FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout  
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout FeB Bordas para criar o Layout
FeB Bordas para criar o Layout
 



(Pesquisar fics e autores/leitores)



 




 

::Menu da Fic::

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo


Capítulo muito poluído com formatação? Tente a versão clean aqui.


______________________________
Visualizando o capítulo:

10. Realidade


Fic: In Aeternum


Fonte: 10 12 14 16 18 20
______________________________

Capítulo 10- Realidade


 


        


         -Ronald Weasley-


Rony tinha a impressão de que seu corpo estava tremendo, mas talvez fosse apenas fruto de sua imaginação. Tudo havia acontecido no susto. Ele e Hermione haviam combinado sair no dia seguinte ao aniversário de Harry para visitar os pais dela, os dois não haviam conversado mais desde então.


         Após o jantar, Rony havia ficado conversando com Neville quando Hermione disse que era tarde e que ia dormir. O instinto havia dito para ele seguir ela, mas provavelmente todos aqueles sentimentos o tomariam de novo. Todo aquele receio, aquele medo irracional.


         Sabia que estavam construindo um relacionamento, mas ver diante de si, tudo que teria que enfrentar, era assustador. Ele era Ronald Weasley afinal, não seria ele mesmo se fosse maduro e encarasse a situação de frente.


         - Acho melhor tocar a campainha.- a voz de Hermione o assustou. Estava tão imerso em pensamentos.- Não quero sobressalta-los quando acabaram de saber de tudo, guerra e tudo o mais....tão depressa.


         Ela o olhou, buscando ajuda. Ele apenas acenou afirmativamente com a cabeça, sabia que suas orelhas estavam vermelhas.


         - Está tudo bem com você, Rony?- ela segurou a mão do garoto.- Você não falou nada desde que aparatamos!


         - Ah, só estou...ahn...- ele engoliu em seco.


         Hermione riu brevemente e apertou a mão dele.


         - Ah, tudo bem. Como se eu não conhecesse você...


         Ela apertou a campainha sem aviso, sem deixar que ele se preparasse para o que estava por vir. Era melhor assim. Rápido, sem pensar muito.


         Antes que todos aqueles pensamentos o tomassem, antes de ficar realmente nervoso perante a perspectiva de ser apresentado oficialmente à família de Hermione, alguém abriu a porta.


         A Sra. Granger sorriu abertamente quando viu Hermione, alheia ao fato de que sua única filha estava de mãos dadas com um ruivo, a abraçou.


         - Que bom que resolveu passar um tempo conosco antes de voltar à escola!- a voz abafada pelo abraço causou uma reação estranha em Rony.


         Havia esquecido que Hermione era tão parecida com a mãe. A voz delas era extremamente parecia, o rosto, os olhos os cabelos pareciam os mesmos, mudados pela idade, mas incrivelmente semelhantes.


         A Sra. Granger largou a filha e se virou para Rony. Ele permanecia calado, em choque. As leves rugas dos cantos dos olhos da mulher se curvaram mais quando ela sorriu para ele. Ele corou violentamente, parecia ter diante de si o futuro de Hermione.


         - Ronald!- ela o abraçou rapidamente e o encarou nos olhos. Sua voz de suavizou.- Hermione nos contou tudo... sei que não há palavras nesse momento... espero que você e sua família estejam se recuperando...


         - Ah, sim. Obrigado.- ele tossiu, incomodado.


         - Entrem, entrem!


         Como havia apenas passado algum tempo após o horário do café da manhã, Rony não se surpreendeu que o pai de Hermione não estivesse em casa. Será que estava no trabalho?


         - Seu pai foi comprar algumas coisinhas que pedi para ele. Queria estar em casa quando você chegasse.


         Rony sentiu-se confuso, parecia haver tantas coisas não ditas entre Hermione e mãe.


         - Já deixaram tudo pronto para voltar ao trabalho?


         - Ah, sim. Fico feliz de saber que esse seu feitiço não tenha alterado nossos conhecimentos odontológicos. Voltaremos assim que você estiver na escola.


         A mulher sorriu. Hermione acomodou a mão de Rony sobre a sua, enquanto sentavam no sofá da sala. Rony sentia-se constrangido agindo daquele jeito perante a futura sogra. Não havia falado praticamente nada!


         - Você sabe que era preciso. Expliquei tudo para vocês e...


         - Sim, e logo saiu correndo para ver o Rony! Justificando sua pressa, dizendo que tinha que apoiar a família naquele momento difícil. Claro que concordo com isso- ela olhou rapidamente para Rony, se justificando.-... mas você nos deixou com o coração na mão, Hermione Jane!


         - Desculpe...- a garota abaixou os olhos, envergonhada.- Você sabe que eu precisava... não podia...


         - Eu sei, querida. Seu pai também sabe. Mas não espere que ele não vá ter ciúmes do seu namorado. Você sabe como ele é...


         A palavra namorado havia saído tão naturalmente da boca da Sra. Granger que Rony desconfiou que era assim que estava sendo chamado naquela casa nos últimos tempos. Mexeu-se desconfortavelmente no sofá, seus ombros muito tensos começavam a doer. Os pais sempre sabiam das coisas. Hermione, por outro lado, não parecia nem um pouco incomodada com o uso da palavra.


         - Bom, vocês provavelmente acabaram de tomar café da manhã, mas certamente tomar mais uma xícara de chá não fará mal.- a Sra. Granger levantou-se energeticamente. Era estranho conhecer finalmente a mãe de Hermione, a garota parecia-se imensamente com ela.- Com adoçante, é claro! Açúcar não vem com nada além de...


         -... futuros dentes doentes. Já sei...- Hermione completou a frase.


         A mãe de Hermione piscou o olho, brincalhona e migrou para a cozinha.


         - Desculpe por isso.- ela olhou para Rony.- Dentistas são assim, você logo vai perceber. Ainda mais se esqueceram que você não é mais uma garotinha correndo atrás de balas muito açucaradas.


         Rony tentou rir, mas pareceu mais um grunhido.


         - Está tudo bem com você, Rony? Fale algo por favor...


         - Ah, está sim.- ele passou a mão nos ombros.- Só estou um pouco, ahn... tenso...


         - Hum...- Hermione puxou ele pela mão.- Vamos caminhar um pouco, então... vou lhe mostrar a casa. Quem sabe você fica mais a vontade...


         Ela riu e ele dessa vez a acompanhou. Certamente seria Hermione que tomaria a dianteira da situação. Sempre era ela que estava um passo a frente.


         Ele se deixou ser guiado, enquanto Hermione apontava alguns quadros nas paredes e tentava impedi-lo de ver alguns que continham fotografias dela quando era mais nova.


         Ele sorriu, começava a sentir que podia realmente gostar daquela visita. Hermione conhecia toda a sua família, história da sua infância, a personalidade de seus irmãos. Sentia-se um idiota por nunca ter explorado mais a história de Hermione, sua infância, manias, sonhos.


         Haviam se focado demais nas brigas, nas implicâncias. Ele queria recuperar todo aquele tempo perdido. Queria fazer inteiramente parte da vida de Hermione Granger.


 


         Flashback


 


- Hermione Granger-


Hermione olhava para seu reflexo no espelho enquanto respirava rapidamente. Suas colegas de quarto corriam animadas de um lado para outro, algumas parcialmente vestidas e outras com apenas um olho maquiado, gritavam entre si para poderem se escutar. Parvati lançou um olhar ansioso para Hermione. A garota estava quase pronta, assim como ela. Querendo evitar maiores perguntas, Hermione saiu do dormitório sem falar nada. Iria se encontrar com Krum nos jardins. Ao pensar naquilo, seu estômago pareceu ir parar nos seus pés. Nunca antes havia se sentido assim: sua ansiedade estava completamente focada no fato de que sairia com um garoto.


Atravessou a sala comunal rapidamente. Felizmente, nem Harry nem Rony estavam lá. Ela temia que seu salto acabasse prendendo em um dos tapetes e rapidamente migrou para a passagem do retrato. Podia ser cedo, mas ela não iria ficar lá esperando alguém aparecer e fazê-la se sentir mais nervosa do que estava. Só de pensar em encontrar Gina, Neville, Harry ou Rony, seu coração batia mais forte contra o peito. Principalmente Rony. Ela balançou a cabeça e deu passos mais largos e apressados para chegar logo ao jardim e encontrar Krum. Sabia que o que mais a estava deixando ansiosa não era o encontro em si, mas a reação que poderia causar em certas pessoas.


Mal ela chegou ao jardim avistou o garoto. Estava naquela pose de sempre, com os ombros curvados. Parecia esperar por ela. Ele a olhou demoradamente antes de vir ao seu encontro, um sorriso contido nos lábios. Estava bonito. Ela teve que admitir que estar na companhia de Krum certamente seria agradável.


Ele se aproximou dela e segurou sua mão delicadamente. Ela sentiu que deveria estar tremendo.


- Olá.- ela arriscou, com a voz trêmula.


- Focê está encantadorra.- ele inclinou o rosto levemente de encontro  as costas da mão de Hermione e beijou a pele exposta delicadamente. Hermione sentiu um breve arrepio. Aquilo era um homem delicado, romântico e o mais importante, que a achava interessante. Não podia deixar de compará-lo com Rony, que não fazia questão de esconder dela suas opiniões sobre a feiúra das garotas da escola.


- Obrigada.- ela sorriu de um jeito sincero para o búlgaro. Perdeu-se por um momento no brilho do olhar de Krum, que cintilava devido às diversas luzes encantadas que enfeitavam o jardim.


