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100. UM MUNDO NOVO


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 100 – UM MUNDO NOVO


 


 


 


 


 


 


 


 


 


A carruagem era aberta e permitia que visse todo o esplendor da cidade. Hermione tinha esquecido completamente do medo, do susto, e principalmente de Rony, ocupada em admirar cada detalhe daquele local grandioso.


A carruagem precisou parar por um momento, pois um grupo de mulheres passava numa espécie de caravana, ou algo assim. Uma jovem muito nova estendeu a ela um panfleto. Admirada, Hermione agradeceu e segurou em suas mãos, olhando para aquelas pessoas tão diferentes.


Vestiam-se com tanta cor, tanto viço! Algumas jovens usavam casacos sobre os vestidos, que lembravam uniformes, e olhando para o panfleto com mais atenção, ela leu:


“Escola Preparatória Para Mulheres Rosie Nell”


Preocupado, Rony tirou de suas mãos e sussurrou:


-O juiz Diggory não aprova que as mulheres estudem, e precisamos de seu apoio. Não se encante por essas feministas, Hermione!


-Para ser franca, não é minha cabeça que está a prêmio – disse revoltada, tomando de sua mão o panfleto e olhando para aquelas simpáticas mulheres.


Uma delas, um pouco mais velha, talvez notando seu interesse e sua roupa mais simples e interiorana, em contraste com a bela carruagem e o homem bem vestido ao seu lado, achou interessante se aproximar.


-Sou Roxanne Lammer! - ela disse após um cumprimento – Gostaria de se juntar a nosso grupo? Temos reuniões todas às quintas as noites, no Rosie Nell, a partir das oito horas da noite. Podemos...


-Não obrigada – Rony respondeu por ela – Estamos apenas de passagem. Tenha uma boa tarde, senhora.


Furiosa pelo seu atrevimento, Hermione precisou pedir ajuda aos céus para não arrancar seus olhos em público! Que audácia!


Seus olhos mostraram o que a mulher queria saber, seu furor interno, e antes de se afastar ela tornou a dizer:


-Oito horas. Todas as quintas.  No Rosie Nell!


Hermione acenou para a mulher, e a carruagem voltou a se movimentar quando as pessoas passaram e seguiram em direção aos estabelecimentos.


-Não se atreva a responder por mim outra vez – ela disse tentando não se exaltar – Sei meu lugar e sei me comportar. Não preciso ser tratada como uma criança em público!


-Não era minha intenção - ele desculpou-se – Muitos desses grupos podem ser perigosos...


-Que perigo há em pobres mulheres quererem aprender a ler e escrever? – perguntou na defensiva.


-Não me referia aos grupos, mas aos dissabores que despertam em outras pessoas. Muitos estão jurados de vingança, porque existem homens que acreditam que suas mulheres terem opiniões próprias pode danificar seus pacíficos casamentos – ele explicou pacientemente – Antes da minha partida, um desses grupos foi atacado, e uma jovem ferida mortamente, sobrevivendo graças a sua boa sorte. Não desejo que passe por perigos desnecessários!


-Entendo – disse, fechando a expressão por ele estar certo.


Rony analisou-a e sentiu-se culpado por agir de um modo tão dominante. Tudo que não desejava era anular sua espontaneidade tão rara.


-Prometo me informar sobre esse grupo, e se tiver boa fama, poderia acompanhá-la a uma dessas reuniões. O que acha? – sugeriu, apenas para vê-la sorrir.


Surpresa, Hermione olhou para ele sem entender.


-Diz isso para me acalmar e para me ludibriar. Assim que eu esquecer o assunto, também o fará – acusou.


Rony afastou o olhar, pois ela acertara em cheio.


-Veja, aquela é nossa casa – mudou o assunto, salvo pela aparição da casa que alugara.


Um pequeno sobrado se revelou diante dos olhos de Hermione. Estava localizado entre dois outros sobrados maiores, e parecia um pouco mais antigo que eles. Era pintado em amarelo, as janelas se sobressaindo, pois ocupavam a maior parte das paredes. Quem quer que tenha construído aquela casa gostava de ar livre e sol, ou não teria gostado de tantas aberturas!


