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105. DESENCANTOS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 105 – DESENCANTOS


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Um dos novos vestidos havia chegado no dia anterior, com todos os acessórios necessários para que o vestisse e ostentasse numa personalidade marcante diante da sociedade Londrina.


Hermione estava de pé em frente à cama, olhando para aquele vestido como quem olha para seu caixão.


Não deveria ser mal agradecida. Olhou em volta, para o lindo quarto da casa que Rony alugara para ambos há uma semana. A cama tinha dossel e quatro colunas, que sustentavam um teto de onde caia suavemente uma cortina transparente, de uma renda tão fina que acariciava seus dedos sempre que a tocava. Elas ficavam presas durante o dia, para que o quarto ficasse ainda mais bonito com as roupas de cama macias e bem feitas à mostra.


Um guarda roupas no lado esquerdo, onde também ficavam uma mesinha e duas cadeiras, ricamente talhadas. Do lado direito do quarto, próxima a ampla janela que dava para a rua, havia uma cômoda, e uma grande poltrona em veludo com grandes almofadas. O tapete no chão era ricamente trabalhado, e o lustre no teto encantador.


Um ambiente não tão luxuoso, porém perfeito para a mulher que deveria vestir aquela roupa dos sonhos. Uma mulher que definitivamente não era ela!


Hermione usava uma camada das muitas que possuía a anágua que deveria usar embaixo do vestido, e usava também um espartilho justo, mas que não a sufocava. Era necessário para que o vestido se mantivesse com perfeição no seu corpo.  Havia passado pó de arroz nas faces, para suavizar sua expressão deprimida, e usava um perfume muito sutil que Rony trouxera no dia anterior.


Tinha cheiro de rosas, e por um segundo ela sentiu a tristeza ir embora, ao lembrar-se daquela tarde de insensatez quando o levara ao bordel da cidade, e usara para ele uma rosa entre os seios. Apegara-se a idéia dele ter pensado nisso ao comprar aquele perfume. Ou quem sabe, se lembrara dos momentos íntimos e delicados divididos sobre a cama cheia de pétalas de rosas, ainda no apertado vagão do trem, a caminho de Londres.


Sua esperança, no entanto durara bem pouco, pois indiferente, havia saído pouco depois de lhe dar o presente. Falava sobre trabalho e estava nervoso.


Sr.Loren para cá... Sr.Loren para lá. Detestava esse homem sem nunca o ter visto na vida!  Roubava cada minuto de atenção que Rony poderia lhe dar!


Deus, lá estava ela novamente se lamentando por ter perdido sua afeição! E acaso não sabia desde sempre que isso aconteceria? Rony não foi embora, nem a abandonou, porém, mais exasperante era perdê-lo e ainda sim manter-se ao seu lado, assistindo de camarote seu interesse por Londres!


Quem sabe, quando voltassem para a fazenda, estando de volta à vida do campo, ele voltasse a se interessar por ela e pela vida dos dois? Talvez...


-Não! – disse em voz alta, falando para aquele estúpido vestido – Não aceitarei migalhas!


Quando voltassem para a fazenda, esqueceria definitivamente daquele homem! Usaria a estadia em Londres como um antídoto para todos os sentimentos que tinha dentro de si. Arrancaria Ronald de seu pensamento e do seu coração, e se concentraria apenas no bebê que carregava! Com o tempo, poderiam ser apenas bons amigos.


Ou quem sabe, conhecidos com um filho em comum. Que assim fosse! Nunca quisera esse casamento! E agora, sem o argumento da fazenda, lhe parecia cada dia mais inconcebível que houvesse amarrado sua vida aquele biltre de olhos sedutores!


Olhos que antes a seguiam onde quer que estivesse, e que agora, fugiam cada vez que o olhava.


Tocada por aquele desinteresse todo, Hermione olhou novamente desgostosa para aquele maldito vestido. Era a prova incontestável do quanto ele sentia falta de Londres!


Estava ansioso para vesti-la como as outras moças, desfilar com ela como um troféu. Ledo engano!


Ronald descobriria que tinha os dois pés esquerdos para a dança, e que era incapaz de seguir um ritmo sem tropeçar ou cair.  Descobriria amargamente que Gina tentara lhe ensinar a dançar em várias ocasiones, e por fim, desistira quando seus pés não tinham mais lugares para pisões!


Descobriria também que costumava ficar zonza com o cheiro da fumaça de charutos, e freqüentemente sentia ânsia de vomito, mesmo antes da gravidez, em lugares abafados e com muitas pessoas!


Descobriria que o detestava e mais que isso, sentia repulsa de sua presença ao seu lado, e mostraria para todos os convidados que Ronald Wesley não passava de um cachorrinho preso na coleira de ouro que Hermione representava!


Amargurada, seguiu apenas olhando para o vestido que repousava placidamente, como se risse do seu sofrimento!


-Que perca de tempo – disse para si mesma – Com tantas propriedades onde poderia andar a cavalo e respirar o ar puro, o conde resolve justamente me trancafiar em um salão de baile! Só pode ter sido idéia de Ronald! Aposto como está ansioso para dançar com suas antigas amantes!