Outros alunos da Durmstrang aproximavam-se deles, alguns com seu pares, de braços dados. Krum aproveitou-se do aparente momento de distração de Hermione e se aproximou mais da garota.


Ela sentiu o coração batendo forte, parecia querer saltar para fora de seu corpo. Sentiu que seu pescoço pulsava juntamente com os batimentos cardíacos. Respirou calmamente e fechou os olhos por breves segundos para se concentrar.


Nunca estivera assim, tão próxima de um garoto. E principalmente, nunca estive numa situação em que soubesse que o garoto sentia certa atração por ela. Sentiu o rosto corar e arriscou olhar para Krum, agora posicionado ao lado dela. Ele passou o braço direito ao redor de Hermione, de um modo protetor, porém mantinha certa distância ainda da garota, enquanto observava seus colegas se aproximarem.


Hermione tentou limpar toda a sua mente para manter a calma. Não estava acostumada com aquele tipo de proximidade.


- Está uma noite bonita.- a voz dele quase a assustou.


- É..e-está. Um pouco frio... mas...


- Focê está com frio?- Krum a largou e a mirou intensamente nos olhos.- Posso emprrestar o meu...


- Não, não! Não precisa!- Hermione apressou-se em dizer. Não queria que o garoto cedesse o paletó que vestia. Já estava suficientemente envergonhada apenas por estarem tão próximos.


Pensando naquilo, ela reparou que as roupas que Krum e o resto dos alunos da Durmstrang estavam usando eram diferentes. Pareciam ter um tecido mais pesado, mais quente.


- Ah...- ela ergueu os olhos para o céu, tentando se concentrar.- É muito frio lá onde vocês....quero dizer, em Durmstrang...


- Ah, é...- Krum sorria muito para ela agora, fazendo menção de aproximar-se novamente.- Inclusive...


Mas a voz dele foi cortada por passos apressados que chegaram até eles, seguidos de uma voz impaciente.


- Acho que poderiam nos deixar entrar no salão antes. Não vamos ficar aguardando no navio!- Karkaroff mirava as portas de carvalho levemente abertas, aparentemente analisando se seria falta de educação atravessá-las e chegar ao Salão Principal.


Ele olhou para Hermione e Krum bruscamente, como se fosse pedir a opinião deles sobre o assunto. Pareceu desistir e mantendo ainda sua cara mal humorada, aproximou-se dos dois e começou a falar muito rápido com Krum, numa língua estranha. Ele lançava olhares furtivos para Hermione que se encolheu ligeiramente.


Aparentemente Karkaroff não gostava que seus alunos interagissem com moradores de Hogwarts.


 


(...)


 


- Ronald Weasley-


Sua roupa era suficientemente ridícula, ele não precisava ficar se encarando naquele espelho para lembrar disso. Rony suspirou enquanto tentava ajeitar os babados horríveis da manga das vestes.


A vontade que tinha, naquele momento, era de não sair mais do quarto. Como poderia aparecer na frente de todo o colégio e dos visitantes vestindo aquilo?


Algo no fundo da sua mente pareceu fazer cócegas nos seus pensamentos. Ele sabia que havia um motivo para ele estar indo aquele baile, só não conseguia lembrar claramente qual era.


A lembrança o atingiu como um soco repentino no estômago. Ele lembrou: precisava saber com quem Hermione iria ao baile. Perguntara a garota milhares de vezes e apenas recebera silêncio como resposta. Óbvio que o par de Hermione não deveria lhe incomodar tanto, mas o fato é que incomodava. Ele era cabeça-dura o suficiente para deixar sua mente cheia de pensamentos maldosos, a curiosidade o corroendo por dentro.


Logo, ele e Harry estavam na sala comunal, apinhada de estudantes. O colorido chegava a doer os olhos. Rony mexia a cabeça nervosamente para ambos os lados, erguendo-se nos pés. Mas Hermione não estava em nenhum lugar.


- Você, hum, está bonita- ele escutou Harry falar. Rony olhou para onde o amigo estava, Parvati recebera o elogio com um sorriso sincero.


- Obrigada.- ela dirigiu-se a Harry.- Padma vai se encontrar com você no Saguão de entrada.- olhou para Rony.


- Certo- ele continuava olhando a toda volta- Cadê Hermione?


         Não estava escutando realmente o que Harry e Parvati conversavam. A garota dividia o dormitório com Hermione e se soubesse onde ela havia se metido, certamente falaria.


Parvati deu de ombros.


- Vamos descer então, Harry?- a garota desviou o olhar de Rony.


- Ok.


         Rony sentia que seu estômago afundava cada vez mais proporcionalmente ao número de degraus que ele descia. Na sua mente formavam-se imagens vívidas de Hermione na companhia de vários garotos. Crispou os punhos, querendo afastar o buraco que se formava em seu peito. Vê-la com outro garoto não deveria magoá-lo... ou deveria? Ela era sua amiga, nada mais que isso! Por que então sentia-se pessoalmente ofendido com o fato dela estar indo ao baile com um provável estranho e nem ao menos ter lhe falado? Harry também não sabia, mas isso não o fazia sentir-se melhor.


         Quando percebeu, estavam no saguão de entrada e Parvati trazia Padma ao seu encontro.


- Oi- a voz da garota chegou ao seus ouvidos, mas seus olhos não se demoraram na veste turquesa-forte que ela usava.


- Oi- falou sem olhar para ela, espiando entre os convidados. Hermione não estava lá também. E se ele continuasse comportando-se daquele jeito, certamente iriam perceber que estava incomodado.- Ah, não...


Escondeu-se atrás de Harry, Fleur ia passando acompanhada por Rogério Davies. A última coisa de que precisava era de um olhar da garota, reprovando-o. Rony se endireitou, mas continuou examinando a cabeça das pessoas que estavam de costas. Não conseguia evitar. Era mais forte do que ele.


- Cadê a Hermione?


E se ela estivesse já com o tal garoto, ali mesmo, próximo a eles? E se ele não encontrasse o olhar dela e só soubesse no outro dia que ela havia sido vista pelo resto da escola aos beijos com alguém? Ele sabia que se ele assistisse ou não, não faria diferença. Mas sabia que se sentiria mais tranqüilo se a encontrasse no meio da multidão.


 Os Sonserinos chegavam ao saguão. Rony não se demorou neles. Certamente Hermione nunca apareceria de braços dados com um deles.


Sua busca foi interrompida quando ouviu o barulho das portas de carvalho da entrada abrindo-se completamente. Todos se viraram para olhar os alunos da Durmstrang entrarem com o Prof. Karkaroff.


Rony já estava virando para o outro lado, procurando pelos cabelos fofos de Hermione quando seus olhos pareciam ter sido atraídos magneticamente para o começo da fila de alunos parados na porta.


Krum estava na frente. Por alguns breves segundos, Rony não assimilou realmente que o jogador estava ali. Ele serviu apenas como referência para encontrar a pessoa que estava em pé, ao seu lado.


Ele sentiu uma mistura de sensações, a maioria ele não sabia conhecer até aquele momento. Sabia que deveria estar com a boca aberta, olhando atordoado para frente. Achara Hermione. Ela estava bem ali, trajando vestes azuis que prenderam os olhos de Rony durante longos segundos. Depois, ele analisou os cabelos da garota, lisos e brilhantes presos em um belo coque. Sentiu o corpo amortecido ao ver que Hermione tinha motivos suficientes para ter se ofendido quando ele insinuara que só descobrira recentemente que ela era uma garota. O rosto dela parecia ter sido cuidadosamente desenhado para a ocasião. Ele sentiu-se um idiota por nunca ter reparado suficientemente no conjunto perfeito de seus olhos castanhos e os contornos de seus lábios delicados. Desceu os olhos e sentiu sua boca e gargantas ficarem incrivelmente secas. Aquela era realmente Hermione? Nunca havia reparado as curvas de seu corpo que pareciam estar prendendo seu olhar. Certamente não a olhava atentamente, principalmente porque não conseguiria ver nada disso escondido pelas vestes escuras da escola.


Ah, não. O que estava acontecendo? Quando tempo havia se passado?Todos ali haviam percebido o modo como ele e a estava observando? Sentiu uma culpa monstruosa pousar sobre suas costas ao perceber que desejara estar ao lado delas mais do que qualquer coisa naquele momento. Agora ele repara realmente que era Krum que estava de braços dados com ela e odiou cada pedacinho de pele do jogador que tinha a possibilidade de estar em contato com a de Hermione.


Quase instintivamente ele olhou para Harry, certo de que o amigo estaria ciente de todos os sentimentos que estavam acontecendo com ele afinal, já vira Harry com um olhar abobado encarando aquela jogadora da Corvinal, a Cho. Mas Harry parecia completamente alheio à presença de Hermione. Ele não vira que era a amiga que estava lá!


 


- Campeões aqui, por favor!- a voz da Prof. Minerva o assustou.


“Vemos você daqui a pouco”- Harry e Parvati falaram em direção a ele. E a Padma. Nossa, é verdade! Havia uma garota ao lado dele! Mas ele não conseguiu olhar para a gêmea de Parvati enquanto Hermione e Krum passavam por ele.


Hermione não o olhou. O estômago de Rony pareceu despencar novamente, todas aquelas sensações que estavam o atormentando nos últimos dias pareceram clarear repentinamente.