Hermione apreciou a cerca, o pequeno jardim, e olhou para cima, imaginando que haveria um sótão no segundo andar, pois sua mãe costumava dizer que casas antigas tinham sótãos.


Entretidas em olhar tudo, desceu da carruagem com ajuda de Rony e deixou que a conduzisse em direção ao charmoso portão.


-É uma casa linda – ela disse encantada.


-É pequena e antiga, e com certeza não é a melhor de Londres, mas ficaremos apenas dois meses, e está mobiliada, também teremos ajuda de uma empregada. Foi uma sorte achá-la!


-Sim, foi uma sorte. Podemos entrar? – perguntou ansiosa.


-Sim, podemos.


Rony não estava gostando nada de seu entusiasmo com Londres. Claro, desejava que estivesse à vontade e feliz, mas esse encantamento todo era perigoso vindo de Hermione. Seus planos eram muito simples: conseguir proteção do juiz Diggory e voltar para casa como um homem livre.


De modo algum em seus planos, encontrava-se a idéia de arrastar novamente Hermione para dentro de um trem, ainda mais com o pai conde, que poderia lhe mostrar todas as maravilhas da cidade grande!


Estremecendo, ele abriu a porta e ela entrou.


-O último dono dessa casa era uma senhora viúva, com mais de oitenta anos, por isso a decoração é tão conservadora e antiga – ele explicou – O Sr.Lovegood não teve coragem de mudar nada na decoração quando adquiriu essa casa. O que acha? É do seu agrado?


Hermione olhou para os móveis de madeira, simples e caprichosos. Para as toalhas de crochê e para os bibelôs de gesso e cristal. Era um pouco exagerado, mas era lindo.


-Sim, é do meu agrado – concordou, olhando para o chão, e decidindo silenciosamente se livrar daqueles tapetes. Era de uma cor escura, marrom, e a desagradou profundamente. Mas o restante da casa era um primor.


-Temos algumas horas para nos acomodar antes de recebermos o Sr.Lovegood. Ele mora na casa ao lado, e fez questão de nos visitar. Conhecerá sua filha, Luna.


-Uma filha? – ficou em alerta – Alguém do seu passado novamente?


Sua ironia não passou despercebida. Esperando não começarem outra briga se aproximou e abraçou-a.


-Luna Lovegood é uma criatura peculiar. Muito bem educada, não se preocupe. É noiva e vive com o pai, pois a mãe é falecida. Poderão ser amigas se controlar sua língua e não zombar da jovem.


-E porque zombaria dela? – empurrou-o achando que estava falando bem demais daquela moça.


-Saberá quando a conhecer – riu para ela, insistindo em abraçá-la.


Contrariada, rendeu-se ao seu abraço, mantendo o rosto erguido em sua direção como quem espera um beijo.


-Quer conhecer o quarto? – era uma pergunta maliciosa.


Um longo suspiro escapou de seus lábios ao negar com a cabeça.


-Quero conhecer a casa, e a empregada, e preciso desesperadamente comer algo com açúcar.


-E eu? Onde fico na sua lista de necessidades? – provocou, adorando ter momentos como esse ao seu lado.


Desde que confessara seu amor, amordaçada, Hermione sentia-se quase livre das amarras que a impediam de ser uma esposa dedicada à apaixonada. Mas às vezes tinha suas reservas, como agora.


Lutando contra a vontade de enlaçá-lo pelo pescoço, colar os corpos e dizer o quanto o desejava e amava, ela o afastou novamente.


-Receba as malas e mande Duram me ajudar a desfazê-las. Essa deveria ser sua prioridade! - Revidou, esperando que pudesse entender que não era uma rejeição, era apenas sua incapacidade de se entregar totalmente!


-Precisarei sair e buscar alimento. Aqui não há armazéns. Devo voltar em uma hora. É tempo suficiente para que se instale?


-Creio que sim...


Hermione foi pega de surpresa por um beijo. Um longo beijo.