Fechou os olhos ao lembrar-se desse pequeno detalhe.


Como distinguiria entre a multidão as mulheres com quem ele tivera um relacionamento íntimo?


Como saberia quais foram suas amantes?


Entre todas as mulheres bonitas, bem nascidas, e principalmente educadas, e com todos os traquejos que ele tanto aprecia, como poderia saber com quais ele dormiu? Com quais fez amor durante noites e noites, entregando seu prazer e seu desejo tão frivolamente que a deixava com uma sensação horrível na boca do estômago só de pensar!


Sentindo aquele desespero da ignorância apoderar-se dela, Hermione apanhou a delicada bolsinha que descansava sobre a cama e jogou na parede com toda sua força. Por sorte errou o grande espelho da linda penteadeira, mas acertou um pequeno quadro que tremeu na parede, mas não caiu.


-Senhora!


O som de surpresa de Anna que entrava no quarto abafou o som que escapou de seus lábios quando constatou o que fizera e o por que.


-Eu... Está na hora de arrumar-se, Sra.Wesley – ela disse fingido não notar o que se passava.


Anna deixou uma bacia com água sobre a mesinha e abaixou-se para apanhar a bolsa, colocando sobre a cama como se nada fosse nada.


-Já fiz minha higiene – disse irritada.


Anna estava muito corada, e parecia respirar rapidamente.


-Oh, desculpe senhora, esqueci completamente!


Tão envergonhada que Hermione perguntou-se qual a razão de seu esquecimento, visto que a menina era tão cuidadosa e prestativa, ainda mais agora, que estava muitíssimo agradecida por ter sido transformada em dama de companhia, livrando-se assim do fardo de cuidar dos serviços domésticos.


Era sem dúvidas uma honra ser dama de companhia da filha do conde de Valença, e quando partissem, ela poderia ser contratada por outra família num trabalho que muito a agradava.


-Esqueceu? – seus olhos procuraram indícios, e ao notar o decote torto do vestido de Anna e sua franja delicada, que sempre descia bem penteada sobre sua testa, um tanto torta e mal cuidada, deduziu o que se passava – Duran está na sala com meu marido?


Ao som do nome do menino, ela saltou de olhos arregalados.


-N-n-não sei... Eu... Não o vi... Posso descer e procurar se a senhora q-quiser...


-Não será preciso – ela disse obtendo a resposta que desejava diante de seu nervoso e constrangimento. Suas bochechas tão vermelhas que poderia ter um desmaio a qualquer momento – para ser absolutamente franca, desejo que fique o mais longe possível dele!


Anna era jovem, mas não era boba, e trocou logo de assunto.


Hermione sentou-se diante da penteadeira, e deixou que Anna mostrasse vários penteados possíveis.


-Gostaria de deixá-los soltos... – disse sonhadora, mas diante do olhar de horror de Anna, refletido no espelho, suspirou – Faça algo simples Anna. Detestarei passar a noite com o pescoço reto, morrendo de medo de balançar a cabeça e ficar descabelada!


Anna riu de sua frase, achando ser uma graça. Hermione deixou-a rir, e até sorriu, traindo sua própria irritação.


Anna torceu seu cabelo num delicado coque, com a presilha que Rony lhe dera a algum tempo atrás, presa num dos lados de forma charmosa e simples. Os brincos de perolas foram postos nas orelhas com certo horror, pois embora tivesse as orelhas furadas, não se lembrava de alguma vez ter usado brincos tão pesados.


Claro, era apenas impressão sua, pois eram delicadas pérolas. Penteada, restou-lhe a única opção de calçar os sapatos delicados, de cetim e fitas, e erguer os braços para que o vestido fosse placidamente colocado e acomodado em seu corpo.


Quando Anna começou a fechar os inúmeros botões surgiu o primeiro problema. A menina tentou disfarçar, mas Hermione sentiu seus discretos puxõeszinhos na altura da cintura.


-Ficou pequeno? – ela perguntou chocada.


-A costureira deve ter se errado com o tamanho – Anna tentou consolar.


-Duvido, aquela mulher me virou do avesso para tirar todas as medidas! Deixe-me conter o ar – ela puxou o ar, o bastante para encolher a barriga e Anna abotoar os últimos dois pequenos botões.


Quando soltou o ar, sentiu-se apertada, mas nada desesperador.


-Estou engordando a cada dia – confidenciou – Minha barriga deveria estar maior!


-A senhora vai arredondar no próximo mês, minha mãe sempre diz que moças magrinhas engordam mais para o fim da gestação! – ela tentou acalmar sua ânsia.


-Foi exatamente o que minha amiga Juanita me disse – falou saudosamente, lembrando-se de Juanita e seus filhos, sentia falta das conversas e, sobretudo do pequeno Ruanzito.


-Não deve se apresar, a natureza sabe o que faz – aconselhou ajudando-a a colocar as longas luvas.  Então o colar, que viera junto com o vestido e os demais adornos. Era de ouro, um fio muito fino, com uma pérola na ponta. Discreto e de pouco valor, mas exatamente do seu gosto.