Não, não, não. Não podia ser! Não podia estar realmente atraído por Hermione. Atraído? Era essa a palavra? Ele tinha quase certeza que sentira algo mais que isso e... não, não e NÃO! Ele não podia pensar naquilo nem por um momento! Mas era a única explicação! Parecia quase óbvio para ele agora que era por isso que se sentia tão incomodado, tendo crises de ciúmes tão bobas. Havia se sentido mal apenas com o fato de imaginar Hermione e Harry. Harry! Seu melhor amigo! E agora, vendo ela ali, de braços com Krum, parecia aflorar nele um sentimento que beirava o desespero. Com certeza ele deveria saber o que sentia por ela, mas nunca deixara aflorar. E não deixaria! Morria de vergonha só de pensar o que aconteceria se alguém descobrisse.


O fã clube de Krum passava por Hermione agora, lançando olhares de desprezo. Até Pansy Parkinson estava completamente boquiaberta. Ron respirou fundo, colocando de lado todas aquelas constatações que fizera nos últimos minutos e ainda indignado, passou por ela sem olhar para o lado. Sabia que se mantivessem contato visual ele se entregaria! Não iria conseguir disfarçar!


Quando os campeões passaram por eles, indo em direção a mesa dos juízes, Rony percebeu que Harry arriscara um olhar para ele. Ótimo, ele deve ter percebido. Mas o amigo não esboçara reação nenhuma. Rony arriscou olhar para Krum e Hermione. Apertou os olhos, na tentativa frustrada de fazer um caminho diferente com seus pensamentos. Mas o que quer que ele tentasse pensar, matéria de Poções, palavras de encantamentos necessários para a aula de Transfiguração, tipo de alimentação de alguma das criaturas da aula de Hagrid, tudo parecia fugir de sua cabeça e sua imaginação recaía no azul do vestido de Hermione.


Todos aplaudiram os campeões agora. Ele não moveu um músculo. Como poderia aplaudir a sua própria desgraça passando diante dele, desfilando? Não podia, simplesmente não podia! Já era suficientemente doloroso ter que admitir para si mesmo tudo que estava sentindo, ainda tinha que ter aquela ferida futricada por Hermione e Krum juntos, diante dele?


         Mesmo assim ele não desviou os olhos de Hermione. Todos estavam se movendo agora, as pessoas começaram a ocupar as mesas e ele torcia para que estivesse sendo discreto. Sabia que não estava. Sentou-se ao lado de Padma, que parecia extremamente entediada. Ele não se importou. Observou Hermione e Krum, sentados lado a lado, ordenando para os seus pratos mágicos o que queriam comer.


         Sentiu como se estivesse na beira de um precipício, onde a única alternativa era pular: afinal, ele não podia voltar atrás, não podia fingir que não havia sentido nada!


         Uma tristeza profunda o tomou. Não podia se deixar inferiorizar daquele jeito. Queria gritar, queria ir até Hermione e jogar na cara dela que aquele garoto era mais velho do que ela, que provavelmente só queria ir ao baile com ela pois...


         Ele não quis continuar pensando naquilo. Sabia muito bem que tipo de coisa poderia acontecer quando as luzes diminuíssem mais, e todos começassem a dançar. E o que mais doía era saber que, o fato de ter negado durante todo aquele tempo seus sentimentos por Hermione, não amenizava a dor de ver que havia a perdido. Perdido, sem antes mesmo de tê-la.


 


         (...)


         Rony achou que ficaria menos a vontade quando o pai de Hermione chegasse. Felizmente, a pouca calma que conseguira juntar não se dispersou quando começou a conversar com o Sr. Granger.


         Ambos, o pai e a mãe de Hermione, eram muito inteligentes e práticos. Ela não havia saído um milímetro da linha da família.


         O Sr. Granger conversava animadamente com Rony na sala, enquanto Hermione lançava olhares de minuto em minuto para eles, apoiada na porta da cozinha.


         - Hermione me disse que seu pai tem muito interesse em saber como vivemos. Quero dizer, nós...


         Ele riu. Rony afirmou com a cabeça.


         - Trouxas. Sim, meu pai é fascinado por eles, quero dizer, por conhecer como vocês vivem, o que fazem... como lidam com a vida sem magia.


         Sentiu-se mais maduro, menos garoto e mais homem enquanto conversava com o pai de Hermione. Ele parecia saber tudo de Rony e de sua família. Fazia perguntas específicas, queria saber como todos estavam, se Harry e Gina estavam bem, se Percy havia realmente voltado ao convívio familiar.


         Rony sabia que ele provavelmente estava puxando papo, falando sobre qualquer coisa que lhe viesse a mente para poder desmanchar o constrangimento que havia no ar.


         - Hermione fala muito de vocês. Bom- ele riu- na verdade ela fala muito sobre tudo. Acho que é um pouco nossa culpa, sabe... sempre deixamos ela livre para falar pelos cotovelos.


         Rony acompanhou a risada do Sr. Granger. Recostou-se mais a vontade no sofá. Queria se comportar como um verdadeiro namorado faria.


         - Que bom que nosso nomes foram mencionados por aqui.- Rony sorriu.- Mostra o quando Hermione gosta de minha família.


         - Ah, não tenha dúvidas disso!


         - Fico feliz. Minha irmã parece achar que férias na Toca sem a presença de Hermione são férias perdidas.


         O Sr. Granger riu demoradamente. Rony o imitou. Estava conseguindo agir normalmente! Aquilo não era tão apavorante!


         - Hermione pensa o mesmo. Sempre quis passar o maior tempo que pôde ao lado de sua família. Ao seu lado.


         Ele havia ficado sério. Rony sentiu que o momento que ele tanto temia estava se aproximando.


         - Minha filha gosta muito de você, Ronald. Minha mulher e eu sempre soubesse disso, desde a primeira vez que a buscamos para as férias naquela plataforma de trem.


         Rony tentou falar, mas não achou palavras para aquilo. Não queria corar, aquilo o denunciaria.


         - Quero que saiba que ficamos muito feliz de saber sobre vocês dois. Não vou negar que como pai, tenho certos receios e... bom, é minha única filha. Você tem uma irmã. Sua única irmã, deve entender como é...


         - Ah, sim...- Rony estava muito vermelho agora. Ah, droga. Então estava certo.Tudo que se passava na sua cabeça sobre Gina e Harry, o que estava fazendo sozinhos no quarto, o que conversavam quando não estavam sob os olhares da família, o que realmente sentiam, passava pela cabeça do pai de Hermione!


          E afinal, ele e Hermione tinham um “mundo só deles”. Coisas que falavam em segredo, sensações, beijos, abraços...tudo secreto.Tudo compartilhado apenas pelos dois.


         - Tenho certeza de que não haveria namorado melhor para Hermione.- Sr. Granger suspirou profundamente.- Fico feliz que finalmente tenhamos chance de conversar melhor.


         Rony sentiu um alívio imenso quando Hermione e a Sra. Granger vieram da cozinha anunciando que logo o almoço estaria pronto. O Sr. Granger acompanhou a esposa, que implicava com ele, dizendo algo parecido com “você-vai-ajudar-a-colocar-a-mesa”. Hermione aproximou-se de Rony, um sorriso encantador e sincero em seu rosto.


         - Você e meu pai pareciam realmente entretidos na conversa!


         - Ah, sim! Não foi tão ruim!


         Hermione fez cara de intrigada e Rony logo corrigiu.


         - Quer dizer, achei que eu poderia falar alguma besteira, sabe... agir como um completo idiota...sei lá..dar uma de Ronald Weasley....


         - Haha...Rony, você me mata de rir. Vai ficar tudo bem. Eles já adoram você.- Hermione pegou a mão dele, enquanto piscava o olho.- Minha mãe falou lá na cozinha que você é um encanto.


         - Falou, é?- suas orelhas ficaram muito vermelhas.


         - E olha que você nem abriu a boca perto dela! Acho que ela conhece você só de me ouvir falar.


         - É-é...acho que sim...


         Hermione pegou a mochila de Rony que estava jogada ao lado do sofá e pendurou no ombro.


         - Vem, vamos colocar suas coisas no quarto de hóspedes.


         Rony não respondeu. Apenas a seguiu.


         Passaram por uma porta que devia ser o quarto de Hermione. Ele tentou espiar para dentro, diminuindo a velocidade, mas a garota o puxou.     


         - O que está fazendo?


         - Só estou olhando!- ele colocou a cabeça para dentro do quarto. Era a cara de Hermione. Havia um mural com diversas coisas, pareciam fotos que não se moviam. Estranho. Alguns papéis pendurados também. Livros, muitos livros.


         Ele a puxou para dentro do quarto antes que ela o impedisse.


         - Ronald, eu não autorizei você a entrar aqui! Está uma bagunça! Não tive tempo de...


         - Ei, você vive no meu quarto e eu nunca falo nada!


         - Vivo, é?- ela olhou para ele, visivelmente envergonhada. As bochechas vermelhas.- Desculpa, se eu incomodo você eu não vou mais...


         - Não foi isso que quis dizer!- ele virou-se para ela.- Foi só uma expressão...eu...


         Ele parou. O quarto dela causava uma estranha euforia nele. Parecia haver segredos ali que ele poderia descobrir. Talvez um diário, talvez informações da vida de Hermione antes de ir para Hogwarts.


         - Eu sei...aprendi a não levar o que você fala tão a sério.


         Ela riu. Ele permaneceu quieto.Havia uma caixa rosa, depositada em cima de uma escrivaninha milimetricamente arrumada, que roubou sua atenção. Não soube dizer porque, mas precisava saber o que era aquilo.      


         - O que você está olhando?- Hermione acompanhou se olhar e entendeu perfeitamente o que era.


         Correu até a caixa e a segurou fortemente contra o peito.   


         - Não sei se você já aprendeu com a sua irmã, mas existem certos segredos no quarto de uma garota que...