Sorrindo puramente satisfeito, ele deixou-a após esse beijo.


Sozinha, ela olhou em volta.


A vida em Londres era muito diferente, mas não era assim tão desagradável...


 


 


....................................................................


 


 


 


Para total horror da empregada, Hermione tentava tirar os tapetes com a ajuda de Duran. A moça era jovem, não deveria ter mais que catorze anos, se chamava Anna, o que arrancara de Hermione um sentimento de carinho imediato ao lembrar-se da irmã. Era muito suave e angelical, com olhos amendoados e cabelos negros.


Parecia vivamente encantada com o menino da roça que falava engraçado e morria de vergonha de olhar para ela. Hermione temeu ter problemas mantendo os dois na mesma casa, mas conhecia o senso de dever de Duran para com a família, e teria uma boa conversa com ele assim que ficassem a sós.


Anna ajudou-a a erguer uma das pontas do pesado tapete, e entre risos enrolaram-no por um bom pedaço, até descobrirem que as duas outras pontas estavam pregadas ao chão, para que antiga proprietária não tropeçasse por conta de sua avançada idade e tivesse uma feia queda.


Desgostosa, ela esperou que a menina voltasse com um martelo, e censurou Duran quando ele disse que a ajudaria.


-Sua mãe me mata se tiver que voltar com essa menina para casa, por sua causa! – ela avisou entre dentes, notando o menino ficar todo constrangido – As moças decentes não podem se casar desse modo Duran. Respeite-a!


Ele não respondeu nada, mas estava tão envergonhado quando a menina voltou que parecia prestes a sumir pelo buraco que encontraram no chão, embaixo do tapete.


Batidas na porta da frente fizeram Anna se apressar enquanto arrumava o avental que usava sobre o simples vestido, e arrumava os cabelos negros em seu coque delicado.


-A Srta. Lovegood – Anna apresentou, dando passagem para a jovem atrás de si.


Hermione não entendia porque todos pareciam ter tantas formalidades em Londres. Mesuras e cumprimentos exagerados a todo instante!


-Boa tarde. Sou Luna Lovegood! – a jovem disse com entusiasmo.


Olhando para ela, Hermione se perguntou o que deveria dizer. Era loura, magra e da sua altura. Tinha um corpo comum, mas o que destacavam eram seus olhos azuis claros, que pareciam sorrir. Tinha uma expressão sonhadora, a qual assustava Hermione, pois não sabia lidar com pessoas sonhadoras.


-Boa tarde. Hermione Granger... Hermione Wesley – corrigiu, apresentando-se um tanto incerta sobre o que fazer.


-Meu pai mandou pedir desculpas por ele, mas não pode vir. Oferece nosso respeito e nosso desejo que sejam bem vindos!  A casa é do seu gosto? Soube que é recém casada! E que espera um bebê! Posso ajudá-la com o enxoval? Posso levá-la a casa de uma costureira maravilhosa, mas acho que ela só faz roupas para funerais... - ela pareceu se perder em sua própria frase e então sorriu como se não fosse nada demais.


-Estou tentando trocar o tapete – ela respondeu, sem saber exatamente o que dizer. Era como ver um ser de outro planeta diante de si.


Tão extrovertida. Tão confusa. Agora notava sua roupa atípica. Usava um colete masculino sobre o delicado vestido verde pistache. Havia abotoado a peça e mantinha o relógio preso ao bolso, como os homens costumavam fazer, mas não era uma feminista. Era apenas descuidada e precisava carregar um relógio consigo, ou sempre perderia a hora de voltar para casa!


Não carregava bolsas, pois sempre as perdia. Do mesmo modo que usava os longos cabelos louros soltos, pois em sua cabeça, nenhum coque durava muito tempo!


Seguiu contando esse fato a Hermione que ficou de pé diante dela, sem saber o que responder. Se é que ela esperava uma resposta. Igualmente de pé, Duran esperava olhando de uma para a outra, enquanto a menina Anna continha o riso.