-Pronto – Anna entregou-lhe a bolsa – A senhora está linda.


Hermione olhou-se no espelho por longos momentos. O vestido era vermelho, num tom que mais lembrava um vinho forte. Tinha o decote triangular que realçava o busto, agora mais avolumado. Os ombros estavam desnudos, pois as mangas eram delicados filetes que caiam abaixo do ombro, num lindo drapeado. O corpete do vestido realçava cada curva, moldando, mostrando e escondendo. Sua saia era longa e rodada, e quando andasse, haveria um forro de renda vermelha graciosamente a mostra. Tão bonito era o vestido, que precisou tocar sobre o broche que adornava o decote.


Simples, sem babados, pensou satisfeita.


-Não é a cor da estação, muito menos o recomendado para um baile de apresentação... Mas está divino Sra.Wesley


-Acha que passarei vergonha?


-Outra mulher com menos beleza e menos personalidade talvez sentisse desconforto, mas se me permite dizer, combina perfeitamente com seus olhos e com seu rosto, tão expressivo!


-Anna, no próximo baile a levarei, com o intuito de me defender para todos que ousarem zombar de mim! – brincou, agradecida por seu elogio.


-É um elogio verdadeiro Sra.Wesley, e tenho certeza que o Sr.Wesley pensará o mesmo quando a vir tão bonita!


O mesmo Sr.Wesley que dormia na ponta da cama para não encostar nela? Sentindo que a amargura estava a um passo de regressar afastou-a, arrumando um fio de cabelo imaginário.


Seria impossível saber quem eram as amantes que Rony encontraria na festa, e também seria impossível saber quais delas ainda eram presentes em sua vida, e talvez, a causa de sua rejeição.


Olhando-se no espelho duramente, jurou a si mesma que só sossegaria quando Harry lhe contasse a triste verdade sobre todas as amantes que Rony tivera em Londres!


Queria conhecer cada uma delas, por nome e rosto!


Desse modo estaria preparada quando cruzasse com essas mulheres e fosse hostilizada, ou quem sabe, apanhada nas teias de uma falsa amizade. Envenenada e preparada para o pior, Hermione seguiu Anna para a sala.


 


 


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Rony esperava na sala, vestido e pronto para se apresentar diante da sociedade de Londres como o genro do conde de Valença. Há pouco tempo atrás seria um trunfo sobre seu nascimento pobre. Mas hoje, era uma teia que o prendia a cada respiração. O conde não era um homem de desistir facilmente, e pelo número de processos sobre sua mesa com o nome do conde, poderia dizer que estava em franca execução de seu plano de envolvê-lo com seus negócios.


Irritado, cruzou a perna sobre o joelho e estendeu os braços em volta do encosto da cadeira onde estava sentado. Fazia tempo que não vestia um fraque elegante e cuidadosamente preparado. Tentou lembrar-se dos últimos bailes que freqüentara em Londres, mas as lembranças eram pálidas em relação às profundas lembranças dos últimos meses de sua vida.


O corpo morno e nu de Hermione se contorcendo sob o seu era uma lembrança muito mais poderosa! Continha a paixão para não subjugá-la novamente, mas estava cada dia mais difícil. A noite passada precisara dormir no canto da cama, longe do calor do seu corpo, ou faria uma bobagem!


Pensando em sua desgraça, de desejar e não ser desejado, relembrando cada momento de amor, cada palavra de afeto, cada imagem que fizera seu coração acreditar que era correspondido, Rony nem percebeu que não estava mais sozinho.


Hermione sentiu vontade de sair correndo. Estava de pé, esperando ser notada, mas os olhos azuis estavam longe, pensativos, indo atrás de alguma lembrança que o tornava insensível a sua presença.


Antigamente, estaria ansioso esperando-a. Agora... Ignorava sua presença tão facilmente que sentiu vontade de chorar.


Perdido em seus pensamentos profundos e dolorosamente eróticos, só percebeu sua presença quando Anna pigarreou discretamente para atrair seu olhar.


Levantando-se em um salto, ficou diante dela.


Levou um baque tão grande diante da mulher que estava de pé, esperando alguma reação sua, que não pode fazer nada, apenas olhar e olhar.


Vestida com um belo vestido vermelho, penteada e cuidada, Hermione estava linda, cativante e sensual. Seus olhos demoraram muito tempo no decote, contendo o impulso incontrolável de cobrir-lhe os seios, para que homem algum pudesse olhar para eles do modo que fazia.


Hermione notou sua expressão contrariada e afastou o olhar. O desagradava tão profundamente que não tinha palavras para se expressar.


Rony via diante de si uma linda rosa sendo colhida no jardim da inocência, desabrochando para o sol com tanta entrega que seus olhos brilhavam, talvez de expectativa.


Não sabia ele que o brilho de seus olhos, era o brilho das lágrimas.


 


 


 


 


 


 


 


AUTORA: Nem parece o casal que se atraca em qualquer lugar! Deus, será que todo mundo fica bobo assim quando está apaixonado? Heheheh...


Nc de reconciliação? Será que vai ter? heheheheh...Esperem pelo cap 108.


 


 

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