         - Isso só está aumentado minha curiosidade.- a caixa era diferente de qualquer outro objeto que estava lá. Tinha um cadeado nela. Por que Hermione trancaria uma caixa? Era algo que queria esconder de seus pais apenas, porque obviamente qualquer bruxo abriria aquilo com um simples feitiço.


         - Mione...o que é que tem ai?


         Ele aproximou-se dela, querendo jogar sujo. Iria convencê-la a mostrar o que era. Não sabia porque, mas aquele tipo de jogo estava começando a ficar incrivelmente interessante.


 


         Flashback


         - Hermione Granger-


 


Hermione conversava com Krum animadamente, sem notar direito o que estava em seu prato. Havia pedido qualquer coisa, imitando as outras pessoas ao seu redor.


Parecia que havia crescido vários centímetros desde que ficara na companhia de Krum! Parecia haver mais ar para respirar, mais risadas espontâneas. Os olhares que as pessoas lhe dirigiam não estavam surtindo efeito, não se sentia incomodada muito menos pelo fã clube de Krum. Era ela que estava com ele. Ele havia a escolhido como par.


O melhor de tudo é que não havia mais pensando em Rony desde então. Bom, naquele momento o ruivo tomou seus pensamentos. E seus olhos, acostumados àquela busca rotineira, localizaram o dono dos cabelos vermelhos, sentado ao lado de Padma.


Disfarçou e virou o rosto para Krum, cuidando Rony com o canto do olho. Ele estava olhando para ela! Tinha certeza absoluta de que os olhos azuis de Rony a fitavam. Sorriu, sem conseguir se conter. O rosto de Rony era sério, era impossível saber o que ele realmente estava pensando.


Sentiu uma animação repentina, um calor subiu pelo seu corpo. Então aquela era a sensação de vingança? Não sabia se Rony estava realmente com raiva por vê-la ali com Krum. Mas ela iria testar sua teoria, e logo saberia o que se passava na cabeça do ruivo. Ela sorriu abertamente para Krum e tocou levemente o braço do jogador que estava mais próximo de si, abaixando a cabeça, disfarçando para onde olhava, fingindo uma risada para algo que Krum acabara de falar, algo que ela não prestara a mínima atenção.


Olhou Rony, tendo o cuidado para manter a sua cabeça em um ângulo em que ele não soubesse que estava sendo observado. Ele abrira a boca, formando uma expressão de incredulidade. Aquilo deu forças para Hermione. Sua desconfiança a levara para o caminho certo. Ele estava realmente incomodado.


Se ela pudesse, naquela noite, não se deixaria abalar por nada que acontecesse. Krum gostava dela, estava ao seu lado, falando mais animado ainda apenas pelo breve toque que Hermione lhe dera. Mesmo que tivesse quase certeza de que Rony sentia ciúme dela e podia nutrir algum sentimento por ela, ela sabia também que o garoto jamais faria nada para mudar a situação. Rony jamais a chamaria para o baile. O garoto não fazia questão nem de esconder sua opinião sobre levar apenas um par bonito para a festa, mesmo sabendo que aquilo magoaria Hermione.


Ela queria saber até onde Rony agüentaria deixar aquela situação do jeito intragável que estava. Os dois sempre brigando, não admitindo que toda aquela raiva acumulada deveria ter outro motivo por detrás. Ela sabia exatamente o que precisava fazer. Seu palpite sobre aparecer acompanhada no baile estava certo. Ele ficara incomodado. Agora estava na hora de colocar a segunda parte do plano em prática, ela só precisava esperar a música começar a tocar.


Krum a fitava com um olhar curioso. Ela sorriu de volta e resolveu tentar um diálogo.


- Então... está gostando de Hogwarts? Antes, lá fora nos jardins, você estava me contando da sua escola...


- Ah, sim. Está sendo muito agrradável a estadia aqui. É diferrente de Durmstrang, mas muito conforrtável.


- É tão diferente assim?- Hermione ocupou o tempo após a pergunta bebericando um pouco de seu cálice. Ouvira falar coisas negativas a respeito da escola de Krum, mas certamente não colocaria suas desconfianças em voz alta.


- Pom, temos um castelo também, non é ton grrande quanto este, nem ton conforrtável, e as larreiras só são acesas parra finalidades mágicas. Mas a prroprriedade em que ecsta a escola é ainda maiorr do que esta emborra no inverno a gente tenha muita pouca luz solarr, porr isso não aprroveitamos muito os jarrdins. Mas no verão todo o dia sobrrevoamos os lagos e montanhas...


- Ora, ora, Vítor- a voz de Karkaroff chegou aos seus ouvidos novamente, os olhos frios percorreram ela de cima a baixo- não vá contar mais nada, agora, ou a nossa encantadora amiga vai saber exatamente onde nos encontrar.


         Hermione tentou sorrir, mas não conseguiu. Havia algo naquele homem que a assustava. Krum puxou mais alguns assuntos, percebendo que a garota estava incomodada com o olhar do diretor.


         Conforme a conversa evoluía, ela percebia que Krum aproximava cada vez mais sua cadeira. Ela não sabia se era a bebida ou a proximidade do calor, o fato é que o salão parecia cada vez mais quente.


         - Mas, enton... Herm-on... ahn... Herm-on- Krum franziu a sobrancelha, deixando claro que a pronúncia do nome de Hermione não estava sendo tarefa fácil.


- Her-mi-o-ne- ela disse pacientemente.


- Herm-on-nini.- ele sorriu de um jeito enviesado, como forma de se desculpar.


- Está bastante parecido.- ela desviou o olhar do dele e fitou Harry, pedindo auxílio ao amigo naquela hora levemente crítica. O garoto sorriu e então, ela sorriu de volta.


 


Logo o momento que Hermione sabia que seria crucial chegou. Os campeões dançariam para abrir o baile.


Todos os outros já estavam de pé e ela demorou o olhar em Cho Chang, a garota estava tão bonita. Tinha um sorriso nos lábios ao olhar para Cedrico e Hermione sentiu um leve desconforto no estômago ao lembrar o modo como Harry olhava para a garota. Será que aquela situação estava o machucando tanto quanto ela imaginava que estava? Ela imitou Cho, que já estava dirigindo-se à pista de dança com Cedrico. Sem medo agora e sem receio algum, ela enganchou o braço no de Krum e os dois seguiram os outros campeões.


O jogador parecia não caber em si de felicidade quando se virou de frente para ela, a espera da música começar para tomá-la nos braços. O coração de Hermione estava muito acelerado, ela sentia até a ponta dos seus dedos tremerem a cada pulsação.


Queria arriscar um olhar para Rony, mas temeu que aquilo estragasse a cena. Queria que o ruivo pensasse que ela só estava pensando em Krum e nada mais. Passaria a impressão de que só havia os dois naquele salão.


Toda mágoa que tinha adquirido por culpa de Rony serviu como força para tudo aquilo. Ela não precisava realmente fingir, estava sendo maravilhoso ficar com Krum. O garoto era delicado, tentava mantê-la a vontade e a olhava como se ela fosse a única garota no mundo.


Seu rosto corou antes mesmo de Krum aproximar-se dela. A música começou lentamente e em um segundo, a mão dele estava na cintura dela enquanto a outra estendia seu braço para que começassem a dançar.


Foi mais fácil do que pensava. Krum guiava tranquilamente, com passos harmoniosos, porém firmes, parecia tão certo de si. Seus olhos ficaram perdidos nos de Hermione. Ela sentiu uma pontada estranha na barriga, uma ansiedade contida. Gostava da sensação de ser admirada.


Krum a rodou enquanto a música ganhava notas mais marcantes. Ela moveu a cabeça apenas um pouco e seus olhos visualizaram um borrão vermelho, em meio ao giro. Localizou Rony sentado, e fez um esforço tamanho para encarar seus olhos azuis.


O tempo pareceu andar em câmara lenta. Por um instante, ela parou de sentir Krum perto de si, a música pareceu parar de tocar, todos os barulhos e conversas dos casais ao seu redor evaporaram: só que existia era o olhar de Rony no dela. Mesmo distantes, ela pôde sentir a energia estranha que emanava do ruivo.


Naqueles breves segundos que ela o olhou, e ele olhou de volta, ela pôde enxergar decepção, raiva, uma mistura de vários sentimentos, no olhar do ruivo.


- Sabe, Herm-on-nini- Krum sussurrou no ouvido dela. Ela sentiu seu corpo se arrepiar com a proximidade dos dois.- Eu estava indo à biblioteca há bastante tempo...querrendo convidá-la parra o baile.


O garoto parou e respirou fundo, rindo. A respiração dele alcançou a pele de Hermione que teve que controlar todo o seu corpo.


- Mas non tinha corragem...


Ele a olhou nos olhos. Ela não soube o que responder. Para evitar ter que falar algo, colou seu corpo mais próximo no de Krum e se deixou ser guiada pela música e pelos braços fortes do jogador, que atento às reações de Hermione, já migrara a mão para suas costas, terminando com a pouca distância que havia entre seus corpos.


 


- Ronald Weasley-


 


         Ele queria desviar o olhar. Não tinha porque ficar cuidando cada passo que Hermione e Krum davam. Mas seus olhos pareciam grudados no casal, eles pareciam dançar mais harmoniosamente do que qualquer outro par da pista de dança.


Rony ignorou as outras pessoas que agora se juntavam aos campeões na dança de abertura. Seus olhos pareciam grudados em Hermione.


Ela o olhava agora, não era possível entender o que ela queria dizer. Ele a olhou de volta, não querendo perder aquele contato visual. Parecia que estavam se entendendo apenas naquele olhar.


