ele mais do que nunca. E ele, certamente, pertencia a ela.


A cara de sono de Hermione contraiu-se num sorriso. Ele sorriu de volta. Não havia necessidade para palavras. A mão de Hermione pousou em seus lábios e ele beijou seus dedos.


A garota abriu a boca para falar, uma ou duas vezes, e parecia desistir. Enfim, ela fechou os olhos e suspirou. Olhou para ele, como se enxergasse além de seu corpo e sussurrou.


- Eu te amo.


Ele precisou de um minuto inteiro para assimilar o que ela havia acabado de falar. Sabia que sentia o mesmo, sabia que sentimento era aquele que existia entre os dois. Culpou-se naquele mesmo momento, obviamente que Hermione havia tomado a iniciativa, novamente.


- Você sabe que também amo você. - foi estranho ouvir sua própria voz falar aquilo. Sabia que estava vermelho. Hermione riu. O som de sua risada foi tão bonito, tão hipnotizante.


Como podia ter passado tanto tempo de sua vida sem tê-la ao seu lado? Como podia ter negado tudo que sentia e ter tido medo do provável futuro que teriam juntos? Naquele momento parecia tão lógico ficar com ela para sempre, tê-la em seus braços, acordar todo dia ao seu lado.


Hermione o abraçou fortemente enquanto fechava os olhos. Logo o silêncio foi quebrado novamente, dessa vez por ele.


- Você não acha melhor eu ir para o quarto de hóspedes?


- Queria que você ficasse aqui...- ela o olhou, fazendo um rosto de falsa mágoa.


- Mione, seus pais...


- Eu sei, Ron...- ela beijou seus lábios rapidamente e sorriu.


Antes que desistisse da idéia, ele tirou a coberta de cima de seu corpo e procurou por suas roupas. Estavam todas no chão. Corou um pouco ao ter que pegá-las, tinha medo que Hermione estivesse o olhando. Mas quando se virou para alcançar as roupas dela, viu que ela olhava para as cobertas, dando-lhe privacidade.


Ele colocou sobre a cama as roupas de Hermione e curvou-se para lhe dar um beijo na testa. Ela fechou os olhos.


- Também queria ficar aqui com você, mas...


- Tudo bem....- ela estendeu o braço e tocou seu rosto. Dessa vez, foi ele quem fechou os olhos.


- Durma bem...- ele beijou seus lábios delicadamente e deu alguns passos para trás, procurando a varinha desajeitadamente nos bolsos. Sorriu para ela, sentindo-se imensamente sem graça. Ela sorriu de volta, as bochechas muito vermelhas. Então, ele desaparatou, o quarto de hóspedes tomando a sua mente.


Assim que chegou no quarto estranhamente arrumado, sentiu algo desinflar em seu peito. Ali parecia tão vazio e frio. Daria qualquer coisa para ficar no quarto com Hermione. Fechou a porta pelo lado de dentro, imaginando se seria muito arriscado aparatar nos próximos minutos de volta ao quarto da garota.


Sorriu enquanto se jogava na cama, completamente vestido. Com os braços atrás da cabeça ele fechou os olhos, e tentou compreender como ele, Ronald Weasley, que já fizera tantas besteiras em sua vida, poderia ter sido tão sortudo de ter Hermione.


Seu coração parecia saber que estavam distantes. Batia rápido, talvez lembrando de tudo que já haviam passado. Talvez, ainda acelerado devido aos acontecimentos recentes. Ou talvez, apenas soubesse, que finalmente achara o que era preciso para fazê-lo inteiramente feliz.


Com Hermione ao seu lado, nada mais importava.


- Hermione Granger-


Hermione ficou mirando as suas roupas, em cima da cama, enquanto permanecia abraçada nas próprias pernas. Tentava entender tudo que estava se passando com ela. Sua cabeça parecia vazia, seu corpo ainda anestesiado. Sentia o cheiro de Rony no quarto todo, parecia estar no seu corpo. Ela agarrou o travesseiro, instintivamente e levou próximo ao rosto. Inspirou profundamente, deixando que todas aquelas sensações, que havia partilhado com Rony naquele quarto, a tomassem. Riu sozinha, querendo entender como aquilo havia acontecido. Havia sido tão natural, tão guiado pelos instintos.


Passou a mão pelos cabelos, não conseguia parar de sorrir. Olhou novamente a roupa próxima a ela, parecia que aquelas peças estavam ali apenas para lembrá-la de tudo. Desistiu de se vestir com aquelas roupas, apenas faziam ela se sentir mais diferente de si mesma, do que já estava se sentindo.


Correu até o seu guarda-roupa e procurou rapidamente por um pijama ou camisola que pudesse vestir. Ficou feliz em ver que sua mãe havia deixado tudo ali, dobrado cuidadosamente. O pijama que escolheu tinha um perfume de roupa limpa, havia sido lavado recentemente. Talvez, sua mãe havia feito tudo aquilo com a esperança de que ela ficasse mais tempo do que havia programado.


Depois de se vestir, ela tirou a roupa que estava jogada na sua cama e estendeu cuidadosamente no espaldar de sua cadeira. Ficou com as duas mãos colocadas ali, o olhar perdido.


Hermione suspirou longamente enquanto voltava para a cama. Deitou-se lentamente ainda tentando fixar em sua memória tudo que havia acontecido. Tinha vontade de aparatar direto para o quarto de hóspedes, queria lembrar de algum feitiço que pudesse avisar caso seus pais se aproximassem para que ela e Rony pudessem ser avisados, e para que ficassem juntos o máximo que pudessem.


Sentou-se na cama quase assustada. Por que ainda estava ali? Parecia que havia ficado tantos sentimentos no ar, todas aquelas sensações que ela não queria esquecer? Sentiu-se eufórica, afastou os cabelos do rosto e correu até a cadeira que estendera suas roupas.


Rapidamente, localizou sua varinha. Olhou para ela durante alguns segundos, o coração batendo muito rápido, quase machucando. Sentia um calor no pescoço, seus braços pareciam entorpecidos, sua cabeça parecia não deixar mais espaço para nada além do ruivo que estava, agora, a apenas alguns passos de distância. Ela sorriu, os olhos não saíam da varinha. Respirava rapidamente, seu peito subiu e desceu rapidamente até ela se dar conta de que aquilo a estava deixando tonta.


Fechou os olhos e soltou o ar pela boca, tentando se acalmar. Apertou a varinha na mão direita e sentiu que um novo sorriso se formava, enquanto ela deixava sua mente lotar-se de memórias do que havia acontecido, o rosto de Rony muito nítido, parecia estar formado pelo lado de dentro de seus olhos. Ela deixou aquela sensação de deslocamento a tomar, seu corpo pareceu ficar muito leve e logo girar, e no instante seguinte ela sentiu que se deslocava muito rapidamente através do ar, aparatando em direção ao lugar que ela sabia, era onde mais queria estar naquele momento: ao lado de Rony.


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