-Seu marido sempre dizia coisas engraçadas – por fim ela terminava seu monólogo – Não achei que se casaria. Mas se achasse talvez houvesse pedido a papai que pedisse minha mão para ele. Mas isso foi antes de ser pedida por Neville! Você precisa de ajuda com o tapete?


Hermione concordou com um movimento da cabeça, achando que depois de vinte minutos de monólogo ela não poderia mesmo lembrar-se de seu comentário inicial.


 Pela próxima hora teve ajuda para tirar todos os tapetes da casa, que eram muitos, mas seus ouvidos estavam prestes a explodirem. Aquela jovem falava pelos cotovelos, joelhos e orelhas.


Hermione havia dito uma palavra ou duas ao longo da tarde, mas havia tido muito tempo para pensar, no tempo em que sua mente vagava entre as frases intermináveis de Luna.


-Acho que me esqueci de dizer, mas papai gostaria que jantassem conosco essa noite! – ela disse ao recuperar o fôlego depois de carregarem um pesado tapete enrolado até o deposito, atrás da cozinha.


-Sinto muito, mas ainda tenho que desfazer as malas e tirar o pó de toda a casa... – tentou negar.


-Oh, mas ajudo você a desfazer as malas. Sabe que sou perita nisso? Vivemos viajando! Mostre-me onde estão as malas!


Hermione sorriu o mais simpática que pode, e enquanto ela subia as escadas a revelia de sua vontade, virou-se para Anna pedindo que cuidasse do pó e preparasse um lanche para elas, e deu ordens expressas que Duran ficasse no jardim, cuidando quando o patrão chegasse, e também vendo o que poderia fazer com as flores que estavam mal cuidadas.


Bem da verdade, queria tirá-lo de perto da tentação que Anna representava. Não custava afastar o mel do urso não é?


Pedindo paciências aos céus rumou para o segundo andar.


 


 


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Rony entrou em sua nova casa, sentindo falta do ar do campo, do calor e do cheiro dos animais. Impensável sentir-se assim, logo ele que gostava tanto de Londres. Se fosse totalmente sincero, admitiria que estava sentindo-se preso em uma jaula, louco para tirar o casaco, desabotoar parte da camisa, arregaçar as mangas e subir em um cavalo para vistoriar o pasto a céu aberto!


Liberdade. Era disso que sentia falta!


Chamou por Hermione duas vezes antes de ser atendido. Ela correu pelo corredor e parou no alto da escada, com expressão desesperada. Desceu tão rápido que ele pensou em uma desgraça.


-Pelo amor de Deus, não agüento mais! – ela sussurrou.


Começando a se assustar, olhou para cima, onde uma massa loura surgiu com seu sempre estranho sorriso.


-Que bom que voltou! Meu pai nos espera para o jantar! Cheguei a dizer a Hermione que com toda essa demora deveria ter sido atacado por alguém militar que esteja na cidade! Não seria o primeiro! Todos dizem que eles estão por aí, procurando briga, e como sempre foi esquentado e desagradável, não admiraria se tirasse um deles do sério! – desceu, falando sem parar – Se bem que eles devem estar ocupados com...


Seguiu falando, mas Rony não prestou atenção olhando para Hermione e piscando.


-Desculpe – ele sussurrou – Não previa isso.


Havia algo risonho nele, e suspirando conformada ela apenas disse:


-Tirei os tapetes.


 


 


 


 


 


 


 


 


 


Autora: tadinha, a Hermione tá perdidinha na vida em Londres! Heheheh...


 


Não gosto de atrasar capítulos, mas vocês sabem, não é fácil postar capítulos novos todos os dias.  É um desafio, e eu e a minha beta estamos sempre correndo para dar conta! Heheheheh....


 


Tenho três recadinhos:


*Bruna, ainda vou mandar o email, só não consegui tempo de escrever!


*Andréia, baixei a série! Menina, eu te adoro por isso! Deliciosa essa série!


*Perséfone, sua capa é mesmo linda. Apaixonei-me por ela. Valeu mesmo ter me mandando a sugestão!!!!!!


 


 


 

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