Seu estômago deu cambalhotas extremamente incômodas quando ele observou a mão de Krum na cintura dela. A proximidade que o jogador mantinha da garota era tamanha que Rony pareceu sentir o ar escapar de seus pulmões. A raiva tomou seus pensamentos tão rapidamente que por um momento seu cérebro pareceu ficar vazio.


Mas ela insistia. Hermione continuava encarando ele, enquanto deixava Krum guiá-la. Então tudo ficou muito claro para ele. Hermione sabia o que ele estava pensando. Hermione sabia que o estava incomodando, e muito.


O coração de Rony parecia decidido a não deixá-lo em paz naquele momento. Batia tão forte, parecia que apenas para lembrá-lo de que era por culpa exclusivamente dele próprio, Ronald Weasley, toda aquela dor.


         Quando você sabe do que precisa para aliviar uma dor, e aquilo está bem diante de você, o que você faz? Normalmente, você faz de tudo para ter aquilo de que necessita. Mas Rony não. Rony preferia observar os dois dançarem, cada vez mais próximos, ao invés de admitir que queria arrancá-la dos braços daquele búlgaro nojento.


         Krum aproximou-se do ouvido de Hermione e Rony deduziu que estava falando algo. O garoto, então, puxou Hermione rapidamente ao seu encontro e o ruivo observou o abraço dos dois, que ainda dançavam conforme a música. Decidiu desviar o olhar. Ele não era maluco, não iria ficar assistindo aquilo. Hermione olhou rapidamente para ele, e com um sorriso torto nos lábios o fez desistir de ter autocontrole.


Bufou irritado e escondeu o rosto nas próprias mãos. Estava pensando coisas terríveis de Krum, a vontade que tinha era de jogá-lo no chão e vê-lo implorar por misericórdia. Onde estava toda a admiração que sentira pelo famoso jogador da Bulgária? Aquilo só o fazia ter mais certeza de que tudo que estava sentindo era mais real do que ele desejaria que fosse.


        


A voz de Harry chegou aos seus ouvidos. Ele agradeceu mentalmente ao ver o amigo e Parvati chegarem a mesa.


- Como é que vocês estão indo?- Harry sorriu para o amigo, abrindo uma garrafa de cerveja amanteigada.


Ele não respondeu. Não tinha como colocar em palavras tudo que estava sentindo. Harry certamente não entenderia. Afinal, era errado, não era? Ele não deveria gostar de sua melhor amiga? Certamente todos achariam errado ele nutrir algum sentimento diferente da amizade por Mione. Olhou feio para Hermione e Krum. Pareciam querer provocá-lo, dançavam cada vez mais próximos deles. Será que Harry entenderia com um olhar o dilema interior que Rony estava passando?


Hermione pareceu não se importar com os olhares de censura de Rony, e logo se sentou ao lado deles, na cadeira que Parvati deixara vazia.


Rony observou o rosto afogueado de Hermione, parecia que um bicho muito feroz estava se mexendo dentro de sua barriga.


- Oi- Harry se dirigiu a amiga.


- Está quente, não acham?- a garota abanava-se com a mão- Vítor foi apanhar alguma coisa para a gente beber.


Rony ficou extremamente irritado com a naturalidade que Hermione dava a situação. Afinal, a garota havia percebido os olhares que ele havia dado à ela durante a dança dela com o Vítor, não havia?


- Vítor? Ele ainda não lhe pediu para chamá-lo de Vitinho?


Aquelas palavras saíram antes que ele pudesse contê-las. Sustentou o olhar de Hermione, queria que ela entendesse o que estava dizendo. Mas Hermione olhou para ele, o rosto intrigado.


- Que é que há com você?- a voz dela parecia sinceramente surpresa.


Ah, ela tem que estar sendo irônica!


- Se você não sabe- disse no tom mais sarcástico que pôde- não sou eu que vou lhe dizer.


Não deveria estar falando aquilo. Depois que deixasse claro para Hermione como estava se sentindo, não haveria volta.


Hermione olhou para Harry, que deu de ombros.


         Isso mesmo, Ronald, controle-se. Respire fundo. Você não vai querer deixar essa sua boca cuspir tudo que está pensando em falar para ela na frente do Harry, ele vai achar que você é maluco!


- Rony, que é...


- Ele é da Durmstrang- vociferou para ela, interrompendo suas palavras.- Está competindo contra o Harry! Contra Hogwarts! Você...você está... confraternizando com o inimigo, é isso que você está fazendo!


Era melhor colocar desse jeito. Isso, Continue fingindo que não sente nada, é o melhor que você tem a fazer. Hermione ainda o olhava sem entender, boquiaberta.


Óbvio, ela provavelmente sabe o que você realmente está pensando, seu doente.


- Não seja tão burro! O inimigo! Francamente, quem é que ficou todo excitado quando viu o Krum chegar? Quem é que queria pedir um autógrafo a ele? Quem é que tem um modelinho dele no dormitório?


         É, conseguira. Tirara a garota realmente do sério. Sabia que iria a magoar se continuasse falando, mas precisava fazê-la acreditar que ele não estava realmente com ciúme. Tinha que ter um jeito de desviar o assunto.


         Ele fugiu das perguntas de Hermione, querendo tempo para pensar.


- Suponho que ele a tenha convidado para vir com ele quando os dois estavam na biblioteca?


Sua boca parecia alheia às ordens de seu cérebro. Ganhe tempo, não entregue o jogo assim tão rápido!


- Isso mesmo- a garota estava muito corada- e daí?


- Que aconteceu, estava tentando convencê-lo a participar do fale, é?- a ironia era sua maior defesa. Sabia que se a magoasse, se a lembrasse de algumas de suas brigas, ela certamente se tornaria mais fraca e ele poderia evitar todo o constrangimento que estava tomando conta dele.


- Não, não estava, não! Se você quer realmente saber, ele- Hermione começou a falar muito rápido-...ele disse que estava indo todos os dias à biblioteca para tentar falar comigo, mas não conseguia reunir coragem!


Ela corou violentamente. Ele teve que desviar o olhar, não podia deixar claro o que estava pensando de tudo aquilo. Sentia raiva, uma profunda raiva e desejo de vingança. Então Krum já estava interessado nela há algum tempo, não é? Ele mesmo havia visto o jogador na biblioteca um dia, até cogitara pedir um autógrafo!


- É, é...isto é o que ele conta- Rony sustentava o tom irônico.


- E o que é que você quer dizer com isso?- sabia que havia a tirado do sério.


- É óbvio, não é? Ele é aluno do Karkaroff não é? E sabe que você anda em companhia do... ele só esta tentando se aproximar do Harry, tirar informações sobre ele ou ate chegar perto o bastante para azarar ele


Hermione parecia ter sido esbofeteada no rosto. Rony estava conseguindo o que queria. Ou será que era isso que queria mesmo? Iria magoá-la profundamente falando aquelas coisas. Mas a raiva que tinha era enorme e a única maneira de disfarçar todos aqueles sentimentos novos que estavam tomando conta dele,era fazê-la se sentir desacreditada.


         - Para a sua informação, ele não me fez uma única pergunta sobre o Harry, nem umazinha – a voz trêmula de Hermione doeu fisicamente nele, ao alcançar seus ouvidos.


         Bom, precisava arranjar outra saída. Precisava continuar insinuando que Krum não era tudo aquilo que Hermione achava que era.


- Então está na esperança de você o ajudar a decifrar a mensagem do ovo! Suponho que tenham andado juntando as cabeças durante aquelas sessõezinhas íntimas na biblioteca...


- Eu nunca o ajudaria naquele ovo!- a garota estava realmente indignada- Nunca. Como é que você pode dizer uma coisa dessas... eu quero que Harry vença o torneio. Harry sabe disso, não sabe, Harry?


- Você tem um jeito engraçado de demonstrar isso.- ele não queria incluir Harry na conversa, roubou a atenção de Hermione novamente para si.


- O torneio é justamente para se conhecer bruxos estrangeiros e fazer amizade com eles- a voz aguda dela começava a se tornar histérica. As pessoas começavam a olhar para eles agora, mas Rony não se importou.


- Não é, não! É para se ganhar!


- Rony- Harry parecia ansioso para fazer os amigos pararem de brigar- eu não tenho nada contra Hermione vir com o Krum...


Ele não iria deixar Hermione escapar assim tão fácil, sem ouvir algo que realmente a magoasse.


- Por que você não vai procurar o Vitinho, ele deve estar se perguntando aonde é que você anda. – ele fingiu que Harry não estava na conversa.


O olhar que ele dirigiu à Hermione foi o mais gelado que pôde, o mais cruel que havia lhe dado a noite toda.


- Pare de chamá-lo de Vitinho!- a garota já estava de pé, saiu decidida pela pista de dança, desaparecendo no meio das pessoas.


         Em nenhum momento passara por sua cabeça impedi-la. Provavelmente conseguiria plantar nela uma semente de desconfiança, insinuando que Krum apenas tinha interesse na inteligência dela, ou na amizade que ela tinha por Harry.


         Rony sentia um misto de raiva e satisfação, certamente ela brigaria com Krum. Pelo menos ele torcia para isso.


- Você não vai me convidar para dançar?- Padma ainda estava ali? Bom, estava e não tinha uma cara feliz.


- Não- continou olhando para as costas de Hermione, acompanhado-a com o olhar.


- Ótimo.- Padma saiu da mesa, indo dançar ao lado de um garoto que parecia imensamente satisfeito.


- Onde está Hermio-o-nini?- era só o que faltava! Além de ter dançado com Hermione, sussurrado no ouvido dela e ainda ter lhe dito coisas para ela acreditar que estava gostando dela, Krum ainda tinha a cara de pau de vir até a mesa deles.


- Não faço idéia- estava emburrado, ergueu os olhos para o jogador e tentou recuperar a calma- perdeu ela, foi?


Por que precisava frisar aquilo? Obviamente, quem havia perdido Hermione naquela noite, fora ele.


- Pom, se focê a virr, diga que apanhei as bebidas.


Rony sorriu internamente ao pensar que Hermione deveria estar em algum lugar, escondida, chorando. Sabia que havia falado coisas para magoá-la profundamente. Mas naquele momento não importava. Iria se preocupar com isso no outro dia. O importante era manter Hermione e Krum o mais distante possível um do outro.


 


- Hermione Granger-


 


Krum encontrou Hermione mais cedo do que a garota desejara. Ainda estava com a raiva borbulhando pelo seu corpo. Havia ido até os jardins para pegar um ar, tirar Rony da cabeça.


Krum entregou a bebida a ela. Ela segurou a Cerveja Amanteigada, olhando o rótulo e pensando em tudo que Rony havia falado. Justo quando ela achara que havia conseguido acordar nele um sentimento, ele vira o jogo e lhe fala coisas que magoaram mais do que qualquer ofensa que já tivesse escutado. Então o ruivo achava que Krum não estava interessado nela, só podia ser interesse?!


Sem pensar duas vezes, Hermione bebeu vários goles da bebida. Krum sorriu para ela, respeitando seu momento de silêncio, parecendo desconfiar de que algo havia acontecido.


- Ecstá tudo bem?- ele falou muito baixo.


- Sim, tudo bem.- ela terminou a cerveja em um só gole, observando Krum beber a sua lentamente.


Hermione se jogou no banco mais próximo, observando as fadinhas sobrevoarem as roseiras. Krum sentou-se ao seu lado, enquanto ela pousava a garrafa vazia ao seus pés.


- O baile ecstá muito bonito...as pessoas parrecem estar se diverrtindo...


- É...- a culpa a invadia. Krum estava sendo tão legal com ela, tão gentil, e os pensamentos dela ainda estavam na briga que tivera com Rony.


Ela ouviu o garoto largar a garrafa que segurava também no chão, imitando o movimento de Hermione.


- Focê está se diverrtindo?


Ela o olhou nos olhos e forçou um sorriso. Arrependeu-se no mesmo instante, Krum não havia deixado muitos centímetros de distância entre os dois.


- Estou...


Ela sorriu sinceramente para ele. O garoto se levantou, segurando a mão dela.


- Focê quer voltar para lá... dançar mais um pouco?


- Tudo bem... vim aqui fora para respirar um pouco de ar puro.


- Hum... se focê quiser, podemos ficarr aqui mais um pouco...


Com a mão livre, Krum afastou uma mecha do cabelo de Hermione que caía do coque. Ela não soube se foi pela falta de força devido a discussão com Rony, ou se foi pelo fato de o olhar de Krum a estar fazendo sentir todas aquelas sensações novamente, o fato é que ela deixou ele aproximar-se cada vez mais. O garoto mantinha um sorriso enigmático nos lábios.


A voz de Rony parecia berrar em sua cabeça. Ele só quer se aproximar de você por causa do Harry, tem esperança que você o ajude com aquele ovo.


Seu pensamento ficou vazio quando ela fechou os olhos e sentiu os lábios de Vítor Krum encontrarem os seus.


Não foi tudo aquilo que ela imaginou que seria. Sempre ouvira as pessoas falarem dos primeiros beijos como momentos maravilhosos, cheios de emoção. O único sentimento que havia agora nela era vontade de mostrar para Rony que ela poderia ser admirada por um garoto.


Krum parecia ter entendido a não-resistência de Hermione como um sinal para continuar, e a envolveu com os braços aprofundando o beijo.


Naquele mesmo instante, Hermione sentiu-se suja. Parecia contaminada com alguma coisa. O rosto de Rony apareceu muito forte no seu pensamento, todos os detalhes, inclusive as sardas.


Krum mantinha uma das mãos em sua nuca, Hermione apenas acompanhava os movimentos do garoto, sentindo-se uma completa idiota naquela sensação.


Ele não parecia disposto a quebrar o beijo. Ela não queria continuar sentindo aquela culpa terrível. Afastou os lábios dos dele e o olhou nos olhos.


Krum demorou alguns instantes para fitá-la e quando fez isso, a culpa de Hermione apenas aumentou. Ela não estava apenas beijando um garoto para esquecer a raiva que tinha do outro, estava brincando com os sentimentos daquele que estava a sua frente, que parecia envolvido com a situação, de um jeito que ela não provara nem por um instante durante aquele beijo.


Durante o resto da noite, ela evitou aproximar o rosto de Krum. O garoto aproveitava-se da distração dela, enquanto estavam próximos, para beijar seu rosto, o canto de seus lábios. Mas Hermione lutava com todas as suas forças para que ele não a beijasse de novo. Não que tivesse sido algo ruim, apenas não havia sido como ela esperara que fosse. Com quem ela queria que pudesse ter sido.


 


(...)


 


No final do baile, ela sentiu os olhares de Harry e Rony em suas costas, enquanto ela despedia-se de Krum, evitando maiores proximidades. Já havia sido incômodo beijá-lo sem ninguém ver, seria um pesadelo na frente de Rony.


 Ela lançou ao ruivo um olhar gelado antes de passar por ele e Harry, subindo a escadaria. Queria poder chegar ao seu dormitório logo, afundar-se na cama e esquecer a maioria dos acontecimentos daquela noite. Na verdade, queria lembrar dos pontos positivos. Até o beijo de Krum estava parecendo mais agradável agora que estava sozinha, pensando em tudo que acontecera. Afinal, ter sido beijada mostrava que pelo menos Rony estava errado a respeito do interesse de Krum. Era possível um garoto ter interesse por ela.


         Assim que entrou na sala comunal, após dizer a senha para a mulher gorda, resolveu aproximar-se do fogo para se esquentar. Não havia reparado em como estava com frio.


         Colocou a mão próxima à lareira, onde um fogo baixo ainda crepitava. Perdeu-se em pensamentos, os olhos fechados, tentando estaria pensando dela. E o que será que Rony estaria pensando...?


         Mal esse pensamento a tomou, ouviu alguém entrar na sala comunal, pelo buraco do retrato. Ela não precisou abrir os olhos para saber quem havia entrado.


         Rony parou no meio de um passo e a encarou. Ela estava com os olhos ainda fechados.


- Então...se divertiu muito com o Vitinho?


Ela queria gritar com ele, dizer que Krum tinha real interesse nela. Queria dizer para ele tudo que estava sentindo, como ele era um idiota por desprezar o sentimento que ela tinha por ele!


         Ela jogou os braços para o lado do corpo com força. Estava arrependida, naquele momento, de ter bebido na festa e ainda por cima, de ter virado a última bebida em apenas alguns segundos. As bebidas pareciam estar tendo efeito nela.


         - Eu disse para você não chamá-lo de...- ela aproximou-se dele, com passos decididos.


         - Eu chamo como eu quiser!- ele também deu dois passos em direção à Hermione.


         Os olhos azuis dele não parecia os que ela conhecia. Ela sentiu medo. Rony parecia fora de si, até a voz dele era diferente.


         - Ótimo.- ela queria sair dali, subir as escadas e poder se refugiar do dormitório. Mas Rony não quebrou o contato visual.- E você e Padma... tiveram uma boa festa?


         - Ah, como você é engraçada!- Rony jogou as duas mãos para o alto, baixando-as em seguida.


         - Por quê? Só queria saber, não os vi dançando nem uma música sequer.


         - É, não dançamos.- Rony estava tremendo.Estava realmente tremendo.


         Ela viu o ruivo respirar fundo. Ele a olhou de um jeito desconcertante.


 


 


         - Ronald Weasley-


        


Agora que os dois estavam ali, sem Harry como platéia, as coisas pareciam fluir. Sim, estavam discutindo, mas estavam admitindo coisas que talvez não teriam admitido sem o efeito de alguns drinques.


- Ah, como você é engraçada!- Rony jogou as duas mãos para o alto, baixando-as em seguida. Ela tinha essa mania de ser irônica. Ela sabia que ele estava incomodado. A essa altura, ela já sabia o que ele estava sentindo.


         - Por quê? Só queria saber, não os vi dançando nem uma música sequer.


         - É, não dançamos.- Rony estava tremendo.Estava realmente tremendo.


         A raiva fazia ele sentir que perderia o controle. Ele arrancou o paletó que vestia, querendo se livrar do calor que emanava de seu próprio corpo.


         - Você dançou bastante. Certamente gostou muito do baile, não? Vitinho certamente foi uma ótima companhia...


         - Eu não estou entendendo, Ronald! Qual é o problema com você? Esse seu mau humor já está durando tempo demais!


         Os olhos dela brilharam em direção a ele.


         - Mau humor? Mau humor?- ele aproximou-se perigosamente dela.


         - É, é sim!Mau humor! Você está todo irritadinho e fica descontando sua raiva em...


         - Ah, não começa Hermione!- ele sabia que haviam atingido um ponto em que não poderiam mais fingir que nada havia acontecido.- Você sabe muito bem que não estou descontando raiva nenhuma em ninguém!


         - Ah, é?- ela deu a volta ao redor dele, afastando-se bastante do ruivo. Passou a mão nervosa pelos cabelos. Enquanto ela gritava com ele, várias mechas teimosas caíam do coque que ela fizera tão caprichado. Ela virou-se novamente para ele, parecendo contente com a distância que haviam tomado.- Então será que você pode me explicar porque você está assim, tão insuportável? Primeiro você fica debochando do meu par e...


         - Eu não estava debochando!- as orelhas dele estavam muito vermelhas.


         - Estava sim! Desde o começo dessa história do baile você ficou falando coisas absurdas, chegou a insinuar que o Vítor não estava realmente interessado em mim, que estava...


         - E eu não posso expressar a minha opinião mais agora, não é?


         Já não tinham mais controle do que estavam falando. Rony temia que a qualquer momento aquilo pudesse terminar mal.   


         Hermione tinha lágrimas nos olhos, ela tentava disfarçar, passando as costas da mão no rosto, evitando borrar a maquiagem.


         - Sua opinião! Sua opinião? Então quem sabe, Ronald, você expressa sua verdadeira opinião e admite realmente o que está se passando com você!


         Agora as lágrimas caíam verdadeiramente. Ela não conseguia mais esconder. Ela secou o rosto rapidamente, o encarando, esperando uma resposta à altura de suas acusações.


         Hermione suspirou e fechou os olhos. Ele observou o peito dela descer e subir várias vezes até ela parecer suficientemente controlada.


         - Por que você ficou tão incomodado com o fato de eu ir com o Vítor para o baile? Será que você não acreditava realmente que eu pudesse arranjar um par, que alguém se interessaria por mim ou...


         - Eu fiquei incomodado sim!- seu rosto fervia. Ele precisava falar. Não iria falar nada mais do que ela já sabia. Só iria admitir em voz alta tudo aquilo. Respirou rapidamente para tentar se acalmar.- Eu não gosto do jeito que ele olha pra você eu...


         Hermione parecia estar com mais raiva, mas seus olhos demonstravam surpresa. Ela queria que ele continuasse a falar, obviamente.


         - Eu não gosto de ver você com ele.- falara aquilo mais alto do que planejara. O berro que saiu de sua garganta se perdeu nas paredes da sala comunal.


         O peso da sinceridade de Rony pareceu bater no fundo de sua barriga e voltar. Admitira, admitira perante ela que havia sentido ciúmes. Para sua surpresa, Hermione não parecia muito feliz com o desfecho. Provavelmente já sabia que ele havia ficado com ciúmes. O que ela esperava? Que ele fosse até ela e a beijasse, dissesse para ela que se arrependia de tudo que havia dito?


         - Ora, se você não gosta, então sabe qual é a solução, não sabe?- ela berrava ainda, seus cabelos mais revoltos do que antes, o rosto contraído de raiva. Ele não sabia mais o que fazer para acalmá-la.


- Ah,é?- berrou de volta para ela- Qual é?


Ele não sabia o que pretendia que a garota respondesse. Ele sabia a resposta perfeitamente bem. Sabia que não deveria ter a deixado escapar. Ou melhor, não devia ter feito todas aquelas baboseiras e perdido ela.


- Da próxima vez que houver um baile, me convide antes que outro garoto faça isso, e não como último recurso!


Ele queria falar, queria expressar toda aquela agonia que se passava dentro dele. Sua boca ficou se mexendo sem emitir som, e Hermione já virara de costas e subia para dormitório.


Ele queria que ela tivesse ficado ali. Não queria ir dormir brigado com ela. Mas não conseguira falar mais nada!


Ficou assustado ao ver que Harry o encarava, o rosto surpreso.


- Bom, bom, isso só prova que ela não entendeu nada.


Como poderia admitir para Harry os sentimentos que tinha por Mione? Acabara de ir mais longe do que achou que poderia ir.


Harry lançou um olhar estranho para ele, como se soubesse mais que ele próprio. Rony sentiu-se incomodado com aquilo e evitou o olhar do amigo até estar a salvo na sua cama do dormitório.


Com as cortinas fechadas, Rony deixou toda a sua raiva extravasar. Ficou surpreso por escutar ainda as conversas dos seus companheiros de dormitório, se o mundo dele estava tão bagunçado, como ainda era possível que as pessoas ao seu redor fossem indiferentes a isso?


Jogou as mãos para trás da cabeça. Enquanto suspirava, sentiu algo cutucar sua nuca debaixo do travesseiro.


Sentiu-se nauseado, sabendo o que iria encontrar. Com a mão direita, puxou o bonequinho de Vítor Krum que havia ficado jogado ali, indo parar próximo ao travesseiro.


“- Não seja tão burro! O inimigo! Francamente, quem é que ficou todo excitado quando viu o Krum chegar? Quem é que queria pedir um autógrafo a ele? Quem é que tem um modelinho dele no dormitório?”


A voz de Hermione parecia real, a garota parecia estar ali ao seu lado. Ele observou o bonequinho franzir a sobrancelha para ele, e permaneceu segurando-o pelas pernas impedindo-o de andar daquele jeito curvado, que estava lhe causando mais raiva ainda.


Ele repassou mentalmente toda a briga com Hermione. Muitas palavras haviam sido ditas. Muitas coisas haviam se perdido entre frases mal acabadas e vergonha de admitir que o sentimento entre eles estava tomando tamanha dimensão, que já não era mais capaz de manter.


Hermione e Krum. Hermione e Krum? Se fechava os olhos, a única coisa que conseguia enxergar eram os dois, dançando, e Krum aproximando o rosto no ouvido de Hermione para sussurrar algo. Haviam segredos entre eles. Quando havia acontecido enquanto ele não estivera perto? Se havia acontecido um convite para o baile, certamente muitas conversas haviam sido travadas!


Ele sentiu a raiva o tomar novamente, e sem receio algum, apertou fortemente o boneco que permanecia em suas mãos, até ouvir o barulho de pequenas pecinhas se soltando.


Fechou os olhos e deixou sua mente vagar. Sua imaginação insistia em desenhar uma cena em que ele, de braços dados com Hermione e trajando vestes a rigor decentes, entrava pelo Salão Principal. Eles dançariam juntos, ele poderia conduzi-la conforme a música, da mesma forma que Krum havia feito.


Mirou o rosto do búlgaro, perfeitamente representado no brinquedo. Havia tentado ofender Hermione, insinuado que Krum estava apenas querendo se aproximar dela para se aproveitar da amizade dela com Harry!


Não satisfeito com o estrago que havia feito até então, arrancou despreocupadamente os braços e as pernas do boneco, sentindo seu próprio corpo amortecer. A raiva que sentia naquele momento, o fazia desejar poder levar para a realidade, aquela tortura que estava infligindo ao modelinho do jogador.


 


- Hermione Granger-


 


Agora estava mais calma. Tinha que se acalmar antes que o dormitório estivesse lotado novamente, com todas as suas companheiras de quarto falando sobre a maravilhosa noite.


Permanecia sentindo-se suja por ter beijado Krum. Não deveria nutrir esse sentimento! Não havia feito nada de errado! E pensando por outro lado, ter aquele segredo compartilhado com o búlgaro a tornava mais forte. Não pôde conter um sorriso nos lábios. Havia sido beijada por Vítor Krum! Ela era capaz de ser admirada como garota!


A raiva que tinha de Rony pareceu reacender dentro dela uma luz. Não era incômodo, não era necessariamente ruim. Era diferente. Após aqueles gritos e verdades jogadas na cara, minutos antes na sala comunal, ela havia sentido que podia ver o ruivo sob uma nova perspectiva.


Começou a soltar os restos do cabelo que permaneciam presos. Mirou-se no espelho e deixou escapar um suspiro. Certamente já era tarde para isso, mas precisava de um demorado banho quente. Queria tirar aquela maquiagem que começava a coçar seus olhos e rosto, queria ter seu cabelo de volta à forma natural, por mais bonita que tivesse se achado com o penteado escolhido para a noite: naquele momento o que mais queria era voltar a se sentir a Hermione Granger de sempre, para poder assimilar a realidade que abaixava, como uma nuvem, perante sua cabeça.


Apenas após o banho, enquanto passava a toalha pelos cabelos molhados, foi que Hermione deixou as lágrimas voltarem aos seus olhos. Escorreram pelo seu rosto, agora limpo e caíram no seu colo.


Por que tinha quer ser tão difícil? Por que o destino havia feito ela conhecer Rony, se apaixonar por ele, e ainda ter que jogar na cara do garoto que ele era capaz de sentir o mesmo por ela? Por que não havia conhecido um Rony diferente, que teria a convidado para o baile, dançado ao lado dela durante toda a noite?


Esse Rony de sua imaginação era cavalheiro, iria a receber com um sorriso sincero e um elogio na ponta da língua. Iria a conduzir pelo salão, tendo olhos apenas para ela. Após o baile, continuaria a tratando como uma dama, acompanhando-a e segurando sua mão no intervalo das aulas, estudaria com ela na sala comunal.


O Rony que ela queria que existisse, permitiria que a última visão que ela tivesse, antes do seu primeiro beijo, fosse seus cabelos muito vermelhos e a luz perfeita de seus olhos azuis. A beijaria de um modo que fizesse ela esquecer onde estava, a envolveria com os braços e a faria suspirar enquanto eles conheceriam um lugar só deles. E quando ela abrisse os olhos, ele estaria lá: sorrindo para ela. E a partir daí, tudo seria tão simples!


Por que ele não era assim? Por que Ronald Weasley não cabia nessa imaginação, nesse desejo desesperado de seu coração?


Hermione já havia desistido de tentar ser racional. Terminou de colocar suas coisas no devido lugar da cômoda, tirou o roupão trocando pela sua camisola e jogou-se na cama. Apenas com um aceno da varinha, fez com que as cortinas escondessem aquela nova Hermione Granger do resto do dormitório.


Sentia sua cabeça doer, provavelmente devido às lágrimas insistentes que continuavam a cair. Seu cabelo ainda estava molhado, esparramando-se pelo travesseiro, deixando aquela sensação incômoda de estar deitado sobre algo úmido. Ela não se importou. Seu cabelo estaria horrível no outro dia, de qualquer jeito.


Ela puxou as cobertas até o pescoço. Seus olhos permaneciam abertos, enquanto ela escutava as risadas de Parvati e Lilá, que chegavam ao dormitório.


- Incrível! Enquanto dançávamos foi como se...


Mas a voz de Lilá parou no meio da frase, Hermione teve certeza que Parvati a fizera se calar mostrando que a cama de Hermione provavelmente estava ocupada, e que a garota deveria estar escutando o diálogo.


- Ah, tudo bem...- Lilá abaixou a voz.- Termino de contar para você amanhã!


Mas Hermione não se importou que tivessem parado com as fofocas. Não se importava em saber como havia sido a noite das duas. Parvati havia desistido de dançar com Harry assim que achou um novo par. Lilá parecia realmente empolgada com o garoto que havia ido com ela, Hermione não fazia questão de lembrar quem era.


Sentiu uma pontinha de inveja de Lilá. Havia ido com quem queria, provavelmente. Todos da Grifinória sabia que ela já havia saído com alguns rapazes, ela não fazia questão de esconder. Hermione já havia escutado ela contar a Parvati suas aventuras amorosas.


Hermione fechou os olhos, tentando forçar o sono a aparecer.Óbvio que não adiantaria. Mesmo quando o dormitório ficou silencioso, e as outras garotas haviam pego no sono, ela permanecia mais alerta do que antes.


Não queria sonhar. Queria ficar ali, deitada, tomando consciência de tudo que havia acontecido. Mas logo tudo pareceu se dissolver.


O sono começou a ganhar espaço, e ela adormeceu, a contragosto, enquanto uma imagem vívida tomava sua mente: nela, um Rony Weasley completamente mudado, tomava coragem para aproximar-se dela e beijá-la. Ela adormeceu, com um sorriso formado nos lábios que mesmo tendo sido beijado por Krum, ansiavam pelo ruivo grifinório cabeça-dura que tanto implicava com ela.


 


(...)


 


Ele colocou as duas mãos sobre as dela delicadamente. A garota recuou.


- Ah, Rony... por favor, não.- ela estava muito vermelha.- Você sabe que eu não sou assim, mas isso é uma coisa de criança... não tem porque...


- Ah, Mione... um dos motivos de eu querer vir para cá é poder saber um pouco mais sobre a Hermione que eu não conheci...


- Você sabe tudo sobre mim!- ela parecia uma criança birrenta.


- Sei?


Ele forçou a mão dela para tentar tirar a caixa. A garota continuava segurando fortemente. Ele sabia o que precisava fazer. Sabia que Hermione estava imersa no mundo trouxa agora, provavelmente não se lembraria que existia uma varinha em seu bolso.


Antes que ela pudesse pensar, Rony sacou a própria varinha e apontou firmemente para as mãos da garota.


- Accio caixa!


Hermione não teve como segurar a força que o feitiço teve sobre o objeto. No segundo seguinte, ele já estava nas mãos de Rony.


- Ronald! Isso é completamente desnecessário!


Ele ergueu a caixa acima de sua cabeça.


         - Só quero ver!


         Ela pareceu desistir. Seu rosto ainda mostrava a vergonha que tinha. Largou os braços ao lado do corpo.


         - Não pense que eu vou enfeitiçar você, não vou! Mas não quero ver o sorrisinho no seu rosto quando você abrir isso aí.


         Ela foi até a cama, bufou irritada e jogou-se nela. Rony não se importou de olhá-la. A curiosidade estava o corroendo por dentro.


         Ele abriu a caixa rapidamente e logo a compreensão o tomou.


Foi até a cadeira posicionada próxima a escravinha e repousou a caixa para poder puxar o conteúdo dela para fora e espalhar na pequena mesa.


         Eram cartas. Muitas cartas. Parecia ter sido lidas diversas vezes e mesmo assim, cuidadosamente colocadas de volta no envelope correspondente. Mesmo desconfiando, ele soube no instante que vira o rosto envergonhado de Hermione, que não eram cartas de Krum nem de Harry.


         Eram dele. Era a caligrafia descoordenada dele com seus 11 anos, 12, 13, 14 anos. Todas as cartas que ele havia escrito estavam ali!


         Abrindo os envelopes ele percebeu um amassado diferente em algumas, principalmente as últimas que havia escrito, como se Hermione tivesse as abraçado contra o peito.


         Achou uma fita azul, que se lembrava claramente pertencer a um dos primeiros ovos de páscoa que dera a amiga. Achou um recorte do Profeta Diário com a foto da sua família na viagem ao Egito...


         Haviam tantas lembranças ali dentro! Talvez para ele não houvesse justificativa estarem ali, mas certamente significavam algo para Hermione, porque ela as guardara cuidadosamente.


         Ele sentiu uma sensação quente percorrer seu corpo. Sabia que fazia tempo que ele e Hermione nutriam um sentimento um pelo outro. Mas ver assim, diante de seus olhos, com uma clareza absurda, que aquilo vinha desde que haviam se conhecido, fez ele ter certeza absoluta que continuava perdendo o tempo dos dois, com medo de conhecer os pais de Hermione, com receio de admitir o que sentia...


         - Mione...- virou-se para ela, sentia a voz embargada.


         - Pode rir.- ela mexia em umas pequenas caixas quadradas próximas a sua cama, ele não sabia o que eram.


         - E-eu não vou rir...


         Ela o olhou. Parecia querer desviar o assunto.


         - Já ouviu falar disso?- apontou para a pequena caixa que tinha em mãos.- Chamam-se CD´s. Os trouxas usam para guardar músicas e depois colocam para tocar aqui.


         Ela apontou para uma caixa irregular, azul e cinza, estranha. Rony não queria saber o que eram naquele momento.


         Largou tudo que havia na caixa e se aproximou de Hermione, cautelosamente. Ela evitou o seu olhar.         


         - Por que você achou que eu iria rir?- ele passou a mão pelos cabelos dela.


         - Por que isso é coisa de garota.


         - Eu sei.


         - E então?- ela o olhou, desafiadora.- Feliz de conhecer a Hermione infantil que não conhecia?


         - Não acho infantil.- suas orelhas estavam incrivelmente vermelhas.- Mostra que se importa. Que sempre se importou.


         Ela suspirou, mirando as próprias mãos.


         - Você sabe disso. Sabe que sempre em importei.


         - Sei sim...- ele abaixou o tom de voz e quase sentiu seu corpo entrar em colapso, quando uniu seus lábios nos dela.


         Hermione ficou imensamente surpresa e por alguns instantes não se moveu, manteve uma mão afastando o peito de Rony dela, instintivamente, devido ao susto.


         Ele entrelaçou os dedos nos cabelos da garota e aprofundou o beijo, provocando uma resposta à altura por parte de Hermione, que já havia envolvido o pescoço do garoto com os braços e permitia que Rony a beijasse, tomasse conta da situação.


         Ele quebrou o beijo apenas para dar vários e curtos beijos nos lábios úmidos e agora, vermelhos, de Hermione.


         - Você sempre... você sempre teve certeza... do que sentia?


         - Diferente de você...-ela beijou rapidamente o rosto dele.-... eu desisti de mentir para mim mesma.


         - Você tem razão sabe.- ele riu.- Eu menti durante muito tempo para mim mesmo.


         Ele a beijou novamente, sentindo que perdia o fôlego. Mas não importava. Queria deixar transparecer tudo naquele beijo. Queria que ela entendesse o que estava sentindo.


         Hermione o afastou depois de algum tempo, a voz tremia levemente.


         - Rony, acho melhor...


         - Desculpe...


         Ele se levantou e a puxou para um abraço. Envolveu a garota firmemente com os braços, respirando fundo enquanto afundava o rosto em seus cabelos. Adorava o perfume dela, adorava a sensação de ser abraçado de volta. Por que fugir daquilo? Não deveria ter medo! Era isso que ele queria. Desde muito tempo.


         Agora que finalmente conseguia, agora que decidira parar de tentar se enganar, só havia mais alguns passos para trilhar para que tudo se acertasse.


         Considerando que na história dos dois, ele certamente havia errado mais que acertado, ele havia cometido os maiores erros e burradas, certamente cabia a ele resolver tudo a tempo. Tentar se redimir por tudo.


         Enquanto abraçava Hermione ele teve certeza que era aquilo que iria fazer: iria provar para a garota tudo que sentia e passaria o resto da vida tentando fazê-la sentir que tudo na história deles haviam valido a pena, apenas para terem o que tinham agora.

Primeiro Capítulo :: Próximo Capítulo :: Capítulo Anterior :: Último Capítulo

Menu da Fic

Adicionar Fic aos Favoritos :: Adicionar Autor aos Favoritos

 

_____________________________________________


Comentários: 0

Nenhum comentário para este capítulo!

_____________________________________________

______________________________


Potterish.com / FeB V.4.1 (Ano 12) - Copyright 2002-2017
Contato: clique aqui

Moderadores:


Created by: Júlio e Marcelo

Layout: Carmem Cardoso

Creative Commons Licence
Potterish Content by Marcelo Neves / Potterish.com is licensed under a Creative Commons
Attribution-NonCommercial-ShareAlike 3.0 Unported License.
Based on a work at potterish.com.